28 de julho de 2026
Gestão de Projetos na Transferência Tecnológica da Vacina COVID-19: um estudo de caso da torre de gestão integrada em Bio-Manguinhos/Fiocruz
Cintya Paravato; Sérgio Ricardo do Nascimento
DOI: 10.22167/2675-6528-202600665
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A pandemia de COVID-19, declarada em 2020, impulsionou uma mobilização global para o desenvolvimento e distribuição de vacinas em tempo reduzido. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de Bio-Manguinhos, desempenhou um papel estratégico ao estabelecer uma parceria com a AstraZeneca para a transferência tecnológica da vacina, um processo de alta complexidade que exigiu a adoção de práticas avançadas de gestão de projetos. Nesse contexto, estruturou-se um modelo de governança baseado em torres de gestão, com destaque para a Torre de Gestão Integrada. O estudo objetivou analisar a implementação e a atuação dessa torre, evidenciando sua contribuição para a coordenação das atividades, a integração entre as áreas e o apoio à tomada de decisão. Adotou-se uma metodologia de estudo de caso qualitativo, com coleta de dados por meio de entrevistas com profissionais diretamente envolvidos no projeto. Os resultados indicaram que a gestão integrada foi determinante para o sucesso do projeto, garantindo alinhamento estratégico, monitoramento de riscos e cumprimento de prazos em um cenário de alta complexidade. A implementação dessa estrutura favoreceu a eficiência do gerenciamento das frentes de trabalho, a mitigação de riscos e a integração das atividades, promovendo maior agilidade nas respostas e decisões em megaprojetos de transferência tecnológica, e contribuiu para a construção de memória institucional e aprimoramento de futuros projetos.
Palavras-chave: Covid-19; Gestão integrada; Monitoramento de riscos; Transferência tecnológica; Vacina.
1. Introdução
O ano de 2020 marcou o mundo com o surgimento de um novo coronavírus, o SARS-CoV-2, responsável pela doença COVID-19, que rapidamente se espalhou globalmente. Em pouco mais de três meses, a doença alcançou mais de 114 países, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar, em 11 de março de 2020, o estado de pandemia. Uma pandemia, conforme definido por Porta et al. (2014), caracteriza-se por uma epidemia com expansão no número de casos, transmissão entre humanos e alcance global, o que exigiu uma mobilização sem precedentes para o desenvolvimento e a distribuição de vacinas.
Nesse cenário de urgência sanitária, a vacinação foi reconhecida como uma estratégia crucial para alcançar a imunidade coletiva e reduzir a propagação da pandemia. O processo de desenvolvimento, produção e distribuição de vacinas em tempo reduzido impôs desafios significativos, demandando respostas rápidas e eficazes. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), desempenhou um papel estratégico ao estabelecer uma parceria com a empresa AstraZeneca para viabilizar a transferência tecnológica da vacina contra a COVID-19.
A complexidade inerente a um megaprojeto de transferência tecnológica, aliada à severidade da crise sanitária, exigiu a adoção de práticas avançadas de gestão de projetos. Diante da necessidade de controle da COVID-19, Bio-Manguinhos iniciou uma prospecção internacional para identificar parceiros, culminando na eleição da vacina candidata de Oxford/AstraZeneca no final de junho de 2020, em conjunto com o Ministério da Saúde.
A partir desse momento, foi criada uma estrutura individualizada para a gestão do projeto, fundamentada na metodologia de gestão de projetos já utilizada em Bio-Manguinhos e alinhada às boas práticas de gerenciamento estabelecidas pelo Project Management Institute (PMI, 2021). Essa estrutura visava a um gerenciamento amplo e integrado, composto por diversas atividades interligadas, monitoradas e controladas simultaneamente, em conformidade com os requisitos regulatórios e a urgência pandêmica.
Com a definição da Estrutura Analítica do Projeto (EAP), foi estabelecido um modelo de gestão organizado por frentes de trabalho, agrupando atividades similares em blocos denominados “torres”. Essas torres estruturaram o escopo e direcionaram a atuação das equipes, cada uma desdobrando-se em equipes com um propósito unificado (Medeiros et al., 2022). O grande desafio desse megaprojeto foi lidar com sua elevada complexidade, marcada pelo envolvimento de diferentes partes e fases distintas de desenvolvimento.
Nesse contexto, tornou-se essencial identificar formas de integração, mapear interfaces indispensáveis e garantir a coordenação necessária para alcançar resultados efetivos e assegurar repercussões significativas na saúde da população brasileira (Abreu et al., 2021). O gerenciamento da integração do projeto, conforme o PMBOK, tem como objetivo central unificar e coordenar as diferentes áreas de gerenciamento, garantindo a condução alinhada das atividades ao longo de todo o ciclo de vida do projeto.
A aplicação eficaz desse gerenciamento foi fundamental para monitorar o progresso do projeto, promover adaptações oportunas e manter a integração entre as torres e equipes envolvidas, contribuindo para o alcance dos resultados esperados. A pesquisa aplicada evidencia a relevância de um gerenciamento integrado entre as diferentes frentes envolvidas na transferência tecnológica e suas respectivas etapas, com destaque para a “Torre de Gestão Integrada”, inserida na EAP como um pacote de trabalho específico.
A Torre de Gestão Integrada tem a finalidade de apoiar o gerenciamento e a governança do projeto como um todo, contribuindo para a coordenação das atividades, a integração entre as áreas envolvidas e o alinhamento das entregas, fortalecendo a condução integrada do projeto. A necessidade de uma estrutura de governança ágil para o compartilhamento de informações, a garantia de eficácia, segurança e qualidade do produto, a minimização de riscos e o cumprimento de prazos para a disponibilização da vacina à população justificam a relevância de analisar a atuação dessa torre.
Diante desse cenário, o objetivo da pesquisa é analisar a contribuição do gerenciamento integrado de projetos na condução de processos de transferência tecnológica, com foco na integração das frentes de trabalho, na governança e no controle das entregas, avaliando de que forma a atuação da Torre de Gestão Integrada, estruturada na EAP, impacta o acompanhamento do progresso, o cumprimento de prazos e a aplicação de boas práticas de gestão de projetos, considerando sua influência na coordenação das atividades e na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projeto.
2. Material e Métodos
Para o desenvolvimento desta pesquisa, adotou-se uma abordagem metodológica qualitativa, caracterizada pela busca de compreensão aprofundada do fenômeno estudado a partir da perspectiva dos sujeitos envolvidos, considerando os aspectos relevantes do contexto analisado (Godoy, 1995). O estudo teve como objetivo descrever o contexto analisado e explicar as práticas e técnicas de gestão de projetos adotadas, alinhando-se a um caráter exploratório e descritivo quanto aos seus objetivos.
A estratégia de pesquisa empregada foi o estudo de caso, que permitiu a análise aprofundada de uma unidade específica inserida em seu contexto real e contemporâneo. Este tipo de estudo é adequado para investigar fenômenos atuais, buscando responder a questões do tipo “como” e “por que” eles ocorrem (Yin, 2004). A pesquisa também se caracterizou como exploratória, conforme a concepção de Gil (2002), que destaca a flexibilidade do planejamento para aprofundar a compreensão do problema e ampliar a familiaridade com o fenômeno investigado.
O objeto empírico da pesquisa foi um instituto público de biotecnologia em imunobiológicos, vinculado ao Ministério da Saúde, responsável pela produção de vacinas e sediado no Rio de Janeiro, com atuação em nível nacional. A unidade de análise concentrou-se na implementação e atuação da Torre de Gestão Integrada no megaprojeto de transferência tecnológica da vacina contra a COVID-19, conforme estabelecido na Estrutura Analítica do Projeto (EAP) da instituição.
Os participantes da pesquisa foram profissionais diretamente envolvidos no projeto da vacina contra a COVID-19, selecionados com base em sua experiência e atuação no processo de transferência tecnológica. Foram entrevistados o Gerente do Projeto, o Coordenador da Torre de Infraestrutura e a Líder de Novos Laboratórios – Controle de Qualidade (CQ). A escolha desses participantes visou a proporcionar uma visão abrangente sobre o funcionamento da Torre de Gestão Integrada e suas interfaces.
Como principal instrumento de coleta de dados, utilizou-se a entrevista, que forneceu subsídios essenciais para a análise do gerenciamento integrado no projeto de transferência tecnológica. Para a aplicação das entrevistas, observaram-se critérios metodológicos como a definição clara dos objetivos, a seleção dos participantes e a elaboração de um roteiro estruturado, alinhado aos objetivos da pesquisa. Este roteiro foi organizado em dois blocos distintos.
O primeiro bloco do roteiro de entrevista foi destinado à caracterização dos entrevistados, enquanto o segundo bloco abordou as rotinas de trabalho e a interação com a liderança da Torre de Gestão Integrada. A coleta de dados foi realizada no mês de outubro de 2023, por meio de videochamadas, garantindo a abrangência e a profundidade das informações necessárias para o estudo. Não foram utilizados softwares ou plataformas específicas para a coleta, além das ferramentas de videochamada.
Após a realização das entrevistas, os dados obtidos foram submetidos à técnica de análise de discurso. Conforme Orlandi (2009), a análise de discurso permite ir além da fala em si, compreendendo os efeitos de sentidos produzidos na interação entre os sujeitos. Essa abordagem possibilitou uma análise que contribuiu para a compreensão das práticas e relações estabelecidas no contexto organizacional estudado, sem antecipar achados empíricos ou interpretações de resultados.
3. Resultados e Discussão
O presente estudo, fundamentado em entrevistas com profissionais diretamente envolvidos no projeto de transferência tecnológica da vacina COVID-19, revelou a importância crucial da Torre de Gestão Integrada. Esta estrutura de governança foi implementada para coordenar as complexas atividades de um megaprojeto em um cenário de urgência pandêmica, garantindo que as informações fossem compartilhadas de forma ágil e que as decisões fossem assertivas. A análise dos dados coletados permitiu compreender como essa abordagem contribuiu para a eficácia do gerenciamento, minimizando riscos e assegurando o cumprimento de prazos essenciais para a disponibilização da vacina à população brasileira.
A estrutura organizacional do projeto da vacina COVID-19, conforme identificado, foi concebida para otimizar a gestão de diversas frentes de trabalho simultâneas e interdependentes. No topo da hierarquia do projeto, destacavam-se as áreas de Gestão Administrativa, Gestão de Parcerias Tecnológicas, Gestão Integrada, Transferência Tecnológica e Compliance Regulatório. Cada uma dessas áreas se desdobrava em equipes específicas, como Pessoas, Orçamento e Finanças sob Gestão Administrativa, e Novos Laboratórios – Controle de Qualidade sob Gestão de Parcerias Tecnológicas, evidenciando a amplitude e a granularidade do planejamento.
A Torre de Gestão Integrada, em particular, foi posicionada como um elemento central para apoiar o gerenciamento e a governança do projeto como um todo. Suas atribuições foram levantadas nas entrevistas e detalham um escopo abrangente de responsabilidades. Entre as principais, destacou-se a garantia de uma visão sistêmica do projeto, integrando todas as partes interessadas e monitorando os indicadores-chave de desempenho, o que foi fundamental para a compreensão global do andamento das atividades e seus impactos recíprocos.
Outra responsabilidade vital da Torre de Gestão Integrada foi a viabilização da absorção da tecnologia em um ritmo acelerado, conhecido como “fast track”. Isso envolveu a promoção e o monitoramento de ações de sinergia entre as diversas torres do projeto, assegurando que a transferência de conhecimento e processos ocorresse de maneira eficiente e sem interrupções. A urgência do contexto pandêmico exigiu que essa absorção tecnológica fosse não apenas eficaz, mas também extremamente rápida, um desafio que a gestão integrada ajudou a mitigar.
A Torre de Gestão Integrada também desempenhou um papel crucial na facilitação da visibilidade de gestão, criando cenários claros para a tomada de decisões pela alta gestão e pelas demais lideranças do projeto. Essa capacidade de apresentar informações consolidadas e perspectivas futuras permitiu que as decisões fossem embasadas em dados atualizados e análises estratégicas, contribuindo para a agilidade e a assertividade necessárias em um projeto de tamanha envergadura e criticidade. A clareza na comunicação dos cenários foi um diferencial apontado pelos entrevistados.
O acompanhamento e a sinalização de riscos relacionados à operação, qualidade e estratégias do projeto foram atribuições essenciais da gestão integrada. Em um ambiente de alta incerteza como o da pandemia, a identificação proativa e a mitigação de riscos foram determinantes para evitar atrasos e falhas. A torre atuou como um ponto focal para consolidar informações sobre potenciais ameaças e desenvolver planos de contingência, garantindo a continuidade e a segurança das operações, conforme as boas práticas de gerenciamento de projetos (PMI, 2021).
A gestão da memória institucional, por meio do inventário e guarda de artefatos e lições aprendidas, foi outra função relevante da Torre de Gestão Integrada. Essa prática assegurou que o conhecimento adquirido durante o megaprojeto fosse documentado e preservado, servindo como base para o aprimoramento de futuros projetos e para a construção de uma cultura organizacional de aprendizado contínuo. A sistematização dessas informações é vital para a sustentabilidade e evolução das capacidades da instituição em processos de transferência tecnológica.
Adicionalmente, a torre teve a responsabilidade de fomentar o engajamento da equipe, promovendo o senso de pertencimento ao projeto e ampliando a participação de todos os envolvidos. Em um projeto de longa duração e alta pressão, a manutenção da motivação e da coesão da equipe é fundamental. A gestão integrada atuou para criar um ambiente colaborativo, onde cada membro compreendesse sua contribuição para o objetivo maior, o que foi essencial para a superação dos desafios diários.
O acompanhamento da saúde financeira do projeto e o atendimento dos prazos atrelados aos marcos e ao encerramento do projeto também foram funções cruciais. Em um contexto de recursos limitados e prazos apertados, a gestão integrada monitorou de perto os custos e o cronograma, garantindo que o projeto permanecesse dentro do orçamento e fosse concluído no tempo previsto. Essa vigilância constante permitiu ajustes rápidos e a alocação eficiente de recursos, evitando desvios significativos.
A eficiência na execução dos planos de transição da operação do projeto para a rotina foi igualmente garantida pela Torre de Gestão Integrada. A transferência tecnológica não se encerra com a produção inicial, mas com a integração plena da nova tecnologia aos processos operacionais regulares da Bio-Manguinhos. A torre assegurou que essa transição ocorresse de forma suave e eficaz, minimizando interrupções e garantindo a sustentabilidade da produção da vacina em longo prazo.
No que tange ao escopo e contrato, a gestão integrada garantiu o pleno atendimento ao escopo definido nos contratos de Encomenda Tecnológica (ETEC) e Transferência Tecnológica (TT) com a AstraZeneca. A complexidade desses acordos exigia um monitoramento rigoroso para assegurar que todas as cláusulas e entregas fossem cumpridas, protegendo os interesses da Fiocruz e garantindo a conformidade com os requisitos estabelecidos, um aspecto crítico para o sucesso da parceria internacional.
A comunicação interna do projeto foi uma das atribuições que permitiu maior agilidade nas ações, assegurando que a equipe de comunicação interna estivesse ciente das atualizações do projeto. Essa fluidez na informação interna foi crucial para manter todos os envolvidos alinhados e capacitados a responder rapidamente às demandas. A comunicação eficaz entre as torres e equipes foi um pilar para a coordenação e a tomada de decisões, conforme destacado pelos entrevistados.
Um diferencial significativo identificado foi a criação de uma estrutura exclusiva para o Centro de Transferência Tecnológica (CTT), contrastando com a estrutura matricial usual da empresa para outros projetos. Essa equipe dedicada, montada sob diretriz da diretoria, priorizou as frentes de trabalho e interagiu diretamente com as áreas impactadas pela transferência. Essa abordagem permitiu maior integração e capacidade de resposta, eliminando a concorrência com a rotina das áreas produtivas e garantindo foco total no projeto da vacina.
A gestão integrada facilitou a condução e o gerenciamento do projeto ao atuar na comunicação entre as torres, uniformizando os artefatos de gestão, como planilhas de riscos e cronogramas consolidados. Essa padronização foi essencial para que todas as frentes de trabalho tivessem uma visão unificada do projeto, permitindo um acompanhamento coeso das aquisições e um norteamento claro dos custos. Sem essa integração, as torres operariam de forma isolada, dificultando o desdobramento dos objetivos estratégicos.
A escassez de tempo e o volume de ações necessárias, inerentes à metodologia aplicada, tornaram o cumprimento das entregas um desafio quase intransponível. A liderança da gestão integrada foi responsável por elaborar relatórios para as partes interessadas, incluindo órgãos internacionais, doadores e o Ministério da Saúde, além de gerenciar o monitoramento de riscos. Essa função de compilação de dados e suporte à decisão foi vital para a alta gestão, especialmente em um megaprojeto que demandava constantes revisões de cronogramas e análises de criticidades.
As entrevistas revelaram a amplitude da participação da gestão integrada, que permitiu rever processos e otimizar rotinas ao identificar gargalos, como atrasos na entrega de materiais. Essa capacidade de redirecionamento, por meio de planos alternativos, foi fundamental para manter o projeto em curso. O gerente do projeto enfatizou a importância da gestão integrada para garantir a execução completa, abrangendo todo o cronograma e o escopo, reconhecendo que sem essa atuação, seria difícil cumprir e concluir o projeto.
A comunicação interna do projeto foi um ponto forte, facilitando a rápida circulação de informações. No entanto, um ponto fraco identificado foi a comunicação entre o projeto e as áreas funcionais, onde a presença de técnicos no suporte à rotina não supria a necessidade de um canal de acompanhamento mais estratégico com as áreas técnicas impactadas. Apesar disso, a interface com a diretoria e o comitê estratégico se mostrou um canal aberto para a troca de informações e decisões, o que foi crucial para a agilidade na resposta aos desafios.
A líder da frente de Infraestrutura e Laboratório de Qualidade Físico-química destacou que os benefícios da gestão integrada incluíram o mapeamento de gargalos, a identificação de pontos críticos e a minimização de impactos, tudo isso por meio da unificação das informações. Essa abordagem permitiu um gerenciamento abrangente dos dados, possibilitando uma avaliação global das interdependências e impactos entre as diferentes situações do projeto. A capacidade de consolidar e analisar dados de diversas fontes foi um fator chave para o sucesso.
Em síntese, a implementação da Torre de Gestão Integrada foi determinante para o sucesso do megaprojeto de transferência tecnológica da vacina COVID-19 na Fiocruz. A estrutura de governança permitiu uma coordenação eficaz entre as frentes de trabalho, uma gestão proativa de riscos e prazos, e um suporte robusto à tomada de decisões estratégicas. Os achados demonstram que essa abordagem integrada não apenas facilitou a nacionalização da produção da vacina em tempo recorde, mas também contribuiu para a construção de memória institucional e o aprimoramento de futuras iniciativas de alta complexidade, respondendo diretamente ao objetivo de analisar a contribuição do gerenciamento integrado de projetos neste contexto.
4. Conclusão
O presente estudo objetivou analisar a contribuição do gerenciamento integrado de projetos na condução de processos de transferência tecnológica, com foco na integração das frentes de trabalho, na governança e no controle das entregas, avaliando a atuação da Torre de Gestão Integrada no megaprojeto da vacina COVID-19 em Bio-Manguinhos/Fiocruz. Verificou-se que a implementação dessa estrutura de governança foi determinante para a coordenação eficaz das complexas atividades, a integração entre as diversas áreas e o suporte qualificado à tomada de decisões em um cenário de urgência pandêmica. Os achados indicaram que a Torre de Gestão Integrada proporcionou uma visão sistêmica do projeto, facilitou a absorção tecnológica em ritmo acelerado e promoveu a visibilidade de gestão para a alta liderança. Além disso, identificou-se sua atuação proativa no acompanhamento e sinalização de riscos operacionais, de qualidade e estratégicos, bem como na gestão da memória institucional, por meio do inventário de artefatos e lições aprendidas. A padronização de artefatos de gestão e a comunicação fluida entre as torres foram cruciais para o alinhamento e a coesão do projeto.
A principal contribuição deste estudo reside em demonstrar que o modelo de gestão integrada, com a criação de uma estrutura dedicada para o Centro de Transferência Tecnológica, foi essencial para a nacionalização da produção da vacina contra a COVID-19 em tempo recorde, superando os desafios de um megaprojeto de alta complexidade. Essa abordagem favoreceu a agilidade nas respostas, o monitoramento contínuo de riscos e o cumprimento de prazos, ao mesmo tempo em que fomentou o engajamento da equipe e a eficiência na transição operacional. Contudo, observou-se como limitação a comunicação entre o projeto e as áreas funcionais, que, embora contasse com suporte técnico, carecia de um canal estratégico mais robusto. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a análise sobre a otimização da interface entre projetos de transferência tecnológica e as áreas funcionais de rotina, bem como investigar a aplicação e adaptação desse modelo de governança em outros contextos de projetos de grande escala e alta criticidade, visando ao aprimoramento contínuo das práticas de gestão e à construção de uma memória institucional ainda mais sólida.
Referências Bibliográficas
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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