Artigo

03 de agosto de 2026

Gestão de cronogramas como instrumento em projetos institucionais

Henrique Franzon Cruz Pedro; Lucas Pessanha Mousinho

DOI: 10.22167/2675-6528-202600891

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão de cronogramas demonstrou ser um fator crítico de sucesso em projetos institucionais, especialmente em contextos de alta complexidade e dinamismo. O estudo objetivou analisar a importância da aplicação de cronogramas e planejamento estruturado em um projeto institucional de atualização cadastral, visando evidenciar sua contribuição para a organização do trabalho, o controle da execução e o alinhamento das atividades. Realizou-se uma pesquisa aplicada, exploratória e descritiva, por meio de um estudo de caso em uma instituição do terceiro setor. A metodologia compreendeu o diagnóstico do cenário inicial, a elaboração de um novo modelo de condução do projeto com fases operacionais (“ondas”), e a utilização de um sistema ERP institucional e relatórios em Excel para coleta e análise de dados quantitativos e qualitativos. A análise comparou o desempenho antes e após a implementação do cronograma estruturado. Os resultados evidenciaram que a gestão estruturada de cronogramas contribuiu significativamente para a melhoria do desempenho do projeto, que passou de 3% para 97,29% de evolução cadastral. Ampliou-se a previsibilidade das entregas, favoreceu-se a comunicação e o engajamento entre os envolvidos, e permitiu-se a identificação de riscos e ajustes operacionais. Concluiu-se que o cronograma, quando utilizado como ferramenta ativa de gestão e governança, e não apenas de controle, foi essencial para a organização do trabalho, o controle da execução e o alinhamento do planejado com o realizado, promovendo maior cooperação e capacidade de resposta em projetos institucionais complexos. A análise, contudo, baseou-se em um único estudo de caso, limitando a generalização dos resultados.

Palavras-chave: Atualização cadastral; Comunicação; Eficiência organizacional; Partes interessadas; Planejamento.

1. Introdução

A gestão de projetos tem se consolidado como um pilar fundamental para o sucesso e a sustentabilidade de organizações em um cenário global de crescente complexidade e dinamismo. A capacidade de planejar, executar e controlar iniciativas estratégicas é decisiva para alcançar objetivos e manter a competitividade (Kerzner, 2017; Project Management Institute [PMI], 2021). Nesse contexto, o gerenciamento eficaz do tempo, e em particular a gestão de cronogramas, emerge como elemento crucial. Estudos recentes indicam que a precisão no planejamento temporal influencia diretamente a coordenação de atividades, a alocação de recursos e a previsibilidade das entregas, sendo um diferencial para o desempenho de projetos (Azevedo e Gonçalves Filho, 2023). A ausência de planejamento estruturado e de mecanismos de controle temporal pode resultar em atrasos significativos, desperdício de recursos e falha na consecução dos resultados. Em ambientes institucionais, onde a complexidade das interações e a multiplicidade de partes interessadas são inerentes, a relevância de um cronograma bem gerenciado é ainda mais pronunciada, atuando como guia para a execução e instrumento para a tomada de decisões estratégicas.

O gerenciamento do cronograma, conforme delineado pelas melhores práticas, abrange processos como a definição de atividades, seu sequenciamento lógico, a estimativa de durações, o desenvolvimento e o controle do cronograma (Project Management Institute [PMI], 2021). Essa abordagem sistemática não apenas visa ao cumprimento de prazos e metas, mas também proporciona visualização abrangente do trabalho, promovendo o alinhamento entre partes interessadas e conferindo maior visibilidade às interdependências entre equipes e fases do projeto (Azevedo e Gonçalves Filho, 2023). Contudo, a efetividade da gestão de projetos não reside apenas na formalização de planos, mas também na capacidade de adaptar métodos de gestão ao contexto organizacional e à cultura local (Carvalho e Rabechini, 2011). A literatura aponta que não existe abordagem universalmente aplicável, sendo imperativo considerar fatores como estrutura institucional, comunicação entre os envolvidos e a capacidade de tratar exceções e desvios (Herzog et al., 2024; Guimarães et al., 2025). A falta de um cronograma realista e de acompanhamento contínuo tende a comprometer o projeto, dificultando o cumprimento de prazos, a avaliação do progresso e a implementação de ajustes necessários (Kerzner, 2017; Bergamo e Catai, 2023; Narita et al., 2021).

No Brasil, diversas instituições, especialmente as do terceiro setor, enfrentam desafios na modernização de processos e otimização da comunicação interna, reflexo do ambiente digital em constante evolução. Um exemplo notório foi observado em uma instituição do terceiro setor em São Paulo, SP, que buscava aprimorar seus fluxos de comunicação ministerial. Apesar da adoção de ferramentas digitais, como reuniões on-line e conteúdos em intranet institucional, a adesão do público-alvo permaneceu insatisfatória. Dados empíricos revelaram participação de apenas quatro por cento nas reuniões on-line (aproximadamente um mil e oitocentos conectados) e média de um vírgula seis por cento de acesso aos documentos (cerca de setecentos e vinte acessos). A análise indicou que a principal causa dessa baixa adesão estava ligada à desatualização de sua base cadastral, que compreendia quarenta e cinco mil setecentos e noventa e nove registros. Essa base, composta por cinco mil e sessenta e dois anciães, seis mil novecentos e quatorze diáconos, vinte e dois mil e quarenta cooperadores do ofício ministerial e onze mil setecentos e oitenta e três cooperadores de jovens e menores, apresentava informações insuficientes para suportar comunicação digital ampla, segura e eficiente. Diante dessa lacuna, um projeto de atualização cadastral foi instituído em novembro de 2024. Contudo, até agosto de 2025, o projeto alcançou evolução de apenas três por cento, demonstrando capacidade de resposta aquém das necessidades institucionais e evidenciando a urgência de uma abordagem mais estruturada.

A ineficácia inicial desse projeto de atualização cadastral, apesar de sua relevância estratégica, ressalta a necessidade de investigar o papel da gestão de cronogramas e do planejamento estruturado em contextos institucionais complexos. A lacuna entre o objetivo de modernização e o desempenho real do projeto, com uma evolução cadastral mínima, justifica a importância de um estudo que elucide como a aplicação de práticas de gestão de tempo pode transformar resultados. Diante desse cenário, o presente trabalho objetiva analisar a importância da aplicação de cronogramas e de um planejamento estruturado em um projeto institucional de atualização cadastral, de modo a evidenciar sua contribuição para a organização do trabalho, o controle da execução das atividades e o alinhamento entre o que foi planejado e o que foi efetivamente realizado (Carvalho e Rabechini, 2011).

2. Material e Métodos

Este estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de natureza exploratória e descritiva, com abordagem predominantemente qualitativa e apoio de dados quantitativos. O delineamento metodológico adotado foi o estudo de caso, realizado em um contexto institucional real. Essa escolha justificou-se pela necessidade de compreender, de forma prática e aprofundada, a aplicação de técnicas de gestão de cronograma em um projeto específico de atualização cadastral, conduzido em uma organização do terceiro setor (Baxter e Jack, 2008; Rashid et al., 2019).

A pesquisa foi classificada como aplicada por não se limitar à descrição de um problema, mas por envolver a formulação, implementação e acompanhamento de uma intervenção com potencial de melhoria concreta no desempenho do projeto. O caráter exploratório decorreu da necessidade de identificar as fragilidades do cenário inicial, compreender os fatores que dificultavam o avanço das atividades e reunir elementos para a reorganização metodológica. O aspecto descritivo manifestou-se no registro, organização e comparação dos resultados observados antes e após a intervenção.

A abordagem qualitativa foi predominante, buscando interpretar, à luz do contexto institucional, os efeitos da reorganização do cronograma sobre a execução do projeto, a articulação entre os responsáveis locais e o acompanhamento gerencial das entregas. Contudo, houve apoio de dados quantitativos, especialmente na construção e interpretação de indicadores de evolução cadastral, médias e medianas por estado, categoria e período. A combinação dessas abordagens permitiu compreender não apenas as mudanças, mas também como elas se refletiram no desempenho operacional do projeto (Greenhalgh, 2025).

A pesquisa foi desenvolvida em uma instituição do terceiro setor, localizada em São Paulo, SP. O estudo concentrou-se em um projeto institucional de atualização cadastral do presbitério, criado em novembro de 2024, com o objetivo de apoiar o processo de transformação digital da comunicação interna ministerial. A previsão inicial de conclusão era dezembro de 2025. Contudo, até agosto de 2025, o projeto havia alcançado apenas três por cento de evolução, evidenciando a urgência de uma abordagem mais estruturada.

A unidade de análise deste estudo foi o próprio projeto de atualização cadastral, com foco na sua reorganização a partir da aplicação de práticas estruturadas de gestão de cronograma. O foco metodológico não recaiu apenas sobre o cadastro em si, mas sobre a forma como o projeto foi conduzido, como o trabalho foi organizado, como as entregas foram acompanhadas e quais efeitos essa reestruturação produziu. A população de registros a ser atualizada compreendia quarenta e cinco mil setecentos e noventa e nove cadastros, distribuídos em categorias como anciães, diáconos, cooperadores do ofício ministerial e cooperadores de jovens e menores.

A condução do estudo ocorreu em etapas sequenciais, iniciando-se com um diagnóstico do cenário anterior à intervenção. Essa fase baseou-se na análise de documentos institucionais, relatórios operacionais e registros históricos do projeto, com a finalidade de identificar as principais fragilidades relacionadas à gestão do cronograma e à organização do trabalho. Entre os problemas observados, destacaram-se a ausência de planejamento estruturado, a inexistência de marcos intermediários de acompanhamento e a baixa previsibilidade das entregas.

A execução e o acompanhamento do projeto foram apoiados por uma solução tecnológica integrada ao sistema ERP institucional da organização. Nesse ambiente, foram desenvolvidas rotinas específicas para operacionalizar o processo de atualização cadastral, com funcionalidades disponibilizadas no módulo de Secretaria e acesso concedido aos responsáveis pelas localidades. Essa estratégia permitiu que os dados fossem inseridos diretamente no ambiente corporativo, favorecendo maior controle, rastreabilidade, padronização e segurança das informações registradas.

A escolha do ERP como ferramenta central justificou-se pela familiaridade prévia dos usuários com o sistema, pela necessidade de reduzir o uso de instrumentos paralelos e pela integração direta com os processos institucionais de comunicação. Além do ERP, utilizaram-se relatórios gerenciais exportados para o Microsoft Excel, ferramenta empregada na organização, tratamento, padronização e consolidação dos dados. Por meio de tabelas dinâmicas e agrupamentos, foi possível estruturar visões analíticas por estado, região e categoria ministerial.

Na etapa seguinte, elaborou-se um novo modelo de condução do projeto, fundamentado em práticas de gestão de projetos com ênfase na gestão do cronograma. Esse modelo definiu e organizou as atividades, estabeleceu uma lógica de sequenciamento, criou prazos e marcos temporais e implementou mecanismos de monitoramento contínuo. A principal mudança metodológica consistiu na estruturação do projeto em fases operacionais denominadas “ondas”, organizadas de acordo com critérios de priorização institucional e viabilidade de execução.

A primeira onda concentrou-se nas categorias de anciães e diáconos, consideradas prioritárias para a instituição. A segunda onda contemplou as demais categorias cadastrais, como cooperadores do ofício ministerial e cooperadores de jovens e menores. Previu-se, ainda, a possibilidade de uma terceira onda de contingência para tratamento de casos excepcionais ou remanescentes. Como parte da intervenção, foram instituídas reuniões periódicas com os responsáveis locais, treinamentos sobre o sistema e monitoramento recorrente dos indicadores de avanço.

A análise dos dados foi realizada com base em indicadores construídos a partir dos registros extraídos do sistema ERP institucional. O principal indicador utilizado para acompanhamento do projeto foi o percentual de evolução cadastral, calculado a partir da relação entre o número de cadastros realizados e o total de cadastros existentes em cada unidade analisada. Esse indicador foi adotado por permitir comparações entre estados, categorias ministeriais e períodos distintos, independentemente do volume absoluto de registros em cada grupo.

Como medidas complementares, utilizaram-se a média e a mediana dos percentuais de evolução entre os estados. A média forneceu uma visão agregada do desempenho nacional, enquanto a mediana foi utilizada para observar o comportamento central dos resultados e reduzir a influência de valores extremos. A análise foi estruturada de forma comparativa entre o período anterior à reorganização metodológica e o período posterior à implementação do cronograma estruturado, avaliando mudanças no ritmo de execução e na capacidade de monitoramento.

Paralelamente, foram consideradas evidências qualitativas observadas durante a execução, como dificuldades relatadas pelas localidades, barreiras associadas às regras de negócio do sistema, limitações de infraestrutura local e diferentes níveis de engajamento entre as regiões. Essas evidências foram relevantes para interpretar os resultados quantitativos de forma contextualizada e coerente com a realidade institucional. Os resultados obtidos foram interpretados à luz da literatura sobre gestão de projetos, especialmente no que se referiu ao papel do cronograma como instrumento de planejamento e controle.

Um dos pontos mais relevantes do projeto foi a adoção de diretrizes relacionadas à segurança da informação, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei nº 13.709/2018. Antes do início, comunicou-se aos presbíteros o objetivo da coleta de dados e a importância da atualização cadastral, fundamentando o tratamento no legítimo interesse. Os dados coletados foram armazenados em sistema criptografado e utilizados exclusivamente para fins de comunicação religiosa, sem compartilhamento ou divulgação a terceiros, e incluídos no código de ética do presbítero.

Entretanto, o estudo apresentou limitações importantes. A análise baseou-se em um único caso e em dados institucionais específicos, o que restringiu a generalização dos resultados para outros contextos. Além disso, a ausência de indicadores quantitativos mais detalhados limitou a precisão da avaliação dos ganhos obtidos. Ainda assim, os resultados indicaram que a adoção de práticas estruturadas de gestão de cronograma contribuiu significativamente para a melhoria do desempenho do projeto institucional analisado.

3. Resultados e Discussão

A seção de Resultados e Discussão tem como objetivo apresentar e interpretar os achados empíricos do estudo de caso, confrontando-os com a literatura especializada em gestão de projetos, com especial ênfase na gestão de cronogramas. A análise foi estruturada para evidenciar a transformação do projeto de atualização cadastral em uma instituição do terceiro setor, desde um cenário inicial de baixa performance até a implementação de um modelo de gestão estruturado. Os resultados obtidos não apenas quantificaram o avanço das atividades, mas também revelaram mudanças qualitativas significativas na dinâmica operacional, na comunicação entre as partes interessadas e na capacidade de resposta gerencial.

No período compreendido entre novembro de 2024 e agosto de 2025, antes da intervenção metodológica, o projeto de atualização cadastral registrou um desempenho extremamente limitado, alcançando apenas 3% de evolução. Esse percentual representou um total de 244 registros atualizados, distribuídos entre as categorias de anciães (83), diáconos (53), cooperadores do ofício ministerial (82) e cooperadores de jovens e menores (27). Tal cenário de estagnação, que se estendeu por quase um ano, demonstrou uma incapacidade crítica de resposta às necessidades institucionais de modernização da base cadastral. A mera existência formal do projeto, sem o suporte de mecanismos consistentes de planejamento, priorização e acompanhamento, revelou-se insuficiente para impulsionar o avanço das atividades.

Essa baixa evolução inicial corrobora amplamente a literatura que enfatiza a importância de um planejamento estruturado e de um cronograma bem definido para o sucesso de projetos. Kerzner (2017) e o Project Management Institute (PMI, 2021) destacam que a ausência de um plano de tempo claro e de marcos intermediários de acompanhamento invariavelmente leva a dificuldades de coordenação, baixa previsibilidade e atrasos. No caso em questão, a falta de visibilidade sobre as pendências e a limitada capacidade de controle gerencial transformaram o projeto em um esforço disperso, sem direção clara, o que impediu a mobilização efetiva dos recursos e o engajamento dos responsáveis locais. A experiência inicial do projeto, portanto, serviu como um exemplo prático das consequências negativas de uma gestão de projetos reativa e desestruturada, onde a boa intenção institucional não se traduziu em resultados concretos.

Do ponto de vista gerencial, a principal limitação observada não residia na inviabilidade operacional da atividade de atualização cadastral em si, mas na ausência de uma lógica estruturada de gestão. A tarefa de coletar e atualizar dados, embora demandasse esforço, não apresentava complexidade técnica intransponível. O verdadeiro entrave era a falta de um roteiro claro que definisse o que deveria ser feito, por quem, em que prazo e como o progresso seria monitorado. Em projetos de maior complexidade organizacional, como este, que envolvia uma vasta população de registros e múltiplos atores em diferentes localidades, a simples existência de um objetivo institucional não é suficiente para garantir um avanço consistente. Estudos aplicados sobre gerenciamento do tempo e fatores críticos de sucesso em projetos, como os de Souza Júnior (2013), reiteram que o planejamento, a definição de prioridades, a visibilidade das entregas e o acompanhamento contínuo são elementos cruciais que influenciam diretamente a capacidade de execução das equipes. Sem esses pilares, o esforço coletivo tende à dispersão, e o desempenho do projeto torna-se inerentemente limitado, tal como observado no cenário pré-intervenção.

Com o início da reorganização do projeto em setembro de 2025, a implementação de um cronograma formalmente estruturado e a divisão das atividades em “ondas” operacionais produziram efeitos imediatos e notáveis. A primeira onda, focada nas categorias de anciães e diáconos, consideradas prioritárias, demonstrou um avanço médio de 74% já no primeiro mês, com 8.806 registros realizados. Em outubro de 2025, essas duas categorias alcançaram impressionantes 99% de atualização, totalizando 11.735 cadastros concluídos e restando apenas 105 pendências. Essa alteração foi expressiva e representou uma mudança radical em comparação com o histórico anterior do projeto, evidenciando a eficácia da introdução de priorização, faseamento das entregas e acompanhamento sistemático das atividades.

Tabela 1. Cadastros realizados na primeira onda

Categoria

Cad. Total

Cad. Inicial

Cad. Faltantes

Cad. Set-25

% Set-25

Cad. Out-25

% Out-25

Cad. Pendentes

Anciães

5.062

83

4.979

3.386

67%

1.545

31%

48

Diáconos

6.914

53

6.861

5.421

78%

1.383

20%

57

Total:

11.976

136

11.840

8.807

73%

2.928

25%

105

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Conforme apresentado na Tabela 1, a categoria de anciães, que possuía 5.062 cadastros totais, dos quais 83 eram iniciais e 4.979 faltantes, viu 3.386 cadastros serem realizados em setembro de 2025 (67% do total faltante) e mais 1.545 em outubro (31%), resultando em apenas 48 pendências. De forma similar, a categoria de diáconos, com 6.914 cadastros totais, 53 iniciais e 6.861 faltantes, registrou 5.421 cadastros em setembro (78%) e 1.383 em outubro (20%), restando 57 pendências. O total de 11.976 cadastros para ambas as categorias, com 136 iniciais e 11.840 faltantes, teve 8.807 (73%) concluídos em setembro e 2.928 (25%) em outubro, deixando apenas 105 pendências. Esses números demonstram que a adoção de um cronograma estruturado, associada à definição de prioridades e à criação de fases e marcos temporais, favoreceu uma maior ordenação do trabalho, um melhor direcionamento dos esforços locais e uma significativa redução da dispersão operacional que caracterizava o cenário anterior. A literatura de gestão de projetos, como a de Guimarães (2025), reconhece o cronograma como um instrumento fundamental para organizar a execução, acompanhar o progresso e sustentar o controle do trabalho, achados que foram plenamente corroborados por esta fase do projeto.

Um aspecto crucial da primeira onda foi a identificação e o tratamento de limitações do sistema e do processo cadastral. Quatro pontos principais foram levantados: a necessidade de ajustes no sistema interno, a solicitação de uma funcionalidade para salvar rascunhos de solicitações de atualização, a permissão para anexar fotos já existentes (em vez de exigir fotos tiradas no momento do cadastro) e a inclusão do nome do pai e da mãe para a tratativa de homônimos. Essas dificuldades, embora inicialmente pudessem ser vistas como entraves, foram transformadas em oportunidades de melhoria contínua. A existência de um acompanhamento mais próximo e a escuta ativa dos responsáveis pelas atualizações locais foram instrumentais para essa transformação. Em vez de comprometer o andamento do projeto, essas barreiras operacionais e regras de negócio do sistema foram canalizadas para ajustes metodológicos e tecnológicos.

Essa dinâmica de adaptação e melhoria contínua está em consonância com estudos sobre implantação e uso de sistemas ERP, como o de Oliveira (2012), que apontam que os resultados tendem a ser mais consistentes quando a tecnologia é acompanhada de adaptação de processo, interação com os usuários e revisão das regras operacionais. A capacidade de flexibilizar o cronograma e o processo, incorporando o feedback dos usuários e ajustando as ferramentas, foi um fator determinante para o sucesso da primeira onda. O acompanhamento semanal com as regiões, por exemplo, não apenas possibilitou o encaminhamento ágil dos problemas identificados, mas também demonstrou, na prática, que as contribuições das localidades eram valorizadas e consideradas no aperfeiçoamento do processo. Esse movimento fortaleceu a adesão ao trabalho e consolidou uma dinâmica de acompanhamento e resposta fundamental para as etapas subsequentes, transformando o cronograma de um mero registro temporal em um instrumento ativo de gestão e coordenação entre gestão e execução local.

A segunda onda de atualizações, iniciada em novembro de 2025, apresentou um conjunto de desafios mais complexos. Além de finalizar as 105 pendências remanescentes da primeira onda, o escopo operacional foi ampliado para categorias numericamente mais expressivas, como cooperadores do ofício ministerial (COM) e cooperadores de jovens e menores (CJM), totalizando 33.714 novos cadastros a serem processados. Essa fase exigiu uma capacidade de gestão ainda maior, pois combinava a necessidade de manter o ritmo de atualização com a complexidade de tratar situações excepcionais que o desenho inicial do processo não havia absorvido adequadamente.

Um ponto de destaque na segunda onda foi a ausência de evolução nos cadastros pendentes de anciães e diáconos em novembro. O acompanhamento semanal revelou que esses casos não se deviam à inércia operacional, mas sim a situações específicas, como presbíteros enfermos, cujos dados não puderam ser obtidos nas condições inicialmente previstas. Diante dessa realidade, foi criada no sistema a opção de indicar que o presbítero “não estava atuando”, sem romper seu vínculo ministerial. Esse ajuste foi particularmente relevante, pois demonstrou que parte das pendências não era falha de execução, mas incompatibilidade entre o modelo inicial e a realidade local. Gerencialmente, esse movimento representou um avanço na maturidade do projeto, transformando o cronograma de um instrumento de cobrança temporal para uma ferramenta de interpretação da realidade do projeto, permitindo distinguir situações executáveis de outras que exigiam flexibilização do processo. A literatura de gestão de projetos reforça que o desempenho não depende apenas do planejamento formal, mas da capacidade de ajustar práticas, responsabilidades e fluxos de trabalho às condições concretas de execução (PMI, 2021; Carvalho e Rabechini, 2011).

Com relação às categorias de COM e CJM, houve um avanço de 12.059 cadastros em novembro, correspondendo a um progresso médio de 34%. Em dezembro de 2025, apesar do ritmo mais lento esperado devido ao período festivo, novas ações foram implementadas, incluindo a ampliação do uso do status “não atuante”, resultando em 76 cadastros classificados dessa forma entre anciães e diáconos. Ao final de 2025, o projeto alcançou 38.225 cadastros realizados, correspondendo a 83,46% do total previsto.

Tabela 2. Cadastros realizados no projeto com percentual de conclusão

Categoria

Total Existentes

Cad. Inicial

Cad. Set-25

Cad. Out-25

Cad. Nov-25

Cad. Dez-25

Cad. Jan-26

Cad. Fev-26

Cad. Total

% Cad. Realizados

Cad. Pendentes

Anciães

5.062

83

3.386

1.545

0

34

2

5

5.055

99,86%

7

Diáconos

6.914

53

5.421

1.383

0

42

6

2

6.907

99,90%

7

Coop.Ofício Minist.

22.040

82

0

0

9.003

10.533

1.789

614

22.021

99,91%

19

Coop. Jovens e Menores

11.783

27

0

0

3.057

3.576

1.176

2.741

10.577

89,76%

1.206

Total:

45.799

245

8.807

2.928

12.060

14.185

2.973

3.362

44.560

97,29%

1.239

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Tabela 2, que consolida os cadastros realizados até fevereiro de 2026, oferece uma visão abrangente do sucesso da segunda onda. Para os anciães, o total de 5.062 cadastros resultou em 5.055 realizados (99,86%), com apenas 7 pendências. Os diáconos, de 6.914, tiveram 6.907 concluídos (99,90%), também com 7 pendências. Os cooperadores do ofício ministerial, com 22.040 cadastros, finalizaram 22.021 (99,91%), restando 19 pendências. A categoria de cooperadores de jovens e menores, com 11.783 cadastros, alcançou 10.577 (89,76%), com 1.206 pendências. No total, dos 45.799 cadastros existentes, 44.560 foram realizados, atingindo 97,29% de conclusão e deixando apenas 1.239 pendências. Esse desempenho superou não apenas a meta institucional de 80% estabelecida para fevereiro de 2026, mas também a meta interna de 95% prevista para o encerramento da fase.

O aspecto mais relevante da segunda onda, contudo, não se limitou ao avanço quantitativo. Durante os encontros semanais, algumas localidades informaram que, após concluírem seus próprios cadastros, passaram a apoiar localidades vizinhas que ainda não haviam iniciado suas atualizações. Esse comportamento, não previsto pela equipe, demonstrou um engajamento espontâneo e um senso de corresponsabilidade. A visibilidade do cronograma, associada à clareza das metas e ao acompanhamento contínuo, contribuiu para a formação de um ambiente colaborativo, onde o desempenho deixou de ser percebido apenas como uma obrigação local e passou a ser compreendido como parte de um esforço institucional mais amplo. Esse achado ampliou a discussão do estudo, mostrando que o cronograma estruturado influenciou não apenas o cumprimento de prazos, mas também a dinâmica relacional do projeto. A literatura, como a de Butt (2016), indica que rotinas de comunicação em contextos de mudança favorecem o engajamento das partes interessadas e influenciam positivamente a cultura do projeto, corroborando a observação de que a gestão do tempo pode impactar o comportamento dos envolvidos.

A comparação entre os períodos anterior e posterior à reorganização metodológica do projeto revelou uma transformação que transcendeu a mera evolução quantitativa. A principal mudança ocorreu na lógica de gestão adotada. Antes da intervenção, a ausência de entregas intermediárias claramente definidas, a pouca visibilidade sobre pendências e a baixa capacidade de coordenação entre os diversos responsáveis resultavam em um projeto estagnado e ineficiente. Após a reestruturação, houve uma mudança de paradigma: o projeto passou a ser conduzido com foco em prioridades, acompanhamento frequente, tratamento de exceções e leitura sistemática dos indicadores. Essa abordagem proativa e orientada por dados permitiu que os obstáculos, sejam eles técnicos, culturais ou regionais, se tornassem mais visíveis e, consequentemente, mais administráveis.

Em termos de desempenho, a diferença entre os períodos foi expressiva, sugerindo uma forte associação entre a adoção do cronograma estruturado e a melhoria dos resultados. Um dos principais ganhos da gestão do cronograma consistiu na ampliação da capacidade de resposta da equipe, na redução da improvisação e no fortalecimento da governança do projeto. A capacidade de ajustar regras e processos às condições de uso, conforme destacado por Oliveira (2012) em estudos sobre implantação de ERP, foi um elemento importante para a obtenção de melhores resultados, demonstrando que a tecnologia, isoladamente, não garante o sucesso se não houver aderência entre sistema, usuários e contexto operacional. A gestão do cronograma, ao ser articulada com rotinas de monitoramento e comunicação, pôde produzir não apenas controle e previsibilidade, mas também cooperação, maior adesão e fortalecimento do comprometimento coletivo, conforme apontado por Guimarães (2025).

Após a apresentação dos resultados à administração da instituição, a equipe de projetos encerrou sua atuação direta na etapa de atualização cadastral em março de 2026. A transição de conhecimento e da estratégia de condução do projeto para a equipe da secretaria foi solicitada, com dois objetivos principais: detalhar os 1.239 cadastros remanescentes e manter atualizados os novos registros que viessem a surgir. Essa transição reforçou a sustentabilidade das práticas implementadas e a internalização da nova metodologia de gestão de cronogramas como parte integrante das operações institucionais.

A análise final dos resultados, sintetizada na Figura 1, ilustra o desempenho geral do projeto em nível nacional, destacando a evolução por estado.

Figura 1. Cadastros realizados por Estado – Evolução Nacional

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Conforme apresentado na Figura 1, o projeto alcançou um impressionante percentual de 97% de cadastros realizados em nível nacional, totalizando 45.799 cadastros. A visualização por estado, no entanto, revela que, embora a maior parte do território nacional tenha apresentado um desempenho elevado (muitos estados com 97%, 98%, 99%), a evolução não foi homogênea. Estados como Acre (66%), Roraima (99%), Amapá (69%), Amazonas (92%), Pará (97%), Maranhão (97%), Piauí (98%), Ceará (96%), Rio Grande do Norte (65%), Paraíba (90%), Pernambuco (84%), Alagoas (63%), Rondônia (97%), Tocantins (96%), Mato Grosso (97%), Bahia (94%), Sergipe (97%), Goiás (83%), Distrito Federal (98%), Mato Grosso do Sul (97%), Minas Gerais (99%), Espírito Santo (98%), São Paulo (99%), Rio de Janeiro (98%), Paraná (99%), Santa Catarina (97%) e Rio Grande do Sul (93%) mostram essa variabilidade.

A comparação entre a média e a mediana dos percentuais de evolução entre os estados revelou-se particularmente relevante para essa interpretação. Enquanto a média de cadastros realizados foi de 91%, a mediana atingiu 97%. Essa diferença indica a presença de valores extremos capazes de distorcer a percepção do desempenho global. A mediana, ao representar o comportamento central dos resultados, minimizou a influência de valores atípicos, permitindo uma leitura mais precisa do cenário nacional. Essa abordagem foi fundamental para identificar estados com percentual de evolução inferior ao padrão predominante, direcionando os esforços de gestão para as localidades com maior necessidade de apoio, em uma abordagem orientada pela gestão por exceção. Essa constatação reforça a ideia de que, em projetos nacionais de grande escala, a média geral pode ocultar desigualdades importantes e induzir decisões pouco precisas, como já apontado por Souza Júnior (2013).

Além da comparação estatística, a leitura territorial dos resultados evidenciou diferenças relevantes entre estados e regiões. Fatores como infraestrutura local, acesso à tecnologia, características culturais e diferentes níveis de engajamento das equipes locais influenciaram diretamente o ritmo de execução do projeto. Mesmo com um método de trabalho padronizado em nível nacional, os resultados mostraram que a efetividade da condução dependeu da capacidade de dialogar com realidades regionais distintas. Esse achado reforçou a necessidade de flexibilização das estratégias de gestão em projetos de grande abrangência territorial. No caso analisado, ficou evidente que a mesma lógica de condução pôde produzir efeitos distintos a depender do contexto local. Isso não enfraqueceu a importância do cronograma; ao contrário, ampliou sua interpretação, transformando-o em uma ferramenta adaptativa.

Um exemplo concreto dessa dinâmica foi observado no estado do Tocantins. No mês de janeiro, a análise indicou que a unidade estava abaixo da média geral do projeto devido ao elevado número de pendências na categoria de cooperadores de jovens e menores. A leitura do caso evidenciou que essa categoria recebeu menor prioridade relativa em comparação com outras, situação que também se repetiu em alguns outros estados. Com a adoção de ações específicas de acompanhamento e a reorientação das prioridades, o percentual de evolução dessa unidade alcançou 96%, o que demonstrou que a identificação de focos localizados de atraso permitiu respostas mais direcionadas e efetivas. Essa capacidade de incorporar exceções, reconhecer diferenças regionais e orientar decisões a partir da leitura contínua dos dados foi crucial para a maturidade da condução do projeto.

A comparação com a literatura permitiu interpretar esses resultados de forma mais ampla. Estudos em gestão de projetos indicam que o desempenho de projetos complexos depende não apenas da existência formal de planejamento, mas da capacidade de traduzir esse planejamento em práticas reais de acompanhamento, priorização e controle (PMI, 2021). Pesquisas sobre comunicação com as partes interessadas, como as de Butt (2016), mostram que rotinas de comunicação e acompanhamento favorecem engajamento, alinhamento e resposta mais eficaz a mudanças no contexto do projeto. No caso analisado, a visibilidade dos indicadores, o acompanhamento recorrente e o alinhamento com os responsáveis locais contribuíram para tornar o cronograma um instrumento ativo de coordenação, e não apenas um registro temporal.

Sob essa perspectiva, os resultados do estudo reforçaram que o cronograma não foi tratado como ferramenta rígida e uniforme. Sua efetividade, no contexto investigado, esteve associada à capacidade de incorporar exceções, reconhecer diferenças regionais e orientar decisões a partir da leitura contínua dos dados. Esse entendimento foi coerente com estudos sobre implantação e uso de sistemas ERP, que destacaram que bons resultados dependeram não apenas da ferramenta tecnológica, mas também da adaptação dos processos, da escuta dos usuários e da adequação das rotinas à realidade organizacional (Oliveira, 2012). Assim, a gestão do cronograma, quando articulada ao monitoramento, à comunicação e à flexibilidade gerencial, ampliou a efetividade da condução do projeto e fortaleceu sua governança. Em síntese, a análise final dos resultados indicou que a principal contribuição da reorganização não foi apenas o aumento do volume de cadastros concluídos, mas a construção de uma lógica de gestão mais estruturada, responsiva e orientada por dados. A clareza das metas, a leitura sistemática dos indicadores, o acompanhamento das localidades e a capacidade de tratar exceções contribuíram para aumentar a previsibilidade, melhorar a coordenação e fortalecer o comprometimento dos envolvidos. Dessa forma, o presente estudo convergiu com a literatura ao reafirmar a importância do gerenciamento do cronograma para o desempenho de projetos, mas também ampliou essa discussão ao mostrar que, em contextos institucionais de grande abrangência, o cronograma precisou ser compreendido como ferramenta adaptativa, associada à gestão por exceção e à leitura contextual dos resultados.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, ao analisar a importância da aplicação de cronogramas e de um planejamento estruturado em um projeto institucional de atualização cadastral. O estudo evidenciou que a gestão de cronogramas, quando estruturada de forma coerente com a realidade operacional, assumiu papel central no alcance de resultados institucionais. Mais do que um instrumento de organização temporal, o cronograma atuou como mecanismo de coordenação, comunicação, priorização e acompanhamento, favorecendo a condução do projeto de forma mais eficiente. Os ganhos observados transcenderam o aumento do volume de cadastros, fortalecendo a definição de prioridades, ampliando a visibilidade das entregas, identificando gargalos e apoiando uma atuação gerencial orientada por dados. O cronograma demonstrou ser uma ferramenta efetiva de gestão e governança, estimulando o engajamento e a cooperação entre os participantes, o que influenciou positivamente o comportamento dos envolvidos.

Contudo, este estudo apresentou limitações importantes. A análise baseou-se em um único caso e em dados institucionais específicos, o que restringe a generalização dos resultados para outros contextos. Além disso, a ausência de indicadores quantitativos mais detalhados limitou a precisão da avaliação de alguns ganhos. Para estudos futuros, recomenda-se a aplicação dessa abordagem em diferentes contextos organizacionais, a fim de ampliar a robustez das conclusões. Sugere-se também o aprofundamento na análise dos impactos da gestão de cronogramas na cultura organizacional e na sustentabilidade das práticas implementadas, bem como o desenvolvimento de novas iniciativas para potencializar a comunicação digital com o público ministerial.

Referências Bibliográficas

Azevedo, F.M. de; Gonçales Filho, M. 2023. Gestão de cronograma para paradas de manutenção programadas em navios: estudo de caso único no setor de embarcações. Brazilian Journal of Production Engineering 9(3): 151-160.

Bergamo, B.; Catai, R.E. 2023. Aplicação do planejamento de curto prazo: estudo de caso em um canteiro de obras. Brazilian Journal of Production Engineering 9(4): 290-305.

Butt, A.; Naaranoja, M.; Savolainen, J. 2016. Project change stakeholder communication. International Journal of Project Management 34(8): 1579-1595.

Carvalho, M.M.; Rabechini Jr., R. 2011. Fundamentos em gestão de projetos: construindo competências para gerenciar projetos. 3ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Greenhalgh, T. 2025. Case studies: a guide for researchers, educators, and implementers. BMJ Medicine 4(1): e001623.

Guimarães, I.J.B.; Bandeira, L.K.R.; Ouro-Salim, O. 2025. Boas práticas na gestão de projetos: um estudo de caso no Centro Colaborador de Apoio ao Monitoramento e à Gestão de Programas Educacionais no Nordeste. Revista de Gestão e Projetos 16(3).

Herzog, L.P.; Silva, E.J.G. da; Weymar, G.J. 2024. Simulação com o método Monte Carlo: uma ferramenta para análise de risco no gerenciamento de projetos. Revista de Gestão e Projetos 15(3): 542-565

Kerzner, H. 2017. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 12ed. Wiley, Hoboken, NJ, EUA.

Narita, T.T.; Alberconi, C.H.; Souza, F.B. de; Ikeziri, L. 2021. Comparison of PERT/CPM and CCPM Methods in Project Time Management. Revista Gestão da Produção Operações e Sistemas 16(3): 01-20.

Oliveira, L.S. de; Hatakeyama, K. 2012. Um estudo sobre a implantação de sistemas ERP: pesquisa realizada em grandes empresas industriais. Produção 22(3): 596-611.

Project Management Institute [PMI]. 2021. A guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide): Seventh Edition and The Standard for Project Management. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Souza Júnior, A.A. de; Goulart, K.H.; Moraes, A.F. de M. 2013. Gestão do Tempo em Projetos: Um Estudo de Caso em uma Empresa do Polo Industrial de Manaus. Revista de Gestão e Projetos 4(2): 163-184.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

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10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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