28 de julho de 2026
Gestão de custos em projetos aplicada à otimização do ciclo de vida de pneus
Deusdete Camilo Neto; Iara Tonissi Moroni
DOI: 10.22167/2675-6528-202600724
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A gestão de custos em projetos mostrou-se fundamental para a eficiência operacional em setores intensivos em recursos, como a mineração, onde a manutenção de equipamentos representa parcela significativa das despesas. A ausência de controle estruturado sobre o ciclo de vida de pneus resultava em substituições frequentes por unidades novas, elevando os custos operacionais. Diante dessa problemática, o estudo avaliou os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus em operações de mineração, considerando a implementação de mecanismos de rastreabilidade, recapagem e controle de dados, com foco na eficiência econômica e na gestão estratégica de ativos. Para isso, realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, conduzida por meio de pesquisa-ação em uma empresa do setor de mineração, com coleta de dados baseada em observação direta e análise documental. A condução do projeto envolveu etapas de identificação, controle, classificação e análise comparativa de custos, permitindo a rastreabilidade dos pneus ao longo de sua utilização. Os resultados evidenciaram redução significativa dos custos operacionais, estimada em 61,5% anualmente, associada ao reaproveitamento dos pneus e ao controle sistematizado dos ativos, além de melhoria na tomada de decisão e na previsibilidade financeira. Concluiu-se que a aplicação estruturada da gestão de custos, aliada à recapagem e ao controle de dados, contribuiu para a otimização dos recursos e para o aumento da eficiência operacional, promovendo uma mudança de um modelo reativo para uma abordagem estratégica.
Palavras-chave: Ativos; Eficiência operacional; Manutenção; Mineração; Recapagem.
1. Introdução
A gestão de custos tem se consolidado como um pilar estratégico para organizações que operam em ambientes industriais complexos, onde a alocação eficiente de recursos impacta diretamente a competitividade e a sustentabilidade dos negócios. Em setores intensivos em capital, como o de mineração, um controle rigoroso dos investimentos é essencial para assegurar a viabilidade econômica das operações e a continuidade produtiva (Kerzner, 2022).
Nesse contexto, a gestão de projetos emerge como uma abordagem estruturada para planejar, organizar e controlar recursos de forma integrada. Essa disciplina contribui significativamente para a maximização de resultados e a redução de desperdícios. O gerenciamento de custos em projetos, conforme o Project Management Institute (PMI, 2021), abrange processos de estimativa, orçamento e controle, visando garantir que o projeto seja concluído dentro dos limites financeiros estabelecidos.
A aplicação dessas práticas é particularmente relevante em projetos industriais, nos quais pequenas variações nos custos podem gerar impactos significativos no resultado financeiro global. A gestão eficiente dos custos, segundo Kerzner (2022), proporciona maior previsibilidade, controle e suporte à tomada de decisão, sendo um dos principais fatores críticos de sucesso em projetos.
No setor de mineração, caracterizado por operações contínuas e uma elevada dependência de equipamentos de grande porte, os custos de manutenção representam uma parcela substancial das despesas operacionais. Bowersox et al. (2019) destacam que a gestão eficiente de ativos físicos é crucial para o desempenho operacional, especialmente em contextos onde a disponibilidade dos equipamentos afeta diretamente a produtividade.
Nesse cenário, os pneus utilizados em caminhões fora de estrada configuram-se como ativos críticos. Isso se deve tanto ao seu elevado custo de aquisição quanto à sua influência direta na operação. A gestão do ciclo de vida desses ativos é fundamental para a redução de custos totais, uma vez que decisões relacionadas à manutenção e substituição impactam significativamente o desempenho financeiro ao longo do tempo (Chopra e Meindl, 2023).
Tradicionalmente, em muitas operações industriais, os pneus são substituídos integralmente ao final de sua vida útil, sem a adoção de estratégias de reaproveitamento. Essa prática pode resultar em custos elevados e em uma utilização pouco eficiente dos recursos disponíveis, especialmente em ambientes onde há pressão constante por redução de custos (Slack et al., 2022).
A recapagem de pneus surge como uma alternativa técnica e economicamente viável para prolongar o ciclo de vida desses ativos. Heizer, Render e Munson (2020) apontam que estratégias de reutilização e recuperação de componentes são amplamente empregadas para reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos. Além dos benefícios econômicos, a recapagem está alinhada a práticas de sustentabilidade, pois reduz o consumo de matéria-prima e a geração de resíduos, seguindo os princípios de eliminação de desperdícios e aproveitamento máximo de recursos (Womack e Jones, 2003).
Contudo, a implementação de estratégias de reaproveitamento exige controle rigoroso, rastreabilidade e integração de informações. A ausência de um sistema estruturado de gestão pode comprometer a eficiência do projeto, dificultando o monitoramento dos resultados e a tomada de decisão baseada em dados (Kerzner, 2022). Ferramentas de gestão de projetos, aliadas à análise de dados históricos e indicadores de desempenho, permitem avaliar a efetividade das estratégias e identificar oportunidades de melhoria (PMI, 2021).
A problemática deste estudo reside na ausência de modelos estruturados que integrem, de forma sistêmica, a gestão de custos, a rastreabilidade e as estratégias de reaproveitamento para pneus em operações de mineração. Essa lacuna compromete a eficiência econômica ao longo do ciclo de vida desses ativos, limitando o potencial de otimização de recursos e a tomada de decisão baseada em dados. Diante desse contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus em operações de mineração, considerando a implementação de mecanismos de rastreabilidade, recapagem e controle de dados, com foco na eficiência econômica e na gestão estratégica de ativos.
2. Material e Métodos
O presente estudo foi delineado como uma pesquisa aplicada, de natureza descritiva e abordagem qualitativa. A estratégia metodológica adotada foi a pesquisa-ação, caracterizada pela participação ativa do pesquisador no ambiente investigado. Esse tipo de delineamento permitiu a análise da realidade e a proposição de melhorias no contexto estudado (Thiollent, 2011; Gil, 2019).
A escolha da pesquisa-ação justificou-se pela necessidade de compreender, de forma prática e contextualizada, os processos de gestão de custos no setor de manutenção. O estudo foi conduzido em uma empresa de mineração de grande porte, localizada no interior de Goiás, no setor de Manutenção de Equipamentos de Mineração (MEM). O projeto ocorreu em 2024, em um cenário que demandava redução de custos e aumento da eficiência.
A unidade de análise correspondeu ao processo de gestão do ciclo de vida dos pneus utilizados em caminhões de mineração. O foco recaiu sobre as práticas de controle, reaproveitamento e substituição desses ativos. Foram analisadas as etapas operacionais envolvidas na identificação, rastreabilidade, recapagem e substituição dos pneus, bem como os impactos dessas práticas nos custos operacionais.
A coleta de dados foi realizada por meio de observação direta, análise documental e revisão bibliográfica sobre gerenciamento de custos, permitindo a triangulação das informações. A observação direta ocorreu durante a execução das atividades no setor de MEM, acompanhando rotinas operacionais, processos de troca e recapagem de pneus, e decisões relacionadas à gestão dos ativos.
A análise documental envolveu registros operacionais, planilhas de controle desenvolvidas em Microsoft Excel e relatórios internos. Coletaram-se dados históricos referentes aos custos com aquisição de pneus novos em 2013, e compararam-se com os custos associados à recapagem em 2024. A combinação de diferentes fontes de dados contribuiu para a robustez da pesquisa (Flick, 2009).
Conceitualmente, o estudo fundamentou-se nas práticas de gerenciamento de custos em projetos preconizadas pelo Project Management Institute (PMI, 2021), que abrangem estimativa, orçamento e controle de custos. Adicionalmente, considerou-se o conceito de Custo do Ciclo de Vida (Life Cycle Cost – LCC), que analisa o custo total de um ativo ao longo de todas as suas fases, incluindo aquisição, operação, manutenção e descarte.
A condução do projeto foi estruturada em quatro etapas sequenciais. A primeira etapa consistiu na identificação individual dos pneus por marcação física permanente, realizada com gravação térmica. Na segunda etapa, os pneus e os caminhões foram registrados em um sistema interno da empresa, permitindo o controle da alocação dos pneus por equipamento e sua posição específica nos veículos. Essa rastreabilidade foi essencial para o monitoramento dos ativos.
A terceira etapa envolveu a classificação dos pneus de acordo com o número de recapagens realizadas. Após o desgaste, os pneus eram separados em categorias e encaminhados para empresas especializadas, conforme critérios técnicos de reaproveitamento. Por fim, na quarta etapa, realizou-se a análise comparativa dos custos, confrontando dados históricos de 2023 (pneus novos) com os de 2024 (após recapagem), e avaliou-se três fornecedores com base em critérios econômicos.
A técnica de análise dos dados empregada foi a análise comparativa de custos, que permitiu confrontar os cenários antes e depois da implementação das estratégias de recapagem e rastreabilidade. Os dados foram organizados e processados utilizando as planilhas de controle em Microsoft Excel e o sistema interno da empresa, conforme descrito nos procedimentos de coleta e registro, para subsidiar a tomada de decisão.
3. Resultados e Discussão
A presente seção detalha os achados da pesquisa-ação realizada em uma empresa de mineração, com o objetivo de avaliar os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus. Os resultados são apresentados em conformidade com as etapas do projeto, que incluíram a identificação e rastreabilidade dos ativos, o registro em sistema e controle de dados operacionais, a classificação dos pneus por ciclo de recapagem e o direcionamento operacional, bem como a análise comparativa de custos e a seleção de fornecedores. A abordagem adotada permitiu uma análise aprofundada dos benefícios econômicos e operacionais da gestão estruturada, evidenciando a transição de um modelo reativo para uma gestão estratégica de ativos.
Etapa 1. Identificação e rastreabilidade dos pneus
A primeira etapa do projeto concentrou-se na implementação de um processo robusto de identificação individual dos pneus utilizados nos caminhões fora de estrada. Essa iniciativa foi crucial para estabelecer a rastreabilidade dos ativos, permitindo um controle preciso de seu ciclo de vida e fornecendo dados essenciais para a gestão de custos de manutenção e substituição. A marcação física permanente dos pneus, realizada por meio de gravação térmica na lateral, possibilitou a atribuição de um código único a cada unidade. Essa metodologia de identificação individualizada foi fundamental para mitigar a perda de informações, evitar trocas não registradas e corrigir inconsistências no controle dos ativos, problemas que anteriormente dificultavam a análise de custos e a tomada de decisão.
A identificação estruturada dos pneus permitiu um controle detalhado de variáveis críticas, como a posição do pneu no equipamento, o estágio atual de seu ciclo de vida e seu status operacional. Por exemplo, informações como “PNEU-001, Caminhão 01, Dianteiro esquerdo, 1º uso, Em operação” eram registradas sistematicamente. Esse nível de detalhamento forneceu a base para decisões informadas sobre recapagem, substituição e alocação dos ativos, alinhando-se às práticas de gerenciamento de custos em projetos que enfatizam a coleta de dados confiáveis para monitoramento e controle (PMI, 2021). A ausência prévia de rastreabilidade impedia a mensuração precisa do desempenho financeiro dos pneus e a avaliação do custo acumulado ao longo do tempo, o que agora foi superado.
Com a identificação individualizada, tornou-se viável associar cada pneu ao seu histórico completo de utilização e intervenções, possibilitando análises mais aprofundadas sobre o custo por ciclo de vida e o custo por utilização. Esse controle detalhado contribuiu diretamente para a otimização dos custos operacionais, pois permitiu a redução de desperdícios e a prevenção de substituições prematuras. Kerzner (2022) destaca que a rastreabilidade dos recursos é um fator essencial para a eficiência na gestão de projetos, proporcionando maior precisão na análise de desempenho. Assim, a Etapa 1 não apenas estruturou o controle operacional dos pneus, mas também estabeleceu a base informacional para as etapas subsequentes do projeto, especialmente aquelas relacionadas à análise de custos e à tomada de decisão estratégica.
Etapa 2. Registro em sistema e controle de dados operacionais
A segunda etapa do projeto consistiu na implementação de um sistema estruturado para o registro e controle dos pneus e dos equipamentos, garantindo a rastreabilidade completa dos ativos ao longo de seu ciclo de vida. O objetivo principal dessa etapa foi consolidar as informações operacionais em uma base de dados única, o que viabilizou a análise de desempenho e o controle dos custos associados à utilização e manutenção dos pneus. O sistema permitiu registrar informações detalhadas sobre cada pneu, incluindo sua alocação por caminhão, a posição no equipamento e o estágio do ciclo de vida, garantindo a consistência dos dados e a precisão das análises de desempenho e custos.
A implementação desse sistema resultou em uma transição significativa de um modelo reativo, focado na substituição direta dos pneus, para um modelo proativo, fundamentado na análise de dados e na tomada de decisão orientada por informações. Essa mudança é corroborada pelo Project Management Institute (PMI, 2021), que enfatiza a dependência do controle de custos na qualidade das informações disponíveis para o monitoramento do desempenho e a previsão de resultados. A centralização das informações proporcionou maior transparência na gestão dos recursos, permitindo que os gestores acompanhassem continuamente os custos incorridos e identificassem desvios em relação ao planejado, conforme apontado por Kerzner (2022) sobre a importância de sistemas de informação eficientes em ambientes complexos.
A análise comparativa dos custos mensais com pneus, antes e depois da implementação do projeto, revelou uma redução expressiva. No ano de 2023, quando a estratégia predominante era a substituição por pneus novos, o custo médio mensal era de R$ 6.500.000, resultando em um custo anual estimado de R$ 78.000.000. Após a implementação da estratégia de recapagem e controle de ativos em 2024, o custo médio mensal foi reduzido para R$ 2.500.000, com um custo anual estimado de R$ 30.000.000. Essa mudança representou uma economia mensal de R$ 4.000.000 e uma redução percentual de 61,5% nos custos anuais, totalizando R$ 48.000.000. Esses dados evidenciam o impacto financeiro substancial da nova estratégia.
Essa redução significativa nos custos operacionais demonstra que a simples adoção da recapagem, sem um controle estruturado dos dados, não seria suficiente para alcançar o nível de economia observado. O sistema implementado foi determinante para assegurar que os pneus fossem utilizados de forma eficiente ao longo de seus ciclos de vida, evitando perdas, substituições prematuras e uso inadequado dos ativos. A Etapa 2, portanto, consolidou a base de dados necessária para a análise financeira do projeto, viabilizando a mensuração dos resultados e sustentando a tomada de decisão nas etapas subsequentes, especialmente na seleção de fornecedores e na avaliação da viabilidade econômica da recapagem.
Etapa 3. Classificação dos pneus por ciclo de recapagem e direcionamento operacional
A terceira etapa do projeto focou na classificação dos pneus conforme o número de recapagens realizadas, com o intuito de estruturar o controle do ciclo de vida dos ativos e otimizar sua utilização ao longo do tempo. Essa classificação foi essencial para garantir que os pneus fossem reaproveitados de maneira técnica e economicamente viável, respeitando seus limites operacionais. Os pneus eram avaliados após sua retirada dos equipamentos e categorizados em primeira, segunda e terceira recapagem. Após a terceira recapagem, eram considerados fora de condição de reaproveitamento e destinados à substituição definitiva, seguindo um fluxo de decisões operacionais bem definido.
A análise dos custos por ciclo de vida do pneu demonstrou o ganho econômico proporcionado pela recapagem. Um pneu novo, em seu primeiro uso, representava um custo unitário de R$ 25.000, com 100% de vida útil estimada. No entanto, cada recapagem subsequente, seja a primeira, segunda ou terceira, tinha um custo médio unitário de R$ 7.500. Isso resultava em custos acumulados de R$ 32.500 para o segundo ciclo (primeira recapagem), R$ 40.000 para o terceiro ciclo (segunda recapagem) e R$ 47.500 para o quarto ciclo (terceira recapagem). Observou-se que cada recapagem possuía um custo médio equivalente a aproximadamente 30% do valor de um pneu novo, evidenciando um ganho econômico expressivo ao longo do tempo.
Sob a perspectiva da gestão de custos, esses resultados demonstram que o custo total de utilização de um pneu ao longo de seu ciclo de vida é significativamente otimizado em comparação com o modelo tradicional de substituição direta. Se a estratégia anterior fosse mantida, cada novo ciclo demandaria um investimento integral de R$ 25.000. Com a recapagem, esse valor foi reduzido para cerca de R$ 7.500 por ciclo adicional, o que está alinhado com os princípios de otimização de recursos ao longo do ciclo de vida do projeto, conforme o PMI (2021). Além disso, Heizer, Render e Munson (2020) reforçam que estratégias de reutilização de ativos são fundamentais para a redução de custos operacionais.
A classificação estruturada também permitiu evitar o uso inadequado dos pneus, como a tentativa de recapagem em unidades que já estavam fora de condição técnica, o que poderia gerar riscos operacionais e custos adicionais. Dessa forma, o controle por ciclo de vida contribuiu tanto para a segurança quanto para a eficiência econômica do processo. Do ponto de vista estratégico, a Etapa 3 transformou a gestão dos pneus de uma abordagem baseada em substituição para uma lógica de maximização do valor dos ativos, gerenciando cada unidade ao longo de todo o seu ciclo de vida. Essa mudança foi determinante para viabilizar os resultados financeiros observados no projeto, consolidando-se como um dos pilares da estratégia adotada.
Etapa 4. Análise comparativa de custos e seleção de fornecedores
A quarta etapa do projeto envolveu uma análise comparativa aprofundada dos custos operacionais, contrastando a utilização exclusiva de pneus novos com os custos após a implementação da estratégia de recapagem. A economia mensal estimada de aproximadamente R$ 4.000.000, que representa uma redução de 61,5% nos custos com pneus, foi confirmada. Em termos anuais, essa economia corresponde a cerca de R$ 48.000.000, evidenciando o impacto financeiro expressivo da estratégia adotada. Essa redução direta de custos foi acompanhada por uma melhoria na previsibilidade financeira, uma vez que a recapagem permitiu maior controle sobre os gastos e diminuiu a variabilidade associada à substituição emergencial de pneus.
Paralelamente à análise de custos, foi realizada a avaliação de três fornecedores de recapagem, localizados em diferentes regiões: uma empresa em Belém do Pará, uma em Minas Gerais e outra na mesma localidade da operação. A avaliação considerou critérios econômicos e operacionais. A Empresa A (AP Pneus), de Belém – PA, apresentava um custo médio de R$ 7.800 e prazo de entrega médio, sendo avaliada como competitiva. A Empresa B (Recanorte), de Minas Gerais, oferecia um custo médio de R$ 7.500, prazo de entrega médio e foi considerada a de melhor custo-benefício. Já a Empresa C, de Minaçu – GO, tinha um custo médio de R$ 8.200 e prazo de entrega rápido, mas com maior custo.
A seleção do fornecedor foi orientada principalmente pelo critério de custo-benefício, considerando não apenas o preço, mas também fatores como prazo e confiabilidade. A empresa selecionada, a Empresa B, apresentou o menor custo médio associado a um nível adequado de desempenho operacional, garantindo a sustentabilidade da estratégia no longo prazo. Essa etapa reforça a importância da análise comparativa e da tomada de decisão baseada em dados, conforme o PMI (2021), que destaca que o controle de custos envolve o monitoramento dos gastos e a avaliação contínua de alternativas para maior eficiência econômica. A escolha adequada de fornecedores é crucial para a gestão estratégica de projetos, como enfatizado por Kerzner (2022), pois impacta significativamente os resultados financeiros e operacionais.
Em síntese, a combinação entre a recapagem, o controle estruturado dos ativos e a seleção eficiente de fornecedores demonstrou ser determinante para a redução expressiva dos custos operacionais. Essa abordagem permitiu não apenas alcançar os objetivos estabelecidos de otimização do ciclo de vida dos pneus, mas também gerar valor significativo para a organização por meio da gestão estratégica de ativos. A implementação da gestão de custos em projetos, aliada à rastreabilidade e à recapagem, transformou a lógica de gestão de pneus de um modelo reativo para uma abordagem estratégica, resultando em benefícios econômicos substanciais e maior previsibilidade financeira para a operação de mineração.
4. Conclusão
O presente estudo avaliou os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus em operações de mineração, considerando a implementação de mecanismos de rastreabilidade, recapagem e controle de dados, com foco na eficiência econômica e na gestão estratégica de ativos. Verificou-se que a adoção de práticas estruturadas, como a identificação individualizada e o registro sistemático dos pneus em um sistema de controle, permitiu um acompanhamento detalhado de seu ciclo de vida. Essa sistematização, aliada à classificação dos pneus por ciclo de recapagem e à seleção criteriosa de fornecedores, resultou em uma redução significativa dos custos operacionais, estimada em 61,5% anualmente. Tal economia, que representou cerca de R$ 48.000.000 por ano, foi diretamente associada ao reaproveitamento dos pneus por meio da recapagem e ao controle sistematizado dos ativos. Essa abordagem transformou a gestão de um modelo reativo para uma lógica estratégica, proporcionando maior previsibilidade financeira e melhor suporte à tomada de decisão. A principal contribuição prática e gerencial reside na demonstração da viabilidade de estratégias de redução de custos em um setor intensivo em capital, oferecendo um modelo replicável para a otimização do uso de ativos críticos e a maximização de seu valor ao longo do tempo.
Contudo, o estudo apresentou limitações decorrentes do acesso restrito a dados mais detalhados e da dependência de registros operacionais internos, fatores que podem ter limitado análises mais aprofundadas sobre o desempenho individual dos ativos. Para pesquisas futuras, sugere-se a ampliação da análise com a utilização de indicadores de desempenho mais robustos, que permitam uma avaliação ainda mais precisa da efetividade das estratégias implementadas. Adicionalmente, recomenda-se a aplicação do modelo em diferentes cenários operacionais e em outras empresas do setor, com o objetivo de validar e expandir os resultados obtidos, consolidando a abordagem como uma prática de gestão estratégica de ativos.
Referências Bibliográficas
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Flick, U. 2009. An Introduction to Qualitative Research. 4ed. Sage Publications, London, UK.
Gil, A.C. 2019. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Heizer, J.; Render, B.; Munson, C. 2020. Operations Management: Sustainability and Supply Chain Management. 13ed. Pearson, Harlow, UK.
Kerzner, H. 2022. Project Management: A Systems Approach to Planning, Scheduling, and Controlling. 13ed. John Wiley & Sons, Hoboken, NJ, USA.
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Thiollent, M. 2011. Metodologia da pesquisa-ação. 18ed. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.
Womack, J.P.; Jones, D.T. 2003. Lean Thinking: Banish Waste and Create Wealth in Your Corporation. Simon & Schuster, New York, NY, USA.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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