Artigo

22 de julho de 2026

Gestão do Conhecimento em Empresas de Tecnologia: Estratégias para Inovação e Competitividade

Bruna Caroni Moura Rodrigues; Orjana de Oliveira Pacheco Rossi

DOI: 10.22167/2675-6528-202600604

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão do conhecimento emergiu como recurso estratégico fundamental para empresas de tecnologia, impulsionada pela crescente complexidade organizacional e pelo avanço das tecnologias digitais. O estudo analisou a gestão do conhecimento nesse setor, buscando identificar as principais estratégias empregadas para fomentar a inovação e a competitividade organizacional. Caracterizou-se como pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa e objetivo descritivo, utilizando um levantamento tipo *survey*. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado, aplicado a 53 profissionais com experiência no setor tecnológico. Os resultados indicaram que a maioria dos participantes reconheceu a gestão do conhecimento como elemento estratégico, destacando práticas como o compartilhamento de informações, o uso de tecnologias digitais, o aprendizado contínuo e o trabalho colaborativo. Observou-se uma forte relação entre a gestão do conhecimento e a inovação, percebida como crucial para o desenvolvimento de novas ideias, produtos e serviços. A gestão do conhecimento demonstrou contribuir significativamente para o desempenho organizacional e a competitividade, especialmente quando aliada a uma cultura organizacional favorável, ao apoio da liderança e ao uso de ferramentas tecnológicas. Concluiu-se que a gestão do conhecimento é um fator essencial para o crescimento e a sustentabilidade das empresas de tecnologia em um ambiente dinâmico e competitivo.

Palavras-chave: Compartilhamento de conhecimento; Competitividade; Conhecimento estratégico; Empresas de tecnologia; Inovação organizacional.

1. Introdução

A complexidade crescente do ambiente organizacional e o avanço acelerado das tecnologias digitais têm impulsionado mudanças significativas na forma como as empresas produzem, compartilham e utilizam o conhecimento. Este cenário dinâmico exige uma reavaliação contínua das estratégias corporativas, com o conhecimento emergindo como um ativo de valor inestimável para a sustentabilidade e o sucesso empresarial (Santos; Torkomian, 2023).

Nesse contexto, o conhecimento é amplamente reconhecido como um recurso estratégico fundamental para o desenvolvimento organizacional, especialmente em empresas de base tecnológica. Nesses ambientes, a inovação, a aprendizagem contínua e a capacidade de adaptação são fatores cruciais para a competitividade. A economia do conhecimento destaca que o capital intelectual, composto por competências, experiências, informações e habilidades, constitui um dos principais elementos capazes de gerar vantagem competitiva sustentável no mercado (Franzese, 2018).

Diante dessa realidade, a Gestão do Conhecimento (GC) emerge como uma abordagem estratégica voltada à identificação, criação, compartilhamento, armazenamento e aplicação do conhecimento dentro das organizações. Ela representa um conjunto de práticas gerenciais que busca transformar o conhecimento individual em conhecimento organizacional, promovendo a aprendizagem coletiva e o aprimoramento dos processos institucionais. A GC está diretamente associada ao desenvolvimento de estratégias de inteligência competitiva, permitindo que as companhias organizem informações relevantes e as utilizem de forma estruturada na tomada de decisões e no planejamento estratégico (Corsatto & Hoffmann, 2013).

A gestão do conhecimento é um catalisador para a inovação organizacional, pois possibilita a integração de diferentes saberes e competências existentes no ambiente corporativo (Franzese, 2018). Empresas que adotam práticas estruturadas de GC demonstram maior capacidade de desenvolver inovações em produtos, processos e modelos de gestão, sobretudo em ambientes favoráveis à inovação. Tais ambientes estimulam a troca de conhecimento, fortalecendo a aprendizagem organizacional e a geração de novas soluções tecnológicas (Hansen et al., 2019).

No caso específico das empresas de tecnologia, a gestão do conhecimento torna-se ainda mais relevante devido à natureza intensiva em conhecimento desse setor. As organizações dependem fortemente da capacidade de seus colaboradores em gerar ideias, desenvolver soluções criativas e responder rapidamente às mudanças do mercado. A capacidade tecnológica das empresas está diretamente associada à forma como o conhecimento é gerado, compartilhado e aplicado no contexto organizacional (Silva et al., 2018; Santos & Torkomian, 2023).

A gestão do conhecimento também está relacionada ao desempenho organizacional e à capacidade empreendedora das empresas de tecnologia. Empreendedores de startups de tecnologia da informação percebem a GC como um elemento fundamental para o desenvolvimento de estratégias de crescimento, pois ela possibilita a sistematização do conhecimento e facilita sua utilização em processos de inovação e tomada de decisão. A GC contribui para a melhoria da eficiência operacional e da competitividade empresarial (Ziviani et al., 2024; Hansen et al., 2019). Organizações que integram GC com gestão da inovação apresentam maior capacidade de desenvolver soluções inovadoras e responder de forma eficiente às demandas do mercado (Abreu et al., 2024).

A implementação de práticas voltadas à criação, compartilhamento e utilização do conhecimento organizacional pode impulsionar o desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, estimulando a aprendizagem contínua. Assim, a gestão do conhecimento constitui um elemento estratégico para empresas de tecnologia que buscam fortalecer sua capacidade inovadora e competitividade (Corsatto & Hoffmann, 2013). Perante o exposto, o presente projeto de pesquisa justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre a aplicação da gestão do conhecimento no setor tecnológico e tem como objetivo analisar a gestão do conhecimento em empresas de tecnologia, identificando as principais estratégias utilizadas para promover inovação e competitividade organizacional.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza aplicada, buscando gerar conhecimento com potencial de aplicação prática na gestão organizacional, especialmente no desenvolvimento de estratégias para inovação e competitividade em empresas de tecnologia (Prodanov & Freitas, 2013). Adotou-se uma abordagem metodológica quantitativa, com o objetivo descritivo de identificar, registrar e analisar as práticas de gestão do conhecimento e suas contribuições para a inovação organizacional (Vergara, 2016).

Quanto ao procedimento técnico, o estudo foi realizado por meio de um levantamento, conhecido como “survey”. Essa estratégia permitiu a coleta de dados diretamente com os indivíduos que compõem a população investigada, possibilitando a análise de percepções, comportamentos e práticas organizacionais (Gil, 2019). A escolha justificou-se pela necessidade de compreender como as práticas de gestão do conhecimento foram percebidas e aplicadas no ambiente de empresas de tecnologia, e sua relação com processos de inovação e competitividade.

A unidade de análise consistiu em profissionais que atuam em empresas de tecnologia. Foram incluídos colaboradores de áreas como desenvolvimento de software, tecnologia da informação, inovação, gestão de projetos e setores administrativos relacionados à gestão organizacional. A seleção dos participantes ocorreu por meio de amostragem não probabilística por conveniência, considerando a acessibilidade e a disponibilidade dos respondentes para a participação na pesquisa (Prodanov & Freitas, 2013). Coletaram-se dados de 53 participantes com experiência no setor tecnológico.

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado, elaborado na plataforma “Google Forms”. Este instrumento foi composto por perguntas fechadas, organizadas em seções temáticas. As seções abordaram o perfil dos participantes, as práticas de gestão do conhecimento nas organizações, o compartilhamento e armazenamento do conhecimento, a relação entre gestão do conhecimento e inovação, e a percepção sobre competitividade organizacional.

As perguntas do questionário foram estruturadas utilizando uma escala do tipo Likert de cinco pontos, variando de “Discordo totalmente” a “Concordo totalmente” (Malhotra, 2019). A construção do questionário baseou-se em uma revisão da literatura científica sobre gestão do conhecimento, inovação organizacional e competitividade em empresas de tecnologia. Foram utilizados como referência os estudos de Corsatto e Hoffmann (2013), Hansen et al. (2019), Silva et al. (2018), Ziviani et al. (2024), Santos e Torkomian (2023) e Abreu et al. (2024).

O questionário foi divulgado por meio de redes profissionais, e-mail e aplicativos de comunicação, visando garantir acesso rápido e prático aos participantes. Antes de iniciar o preenchimento, os respondentes tiveram acesso a um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Este termo informou sobre os objetivos da pesquisa, a voluntariedade da participação e a garantia de anonimato, assegurando que os dados seriam utilizados exclusivamente para fins acadêmicos e científicos.

A pesquisa seguiu rigorosamente os princípios éticos aplicáveis a estudos envolvendo seres humanos, conforme as diretrizes estabelecidas pelas Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Não se solicitou dados pessoais que permitissem a identificação dos respondentes, reforçando o anonimato e a confidencialidade das informações coletadas. Todos os dados foram tratados com responsabilidade e ética, em conformidade com a legislação vigente.

Após a coleta, os dados foram organizados automaticamente pela plataforma Google Forms. Posteriormente, exportaram-se as informações para planilhas eletrônicas, como Excel ou Google Sheets, para facilitar o processamento. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva, que incluiu o cálculo de frequência, porcentagem e médias das respostas obtidas para cada pergunta do questionário. Essa técnica permitiu identificar padrões de respostas e compreender as percepções dos participantes.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados por meio do questionário estruturado, aplicado a 53 profissionais do setor de tecnologia, revelou percepções significativas sobre a gestão do conhecimento e sua influência na inovação e competitividade organizacional. Os resultados iniciais permitiram caracterizar os participantes e, subsequentemente, aprofundar a compreensão das práticas de gestão do conhecimento adotadas, a relação com a inovação e o impacto no desempenho e na competitividade das empresas. A maioria dos respondentes demonstrou possuir vivência prática no segmento tecnológico, o que confere maior robustez às percepções e informações obtidas.

A caracterização dos participantes indicou que 73% (n=39) dos respondentes já atuaram ou atuam em empresas da área de tecnologia ou inovação, enquanto 27% (n=14) não possuíam experiência nesse segmento. Essa predominância de profissionais com vivência no setor fortalece a validade das percepções analisadas, uma vez que as respostas estão fundamentadas em experiências práticas no ambiente organizacional. Conforme Terra (2005), a vivência organizacional é um fator crucial na forma como os indivíduos percebem e utilizam o conhecimento, especialmente em setores intensivos em tecnologia. Angeloni (2010) complementa que organizações baseadas em conhecimento dependem diretamente da atuação de profissionais inseridos em contextos inovadores, o que valida a relevância da amostra para o objetivo do estudo.

Em relação às práticas de gestão do conhecimento, observou-se que as empresas de tecnologia promovem ativamente o aprendizado contínuo. A pesquisa revelou que 38% dos participantes concordam totalmente e 33% concordam parcialmente que suas organizações incentivam treinamentos e capacitações, totalizando 71% de reconhecimento dessas iniciativas. Contudo, uma parcela de 13% se manteve neutra e 16% discordou, sugerindo que tais práticas podem não ser uniformemente implementadas em todas as organizações do setor. Este achado ressalta a importância da capacitação contínua para o desenvolvimento organizacional, conforme apontado por Batista (2012).

O incentivo à troca de conhecimentos entre equipes e setores foi percebido de forma ainda mais positiva. Os dados indicaram que 44% dos respondentes concordam totalmente e 35% concordam parcialmente com a afirmação de que suas empresas estimulam essa colaboração, somando 79% de concordância. Essa alta taxa de percepção positiva sugere que a prática de troca de conhecimento está relativamente consolidada no ambiente das empresas de tecnologia. Adicionalmente, no que diz respeito ao compartilhamento de conhecimentos e experiências entre colaboradores, 48% concordam parcialmente e 38% concordam totalmente, totalizando 86% de reconhecimento, o que reforça a ideia de um ambiente organizacional favorável à disseminação do conhecimento.

A utilização de tecnologias digitais para apoiar processos organizacionais e a gestão da informação demonstrou ser uma prática amplamente adotada. Verificou-se que 63% dos participantes concordam totalmente e 33% concordam parcialmente com a presença dessas ferramentas, resultando em um índice de 96% de concordância. Este dado sublinha a forte presença de tecnologias digitais nas empresas analisadas, que são cruciais para o armazenamento, disseminação e acesso às informações, conforme destacado por Alvarenga Neto (2008). Os resultados confirmam que as empresas de tecnologia tendem a adotar práticas estruturadas de gestão do conhecimento, reforçando sua importância estratégica no setor.

A relação entre a gestão do conhecimento e a inovação organizacional foi amplamente reconhecida pelos participantes. A troca de conhecimentos entre colaboradores foi identificada como um fator significativo para o surgimento de novas ideias e soluções inovadoras, com 50% dos respondentes concordando totalmente e 29% concordando parcialmente, totalizando 79% de concordância. Este resultado enfatiza a importância do compartilhamento de conhecimento como um elemento essencial para a inovação, alinhando-se às discussões de Nonaka e Takeuchi (2008) sobre a criação de conhecimento organizacional por meio da interação social e troca de experiências.

O uso de tecnologias digitais para facilitar o compartilhamento de informações e conhecimentos também obteve um alto nível de concordância, com 42% dos participantes concordando totalmente e outros 42% concordando parcialmente, somando 84%. Além disso, a existência de ferramentas ou sistemas para registro e armazenamento do conhecimento organizacional, como plataformas digitais e bancos de dados, foi confirmada por 52% dos participantes que concordaram totalmente e 37% que concordaram parcialmente, indicando que a maioria das empresas já possui estruturas formais para a gestão do conhecimento. Esses achados corroboram a visão de Ziviani et al. (2024) de que o compartilhamento de conhecimento é um impulsionador fundamental da inovação.

Ao analisar a existência de práticas ou estratégias voltadas à gestão do conhecimento organizacional, 54% dos respondentes concordaram parcialmente e 21% concordaram totalmente, totalizando 75% de concordância. Embora a maioria reconheça a presença dessas iniciativas, a distribuição das respostas sugere que, em algumas organizações, essas práticas ainda podem estar em processo de consolidação. A percepção dos respondentes, no entanto, está alinhada com a literatura que reconhece o conhecimento como um elemento central no desenvolvimento de soluções inovadoras, especialmente em ambientes de alta intensidade tecnológica.

Os impactos da gestão do conhecimento no ambiente organizacional foram percebidos de forma bastante positiva pelos participantes. Em relação ao estímulo a um ambiente favorável à criatividade e à inovação, 46% dos respondentes concordaram totalmente e 33% concordaram parcialmente, totalizando 79% de concordância. Isso indica que as empresas analisadas buscam promover um contexto organizacional que propicie a inovação, um fator crítico para o sucesso no setor de tecnologia (Santos & Torkomian, 2023).

A contribuição das práticas de compartilhamento de conhecimento para a melhoria do desempenho organizacional foi amplamente reconhecida, com 48% dos participantes concordando totalmente e 42% concordando parcialmente, somando 90% de concordância. Esse elevado nível de reconhecimento destaca a importância dessas práticas para os resultados das organizações. No que tange à influência da gestão do conhecimento na competitividade empresarial, 48% dos participantes concordaram totalmente e 37% concordaram parcialmente, reforçando a percepção de que uma gestão eficaz do conhecimento representa um diferencial competitivo no mercado, em linha com Fleury e Fleury (2001).

A contribuição do conhecimento gerado internamente para o desenvolvimento de novos produtos ou serviços também foi amplamente reconhecida, com 42% dos respondentes concordando totalmente e 46% concordando parcialmente, totalizando 88%. Este resultado demonstra o papel estratégico do conhecimento como base para a inovação organizacional. Os dados coletados, portanto, demonstram que a gestão do conhecimento é percebida como um elemento fundamental para o fortalecimento da inovação, a melhoria do desempenho e o aumento da competitividade nas empresas de tecnologia, especialmente em ambientes dinâmicos e intensivos em conhecimento (Santos & Torkomian, 2023).

A gestão do conhecimento é amplamente percebida como parte da estratégia organizacional, embora sua integração plena ainda possa estar em desenvolvimento. Observou-se que 52% dos respondentes concordam parcialmente que a gestão do conhecimento é considerada parte importante da estratégia organizacional, com uma parcela menor apresentando concordância total ou neutralidade. Isso sugere que, embora o reconhecimento seja presente, a consolidação dessa integração ainda pode não ser uniforme em todas as empresas de tecnologia.

O uso de plataformas digitais internas, como intranets e ferramentas colaborativas, foi considerado relevante para facilitar a troca de conhecimentos. A pesquisa indicou que 52% dos participantes concordam totalmente e 23% concordam parcialmente com essa afirmação, totalizando 75% de concordância. Esses recursos são essenciais para a dinâmica de compartilhamento de informações entre colaboradores. A valorização do aprendizado a partir de experiências e erros em projetos também se destacou, com 37% de concordância total e 33% de concordância parcial, evidenciando que a maioria das organizações reconhece a importância do aprendizado contínuo como fonte de desenvolvimento.

O trabalho colaborativo entre equipes foi amplamente percebido como um fator essencial para a geração de novos conhecimentos, com 56% dos respondentes concordando totalmente e 33% concordando parcialmente, somando 89%. A atuação dos líderes no incentivo ao compartilhamento de conhecimento também se mostrou significativa, com 46% de concordância total e 38% de concordância parcial, indicando que a liderança exerce um papel crucial na promoção de uma cultura de compartilhamento. Esses achados estão alinhados com Davenport e Prusak (1998), que destacam a importância da liderança no incentivo ao compartilhamento de conhecimento.

De forma geral, a gestão do conhecimento é vista como um fator importante para o crescimento e desenvolvimento das organizações, com 73% dos participantes concordando totalmente com essa percepção. Esse resultado reforça o papel estratégico da gestão do conhecimento no contexto empresarial contemporâneo, especialmente quando associada a uma cultura colaborativa e ao apoio da liderança (Terra, 2005; Batista, 2012). Os dados demonstram que a gestão do conhecimento é um elemento essencial para o fortalecimento organizacional, contribuindo diretamente para a inovação e competitividade nas empresas de tecnologia.

Em síntese, os resultados da pesquisa confirmam que a gestão do conhecimento é um pilar estratégico para empresas de tecnologia, impulsionando a inovação e a competitividade. As práticas de compartilhamento de informações, o uso de tecnologias digitais, o incentivo ao aprendizado contínuo e o trabalho colaborativo são amplamente reconhecidos como elementos que fortalecem a capacidade inovadora e o desempenho organizacional. A percepção dos profissionais do setor evidencia que, embora a integração da gestão do conhecimento na estratégia organizacional ainda possa estar em consolidação, seus benefícios são claros e essenciais para o crescimento e a sustentabilidade em um mercado dinâmico.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a gestão do conhecimento em empresas de tecnologia, buscando identificar as principais estratégias empregadas para fomentar a inovação e a competitividade organizacional. Verificou-se que a gestão do conhecimento é amplamente reconhecida como um elemento estratégico, impulsionando a inovação e a competitividade. Os achados indicaram que as organizações do setor promovem ativamente o compartilhamento de informações, o uso de tecnologias digitais, o aprendizado contínuo e o trabalho colaborativo. Observou-se que a troca de conhecimentos entre colaboradores é um fator significativo para o surgimento de novas ideias e soluções inovadoras, enquanto o uso de plataformas digitais e sistemas de armazenamento de conhecimento são práticas consolidadas. A gestão do conhecimento demonstrou contribuir para a melhoria do desempenho organizacional e para a competitividade empresarial, especialmente quando aliada a uma cultura organizacional favorável e ao apoio da liderança. A principal contribuição do estudo reside em evidenciar que a gestão do conhecimento é um pilar estratégico essencial para o crescimento e a sustentabilidade das empresas de tecnologia em um ambiente dinâmico e intensivo em conhecimento.

Contudo, a pesquisa apresentou limitações decorrentes do tamanho da amostra, composta por 53 respondentes, e da utilização de dados perceptivos, o que pode restringir a generalização dos resultados para outros contextos organizacionais. O recorte específico no setor de tecnologia também limita a extrapolação dos achados para outros segmentos econômicos. Sugere-se que estudos futuros ampliem a amostra, incluam diferentes setores e adotem abordagens metodológicas complementares, como análises qualitativas aprofundadas ou estudos de caso. Recomenda-se investigar com maior profundidade as relações entre gestão do conhecimento, inovação e competitividade, bem como o impacto de variáveis como cultura organizacional, liderança e maturidade digital nas organizações.

Referências Bibliográficas

Abreu, C. M. F., Rodrigues, M. A., Azevedo, I. O., Maçalai, G., Cavalcante, M. F. A. F., Santos, M. M., Lopes, C., & Stoeckl, K. (2024). Gestão da inovação como fator de competitividade nas empresas brasileiras. Revista de Geopolítica, 17(1). https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-042. Acesso: https://revistageo.com.br/revista/article/view/1277

Alvarenga Neto, R. C. D. (2008). Gestão do conhecimento em organizações: Proposta de mapeamento conceitual integrativo. Saraiva. https://books.google.com/books?id=alvarenga_gestao

Angeloni, M. T. (2010). Organizações do conhecimento: Infraestrutura, pessoas e tecnologias. Saraiva. https://books.google.com/books?id=angeloni_conhecimento

Batista, F. F. (2012). Gestão do conhecimento na administração pública. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/871

Corsatto, C. A., & Hoffmann, W. A. M. (2013

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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