24 de julho de 2026
Impacto do uso de softwares de gestão de projetos no desempenho percebido por profissionais da área
Daniel Antonio Oliveira Santana; Thais Manzoni Torrezan
DOI: 10.22167/2675-6528-202600682
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A transformação digital impulsionou o uso de softwares de gestão de projetos em organizações, notadamente no setor de engenharia elétrica, onde essas ferramentas apoiam o planejamento, acompanhamento e controle de atividades, monitoramento de desempenho e tomada de decisão. Este estudo analisou a percepção de profissionais da engenharia elétrica acerca do impacto do uso desses softwares no desempenho das atividades de gerenciamento. A pesquisa, de natureza exploratória com abordagem qualitativa e descritiva, foi conduzida por meio de um levantamento tipo “survey”. Coletaram-se dados através de um questionário estruturado aplicado a profissionais da área, obtendo-se 22 respostas válidas de um total de 60. A análise dos dados utilizou análise de conteúdo e estatística descritiva para identificar padrões de uso, funcionalidades e percepções. Os resultados indicaram que os softwares de gestão de projetos foram considerados instrumentos relevantes para o acompanhamento do cronograma, a distribuição de tarefas e o monitoramento do progresso das atividades. No entanto, aspectos relacionados à comunicação com stakeholders e à capacidade de reação a mudanças apresentaram níveis moderados de satisfação. Concluiu-se que a adoção dessas ferramentas pode contribuir significativamente para o aprimoramento do desempenho operacional e gerencial dos projetos.
Palavras-chave: Alocação de recursos; Eficiência operacional; Produtividade; Tomada de decisão.
1. Introdução
A intensificação da transformação digital nas últimas décadas tem promovido mudanças estruturais significativas nas organizações, impactando a forma como projetos são concebidos, planejados e executados. No campo da gestão de projetos, soluções tecnológicas como Building Information Modeling (BIM), Big Data, computação em nuvem e Internet das Coisas (IoT) vêm reconfigurando práticas organizacionais, estruturas de trabalho e modelos de coordenação (Marnewick e Marnewick, 2022).
Essas ferramentas, aliadas ao crescente volume de dados gerados por dispositivos digitais e plataformas corporativas, produzem ganhos operacionais relevantes. A digitalização dos mecanismos tradicionais de controle, antes baseados em planilhas, diagramas de Gantt e reuniões presenciais, tem sido substituída por plataformas colaborativas integradas, capazes de apoiar o ciclo de vida do projeto de forma mais dinâmica e interativa. Esses sistemas favorecem maior integração entre equipes, transparência informacional e agilidade na tomada de decisão. Contudo, a adoção dessas tecnologias não ocorre de maneira isenta de obstáculos, destacando-se os custos de implementação, os investimentos em capacitação e a resistência à mudança organizacional (Kamdar et al., 2024; Oreg, 2006).
Apesar do potencial transformador das tecnologias aplicadas à gestão de projetos, os benefícios decorrentes de sua adoção não ocorrem automaticamente. Estudos apontam que a efetividade dessas ferramentas depende da forma como são implementadas, integradas aos processos organizacionais e utilizadas pelos profissionais envolvidos no gerenciamento dos projetos (Brynjolfsson, 1993). De acordo com Aksoy (2024), a digitalização dos processos organizacionais tem ampliado a capacidade de integração entre equipes e sistemas de informação, favorecendo maior eficiência na coordenação de projetos complexos. Assim, os benefícios esperados dependem não apenas da aquisição da tecnologia, mas de sua correta implementação, integração e utilização (Pellerin et al., 2013).
No contexto de empresas de engenharia elétrica, a discussão sobre softwares de gestão de projetos torna-se ainda mais relevante. Trata-se de um setor caracterizado por elevada complexidade técnica, rigoroso cumprimento de normas regulatórias, múltiplas interfaces contratuais e forte pressão por controle de prazos, custos e escopo. Nessa realidade, sistemas de gestão de projetos assumem papel estratégico, pois podem contribuir para aprimorar o planejamento físico-financeiro, assegurar rastreabilidade documental, integrar equipes multidisciplinares e melhorar o gerenciamento de riscos.
Entretanto, a escolha inadequada de softwares ou a adoção de sistemas pouco aderentes às necessidades específicas da engenharia elétrica pode gerar efeitos adversos, como retrabalho, inconsistência de dados, baixa adesão das equipes e decisões baseadas em informações incompletas. A literatura em sistemas de informação aponta que a ausência de alinhamento entre tecnologia e estratégia organizacional compromete a geração de valor e reduz a efetividade dos investimentos em Tecnologia da Informação (Henderson e Venkatraman, 1993). A literatura predominante, contudo, concentra-se na comparação técnica entre softwares, enfatizando funcionalidades e critérios de usabilidade (Aguilera et al., 2018; Ali et al., 2008), havendo menor atenção à percepção dos profissionais que utilizam esses sistemas no contexto real das organizações, o que configura uma lacuna prática e teórica.
Nesse sentido, o modelo de sucesso de sistemas de informação proposto por DeLone e McLean (2003) destaca-se como referencial para avaliar a efetividade de tecnologias organizacionais, considerando diferentes dimensões inter-relacionadas, como qualidade do sistema, qualidade da informação, qualidade do serviço, uso efetivo da tecnologia e satisfação do usuário. A percepção dos usuários é, portanto, um elemento fundamental para avaliar o sucesso ou as limitações das ferramentas tecnológicas aplicadas à gestão de projetos. Compreender essa percepção torna-se crucial, pois as ferramentas exercem influência direta sobre a coordenação de atividades, a comunicação entre equipes e o controle de prazos, custos e escopo, contribuindo para a melhoria do desempenho organizacional e a redução de riscos operacionais no setor de engenharia elétrica.
Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a percepção de profissionais do setor de engenharia elétrica acerca do impacto do uso de softwares de gestão de projetos no desempenho das atividades de gerenciamento, buscando identificar quais ferramentas são consideradas mais eficazes para apoiar o gerenciamento das atividades técnicas e administrativas, bem como quais características desses sistemas estão associadas à melhoria do desempenho operacional e gerencial dos projetos.
2. Material e Métodos
A presente pesquisa caracterizou-se, quanto à natureza, como aplicada, buscando gerar conhecimento com finalidade prática. O estudo foi voltado à compreensão do uso de softwares de gestão de projetos e suas contribuições para o desempenho das atividades de gerenciamento em organizações do setor de engenharia elétrica (Prodanov e Freitas, 2013). Em relação aos objetivos, a pesquisa foi de caráter exploratório, visando proporcionar maior familiaridade com o problema investigado e permitir o esclarecimento de conceitos relacionados ao tema (Turrioni e Mello, 2012).
Quanto à abordagem metodológica, o estudo adotou um caráter qualitativo-exploratório com apoio descritivo. Buscou-se compreender a percepção dos profissionais sobre o uso de softwares de gestão de projetos, utilizando dados coletados por meio de um questionário estruturado. O delineamento metodológico correspondeu a uma pesquisa de levantamento, ou “survey”, aplicada a profissionais atuantes na área de gestão de projetos no setor de engenharia elétrica (Gil, 2017; Creswell, 2016).
A unidade de análise consistiu na percepção de profissionais do setor de engenharia elétrica. A amostra foi composta por vinte e dois participantes, selecionados entre sessenta respostas obtidas. O recorte amostral considerou apenas os questionários respondidos por profissionais da área de engenharia elétrica, alinhando-se ao foco específico do estudo.
A amostragem caracterizou-se como não probabilística por conveniência, com os participantes selecionados com base na acessibilidade e na aderência ao perfil definido para a pesquisa. Os participantes apresentaram experiência profissional relevante na área de gestão de projetos, atuando em funções relacionadas ao planejamento, acompanhamento e controle de empreendimentos técnicos, o que contribuiu para a diversidade de percepções coletadas.
Para a coleta de dados, elaborou-se um questionário estruturado, disponibilizado na plataforma Google Forms. O instrumento foi composto por dezessete questões, abrangendo aspectos como o perfil socioprofissional dos respondentes, a funcionalidade, a usabilidade, o desempenho percebido e a caracterização do uso das ferramentas de gestão de projetos (Malhotra, 2019; Marconi e Lakatos, 2017).
O questionário foi disponibilizado a gestores de projetos por meio de grupos de WhatsApp, redes sociais profissionais e contatos diretos do pesquisador. A coleta de dados ocorreu no período de dezoito de abril a dezoito de setembro de 2025. Antes da participação, os respondentes foram convidados a ler e aceitar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que detalhava os objetivos, metodologias e aspectos éticos da pesquisa.
A análise dos dados foi realizada por meio de análise de conteúdo, seguindo os princípios metodológicos propostos por Bardin (2016). Essa técnica compreendeu três etapas principais: pré-análise, exploração do material e tratamento, e interpretação dos resultados. A análise de conteúdo permitiu identificar padrões, categorias e tendências presentes nas respostas dos participantes, contribuindo para a interpretação sistemática dos dados qualitativos.
As respostas coletadas foram organizadas e agrupadas em categorias temáticas, considerando aspectos como funcionalidades das ferramentas, facilidade de uso, integração com outros sistemas e impacto no acompanhamento das atividades de projeto. Essa categorização inicial visou identificar padrões de percepção relacionados às potencialidades e limitações dos softwares de gestão de projetos utilizados no setor de engenharia elétrica.
A partir da categorização, os achados foram sistematizados em fatores internos e externos, possibilitando a construção de uma matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats). Essa ferramenta foi utilizada para organizar os achados da pesquisa em quatro dimensões analíticas – forças, fraquezas, oportunidades e ameaças – favorecendo uma interpretação estratégica do uso de softwares de gestão de projetos no contexto investigado (Helms e Nixon, 2010).
Com base nos fatores identificados na análise SWOT, elaborou-se uma proposta de estrutura de planejamento para eventual implantação ou substituição de software. Para orientar esse processo de forma sistemática, utilizou-se o ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA), que permite estruturar processos de melhoria contínua por meio das etapas de planejamento, execução, verificação e ação corretiva (Deming, 1986).
Adicionalmente, empregou-se a matriz Responsável, Aprovador, Consultado, Informado (RACI) como ferramenta de governança de projetos. A matriz RACI foi utilizada para definir os papéis e responsabilidades dos envolvidos nas diferentes etapas de implementação de um sistema, contribuindo para reduzir ambiguidades organizacionais e melhorar a comunicação entre as equipes (PMI, 2021).
Como limitação metodológica, reconheceu-se o tamanho reduzido da amostra e o caráter não probabilístico da seleção dos participantes. Tais características impedem a generalização estatística dos resultados para todo o setor de engenharia elétrica. Contudo, o caráter exploratório da pesquisa permitiu identificar tendências relevantes e contribuir para a compreensão do uso de softwares de gestão de projetos no contexto investigado (Gil, 2017).
3. Resultados e Discussão
Os resultados da pesquisa permitiram analisar a percepção de profissionais da engenharia elétrica sobre o impacto do uso de softwares de gestão de projetos no desempenho das atividades de gerenciamento. Inicialmente, observou-se que fatores como facilidade de uso, qualidade da informação e utilidade percebida foram frequentemente mencionados pelos participantes como elementos cruciais que influenciam a avaliação dessas ferramentas, conforme o modelo de sucesso de sistemas de informação proposto por DeLone e McLean (2003). A análise dos dados coletados revelou padrões e tendências importantes sobre a adoção e a efetividade dessas tecnologias no setor.
A amostra do estudo foi composta majoritariamente por profissionais em estágio intermediário de carreira, com predominância de faixas etárias entre 25 e 34 anos e 35 e 44 anos. Esse perfil é considerado relevante em estudos organizacionais, pois profissionais com essa experiência tendem a possuir maior vivência na condução de projetos e uma capacidade mais crítica para avaliar ferramentas organizacionais (Kerzner, 2022). A maioria dos participantes, 40,9%, possuía de um a três anos de experiência em gestão de projetos, enquanto 27,3% tinham de quatro a seis anos, o que reforça a capacidade de interpretação de indicadores de desempenho e o uso de sistemas de informação para tomada de decisão (PMI, 2021).
A diversidade de cargos ocupados pelos participantes também foi um achado importante, com 31,8% sendo engenheiros de projetos e 27,3% analistas de projetos. Essa variedade de funções organizacionais é fundamental para estudos sobre desenvolvimento de produtos e gestão de projetos, uma vez que tais processos exigem integração entre múltiplas áreas e níveis hierárquicos (Cooper, 2019; PMI, 2021). Para a análise central do estudo, foram considerados os 22 participantes que se enquadravam no perfil de profissionais da engenharia elétrica, garantindo a especificidade do contexto investigado.
No que tange à complexidade dos projetos gerenciados, 54,5% dos respondentes indicaram envolvimento em projetos de alta complexidade. Esse dado é significativo, pois projetos complexos demandam um nível mais elevado de formalização nos processos de planejamento e controle, o que, por sua vez, torna o uso de softwares de gestão ainda mais relevante para a coordenação de atividades e o monitoramento de riscos (Kerzner, 2022). A maioria dos participantes, 54,5%, trabalhava em empresas de grande porte, o que sugere maior disponibilidade de recursos e estruturas formalizadas para a implementação de sistemas de informação (Marnewick e Marnewick, 2022).
A distribuição geográfica dos participantes revelou uma predominância de 54,5% de respondentes da região Sudeste. Essa concentração reflete a densidade de atividades industriais e organizacionais nessa área do país, o que pode influenciar diretamente as práticas de gestão de projetos e as inovações tecnológicas adotadas pelas empresas locais. Tal contexto regional pode favorecer a disseminação e a adoção de ferramentas digitais, mas também pode indicar particularidades na percepção e nos desafios enfrentados pelos profissionais.
Em relação aos softwares de gestão de projetos utilizados, o MS Project destacou-se como a ferramenta mais empregada por 50,0% dos participantes, seguido por Trello, Planner e Jira, cada um com 9,1% ou 13,6% de uso. A prevalência de softwares especializados como o MS Project e Trello no setor de engenharia elétrica é atribuída à sua capacidade de modelar cronogramas complexos, gerenciar dependências entre atividades e otimizar a alocação de recursos (Kerzner, 2022; PMI, 2021). O treinamento adequado no uso dessas ferramentas foi considerado um fator crítico, com 81,8% dos respondentes afirmando ter recebido capacitação, o que influencia diretamente a utilização das funcionalidades e a percepção de utilidade do sistema (Pellerin et al., 2013).
A facilidade de uso do software foi avaliada predominantemente como “Fácil” por 45,5% dos participantes, e “Razoável” por 36,4%. A facilidade de uso é uma dimensão central do modelo de sucesso de sistemas de informação, impactando a satisfação e a continuidade do uso da tecnologia (DeLone e McLean, 2003). Embora a maioria demonstre familiaridade, 18,2% dos participantes indicaram a necessidade de mais treinamento. Isso sugere que, apesar do domínio básico, uma parcela dos usuários ainda enfrenta dificuldades, possivelmente devido à complexidade das funcionalidades ou à baixa frequência de uso, o que aponta para a importância da capacitação contínua (Vial, 2019).
A frequência de utilização do software mostrou que 54,5% dos participantes o utilizam “algumas vezes por semana”, enquanto 27,3% o fazem “diariamente”. Essa variação nos níveis de acompanhamento do fluxo de trabalho indica diferentes graus de integração das ferramentas aos processos organizacionais. A frequência de uso está diretamente associada ao grau de integração das plataformas digitais e à cultura de gestão baseada em dados, sendo um indicativo da efetividade da ferramenta no cotidiano das operações (Vial, 2019).
Os recursos mais utilizados nas ferramentas de gestão de projetos incluíram indicadores de progresso, linha do tempo (Gantt) e atribuição de tarefas, citados por 13, 10 e 10 respondentes, respectivamente. A comunicação com a equipe e os relatórios automatizados também foram mencionados, embora com menor frequência. A utilização combinada desses mecanismos permite um controle mais efetivo sobre o andamento das atividades e contribui para o monitoramento do desempenho dos projetos, reforçando a percepção de utilidade dessas ferramentas no suporte às operações.
O tempo médio de utilização dos softwares de gestão de projetos ao longo do ciclo de execução foi superior a três meses para 40,9% dos respondentes, e entre um e três meses para 22,7%, indicando que essas ferramentas estão integradas às atividades de planejamento, monitoramento e controle durante grande parte do ciclo de vida do projeto. Ferramentas de gestão de projetos tendem a gerar maior valor organizacional quando utilizadas de forma contínua, permitindo um acompanhamento mais eficaz do progresso, da gestão de recursos e do controle de prazos (Kerzner, 2022).
A percepção dos participantes sobre a influência do software na produtividade das atividades de gerenciamento de projetos foi majoritariamente positiva, com 54,5% percebendo um aumento na produtividade. Esse achado está em consonância com estudos que demonstram que sistemas de informação aplicados à gestão de projetos contribuem para a redução de retrabalho, a melhor organização das tarefas e o acesso facilitado a informações relevantes para a tomada de decisão (Pellerin et al., 2013; Marnewick e Marnewick, 2022).
Em relação à contribuição dos softwares para o cumprimento dos prazos estabelecidos, 63,6% dos participantes indicaram que a ferramenta contribui “razoavelmente” e 13,6% que contribui “muito”, totalizando 77,2% de percepção positiva. O uso de sistemas digitais de planejamento e monitoramento permite maior precisão na definição de cronogramas, identificação de atrasos e gestão de dependências entre atividades, elementos cruciais para o cumprimento de prazos em projetos complexos (PMI, 2021). A melhoria na gestão de cronogramas foi percebida de forma significativa ou moderada por 77,3% dos respondentes, reforçando a importância dessas ferramentas para visualizar dependências e identificar gargalos (Kerzner, 2022).
A avaliação dos aspectos específicos do gerenciamento de projetos, utilizando uma escala Likert de cinco pontos, revelou que a visibilidade e o acompanhamento do cronograma obtiveram uma média de 4,00, e a distribuição e acompanhamento de tarefas uma média de 3,95. Esses indicadores apresentaram avaliações predominantemente positivas, refletindo a satisfação dos participantes. O controle do tempo de execução das atividades obteve uma média intermediária de 3,77, indicando uma percepção moderadamente satisfatória quanto ao acompanhamento dos prazos.
Por outro lado, os indicadores de comunicação com stakeholders (média de 2,91) e reação rápida frente a mudanças e imprevistos (média de 2,95) apresentaram médias mais baixas e maior dispersão nas respostas. Esses resultados sugerem que, embora os softwares sejam eficazes para o controle de cronogramas e tarefas, ainda existem oportunidades de melhoria nos processos organizacionais relacionados à comunicação e à capacidade de adaptação a eventos inesperados. A baixa avaliação nesses quesitos indica que o uso das ferramentas ainda não está plenamente integrado aos processos de gestão de relacionamento e mitigação de riscos.
A análise SWOT, elaborada a partir dos achados, sintetizou os fatores internos e externos associados ao uso de softwares de gestão de projetos no setor de engenharia elétrica. Entre as forças, destacam-se a alta percepção de melhoria na gestão de cronogramas (77,3%) e na produtividade (54,5%), o uso consolidado de ferramentas como MS Project e a boa avaliação da visibilidade e controle do cronograma (média de 4,00). Essas forças reforçam a relevância das ferramentas no suporte às atividades de gerenciamento.
As fraquezas identificadas incluem a baixa capacidade de reação a mudanças (média de 2,95) e a comunicação com stakeholders (média de 2,91), que receberam baixa avaliação. Além disso, a necessidade de mais treinamento (18,2% dos respondentes) e o uso não contínuo do software, com predominância de uso “algumas vezes por semana”, foram apontados como limitações internas. Esses pontos indicam que, apesar dos benefícios, há desafios na integração plena das ferramentas aos processos organizacionais e na capacitação dos usuários.
As oportunidades no ambiente externo envolvem a evolução contínua dos softwares de gestão de projetos e a crescente demanda por controle de prazos e desempenho. A integração com outras tecnologias emergentes, como Building Information Modeling (BIM), Internet das Coisas (IoT) e Big Data, também representa uma oportunidade para ampliar a eficiência e o escopo de atuação dessas ferramentas. Esses fatores externos podem impulsionar o desenvolvimento e a adoção de soluções mais robustas e integradas.
Contudo, as ameaças incluem a complexidade crescente dos projetos de engenharia, a dependência excessiva de tecnologia sem capacitação adequada e o uso inadequado que pode gerar retrabalho e decisões equivocadas. A resistência organizacional à mudança e o desalinhamento entre tecnologia e estratégia também configuram riscos para a efetividade da implementação dos sistemas (Henderson e Venkatraman, 1993). Esses desafios externos exigem uma abordagem estratégica para garantir que os benefícios esperados sejam de fato alcançados.
Com base nesses resultados, foi proposta a aplicação do ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA) como um mecanismo de melhoria contínua na utilização de softwares de gestão de projetos. A etapa de “Plan” envolve o diagnóstico do uso dos softwares e a identificação das necessidades de treinamento dos usuários, considerando que 18,2% indicaram essa necessidade. A etapa de “Do” propõe a implementação de programas de capacitação e a padronização do uso das funcionalidades principais do software, visando corrigir a baixa avaliação em comunicação e reação a mudanças.
A etapa de “Check” sugere o monitoramento dos indicadores de desempenho do uso do software, como frequência de utilização e percepção de produtividade, com base nos resultados já observados. Finalmente, a etapa de “Act” visa ajustar os processos de utilização da ferramenta e integrar o software às rotinas de gestão de projetos, buscando melhorar a comunicação com stakeholders. A aplicação do PDCA permite estruturar processos de planejamento, implementação, monitoramento e melhoria contínua do uso dessas tecnologias nas organizações (Deming, 1986).
Adicionalmente, a matriz RACI (Responsible, Accountable, Consulted, Informed) foi utilizada para definir claramente os papéis e responsabilidades dos diferentes atores envolvidos na implantação e utilização dos softwares de gestão de projetos. Para a seleção do software, o Gerente de Projetos é o responsável, a Diretoria é a aprovadora, a Equipe de TI é consultada e os Usuários são informados. Na implantação, a Equipe de TI é responsável, o Gerente de Projetos aprova, Especialistas Técnicos são consultados e Equipes de Projeto são informadas.
No treinamento dos usuários, o RH/TI é responsável, a Diretoria aprova, os Gerentes de Área são consultados e os Usuários são informados. Para o monitoramento do uso, o PMO é responsável, a Diretoria aprova, os Gestores de Projeto são consultados e a Equipe é informada. Por fim, na avaliação de desempenho, o PMO é responsável, a Diretoria aprova, a TI é consultada e a Organização é informada. Essa definição explícita de papéis contribui para reduzir ambiguidades, melhorar a comunicação entre equipes e aumentar a eficiência na implementação de sistemas de informação (PMI, 2021).
Em síntese, os softwares de gestão de projetos são percebidos como ferramentas cruciais para o planejamento, acompanhamento e controle de atividades no setor de engenharia elétrica, contribuindo significativamente para a organização do fluxo de trabalho, a distribuição de tarefas e o monitoramento do progresso. Embora a produtividade e a gestão de cronogramas apresentem melhorias notáveis, aspectos como a comunicação com stakeholders e a capacidade de reação a mudanças ainda representam desafios, indicando a necessidade de aprimoramentos contínuos na implementação e uso dessas ferramentas para maximizar seu potencial no desempenho gerencial e operacional dos projetos.
4. Conclusão
O presente estudo analisou a percepção de profissionais do setor de engenharia elétrica acerca do impacto do uso de softwares de gestão de projetos no desempenho das atividades de gerenciamento. Verificou-se que essas ferramentas são consideradas instrumentos relevantes para o planejamento, acompanhamento e controle, contribuindo significativamente para a organização do fluxo de trabalho, a distribuição de tarefas e o monitoramento do progresso das atividades. Observou-se que a utilização dessas tecnologias está associada a melhorias na produtividade, no acompanhamento dos cronogramas e no controle dos prazos dos projetos. A alta percepção de melhoria na gestão de cronogramas e na produtividade reforça a relevância dessas ferramentas no suporte às operações. A prevalência de softwares como o MS Project, juntamente com a percepção de facilidade de uso e a capacitação recebida pela maioria dos usuários, indica uma integração consolidada dessas tecnologias no cotidiano da gestão de projetos.
Entretanto, identificou-se que aspectos relacionados à comunicação com stakeholders e à capacidade de reação rápida frente a mudanças e imprevistos apresentaram níveis moderados de satisfação, indicando oportunidades de aprimoramento na utilização dessas ferramentas. A necessidade de mais treinamento e o uso não contínuo do software por parte de alguns profissionais também foram apontados como limitações internas. Como contribuição prática, propôs-se a aplicação do ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA) e da matriz RACI para orientar a implementação e o uso mais eficiente dos softwares de gestão de projetos nas organizações, estruturando processos de planejamento, definição de responsabilidades e monitoramento contínuo do desempenho. Como limitação do estudo, destaca-se o tamanho reduzido da amostra e o caráter não probabilístico da seleção dos participantes, o que restringe a generalização dos resultados. Sugere-se para estudos futuros a ampliação do número de participantes e a investigação comparativa de diferentes ferramentas de gestão de projetos ou de outros contextos organizacionais.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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