Artigo

28 de julho de 2026

Gestão de custos em projetos aplicada à otimização do ciclo de vida de pneus

Deusdete Camilo Neto; Iara Tonissi Moroni

DOI: 10.22167/2675-6528-202600724

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão de custos em projetos mostrou-se fundamental para a eficiência operacional em setores intensivos em recursos, como a mineração, onde a manutenção de equipamentos representa parcela significativa das despesas. A ausência de controle estruturado sobre o ciclo de vida de pneus resultava em substituições frequentes por unidades novas, elevando os custos operacionais. Diante dessa problemática, o estudo avaliou os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus em operações de mineração, considerando a implementação de mecanismos de rastreabilidade, recapagem e controle de dados, com foco na eficiência econômica e na gestão estratégica de ativos. Para isso, realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, conduzida por meio de pesquisa-ação em uma empresa do setor de mineração, com coleta de dados baseada em observação direta e análise documental. A condução do projeto envolveu etapas de identificação, controle, classificação e análise comparativa de custos, permitindo a rastreabilidade dos pneus ao longo de sua utilização. Os resultados evidenciaram redução significativa dos custos operacionais, estimada em 61,5% anualmente, associada ao reaproveitamento dos pneus e ao controle sistematizado dos ativos, além de melhoria na tomada de decisão e na previsibilidade financeira. Concluiu-se que a aplicação estruturada da gestão de custos, aliada à recapagem e ao controle de dados, contribuiu para a otimização dos recursos e para o aumento da eficiência operacional, promovendo uma mudança de um modelo reativo para uma abordagem estratégica.

Palavras-chave: Ativos; Eficiência operacional; Manutenção; Mineração; Recapagem.

1. Introdução

A gestão de custos tem se consolidado como um pilar estratégico para organizações que operam em ambientes industriais complexos, onde a alocação eficiente de recursos impacta diretamente a competitividade e a sustentabilidade dos negócios. Em setores intensivos em capital, como o de mineração, um controle rigoroso dos investimentos é essencial para assegurar a viabilidade econômica das operações e a continuidade produtiva (Kerzner, 2022).

Nesse contexto, a gestão de projetos emerge como uma abordagem estruturada para planejar, organizar e controlar recursos de forma integrada. Essa disciplina contribui significativamente para a maximização de resultados e a redução de desperdícios. O gerenciamento de custos em projetos, conforme o Project Management Institute (PMI, 2021), abrange processos de estimativa, orçamento e controle, visando garantir que o projeto seja concluído dentro dos limites financeiros estabelecidos.

A aplicação dessas práticas é particularmente relevante em projetos industriais, nos quais pequenas variações nos custos podem gerar impactos significativos no resultado financeiro global. A gestão eficiente dos custos, segundo Kerzner (2022), proporciona maior previsibilidade, controle e suporte à tomada de decisão, sendo um dos principais fatores críticos de sucesso em projetos.

No setor de mineração, caracterizado por operações contínuas e uma elevada dependência de equipamentos de grande porte, os custos de manutenção representam uma parcela substancial das despesas operacionais. Bowersox et al. (2019) destacam que a gestão eficiente de ativos físicos é crucial para o desempenho operacional, especialmente em contextos onde a disponibilidade dos equipamentos afeta diretamente a produtividade.

Nesse cenário, os pneus utilizados em caminhões fora de estrada configuram-se como ativos críticos. Isso se deve tanto ao seu elevado custo de aquisição quanto à sua influência direta na operação. A gestão do ciclo de vida desses ativos é fundamental para a redução de custos totais, uma vez que decisões relacionadas à manutenção e substituição impactam significativamente o desempenho financeiro ao longo do tempo (Chopra e Meindl, 2023).

Tradicionalmente, em muitas operações industriais, os pneus são substituídos integralmente ao final de sua vida útil, sem a adoção de estratégias de reaproveitamento. Essa prática pode resultar em custos elevados e em uma utilização pouco eficiente dos recursos disponíveis, especialmente em ambientes onde há pressão constante por redução de custos (Slack et al., 2022).

A recapagem de pneus surge como uma alternativa técnica e economicamente viável para prolongar o ciclo de vida desses ativos. Heizer, Render e Munson (2020) apontam que estratégias de reutilização e recuperação de componentes são amplamente empregadas para reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos. Além dos benefícios econômicos, a recapagem está alinhada a práticas de sustentabilidade, pois reduz o consumo de matéria-prima e a geração de resíduos, seguindo os princípios de eliminação de desperdícios e aproveitamento máximo de recursos (Womack e Jones, 2003).

Contudo, a implementação de estratégias de reaproveitamento exige controle rigoroso, rastreabilidade e integração de informações. A ausência de um sistema estruturado de gestão pode comprometer a eficiência do projeto, dificultando o monitoramento dos resultados e a tomada de decisão baseada em dados (Kerzner, 2022). Ferramentas de gestão de projetos, aliadas à análise de dados históricos e indicadores de desempenho, permitem avaliar a efetividade das estratégias e identificar oportunidades de melhoria (PMI, 2021).

A problemática deste estudo reside na ausência de modelos estruturados que integrem, de forma sistêmica, a gestão de custos, a rastreabilidade e as estratégias de reaproveitamento para pneus em operações de mineração. Essa lacuna compromete a eficiência econômica ao longo do ciclo de vida desses ativos, limitando o potencial de otimização de recursos e a tomada de decisão baseada em dados. Diante desse contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus em operações de mineração, considerando a implementação de mecanismos de rastreabilidade, recapagem e controle de dados, com foco na eficiência econômica e na gestão estratégica de ativos.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi delineado como uma pesquisa aplicada, de natureza descritiva e abordagem qualitativa. A estratégia metodológica adotada foi a pesquisa-ação, caracterizada pela participação ativa do pesquisador no ambiente investigado. Esse tipo de delineamento permitiu a análise da realidade e a proposição de melhorias no contexto estudado (Thiollent, 2011; Gil, 2019).

A escolha da pesquisa-ação justificou-se pela necessidade de compreender, de forma prática e contextualizada, os processos de gestão de custos no setor de manutenção. O estudo foi conduzido em uma empresa de mineração de grande porte, localizada no interior de Goiás, no setor de Manutenção de Equipamentos de Mineração (MEM). O projeto ocorreu em 2024, em um cenário que demandava redução de custos e aumento da eficiência.

A unidade de análise correspondeu ao processo de gestão do ciclo de vida dos pneus utilizados em caminhões de mineração. O foco recaiu sobre as práticas de controle, reaproveitamento e substituição desses ativos. Foram analisadas as etapas operacionais envolvidas na identificação, rastreabilidade, recapagem e substituição dos pneus, bem como os impactos dessas práticas nos custos operacionais.

A coleta de dados foi realizada por meio de observação direta, análise documental e revisão bibliográfica sobre gerenciamento de custos, permitindo a triangulação das informações. A observação direta ocorreu durante a execução das atividades no setor de MEM, acompanhando rotinas operacionais, processos de troca e recapagem de pneus, e decisões relacionadas à gestão dos ativos.

A análise documental envolveu registros operacionais, planilhas de controle desenvolvidas em Microsoft Excel e relatórios internos. Coletaram-se dados históricos referentes aos custos com aquisição de pneus novos em 2013, e compararam-se com os custos associados à recapagem em 2024. A combinação de diferentes fontes de dados contribuiu para a robustez da pesquisa (Flick, 2009).

Conceitualmente, o estudo fundamentou-se nas práticas de gerenciamento de custos em projetos preconizadas pelo Project Management Institute (PMI, 2021), que abrangem estimativa, orçamento e controle de custos. Adicionalmente, considerou-se o conceito de Custo do Ciclo de Vida (Life Cycle Cost – LCC), que analisa o custo total de um ativo ao longo de todas as suas fases, incluindo aquisição, operação, manutenção e descarte.

A condução do projeto foi estruturada em quatro etapas sequenciais. A primeira etapa consistiu na identificação individual dos pneus por marcação física permanente, realizada com gravação térmica. Na segunda etapa, os pneus e os caminhões foram registrados em um sistema interno da empresa, permitindo o controle da alocação dos pneus por equipamento e sua posição específica nos veículos. Essa rastreabilidade foi essencial para o monitoramento dos ativos.

A terceira etapa envolveu a classificação dos pneus de acordo com o número de recapagens realizadas. Após o desgaste, os pneus eram separados em categorias e encaminhados para empresas especializadas, conforme critérios técnicos de reaproveitamento. Por fim, na quarta etapa, realizou-se a análise comparativa dos custos, confrontando dados históricos de 2023 (pneus novos) com os de 2024 (após recapagem), e avaliou-se três fornecedores com base em critérios econômicos.

A técnica de análise dos dados empregada foi a análise comparativa de custos, que permitiu confrontar os cenários antes e depois da implementação das estratégias de recapagem e rastreabilidade. Os dados foram organizados e processados utilizando as planilhas de controle em Microsoft Excel e o sistema interno da empresa, conforme descrito nos procedimentos de coleta e registro, para subsidiar a tomada de decisão.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa-ação realizada em uma empresa de mineração, com o objetivo de avaliar os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus. Os resultados são apresentados em conformidade com as etapas do projeto, que incluíram a identificação e rastreabilidade dos ativos, o registro em sistema e controle de dados operacionais, a classificação dos pneus por ciclo de recapagem e o direcionamento operacional, bem como a análise comparativa de custos e a seleção de fornecedores. A abordagem adotada permitiu uma análise aprofundada dos benefícios econômicos e operacionais da gestão estruturada, evidenciando a transição de um modelo reativo para uma gestão estratégica de ativos.

Etapa 1. Identificação e rastreabilidade dos pneus

A primeira etapa do projeto concentrou-se na implementação de um processo robusto de identificação individual dos pneus utilizados nos caminhões fora de estrada. Essa iniciativa foi crucial para estabelecer a rastreabilidade dos ativos, permitindo um controle preciso de seu ciclo de vida e fornecendo dados essenciais para a gestão de custos de manutenção e substituição. A marcação física permanente dos pneus, realizada por meio de gravação térmica na lateral, possibilitou a atribuição de um código único a cada unidade. Essa metodologia de identificação individualizada foi fundamental para mitigar a perda de informações, evitar trocas não registradas e corrigir inconsistências no controle dos ativos, problemas que anteriormente dificultavam a análise de custos e a tomada de decisão.

A identificação estruturada dos pneus permitiu um controle detalhado de variáveis críticas, como a posição do pneu no equipamento, o estágio atual de seu ciclo de vida e seu status operacional. Por exemplo, informações como “PNEU-001, Caminhão 01, Dianteiro esquerdo, 1º uso, Em operação” eram registradas sistematicamente. Esse nível de detalhamento forneceu a base para decisões informadas sobre recapagem, substituição e alocação dos ativos, alinhando-se às práticas de gerenciamento de custos em projetos que enfatizam a coleta de dados confiáveis para monitoramento e controle (PMI, 2021). A ausência prévia de rastreabilidade impedia a mensuração precisa do desempenho financeiro dos pneus e a avaliação do custo acumulado ao longo do tempo, o que agora foi superado.

Com a identificação individualizada, tornou-se viável associar cada pneu ao seu histórico completo de utilização e intervenções, possibilitando análises mais aprofundadas sobre o custo por ciclo de vida e o custo por utilização. Esse controle detalhado contribuiu diretamente para a otimização dos custos operacionais, pois permitiu a redução de desperdícios e a prevenção de substituições prematuras. Kerzner (2022) destaca que a rastreabilidade dos recursos é um fator essencial para a eficiência na gestão de projetos, proporcionando maior precisão na análise de desempenho. Assim, a Etapa 1 não apenas estruturou o controle operacional dos pneus, mas também estabeleceu a base informacional para as etapas subsequentes do projeto, especialmente aquelas relacionadas à análise de custos e à tomada de decisão estratégica.

Etapa 2. Registro em sistema e controle de dados operacionais

A segunda etapa do projeto consistiu na implementação de um sistema estruturado para o registro e controle dos pneus e dos equipamentos, garantindo a rastreabilidade completa dos ativos ao longo de seu ciclo de vida. O objetivo principal dessa etapa foi consolidar as informações operacionais em uma base de dados única, o que viabilizou a análise de desempenho e o controle dos custos associados à utilização e manutenção dos pneus. O sistema permitiu registrar informações detalhadas sobre cada pneu, incluindo sua alocação por caminhão, a posição no equipamento e o estágio do ciclo de vida, garantindo a consistência dos dados e a precisão das análises de desempenho e custos.

A implementação desse sistema resultou em uma transição significativa de um modelo reativo, focado na substituição direta dos pneus, para um modelo proativo, fundamentado na análise de dados e na tomada de decisão orientada por informações. Essa mudança é corroborada pelo Project Management Institute (PMI, 2021), que enfatiza a dependência do controle de custos na qualidade das informações disponíveis para o monitoramento do desempenho e a previsão de resultados. A centralização das informações proporcionou maior transparência na gestão dos recursos, permitindo que os gestores acompanhassem continuamente os custos incorridos e identificassem desvios em relação ao planejado, conforme apontado por Kerzner (2022) sobre a importância de sistemas de informação eficientes em ambientes complexos.

A análise comparativa dos custos mensais com pneus, antes e depois da implementação do projeto, revelou uma redução expressiva. No ano de 2023, quando a estratégia predominante era a substituição por pneus novos, o custo médio mensal era de R$ 6.500.000, resultando em um custo anual estimado de R$ 78.000.000. Após a implementação da estratégia de recapagem e controle de ativos em 2024, o custo médio mensal foi reduzido para R$ 2.500.000, com um custo anual estimado de R$ 30.000.000. Essa mudança representou uma economia mensal de R$ 4.000.000 e uma redução percentual de 61,5% nos custos anuais, totalizando R$ 48.000.000. Esses dados evidenciam o impacto financeiro substancial da nova estratégia.

Essa redução significativa nos custos operacionais demonstra que a simples adoção da recapagem, sem um controle estruturado dos dados, não seria suficiente para alcançar o nível de economia observado. O sistema implementado foi determinante para assegurar que os pneus fossem utilizados de forma eficiente ao longo de seus ciclos de vida, evitando perdas, substituições prematuras e uso inadequado dos ativos. A Etapa 2, portanto, consolidou a base de dados necessária para a análise financeira do projeto, viabilizando a mensuração dos resultados e sustentando a tomada de decisão nas etapas subsequentes, especialmente na seleção de fornecedores e na avaliação da viabilidade econômica da recapagem.

Etapa 3. Classificação dos pneus por ciclo de recapagem e direcionamento operacional

A terceira etapa do projeto focou na classificação dos pneus conforme o número de recapagens realizadas, com o intuito de estruturar o controle do ciclo de vida dos ativos e otimizar sua utilização ao longo do tempo. Essa classificação foi essencial para garantir que os pneus fossem reaproveitados de maneira técnica e economicamente viável, respeitando seus limites operacionais. Os pneus eram avaliados após sua retirada dos equipamentos e categorizados em primeira, segunda e terceira recapagem. Após a terceira recapagem, eram considerados fora de condição de reaproveitamento e destinados à substituição definitiva, seguindo um fluxo de decisões operacionais bem definido.

A análise dos custos por ciclo de vida do pneu demonstrou o ganho econômico proporcionado pela recapagem. Um pneu novo, em seu primeiro uso, representava um custo unitário de R$ 25.000, com 100% de vida útil estimada. No entanto, cada recapagem subsequente, seja a primeira, segunda ou terceira, tinha um custo médio unitário de R$ 7.500. Isso resultava em custos acumulados de R$ 32.500 para o segundo ciclo (primeira recapagem), R$ 40.000 para o terceiro ciclo (segunda recapagem) e R$ 47.500 para o quarto ciclo (terceira recapagem). Observou-se que cada recapagem possuía um custo médio equivalente a aproximadamente 30% do valor de um pneu novo, evidenciando um ganho econômico expressivo ao longo do tempo.

Sob a perspectiva da gestão de custos, esses resultados demonstram que o custo total de utilização de um pneu ao longo de seu ciclo de vida é significativamente otimizado em comparação com o modelo tradicional de substituição direta. Se a estratégia anterior fosse mantida, cada novo ciclo demandaria um investimento integral de R$ 25.000. Com a recapagem, esse valor foi reduzido para cerca de R$ 7.500 por ciclo adicional, o que está alinhado com os princípios de otimização de recursos ao longo do ciclo de vida do projeto, conforme o PMI (2021). Além disso, Heizer, Render e Munson (2020) reforçam que estratégias de reutilização de ativos são fundamentais para a redução de custos operacionais.

A classificação estruturada também permitiu evitar o uso inadequado dos pneus, como a tentativa de recapagem em unidades que já estavam fora de condição técnica, o que poderia gerar riscos operacionais e custos adicionais. Dessa forma, o controle por ciclo de vida contribuiu tanto para a segurança quanto para a eficiência econômica do processo. Do ponto de vista estratégico, a Etapa 3 transformou a gestão dos pneus de uma abordagem baseada em substituição para uma lógica de maximização do valor dos ativos, gerenciando cada unidade ao longo de todo o seu ciclo de vida. Essa mudança foi determinante para viabilizar os resultados financeiros observados no projeto, consolidando-se como um dos pilares da estratégia adotada.

Etapa 4. Análise comparativa de custos e seleção de fornecedores

A quarta etapa do projeto envolveu uma análise comparativa aprofundada dos custos operacionais, contrastando a utilização exclusiva de pneus novos com os custos após a implementação da estratégia de recapagem. A economia mensal estimada de aproximadamente R$ 4.000.000, que representa uma redução de 61,5% nos custos com pneus, foi confirmada. Em termos anuais, essa economia corresponde a cerca de R$ 48.000.000, evidenciando o impacto financeiro expressivo da estratégia adotada. Essa redução direta de custos foi acompanhada por uma melhoria na previsibilidade financeira, uma vez que a recapagem permitiu maior controle sobre os gastos e diminuiu a variabilidade associada à substituição emergencial de pneus.

Paralelamente à análise de custos, foi realizada a avaliação de três fornecedores de recapagem, localizados em diferentes regiões: uma empresa em Belém do Pará, uma em Minas Gerais e outra na mesma localidade da operação. A avaliação considerou critérios econômicos e operacionais. A Empresa A (AP Pneus), de Belém – PA, apresentava um custo médio de R$ 7.800 e prazo de entrega médio, sendo avaliada como competitiva. A Empresa B (Recanorte), de Minas Gerais, oferecia um custo médio de R$ 7.500, prazo de entrega médio e foi considerada a de melhor custo-benefício. Já a Empresa C, de Minaçu – GO, tinha um custo médio de R$ 8.200 e prazo de entrega rápido, mas com maior custo.

A seleção do fornecedor foi orientada principalmente pelo critério de custo-benefício, considerando não apenas o preço, mas também fatores como prazo e confiabilidade. A empresa selecionada, a Empresa B, apresentou o menor custo médio associado a um nível adequado de desempenho operacional, garantindo a sustentabilidade da estratégia no longo prazo. Essa etapa reforça a importância da análise comparativa e da tomada de decisão baseada em dados, conforme o PMI (2021), que destaca que o controle de custos envolve o monitoramento dos gastos e a avaliação contínua de alternativas para maior eficiência econômica. A escolha adequada de fornecedores é crucial para a gestão estratégica de projetos, como enfatizado por Kerzner (2022), pois impacta significativamente os resultados financeiros e operacionais.

Em síntese, a combinação entre a recapagem, o controle estruturado dos ativos e a seleção eficiente de fornecedores demonstrou ser determinante para a redução expressiva dos custos operacionais. Essa abordagem permitiu não apenas alcançar os objetivos estabelecidos de otimização do ciclo de vida dos pneus, mas também gerar valor significativo para a organização por meio da gestão estratégica de ativos. A implementação da gestão de custos em projetos, aliada à rastreabilidade e à recapagem, transformou a lógica de gestão de pneus de um modelo reativo para uma abordagem estratégica, resultando em benefícios econômicos substanciais e maior previsibilidade financeira para a operação de mineração.

4. Conclusão

O presente estudo avaliou os impactos da gestão de custos em projetos na otimização do ciclo de vida de pneus em operações de mineração, considerando a implementação de mecanismos de rastreabilidade, recapagem e controle de dados, com foco na eficiência econômica e na gestão estratégica de ativos. Verificou-se que a adoção de práticas estruturadas, como a identificação individualizada e o registro sistemático dos pneus em um sistema de controle, permitiu um acompanhamento detalhado de seu ciclo de vida. Essa sistematização, aliada à classificação dos pneus por ciclo de recapagem e à seleção criteriosa de fornecedores, resultou em uma redução significativa dos custos operacionais, estimada em 61,5% anualmente. Tal economia, que representou cerca de R$ 48.000.000 por ano, foi diretamente associada ao reaproveitamento dos pneus por meio da recapagem e ao controle sistematizado dos ativos. Essa abordagem transformou a gestão de um modelo reativo para uma lógica estratégica, proporcionando maior previsibilidade financeira e melhor suporte à tomada de decisão. A principal contribuição prática e gerencial reside na demonstração da viabilidade de estratégias de redução de custos em um setor intensivo em capital, oferecendo um modelo replicável para a otimização do uso de ativos críticos e a maximização de seu valor ao longo do tempo.

Contudo, o estudo apresentou limitações decorrentes do acesso restrito a dados mais detalhados e da dependência de registros operacionais internos, fatores que podem ter limitado análises mais aprofundadas sobre o desempenho individual dos ativos. Para pesquisas futuras, sugere-se a ampliação da análise com a utilização de indicadores de desempenho mais robustos, que permitam uma avaliação ainda mais precisa da efetividade das estratégias implementadas. Adicionalmente, recomenda-se a aplicação do modelo em diferentes cenários operacionais e em outras empresas do setor, com o objetivo de validar e expandir os resultados obtidos, consolidando a abordagem como uma prática de gestão estratégica de ativos.

Referências Bibliográficas

Bowersox, D.J.; Closs, D.J.; Cooper, M.B.; Bowersox, J.C. 2019. Supply Chain Logistics Management. 5ed. McGraw-Hill, New York, NY, USA.

Chopra, S.; Meindl, P. 2023. Supply Chain Management: Strategy, Planning, and Operation. 8ed. Pearson, Harlow, UK.

Flick, U. 2009. An Introduction to Qualitative Research. 4ed. Sage Publications, London, UK.

Gil, A.C. 2019. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Heizer, J.; Render, B.; Munson, C. 2020. Operations Management: Sustainability and Supply Chain Management. 13ed. Pearson, Harlow, UK.

Kerzner, H. 2022. Project Management: A Systems Approach to Planning, Scheduling, and Controlling. 13ed. John Wiley & Sons, Hoboken, NJ, USA.

Project Management Institute. 2021. A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide). 7ed. PMI, Newtown Square, PA, USA.

Slack, N.; Brandon-Jones, A.; Johnston, R. 2022. Operations Management. 10ed. Pearson, Harlow, UK.

Thiollent, M. 2011. Metodologia da pesquisa-ação. 18ed. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Womack, J.P.; Jones, D.T. 2003. Lean Thinking: Banish Waste and Create Wealth in Your Corporation. Simon & Schuster, New York, NY, USA.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade