Artigo

05 de agosto de 2026

Impactos da Resolução CMN 4.966/2021 nas Operações de Crédito em Cooperativas de Crédito

Josiane Rodrigues Novais Barreto; Giovani Antônio Silva Brito

DOI: 10.22167/2675-6528-202600988

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A transição do modelo de perda incorrida para o de perda esperada impôs desafios contábeis e operacionais às instituições financeiras. O estudo analisou empiricamente os impactos da adoção da Resolução CMN n° 4.966/2021 nos níveis de provisionamento e no reconhecimento de receitas de uma cooperativa de crédito, quantificando as alterações e identificando os reflexos na gestão da carteira. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso descritivo e explicativo, com abordagem quali-quantitativa, fundamentado na análise documental das demonstrações financeiras referentes aos exercícios de 2024 e 2025 de uma instituição de grande porte. Para tanto, coletaram-se dados secundários de balancetes analíticos, demonstrações financeiras, notas explicativas e relatórios de gestão, aplicando-se Análise Horizontal, Análise Vertical e cálculo de indicadores como o Índice de Cobertura da PCLD e o impacto do “stop-accrual”. A adoção do novo arcabouço normativo resultou em um incremento de 56,45% no saldo total de provisões, representando um esforço adicional de R$ 175 milhões. A carteira de Capital de Giro sofreu o maior impacto relativo, com elevação de 81,55% nas provisões. A aplicação da regra de “stop-accrual” impediu o reconhecimento de R$ 47,3 milhões em receitas de juros de operações classificadas no Estágio 3. O Índice de Cobertura da carteira fortaleceu-se, passando de 161,50% para 187,70%. A mudança regulatória exigiu maior constituição de provisões e comprimiu a rentabilidade de curto prazo, absorvendo os ganhos de escala da expansão do crédito. A antecipação do reconhecimento de perdas atuou como um mecanismo disciplinador, conferindo maior resiliência à instituição frente a cenários de deterioração creditícia, embora com impacto na geração de sobras no curto prazo.

Palavras-chave: Contabilidade; IFRS 9; Provisão; Risco; Stop-accrual.

1. Introdução

A crise financeira global de 2008 expôs vulnerabilidades significativas nos sistemas contábeis das instituições financeiras, especialmente no que tange ao reconhecimento de perdas de crédito. O modelo de perda incorrida, então predominante e codificado na “International Accounting Standard” (IAS) 39, permitia que as provisões fossem constituídas apenas após a materialização de um evento de perda. Essa abordagem tardia contribuía para a amplificação dos ciclos econômicos e dificultava a sinalização precoce de deterioração creditícia, conforme apontado por Dantas et al. (2017). Em resposta a essas deficiências, o G20 e o “Financial Stability Board” (FSB) instaram o “International Accounting Standards Board” (IASB) a reformular as normas contábeis para instrumentos financeiros. O resultado foi a publicação da “International Financial Reporting Standard” (IFRS) 9 em julho de 2014, com vigência internacional a partir de janeiro de 2018. Esta norma introduziu o modelo de perda de crédito esperada “Expected Credit Loss” (ECL), que exige o reconhecimento antecipado de perdas ao longo de três estágios de deterioração creditícia, marcando uma mudança paradigmática na contabilidade do risco de crédito (KPMG, 2016).

No Brasil, a adaptação a este padrão internacional foi consolidada pela Resolução CMN n° 4.966, de 25 de novembro de 2021, que entrou em vigor em primeiro de janeiro de 2025. Esta nova regulamentação substituiu a Resolução CMN n° 2.682/1999 e outras normas correlatas, estabelecendo novos conceitos e critérios contábeis para instrumentos financeiros. É importante notar que a Resolução CMN n° 2.682/1999 não se enquadrava como um modelo de perda incorrida puro, como o IAS 39. A regulação brasileira já previa a constituição de provisões mínimas para operações não inadimplentes, baseadas em critérios de risco do tomador e garantias. Contudo, o atrelamento dos limites mínimos de provisionamento às faixas de atraso conferia um viés de perda incorrida, pois a deterioração do risco era reconhecida predominantemente após o inadimplemento. Assim, a norma anterior operava como um modelo intermediário, distinto tanto do padrão internacional pré-IFRS 9 quanto do novo arcabouço (BCB, 2021). As diretrizes do Banco Central do Brasil (BCB, 2021) indicam que a nova resolução impacta diretamente a gestão das carteiras de crédito, alterando os critérios de reconhecimento de provisões e introduzindo regras de “stop-accrual”, que vedam o reconhecimento de receitas não recebidas de operações classificadas como ativos com problema de recuperação de crédito, migrando o regime de competência para o de caixa nessas operações.

Os efeitos dessa transição regulatória já são perceptíveis no cenário financeiro nacional. O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil (BCB, 2025) estima que a mudança no critério de “stop-accrual” gerou uma redução de 1,2% nas receitas totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN) entre janeiro e agosto de 2025, totalizando R$ 12,2 bilhões. Dentro desse contexto, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) emergiu como um dos segmentos mais impactados, registrando o segundo maior impacto negativo proporcional nas receitas, com uma redução de 2,4%, equivalente a R$ 2,4 bilhões, influenciado pela relevância de suas carteiras de crédito rural, modalidade que apresentou aumento expressivo de ativos problemáticos no período. Adicionalmente, as despesas de provisão líquidas de reversão no SNCC já haviam crescido 38,2% em 2024, representando dezoito por cento do total das despesas do segmento, mesmo antes da plena vigência da nova norma (BCB, 2024a). Embora as provisões constituídas pelas entidades do SFN tenham se mostrado adequadas em níveis agregados, com a cobertura de perdas por provisão alcançando 0,99 em junho de 2025, esses resultados reforçam a dimensão sistêmica da transição normativa e sua capacidade de pressionar simultaneamente a rentabilidade e a exigência de capital das instituições financeiras (BCB, 2025).

A relevância do cooperativismo de crédito no Brasil intensifica a importância de análises aprofundadas sobre o tema. Em dezembro de 2024, o SNCC contava com 753 cooperativas singulares, atendendo 19,2 milhões de cooperados e gerindo ativos totais de R$ 885,3 bilhões, com um crescimento anual de 21,1%, superando o desempenho do restante do SFN (13,1%). A carteira de crédito ativa expandiu-se 18,8%, atingindo R$ 464,5 bilhões em operações líquidas de provisão, com presença em 58% dos municípios brasileiros (BCB, 2024a). Essas instituições, que operam com margens mais estreitas que os bancos comerciais e possuem forte atuação regional, atendendo predominantemente micro e pequenas empresas e produtores rurais, são particularmente sensíveis a alterações nos critérios de provisionamento e reconhecimento de receitas. A literatura acadêmica, por sua vez, concentra-se majoritariamente em grandes bancos, evidenciando o aumento do provisionamento (Dantas et al., 2017; Bernardino e Rios, 2025; Coutinho e Oliveira, 2024) e a maior complexidade para instituições menores (Fitch Ratings, 2024). Contudo, estudos sobre cooperativas de crédito limitam-se, em grande parte, a abordagens qualitativas (Kassiadis e Klein, 2025; Souza, 2025). Diante dessa lacuna empírica, questiona-se: quais os impactos da Resolução CMN n° 4.966/2021 no provisionamento e no reconhecimento de receitas de uma cooperativa de crédito?

A justificativa para esta pesquisa reside na necessidade premente de compreender como uma norma contábil de alcance sistêmico reverbera na sustentabilidade financeira de instituições com natureza jurídica e finalidades distintas dos bancos tradicionais. Ao adotar a abordagem de estudo de caso, este trabalho permite uma imersão na realidade operacional e contábil de uma cooperativa de crédito, evidenciando de forma concreta as nuances da transição normativa. Assim, o estudo contribui de forma prática ao fornecer evidências empíricas detalhadas que auxiliam gestores cooperativistas na tomada de decisão e na adequação de suas políticas de crédito, e de forma teórica ao preencher a lacuna de análises quantitativas aplicadas sobre os efeitos da IFRS 9 no cooperativismo financeiro brasileiro. Portanto, o objetivo geral deste trabalho é analisar os impactos da Resolução CMN n° 4.966/2021 nas operações de crédito por meio de um estudo de caso em uma cooperativa de crédito, quantificando as alterações nos níveis de provisionamento para perdas esperadas e identificando os reflexos dessas mudanças contábeis no reconhecimento de receitas e na gestão da carteira de crédito da instituição.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se, quanto aos seus objetivos, como descritiva e explicativa. Descritiva por expor as características de um fenômeno específico, as alterações contábeis trazidas pela Resolução CMN n° 4.966/2021, e explicativa por buscar identificar os fatores que determinaram os impactos nos níveis de provisionamento e receitas da instituição analisada (Gil, 2022). Essa dualidade de objetivos permitiu uma compreensão abrangente do fenômeno. Quanto à abordagem, adotou-se o método de métodos mistos, quali-quantitativo, que integrou dados numéricos extraídos das demonstrações financeiras com a análise documental do contexto normativo e institucional (Creswell & Creswell, 2018).

Como estratégia de pesquisa, utilizou-se o estudo de caso, definido por Yin (2018) como uma investigação empírica que analisa um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de mundo real. A escolha por essa estratégia justificou-se pela necessidade de compreender detalhadamente como a transição do modelo de perda incorrida para perda esperada afetou a dinâmica interna de uma cooperativa de crédito específica. O foco em um único caso permitiu uma imersão na realidade operacional e contábil, evidenciando as nuances da transição normativa de forma concreta.

Para preservar o sigilo estratégico e comercial, a instituição objeto deste estudo de caso foi tratada de forma anonimizada, sendo denominada doravante como Cooperativa Alfa. Trata-se de uma cooperativa de crédito independente, fundada em 1997, classificada no segmento S4 pelo Banco Central e com autorização para operar como Cooperativa Plena. A instituição possui atuação preferencial no segmento da saúde e oferece um portfólio de dezenove produtos e serviços financeiros para pessoas físicas e jurídicas, abrangendo desde operações de crédito e antecipação de recebíveis até consórcios, previdência e crédito rural. A Cooperativa Alfa opera exclusivamente com recursos próprios, sem repasse de dinheiro público ou interfinanceiro.

Ao final do exercício de 2024, último ano sob a vigência da Resolução CMN n° 2.682/1999, a instituição contava com 46.147 cooperados ativos e 47 postos de atendimento distribuídos por cinco estados da federação. A Cooperativa Alfa possuía ativo total de R$ 9,2 bilhões, carteira bruta de operações de crédito de R$ 4,8 bilhões, depósitos de R$ 6,8 bilhões e patrimônio líquido de R$ 1,6 bilhão. Essa dimensão e complexidade operacional tornaram a Cooperativa Alfa um objeto de estudo adequado para a observação empírica dos impactos contábeis decorrentes da adoção da Resolução CMN n° 4.966/2021.

A coleta de dados ocorreu por meio de fontes secundárias, compreendendo as demonstrações financeiras padronizadas, Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício, notas explicativas e relatórios de gestão da Cooperativa Alfa. Para o tratamento dos dados qualitativos, aplicou-se a técnica de análise documental, que consistiu no exame sistemático de relatórios e normativos internos para extrair significados e evidências sobre a adaptação da entidade à nova regulação (Bardin, 2011). O recorte temporal abrangeu o exercício de 2024 e o exercício de 2025, permitindo a comparação direta dos efeitos da transição normativa.

Para garantir o rigor e a replicabilidade do estudo, os procedimentos de análise foram estruturados em três etapas sequenciais. Essas etapas guiaram sistematicamente a investigação, desde a extração dos dados brutos até o cálculo de indicadores financeiros específicos, proporcionando um roteiro claro para a compreensão dos impactos da nova regulamentação. O processo geral visou transformar dados contábeis complexos em informações acionáveis, facilitando uma comparação robusta entre os períodos pré e pós-implementação do novo arcabouço normativo.

A primeira etapa consistiu no levantamento e padronização dos dados contábeis da Cooperativa Alfa, extraídos dos balancetes analíticos e das demonstrações financeiras referentes aos exercícios de 2024 e 2025. Foram coletados os saldos das contas de operações de crédito brutas, da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) e das receitas de operações de crédito, segregados por modalidade de produto. Adicionalmente, para o exercício de 2025, foram extraídas as informações relativas à classificação da carteira por estágios de risco de crédito, Estágios 1, 2 e 3, conforme exigido pela Resolução CMN n° 4.966/2021. A padronização dos dados assegurou a comparabilidade entre os dois períodos, considerando que a mudança normativa alterou a estrutura do plano de contas e os critérios de reconhecimento das provisões.

Na segunda etapa, empregaram-se as técnicas de Análise Horizontal (AH) e Análise Vertical (AV), consagradas na literatura contábil para avaliação de desempenho financeiro (Assaf Neto, 2020; Matarazzo, 2010). A Análise Horizontal foi utilizada para medir a variação percentual das contas de um ano para o outro, evidenciando o crescimento ou retração das provisões. O cálculo seguiu a equação: AH (%) = [(Valor no Ano de 2025 / Valor no Ano de 2024) – 1] × 100. A Análise Vertical, por sua vez, permitiu verificar a proporção que a conta de PCLD representava em relação ao Ativo Total e à Carteira de Crédito Bruta em cada exercício.

Por fim, na terceira etapa, procedeu-se ao cálculo de indicadores específicos para mensurar o impacto da nova regulação. Calculou-se o Índice de Cobertura da PCLD, um indicador fundamental para mensurar o grau de proteção da instituição frente ao risco de crédito de sua carteira. Para fins deste estudo, o denominador considerou o saldo de operações vencidas há mais de noventa dias, critério que, sob a Resolução CMN n° 2.682/1999, correspondia às classificações de risco E a H, e que, sob a Resolução CMN n° 4.966/2021, equivale às operações classificadas no Estágio 3. Adicionalmente, o impacto da regra de “stop-accrual” foi apurado mediante a comparação das receitas de operações de crédito não reconhecidas versus o volume de ativos classificados em estágios de deterioração avançada, Estágio 3 da IFRS 9.

Para sistematicamente organizar as dimensões de análise e conferir previsibilidade aos resultados, um framework analítico abrangente foi desenvolvido. Este framework, apresentado na Tabela 1, delineou os indicadores específicos, as contas utilizadas para seus cálculos, o período de análise e o que cada indicador revelava. Essa abordagem estruturada garantiu que todos os aspectos relevantes da transição normativa fossem examinados de forma exaustiva, incluindo a variação absoluta e percentual das provisões, o peso das provisões na carteira de crédito e o grau de proteção contra o risco de crédito. A Tabela 1 serviu como um guia essencial para a execução e interpretação dos procedimentos metodológicos.

Tabela 1. Framework Analítico das Dimensões de Pesquisa

Dimensão de Análise

Indicador

Contas Utilizadas

Período

O que Revela

Provisionamento

AH da PCLD (Eq. 1)

PCLD 2024 vs 2025

2024 → 2025

Variação absoluta e percentual da provisão

Provisionamento

AV da PCLD (Eq. 2)

PCLD / Carteira Bruta

2024 e 2025

Peso da provisão na carteira de crédito

Cobertura de Risco

Índice de Cobertura (Eq. 3)

PCLD / Operações Vencidas

2024 e 2025

Grau de proteção

Reconhecimento de Receitas

Impacto do “Stop-Accrual” (Eq. 4)

Receitas Não Reconhecidas / Receitas Totais

2024 vs 2025

Perda de receita pela vedação normativa

Classificação por Estágios

Distribuição E1, E2, E3

Carteira por estágio (2025)

2025

Perfil de risco sob o novo modelo de perda esperada

Resultado Operacional

AH das Sobras

Sobras 2024 vs 2025

2024 → 2025

Impacto líquido no resultado da cooperativa

Fonte: Dados originais da pesquisa

Cabe registrar as limitações identificadas no presente estudo. Por se tratar de um estudo de caso único, os resultados obtidos refletem a realidade de uma cooperativa específica e não podem ser generalizados para o conjunto do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, ainda que ofereçam indícios relevantes sobre os efeitos da transição normativa em instituições de porte e complexidade semelhantes. Essa abordagem priorizou a profundidade da análise em detrimento da amplitude, fornecendo um entendimento detalhado do caso em questão.

Adicionalmente, a análise restringiu-se ao primeiro exercício de vigência plena da Resolução CMN n° 4.966/2021, o que limita a observação de eventuais efeitos de médio e longo prazo decorrentes da maturação dos novos critérios de mensuração. Do ponto de vista ético, todos os dados utilizados foram obtidos mediante autorização formal da instituição. O tratamento das informações observou critérios de confidencialidade que asseguram a impossibilidade de identificação de cooperados, operações individuais ou estratégias comerciais da entidade, protegendo a privacidade e os interesses competitivos da Cooperativa Alfa.

3. Resultados e Discussão

Para estabelecer o contexto financeiro e operacional no qual as mudanças normativas incidiram, a análise inicial recai sobre a estrutura patrimonial da instituição, conforme evidenciado nos balanços patrimoniais dos exercícios de 2024 e 2025. Essa fotografia inicial permite compreender a magnitude dos recursos administrados e a composição detalhada das contas antes de adentrar nas especificidades do provisionamento de crédito. A observação dos dados revela uma instituição com elevada liquidez e um forte direcionamento de seus recursos para a atividade fim, com as operações de crédito representando a maior parcela do ativo em ambos os exercícios. Essa estrutura é sustentada predominantemente por uma base sólida de depósitos (à vista, a prazo e poupança), que compõem a quase totalidade das obrigações da cooperativa. Adicionalmente, o patrimônio líquido expressivo, composto por capital social, reservas e sobras, reforça a capacidade de absorção de riscos da entidade, indicando uma base financeira robusta para enfrentar os desafios impostos pela transição regulatória.

A evolução do balanço patrimonial da Cooperativa Alfa no período analisado demonstra uma expansão robusta, com o Ativo Total crescendo 15,00%, impulsionado substancialmente pelo aumento de 18,75% nas Operações de Crédito Brutas, que saltaram de R$ 4,8 bilhões para R$ 5,7 bilhões. Essa expansão é um indicativo da vitalidade e da capacidade de crescimento da cooperativa, mesmo em um ambiente de mudanças regulatórias significativas. A carteira de crédito, ao ampliar sua participação no ativo total de 52,17% em 2024 para 53,87% em 2025, consolidou-se como o principal vetor de alocação de recursos da instituição. Tal crescimento, embora positivo para a escala de negócios, também intensifica a exposição da cooperativa ao risco de crédito, um fator crucial sob o novo modelo de perda esperada.

Esse cenário de crescimento da carteira de crédito em um contexto de transição normativa corrobora os apontamentos da Fitch Ratings (2024), que alertou para os desafios ampliados que instituições financeiras de menor porte e cooperativas enfrentariam na implementação do modelo de perda esperada. O aumento da exposição ao risco de crédito, concomitante à exigência de modelos preditivos mais complexos, demanda das cooperativas uma capacidade de capital e de gestão de risco significativamente superior àquela requerida pelo modelo anterior de perda incorrida. A complexidade de modelar perdas esperadas para uma carteira em expansão, especialmente em um segmento como o cooperativismo, que atende a perfis de clientes muitas vezes distintos dos grandes bancos, representa um desafio operacional e estratégico considerável. A necessidade de investir em tecnologia, capacitação de pessoal e aprimoramento dos processos de análise de crédito torna-se premente para manter a sustentabilidade do crescimento.

Para compreender a origem dessa expansão do crédito, a análise da composição e crescimento da carteira bruta por modalidade de operação revela segmentos de maior tração comercial. A análise horizontal demonstra que o crescimento da carteira foi liderado pelas operações de Capital de Giro, que apresentaram uma expansão de 24,69%, representando um acréscimo de R$ 237 milhões. O Crédito Pessoal/Consignado, embora com crescimento mais conservador (10,83%), manteve-se como a modalidade mais representativa da carteira, com 28,0% do total em 2025. As operações voltadas a pessoas jurídicas, incluindo Capital de Giro, Antecipação de Recebíveis e Cheque Especial/Conta Garantida, somaram 39,5% da carteira em 2025. Esse perfil indica uma diversificação do risco, mas também uma crescente exposição ao segmento corporativo, que pode ser mais sensível a flutuações macroeconômicas.

A diversificação e o crescimento acelerado em carteiras de pessoa jurídica refletem uma estratégia comercial agressiva que, sob a ótica da nova regulação, amplifica a sensibilidade do balanço a choques macroeconômicos. Criscuolo (2022) demonstra empiricamente que a adoção de modelos baseados na IFRS 9 impõe desafios à gestão de carteiras diversificadas, uma vez que a volatilidade dos indicadores macroeconômicos “forward-looking” afeta desproporcionalmente as estimativas de perda em linhas de crédito corporativo em comparação ao crédito massificado. Para a Cooperativa Alfa, isso implica que a gestão de risco de crédito deve evoluir para incorporar análises de cenários macroeconômicos e seus potenciais impactos sobre o desempenho de seus clientes corporativos, exigindo modelos de previsão de perdas mais sofisticados e dinâmicos.

As implicações práticas dessa diversificação e crescimento são multifacetadas. Primeiramente, a cooperativa precisa fortalecer seus sistemas de monitoramento de crédito, desenvolvendo ferramentas que permitam uma avaliação contínua e preditiva do risco, especialmente para as carteiras de Capital de Giro e Antecipação de Recebíveis, que demonstraram maior dinamismo. Em segundo lugar, a precificação dos produtos de crédito deve ser revisada para incorporar o custo adicional do provisionamento sob o modelo de perda esperada, garantindo que os spreads de crédito sejam adequados para cobrir o risco e gerar sobras suficientes para a capitalização. Por fim, a gestão de capital deve ser proativa, assegurando que a cooperativa mantenha níveis de capitalização robustos para absorver eventuais choques de perdas inesperadas, em linha com as exigências regulatórias e as melhores práticas de mercado.

Tabela 2. Impacto da Transição Normativa nas Provisões (PCLD vs. PEARC) (em R$ milhões)

Modalidade

PCLD 2024

AV 2024

PEARC 2025

AV 2025

Variação (R$ mi)

AH (%)

Cobertura s/ Carteira 2025

Crédito Pessoal Consignado

35

11,3%

45,5

9,4%

10,5

30,00%

4,07%

Crédito Pessoal Não Consignado

27,0

8,7%

44,0

9,1%

17,0

62,96%

9,19%

Capital de Giro

58,0

18,7%

105,3

21,7%

47,3

81,55%

8,80%

Antecipação de Recebíveis

33,6

10,8%

52,9

10,9%

19,3

57,44%

6,63%

Crédito Rural

30,7

9,9%

53,2

11,0%

22,5

73,29%

11,67%

Financiamento Imobiliário

20,2

6,5%

31,9

6,6%

11,7

57,92%

7,99%

Cheque Especial / C. Garantida

36,0

11,6%

55,8

11,5%

19,8

55,00%

21,71%

Outros

69,5

22,4%

96,4

19,9%

26,9

38,71%

9,67%

TOTAL PROVISÕES

310,0

100,0%

485,0

100,0%

175,0

56,45%

8,51%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O impacto da Resolução CMN n° 4.966/2021 sobre o volume de provisões foi substancial, conforme quantificado na Tabela 2. O saldo total de provisões saltou de R$ 310,0 milhões em 2024 (PCLD) para R$ 485,0 milhões em 2025 (PEARC), representando um incremento de 56,45%. Esse aumento não foi uniforme, mas assimétrico entre as carteiras de crédito. O Capital de Giro, por exemplo, sofreu o maior choque relativo, com uma elevação de 81,55% nas provisões, seguido pelo Crédito Rural (73,29%), Financiamento Imobiliário (57,92%) e Antecipação de Recebíveis (57,44%). Essa assimetria é um achado crucial, pois revela como o novo modelo de perda esperada penaliza de forma mais severa operações com maior sensibilidade a ciclos econômicos e garantias menos líquidas, rompendo com a linearidade do provisionamento baseado em atrasos do modelo anterior.

A magnitude desse incremento corrobora os achados de Coutinho e Oliveira (2024), que, ao analisarem uma amostra de bancos brasileiros, identificaram um aumento sistemático no nível médio de provisões nas demonstrações aderentes ao padrão internacional. A transição para a IFRS 9, e consequentemente para a Resolução CMN n° 4.966/2021, exige que as instituições financeiras antecipem o reconhecimento de perdas, baseando-se em expectativas futuras de deterioração do crédito, e não apenas em eventos de perda já incorridos. Para a Cooperativa Alfa, o aumento de R$ 175 milhões no saldo de provisões representa um esforço adicional significativo, que impacta diretamente a rentabilidade de curto prazo e a necessidade de capital.

A assimetria observada nas carteiras de pessoa jurídica da Cooperativa Alfa evidencia que o modelo de perda esperada, ao incorporar fatores prospectivos e macroeconômicos, reage de forma mais intensa a segmentos de crédito que possuem maior volatilidade ou que são mais expostos a riscos sistêmicos. Isso contrasta com o modelo anterior, que tendia a ser mais reativo e menos sensível às diferenças intrínsecas de risco entre as modalidades de crédito. A maior provisão para Capital de Giro e Crédito Rural, por exemplo, pode refletir uma percepção de maior risco inerente a esses segmentos, que são frequentemente impactados por condições econômicas e climáticas, respectivamente.

As implicações práticas para a Cooperativa Alfa são diversas. Primeiramente, a instituição deve aprimorar seus modelos de risco para cada modalidade de crédito, incorporando variáveis específicas que capturem a sensibilidade de cada carteira a fatores macroeconômicos e setoriais. Isso permitirá uma alocação de capital mais eficiente e uma precificação de crédito mais justa e competitiva. Em segundo lugar, a gestão da carteira de crédito deve se tornar mais dinâmica, com revisões periódicas das políticas de concessão e acompanhamento, especialmente para as modalidades que apresentaram os maiores aumentos de provisão. A capacidade de prever e reagir a mudanças no perfil de risco dos clientes será um diferencial competitivo.

Cabe destacar que, por ser classificada no segmento S4 pelo Banco Central do Brasil com autorização para operar como Cooperativa Plena, a Cooperativa Alfa está habilitada a adotar a metodologia completa de apuração da Provisão para Perdas Esperadas Associadas ao Risco de Crédito (PEARC), utilizando modelos internos de estimação de Probabilidade de Default (PD), Perda Dado o Default (LGD) e Exposição no Default (EAD). Essa escolha metodológica, compatível com o porte e a complexidade operacional da instituição, influencia diretamente o nível e a distribuição das provisões por estágio de risco. A utilização de modelos internos, embora mais complexa e custosa, permite uma avaliação mais granular e precisa do risco, adaptada à realidade específica da cooperativa, em contraste com abordagens mais simplificadas que poderiam subestimar ou superestimar o risco em determinadas carteiras.

A distribuição da carteira de crédito por estágios de risco em dezembro de 2025 revela que a expressiva maioria da carteira (86,68%) permaneceu no Estágio 1, indicando operações performando dentro do risco de crédito original. Contudo, 8,78% da carteira (R$ 500,7 milhões) migrou para o Estágio 2, sinalizando deterioração prospectiva do risco (“Significant Increase in Credit Risk” [SICR]). Adicionalmente, 4,54% (R$ 258,4 milhões) foram classificados no Estágio 3, configurando ativos problemáticos com evidência objetiva de perda. Essa concentração de quase 13,3% da carteira nos Estágios 2 e 3 impõe uma pressão severa sobre o capital da instituição, uma vez que as provisões para esses estágios são significativamente maiores, refletindo a perda esperada para a vida inteira do contrato.

Os dados demonstram a não linearidade do modelo de perda esperada. Embora o Estágio 1 concentre 86,68% do volume de crédito, ele responde por apenas 15,28% da provisão total, com um custo de risco de 1,50%. Em contrapartida, o Estágio 3, que representa apenas 4,54% da carteira, consome 58,91% de toda a PEARC constituída (R$ 285,7 milhões). A transição do Estágio 1 para o Estágio 2 eleva o esforço de provisão de 1,50% para 25,00% do saldo exposto, um salto abrupto que ilustra o ‘efeito penhasco’ (“cliff effect”) inerente à norma. Esse efeito exige um monitoramento preditivo rigoroso para evitar a migração de ratings, pois a passagem para o Estágio 2 ou 3 acarreta um aumento desproporcional nas provisões, com impacto direto na rentabilidade e no capital.

Este comportamento assimétrico do provisionamento valida empiricamente as conclusões de Gómez-Ortega et al. (2022), que constataram um aumento de até 12% nas provisões de cooperativas de crédito espanholas na transição para a IFRS 9, impulsionado pela exigência de provisões “lifetime” (vida inteira) para ativos com deterioração de risco. A classificação no Estágio 3, frequentemente ativada pela régua objetiva de 90 dias de atraso, gera consequências contábeis imediatas e severas para as cooperativas de crédito, exigindo o provisionamento para toda a vida do contrato e acionando gatilhos de cessação de receitas, o que demanda uma revisão urgente das políticas de cobrança preventiva (Lima, 2025). Para a Cooperativa Alfa, isso significa que a detecção precoce de sinais de deterioração e a implementação de estratégias de recuperação de crédito tornam-se ainda mais críticas.

As implicações práticas dessa alocação por estágios de risco são profundas. A Cooperativa Alfa deve investir em sistemas de alerta precoce e modelos de machine learning que possam identificar com antecedência os clientes com maior probabilidade de migrar para estágios de risco mais elevados. Isso permitiria intervenções proativas, como renegociações de dívidas ou ofertas de produtos de reestruturação, antes que a deterioração do crédito se materialize completamente e exija provisões mais onerosas. Além disso, a gestão de portfólio deve considerar a diversificação não apenas por modalidade, mas também por perfil de risco, buscando um equilíbrio que minimize a exposição ao “cliff effect” e otimize o uso do capital. A capacitação dos gestores de crédito para interpretar e atuar sobre os modelos de perda esperada é fundamental para uma transição bem-sucedida.

A adoção da Resolução 4.966/2021 resultou em um fortalecimento expressivo do balanço contra perdas de crédito. O Índice de Cobertura, que mede a capacidade da provisão de absorver a inadimplência materializada, saltou de 161,5% para 187,7%. Simultaneamente, o peso das provisões sobre a carteira bruta total avançou 2,05 pontos percentuais, passando de 6,46% para 8,51%, mesmo com o crescimento do volume total de crédito. Esse fortalecimento do índice de cobertura alinha-se aos resultados de Elashmawy e Kallunki (2025), que, ao analisarem 349 bancos europeus, concluíram que o modelo de perda esperada “forward-looking” melhora efetivamente a qualidade dos ativos bancários. A constituição antecipada de provisões atua como um mecanismo disciplinador, funcionando como um indicador precoce de deterioração e mitigando a ocorrência de baixas para prejuízo “charge-offs” abruptas, conferindo maior resiliência à cooperativa.

O aumento do Índice de Cobertura é um resultado positivo da nova regulamentação, indicando que a Cooperativa Alfa está mais preparada para absorver perdas de crédito. No entanto, essa resiliência tem um custo. A maior constituição de provisões impacta diretamente o resultado financeiro da cooperativa no curto prazo, como será detalhado a seguir. As implicações práticas incluem a necessidade de comunicar claramente aos cooperados e reguladores os benefícios de longo prazo dessa maior resiliência, mesmo que isso implique em uma menor distribuição de sobras no curto prazo. A gestão deve equilibrar a necessidade de fortalecer a posição de capital com a expectativa de retorno dos cooperados, buscando um ponto ótimo que garanta a sustentabilidade e a atratividade da cooperativa.

Tabela 3. Impacto do Stop-Accrual e Efeitos no Resultado Operacional (em R$ milhões)

Conta de Resultado

2024 (Res. 2.682)

2025 (Res. 4.966)

Variação (R$ mi)

AH (%)

Receitas Brutas de Crédito

1.056,0

1.140,0

+84,0

+7,95%

(-) Receitas Não Reconhecidas (Stop-Accrual)

n.d2

-47,3

-47,3

Receitas Líquidas de Crédito

1.056,0

1.092,7

+36,7

+3,48%

(-) Despesas de Provisão (PCLD/PEARC)

-215,0

-297,5

-82,5

+38,37%

Resultado Bruto de Crédito

841,0

795,2

-45,8

-5,45%

Sobras Líquidas do Exercício

150,0

145,0

-5,0

-3,33%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Por fim, a Tabela 3 mensura o impacto combinado do aumento das despesas de provisão e da aplicação da regra de “stop-accrual” sobre o resultado operacional e a geração de receitas da Cooperativa Alfa. A regra de “stop-accrual” impediu o reconhecimento de R$ 47,3 milhões em receitas de juros de operações classificadas no Estágio 3, o que corresponde a 4,15% das receitas brutas de crédito. Essa vedação, que migra o reconhecimento de receitas para o regime de caixa em operações problemáticas, teve um impacto direto e negativo sobre as receitas líquidas de crédito. Somado ao aumento de R$ 82,5 milhões nas despesas de provisão do exercício, o Resultado Bruto de Crédito sofreu uma contração de R$ 45,8 milhões em relação a 2024, caindo para R$ 795,2 milhões. Esse duplo impacto absorveu integralmente os ganhos de escala da expansão da carteira, resultando em uma leve retração nas Sobras Líquidas, que recuaram de R$ 150,0 milhões para R$ 145,0 milhões.

A compressão da rentabilidade evidenciada ilustra o custo de transição para um arcabouço contábil mais prudencial. Behn e Couaillier (2023) destacam que, sob o modelo IFRS 9, as provisões ex ante são estruturalmente maiores, e a vedação de reconhecimento de juros sobre ativos problemáticos atua como um redutor mecânico da margem financeira líquida. Para as cooperativas, cujo modelo de negócio depende da geração de sobras para capitalização via retenção, esse impacto duplo exige uma reprecificação imediata do spread de crédito para preservar a sustentabilidade a longo prazo. A redução nas Sobras Líquidas, mesmo que modesta, é um sinal de alerta para a gestão, pois afeta diretamente a capacidade de reinvestimento e crescimento orgânico da cooperativa.

As implicações práticas do impacto do “stop-accrual” e do aumento das despesas de provisão são críticas para a gestão financeira da Cooperativa Alfa. A instituição precisa revisar suas políticas de precificação de crédito para incorporar o custo real do risco sob o novo modelo, garantindo que os spreads sejam suficientes para cobrir as provisões e as receitas não reconhecidas. Além disso, as políticas de concessão e cobrança preventiva devem ser aprimoradas para minimizar a migração de operações para o Estágio 3, onde o impacto nas receitas e provisões é mais severo. A antecipação do reconhecimento de perdas, embora comprima a rentabilidade de curto prazo, atua como um mecanismo disciplinador, conferindo maior resiliência à instituição frente a cenários de deterioração creditícia.

Cabe ressaltar, contudo, que tanto o impacto das provisões quanto o do “stop-accrual” possuem natureza transitória. Caso o cooperado regularize sua obrigação, a provisão constituída será revertida ao resultado e as receitas de juros não reconhecidas passarão a ser registradas pelo regime de caixa. Dessa forma, no médio e longo prazo, o que determina em caráter definitivo o resultado da cooperativa não é o arcabouço contábil em si, mas a performance efetiva da carteira de crédito, ou seja, a capacidade real de recuperação das operações problemáticas. Isso significa que, embora o impacto inicial seja negativo, a cooperativa tem a oportunidade de mitigar esses efeitos por meio de uma gestão de crédito eficiente e proativa, focada na recuperação de ativos e na prevenção da inadimplência.

Em síntese, a adoção da Resolução CMN n° 4.966/2021 reconfigurou estruturalmente a gestão do risco de crédito e a evidenciação contábil no cooperativismo financeiro da Cooperativa Alfa. A transição para o modelo de perda esperada cumpriu o objetivo de antecipar o reconhecimento da deterioração dos ativos, exigindo um esforço de provisionamento substancialmente superior ao modelo anterior. Essa assimetria evidenciou que carteiras voltadas a pessoas jurídicas, mais sensíveis a ciclos econômicos, demandam maior constituição de provisões sob a nova taxonomia de estágios de risco. A vedação ao reconhecimento de receitas pelo regime de competência de operações problemáticas, combinada ao salto nas despesas de provisão, impôs uma compressão imediata na rentabilidade da instituição. Esse duplo impacto no resultado operacional exige uma reprecificação do “spread” de crédito e uma revisão das políticas de concessão e cobrança preventiva. O fortalecimento do índice de cobertura atesta a eficácia da norma em aumentar a resiliência da instituição frente a crises econômicas, mas o custo dessa resiliência recai sobre a capacidade de geração de sobras no curto prazo, elemento vital para a capitalização orgânica das cooperativas. A complexidade inerente à modelagem preditiva e o efeito penhasco na migração entre estágios de risco demandam aprimoramento contínuo dos sistemas de monitoramento e uma gestão de crédito cada vez mais sofisticada e proativa.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, ao analisar os impactos da Resolução CMN n° 4.966/2021 nas operações de crédito por meio de um estudo de caso em uma cooperativa de crédito, quantificando as alterações nos níveis de provisionamento para perdas esperadas e identificando os reflexos dessas mudanças contábeis no reconhecimento de receitas e na gestão da carteira de crédito. A transição para o modelo de perda esperada resultou em um aumento substancial do provisionamento, com um incremento de 56,45% no saldo total de provisões. Essa elevação foi assimétrica, penalizando mais severamente carteiras de pessoas jurídicas, como Capital de Giro e Crédito Rural, que são mais sensíveis a ciclos econômicos. A aplicação da regra de “stop-accrual”, que impediu o reconhecimento de R$ 47,3 milhões em receitas, combinada com o maior volume de provisões, impôs uma compressão imediata na rentabilidade de curto prazo da instituição. Contudo, o fortalecimento do índice de cobertura, que saltou de 161,5% para 187,7%, atesta a maior resiliência da cooperativa frente a potenciais crises, embora a um custo de menor geração de sobras no curto prazo.

Este estudo, por ser um estudo de caso único, apresenta limitações quanto à generalização dos resultados para todo o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, refletindo a realidade de uma cooperativa específica. Adicionalmente, a análise restrita ao primeiro exercício de vigência plena da norma impede a observação de efeitos de médio e longo prazo decorrentes da maturação dos novos critérios de mensuração. Para estudos futuros, recomenda-se ampliar o escopo para múltiplas instituições do SNCC, avaliando os impactos da norma na competitividade do setor e na precificação dos produtos financeiros. Sugere-se também investigar a evolução desses efeitos em horizontes temporais mais longos, considerando a complexidade da modelagem preditiva e o “efeito penhasco” na migração entre estágios de risco, bem como as estratégias de adaptação das cooperativas.

Referências Bibliográficas

Banco Central do Brasil. [BCB] 2021. Resolução CMN nº 4.966, de 25 de novembro de 2021. Dispõe sobre os conceitos e os critérios contábeis aplicáveis a instrumentos financeiros, bem como para a designação e o reconhecimento das relações de proteção (hedge). Disponível em: Acesso em 10 mar. 2026

Banco Central do Brasil. [BCB] 2024. Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo: Data-base dezembro/2024. Disponível em: Acesso em 10 mar.2026

Banco Central do Brasil. [BCB] 2025. Relatório de Estabilidade Financeira (Vol. 24, n. 2). Disponível em: Acesso em 10 abr. 2026

Bernardino, A.M.; Rios, C.O. 2025. Avaliação do impacto da resolução CMN n.º 4.966 na provisão para perda de crédito e a sua influência no lucro líquido: Estudo comparativo entre os principais bancos brasileiros e internacionais. CAFI – Contabilidade, Atuária, Finanças & Informação, 8(2). Disponível em: Acesso em 12 mar. 2026

Coutinho, A.H.; Oliveira, A.P.E. 2024. The impact of the IFRS 9 on the loan loss provision of Brazilian banks. Revista de Contabilidade do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, 29(1), 1–18.

Dantas, J.A.; Micheletto, M.A.; Cardoso, F.A.; Freire, A.A.P. 2017. Perdas em crédito nos bancos brasileiros: Modelos de perdas esperadas e de perdas incorridas e impactos da IFRS 9. Revista de Gestão, Finanças e Contabilidade, 7(2), 156–175.

Fitch Ratings. 2024. Smaller Brazilian Banks to Face Greater Challenges from IFRS 9 Implementation. Fitch Ratings Special Report. Disponível em: Acesso em 23 mar. 2026BCB, 2021 -> `(‘BCB’, 2021)`

Kassiadis, T.H.; Klein, T.H.R. 2025. Os impactos da resolução CMN Nº 4.966/2021 nas cooperativas de crédito de menor porte: Uma análise dos efeitos regulatórios sobre a sustentabilidade financeira das instituições do segmento S4. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal de Santa Catarina. Repositório Institucional da UFSC. Disponível em: Acesso em 14 mar. 2026

KPMG. 2016. IFRS em destaque – 01/16: IFRS 9 Instrumentos Financeiros. Novas regras sobre a classificação e mensuração de ativos financeiros, incluindo a redução no valor recuperável. Disponível em: Acesso em 15 mar. 2026

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade