Artigo

22 de julho de 2026

Gestão do cronograma para produção de olerícolas pela agricultura familiar em um ano safra

Bruna Morais Horta; Mauricio José Vera Failache

DOI: 10.22167/2675-6528-202600616

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A agricultura familiar desempenhou papel significativo na produção de alimentos no Brasil, especialmente em hortaliças, embora enfrentasse obstáculos no planejamento da produção, acesso a recursos e exigências de mercado. O estudo visou criar um cronograma viável para o cultivo de hortaliças ao longo de um ano agrícola, buscando assegurar oferta contínua e promover a geração de renda para agricultores familiares da microrregião de Ipatinga, Vale do Rio Doce (MG). A pesquisa utilizou abordagem qualitativa e exploratória, aplicando o método de pesquisa-ação e coletando dados por meio de questionário distribuído a 20 produtores familiares. Com base nas informações obtidas e nas diretrizes do PMBOK, elaborou-se um cronograma que considerou a definição, sequenciamento e duração das atividades, empregando técnicas como o Método do Diagrama de Precedência e a Análise de Rede. Os resultados revelaram deficiências no planejamento da produção e destacaram a importância de ferramentas organizadas para a gestão das atividades agrícolas. O cronograma sugerido mostrou-se um recurso útil para a gestão da produção, promovendo maior regularidade na oferta e um melhor ajuste à demanda. Constatou-se que a implementação de práticas de gerenciamento de cronograma pode otimizar a produção e fortalecer a sustentabilidade econômica da agricultura familiar.

Palavras-chave: Agricultura familiar; Gestão de projetos; Olericultura; Planejamento agrícola; Produção de hortaliças.

1. Introdução

A agricultura familiar desempenha um papel fundamental na produção de alimentos e no avanço socioeconômico do Brasil. Este setor contribui significativamente para a oferta de produtos que compõem a dieta básica da população, sendo responsável pela maior parte das propriedades rurais do país e gerando um impacto considerável na economia de pequenos municípios, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019).

Nesse contexto, a produção de hortaliças destaca-se não apenas pela diversidade de cultivos, mas também pela capacidade de gerar renda em pequenas propriedades. As hortas, além de promoverem a segurança alimentar e nutricional, caracterizam-se por ciclos de produção relativamente curtos e pela possibilidade de cultivo contínuo ao longo do ano, fatores que favorecem sua integração na agricultura familiar.

Apesar de sua relevância, a atividade olerícola na agricultura familiar enfrenta desafios consideráveis relacionados à organização da produção e à capacidade de atender às demandas do consumidor. A variabilidade climática, a diversidade de culturas e as limitações de recursos técnicos e financeiros complexificam o processo produtivo, exigindo um planejamento mais robusto por parte dos agricultores.

A ausência de um planejamento adequado pode resultar em desequilíbrios entre a oferta e a demanda, levando a perdas nas colheitas, à diminuição da renda e a dificuldades na comercialização dos produtos. Pesquisas recentes apontam que a má gestão do processo produtivo é um dos principais obstáculos ao fortalecimento da agricultura familiar, especialmente no que tange à produção de hortaliças (Santos et al., 2023; Silva et al., 2021).

A literatura especializada indica que a falta de acesso a suporte técnico e a ferramentas de gestão contribui para a perpetuação de práticas produtivas ineficazes. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (2022) enfatiza a importância de implementar estratégias de planejamento e gestão para aprimorar a eficiência da produção e promover a sustentabilidade na agricultura familiar.

Nesse cenário, a incorporação de princípios da gestão de projetos, como os delineados pelo Project Management Institute (PMI), surge como uma alternativa eficaz para otimizar a organização das atividades agrícolas. Essa abordagem é particularmente útil para o gerenciamento do tempo e a coordenação das diversas fases do processo produtivo. A aplicação de metodologias estruturadas permite um controle mais rigoroso das ações, um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis e a mitigação dos riscos inerentes à produção.

O planejamento da produção em olericultura é intrinsecamente complexo, pois envolve múltiplas culturas com necessidades agronômicas distintas, diferentes períodos de plantio e ciclos de produção variados. Essa diversidade exige que o agricultor estruture suas atividades de forma estratégica, considerando fatores como as condições do solo e do clima, a disponibilidade de insumos, a mão de obra e a demanda de mercado. A falta de sincronia entre esses elementos pode comprometer a continuidade da produção e a regularidade da oferta de produtos. Assim, a elaboração de um cronograma de produção torna-se uma ferramenta essencial para auxiliar o agricultor na tomada de decisões e na organização das tarefas ao longo da safra.

Na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, as particularidades locais, como a predominância de pequenas e médias propriedades e a presença de indústrias, impõem desafios específicos à agricultura. Contudo, a existência de um mercado consumidor expressivo oferece oportunidades para agricultores familiares que conseguem estruturar sua produção de forma eficiente e constante. A implementação de estratégias de planejamento pode, portanto, aumentar a competitividade desses produtores e assegurar uma geração de renda mais consistente.

Diante desse contexto, percebe-se a necessidade urgente de desenvolver estratégias que apoiem os agricultores familiares na estruturação de sua produção, especialmente no planejamento das tarefas ao longo do ano agrícola. A criação de um cronograma de produção que seja facilmente gerenciável, fundamentado em técnicas de gestão de projetos e adaptado às especificidades da olericultura, apresenta-se como uma solução viável para superar os desafios existentes e otimizar a eficiência produtiva. Este estudo pautou-se em constituir um cronograma viável que possibilite a produção de hortaliças durante todo o ciclo anual de safra, considerando os períodos ideais para o plantio, visando garantir a oferta de produtos para venda e promover a geração de receita para os agricultores familiares da microrregião de Ipatinga, localizada no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi conduzido com uma abordagem qualitativa e exploratória, visando aprofundar a compreensão da realidade dos agricultores familiares e propor uma solução prática para o planejamento da produção de hortaliças. Empregou-se o método de pesquisa-ação, que facilitou a interação direta entre o pesquisador e os participantes, permitindo o desenvolvimento de um cronograma fundamentado nas necessidades e desafios observados no campo.

A escolha da pesquisa-ação justificou-se pela necessidade de investigar os processos produtivos, as dificuldades enfrentadas e as estratégias adotadas pelos agricultores familiares. Essa abordagem possibilitou a criação de uma ferramenta de gestão relevante para o contexto analisado, gerando conhecimento prático e aplicável às demandas específicas do público-alvo.

A pesquisa foi realizada na microrregião de Ipatinga, localizada no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, Brasil. Essa área foi selecionada devido à sua significativa concentração de pequenas e médias propriedades rurais, onde a agricultura familiar desempenha um papel econômico relevante, com foco na produção de hortaliças destinadas ao consumo local.

A população de estudo consistiu em pequenos agricultores familiares que cultivam hortaliças como principal fonte de renda. A amostra foi composta por 20 produtores, selecionados intencionalmente com base em critérios como a prática consolidada na produção de vegetais, a frequência de venda dos produtos e a localização dentro da área de estudo.

A seleção dos participantes buscou incluir perfis produtivos diversificados, permitindo uma avaliação abrangente das práticas de planejamento e das dificuldades encontradas. Todos os envolvidos foram devidamente informados sobre os objetivos da pesquisa e concederam seu consentimento para a utilização das informações, respeitando-se os princípios éticos e a privacidade dos dados.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, elaborado especificamente para este estudo. O instrumento abordou a caracterização da produção, as culturas cultivadas e comercializadas, a existência e o modo de planejamento, as variações na produtividade, o acesso à assistência técnica e os principais desafios na gestão agrícola.

O questionário foi composto exclusivamente por perguntas fechadas, organizadas em escalas categóricas e do tipo Likert. Essa estrutura permitiu a uniformização das respostas e facilitou a tabulação e a análise estatística dos dados, além de converter as informações em parâmetros operacionais para o desenvolvimento do cronograma de produção.

O instrumento de coleta foi dividido em seções temáticas, que incluíram a descrição socioeconômica do agricultor, o perfil de produção e diversidade de cultivos, as estratégias de planejamento, as perdas na produção e lacunas no atendimento à demanda, a duração das atividades agrícolas, a variação sazonal da produção, os fatores que afetam a produção e as técnicas de gerenciamento e venda.

Após a distribuição e preenchimento, os questionários foram coletados e as respostas codificadas e organizadas em uma planilha digital. Essa organização facilitou a aplicação dos dados na elaboração do cronograma gerencial e a interpretação dos achados da investigação.

As informações obtidas foram examinadas qualitativamente, por meio da identificação de padrões, repetições e conexões entre os dados fornecidos pelos participantes. O objetivo dessa análise foi compreender as estratégias de planejamento empregadas pelos agricultores e identificar os desafios que comprometiam a organização da produção ao longo do ano.

Com base nessa avaliação, foram estabelecidos os critérios para a criação de um cronograma viável, considerando as demandas identificadas e as particularidades produtivas da região. Essa etapa foi fundamental para garantir que a proposta elaborada estivesse alinhada à realidade dos agricultores e oferecesse aplicabilidade prática.

A constituição do cronograma resultou em um plano para a produção de hortaliças ao longo de um ciclo anual, de julho a junho. Esse plano foi desenvolvido considerando as propriedades agronômicas das culturas, os períodos ideais para o plantio, a duração do ciclo produtivo e os requisitos de manejo específicos de cada hortaliça.

O planejamento abrangeu diversas fases, desde a organização da compra de insumos e a preparação do solo até a instalação das culturas e os métodos de manejo técnico. A sequência dessas ações foi definida de forma lógica e coerente, visando assegurar a continuidade da produção e a oferta regular de produtos durante todo o ano.

Na elaboração do cronograma, aplicaram-se princípios e instrumentos de gestão de projetos, conforme as diretrizes do Guia PMBOK (6ª edição) do Project Management Institute. Foram abordados processos de administração do cronograma, incluindo a definição das tarefas, o sequenciamento, a estimativa de duração e a elaboração final do cronograma.

As atividades foram organizadas utilizando o Método do Diagrama de Precedência (MDP), que permitiu identificar as interdependências entre as tarefas da produção agrícola. Essa abordagem estabeleceu uma estrutura lógica para as atividades, facilitando a visualização do fluxo de trabalho e a coordenação das etapas.

Para o cronograma, foram definidas cinco atividades principais: (1) preparo de solo/aquisição de insumos; (2) produção de mudas/compra de sementes e/ou mudas; (3) plantio; (4) condução do cultivo; e (5) colheita. As atividades 1 e 2 não possuíam dependências entre si. A atividade 3 dependia do término das atividades 1 e 2. A atividade 4 dependia do término da atividade 3, e a atividade 5 dependia do término da atividade 4.

A avaliação do cronograma foi realizada por meio da técnica de Análise de Rede, que possibilitou a identificação do caminho crítico, das margens de manobra e dos potenciais riscos de atraso. Essa metodologia auxiliou na análise da viabilidade do cronograma e na detecção de áreas que demandavam maior atenção no processo de produção.

A definição do tempo necessário para cada atividade foi estabelecida a partir da atividade de plantio, considerando os meses ideais para o plantio de cada cultura. O início e a duração das demais atividades foram determinados com base na relação de precedência com a atividade de plantio. Para a definição das culturas e seus períodos de plantio, utilizou-se o Catálogo Brasileiro de Hortaliças (Embrapa Hortaliças; Sebrae, 2010), além do conhecimento dos agricultores da região.

A determinação do período de plantio, considerada a atividade crítica, serviu de base para as demais. As atividades precedentes ao plantio foram programadas para iniciar no mês anterior ao plantio. Após o plantio, iniciaram-se as atividades de condução do cultivo, como irrigação, adubações, controle de plantas espontâneas, pragas e doenças, raleio e tutoramento. A atividade de condução do cultivo encerrou-se com a colheita, liberando a área para um novo ciclo produtivo.

O presente estudo foi conduzido com uma abordagem qualitativa e exploratória, visando aprofundar a compreensão da realidade dos agricultores familiares e propor uma solução prática para o planejamento da produção de hortaliças. Empregou-se o método de pesquisa-ação, que facilitou a interação direta entre o pesquisador e os participantes, permitindo o desenvolvimento de um cronograma fundamentado nas necessidades e desafios observados no campo.

A escolha da pesquisa-ação justificou-se pela necessidade de investigar os processos produtivos, as dificuldades enfrentadas e as estratégias adotadas pelos agricultores familiares. Essa abordagem possibilitou a criação de uma ferramenta de gestão relevante para o contexto analisado, gerando conhecimento prático e aplicável às demandas específicas do público-alvo.

A pesquisa foi realizada na microrregião de Ipatinga, localizada no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, Brasil. Essa área foi selecionada devido à sua significativa concentração de pequenas e médias propriedades rurais, onde a agricultura familiar desempenha um papel econômico relevante, com foco na produção de hortaliças destinadas ao consumo local.

A população de estudo consistiu em pequenos agricultores familiares que cultivam hortaliças como principal fonte de renda. A amostra foi composta por 20 produtores, selecionados intencionalmente com base em critérios como a prática consolidada na produção de vegetais, a frequência de venda dos produtos e a localização dentro da área de estudo.

A seleção dos participantes buscou incluir perfis produtivos diversificados, permitindo uma avaliação abrangente das práticas de planejamento e das dificuldades encontradas. Todos os envolvidos foram devidamente informados sobre os objetivos da pesquisa e concederam seu consentimento para a utilização das informações, respeitando-se os princípios éticos e a privacidade dos dados.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, elaborado especificamente para este estudo. O instrumento abordou a caracterização da produção, as culturas cultivadas e comercializadas, a existência e o modo de planejamento, as variações na produtividade, o acesso à assistência técnica e as principais dificuldades na gestão agrícola.

O questionário foi composto exclusivamente por perguntas fechadas, organizadas em escalas categóricas e do tipo Likert. Essa estrutura permitiu a uniformização das respostas e facilitou a tabulação e a análise estatística dos dados, além de converter as informações em parâmetros operacionais para o desenvolvimento do cronograma de produção.

O instrumento de coleta foi dividido em seções temáticas, que incluíram a descrição socioeconômica do agricultor, o perfil de produção e diversidade de cultivos, as estratégias de planejamento, as perdas na produção e lacunas no atendimento à demanda, a duração das atividades agrícolas, a variação sazonal da produção, os fatores que afetam a produção e as técnicas de gerenciamento e venda.

Após a distribuição e preenchimento, os questionários foram coletados e as respostas codificadas e organizadas em uma planilha digital. Essa organização facilitou a aplicação dos dados na elaboração do cronograma gerencial e a interpretação dos achados da investigação.

As informações obtidas foram examinadas qualitativamente, por meio da identificação de padrões, repetições e conexões entre os dados fornecidos pelos participantes. O objetivo dessa análise foi compreender as estratégias de planejamento empregadas pelos agricultores e identificar os desafios que comprometiam a organização da produção ao longo do ano.

Com base nessa avaliação, foram estabelecidos os critérios para a criação de um cronograma viável, considerando as demandas identificadas e as particularidades produtivas da região. Essa etapa foi fundamental para garantir que a proposta elaborada estivesse alinhada à realidade dos agricultores e oferecesse aplicabilidade prática.

A constituição do cronograma resultou em um plano para a produção de hortaliças ao longo de um ciclo anual, de julho a junho. Esse plano foi desenvolvido considerando as propriedades agronômicas das culturas, os períodos ideais para o plantio, a duração do ciclo produtivo e os requisitos de manejo específicos de cada hortaliça.

O planejamento abrangeu diversas fases, desde a organização da compra de insumos e a preparação do solo até a instalação das culturas e os métodos de manejo técnico. A sequência dessas ações foi definida de forma lógica e coerente, visando assegurar a continuidade da produção e a oferta regular de produtos durante todo o ano.

Na elaboração do cronograma, aplicaram-se princípios e instrumentos de gestão de projetos, conforme as diretrizes do Guia PMBOK (6ª edição) do Project Management Institute. Foram abordados processos de administração do cronograma, incluindo a definição das tarefas, o sequenciamento, a estimativa de duração e a elaboração final do cronograma.

As atividades foram organizadas utilizando o Método do Diagrama de Precedência (MDP), que permitiu identificar as interdependências entre as tarefas da produção agrícola. Essa abordagem estabeleceu uma estrutura lógica para as atividades, facilitando a visualização do fluxo de trabalho e a coordenação das etapas.

Para o cronograma, foram definidas cinco atividades principais: (1) preparo de solo/aquisição de insumos; (2) produção de mudas/compra de sementes e/ou mudas; (3) plantio; (4) condução do cultivo; e (5) colheita. As atividades 1 e 2 não possuíam dependências entre si. A atividade 3 dependia do término das atividades 1 e 2. A atividade 4 dependia do término da atividade 3, e a atividade 5 dependia do término da atividade 4.

A avaliação do cronograma foi realizada por meio da técnica de Análise de Rede, que possibilitou a identificação do caminho crítico, das margens de manobra e dos potenciais riscos de atraso. Essa metodologia auxiliou na análise da viabilidade do cronograma e na detecção de áreas que demandavam maior atenção no processo de produção.

A definição do tempo necessário para cada atividade foi estabelecida a partir da atividade de plantio, considerando os meses ideais para o plantio de cada cultura. O início e a duração das demais atividades foram determinados com base na relação de precedência com a atividade de plantio. Para a definição das culturas e seus períodos de plantio, utilizou-se o Catálogo Brasileiro de Hortaliças (Embrapa Hortaliças; Sebrae, 2010), além do conhecimento dos agricultores da região.

A determinação do período de plantio, considerada a atividade crítica, serviu de base para as demais. As atividades precedentes ao plantio foram programadas para iniciar no mês anterior ao plantio. Após o plantio, iniciaram-se as atividades de condução do cultivo, como irrigação, adubações, controle de plantas espontâneas, pragas e doenças, raleio e tutoramento. A atividade de condução do cultivo encerrou-se com a colheita, liberando a área para um novo ciclo produtivo.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa revelaram um panorama detalhado da agricultura familiar na microrregião de Ipatinga, evidenciando desafios significativos no planejamento e na gestão da produção de hortaliças. A análise dos dados coletados por meio de questionários permitiu identificar as práticas atuais dos agricultores, suas dificuldades e a necessidade premente de ferramentas que otimizem a organização das atividades agrícolas. Em resposta a essas lacunas, foi desenvolvido um cronograma de produção que integra princípios de gestão de projetos, visando assegurar a oferta contínua de produtos e promover a sustentabilidade econômica dos produtores familiares.

Inicialmente, a caracterização dos produtores indicou que a maioria dos agricultores familiares entrevistados se encontra na faixa etária de 41 a 50 anos, seguida pelos grupos de 31 a 40 anos e de 51 a 60 anos. Esse perfil etário sugere uma população de profissionais com considerável experiência no setor agrícola. A análise do tempo de experiência na agricultura corroborou essa observação, mostrando uma predominância de agricultores com mais anos de atuação, o que, em tese, lhes confere um conhecimento técnico apurado sobre as práticas de cultivo. Contudo, essa vivência prática, embora valiosa, não se traduz necessariamente na adoção de métodos de gestão bem definidos, conforme apontado por Oliveira et al. (2022) e Silva et al. (2021), que destacam a importância de ferramentas formais de planejamento na agricultura familiar.

Em relação à área das propriedades e à área dedicada à olericultura, o estudo constatou uma predominância de pequenas unidades de produção, com a maioria das propriedades variando entre um e cinco hectares. A superfície efetivamente utilizada para o cultivo de hortaliças mostrou-se ainda mais restrita, concentrando-se em terrenos com menos de dois hectares. Esse dado é crucial, pois indica que a produção de hortaliças na região é realizada de maneira intensiva em pequenas parcelas das propriedades. Essa característica, comum na agricultura de pequeno porte, exige um manejo intensivo do solo e uma diversidade de culturas para compensar a restrição de espaço. A eficácia do planejamento produtivo torna-se, portanto, ainda mais acentuada, uma vez que o uso inadequado do terreno pode impactar diretamente a produtividade e a geração de renda, conforme salientado por Silva et al. (2021) ao discutir a necessidade de organização em áreas reduzidas.

A dependência da renda agrícola foi um achado relevante, com a maioria dos agricultores demonstrando que entre 51% e 90% de sua receita provém da atividade agrícola. Essa forte dependência econômica torna os agricultores familiares particularmente vulneráveis a problemas no planejamento da produção, bem como às oscilações do mercado e às condições climáticas. Diante desse cenário, a implementação de estratégias de gestão que garantam uma produção mais estável e previsível é fundamental. A estruturação das atividades por meio de cronogramas surge como um recurso essencial para mitigar riscos e aumentar a eficiência produtiva, corroborando a perspectiva de Ferreira et al. (2024) sobre a ligação entre planejamento eficaz e a constância da receita na agricultura familiar.

No que concerne ao perfil produtivo e à diversidade de culturas, os dados revelaram que a maior parte dos agricultores cultivava entre três e seis tipos de culturas ao longo do ano, com uma predominância na faixa de cinco a seis culturas. Essa abordagem de diversificação é típica da agricultura familiar, onde os produtores buscam mitigar riscos e assegurar uma maior consistência na produção anual. A variação de culturas ajuda a reduzir os riscos associados a fatores climáticos e às flutuações do mercado. No entanto, a diversificação, se não for acompanhada por um planejamento adequado, pode aumentar a complexidade da administração da produção, tornando a coordenação das atividades mais desafiadora e afetando a eficácia do sistema, como observado por Altieri e Nicholls (2022).

A investigação das principais culturas produzidas mostrou uma clara predominância de hortaliças de ciclo rápido, com destaque para alface, cebolinha, couve e cenoura. Essa preferência está associada à simplicidade de cultivo dessas espécies, ao seu ciclo produtivo reduzido e à elevada demanda de mercado. Embora a diversificação seja uma técnica benéfica para a segurança na produção, os achados indicaram que ela não está necessariamente integrada a um plano organizado. A falta de um planejamento apropriado pode converter a diversificação em um elemento que aumenta a complexidade da produção, exigindo uma melhor organização das tarefas, especialmente no que diz respeito ao planejamento do plantio e ao gerenciamento do tempo, conforme discutido por Gliessman (2021). Pesquisas recentes, incluindo as de Ferreira et al. (2024), Santos et al. (2023) e Silva et al. (2021), reforçam que a eficácia da diversificação produtiva está intrinsecamente ligada à implementação de estratégias de planejamento para otimizar os resultados.

A avaliação do grau de planejamento da produção revelou que a maioria dos agricultores realiza esse processo de maneira esporádica, com uma utilização pouco frequente de instrumentos como cronogramas ou calendários agrícolas. Esse padrão de comportamento evidencia uma falha na estruturação das atividades de produção, caracterizando um estilo de gestão predominantemente reativo. A ausência de um planejamento bem definido prejudica a eficácia produtiva e eleva a suscetibilidade a alterações no mercado e nas condições climáticas, conforme apontado por Santos et al. (2023). Além disso, a escassa implementação de um planejamento orientado pela demanda acentua a falta de integração entre a produção e a comercialização, impactando diretamente a lucratividade dos produtores.

As perdas produtivas e as falhas no atendimento da demanda foram achados preocupantes, com a maioria dos produtores relatando reduções na produção que variaram entre 11% e 25%, e uma parcela considerável enfrentando perdas que ultrapassaram os 25%. Esses resultados indicam falhas significativas no planejamento da produção, especialmente na correspondência entre oferta e demanda. A ocorrência concomitante de desperdícios e a falta de produtos para venda ao longo do ano evidenciam uma desorganização do sistema produtivo. Ferreira et al. (2024) destacam que a falta de um planejamento temporal apropriado é um dos principais motivos que contribuem para a diminuição da lucratividade na agricultura familiar, ressaltando a necessidade de ferramentas de gestão que melhorem a utilização dos recursos disponíveis. A desconexão entre o planejamento da produção e as necessidades do mercado resulta em perdas e desperdícios significativos, como observado por Carvalho et al. (2022).

O exame da duração e sequenciamento das atividades produtivas revelou uma variação considerável entre os agricultores, principalmente nas fases de preparação do solo e colheita. A maior parte das atividades apresentou uma duração média, agrupando-se em intervalos de tempo moderados. Essa variabilidade está intimamente ligada à interferência de aspectos externos, como as condições climáticas, a disponibilidade de mão de obra e o acesso a materiais. A ordem das atividades também demonstrou uma intensa interdependência entre as fases, sublinhando a importância de uma organização bem definida no processo de produção. A falta de formalização dessas ligações de prioridade torna a gestão do tempo mais complicada e eleva a probabilidade de atrasos na produção. Pesquisas recentes, como as de Oliveira et al. (2022) e Santos et al. (2023), indicam que a utilização de métodos como a estimativa de três pontos tem um impacto considerável na aprimoração da previsibilidade em sistemas de produção que enfrentam incertezas. Adicionalmente, Mendes et al. (2021) consideram a aplicação de instrumentos para o planejamento e a organização de tarefas essencial para maximizar a eficiência do tempo e minimizar os riscos operacionais em sistemas agrícolas.

A análise da sazonalidade da produção demonstrou que a produção de hortaliças se concentra em épocas específicas do ano, com maior intensidade nos trimestres do meio e uma diminuição nas épocas limite, revelando um padrão sazonal. Essa desigualdade na distribuição prejudica a regularidade na disponibilização de produtos, dificultando o atendimento consistente da demanda e afetando a geração de renda ao longo do ano. A variação sazonal identificada está em consonância com a literatura, que destaca a forte influência de fatores climáticos e a necessidade de um planejamento eficiente na produção de hortaliças (Ferreira et al., 2024). A ausência de um planejamento organizado intensifica essa situação, diminuindo a eficácia da produção. Ademais, a falta de uma estratégia sazonal apropriada prejudica a consistência da produção e torna mais desafiadora a competitividade dos produtores no mercado, conforme apontado por Barbosa et al. (2022).

Os fatores que influenciam a produção foram identificados como as condições climáticas, a oferta de mão de obra e o acesso a insumos, todos apresentando um impacto significativo. Esses elementos ressaltam a natureza imprevisível do setor agrícola, especialmente no contexto da agricultura familiar, onde os recursos são escassos e a capacidade de ajuste é limitada. Pesquisas recentes indicam que a atividade agrícola em pequenas propriedades é altamente influenciada por elementos externos, tornando o planejamento uma estratégia crucial para reduzir riscos e aumentar a eficiência na produção (Santos et al., 2023; Silva et al., 2021). Em síntese, os resultados demonstraram que os agricultores enfrentam restrições consideráveis na organização da produção, manifestadas em perdas, falta de consistência na oferta e uma utilização reduzida de instrumentos de gestão.

No que tange à gestão e comercialização, o uso de cronogramas ou calendários de produção mostrou-se reduzido, com uma predominância nas categorias “às vezes” e “raramente”. Esse achado indica que a maioria dos produtores não emprega métodos organizados de planejamento de forma consistente. A falta de uma estrutura formal nas atividades de produção leva a problemas na gestão do tempo e na realização das fases do processo produtivo, afetando negativamente a eficiência operacional. A periodicidade de revisão do planejamento também demonstrou pouca consistência, com predominância nas opções “duas a três vezes por ano” e “uma vez por ano”. Essa baixa frequência de atualizações impede a adequação às mudanças climáticas, de produção e às flutuações do mercado, afetando a eficácia do sistema produtivo e diminuindo a agilidade dos agricultores em contextos de incerteza (Schwalbe, 2021).

A investigação dos canais de vendas revelou que as feiras livres são a principal forma de comercialização, seguidas pelo mercado local e pela venda realizada por intermediários. Esse resultado evidencia a significativa participação dos produtores em cadeias curtas de venda, típicas da agricultura familiar. Contudo, a presença de intermediários revela obstáculos no acesso direto ao mercado, o que pode afetar adversamente a renda dos agricultores. Pesquisas recentes enfatizam que o aprimoramento de canais de venda mais diretos e a comercialização direta aos consumidores favorecem o crescimento da renda e a independência dos pequenos agricultores familiares (Schneider; Cassol, 2022). Os resultados mostraram que a administração da produção continua a ser feita de maneira desorganizada, com escassa adoção de recursos de planejamento e atualização restrita dos dados de produção. A falta de horários definidos e a infrequente atualização do planejamento tornam desafiadora a estruturação das tarefas, além de amplificar a fragilidade do sistema de produção frente a influências externas. A concentração em métodos de venda convencionais, como feiras e intermediários, acentua a urgência de uma melhor coordenação entre o planejamento da produção e as táticas de mercado. Pesquisas recentes indicam que a implementação de práticas de gestão e planejamento exerce um impacto positivo na eficiência da produção e no fortalecimento da participação dos agricultores familiares no mercado (Ferreira et al., 2024; Santos et al., 2023). Além disso, a combinação entre planejamento da produção e estratégias de venda tem sido considerada fundamental para melhorar a competitividade e a viabilidade econômica da agricultura familiar (Schneider; Cassol, 2022).

A principal contribuição deste estudo é a elaboração de um modelo de cronograma que pode ser utilizado e administrado pelos agricultores familiares, permitindo a diversificação do plantio e a gestão das atividades ao longo do ano safra. Para a definição das culturas e dos períodos ideais de plantio, além do conhecimento dos agricultores da região, utilizou-se o Catálogo Brasileiro de Hortaliças (Embrapa Hortaliças; Sebrae, 2010). Na elaboração do cronograma, para cada cultura agrícola, foram consideradas cinco atividades principais: preparo de solo/aquisição de insumos; produção de mudas/compra de sementes e/ou mudas; plantio; condução do cultivo; e colheita. A relação entre essas atividades foi definida a partir do Método do Diagrama de Precedência (MDP) e a sequência das atividades foi determinada pela Análise de Rede. As atividades de preparo de solo/aquisição de insumos e produção de mudas/compra de sementes e/ou mudas não possuem dependências entre si. A atividade de plantio depende do término das duas primeiras, a condução do cultivo depende do plantio, e a colheita depende da condução do cultivo.

Para a determinação do tempo das atividades no cronograma, iniciou-se pela atividade crítica, que é o plantio da cultura agrícola. Com base nos períodos ideais de plantio indicados no Catálogo Brasileiro de Hortaliças, determinou-se que as atividades precedentes deveriam iniciar no mês anterior ao plantio. Após o plantio, iniciam-se as atividades relacionadas à condução do cultivo, que incluem irrigação, adubações, controle de plantas espontâneas, controle de pragas e doenças, raleio e tutoramento. A atividade de condução do cultivo se encerra com a colheita, e, ao finalizar as cinco atividades, a área agrícola torna-se disponível para o início de uma nova produção, reiniciando o ciclo. O cronograma, que abrange um período de um ano agrícola de julho a junho, é flexível e pode ser adaptado ao longo dos anos, considerando as mudanças climáticas regionais, as flutuações do mercado consumidor, o interesse dos agricultores e o aprendizado gerado com seu uso. A definição das culturas a serem produzidas deve considerar a disponibilidade de espaço, a capacidade técnica e o conhecimento do agricultor, o acesso a tecnologias de produção e a possibilidade de venda no mercado consumidor. Este cronograma permite que o agricultor familiar da região do Vale do Rio Doce gerencie a produção de forma estruturada, possibilitando a produção contínua de hortaliças ao longo de todo o ano agrícola e garantindo a geração de renda.

É importante considerar as limitações do estudo, como o emprego de categorias fechadas no questionário, que pode ter diminuído a exatidão das informações, especialmente em variáveis relacionadas ao período de produção. Adicionalmente, a dimensão da amostra pode restringir a aplicação dos resultados em outras áreas. No entanto, apesar dessas restrições, os achados mostraram-se alinhados com as evidências disponíveis na literatura científica, destacando a relevância da implementação de práticas de gestão de cronograma como uma abordagem eficaz para aumentar a eficiência produtiva na agricultura familiar. A criação de um cronograma viável revelou-se eficaz na organização das tarefas produtivas e contribuiu para aumentar a previsibilidade da produção, demonstrando que a utilização de técnicas de gestão de cronogramas pode otimizar a produtividade e fortalecer a viabilidade econômica da agricultura familiar, respondendo diretamente ao objetivo do estudo de assegurar oferta contínua e promover a geração de renda.

4. Conclusão

O estudo visou criar um cronograma viável para o cultivo de hortaliças ao longo de um ano agrícola, buscando assegurar oferta contínua e promover a geração de renda para agricultores familiares da microrregião de Ipatinga, no Vale do Rio Doce (MG). Verificou-se que os produtores enfrentavam deficiências significativas no planejamento da produção, com a maioria utilizando métodos reativos e poucas ferramentas formais. Essa lacuna resultava em perdas produtivas consideráveis, que variavam entre 11% e mais de 25%, e na inconsistência da oferta de produtos, apesar da alta dependência da renda agrícola. Observou-se que a produção em pequenas propriedades, com diversificação de culturas de ciclo rápido, era intensiva e altamente influenciada por fatores externos como clima, mão de obra e acesso a insumos. A baixa frequência de revisão do planejamento existente acentuava a vulnerabilidade dos agricultores às flutuações do mercado e às condições ambientais.

A principal contribuição do estudo foi a elaboração de um modelo de cronograma gerenciável, fundamentado nas diretrizes do PMBOK e em técnicas como o Método do Diagrama de Precedência e a Análise de Rede. Este cronograma estrutura as atividades essenciais da olericultura – preparo de solo/aquisição de insumos, produção de mudas/compra de sementes, plantio, condução do cultivo e colheita – considerando os períodos ideais de plantio para diversas culturas. A implementação dessa ferramenta demonstrou potencial para otimizar a organização das tarefas produtivas, aumentar a previsibilidade da produção e fortalecer a sustentabilidade econômica da agricultura familiar, ao permitir a produção contínua de hortaliças e a geração de renda. Contudo, o estudo apresentou limitações, como o uso de categorias fechadas no questionário, que pode ter afetado a precisão de algumas informações, e a dimensão da amostra, que restringe a generalização dos resultados para outras regiões. A abordagem metodológica empregada, no entanto, serve como base para futuras pesquisas que busquem aprimorar o planejamento da produção agrícola na agricultura familiar, especialmente no setor de hortaliças.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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