Artigo

30 de julho de 2026

Gestão de Partes Interessadas na Elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico

Gustavo Santos Madeira; Cleberson Williams Dos Santos

DOI: 10.22167/2675-6528-202600876

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A elaboração de Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) é um instrumento crucial para o planejamento e a universalização dos serviços de saneamento no Brasil. Analisou-se os desafios e oportunidades na gestão das partes interessadas durante a elaboração do PMSB em um município mineiro, inserido no Programa de Universalização do Saneamento Básico na Bacia do Paraopeba. Adotou-se um estudo de caso com abordagem quali-quantitativa, utilizando questionários semiestruturados aplicados a representantes das partes interessadas identificadas. Os dados foram analisados por escala Likert e categorização temática. Os resultados indicaram elevado interesse e posicionamento favorável ao projeto, mas revelaram desalinhamentos entre a percepção dos stakeholders e sua capacidade de influência e participação. Observou-se que limitações de tempo, qualidade das informações e integração institucional impactaram o engajamento. A análise da comunicação evidenciou a necessidade de estruturar fluxos de informação e adotar estratégias multicanais. Concluiu-se que a gestão estruturada das partes interessadas, aliada a práticas eficazes de comunicação, é determinante para o sucesso de projetos públicos complexos, fortalecendo a governança e a participação popular, e possibilitando soluções mais aderentes às necessidades locais.

Palavras-chave: Engajamento; Gestão de Projetos; Gestão Pública; Governança; Políticas Públicas.

1. Introdução

O rompimento das barragens B-I, B-IV e B-IVA da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), sob responsabilidade da empresa Vale S.A., ocasionou impactos socioambientais e socioeconômicos de grande magnitude nos municípios da bacia do rio Paraopeba. Em resposta, o Acordo Judicial de Reparação Integral (AJRI), firmado em 2021, estabeleceu obrigações à empresa, incluindo o Programa de Universalização do Saneamento Básico na Bacia do Paraopeba. Este programa prevê recursos para a elaboração de Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) nos municípios afetados que manifestarem interesse (BDMG, 2024; Minas Gerais, 2021).

O Município Mineiro, foco deste estudo, é um dos beneficiados por este programa. Com uma população de 38.915 habitantes (IBGE, 2022), o município ainda não possui um PMSB formalizado. Seus indicadores de saneamento básico revelam fragilidades significativas, com apenas 79% dos domicílios atendidos pela rede de água e 52% com esgotamento sanitário por rede geral (IBGE, 2022). Esse panorama evidencia a necessidade urgente de políticas públicas estruturadas para enfrentar os desafios locais relacionados ao saneamento básico.

Nesse contexto, a elaboração do PMSB é fundamental para a estruturação do setor, sendo o principal instrumento da Política Municipal de Saneamento Básico, conforme o Decreto nº 7.217/2010 (Brasil, 2010). Essa política pública abrange o planejamento e a prestação dos serviços, submetendo-os à regulação, fiscalização e controle social. As diretrizes para sua elaboração destacam a importância do envolvimento de múltiplos atores, como comitês técnicos, representantes políticos e a sociedade civil, na construção de diagnósticos e definição de ações prioritárias (Brasil, 2010; FUNASA, 2018).

Na gestão pública, a transparência e a transmissão de informações são essenciais para a participação social em projetos complexos (Kreutz, 2018). As partes interessadas, ou stakeholders, são indivíduos, grupos ou organizações que podem afetar ou ser afetados por decisões e resultados de um projeto (Project Management Institute, 2021). O sucesso de projetos depende da qualidade da gestão dos relacionamentos entre os envolvidos, sendo o engajamento dos stakeholders um fator crucial (Da Rosa e Esteves, 2017). O Project Management Institute (2021) propõe um ciclo de engajamento que inclui identificar, compreender, analisar, priorizar, engajar e monitorar, visando o alinhamento de expectativas e o fortalecimento dos relacionamentos.

Apesar da importância teórica do engajamento, a prática na elaboração de projetos públicos complexos, como o PMSB, revela desafios. Estes incluem desalinhamentos entre a percepção dos stakeholders e sua capacidade de influência e participação, além de limitações relacionadas à disponibilidade de tempo, qualidade das informações e integração institucional. A relevância deste estudo reside na necessidade de fortalecer o envolvimento político e social nos processos de elaboração de políticas públicas de saneamento. A elaboração do PMSB exige práticas estruturadas de planejamento, gestão de riscos e engajamento de stakeholders, fundamentais para aprimorar a governança pública e construir soluções sustentáveis no setor.

Diante desse cenário, este estudo buscou responder à seguinte questão: quais são os principais desafios e oportunidades na gestão e no engajamento das partes interessadas durante a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) em um Município Mineiro? Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar a gestão e o engajamento das partes interessadas durante a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) em um Município Mineiro, com foco na identificação de desafios e oportunidades ao longo desse processo, buscando ainda identificar boas práticas, sensibilidades locais e oportunidades de aprimoramento na condução colaborativa do plano, contribuindo para o fortalecimento da governança pública e para a construção de soluções sustentáveis no setor.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa foi delineada como um estudo de caso, adotando uma abordagem quali-quantitativa para analisar a gestão e o engajamento das partes interessadas na elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). O estudo foi conduzido entre os meses de novembro de 2025 e maio de 2026, em um Município Mineiro com aproximadamente 39 mil habitantes, integrante do Programa de Universalização do Saneamento Básico na Bacia do Paraopeba.

A escolha do município justificou-se pelo contexto socioeconômico pós-rompimento, que impôs desafios à gestão pública local, e pela inexistência de procedimentos estruturados para a gestão de projetos e de stakeholders. A relevância do estudo também se deu pela necessidade de um novo PMSB e pelo momento estratégico de planejamento e implementação de ações de saneamento básico, além da disponibilidade de dados institucionais e operacionais.

A metodologia de gestão de partes interessadas, conforme apresentada pelo Project Management Institute (2021) no PMBOK® Guide – 7ª edição, serviu como referência. O ciclo de engajamento proposto, composto pelas etapas de identificar, compreender, analisar, priorizar, engajar e monitorar, orientou os procedimentos de coleta e análise de dados aplicados ao projeto em estudo.

A etapa de identificação das partes interessadas iniciou-se com a coleta de opinião especializada e a análise documental do projeto. Foram utilizados como norteadores o Termo de Referência da FUNASA (2018) e o Edital do Programa de Universalização do Saneamento Básico na Bacia do Paraopeba, que forneceram diretrizes sobre os atores relevantes a serem considerados no processo.

Para compreender e analisar, após a identificação, levantaram-se características específicas de cada parte interessada, como setor de atuação, grau de influência, interesses e expectativas em relação ao projeto. Considerou-se que uma parte interessada poderia ser um conjunto de indivíduos ou representantes institucionais, como o Poder Público Municipal.

Na etapa de priorização, utilizou-se a matriz de poder e interesse, ferramenta que classificou os atores segundo seu nível de interesse e poder de influência sobre o projeto. O poder foi associado à capacidade de influência, controle ou regulação e à posição institucional (Ferreirinha, 2010), enquanto o interesse referiu-se à preocupação com os resultados (PMI, 2017). Essa matriz subsidiou a definição de estratégias de gestão.

As estratégias de gestão classificaram os stakeholders nas categorias de monitorar, manter informado, manter satisfeito e gerenciar de perto. A comunicação foi definida com base nos quadrantes da matriz, considerando tipo de informação, frequência, confidencialidade, meio de envio e controle de distribuição, visando o engajamento efetivo.

Desenvolveu-se também uma matriz de avaliação do nível de engajamento das partes interessadas, que permitiu comparar os níveis atuais e desejados. Os níveis de interesse, conforme o PMI (2017), foram categorizados como Desinformado, Resistente, Neutro, Apoiador e Líder, orientando a avaliação do envolvimento dos atores no projeto.

As estratégias de monitoramento foram estruturadas para mensurar o entendimento das partes interessadas sobre o projeto, a satisfação com as informações recebidas, o grau de interesse nas ações realizadas e as preferências quanto aos canais de comunicação. Essa etapa visou acompanhar a evolução do engajamento e a eficácia das ações de comunicação ao longo do processo.

Para a coleta de informações, aplicaram-se questionários semiestruturados a representantes das partes interessadas diretamente envolvidas na elaboração do PMSB. Adotou-se uma amostragem não probabilística por julgamento, selecionando membros da população capazes de fornecer dados qualificados e precisos (Oliveira, 2001), considerando entes institucionais como unidades de análise.

Os critérios de seleção dos participantes basearam-se na participação direta na elaboração do PMSB, na representatividade institucional ou comunitária e na disponibilidade. Excluíram-se pessoas não envolvidas diretamente na rotina do projeto ou que não integrassem as partes interessadas identificadas, assegurando o alinhamento dos dados aos objetivos da pesquisa.

Os questionários foram aplicados por meio da plataforma Google Forms, acessível por dispositivos móveis e computadores. Informações introdutórias sobre a contextualização, identificação do autor, vínculo institucional, objetivos da pesquisa e tempo estimado de resposta foram incluídas. Para garantir o anonimato, não foram solicitadas informações pessoais dos participantes.

A aplicação dos questionários ocorreu durante 33 dias, resultando em 17 respostas válidas. Os participantes incluíram representantes dos poderes públicos Municipal e Estadual, do Prestador de Serviços de Saneamento, da Sociedade Civil Organizada e da Equipe de Gerenciamento do Projeto, todos classificados como integrantes das partes interessadas no projeto.

Os dados coletados foram tratados por meio de uma abordagem quali-quantitativa. A análise descritiva foi empregada para os dados quantitativos, enquanto a análise qualitativa das respostas abertas foi conduzida por meio da análise temática, conforme proposta por Braun (2019). O processo analítico iniciou-se com a familiarização e leitura aprofundada das respostas.

Posteriormente, realizou-se a codificação e o agrupamento das informações em categorias temáticas, que foram revisadas e interpretadas à luz dos objetivos da pesquisa. As respostas fechadas foram organizadas em planilhas eletrônicas (Microsoft Excel), permitindo a sistematização e a identificação de padrões de resposta.

A análise descritiva dos resultados foi segmentada por parte interessada, utilizando a escala Likert, onde o nível 5 representou o maior peso e o nível 1 o menor. Essa abordagem permitiu a conversão de percepções qualitativas em valores quantitativos comparáveis, com pontuação atribuída a cada eixo temático, respeitando a lógica de intensidade.

Os eixos temáticos analisados incluíram a avaliação do interesse sobre questões relacionadas ao PMSB (Eixo 1), o nível de poder dos stakeholders (Eixo 2), o nível de engajamento dos participantes (Eixo 3) e o posicionamento em relação ao projeto (Eixo 4). Para cada eixo, calculou-se um índice contínuo, classificado em cinco faixas: muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto.

O Eixo 5, referente à análise da comunicação, teve caráter qualitativo para as questões 18 e 19, com categorização temática para identificar padrões, desafios e propostas de melhoria. As questões 20 e 21 foram tratadas quantitativamente e descritivamente, visando identificar demandas informacionais e canais de comunicação eficazes.

Os índices finais de cada parte interessada, em cada eixo, foram calculados pela média aritmética simples e classificados em faixas padronizadas. A partir desses índices, construíram-se a Matriz Poder x Interesse e a Matriz de avaliação do nível de engajamento, que relacionaram o nível de interesse ao nível de engajamento, identificando lacunas com base na percepção dos participantes.

Em relação aos cuidados éticos, o Formulário de Direcionamento Ético (FDE) indicou a dispensa de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). A pesquisa foi realizada com participantes no exercício de suas funções institucionais, caracterizando-se como investigação de opinião no âmbito institucional, sem a coleta de dados pessoais sensíveis ou informações que possibilitassem a identificação individual dos respondentes.

Os dados obtidos foram tratados de forma agregada e anonimizada, assegurando a confidencialidade das informações. Os participantes foram devidamente informados sobre os objetivos da pesquisa, a identidade do pesquisador e o vínculo institucional do estudo, sendo garantido o caráter voluntário da participação, com consentimento tácito mediante o preenchimento do instrumento, respaldado pela Resolução CNS n° 510/2016 (Brasil, 2016).

3. Resultados e Discussão

A análise da gestão e do engajamento das partes interessadas na elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) no Município Mineiro revelou um cenário complexo, caracterizado por elevado interesse e posicionamento favorável ao projeto, mas também por desafios significativos relacionados à comunicação, disponibilidade de tempo e articulação institucional. Os resultados obtidos, por meio de questionários semiestruturados aplicados a representantes das partes interessadas, permitiram identificar e classificar os atores envolvidos, bem como avaliar seus níveis de poder, interesse e engajamento, conforme a metodologia proposta pelo Project Management Institute (PMI, 2021).

Inicialmente, o estudo procedeu à identificação e compreensão dos papéis desempenhados pelas partes interessadas no projeto do PMSB. Foram mapeados o Poder Público Municipal, o Poder Público Estadual, o Prestador de Serviço de Saneamento, o Agente Financeiro, a Sociedade Civil Organizada, a Equipe de Gerenciamento do Projeto, o Comitê Executivo, o Comitê de Coordenação e a Gerência do Programa Paraopeba. Cada um desses atores possui atribuições específicas, desde a definição de prioridades e alocação de recursos pelo Poder Público Municipal até a aprovação de produtos e direcionamentos estratégicos pelo Comitê de Coordenação, evidenciando a diversidade de responsabilidades e a complexidade inerente a projetos públicos de grande porte, como ressaltado por Kreutz (2018).

Identificação e Papéis das Partes Interessadas

O Poder Público Municipal, por exemplo, atua na definição de prioridades e na alocação de recursos, enquanto o Poder Público Estadual é responsável pela coordenação institucional e gestão do Programa de Universalização do Saneamento Básico na Bacia do Paraopeba. O Prestador de Serviço de Saneamento tem a incumbência direta da elaboração do PMSB. O Agente Financeiro, por sua vez, avalia a viabilidade técnico-financeira e repassa os recursos necessários para a execução do projeto. A Sociedade Civil Organizada representa a parte diretamente impactada pelos resultados, participando da validação e aprovação final do plano, um aspecto crucial para a legitimidade e aderência às necessidades locais (FUNASA, 2018).

A Equipe de Gerenciamento do Projeto é encarregada do planejamento, execução, monitoramento, controle e encerramento das atividades. O Comitê Executivo oferece apoio técnico na elaboração dos produtos, e o Comitê de Coordenação é responsável pela aprovação dos produtos e pelos direcionamentos estratégicos na gestão do projeto. Por fim, a Gerência do Programa Paraopeba acompanha os projetos executados com os recursos do programa. Essa estrutura multifacetada de atores e responsabilidades sublinha a necessidade de uma gestão de partes interessadas robusta e bem articulada para garantir a coesão e o sucesso do empreendimento.

Análise de Poder e Interesse

A matriz de poder e interesse, construída a partir das percepções dos respondentes, indicou que a maioria das partes interessadas se percebe com níveis elevados de poder e interesse no projeto. Exceção notável foi a Sociedade Civil Organizada, que se posicionou com poder médio, embora seu interesse seja alto, o que é consistente com seu papel de validação e aprovação final, mas sem participação direta nas decisões cotidianas. Os representantes do Comitê de Coordenação e da Gerência do Programa Paraopeba foram os que apresentaram os maiores níveis de poder e interesse, refletindo suas posições estratégicas na gestão e acompanhamento do programa.

Observou-se também que o Poder Público Estadual foi percebido com maior poder do que o Poder Público Municipal neste projeto, embora o Município Mineiro demonstre ser o maior interessado na elaboração do PMSB, dada a sua necessidade de estruturação do saneamento básico e a captação de recursos (FUNASA, 2018). Essa distinção na percepção de poder, mesmo com o elevado interesse municipal, aponta para a importância de estratégias de comunicação e alinhamento institucional que garantam o protagonismo do ente municipal. Nenhum dos atores se classificou com baixos níveis de poder e interesse, o que sugere um ambiente geral de envolvimento favorável ao projeto.

A ausência de respostas de representantes do Agente Financeiro constituiu uma limitação relevante para a análise completa da matriz. Contudo, a literatura e o edital do programa (BDMG, 2024) indicam que este stakeholder possui um elevado poder e interesse, dada sua função de aprovação e financiamento do projeto. A percepção generalizada de alto poder e interesse entre os demais atores, embora positiva, exige atenção da gestão do projeto, pois nem sempre se alinha à capacidade real de influência formal e ao histórico de participação efetiva, um desalinhamento que pode ser explicado pela natureza dinâmica do poder, conforme Ferreirinha (2010).

Avaliação do Nível de Engajamento

A matriz de avaliação do nível de engajamento revelou que a maioria das partes interessadas se classifica como apoiadora ou líder do projeto, o que, em termos teóricos, representa um cenário ideal para a condução de projetos complexos. No entanto, a prática observada mostrou que esse engajamento nem sempre se concretiza efetivamente. O Poder Público Municipal, o Comitê de Coordenação e o Comitê Executivo, por exemplo, apresentaram um nível atual de engajamento classificado como apoiador, sendo o nível desejado para esses atores o de liderança. Essa lacuna indica a necessidade de estratégias direcionadas para ampliar o protagonismo desses entes, especialmente do município, que tem um papel central na institucionalização do PMSB.

Em contraste, os representantes do Poder Público Estadual, o Prestador de Serviço de Saneamento, a Equipe de Gerenciamento do Projeto e a Gerência do Programa Paraopeba demonstraram níveis de engajamento atuais compatíveis com os níveis desejados. A Sociedade Civil Organizada, por sua vez, exibiu um nível de engajamento superior ao esperado, o que é um indicativo positivo de sua mobilização e interesse. A discrepância entre o engajamento percebido e o efetivo, especialmente em instrumentos de autorrelato, pode ser influenciada por um viés de desejabilidade social, onde os respondentes tendem a favorecer informações acerca de si mesmos (Gouveia, 2009). Isso reforça a importância do monitoramento contínuo do engajamento, conforme recomendado pelo PMI (2021), para identificar e corrigir desalinhamentos.

O alto nível de apoio identificado entre os participantes em relação à elaboração do PMSB pode ser atribuído à compreensão dos desafios locais e à expectativa de que o plano contribuirá para a ampliação do acesso aos serviços de saneamento. Essa expectativa está em consonância com as metas estabelecidas pelo novo marco legal do saneamento básico (Lei nº 14.026/2020), que prevê a universalização do acesso à água potável e ao esgotamento sanitário até 2033, com níveis de atendimento de 99% e 90%, respectivamente (Brasil, 2020). A ausência de respostas do Agente Financeiro, novamente, impediu uma avaliação completa de seu engajamento, mas seu papel estratégico como financiador e aprovador sugere que um nível de engajamento de apoiador seria o ideal para facilitar o desenvolvimento e a aprovação do PMSB.

Desafios e Oportunidades na Comunicação

A análise da comunicação durante o desenvolvimento do projeto revelou que os principais desafios não residem na resistência dos atores, mas em limitações estruturais que impactam o engajamento. A dimensão mais recorrente foi a das limitações de tempo e disponibilidade, com muitos respondentes destacando a dificuldade de conciliar a participação no PMSB com outras demandas profissionais. Termos como “compatibilidade de agenda”, “disponibilidade” e “conciliar demandas operacionais” foram frequentemente citados, indicando que, apesar do elevado interesse, a participação efetiva é condicionada por fatores externos à gestão do projeto. As sugestões de melhoria incluíram maior organização das agendas, definição prévia de pautas, respeito aos horários estabelecidos e estruturação de cronogramas integrados de trabalho.

Outra dimensão crítica identificada foi a das fragilidades no acesso e na qualidade das informações. Os participantes apontaram dificuldades relacionadas à ausência de dados atualizados, inconsistências nas informações disponíveis e falhas na comunicação institucional, incluindo a insuficiência de informações fornecidas por atores estratégicos. Para mitigar esses problemas, foram sugeridas ações que viabilizem a validação e o cruzamento de dados entre diferentes atores, maior frequência de atualização das informações e ampliação dos canais de comunicação. A transparência e a qualidade das informações são fundamentais para a participação social em projetos públicos, conforme destacado por Kreutz (2018) e Mendanha (2009).

Os desafios de integração e articulação institucional também foram proeminentes, com respostas indicando dificuldades na comunicação entre setores da administração pública, equipes técnicas e sociedade civil, bem como a ausência de um fluxo estruturado de troca de informações. As sugestões para aprimoramento incluíram o fortalecimento da articulação interinstitucional, maior alinhamento entre as secretarias e a criação de mecanismos que promovam a comunicação contínua entre os envolvidos. Essa necessidade de coordenação é vital para a governança de projetos complexos, onde múltiplos atores precisam colaborar de forma sinérgica para alcançar os objetivos do plano.

Por fim, foram observadas barreiras relacionadas à inserção e ao nível de conhecimento dos participantes sobre o projeto, especialmente entre aqueles que ingressaram após o início das atividades. Como medidas de mitigação, foram sugeridas o acompanhamento mais próximo das atividades, o acesso facilitado a materiais e registros das reuniões, e a concessão de tempo para adaptação. O tipo de informação que os stakeholders desejam receber foi agrupado em cinco categorias: informações estratégicas, técnicas, sobre participação e decisões, sobre impactos e benefícios, e voltadas ao acompanhamento e controle social. As informações estratégicas e técnicas foram as mais recorrentes, indicando o interesse dos participantes em compreender diretrizes, metas e prioridades do plano, e em obter subsídios qualificados para sua participação.

Em relação aos meios de comunicação mais eficientes, as reuniões presenciais foram consideradas o canal mais eficaz pelos stakeholders. Outros canais complementares mencionados incluíram audiências públicas, site institucional, WhatsApp e e-mail. A demanda por diferentes tipos de informação e a indicação de diversos meios de comunicação reforçam a necessidade de um sistema de comunicação diversificado e estruturado, que considere o público-alvo, os conteúdos a serem direcionados e a frequência mais adequada para a disseminação (PMI, 2017). Essa abordagem é crucial para superar os desafios de comunicação identificados e garantir o engajamento efetivo dos atores.

Implicações e Boas Práticas de Gestão

A percepção elevada de poder por parte do Comitê Executivo e da Equipe de Gerenciamento do Projeto sugere possíveis distorções relacionadas ao entendimento das atribuições institucionais, indicando a importância de maior clareza na definição de responsabilidades e hierarquias dentro do projeto. Como boa prática, o PMI (2017) recomenda a utilização de uma Matriz de Responsabilidades, que detalha quem é responsável, quem deve prestar contas, quem deve ser consultado e quem deve ser informado sobre as atividades, decisões e entregas do projeto. Tal ferramenta pode reduzir ambiguidades e alinhar expectativas, fortalecendo a governança do projeto.

A análise dos resultados demonstra que, apesar do elevado interesse e apoio dos envolvidos na elaboração do PMSB, o engajamento efetivo é frequentemente comprometido por limitações estruturais e de comunicação. O desalinhamento entre a percepção de poder e interesse dos respondentes e a realidade observada pela gestão do projeto, bem como a lacuna entre o engajamento atual e o desejado para atores como o Poder Público Municipal, reforçam a necessidade de um gerenciamento de partes interessadas mais proativo e adaptativo. A ausência de participação do Agente Financeiro, um ator com papel estratégico no financiamento e aprovação, também representa uma limitação que deve ser abordada com estratégias específicas de engajamento.

Em síntese, os achados deste estudo demonstram que a gestão das partes interessadas na elaboração do PMSB no Município Mineiro é influenciada por uma complexa interação de fatores, incluindo a percepção de poder e interesse, os níveis de engajamento e os desafios de comunicação. A pesquisa evidenciou que, embora haja um forte apoio ao projeto, a efetividade da participação é limitada por questões de tempo, qualidade da informação e articulação interinstitucional. A superação desses desafios requer a implementação de práticas de gestão de projetos mais estruturadas, com foco em comunicação estratégica e monitoramento contínuo, para garantir que o elevado interesse se traduza em engajamento efetivo e contribua para soluções de saneamento mais sustentáveis e aderentes às necessidades locais.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar a gestão e o engajamento das partes interessadas durante a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) em um Município Mineiro, com foco na identificação de desafios e oportunidades. Verificou-se um elevado interesse e posicionamento favorável da maioria dos atores envolvidos no projeto, o que indica um ambiente propício para a sua execução. Contudo, observou-se um desalinhamento entre a percepção de poder e interesse dos stakeholders e sua capacidade real de influência e participação efetiva. Identificou-se que limitações de tempo e disponibilidade, fragilidades no acesso e na qualidade das informações, e desafios de integração e articulação institucional impactaram o engajamento ao longo do processo. A análise da comunicação evidenciou a necessidade de estruturar fluxos de informação e adotar estratégias multicanais para atender às diversas demandas dos atores.

A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração de que a gestão estruturada das partes interessadas, aliada a práticas eficazes de comunicação e monitoramento contínuo, é determinante para o sucesso de projetos públicos complexos, como o PMSB. A institucionalização de rotinas de monitoramento e o fortalecimento de mecanismos de participação social são cruciais para ampliar a legitimidade das decisões e a aderência das soluções às necessidades locais, fortalecendo a governança pública. Como limitações do estudo, destaca-se a amostragem não probabilística por julgamento, que restringe a generalização estatística dos resultados, e a ausência de respostas de um agente financeiro estratégico, o que impediu uma análise completa de seu engajamento. Sugere-se que estudos futuros avaliem a implementação de instrumentos formais de gestão de stakeholders e planos de comunicação estruturados, a fim de mensurar seu impacto na efetividade do engajamento e na governança de projetos de saneamento.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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