Artigo

03 de agosto de 2026

Gestão da comunicação científica em contexto farmacêutico: implementação de um modelo para disseminação de estudos observacionais por MSLs

Gabrielli Gonçalves Bortolozi; Melissa Rizzo Sperandio

DOI: 10.22167/2675-6528-202600838

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A disseminação eficaz de estudos observacionais é fundamental para a prática clínica no setor farmacêutico, exigindo estratégias de comunicação científica bem estruturadas. Este estudo teve como objetivo desenvolver e implementar, em caráter piloto, uma estrutura organizada de comunicação científica para ampliar a disseminação e utilização de estudos observacionais por Medical Science Liaisons (MSLs) em uma indústria farmacêutica. A pesquisa caracterizou-se como aplicada, com abordagem mista e delineamento de estudo de caso com intervenção organizacional. A implementação foi estruturada em duas fases: disponibilidade passiva dos materiais e comunicação ativa multicanal, que incluiu o desenvolvimento de *slide decks* e uma campanha de comunicação interna. Os resultados quantitativos indicaram um aumento de 175% na utilização dos materiais após a adoção da estratégia de comunicação ativa. Os dados qualitativos evidenciaram percepção de valor associada à melhoria na eficiência, segurança e preparação das interações com profissionais da saúde. Concluiu-se que a efetividade da disseminação científica não depende apenas da qualidade do conteúdo, mas da forma como ele é estruturado, comunicado e incorporado às práticas organizacionais, reforçando a importância de estratégias ativas de comunicação e governança para a adoção de ferramentas no ambiente corporativo.

Palavras-chave: Adoção de ferramentas; Estratégias de comunicação; Estudos observacionais; Gestão de projetos; Governança.

1. Introdução

A comunicação científica é um pilar fundamental no processo de investigação, cuja eficácia depende da clareza e da acessibilidade das informações (Meadows, 1999). Nesse cenário, a atuação de profissionais com conhecimento especializado é crucial para traduzir dados complexos em uma linguagem compreensível, utilizando canais e estratégias de comunicação que garantam a disseminação efetiva de artigos científicos (Fischhoff, 2019). No contexto da indústria farmacêutica, a comunicação médico-científica assume um papel estratégico, sendo essencial para estabelecer a ponte entre a inovação e sua aplicação prática. Ela facilita a disseminação de informações, promove a colaboração entre os diversos stakeholders, apoia as estratégias de marketing e permite a tradução de dados complexos em conteúdo acessível, alinhando-se à reputação corporativa da organização (Dinatale e Landi, 2025). Nesse ambiente, os

Medical Science Liaisons

(MSLs) são figuras-chave, atuando como elos entre o conhecimento científico e os líderes de opinião.

Atualmente, a proliferação de informações tendenciosas e enganosas em larga escala tem contribuído para um aumento da desconfiança na atividade científica e para a formação de percepções equivocadas sobre o conhecimento técnico. Essa realidade torna a comunicação com profissionais de saúde ainda mais crítica, especialmente em áreas sensíveis como medicamentos oncológicos e vacinas, onde o acesso a informações confiáveis, cientificamente revisadas e isentas de vieses comerciais é imperativo (Iyengar e Massey, 2019). Apesar da existência de dados clínicos e evidências robustas, há uma demanda contínua por novos estudos que abordem necessidades não atendidas, como informações epidemiológicas e estudos observacionais.

Um estudo observacional, conforme descrito pelo National Cancer Institute (2023) e por Dylan (2024), caracteriza-se pela coleta de dados e informações de participantes em um ambiente de mundo real, utilizando métodos como questionários, preenchimento de formulários e acesso a prontuários médicos. Os pesquisadores observam e analisam os resultados, gerando

insights

valiosos. Com objetivos claros e métodos detalhados, esses resultados são traduzidos por modelos estatísticos e sem vieses, oferecendo informações que podem auxiliar o profissional da saúde em sua prática clínica.

Contudo, o processo burocrático interno de aprovação e a complexidade inerente à elaboração desses estudos contribuem para um longo intervalo de tempo, que pode variar de três a cinco anos, até sua efetiva publicação. Essa demora representa um desafio significativo para garantir que os médicos tenham acesso oportuno a informações consistentes e consigam sanar suas dúvidas com o suporte de equipes especializadas. Nesse contexto, o papel estratégico dos MSLs na mediação entre a evidência científica e a prática clínica torna-se ainda mais evidente. A efetividade da disseminação científica não depende apenas da qualidade do conteúdo, mas também da forma como ele é estruturado, comunicado e incorporado às práticas organizacionais.

Considerando que o valor dos dados científicos está diretamente relacionado à sua disseminação efetiva, emerge a necessidade de estruturar processos mais eficientes de comunicação científica. A gestão de projetos, conforme preconizada pelo Project Management Institute (PMI, 2025), oferece métodos, técnicas e ferramentas para planejar, executar e monitorar atividades de forma estruturada, visando o alcance dos objetivos organizacionais. A definição clara de metas é um fator crítico de sucesso, e a metodologia SMART (Specific, Measurable, Attainable, Relevant e Time-bound) é amplamente utilizada para garantir clareza no planejamento, melhor acompanhamento e maior efetividade na execução dos projetos. Assim, a aplicação de objetivos SMART permite alinhar as entregas do projeto às necessidades estratégicas da organização, facilitando o controle e a avaliação de desempenho.

Diante desse cenário, a problemática central deste estudo reside em como estruturar um modelo de comunicação científica que amplie o acesso, a compreensão e a utilização de estudos observacionais por profissionais da saúde, por meio da atuação dos MSLs. A justificativa para esta pesquisa baseia-se na urgência de otimizar a forma como as evidências científicas chegam à prática clínica, garantindo que o conhecimento gerado seja efetivamente aplicado. Este estudo tem como objetivo desenvolver e implementar uma estrutura, em caráter piloto, organizada e multicanal de comunicação científica que permita a disseminação eficiente dos estudos publicados, garantindo que essas informações sejam acessíveis, compreensíveis e efetivamente utilizadas pelos MSLs em suas interações com profissionais da saúde.

2. Material e Métodos

O presente trabalho foi estruturado com base em metodologias que se complementam para responder ao problema de pesquisa. Realizou-se uma pesquisa aplicada, conforme definida por Gil (2008), que visa gerar conhecimento para aplicação na prática, além de ser direcionada para solucionar problemas específicos e identificáveis. Neste estudo, testou-se uma solução prática para a subutilização dos dados científicos gerados internamente em uma organização.

A abordagem metodológica adotada foi a mista, que combinou a coleta e análise de dados numéricos para trazer uma medida objetiva da adoção da ferramenta (quantitativa). Também se coletaram dados qualitativos que, segundo Gil (2008), envolveram a categorização e interpretação dos dados gerados, permitindo explorar as percepções e atitudes que os participantes atribuíram à intervenção.

Como método de procedimento, utilizou-se o estudo de caso com intervenção organizacional. De acordo com Yin (2015), o estudo de caso é apropriado quando se busca compreender fenômenos contemporâneos em seu contexto real, especialmente quando o pesquisador possui pouco controle sobre os eventos e pretende responder a questões do tipo “como” e “por que”.

A intervenção consistiu na implementação de um novo processo de gestão da comunicação científica para avaliar seu impacto na prática de campo. O estudo foi desenvolvido em uma indústria farmacêutica multinacional, líder global no desenvolvimento e comercialização de medicamentos de uso hospitalar, com forte presença na América Latina.

A condução do estudo foi organizada em quatro etapas principais. Primeiramente, realizou-se o diagnóstico do problema, a partir da identificação da subutilização dos estudos observacionais no contexto organizacional. Em seguida, procedeu-se ao desenvolvimento dos materiais de comunicação científica, com base nos estudos selecionados.

A terceira etapa consistiu na implementação da estratégia de comunicação, que incluiu a disponibilização dos materiais e a execução de ações de comunicação ativa. Por fim, realizou-se a avaliação dos resultados, por meio da análise de dados quantitativos de uso e de percepções qualitativas dos participantes. Essa estrutura permitiu organizar a intervenção de forma sistemática e orientada à avaliação de seus efeitos.

Para a fase piloto, selecionaram-se quatro estudos observacionais internos publicados pela empresa no ano de 2025, desenvolvidos pelo time de “Local Data Generation” [LDG]. A justificativa para essa escolha baseou-se no critério de relevância estratégica, determinado pelo Diretor Regional de Assuntos Médicos, que os identificou como prioritários para discussões científicas na região da América Latina.

Os participantes do estudo foram os profissionais responsáveis pela comunicação científica da empresa, conhecidos como Medical Science Liaisons (MSLs). O grupo foi composto por 15 MSLs atuantes na área terapêutica relacionada, em nove países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá e Peru.

Para traduzir os dados dos artigos científicos em ferramentas práticas, desenvolveram-se materiais de comunicação, especificamente em formato de *slide decks* (apresentação de slides). Esses materiais foram estruturados de forma clara, concisa e otimizada para o uso em interações com profissionais da saúde, contendo um resumo da metodologia empregada na pesquisa, os principais resultados dos estudos, além de implicações clínicas e relevância dos dados.

Após a elaboração, os materiais seguiram um fluxo pré-estabelecido por procedimentos internos, que consistiu na aprovação dos *slides* pelo gerente médico responsável pela área terapêutica. Esse processo visou garantir a conformidade e a precisão científica do conteúdo antes de sua disseminação.

Uma vez aprovados, os materiais foram disponibilizados na principal plataforma digital utilizada pelos MSLs para suas interações em campo, fornecendo registro e suporte. Essa disponibilização inicial caracterizou a fase de acesso passivo aos recursos.

Visando garantir a adoção dos materiais e seu uso efetivo, realizou-se uma campanha de comunicação interna direcionada que incluiu três ações principais. Primeiramente, enviou-se um e-mail para todos os MSLs e gerentes da América Latina, com uma explicação sobre a iniciativa e um *link* com acesso direto aos materiais.

Em seguida, divulgou-se um vídeo curto gravado por uma MSL coautora de um dos estudos, destacando os pontos-chave e convidando os colegas a utilizarem o recurso. Por fim, os materiais elaborados foram apresentados pelos autores dos estudos em reuniões de time, para aprofundamento dos dados e abertura de sessão de dúvidas.

Para a avaliação dos resultados qualitativos, aplicou-se uma entrevista estruturada com os MSLs que utilizaram os materiais. A entrevista foi composta por três perguntas abertas, abordando as percepções sobre a eficácia e utilidade dos conteúdos nas interações com profissionais da saúde, bem como os *feedbacks* recebidos e experiências individuais.

A coleta de dados qualitativos foi realizada por meio de envio eletrônico aos participantes após a conclusão das etapas de comunicação. O roteiro da entrevista estruturada encontra-se disponível no Apêndice A do trabalho original. As respostas foram analisadas por meio de análise de conteúdo de natureza temática, com leitura integral das respostas, seguida da identificação de padrões recorrentes e categorização por similaridade de temas, permitindo a interpretação das percepções dos participantes (Gil, 2008).

Para a análise quantitativa, extraíram-se dados do sistema eletrônico utilizado pela organização, incluindo métricas de uso dos materiais, como o número de apresentações realizadas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas, permitindo mensurar o nível de uso, compartilhamento e adoção da ferramenta ao longo do período de maio de 2025 a janeiro de 2026.

Como ferramenta de apoio à organização do projeto, utilizou-se a matriz RACI (Responsible, Accountable, Consulted, Informed), com o objetivo de definir de forma clara os papéis e responsabilidades dos envolvidos em cada etapa do processo. Essa ferramenta contribuiu para maior eficiência na execução e alinhamento entre os *stakeholders* (Saad, 2025).

3. Resultados e Discussão

O estudo foi estruturado a partir de princípios de gestão de projetos, considerando as etapas de planejamento, execução e avaliação da intervenção proposta. A implementação do projeto foi organizada em duas fases distintas, com o objetivo de avaliar o impacto de diferentes estratégias de comunicação sobre a adoção de materiais científicos. Essa abordagem sistemática permitiu uma análise detalhada da eficácia de cada fase na disseminação de estudos observacionais por Medical Science Liaisons (MSLs) em uma indústria farmacêutica, alinhando-se ao objetivo de desenvolver uma estrutura organizada e multicanal de comunicação científica.

A primeira fase, denominada Disponibilidade Passiva, ocorreu entre maio e julho de 2025. Durante este período, os materiais de comunicação científica foram apenas disponibilizados na plataforma digital utilizada pelos MSLs, sem a adoção de ações específicas de divulgação. Os resultados quantitativos desta fase registraram um total de oito downloads. Embora esse número indique um interesse inicial no acesso aos materiais, a baixa frequência observada sugere que a disponibilização passiva, isoladamente, apresentou um alcance limitado e uma capacidade restrita de engajamento no contexto organizacional analisado.

Em contraste, a segunda fase, Comunicação Ativa, implementada de agosto de 2025 a janeiro de 2026, envolveu uma estratégia de comunicação interna direcionada e multicanal. Após a adoção dessa estratégia, foram registrados 22 downloads adicionais dos materiais. Esse aumento representou um crescimento de 175% na utilização dos recursos em comparação com a fase de disponibilidade passiva, indicando que a adoção de ações estruturadas de comunicação está diretamente associada a uma maior visibilidade e acesso aos materiais científicos.

O resultado combinado de ambas as fases totalizou 30 downloads ao longo de nove meses. Este dado demonstra que, embora houvesse um nível inicial de acesso aos materiais, a utilização em maior escala foi impulsionada significativamente pela adoção de estratégias de comunicação mais ativas. Esses achados sugerem que a forma de disseminação influencia diretamente o nível de acesso e utilização de conteúdos em ambientes corporativos, especialmente quando acompanhada de ações estruturadas de comunicação e engajamento. A efetividade de um projeto dessa natureza, portanto, não se restringe à qualidade do material, mas à estratégia de comunicação adotada para sua divulgação.

A análise qualitativa, realizada por meio de entrevistas estruturadas com os MSLs que utilizaram os materiais, complementou os dados quantitativos. Foram identificados 12 MSLs que fizeram uso dos materiais, dos quais quatro responderam à pesquisa, resultando em uma taxa de resposta de 33,3%. Embora a amostra seja reduzida, os relatos obtidos permitiram identificar indícios de percepção positiva em relação à utilização dos materiais, destacando aspectos como relevância, praticidade e organização das informações nas interações com profissionais da saúde.

Os relatos dos participantes também evidenciaram uma percepção de ganho de eficiência no processo de preparação das interações, bem como maior segurança na comunicação dos dados, uma vez que os conteúdos já haviam sido previamente estruturados e validados internamente. Além disso, foi mencionada a contribuição dos materiais para a valorização dos estudos desenvolvidos pela equipe de “Local Data Generation” (LDG), favorecendo maior visibilidade interna das pesquisas realizadas. Contudo, é importante ressaltar que essas percepções, baseadas em um número limitado de respondentes, devem ser interpretadas com cautela, conforme apontado por Gil (2008).

A análise conjunta dos dados quantitativos e qualitativos permite uma compreensão mais ampla dos resultados. Enquanto os dados quantitativos indicaram um aumento no acesso aos materiais após a implementação da estratégia de comunicação, os dados qualitativos sugerem percepções positivas em relação à sua utilização, especialmente no que se refere à organização das informações e ao apoio nas interações com profissionais da saúde. De forma integrada, os resultados indicam que a adoção dos materiais está associada não apenas à sua disponibilidade, mas também à forma como são comunicados e incorporados às rotinas de trabalho.

Nesse sentido, observa-se que estratégias estruturadas de comunicação podem influenciar o nível de acesso e percepção de valor dos conteúdos no contexto organizacional analisado. A comunicação deixa de ser um elemento acessório e assume um papel central na efetividade das iniciativas organizacionais, atuando como um fator determinante para a transformação de informação em prática. A percepção de valor atribuída aos materiais está associada a ganhos concretos no desempenho das atividades, como a redução do tempo de preparação e o aumento da segurança na transmissão das informações, evidenciando que a adoção da ferramenta está relacionada à sua capacidade de resolver problemas reais enfrentados pelos profissionais.

A diferença observada entre as fases de disponibilidade passiva e comunicação ativa reforça que a implementação de iniciativas organizacionais não depende exclusivamente da qualidade do produto desenvolvido, mas da forma como esse produto é introduzido e sustentado dentro da organização. Este resultado aponta para a necessidade de integrar estratégias de comunicação e gestão de mudança como parte estruturante dos projetos, especialmente em contextos que envolvem adoção de novas práticas ou ferramentas, o que é crucial para o engajamento organizacional e a efetividade do impacto operacional.

Para garantir que o processo ocorresse de maneira fluida e evitar problemas que historicamente afetavam a organização, foi utilizada a Matriz RACI (Responsible, Accountable, Consulted, Informed) como ferramenta de planejamento. Seu propósito foi estabelecer clareza sobre os papéis e responsabilidades dos envolvidos em cada etapa do processo, contribuindo para maior eficiência na execução e alinhamento entre os stakeholders (Saad, 2025). A matriz RACI foi aplicada para definir as responsabilidades em atividades como identificação do estudo prioritário, desenvolvimento do *slide deck*, aprovação do material, realização da comunicação ativa e utilização do material com *feedback*.

A aplicação da matriz RACI trouxe impactos positivos no projeto, como a eficiência da operação e o engajamento dos *stakeholders*. Ao definir uma única pessoa responsável por cada tarefa, os atrasos foram evitados, pois não havia necessidade de múltiplas revisões, garantindo que a ferramenta estivesse disponível no prazo planejado para a campanha de comunicação. Além disso, atribuir uma tarefa de responsabilidade aos MSLs transformou-os de receptores passivos para participantes ativos, sendo uma peça estratégica para que o trabalho fosse utilizado. Ao se sentirem parte do processo, o engajamento e a probabilidade de uso aumentaram, demonstrando como uma governança bem planejada pode ser por si só uma ferramenta de gestão de mudanças.

Os resultados obtidos evidenciam a relevância da aplicação de princípios de gestão de projetos no contexto da comunicação científica. A utilização de ferramentas como a matriz RACI, aliada à definição estruturada de etapas, objetivos e estratégias de comunicação, contribuiu para maior organização, clareza de responsabilidades e efetividade na execução do projeto. A gestão de projetos não se limita ao planejamento técnico das entregas, mas desempenha papel fundamental na coordenação de ações, no engajamento das equipes e na sustentação da implementação no contexto organizacional, o que foi crucial para a adoção dos materiais.

Em síntese, a combinação entre a estruturação do conteúdo, as estratégias de comunicação e a definição clara de responsabilidades contribuiu para a criação de um ambiente mais favorável à adoção e utilização de recursos organizacionais. Dessa forma, a gestão da comunicação científica pode ser compreendida não apenas como um processo de disseminação de informações, mas como um elemento estratégico na transformação do conhecimento em ação, respondendo ao objetivo de ampliar a disseminação e utilização de estudos observacionais por MSLs.

4. Conclusão

O presente estudo teve como objetivo desenvolver e implementar, em caráter piloto, uma estrutura organizada de comunicação científica para ampliar a disseminação e utilização de estudos observacionais por Medical Science Liaisons (MSLs) em uma indústria farmacêutica. Verificou-se que a simples disponibilização passiva dos materiais resultou em um uso limitado, com apenas oito downloads registrados. Contudo, após a implementação de uma estratégia de comunicação ativa e multicanal, observou-se um aumento de 175% na utilização dos recursos, totalizando 22 downloads adicionais. Os dados qualitativos complementaram esses achados, evidenciando que os MSLs perceberam valor nos materiais, associando-os a ganhos de eficiência e segurança na preparação de suas interações com profissionais da saúde. Identificou-se que a efetividade da disseminação científica não reside apenas na qualidade do conteúdo, mas na forma como ele é estruturado, comunicado e incorporado às práticas organizacionais. A aplicação de princípios de gestão de projetos, como a matriz RACI, demonstrou ser crucial para a clareza de papéis, a eficiência operacional e o engajamento dos stakeholders, transformando a comunicação científica em um elemento estratégico para a adoção de ferramentas e a transformação do conhecimento em ação.

Apesar dos resultados promissores, reconhece-se que a baixa taxa de retorno na etapa qualitativa, com apenas quatro respondentes de um total de doze usuários identificados, limita a generalização das percepções positivas. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da amostra, o acompanhamento longitudinal da utilização dos materiais e a inclusão de métricas adicionais que permitam avaliar o impacto direto nas interações com profissionais da saúde. O modelo estruturado de comunicação científica proposto, organizado sob princípios de gestão de projetos, demonstrou ser adaptável e validado em caráter piloto, oferecendo uma contribuição prática ao setor farmacêutico. Recomenda-se a formalização desse processo como uma estrutura padrão para outras iniciativas, com ajustes conforme as necessidades específicas, reforçando a importância de integrar estratégias de comunicação e gestão de mudança para o sucesso de projetos organizacionais.

Referências Bibliográficas

Dinatale, A.; Landi, F. 2025. Strategic Communication in the MSL Role: Bridging Science, Ethics, and Human Relationships. The MSL. Journal of the medical science liaison society. Disponível em: https://themsljournal.com/article/strategic-communication-in-the-msl-role-bridging-science-ethics-and-human-relationships/. Acesso em: 29 out. 2025.

Dylan, S. Small. 2024. Protocols for Observational Studies: Methods and Open Problems. Statistical Science 39 (4): 519-554.

Fischhoff, B. 2018. Evaluating science communication. Proceedings of the National Academy of Sciences 116 (16): 7670-7675.

Gil, A.C. 2008. Como elaborar projetos de pesquisa. Altas (4). São Paulo.

Iyengar, S.; Massey, D.S. 2018. Scientific communication in a post-truth society. Proceedings of the National Academy of Sciences 116(16):7656-7661.

Meadows, A.J. 1999. A comunicação científica. Briquet de Lemos. Brasília, Brasil.

National Cancer Institute [NCI]. 2023. Participate in Observational Studies. Disponível em: < https://www.cancer.gov/research/participate/how/observational-studies>. Acesso em: 29 out. 2025.

Project Management Institute. 2025. A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide) (8th ed.). Newtown Square, PA: Project Management Institute.

Saad, R.G. 2025. Matriz RACI. Documentação Scielo. Disponível em: < https://documentacao.scielo.org/books/programa-de-preservacao-digital/page/matriz-raci >. Acessado em: 12 jan. 2026.

Yin, R. K. 2015. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. Bookman. (2) Porto Alegre.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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