30 de julho de 2026
Gestão de Cronogramas em Projetos de Remediação Ambiental: projeto de grande porte com ServiceNow PPM+AgileDevelopment-2.0/Scrum
Felipe de Melo Barreto Pereira; Brayan Dias Dauria
DOI: 10.22167/2675-6528-202600789
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A gestão de cronogramas em projetos de remediação ambiental de grande porte demanda estratégias que combinem previsibilidade e adaptabilidade. Com o objetivo de demonstrar a aplicação de uma abordagem híbrida, que integrou práticas preditivas e métodos ágeis, no gerenciamento de cronogramas, realizou-se um estudo de caso. A investigação focou em um projeto de remediação ambiental de grande porte, utilizando a plataforma ServiceNow e a integração dos módulos Project Portfolio Management (PPM) e Agile Development. Para tanto, elaborou-se uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e um cronograma em modelo preditivo, seguido do desdobramento das atividades em épicos e histórias, organizadas em ciclos iterativos (sprints), conforme os princípios do Scrum e do Kanban. Adicionalmente, integrou-se a gestão de recursos por meio do Resource Management Workspace, o que permitiu o alinhamento entre a capacidade operacional e o planejamento do cronograma. Os resultados evidenciaram que a utilização da plataforma integrada possibilitou maior rastreabilidade das informações, melhorou a alocação de recursos e conferiu maior flexibilidade na execução do projeto. Concluiu-se que a adoção de abordagens híbridas, suportadas por ferramentas corporativas integradas, representa uma alternativa eficaz para o gerenciamento de projetos complexos, especialmente em contextos com elevado nível de incerteza.
Palavras-chave: Gestão híbrida; Kanban; Project Portfolio Management; Scrum; ServiceNow.
1. Introdução
Em projetos de alta complexidade, o planejamento emerge como um fator determinante para o sucesso, exigindo assertividade na gestão de atividades, processos e prazos. A gestão de cronogramas, conforme delineado pelo Project Management Institute (PMI, 2017), envolve os processos necessários para assegurar que os projetos sejam concluídos dentro do prazo estabelecido. Isso impacta diretamente a qualidade das entregas, os custos envolvidos e a satisfação das partes interessadas.
No contexto específico dos projetos de remediação ambiental, que se inserem na área de gestão de áreas contaminadas (GAC), o planejamento estratégico do cronograma adquire uma relevância ainda maior. Tais projetos são frequentemente caracterizados por exigências regulatórias rigorosas, desafios técnicos consideráveis, prazos contratuais apertados e uma significativa atenção pública. Atrasos na execução podem resultar em custos adicionais inesperados, potenciais transgressões legais e a deterioração da boa vontade institucional.
A literatura especializada enfatiza a importância de métodos eficazes de controle de cronograma. Kerzner (2017) destaca a eficiência dos prazos como um elemento crucial para o êxito de um projeto. Complementarmente, Pinto e Slevin (1987) sublinham a necessidade de um planejamento detalhado para mitigar os riscos associados a atrasos. Contudo, em ambientes regulados, estudos indicam que iniciativas sujeitas a fatores ambientais e diretrizes legais frequentemente apresentam maior variabilidade, incerteza e interdependências entre frentes técnicas. Isso desafia as abordagens preditivas estritas, que se concentram no congelamento antecipado de requisitos e no controle formal de mudanças (PMI, 2017; Kerzner, 2022). Projetos de remediação ambiental são, por sua natureza, sistemas sociotécnicos que demandam ciclos contínuos de investigação, projeto e execução, com o conhecimento evoluindo à medida que novos dados são obtidos, o que exige capacidades de replanejamento frequente e integração entre equipes (US EPA, 2016; CETESB, 2020).
Diante dessa complexidade e dinamismo, as práticas ágeis, como Scrum e Kanban, têm sido consideradas complementares ao planejamento preditivo. Elas favorecem ciclos curtos de inspeção e adaptação, promovem a transparência do fluxo de trabalho e contribuem para a redução do trabalho em progresso, ao mesmo tempo em que preservam a governança por marcos e critérios de aceite (Schwaber e Sutherland, 2020; Anderson, 2010). A combinação dessas práticas com estruturas preditivas é uma tendência crescente em portfólios corporativos, visando alinhar a cadência operacional e a rastreabilidade de cronogramas, riscos e mudanças em uma plataforma de dados unificada (PMI, 2021).
Nesse cenário, a adoção de plataformas corporativas integradas, como o ServiceNow, que combinam módulos de Project Portfolio Management (PPM) e Agile Development, oferece uma solução promissora. Tal integração permite a centralização de todas as informações relevantes do projeto em um único ecossistema, eliminando a necessidade de integrações manuais entre diferentes módulos de controle. Isso promove maior consistência, rastreabilidade e confiabilidade dos dados, aspectos cruciais para a gestão de cronogramas em projetos de remediação ambiental. A funcionalidade de vincular a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) às tarefas operacionais, com registros de riscos, gestão de mudanças (Management of Change – MoC) e alocação de recursos, proporciona uma visão sistêmica e flexível do projeto, facilitando a tomada de decisões e a adaptação a desvios e incertezas.
A interdependência entre a gestão de recursos e a gestão de cronogramas é fundamental, pois a disponibilidade e alocação de recursos impactam diretamente a duração e o sequenciamento das atividades (PMI, 2017). Falhas nessa gestão podem levar a atrasos e retrabalhos, indicando a necessidade de integrar esses domínios para aumentar a confiabilidade do planejamento e a previsibilidade da execução (Kerzner, 2017). Dessa forma, a utilização de ferramentas que permitam essa convergência, como o ServiceNow, torna-se essencial para a criação de cronogramas realistas e um planejamento consistente. Este estudo teve como objetivo demonstrar a aplicação de uma abordagem híbrida no gerenciamento de um projeto de remediação ambiental, combinando práticas preditivas com métodos ágeis na gestão de cronogramas.
2. Material e Métodos
Este estudo adotou uma abordagem de pesquisa aplicada, com foco na geração de conhecimento prático para resolver problemas específicos no gerenciamento de cronogramas em projetos complexos. A natureza da pesquisa foi predominantemente qualitativa, embora com a possibilidade de futuras análises quantitativas, visando aprofundar a compreensão da aplicação de um método híbrido de gerenciamento de projetos em um ambiente real de remediação ambiental.
A abordagem metodológica empregou um estudo de caso único, caracterizado por um método misto e uma lógica explanatória sequencial. Nesta estrutura, a fase qualitativa foi utilizada para fundamentar o desenho de futuras medições quantitativas e para auxiliar na interpretação dos resultados obtidos (Yin, 2018; Creswell, 2014). A unidade de análise consistiu em um projeto de remediação térmica de solo e água subterrânea.
O projeto de remediação ambiental analisado refere-se a um sítio industrial em operação, localizado na região Sudeste do Brasil, que estava sujeito a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) vigente. Para preservar o anonimato do cliente e da localidade, o sítio foi designado como Sítio X no TCC original. O período de observação abrangeu a etapa de estruturação do projeto e os primeiros ciclos de execução ágil.
Para a gestão integrada do projeto, utilizou-se a plataforma ServiceNow, que combinou os módulos de Project Portfolio Management (PPM) e Agile Development. Essa escolha tecnológica visou centralizar todas as frentes de gestão de projetos, incluindo a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), o diagrama de Gantt, o backlog de épicos e histórias, o planejamento de Sprints, o quadro Kanban, artefatos de governança e o gerenciamento de recursos.
A modelagem do cronograma iniciou-se com a construção de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) composta por dez macroetapas. Estas incluíram gestão do projeto, investigação complementar, projeto executivo, licenças, procurement, obras e instalação, comissionamento, operação, desmobilização e verificação final. O cronograma foi detalhado no diagrama de Gantt, onde se definiram predecessoras, marcos regulatórios, a linha de base de prazo e o caminho crítico inicial, conforme as práticas do Project Management Institute (PMI, 2017).
Em consonância com a abordagem híbrida, as macroetapas da EAP foram decompostas em níveis operacionais por meio de épicos e histórias (user stories). Essa estruturação buscou tornar explícitas as entregas mínimas verificáveis de cada pacote de trabalho e estabelecer critérios de aceite (Definition of Done) alinhados a requisitos técnicos e regulatórios, permitindo inspeção e adaptação em ciclos curtos.
A estruturação ágil do projeto envolveu a criação de Agile Phases vinculadas às macroetapas críticas. Para cada fase, definiram-se épicos e histórias, incorporando gates de qualidade como QHSE, HAZOP e LOTO, além de controles de Management of Change. As estimativas de esforço foram discutidas por meio de planning poker, e as histórias foram priorizadas com base em valor, risco e dependências.
O planejamento das Sprints foi configurado em ciclos quinzenais, com capacidade explícita da equipe. O fluxo de trabalho foi visualizado em um quadro Kanban, que apresentava colunas como Draft, Ready, Work in Progress, Ready for Testing, Testing e Complete. Bloqueios e dependências foram registrados como impedimentos da Sprint e vinculados às tarefas do PPM.
A governança e a rastreabilidade foram asseguradas pelo cadastro de riscos e issues, com atribuição de probabilidade, impacto e planos de mitigação e contingência, associados às entregas correspondentes. As mudanças foram gerenciadas por meio de Management of Change (MoC), preservando o histórico de decisões e os vínculos com os requisitos regulatórios.
A gestão de recursos foi realizada por meio do módulo Resource Management Workspace, que permitiu a integração da alocação de equipes ao planejamento do cronograma. Utilizaram-se Resource Cards para visualizar as horas atribuídas por colaborador e por atividade, e o Resource Dashboard para analisar a capacidade consolidada, o esforço alocado e o percentual de utilização ao longo do tempo (KERZNER, 2017).
Essa abordagem possibilitou o nivelamento de recursos e a adequação do cronograma à disponibilidade operacional da equipe. A técnica de análise dos dados envolveu a coleta de métricas de prazo e de fluxo, como SPI (Schedule Performance Index), variação de prazo, Lead time, Throughput e WIP (Work in Progress), por macroetapa, épico e Sprint. Essas métricas foram utilizadas para assegurar a comparabilidade entre o plano e o realizado ao longo das iterações.
3. Resultados e Discussão
A aplicação de uma abordagem híbrida para o gerenciamento de cronogramas em um projeto de remediação ambiental de grande porte foi demonstrada por meio da plataforma ServiceNow, integrando módulos de Project Portfolio Management (PPM) e Agile Development. Os resultados obtidos evidenciaram a capacidade da plataforma em centralizar e otimizar o planejamento e a execução do projeto, superando as limitações de ferramentas tradicionais e a fragmentação de informações. A estruturação do modelo híbrido buscou alinhar a previsibilidade necessária para projetos complexos com a adaptabilidade exigida por ambientes de alta incerteza e regulamentação dinâmica, como os de remediação ambiental, conforme apontado pela literatura especializada em gerenciamento de projetos (PMI, 2017; Kerzner, 2017).
O foco principal da implementação foi demonstrar a funcionalidade do ServiceNow em três dimensões cruciais: a representação da Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e do cronograma em uma visão preditiva, a decomposição de entregas em épicos e histórias para uma visão ágil, e a integração da alocação de recursos com o fluxo Kanban para acompanhamento iterativo. A configuração inicial e o ciclo de trabalho em execução foram documentados, revelando como a plataforma suporta a complexidade inerente a projetos dessa natureza. Essa abordagem visa proporcionar maior rastreabilidade, consistência e confiabilidade dos dados, elementos essenciais para a gestão eficaz de cronogramas.
Project Workspace — planejamento integrado (WBS + Gantt)
A modelagem da Estrutura Analítica do Projeto (EAP), ou Work Breakdown Structure (WBS), foi realizada na visão Project Workspace do ServiceNow, espelhando o fluxo macro do projeto de remediação térmica. Essa estrutura compreendeu dez macroetapas encadeadas, que incluíram Gestão do Projeto, Investigação complementar, Projeto Executivo, Licenças e Interface regulatória, Procurement, Obras e Instalação, Comissionamento, Operação (Aquecimento mais Extração), Desmobilização e Recomposição, e Verificação e Relatório Final. Cada uma dessas etapas foi detalhada em pacotes de trabalho menores, com entregas específicas, critérios de aceite e dependências explícitas, adaptando-se ao ciclo de vida regulatório e construtivo do projeto.
A visão Gantt, integrada ao Project Workspace, permitiu a explicitação de durações, o estabelecimento de precedências lógicas entre as atividades, a definição de marcos regulatórios e a identificação do caminho crítico inicial do projeto. Essa funcionalidade é crucial para o planejamento preditivo, pois fornece uma linha de base clara para o prazo e o sequenciamento das atividades, conforme as melhores práticas do Project Management Institute (PMI, 2017). A capacidade de visualizar dependências lógicas, como Finish to Start (FS) e Start to Start (SS), em uma janela temporal multianual, permitiu um controle robusto sobre o encadeamento das tarefas e a identificação de potenciais gargalos.
As principais funcionalidades exploradas nessa etapa incluíram a decomposição hierárquica em pacotes de trabalho (EAP/WBS) e a associação a marcos, garantindo uma estrutura organizada e de fácil compreensão. Foram implementados gates de qualidade para itens com requisitos de QHSE (Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente), HAZOP (Hazard and Operability) e LOTO (Lockout/Tagout), assegurando a conformidade com padrões de segurança e operacionais. Adicionalmente, cada nó da WBS foi vinculado aos épicos correspondentes, estabelecendo uma rastreabilidade direta entre o planejamento preditivo e a execução ágil, um pilar fundamental da abordagem híbrida.
As etapas da EAP foram detalhadas com suas respectivas dependências para a execução do projeto. Por exemplo, a etapa de Gestão do Projeto incluiu o Kick-off e plano de comunicação, QHSE/HAZOP/LOTO (com dependência Finish 1.1 to Start 1.2), Gestão de mudanças e riscos (Start 1.1 to Start 1.3), e Relatórios e reuniões (Start 1.1 to Start 1.3). A Investigação complementar, por sua vez, envolveu Poços adicionais/logs térmicos (Finish 1.2 to Start 2.1) e Ensaios de propriedades térmicas (Finish 2.1 to Start 2.2), demonstrando a granularidade do planejamento.
O Projeto Executivo abrangeu o Layout de aquecedores/poços de extração (Finish 2.2 to Start 3.1), Elétrica e painéis (Finish 3.1 to Start 3.2), Instrumentação e automação (SCADA) (Finish 3.2 to Start 3.3) e o Plano de demanda/energia (Finish 3.2 to Start 3.4). As Licenças e Interface regulatória foram planejadas com dependência Finish 1.1 to Start 4.0. A fase de Procurement incluiu Aquecedores/transformadores/cabos (Finish 3.0 to Start 5.1), SVE/condensação/mídias GAC (Finish 3.0 to Start 5.2) e Contratações EPC/Perfuração (Finish 3.0 to Start 5.3), evidenciando a complexidade das aquisições.
As Obras e Instalação foram detalhadas em Perfurações e instalação (Finish 5.0 to Start 6.1), Montagem eletromecânica (Finish 6.1 to Start 6.2) e Testes de integridade/isolação (Finish 6.2 to Start 6.3). O Comissionamento compreendeu as fases A frio (Finish 6.0 to Start 7.1) e A quente (rampa) (Finish 7.1 to Start 7.2). A Operação (Aquecimento + Extração) incluiu Operação diária e rondas (Finish 7.0 to Start 8.1), Manutenções preventivas/corretivas (Finish 7.0 to Start 8.2), Monitoramento (T, VOC, energia) (Finish 7.0 to Start 8.3) e Gestão de efluentes/air-stripper/GAC (Finish 7.0 to Start 8.4).
Finalmente, as etapas de Desmobilização e Recomposição (Finish 8.0 to Start 9.0) e Verificação e Relatório Final (Finish 9.0 to Start 10) completaram a estrutura do projeto. Essa formalização do escopo macro e do cronograma base serviu como linha de referência para futuras análises de variação em iterações, permitindo um controle rigoroso sobre o progresso do projeto. A capacidade de detalhar e vincular todas essas etapas e suas dependências no ServiceNow demonstrou a robustez da plataforma para o planejamento preditivo de projetos complexos.
Agile Board — Detalhamento das atividades em Épicos e histórias
Apesar da modelagem preditiva fornecer uma estrutura robusta, a natureza dinâmica e incerta dos projetos de remediação ambiental exige flexibilidade. A literatura indica que abordagens puramente preditivas podem ser insuficientes em contextos de alta variabilidade técnica e regulatória (PMI, 2017; Kerzner, 2022). Para lidar com essa complexidade, o módulo Agile Development do ServiceNow foi empregado para detalhar as atividades em épicos e histórias, combinando controle e adaptabilidade. Essa integração permitiu a decomposição de cada atividade em unidades menores, priorizadas pela capacidade da equipe e monitoradas continuamente.
No módulo Agile Development, as tarefas foram desmembradas em uma hierarquia que incluía Agile Phases, Épicos e Histórias. Por exemplo, a Agile Phase “Gestão do Projeto” foi desdobrada em épicos como “Kick-off e plano de comunicação”, “QHSE, HAZOP/LOTO”, “Gestão de mudanças e riscos” e “Relatórios e reuniões”. Cada épico, por sua vez, foi composto por histórias, que representam entregas com escopo reduzido e critérios de aceite objetivos. Para o épico “Kick-off e plano de comunicação”, as histórias incluíram “Varredura de mercado e pré-qualificação de fornecedores”, “Pacote de RFI/RFP e matriz de conformidade técnica”, “Comparativo técnico-econômico e recomendação”, “Apresentação stakeholders: prós/contrapontos da remediação” e “Kick-off interno e externo + RACI + calendário de comunicação”.
A priorização das histórias foi baseada em valor, risco e dependências, e elas foram alocadas em Sprints com capacidade explícita do time. As sprints foram definidas com duração de duas semanas e uma pontuação máxima de 20 story points, que medem a complexidade das histórias. Essa abordagem permitiu um monitoramento contínuo do fluxo de trabalho, controle do Work in Progress (WIP) e diagnóstico de gargalos, facilitando a adaptação a desvios e incertezas. A interface da Agile Board, especificamente na etapa de Backlog Planning, demonstrou a organização das histórias e sua pontuação, com as duas primeiras Sprints já definidas.
A gestão das sprints foi realizada por meio de um quadro Kanban na interface Sprint Tracking. Nesse quadro, as histórias foram organizadas em colunas que representavam seu progresso: Draft, Ready, Work in Progress, Ready for Testing, Testing, Completed e Cancelled. Essa visualização integrada facilitou a gestão do fluxo de trabalho, promovendo transparência e colaboração entre todos os colaboradores envolvidos, que tinham ciência do andamento das atividades e das responsabilidades de execução. A incorporação de gates de qualidade, como QHSE, HAZOP e LOTO, nos critérios de Definition of Ready e Definition of Done, garantiu a conformidade regulatória e técnica em cada ciclo iterativo.
A integração de governança, incluindo riscos e mudanças (MoC), foi referenciada ao nível da história/épico, com os gates de qualidade incorporados aos critérios de Definition of Ready (DoR) e Definition of Done (DoD). Além disso, o vínculo com os marcos do Gantt assegurou a coerência temporal entre o detalhamento ágil e o caminho crítico do projeto. Essa decomposição e operacionalização não alteraram a lógica do fluxo macro do projeto, mas permitiram a coleta de métricas de prazo e de fluxo, como SPI (Schedule Performance Index), Lead time, Throughput e WIP, por macroetapa, épico e sprint, garantindo a comparabilidade entre o planejado e o realizado ao longo das iterações futuras.
Resource Management Workspace — Designação de colaboradores por etapas
A interdependência entre a gestão de recursos e a gestão de cronogramas é um pilar fundamental para o sucesso de projetos, pois a disponibilidade e alocação de recursos impactam diretamente a duração e o sequenciamento das atividades (PMI, 2017). Falhas nessa gestão podem resultar em atrasos e retrabalhos, indicando a necessidade de vincular esses dois domínios para aumentar a confiabilidade do planejamento e a previsibilidade da execução (Kerzner, 2017). No presente estudo, a plataforma ServiceNow facilitou essa convergência por meio da integração entre o Project Workspace e o Resource Management Workspace.
Essa integração permitiu a criação de cronogramas mais realistas, baseados na disponibilidade real de recursos, o que resultou em um planejamento mais consistente e uma melhor tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projeto. A funcionalidade Resource Cards, dentro do Resource Management Workspace, possibilitou o acompanhamento das horas designadas para cada colaborador em todas as etapas do projeto. Essa visualização dinâmica permitiu consolidar e filtrar as alocações de horas atribuídas a diferentes colaboradores, facilitando a análise estruturada da distribuição da carga de trabalho ao longo do tempo.
A utilização dessa funcionalidade permitiu identificar a relação entre as atividades previstas no cronograma e a real capacidade operacional da equipe, evidenciando períodos de maior demanda e possíveis sobrecargas ou ociosidades. Essa visualização é particularmente relevante em projetos complexos e multidisciplinares, possibilitando a atuação simultânea em diversas tarefas que exigem um controle rigoroso de alocação de recursos, visando evitar impactos negativos no prazo e na execução das atividades. A interface do Resource Management Workspace detalhou as horas atribuídas a cada etapa por colaborador, mostrando a distribuição do esforço ao longo dos meses e a alocação de recursos por função.
A interface do Resource Dashboard, também parte do Resource Management Workspace, consolidou informações de alocação, capacidade e esforço ao longo do tempo, oferecendo uma leitura integrada do desempenho dos recursos. Indicadores como o “Total effort”, que compara a capacidade disponível com as horas alocadas, a “Role allocation”, que distribui a carga por função, e a “Utilization percentage”, que fornece uma visão quantitativa da aderência entre planejamento e execução, foram cruciais. Por exemplo, a utilização percentual foi observada em 40,32%, indicando a relação entre a capacidade total e o esforço alocado.
Esses elementos permitiram identificar desequilíbrios entre a oferta e a demanda de recursos, abrindo margem para antecipar riscos de sobrecarga e subsidiar decisões relacionadas ao nivelamento de equipes e à priorização de atividades. A visualização de dados de alocações de recursos contribuiu para a tomada de decisão no gerenciamento do projeto, permitindo ajustes na alocação de equipes, facilitando a redistribuição de atividades e o replanejamento de etapas de acordo com a disponibilidade de recursos. A ferramenta promoveu uma maior eficiência na execução do projeto, reforçando a integração entre a gestão de recursos e a gestão de cronograma, o que é vital para a previsibilidade em projetos de remediação ambiental.
Em síntese, os resultados demonstraram que a utilização da plataforma ServiceNow como ambiente integrado para o gerenciamento de projetos de remediação ambiental contribuiu significativamente para a melhoria da gestão de cronogramas. A centralização das informações em um único ecossistema eliminou a necessidade de integrações manuais entre diferentes módulos de controle, promovendo maior consistência, rastreabilidade e confiabilidade dos dados. A funcionalidade de vincular a Estrutura Analítica do Projeto às tarefas operacionais, com registros de riscos, gestão de mudanças e alocação de recursos, proporcionou uma visão sistêmica do projeto, reduzindo a fragmentação da informação e facilitando a tomada de decisão. A incorporação de práticas ágeis, por meio do módulo Agile Development, trouxe flexibilidade às atividades, permitindo lidar com alterações de planejamento de forma eficiente e desdobrar o cronograma em ciclos iterativos, possibilitando ajustes contínuos diante de desvios e incertezas, alinhando-se às recomendações do PMI (2017) sobre a combinação de métodos preditivos e adaptativos. A integração entre gestão de cronograma e gestão de recursos, com análise de capacidade e esforço alocado, permitiu alinhar o projeto às condições reais da equipe, reduzindo riscos de sobrecargas e atrasos, o que responde diretamente ao objetivo de demonstrar a aplicação de uma abordagem híbrida no gerenciamento de um projeto de remediação ambiental.
4. Conclusão
Este estudo objetivou demonstrar a aplicação de uma abordagem híbrida no gerenciamento de cronogramas em um projeto de remediação ambiental, combinando práticas preditivas com métodos ágeis. Verificou-se que a utilização da plataforma ServiceNow, por meio da integração dos módulos Project Portfolio Management e Agile Development, possibilitou a centralização e otimização do planejamento e da execução. Observou-se que a Estrutura Analítica do Projeto e o cronograma preditivo foram eficazmente representados, enquanto a decomposição das entregas em épicos e histórias, organizadas em ciclos iterativos, conferiu a adaptabilidade necessária. Adicionalmente, identificou-se que a integração da gestão de recursos, via Resource Management Workspace, permitiu um alinhamento preciso entre a capacidade operacional e o planejamento do cronograma, resultando em maior rastreabilidade das informações e melhoria na alocação de recursos.
A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração de que a adoção de abordagens híbridas, suportadas por ferramentas corporativas integradas, representa uma alternativa eficaz para o gerenciamento de projetos complexos, especialmente em contextos de elevada incerteza como a remediação ambiental. A funcionalidade de vincular a Estrutura Analítica do Projeto às tarefas operacionais, com registros de riscos, gestão de mudanças e alocação de recursos, proporcionou uma visão sistêmica do projeto, reduzindo a fragmentação da informação e facilitando a tomada de decisão. Essa integração não se limitou à digitalização do cronograma, mas promoveu maior governança, transparência e capacidade de adaptação, elementos essenciais para o sucesso de empreendimentos de grande porte.
Referências Bibliográficas
ANDERSON, David J. Kanban: Successful Evolutionary Change for Your Technology Business. Redmond: Blue Hole Press, 2010.
KERZNER, Harold. Project Management: A Systems Approach to Planning, Scheduling, and Controlling. 12. ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2017.
PINTO, Jeffrey K.; SLEVIN, Dennis P. Critical success factors in effective project implementation. IEEE Transactions on Engineering Management, v. 34, n. 1, p. 22–27, 1987.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Guia de Prática Ágil. Newtown Square: Project Management Institute, 2017.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. The Standard for Project Management. 7. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2021.
SCHWABER, Ken; SUTHERLAND, Jeff. The Scrum Guide: The Definitive Guide to Scrum. 2020. Disponível em: https://Scrumguides.org. Acesso em: 20 jan. 2026.
UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. Thermal Treatment Technologies for Soil and Groundwater. Washington, DC: U.S. EPA, 2015.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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