Artigo

24 de julho de 2026

Gestão da integração e riscos em projetos de inovação para saneamento: caso Analisador de DBO

Daniel Clemente Ferro; Bruno Henrique Sanches

DOI: 10.22167/2675-6528-202600680

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O estudo analisou como as práticas de gestão da integração e de riscos contribuem para o desempenho e a efetividade de projetos de inovação tecnológica desenvolvidos em arranjos colaborativos, utilizando como estudo de caso o projeto Analisador de Demanda Bioquímica de Oxigênio, concebido para reduzir o tempo de obtenção de um parâmetro de qualidade da água. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de natureza aplicada e exploratória, estruturada como estudo de caso único. A coleta de dados foi realizada por meio de análise documental e de quatro entrevistas semiestruturadas com stakeholders diretamente envolvidos no projeto. Os dados foram tratados por análise qualitativa de conteúdo, com triangulação entre revisão bibliográfica, documentos e entrevistas, e utilizou-se uma matriz Integração × Riscos para relacionar fatores de integração, riscos identificados, efeitos observados e respostas adotadas. Os resultados evidenciaram que a efetividade do projeto dependeu não apenas do avanço técnico da solução, mas também da coordenação entre atores, da clareza de responsabilidades, da gestão de interfaces, da rastreabilidade das decisões e do tratamento estruturado de riscos técnicos, operacionais, financeiros e institucionais. Concluiu-se que a integração entre pessoas, processos, informações e decisões atuou como elemento estruturante para a mitigação de incertezas, o fortalecimento da governança e o aumento da probabilidade de êxito em projetos colaborativos de inovação tecnológica.

Palavras-chave: Gestão da integração; Gestão de riscos; Inovação; Saneamento; Stakeholders.

1. Introdução

Projetos de inovação tecnológica, especialmente aqueles aplicados ao setor de saneamento, caracterizam-se por uma complexidade técnica e organizacional elevada. Essa complexidade é amplificada quando múltiplos atores institucionais, como empresas privadas, Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e agentes públicos, estão envolvidos. Nesses cenários, a coordenação eficaz, a comunicação clara e uma governança robusta tornam-se desafios críticos, exigindo abordagens de gestão da integração mais estruturadas e intrinsecamente conectadas ao gerenciamento de riscos, a fim de mitigar atrasos, retrabalhos e a dispersão do foco no produto tecnológico. Projetos de inovação, por sua natureza, operam em ambientes dinâmicos, demandando estruturas gerenciais capazes de lidar simultaneamente com a incerteza e a complexidade decisória (Bruno-Faria et al., 2013; Sbragia e Andrade, 2019).

A gestão da integração emerge como uma das dimensões mais estratégicas para a condução bem-sucedida desses empreendimentos. Conforme o Project Management Institute (PMI, 2021; PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, 2025), a integração compreende o conjunto de práticas destinadas a articular pessoas, processos, informações, recursos e decisões, assegurando a coerência entre as diversas partes do projeto ao longo de seu ciclo de vida. Kerzner (2019) destaca que a integração é fundamental por conectar os múltiplos elementos que influenciam o prazo, o custo, o escopo, a qualidade e o desempenho global de um projeto. Complementarmente, Vargas (2018) enfatiza que a efetividade do plano do projeto está diretamente ligada à clareza das interfaces, à rastreabilidade das decisões e à articulação eficiente entre as diferentes áreas de conhecimento.

No contexto brasileiro, projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) que recebem apoio de agências públicas introduzem camadas adicionais de complexidade institucional e operacional. Essas camadas incluem requisitos de conformidade, prestação de contas, marcos e metas físicas, além de regras específicas de aquisição e propriedade intelectual, o que amplia o espectro de incertezas técnicas, regulatórias e de articulação interorganizacional. O Manual de Operações de Inovação Tecnológica da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP, 2023) aponta que a condução desses projetos exige não apenas competência técnica, mas também uma capacidade robusta de coordenação institucional e aderência a requisitos formais de acompanhamento. Estudos sobre inovação em projetos públicos no Brasil reforçam que riscos de governança, articulação interorganizacional e alinhamento entre atores são determinantes para o desempenho (GONÇALVES; COSTA, 2022). No setor de saneamento, esses desafios são ainda mais acentuados, pois as soluções tecnológicas devem conciliar viabilidade operacional, confiabilidade técnica, sustentabilidade e aderência às exigências regulatórias e ambientais (TOLEDO; FILHO, 2023).

Nesse ambiente de alta complexidade, a gestão de riscos assume uma posição central. Em projetos inovadores, os riscos frequentemente não se manifestam como eventos isolados, mas como um conjunto interdependente de incertezas técnicas, operacionais, institucionais, regulatórias e relacionais. A literatura demonstra que o gerenciamento de riscos evoluiu de uma abordagem predominantemente reativa para uma perspectiva contínua, sistêmica e integrada à governança do projeto (RAZ; HILLSON, 2005; HILLSON, 2017). Dias (2015) argumenta que a gestão de riscos aprimora a capacidade de antecipação, resposta e aprendizado organizacional, contribuindo para a redução de perdas e o aumento da previsibilidade dos resultados. Contudo, em projetos de inovação, a gestão de riscos é mais desafiadora devido à incerteza inerente ao processo de desenvolvimento tecnológico. Silva e Rocha (2021) observam que, nesses projetos, o risco deve ser compreendido de forma sistêmica, considerando as interações entre tecnologia, processos, pessoas e o ambiente institucional.

A relação entre gestão da integração e gestão de riscos é particularmente relevante em projetos complexos e interorganizacionais. Cheng et al. (2018) evidenciam que a qualidade das relações entre as organizações envolvidas influencia diretamente a forma como os riscos são percebidos, compartilhados e tratados. Falhas na comunicação, indefinição de papéis, baixa formalização de interfaces e ausência de mecanismos de coordenação podem aumentar a exposição a atrasos, retrabalhos e conflitos decisórios. Assim, a gestão da integração não apenas organiza a execução do projeto, mas também se estabelece como uma condição para uma gestão de riscos mais efetiva. Quando informações, responsabilidades e fluxos decisórios estão mal articulados, a capacidade de identificar e responder a riscos torna-se limitada. Portanto, em projetos de inovação, integração e gerenciamento de riscos devem ser abordados como dimensões complementares da governança do projeto, e não como práticas isoladas.

É nesse cenário que se insere o projeto Analisador de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), um caso emblemático de inovação tecnológica aplicada ao saneamento. Este projeto, desenvolvido de forma colaborativa entre uma empresa e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), com o apoio de uma Financiadora de Estudos e Projetos pública, visa evoluir um protótipo de analisador de DBO para uma solução tecnológica industrial aplicável ao monitoramento de sistemas de tratamento de efluentes. O sucesso do projeto depende não apenas do avanço técnico do produto, mas também da capacidade de integrar conhecimentos, alinhar expectativas, coordenar interfaces e tratar incertezas ao longo da execução. A relevância prática do caso reside na sua complexidade, na disponibilidade de evidências empíricas e na presença de múltiplas interfaces técnicas, organizacionais e institucionais, tornando-o adequado para a análise proposta.

Diante desse contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar como práticas de gestão da integração e de gestão de riscos contribuem para o desempenho e a efetividade de projetos de inovação tecnológica, tendo como estudo de caso o projeto Analisador de DBO.

2. Material e Métodos

A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de natureza aplicada e caráter exploratório, estruturada como um estudo de caso único. O foco central recaiu sobre o projeto Analisador de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), um empreendimento de inovação tecnológica no setor de saneamento. Este delineamento metodológico permitiu uma análise aprofundada das práticas de gestão da integração e de riscos em um contexto real e complexo.

O caso analisado correspondeu a um projeto colaborativo de inovação tecnológica, voltado ao desenvolvimento de uma solução para medição de DBO, um parâmetro crucial na avaliação da qualidade da água e de efluentes. O projeto visou aprimorar a agilidade do monitoramento e apoiar a tomada de decisão operacional, evoluindo uma tecnologia de medição para maior prontidão analítica em comparação com métodos convencionais.

O desenvolvimento do projeto ocorreu em um arranjo colaborativo entre uma organização privada de base industrial e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), com apoio de uma financiadora pública. As ICTs foram responsáveis pela concepção técnico-científica inicial e pela titularidade da patente, enquanto a empresa assumiu a coordenação do desenvolvimento aplicado, focando na adaptação da tecnologia para escalabilidade e uso operacional.

A escolha deste caso justificou-se pela sua relevância prática, pela disponibilidade de acesso a evidências empíricas e pela presença de múltiplas interfaces técnicas, organizacionais e institucionais. Tais características o tornaram adequado para a análise proposta. A unidade de análise foi constituída pelas práticas de gestão da integração e de gestão de riscos mobilizadas ao longo do projeto.

Especificamente, a unidade de análise abordou a articulação entre os atores envolvidos, a definição de responsabilidades, a coordenação de interfaces, a circulação de informações e o tratamento de riscos técnicos, operacionais, financeiros e institucionais. Esses elementos foram examinados em sua associação com a trajetória de desenvolvimento e industrialização da solução tecnológica.

A coleta de dados realizou-se por meio de análise documental e de entrevistas semiestruturadas. A análise documental abrangeu documentos oficiais e registros do projeto, incluindo planos de trabalho, cronogramas, relatórios técnicos, registros de reuniões, metas físicas e evidências de desempenho. Esses materiais permitiram reconstituir o contexto do projeto e identificar pontos de integração e riscos.

As entrevistas foram conduzidas em formato semiestruturado com quatro stakeholders diretamente envolvidos no projeto. Os participantes incluíram representantes da coordenação, equipe técnica interna, instituições parceiras e áreas de suporte. Cada entrevista teve duração aproximada de 60 a 120 minutos, e o roteiro foi organizado em blocos temáticos sobre comunicação, papéis, responsabilidades, gestão de interfaces, tomada de decisão e percepção de riscos.

Essa abordagem visou coletar percepções dos participantes sobre os desafios de integração, riscos percebidos, efetividade das rotinas de comunicação e mecanismos de decisão. As entrevistas foram registradas por meio de transcrição e anotações, com a devida preservação da confidencialidade dos participantes, garantindo a integridade ética da pesquisa.

Os dados foram analisados por meio de análise qualitativa de conteúdo, orientada por categorias analíticas definidas a partir do referencial teórico e refinadas à luz do material empírico. As categorias centrais contemplaram fatores de integração e categorias de risco. Inicialmente, os documentos e os registros das entrevistas foram submetidos à leitura e organização.

Na sequência, construiu-se uma matriz Integração × Riscos, utilizada como instrumento de sistematização para cruzar fatores de integração com os riscos identificados, seus efeitos sobre o projeto e as respostas adotadas ao longo da execução. A interpretação final resultou da triangulação entre revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas, permitindo identificar padrões e relações entre as práticas de gestão da integração e o gerenciamento de riscos no caso estudado.

3. Resultados e Discussão

O projeto Analisador de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) revelou a intrínseca relação entre a gestão da integração e o gerenciamento de riscos na efetividade de projetos de inovação tecnológica em arranjos colaborativos. Os achados da pesquisa, obtidos por meio de análise documental e entrevistas com diversos stakeholders, indicam que o sucesso do empreendimento não se limita ao avanço técnico da solução, mas é profundamente influenciado pela capacidade de coordenar atores, definir responsabilidades, gerir interfaces, assegurar a rastreabilidade das decisões e tratar riscos de forma estruturada. Essa perspectiva alinha-se à literatura que enfatiza a complexidade inerente a projetos de PD&I, especialmente em ambientes interorganizacionais (Bruno-Faria et al., 2013; Sbragia e Andrade, 2019).

Análise documental do projeto

A análise dos documentos do projeto, incluindo o Termo de Referência, revelou que o Analisador de DBO foi concebido para evoluir um protótipo de medição de DBO para uma solução aplicável em ambiente real, envolvendo Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e uma empresa executora. A complexidade técnica do projeto, com sua arquitetura de sensores, atuadores, plataforma de dados e camadas de software, além dos marcos de desenvolvimento ligados à Propriedade Intelectual e validação, já indicava uma elevada necessidade de integração entre as equipes e tecnologias. A definição de requisitos, incluindo aspectos de cibersegurança e integração, foi um ponto central desde as etapas iniciais, conforme os documentos de indicadores do primeiro período.

O Relatório Técnico de Acompanhamento (RTA) apontou que a execução física reportada ficou ligeiramente abaixo do planejado, atingindo 62,61% frente a uma meta de 68,26%. Esse desvio, embora modesto, já sinalizava a presença de riscos de cronograma e de interface técnica, que demandavam uma dinâmica de integração mais robusta entre as equipes. Atrasos de aproximadamente dois meses, especificamente relacionados a aprimoramentos de hardware e firmware, foram registrados no RTA, reforçando a existência de riscos técnicos e de coordenação, e a importância de mecanismos consistentes de gestão integrada, abrangendo planejamento, comunicação e rastreabilidade das decisões.

Adicionalmente, o RTA evidenciou um movimento prático de fortalecimento da integração por meio da gestão da informação e do conhecimento. Iniciativas como a digitalização de documentos, a melhoria da rastreabilidade do andamento, o uso de tablets para acesso em campo e a ampliação dos protocolos de comunicação foram implementadas. Tais ações demonstram uma compreensão da importância de articular informações e processos para garantir a coerência e o alinhamento entre as diversas partes do projeto, conforme preconizado pelo Project Management Institute (PMI, 2021; PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, 2025).

Entrevistas

A entrevista com os representantes da ICT 1 permitiu identificar riscos técnicos, institucionais e operacionais cruciais para a continuidade do projeto. Um dos principais desafios técnicos observados foi a calibração do equipamento e o desenvolvimento de modelos de previsão de DBO, que exigiam um grande volume de amostras para a construção de curvas de calibração robustas. A sugestão de combinar o banco de dados histórico da ICT 1 com os dados da pilotagem, e a exploração de modelos alternativos como Random Forest, foram apontadas como estratégias para aumentar a confiabilidade dos resultados preditivos do sistema.

Outro aspecto técnico relevante foi a homologação e a disponibilidade de fornecedores para componentes específicos, como o sensor de oxigênio dissolvido (OD), considerado crítico para o funcionamento do equipamento. A seleção, aquisição e validação desse componente foram identificadas como pontos sensíveis, e a nacionalização, embora considerada, mostrou-se menos atrativa devido ao custo e esforço técnico. No que tange aos riscos operacionais, a experiência da prova de conceito em Bragança Paulista revelou a necessidade de maior robustez do equipamento frente a interrupções de energia e a importância de soluções de proteção e condicionamento, além de mecanismos de “reset remoto”, indicando que a robustez operacional deve ser considerada desde as próximas etapas de desenvolvimento.

A conectividade foi outro fator crítico para a aplicação futura da solução em campo, com a dependência de rede cabeada limitando a operação em certos ambientes. A avaliação de alternativas como comunicação via chip 3G/4G e a confiabilidade do acesso à nuvem e aos servidores foram consideradas essenciais. A plataforma IoT, por sua vez, foi identificada como um tema sensível devido a descontinuidade em fase anterior, sugerindo a migração para plataformas de mercado mais robustas como alternativa para a industrialização e manutenção de longo prazo, o que reforça a necessidade de uma gestão de interfaces e tecnologias mais eficaz.

No âmbito institucional, a entrevista com a ICT 1 evidenciou uma convergência de propósito com a Empresa em relação à inserção do produto no setor de saneamento e seu potencial impacto na saúde pública, com o fomento público sendo um fator positivo para a previsibilidade de recursos. Contudo, a natureza pública da ICT 1 foi associada a um risco institucional significativo, devido à maior complexidade das tratativas jurídicas e contratuais. Atrasos em retornos jurídicos poderiam impactar o cronograma e a propriedade intelectual, sugerindo a necessidade de uma governança jurídica mais estruturada desde o planejamento, em contraste com a agilidade observada em instituições privadas como a ICT 2.

A entrevista com os representantes da ICT 2 destacou sua contribuição para a conectividade, a evolução do software e o apoio na definição de componentes críticos. A governança do projeto com a ICT 2 foi marcada por uma cadência de reuniões quinzenais entre os gerentes de projeto, o que favoreceu a fluidez da comunicação e a resolução de pendências, atuando como um mecanismo efetivo de integração. Esse alinhamento contínuo é fundamental para a gestão de projetos complexos, onde a articulação entre as partes é essencial para o desempenho (Vargas, 2018).

No campo técnico, a ICT 2 contribuiu para a discussão de componentes como as pastilhas Peltier, que apresentaram risco recorrente de falha, exigindo a avaliação de alternativas como mini-chillers para o controle térmico da amostra. A calibração da sonda de OD também foi um ponto de atenção, com a análise de diferentes metodologias (químicas, biológicas, expurgo com gás inerte) e a necessidade de automatização das rotinas para a industrialização em Estações de Tratamento de Esgoto (ETE). A natureza privada da ICT 2 foi interpretada como um fator favorável à agilidade nas tratativas jurídicas e contratuais, contribuindo para reduzir riscos administrativos e burocráticos, em comparação com as ICTs públicas.

A entrevista com os representantes da Concessionária de Saneamento, o cliente final, revelou que a aceitação do Analisador de DBO dependeria da confiabilidade da medição e da compatibilidade dos resultados com as análises laboratoriais tradicionais. A validação do piloto, portanto, exigiria uma comparação periódica entre os dados do equipamento e os resultados de laboratório, com acompanhamento conjunto nas fases iniciais. A existência de um laboratório interno na unidade foi considerada um fator positivo, permitindo a comparação direta e a construção gradual de confiança na tecnologia, o que é crucial para a sua eventual utilização operacional.

A Concessionária demonstrou interesse em integrar o valor de DBO diretamente no sistema SCADA/CCO, inicialmente por meio de uma tela específica, e futuramente como base para automação e tomada de decisão operacional, incluindo alarmes e notificações. Essa perspectiva reforça o potencial do Analisador de DBO não apenas como instrumento de medição, mas como um elemento de apoio à automação, o que exige uma integração robusta com os sistemas existentes. A necessidade de atender aos requisitos de Tecnologia da Informação (TI) e cibersegurança, com etapas formais de aprovação, foi um ponto crítico para a implantação do piloto, evidenciando a importância da gestão de interfaces entre OT e IT.

Riscos operacionais relevantes para a implantação do piloto foram identificados, como entupimento de mangueiras, descalibração de sensores, contaminação por cargas industriais, queda de energia e indisponibilidade de água potável. As recomendações da Concessionária, como o uso de mangueiras de maior diâmetro e bombas com triturador, indicam a necessidade de adaptar o projeto às condições reais da estação para mitigar esses riscos. A governança do piloto, com reuniões frequentes e registros documentados, foi considerada essencial para garantir o acompanhamento técnico e a rastreabilidade das decisões, contribuindo para a previsibilidade dos resultados.

A entrevista com o Fornecedor-parceiro de automação explorou o potencial de uma Plataforma de Automação Aberta (PAA) como solução para o Analisador de DBO. A PAA foi considerada uma alternativa promissora devido à sua flexibilidade arquitetural, que permite reduzir a dependência de hardware específico e desenvolver lógicas de controle reutilizáveis e portáveis. Essa característica é particularmente alinhada a projetos de inovação, onde os requisitos podem evoluir, demandando maior adaptabilidade da solução. A compatibilidade da arquitetura do Analisador de DBO com a PAA sugere a possibilidade de preparar parte da solução em ambiente controlado, minimizando esforços e riscos durante a implantação em campo.

A utilização da PAA também foi associada à ampliação da capacidade de diagnóstico e observabilidade do sistema, permitindo o acompanhamento de informações como status operacional, conectividade e falhas. Essas funcionalidades são cruciais para a rastreabilidade técnica, o apoio à manutenção e a identificação rápida de problemas durante o piloto. A plataforma demonstrou potencial para integração entre ambientes de Tecnologia Operacional (OT) e Tecnologia da Informação (TI) por meio de interfaces de software, como APIs e acesso remoto seguro, desde que respeitadas as políticas de segurança do cliente, o que reforça a necessidade de uma gestão de integração abrangente.

A disponibilidade de suporte técnico especializado dentro do ecossistema do Fornecedor-parceiro foi interpretada como um fator relevante para reduzir riscos técnicos durante a implantação, especialmente por se tratar de uma plataforma mais recente. A importância de envolver um interlocutor técnico do Fornecedor-parceiro nas discussões com o cliente final, principalmente em temas de integração, redes, TI e cibersegurança, foi destacada como uma boa prática para reduzir ruídos de comunicação, acelerar aprovações e mitigar incompatibilidades entre a arquitetura proposta e as exigências da Concessionária de Saneamento.

Matriz Registro de Riscos

A matriz de riscos, construída a partir da triangulação entre análise documental e entrevistas, sistematizou os principais riscos identificados no projeto Analisador de DBO. Os riscos foram categorizados e avaliados quanto à probabilidade, impacto e nível de risco, com a indicação das mitigações correspondentes. Essa abordagem permitiu uma visão abrangente das incertezas e a formulação de respostas estratégicas, alinhando-se à visão de que a gestão de riscos deve ser sistêmica e integrada à governança do projeto (Raz; Hillson, 2005; Hillson, 2017).

Entre os riscos técnicos, destacou-se a calibração e predição de DBO pouco robusta (R1), devido à falta de amostragem, que poderia levar a baixa precisão e retrabalho. A mitigação envolveu um plano formal de coleta de dados e a validação de modelos preditivos. As falhas recorrentes em componentes como as pastilhas Peltier (R10), que causavam instabilidade térmica, foram identificadas como um risco técnico significativo, com a necessidade de revisar especificações, qualificar fornecedores e considerar alternativas como mini-chillers. A não compatibilidade do Analisador de DBO com o DBO laboratorial (R11) representou um risco de aceitação crítico, exigindo um plano formal de validação e comparação de resultados.

Os riscos institucionais e operacionais foram igualmente relevantes. A burocracia contratual da ICT pública (R4) e a baixa integração entre os corpos jurídicos da ICT pública e a Empresa (R5) foram identificadas como fatores que poderiam travar frentes de trabalho, atrasar decisões e impactar o cronograma. A mitigação incluiu a definição de marcos jurídicos claros, minutas contratuais e uma governança jurídica recorrente. O atraso ou custo por aquisição/homologação do sensor de OD (R2) decorreu de uma cadeia de suprimentos limitada e exigências de homologação específicas, com a mitigação focada em mapear fornecedores alternativos e compras antecipadas.

Riscos operacionais em campo, como falhas por energia instável e conectividade frágil (R3), foram evidenciados pela experiência da prova de conceito, podendo gerar perda de dados e atrasos no piloto. A adoção de UPS/nobreak, watchdog, reset remoto e comunicação 3G/4G foram propostas como mitigações. O entupimento de mangueiras (R12) e danos por sólidos na captação (R13) foram riscos críticos para a continuidade operacional, com a recomendação de mangueiras de maior diâmetro, bombas com triturador e rotinas de limpeza e inspeções iniciais. A queda ou instabilidade de energia na ETE (R15) e a falta de água potável (R16) também foram riscos operacionais com alto impacto, exigindo proteção, monitoramento da qualidade da energia e reservatórios de contingência.

A gestão da integração e governança também apresentou riscos específicos. A perda de rastreabilidade de decisões, versões e evidências (R8) foi um risco de governança, com a informação dispersa dificultando auditorias e gerando retrabalho. A mitigação envolveu a criação de uma plataforma digital como fonte única de informação e a padronização de atas e versionamento. A gestão de versões e atualizações da Plataforma de Automação Aberta (R19) foi identificada como um risco de instabilidade, exigindo uma política de versionamento, testes rigorosos e controle de mudanças para evitar incompatibilidades e regressões.

A continuidade e adequação do software para industrialização (R6), especialmente após a descontinuidade de uma plataforma tecnológica anterior, representou um risco tecnológico que exigia avaliação comparativa de arquiteturas modulares e APIs documentadas. As interfaces hardware-firmware-dados mal geridas (R7) foram um risco de gestão de interfaces, com a necessidade de definir interfaces claras, responsabilidades (RACI) e reuniões semanais de integração. A dependência de especialistas da PAA e a curva de aprendizado (R20) foram riscos de capacidade, exigindo capacitação, playbooks de comissionamento e sessões técnicas para mitigar gargalos de suporte e atrasos na implantação.

Em síntese, os resultados demonstram que a efetividade do projeto Analisador de DBO foi intrinsecamente ligada à capacidade de integrar pessoas, processos, informações e decisões, atuando como um elemento estruturante para a mitigação de incertezas. A gestão proativa de riscos técnicos, operacionais, financeiros e institucionais, aliada a uma governança de integração robusta, foi crucial para o fortalecimento da governança e o aumento da probabilidade de êxito em um ambiente de inovação tecnológica colaborativa, confirmando que a integração entre as diversas dimensões do projeto é fundamental para lidar com a complexidade e a incerteza inerentes a esses empreendimentos.

4. Conclusão

O estudo buscou analisar como as práticas de gestão da integração e de riscos contribuem para o desempenho e a efetividade de projetos de inovação tecnológica, utilizando como estudo de caso o projeto Analisador de Demanda Bioquímica de Oxigênio. Verificou-se que a efetividade do projeto não dependeu apenas do avanço técnico da solução, mas foi intrinsecamente ligada à capacidade de coordenar atores, definir responsabilidades, gerir interfaces, assegurar a rastreabilidade das decisões e tratar riscos de forma estruturada. Identificou-se que a integração entre pessoas, processos, informações e decisões atuou como elemento estruturante para a mitigação de incertezas, o fortalecimento da governança e o aumento da probabilidade de êxito em ambientes colaborativos de inovação tecnológica. A principal contribuição do trabalho reside na consolidação de fatores de integração observados e na construção de uma matriz Integração × Riscos, que demonstrou como a integração deve ser compreendida como uma capacidade de governança, e não meramente como comunicação pontual, para lidar com a complexidade e a incerteza inerentes a esses empreendimentos.

Este estudo, por sua natureza de caso aplicado, apresenta limitações quanto à generalização de seus resultados para outros contextos. Contudo, a triangulação das evidências, realizada por meio de revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas, permitiu um corpo analítico consistente sobre a influência da gestão da integração na identificação, prevenção e tratamento de riscos em projetos de inovação tecnológica no saneamento. Para estudos futuros, sugere-se a exploração de modelos de governança jurídica mais estruturados em projetos colaborativos que envolvam instituições públicas e privadas, bem como a avaliação de arquiteturas tecnológicas que priorizem disponibilidade, suporte, escalabilidade, manutenção e segurança para a industrialização de soluções inovadoras. A adoção de uma “fonte única da verdade” e de rotinas de rastreabilidade de decisões e evidências, associadas a cadências bem definidas, constitui um caminho prático para reduzir a dispersão de informações, aumentar a previsibilidade e acelerar a resolução de dependências em projetos de inovação.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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