Artigo

28 de julho de 2026

Gestão do Cronograma para elaboração de Relatório Técnico do plano de orçamento de uma empresa de mineração

Drielle Diane Santana Souza; Renata De Sousa Da Silva Tolentino

DOI: 10.22167/2675-6528-202600734

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O gerenciamento de projetos é uma disciplina amplamente aplicada em diversos setores, incluindo a mineração, onde o gerenciamento de cronograma é crucial para expansões, aquisições e, notavelmente, para a elaboração de relatórios técnicos. Este estudo objetivou apresentar um cronograma para a elaboração de relatório técnico do plano de orçamento de uma empresa de mineração. Conduziu-se um estudo de caso em uma grande empresa de mineração no Brasil, onde se empregou a Estrutura Analítica de Projeto (EAP) para definir e sequenciar atividades, visualizadas em um diagrama de Gantt. O acompanhamento das entregas foi realizado por meio de reuniões semanais e monitorado com uma Curva S, e a estimativa de duração das atividades foi feita utilizando a metodologia PERT. A aplicação dessas ferramentas formais de gestão de projetos proporcionou maior visibilidade do andamento das atividades, melhor alocação de recursos e aumentou a interação da equipe, facilitando discussões sobre alterações de escopo. Embora o atingimento da linha base tenha sido de 81%, o método identificou desvios e oportunidades de melhoria, e a entrega dos relatórios ocorreu conforme o previsto, sem prejuízo aos clientes. Concluiu-se que o gerenciamento do cronograma contribuiu significativamente para a organização, transparência e rastreabilidade na elaboração de relatórios técnicos, uniformizando o processo e auxiliando na tomada de decisões.

Palavras-chave: Cronograma; Gerenciamento; Projeto.

1. Introdução

O Gerenciamento de Projetos (GP) consolidou-se como uma disciplina essencial, expandindo sua aplicação para além dos negócios tradicionais e influenciando o desenvolvimento de agendas econômicas (Ofori, 2013). Sua formalização, exemplificada pelo PMBOK, estabelece diretrizes para a governança de sistemas que envolvem projetos, visando facilitar a obtenção dos resultados esperados (PMI, 2021). Essa abordagem estruturada é crucial para a condução de empreendimentos complexos em diversos setores.

Na indústria da mineração, a aplicação do gerenciamento de projetos é de particular relevância. Embora frequentemente associada a grandes empreendimentos, como a abertura de novas minas e o início de operações, sua utilidade se estende a atividades de menor escala. Durante a fase operacional, o gerenciamento de cronograma é empregado em expansões, aquisições de equipamentos e, notavelmente, na elaboração de relatórios técnicos. Esses relatórios, mesmo com escopo, custo e prazo mais restritos, são considerados projetos que podem se beneficiar significativamente de ferramentas de gestão.

A elaboração de relatórios técnicos, apesar de seu caráter aparentemente rotineiro, pode apresentar desafios consideráveis, incluindo falhas de planejamento e atrasos no cronograma, caso metodologias formais não sejam aplicadas (De Rezende & Tolentino, 2024). A dificuldade na elaboração de projetos, muitas vezes, decorre da ausência de ferramentas formais de gestão, o que pode resultar em ineficiências e descumprimento de prazos (Santos, 2018). Essa lacuna prática e teórica evidencia a necessidade de estender os benefícios do gerenciamento de cronograma a todos os tipos de projetos dentro de uma organização.

O gerenciamento eficaz do cronograma, um pilar do GP, busca mitigar esses riscos ao proporcionar supervisão contínua do status das atividades, promover maior interação entre os membros da equipe e otimizar a alocação de recursos. Ferramentas como a Estrutura Analítica de Projeto (EAP) para decomposição do escopo, o diagrama de Gantt para sequenciamento, o PERT para estimativa de duração e a Curva S para monitoramento do progresso são fundamentais. Tais abordagens formais auxiliam na antecipação de ajustes de escopo e na otimização da implantação de recursos (Pereira e Tolentino, 2021).

Nesse contexto, um estudo foi proposto para investigar a contribuição do gerenciamento formal de cronograma em um projeto típico de uma empresa de mineração de grande porte no Brasil, que possui múltiplas unidades operacionais e mais de 500 funcionários (SEBRAE, 2025). O projeto específico selecionado envolveu a elaboração de uma série de relatórios técnicos de auditoria referentes ao plano de produção do ano de 2026. Este cenário ofereceu uma oportunidade para demonstrar como a aplicação de ferramentas de controle de cronograma pode aprimorar a execução de projetos internos, mesmo aqueles de natureza mais consultiva.

Diante do exposto, a pesquisa buscou responder à seguinte pergunta: Como a aplicação de ferramentas formais de controle de cronograma pode contribuir para a elaboração de relatórios técnicos do plano de orçamento de uma empresa de mineração? Para tanto, o objetivo deste estudo foi apresentar um cronograma para elaboração de relatório técnico do plano de orçamento de uma empresa de mineração.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como descritiva quanto aos objetivos, buscando identificar a relação entre a aplicação de um método de gerenciamento de cronograma e o cumprimento do prazo de entrega de um projeto (Bigaton et al., 2024). Quanto à natureza dos dados, adotou-se uma abordagem qualitativa, por trabalhar com informações não numéricas, e indutiva, partindo de um caso particular para buscar generalizações (Gil, 2008). O delineamento metodológico consistiu em um estudo de caso, focado no desenvolvimento de um projeto específico em uma empresa de mineração.

O estudo foi conduzido em uma empresa de mineração de grande porte no Brasil, com mais de 500 funcionários e múltiplas unidades operacionais, além de escritórios corporativos (SEBRAE, 2025). O projeto selecionado para análise envolveu a elaboração de uma série de relatórios técnicos de auditoria referentes ao plano de produção do ano de 2026. Cada relatório foi tratado como um projeto individual, a ser confeccionado por um integrante da equipe auditora, composta por 11 membros interdisciplinares, com pontos-chave padronizados e prazo de entrega comum.

A obtenção dos dados ocorreu por meio de observação participante, com controle e monitoramento em tempo real do cronograma do projeto escolhido. O acompanhamento das entregas foi realizado em reuniões semanais, que ocorriam às segundas-feiras, e lembretes foram disparados via Microsoft Teams às sextas-feiras para atualização do controlador de entregas. O projeto teve uma duração de 45 dias úteis trabalhados, o que correspondeu a aproximadamente dois meses calendário, sendo executado no final de 2025.

Para a organização e execução do projeto, as atividades foram estruturadas em etapas. Inicialmente, realizou-se o planejamento do gerenciamento do cronograma, onde se consolidaram informações sobre prazos, recursos, responsáveis e durações em um arquivo-base. Em seguida, procedeu-se à definição das atividades utilizando a Estrutura Analítica de Projeto (EAP), conforme diretrizes do PMBOK (PMI, 2017). Essa ferramenta permitiu a decomposição do escopo da confecção do relatório técnico, com as atividades sendo agrupadas em temas para facilitar a gestão.

O sequenciamento das atividades foi estabelecido por meio da análise das relações de dependência entre as tarefas, empregando-se o diagrama de Gantt para visualizar as precedências do tipo “finish-start”. Na construção do cronograma, foram desconsiderados os dias não úteis, como sábados, domingos e feriados, além de dias em que a equipe estaria alocada em outros projetos. A estimativa de duração das atividades foi realizada utilizando a metodologia PERT (Program Evaluation and Review Technique), que considerou estimativas otimista, provável e pessimista, combinadas com estimativa análoga. A duração média foi calculada pela fórmula D = (O + 4M + P) / 6, onde O representa a estimativa otimista, M a mais provável e P a pessimista.

O cronograma final foi desenvolvido com base nas informações agrupadas e sequenciadas, utilizando-se novamente o diagrama de Gantt para sua representação visual. Para o controle e monitoramento do progresso do projeto, empregou-se a Curva S, uma ferramenta que permite acompanhar o desempenho em relação ao planejado (Proaño-Narváez et al., 2022). Esse monitoramento foi complementado pelas reuniões semanais e lembretes via Microsoft Teams, visando manter a equipe informada e engajada na atualização do status das atividades e entregas.

A organização dos dados do projeto foi centralizada em um arquivo-base, que consolidou todas as informações pertinentes a prazos, recursos, responsáveis e durações das tarefas. As atividades foram agrupadas por temas para otimizar a gestão e a visualização. As entregas consistiram em um relatório por mina, com uma estrutura de tópicos padronizada para garantir uniformidade. Não foram aplicados termos de consentimento livre e esclarecido (TCLE) ou termos de confidencialidade, pois o estudo se concentrou na aplicação de ferramentas de gerenciamento de cronograma em um projeto interno da empresa, sem envolver dados pessoais ou sensíveis de participantes externos.

3. Resultados e Discussão

A presente seção aborda os resultados obtidos por meio da revisão de literatura e do estudo de caso, interpretando-os à luz do problema de pesquisa e do objetivo proposto. Inicialmente, a revisão bibliográfica revelou a escassez de estudos específicos sobre o monitoramento de cronogramas para relatórios técnicos em mineração, indicando uma lacuna na literatura. Contudo, ao ampliar a busca para “cronograma projeto mineração”, identificaram-se trabalhos que, embora não diretamente focados em relatórios, ressaltam a importância do gerenciamento de cronograma em projetos do setor, fornecendo um embasamento para a aplicação de ferramentas formais.

A análise da literatura destacou a relevância de metodologias formais para a gestão de projetos, mesmo em contextos de menor escala. Carvalho (2012), por exemplo, desenvolveu uma metodologia para otimizar a alocação de recursos e prazos em estudos de viabilidade, reforçando a necessidade de acompanhamento de tarefas e alocação adequada de recursos. Essa perspectiva é fundamental para compreender como a aplicação de ferramentas de gerenciamento pode aprimorar a execução de projetos internos, como a elaboração de relatórios técnicos, que muitas vezes são subestimados em sua complexidade.

Estudos como o de Junior e Nascimento (2024) evidenciaram que ferramentas de gestão de cronograma contribuíram para a redução de custos e atrasos em um projeto de mineração em Angola. Apesar de a maioria das atividades ter sido concluída, atrasos foram observados, atribuídos a falhas na etapa de verificação do ciclo PDCA, no acompanhamento da execução, na comunicação e em estudos aprofundados. Essa constatação sublinha a necessidade de um monitoramento contínuo e eficaz do cronograma para antecipar e mitigar perdas e atrasos, um ponto central para o presente estudo.

A influência de características da equipe na adoção de práticas de gestão de projetos também foi um achado relevante na literatura. Tereso et al. (2018) identificaram que fatores como experiência profissional, idade, posição, gênero e nível de instrução podem impactar a eficácia da gestão. No estudo de caso realizado, a equipe interdisciplinar, com diferentes formações e experiências, reforçou a pertinência dessa observação, indicando que a diversidade da equipe pode exigir abordagens adaptadas para a familiarização e o engajamento com as ferramentas de gerenciamento de cronograma.

A gestão de riscos e a integração entre as partes interessadas foram outros aspectos enfatizados. Silva e Melhado (2016) citaram que os riscos de gestão, relacionados à organização, recursos e cultura, podem impactar a entrega do projeto. Eles recomendaram a criação de um sistema de controle de documentação e a análise da integração entre agentes e clientes, práticas que, quando bem implementadas, podem melhorar o encadeamento do processo e evitar prejuízos ao cronograma, com a liderança desempenhando um papel crucial nesse processo.

Azevedo (2022) demonstrou, em um estudo de caso sobre a implantação de uma pilha de estéril em uma mineradora, que a adoção de melhores práticas de planejamento, conforme o Project Management Institute (PMI), permitiu o cumprimento do prazo e a entrega com qualidade, mesmo diante de atrasos em aprovações e estimativas malfeitas. Isso ressalta que, com planejamento robusto e fatores de produtividade conservadores, é possível mitigar riscos e alcançar os objetivos do projeto, mesmo em ambientes desafiadores como a mineração.

A relevância do planejamento e acompanhamento de cronogramas em manutenção de ativos também foi destacada por Penha, Batista e Viegas (2021). Eles observaram que a aplicação de ferramentas formais do PMBOK em grandes intervenções de manutenção resultou em aderência de custo e prazo, além da captura de lições aprendidas. Esses achados reforçam que o gerenciamento de projetos é um caminho para o aprimoramento do controle em diversas áreas da mineração, incluindo a elaboração de relatórios técnicos.

Contudo, a literatura também aponta que o gerenciamento de projetos, por si só, não previne falhas, conforme Wit (1988). O sucesso de um projeto está intrinsecamente ligado ao atingimento dos objetivos de todos os stakeholders, e não apenas ao cumprimento de escopo, custo e prazo. Abreu e Carneiro (2012) identificaram problemas como alocação inadequada de recursos, falha na captura de lições aprendidas e premissas de escopo pouco claras, que levaram a projetos que não atenderam plenamente aos requisitos do cliente. Esses pontos foram cruciais para a estruturação do estudo de caso.

O estudo de caso foi conduzido em uma empresa de mineração de grande porte, com mais de 500 funcionários e múltiplas unidades operacionais, focando na elaboração de relatórios técnicos de auditoria do plano de produção de 2026. O projeto envolveu uma equipe interdisciplinar de 11 integrantes e teve uma duração planejada de 45 dias úteis, equivalentes a aproximadamente dois meses calendário. Cada relatório, considerado um projeto, deveria seguir uma estrutura padronizada de tópicos, garantindo uniformidade nas entregas.

Para o planejamento do gerenciamento do cronograma, foi criado um arquivo-base que consolidou informações sobre prazos, recursos, responsáveis e durações. Esta etapa, de natureza mais conceitual, teve como objetivo organizar as ideias e as ferramentas a serem empregadas. A definição das atividades foi realizada utilizando a Estrutura Analítica de Projeto (EAP), conforme preconizado pelo PMBOK (PMI, 2017), o que permitiu decompor o escopo da confecção do relatório em temas e atividades específicas, facilitando a visualização e o controle do trabalho.

A EAP desenvolvida para o relatório técnico incluiu seções de apoio, aspectos gerais, ferramentas, dimensionamento de frota e outputs. As seções de apoio abrangiam Sumário Executivo, Objetivo, Resumo de Produção, Boas Práticas e Recomendações, Riscos e Oportunidades e Anexos. Os aspectos gerais incluíam Premissas, Geologia, Fatores Modificadores, Estratégia, Design, Drenagem e Licenciamentos e Direitos Minerários, além de Atividades Operacionais Auxiliares. As ferramentas contemplavam Indicadores de Plano, Road Audit, Catchment Analysis e Face and Berms. O dimensionamento de frota envolvia DMT, Frotas e Fatores. Os outputs eram Nota Técnica, Relatório e Apresentação. Essa decomposição detalhada foi crucial para a organização do trabalho.

O sequenciamento das atividades foi efetuado por meio de um diagrama de Gantt, que visualizou as relações de dependência do tipo finish-start entre as tarefas. No cronograma, foram excluídos os sábados, domingos, feriados e dias em que a equipe estaria alocada em outros projetos, resultando em um total de 45 dias úteis de trabalho. Essa abordagem permitiu uma visão clara dos prazos e das interdependências, otimizando o fluxo de trabalho e a alocação de recursos ao longo do projeto.

A estimativa de duração das atividades foi realizada utilizando a metodologia PERT (Program Evaluation and Review Technique), combinada com a estimativa análoga, que considerou a duração mais provável. O método do caminho crítico (CPM) não foi aplicado, uma vez que as atividades eram predominantemente sequenciais e um único responsável era atribuído a todas as tarefas de um mesmo relatório. A duração total estimada para o projeto, com base nos cálculos PERT, foi de 45.23 dias úteis, alinhando-se à duração planejada de 45 dias úteis.

A distribuição do tempo entre os grupos de atividades revelou uma alocação eficiente das horas trabalhadas pela equipe de auditores. A maior parte do tempo foi dedicada a temas multidisciplinares (22.8 dias para atividades gerais), com tempo significativo para temas específicos (5.6 dias para dimensionamento de frota, 6.5 dias para outputs e 3.8 dias para ferramentas) e o restante para seções de apoio (6.7 dias) e compilação de entregáveis. Essa alocação otimizada refletiu a natureza complexa e interdisciplinar do projeto de elaboração dos relatórios técnicos.

O desenvolvimento do cronograma, utilizando o diagrama de Gantt, permitiu a construção de uma linha de base clara para o projeto. As tarefas consideradas entregas-chave foram destacadas, e as datas foram ajustadas para considerar apenas dias úteis, excluindo períodos de deslocamento da equipe para outras demandas. Este cronograma serviu como um guia visual e operacional para todos os membros da equipe, facilitando o acompanhamento e a gestão das expectativas de prazo.

O controle do cronograma foi realizado por meio de uma Curva S semanal, complementada por reuniões às segundas-feiras e lembretes via Microsoft Teams às sextas-feiras. Essa metodologia, conforme Proaño-Narváez et al. (2022) demonstraram em projetos de construção, é eficaz para detectar desvios de custo e prazo. No entanto, o atingimento da linha de base do projeto foi de 81%, não alcançando os 100% planejados. Essa diferença foi atribuída principalmente à baixa familiarização da equipe com as ferramentas de controle e gestão de entregas, bem como a alterações de escopo e especificidades dos planos que surgiram ao longo do projeto.

Apesar de o atingimento da linha de base ter sido de 81%, o que poderia indicar um desvio, a entrega dos relatórios ocorreu conforme o previsto, sem prejuízo aos clientes. A discrepância se deveu, em grande parte, à ausência de preenchimento completo dos dados de progresso ou a alterações de escopo que não foram formalmente registradas como revisões da linha de base. Isso sugere que, embora o método tenha identificado desvios, eles não representaram falhas na entrega final, mas sim oportunidades de melhoria na gestão e registro do progresso.

A aplicação das ferramentas formais de controle de cronograma contribuiu significativamente para a elaboração dos relatórios técnicos do plano de orçamento, tornando o processo mais organizado, transparente e rastreável. O gerenciamento do cronograma permitiu discussões proativas sobre alterações de escopo, reorganização de recursos e comunicação eficaz com a liderança do projeto. A definição clara das atividades, por meio da EAP, uniformizou a estrutura dos relatórios e facilitou a discussão de temas relevantes com os clientes.

Do ponto de vista da liderança da empresa, o cronograma foi considerado um sucesso, destacando-se três pontos principais: a familiarização da equipe técnica com as ferramentas, servindo como “treinamento” para futuros projetos; o acesso do líder imediato ao status de confecção do relatório; e a utilização do cronograma como ferramenta de embasamento decisório para a alocação das horas dos integrantes da equipe, que frequentemente conciliavam o relatório com outras demandas. Adicionalmente, a criação da EAP e a estimativa de duração das atividades trouxeram tangibilidade ao processo para a equipe técnica, facilitando a discussão do avanço.

Apesar dos benefícios, o estudo identificou limitações, especialmente quanto à reprodutibilidade em outras áreas da empresa para diferentes tipos de relatórios técnicos, como diagnósticos de processos ou análises de riscos. A familiarização da equipe com as ferramentas de gestão de cronograma também se mostrou um fator crítico, indicando a necessidade de capacitação contínua. A ausência de critérios de “gate” formais entre as etapas de levantamento de dados e redação dos relatórios pode ter contribuído para as alterações de escopo, sugerindo que a incorporação de gates explícitos seria uma melhoria metodológica para projetos futuros.

As lições aprendidas foram sistematizadas em três dimensões: processo, pessoas e ferramentas. No processo, as alterações de escopo demandaram revisão da linha de base, e a cadência semanal de monitoramento foi eficaz. Recomenda-se definir premissas e escopo detalhados e incluir controle formal de mudanças (Abreu & Carneiro, 2012), além de manter a frequência semanal de atualização e automatizar lembretes digitais. Em relação às pessoas, as características individuais influenciaram a adoção das práticas, e os integrantes precisaram conciliar o relatório com outras demandas. Sugere-se capacitação prévia da equipe e mapeamento da disponibilidade individual com inclusão de buffers para atividades concorrentes.

Quanto às ferramentas, a EAP foi valorizada pela equipe técnica por trazer tangibilidade ao escopo. Recomenda-se manter a EAP como artefato central e replicar a estrutura de tópicos padronizada para novos tipos de relatório. A Curva S evidenciou desvios reais de preenchimento, mas não diferenciou atrasos de falta de registro. Para projetos com orçamento explícito, sugere-se complementar a Curva S com o Método do Valor Agregado (EVM), conforme Proaño-Narváez et al. (2022). Em síntese, o gerenciamento do cronograma demonstrou ser uma ferramenta valiosa para a organização, transparência e rastreabilidade na elaboração de relatórios técnicos, uniformizando o processo e auxiliando na tomada de decisões.

4. Conclusão

O estudo objetivou apresentar um cronograma para a elaboração de relatório técnico do plano de orçamento de uma empresa de mineração. Verificou-se que a aplicação de ferramentas formais de gerenciamento de cronograma, como a Estrutura Analítica de Projeto (EAP), o diagrama de Gantt e a metodologia PERT, proporcionou maior visibilidade do andamento das atividades e otimizou a alocação de recursos. Embora o atingimento da linha de base tenha sido de 81%, a entrega dos relatórios ocorreu conforme o previsto, sem prejuízo aos clientes, indicando que os desvios identificados representaram oportunidades de aprimoramento na gestão do progresso. A utilização dessas ferramentas formalizou o processo de elaboração de relatórios técnicos, tornando-o mais organizado, transparente e rastreável. Essa abordagem facilitou discussões proativas sobre alterações de escopo e a comunicação com a liderança, além de uniformizar a estrutura dos relatórios e auxiliar na tomada de decisões. A principal contribuição reside na familiarização da equipe técnica com as ferramentas de gestão, servindo como base para futuros projetos e para o embasamento decisório na alocação de horas dos integrantes.

Identificou-se como limitação a reprodutibilidade da metodologia em outras áreas da empresa para diferentes tipos de relatórios técnicos, bem como a baixa familiarização da equipe com as ferramentas de gestão de cronograma. A ausência de critérios de “gate” formais entre as etapas de levantamento de dados e redação dos relatórios também foi observada como um fator que contribuiu para alterações de escopo. Para estudos futuros, sugere-se a definição de premissas e escopo detalhados antes do início dos projetos, a inclusão de um controle formal de mudanças e a capacitação prévia da equipe. Recomenda-se ainda mapear a disponibilidade individual dos integrantes, incorporar buffers para atividades concorrentes e complementar a Curva S com o Método do Valor Agregado (EVM) em projetos com orçamento explícito. A manutenção da EAP como artefato central e a replicação da estrutura de tópicos padronizada são indicadas para novos tipos de relatório, visando ampliar o escopo da metodologia para diferentes configurações de equipe.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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