Artigo

24 de julho de 2026

Gerenciando custos de Projetos de Dublagem em uma Microempresa utilizando a plataforma DUBSOL

Cláudia Assae Takenaka; Ana Beatriz de Figueiredo Oliveira

DOI: 10.22167/2675-6528-202600676

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O setor de dublagem experimentou uma aceleração tecnológica e o surgimento de empreendedores com a pandemia de 2020, impulsionando a dublagem remota e a necessidade de ferramentas para gerenciamento de projetos. Analisou-se o uso da plataforma DUBSOL em uma microempresa para verificar sua eficácia no gerenciamento de custos e identificar inovações que poderiam beneficiar empresas de dublagem brasileiras. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, empregou um estudo de caso em uma microempresa de dublagem, onde se analisaram projetos gerenciados com e sem a plataforma DUBSOL. Utilizou-se questionários com stakeholders e a comparação de dados de projetos, seguindo as boas práticas do PMBOK para gerenciamento de custos. Os resultados indicaram que, embora a DUBSOL tenha proporcionado melhorias na padronização de informações e nos pagamentos, a eficácia plena foi limitada pela inexperiência da equipe em gerenciamento de custos e por desafios de usabilidade da plataforma, como duplicidade e extração de dados. Concluiu-se que a plataforma DUBSOL oferece benefícios na consolidação de dados e otimização de processos, mas seu aproveitamento máximo depende da capacitação da equipe em gerenciamento de projetos e de aprimoramentos na usabilidade do software, sugerindo a necessidade de melhor estruturação do mercado de dublagem.

Palavras-chave: Dublagem brasileira; Empreendedorismo; Gestão de projetos; Inovação; Pandemia.

1. Introdução

A dublagem, definida como a substituição da linguagem falada original de uma produção audiovisual por outro idioma, tem desempenhado um papel crucial na comunicação global (Nascimento, 2014). Sua origem remonta a 1930, com o filme The Flyer, mas a necessidade dessa prática surgiu anos antes, em 1927, com o advento do cinema falado. A partir desse marco, a indústria cinematográfica revolucionou-se, exigindo novas formas de comunicação com públicos que não dominavam o idioma original (Costa, 2022).

No contexto brasileiro, a dublagem possui uma relevância social significativa, pois democratiza o acesso à cultura para uma vasta parcela da população que não é proficiente em línguas estrangeiras. Além disso, a prática contribui para a inclusão de pessoas com dificuldades de leitura, como analfabetos, idosos ou indivíduos com baixa visão (Doria, 2019). A dublagem brasileira, em particular, é reconhecida mundialmente pela sua qualidade técnica e artística (Oliveira, 2024).

Contudo, o cenário globalizado e a constante evolução tecnológica impõem novos desafios e transformações ao setor. A dublagem já experimenta os impactos da tecnologia, seja por meio de gravações remotas ou pela crescente utilização da inteligência artificial (Oliveira, 2024). A pandemia de COVID-19, iniciada em 2020, acelerou drasticamente a adoção de novas tecnologias e impulsionou o surgimento de empreendedores no setor. No entanto, essa expansão ocorreu sem uma estruturação adequada da área de gerenciamento de projetos.

O Brasil, alinhado ao movimento global, viu surgir oportunidades para a dublagem remota. Muitos estúdios adaptaram-se rapidamente, fornecendo microfones e cabines acústicas aos dubladores para a continuidade das atividades (Oliveira, 2024). Em 2020, o Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos e Diversões do Estado de São Paulo (SATED-SP) autorizou os primeiros testes de dublagem à distância, com a Delart Estúdios Cinematográficos sendo uma das pioneiras na utilização dessa inovação no longa-metragem Enola Holmes (Dublagem Brasileira, 2020).

Nesse ambiente de rápidas mudanças e necessidade de adaptação, muitas microempresas de dublagem surgiram, frequentemente desprovidas de uma estrutura robusta para o gerenciamento de seus projetos. O empreendedorismo no Brasil tem crescido, com mais de 3,9 milhões de novos empreendedores em 2021, impulsionados tanto pela necessidade quanto pela identificação de oportunidades (SEBRAE, 2021). No entanto, esses empreendedores enfrentam desafios significativos, como a gestão financeira, a administração de capital humano, a alta carga tributária e a obtenção de créditos (SEBRAE, 2023). Um planejamento financeiro eficaz é crucial para mitigar grande parte dessas dificuldades.

O gerenciamento de custos é uma disciplina fundamental para a sustentabilidade de qualquer projeto. O Project Management Institute (PMI), por meio do PMBOK (PMI, 2017), seu guia de melhores práticas, enfatiza a importância de processos como planejar, estimar, determinar e controlar os custos para garantir que um projeto seja concluído dentro do orçamento previsto. A ausência de uma gestão de custos estruturada pode levar a ineficiências e perdas financeiras, especialmente em microempresas com recursos limitados.

Diante dessa lacuna, a plataforma DUBSOL foi lançada em 2022 pela Alcateia Audiovisual, após dez anos de desenvolvimento, com a proposta de ser uma solução completa para projetos de dublagem (EGA, 2022). A plataforma permite o lançamento de dados para orçamentação, análise de viabilidade, destinação simultânea de material para profissionais, acompanhamento da evolução da equipe e controle de custos de produção e pós-produção. Além disso, auxilia no acompanhamento do recebimento de faturas e na divisão de valores entre os colaboradores envolvidos, oferecendo um controle simplificado e eficaz dos custos.

A relevância de investigar o uso de ferramentas como a DUBSOL reside na possibilidade de otimizar o gerenciamento de custos em um setor em expansão, mas ainda carente de estruturação. Este estudo se justifica pela necessidade de compreender como as boas práticas de gerenciamento de projetos, aliadas a soluções tecnológicas, podem beneficiar microempresas de dublagem. Assim, o objetivo deste estudo é analisar o uso da plataforma DUBSOL por uma microempresa em projetos de dublagem, a fim de verificar a eficácia no gerenciamento de custos, visando apresentar inovações que trarão melhorias e benfeitorias às empresas de dublagem brasileira.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de natureza qualitativa e com objetivo exploratório. A abordagem metodológica empregou um estudo de caso, complementado pela aplicação de questionários, visando investigar os conceitos e as possibilidades inerentes ao setor emergente da dublagem. O propósito do estudo de caso foi analisar o desempenho da plataforma DUBSOL em diferentes cenários, permitindo a avaliação de múltiplos projetos dentro de uma única microempresa em um período delimitado.

A unidade de análise consistiu em projetos de dublagem gerenciados, buscando-se compreender a eficácia e a eficiência de sua gestão. Os indivíduos participantes da pesquisa foram colaboradores diretos da microempresa e os dados foram coletados a partir dos projetos de dublagem. A pesquisa foi realizada no período de fevereiro de 2025 a fevereiro de 2026, em uma microempresa de dublagem sediada no Estado da Paraíba, Brasil.

Para a seleção da microempresa, foram estabelecidos critérios específicos. A empresa deveria atuar no setor de dublagem, ser classificada como microempresa e ter nacionalidade brasileira. Adicionalmente, foi exigido que a fundação da empresa tivesse ocorrido a partir de 2020. A microempresa selecionada também deveria utilizar ou ter utilizado a plataforma DUBSOL e gerenciar ou ter gerenciado projetos fora da plataforma.

Os projetos analisados foram selecionados com base em dois critérios principais. Para os projetos gerenciados sem a plataforma, exigiu-se que tivessem sido totalmente gerenciados fora da DUBSOL e que estivessem concluídos. Para os projetos gerenciados com a plataforma, os critérios foram que tivessem sido total ou parcialmente gerenciados com a DUBSOL e que também estivessem concluídos.

A coleta de dados foi realizada por meio de uma entrevista inicial e da aplicação de um questionário. Uma pequena entrevista (Apêndice 01) foi conduzida com um dos sócios da microempresa, com o objetivo de confirmar informações básicas da empresa e esclarecer a divergência entre as datas de registro dos projetos iniciais e a data de fundação da empresa, assegurando a aderência aos critérios da pesquisa.

Posteriormente, aplicou-se um questionário (Apêndice 03) aos três sócios majoritários da microempresa. Este instrumento foi desenvolvido para avaliar o nível de conhecimento dos responsáveis pela utilização da plataforma DUBSOL, a compreensão sobre gestão de custos e o impacto dessas informações no funcionamento do software. O questionário foi administrado online, com o link enviado diretamente aos participantes, e todos os três sócios responderam.

Os dados dos projetos, tanto os gerenciados antes quanto os gerenciados após a implementação da plataforma DUBSOL, foram disponibilizados pela microempresa. Esses dados foram analisados em conformidade com as boas práticas de gerenciamento de custos preconizadas pelo Project Management Institute (PMI, 2017), abrangendo as etapas de planejar, estimar, determinar e controlar os custos.

A análise dos dados envolveu a comparação entre os projetos gerenciados com e sem a plataforma DUBSOL. As respostas do questionário foram avaliadas para determinar a funcionalidade do software, incluindo a facilidade de manuseio, eficiência, e a ocorrência de erros ou acertos sob a perspectiva dos usuários. Também se verificou a proximidade dos usuários com o tema de gerenciamento de custos.

Em relação aos cuidados éticos, todos os participantes da pesquisa, os três sócios majoritários, deram aceite ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme detalhado no Apêndice 02. Garantiu-se a confidencialidade das informações e o anonimato dos respondentes, assegurando que os dados coletados seriam utilizados exclusivamente para os objetivos científicos do estudo.

3. Resultados e Discussão

A análise do uso da plataforma DUBSOL em uma microempresa de dublagem revelou um cenário complexo, onde a implementação de uma ferramenta tecnológica para gerenciamento de custos se entrelaça com o nível de maturidade da equipe em gestão de projetos. Os resultados indicaram que, embora a DUBSOL tenha introduzido melhorias significativas em aspectos como a padronização de informações e a agilidade nos pagamentos, sua eficácia plena foi mitigada pela inexperiência da equipe em gerenciamento de custos e por desafios inerentes à usabilidade da própria plataforma. A pesquisa buscou, assim, compreender os impactos reais dessa ferramenta no contexto de um setor em rápida transformação, conforme proposto pelo objetivo do estudo.

Os primeiros registros de projetos da microempresa analisada datam de setembro de 2024, antecedendo sua fundação oficial em janeiro de 2025. Essa discrepância temporal foi justificada por um dos sócios como um período de estudos de mercado, visando avaliar o potencial da área e identificar novas oportunidades de negócio no crescente segmento da dublagem. A partir de fevereiro de 2025, a empresa iniciou a utilização da plataforma DUBSOL, com o propósito de otimizar o gerenciamento de seus projetos. Contudo, o foco deste estudo concentrou-se especificamente nas etapas de gerenciamento de custos, que incluem planejar, estimar, determinar e controlar, conforme as boas práticas do PMBOK (PMI, 2017).

Estudo de Caso – Projetos

Na fase de planejamento dos projetos, a microempresa não utilizou a plataforma DUBSOL. Observou-se que a ferramenta não oferecia benefícios substanciais para a análise dos dados iniciais, frequentemente resultando em duplicação ou omissão de informações cruciais. Essa limitação levou a equipe a manter o planejamento por meio de planilhas de Excel previamente automatizadas pela própria empresa, mesmo após a implementação da DUBSOL. As boas práticas do PMBOK (PMI, 2017) eram verificadas por meio de opiniões especializadas dos stakeholders, que possuíam experiência em projetos de dublagem, e em reuniões internas para definir o direcionamento estratégico da empresa, evidenciando a persistência de métodos manuais em uma etapa crítica.

A etapa de estimativa de custos, por outro lado, demonstrou uma integração parcial com a plataforma DUBSOL. Embora o processo de planejamento continuasse manual, a DUBSOL já estava estruturada para gerenciar os custos básicos, facilitando a inserção de valores e reduzindo a probabilidade de erros como duplicidade ou esquecimento de tarefas e despesas. Ferramentas de estimativa do PMBOK (PMI, 2017), como a opinião especializada, continuaram sendo empregadas. No entanto, a plataforma impactou positivamente a estimativa análoga, paramétrica e bottom-up, além da análise de dados e da tomada de decisões, ao centralizar as informações e permitir uma visualização e comparação mais eficazes entre projetos ao longo do tempo.

A variabilidade nas ferramentas de estimativa era notável, adaptando-se à natureza de cada projeto. Em trabalhos com clientes recorrentes e poucas alterações, um detalhamento minucioso era possível. Contudo, para novas agências ou formatos de projetos, a estimativa se restringia a abordagens paramétricas ou análogas, baseadas em experiências anteriores. A DUBSOL, nesse contexto, desempenhou um papel crucial ao concentrar os dados de estimativa, o que facilitou a visualização e a comparação entre os diferentes projetos ao longo do tempo, contribuindo para uma maior consistência e rastreabilidade, mesmo que a entrada de dados ainda exigisse atenção manual.

A fase de determinação de custos revelou uma transição incompleta para a plataforma DUBSOL. Após a aprovação dos projetos, a oficialização dos custos, prazos e profissionais envolvidos ocorria por meio de uma combinação de planilhas de Excel mais automatizadas e da própria plataforma. A microempresa enfrentou dificuldades em algumas funcionalidades da DUBSOL, o que impediu uma migração total. Um dos principais benefícios identificados foi a escalação automática dos profissionais diretamente envolvidos no projeto, gerando os gastos correspondentes. No entanto, a inserção dos dispêndios de profissionais indiretos, que atuam em múltiplos projetos, apresentou-se como um desafio significativo, exigindo ainda o uso complementar de planilhas.

No que tange à fase de controle de custos, a empresa ainda dependia predominantemente de planilhas de Excel. Foram identificados três tipos de controle: a entrega do material por todos os profissionais envolvidos (tradutores, adaptadores, dubladores, mixadores, gerentes e diretores), o recebimento dos honorários dos clientes e o envio e pagamento das Notas Fiscais dos colaboradores. Embora a DUBSOL auxiliasse no levantamento dos colaboradores e dos valores para pagamento, o controle financeiro e de faturamento continuava sendo feito quase que exclusivamente em Excel. Essa dependência de planilhas, em vez de uma integração completa com a plataforma, gerava insegurança na confiabilidade das informações, especialmente na aplicação de ferramentas do PMBOK como análise de valor agregado, variação, tendências e índices de desempenho para término.

Resultado dos Questionários

A pesquisa com os stakeholders, composta pelos três sócios majoritários da microempresa, forneceu insights valiosos sobre a percepção e o conhecimento em gerenciamento de custos e sobre a plataforma DUBSOL. Os respondentes, todos do sexo masculino, com idades entre 30 e 50 anos, possuíam formação superior completa ou pós-graduação lato sensu e, no mínimo, cinco anos de experiência no setor de dublagem, além de já terem utilizado a plataforma DUBSOL. Essa homogeneidade no perfil dos participantes permitiu uma análise focada nas experiências de gestores com conhecimento prévio do setor e da ferramenta.

Em relação ao conhecimento em gerenciamento de custos, observou-se uma variância significativa entre os respondentes. Um dos sócios se identificou como “especialista”, enquanto os demais apresentaram níveis de conhecimento mais básicos. Essa disparidade pode ser correlacionada com o tempo de experiência no setor, onde a maioria dos respondentes possuía entre cinco e dez anos de atuação. A falta de um conhecimento homogêneo e aprofundado em gerenciamento de custos entre os principais gestores da empresa impacta diretamente a capacidade de extrair o máximo potencial de ferramentas como a DUBSOL, conforme preconizado pelo PMBOK (PMI, 2017).

A percepção sobre a existência de um setor de gerenciamento de custos na empresa também revelou divergências. Um dos sócios indicou a presença de um setor exclusivo, enquanto outro afirmou que os profissionais não atuavam somente nessa área. Além disso, um profissional se identificou como responsável por determinar os custos, enquanto os demais eram apenas informados sobre eles. Essa falta de clareza na estrutura e nas responsabilidades do gerenciamento de custos pode levar a ineficiências e à subutilização de ferramentas, reforçando a necessidade de uma estruturação organizacional mais robusta para otimizar os processos.

A composição dos custos em projetos de dublagem também demonstrou uma compreensão heterogênea entre os pesquisados. Um dos respondentes não incluiu o lucro como parte dos custos, e dois deles não consideraram os equipamentos. Nenhum dos participantes acrescentou “outros” componentes à lista de custos. Essa inconsistência na percepção dos elementos que compõem o custo total de um projeto de dublagem sugere uma lacuna no entendimento fundamental da estrutura financeira, o que pode comprometer a precisão das estimativas e o controle orçamentário, independentemente da ferramenta utilizada.

A familiaridade com a plataforma DUBSOL variou entre os sócios, com um deles acompanhando o desenvolvimento do software por um período de três a treze anos, e os outros dois utilizando-a há um a três anos. Essa experiência prévia e a capacidade de interação com a ferramenta eram consideradas elevadas. No entanto, ao serem questionados sobre a estimativa de custos antes da DUBSOL, os respondentes indicaram que utilizavam planilhas de Excel não automatizadas, o que sugere uma equipe com pouca expertise em métodos de estimativa mais sofisticados, como os descritos no PMBOK (PMI, 2017).

Apesar da percepção inicial de que a plataforma DUBSOL seria capaz de suprir as necessidades de gerenciamento de custos, a análise das dificuldades após sua implantação revelou uma realidade diferente. Os principais desafios incluíram duplicidade de dados, dificuldade em extrair e encontrar informações, problemas na inserção de dados, limitações na personalização de campos, dificuldade geral no uso da plataforma e, notavelmente, a falta de treinamento adequado. Essas dificuldades, mesmo em uma equipe familiarizada com o setor, indicam que a usabilidade e a funcionalidade da DUBSOL ainda necessitam de aprimoramentos para atender plenamente às expectativas dos usuários.

Apesar das dificuldades, a implantação da DUBSOL trouxe melhorias perceptíveis em comparação com o cenário anterior. Antes da plataforma, a percepção do gerenciamento de custos era consideravelmente pior, com relatos de erros e dificuldades como gasto excessivo de tempo, inserção de custos errados ou duplicados, falta de documentação e ausência de inclusão de custos. Após a implementação da DUBSOL, as melhorias mais destacadas foram a facilidade na padronização das informações e a pontualidade nos pagamentos. Esses avanços, embora importantes, não eliminaram completamente os desafios operacionais e de usabilidade da ferramenta.

Contudo, uma incoerência significativa emergiu quando os stakeholders foram questionados sobre a DUBSOL ser a “melhor plataforma para gerenciar custos em projetos de dublagem”. Embora os quesitos anteriores demonstrassem aprovação geral da plataforma, a resposta a essa questão específica não foi tão coerente ou afirmativa. Adicionalmente, apesar de todos concordarem que a plataforma não apresentou erros após a implantação, houve divergência na afirmação de que “Com a DUBSOL, não acontecem erros em relação ao custo planejado para um projeto”. Essas inconsistências sugerem que, embora a ferramenta tenha benefícios, sua percepção como solução definitiva ou infalível ainda é limitada pela experiência prática dos usuários.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que a plataforma DUBSOL oferece benefícios na consolidação de dados e na otimização de processos de pagamento e padronização, contribuindo para a evolução da microempresa. No entanto, seu aproveitamento máximo foi restrito pela inexperiência da equipe em gerenciamento de projetos e por desafios de usabilidade do software, como a duplicidade e a dificuldade na extração de dados. Os resultados apontam para a necessidade de aprimoramentos na ferramenta e, crucialmente, para a capacitação da equipe em boas práticas de gerenciamento de custos, evidenciando que a tecnologia, por si só, não substitui a expertise humana e a estruturação do mercado de dublagem.

4. Conclusão

O presente estudo analisou o uso da plataforma DUBSOL por uma microempresa em projetos de dublagem, buscando verificar sua eficácia no gerenciamento de custos e identificar inovações que pudessem beneficiar o setor brasileiro. Verificou-se que a implementação da DUBSOL proporcionou melhorias notáveis na padronização de informações e na agilidade dos pagamentos, elementos cruciais para a organização de projetos. Contudo, a eficácia plena da plataforma foi limitada pela inexperiência da equipe em gerenciamento de custos, o que impediu o aproveitamento máximo de suas funcionalidades. Observou-se que, em fases como o planejamento e o controle de custos, a dependência de planilhas de Excel persistiu devido a desafios de usabilidade da DUBSOL, incluindo duplicidade de dados, dificuldades na extração de informações e limitações na personalização de campos. A contribuição prática deste trabalho reside em evidenciar que, embora a tecnologia ofereça ferramentas valiosas para a otimização de processos, seu impacto é diretamente proporcional à capacitação da equipe e à adequação da ferramenta às necessidades operacionais, apontando para a necessidade de uma estruturação mais robusta do mercado de dublagem.

As limitações do estudo decorreram principalmente da inexperiência da equipe da microempresa em boas práticas de gerenciamento de projetos, conforme preconizado pelo PMBOK, e das dificuldades de usabilidade da própria plataforma DUBSOL, que não se integrou completamente em todas as etapas do gerenciamento de custos. A inconsistência na percepção dos sócios sobre a composição dos custos e a estrutura do setor de gerenciamento na empresa também representaram um obstáculo para a otimização completa. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a investigação sobre a capacitação mínima necessária para equipes em gerenciamento de custos, a fim de maximizar o aproveitamento de softwares especializados. Recomenda-se, ainda, que a plataforma DUBSOL passe por aprimoramentos em sua usabilidade e funcionalidades, especialmente na gestão de custos indiretos e na extração de dados, para que possa oferecer uma solução mais completa e intuitiva, contribuindo de forma mais efetiva para a profissionalização e o crescimento das microempresas de dublagem no Brasil.

Referências Bibliográficas

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Nascimento, F. G. 2014. A voz em estúdio: o uso audiovisual da dublagem e do diálogo pós-sincronizado no Brasil. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. USP, São Paulo, São Paulo, Brasil.

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Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). 2023. Disponível em: <https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/empreendedorismo-brasileiro-quais-sao-os-desafios-e-as-oportunidades,829bbbd38f896810VgnVCM1000001b00320aRCRD>. Acesso em 08/06/2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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