Artigo

28 de julho de 2026

Gerenciamento do Cronograma em Implantações de Sistemas com Inteligência Artificial em Clínicas de Saúde

Yuri Eduardo Raizel Martins; Iara Tonissi Moroni

DOI: 10.22167/2675-6528-202601551

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A implantação de sistemas baseados em inteligência artificial no setor da saúde demanda planejamento estruturado para garantir previsibilidade e controle dos prazos. Este estudo objetivou analisar como a estruturação do gerenciamento do cronograma influencia a previsibilidade e o desempenho das implantações de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde. A pesquisa, de caráter aplicado e abordagem qualitativa, utilizou o método de estudo de caso, focando no processo de implantação de uma plataforma tecnológica de IA para atendimento e agendamento de consultas em clínicas médicas. Foi realizada em uma empresa de tecnologia do setor da saúde, analisando nove projetos de implantação, sendo quatro anteriores e cinco posteriores à estruturação do cronograma. Os resultados evidenciaram uma redução significativa da variabilidade dos prazos de implantação, que passaram de um intervalo entre 60 e 150 dias para um intervalo mais concentrado entre 40 e 60 dias, representando uma redução de aproximadamente 50% no tempo médio de execução. Observou-se, ainda, a diminuição de retrabalho e a melhoria na comunicação entre equipe e cliente. Concluiu-se que a estruturação do gerenciamento do cronograma contribuiu diretamente para o aumento da previsibilidade e para a melhoria do desempenho dos projetos de implantação.

Palavras-chave: Automação de atendimento; Caminho crítico; Gestão de implantação; Previsibilidade de projetos; SaaS.

1. Introdução

O avanço das tecnologias digitais tem promovido transformações significativas na forma como as organizações estruturam seus processos e entregam valor. No contexto das clínicas de saúde, observa-se a adoção crescente de soluções tecnológicas voltadas à automação de atividades administrativas, como agendamento, confirmação de consultas e atendimento inicial ao paciente. Essas iniciativas buscam aumentar a eficiência operacional, reduzir a sobrecarga das equipes e melhorar a experiência dos usuários, o que evidencia a necessidade de processos de implantação bem estruturados para que os resultados esperados sejam efetivamente alcançados (PMI, 2021).

A implantação de sistemas tecnológicos, especialmente aqueles que incorporam inteligência artificial, pode ser compreendida como um projeto. Trata-se de um esforço temporário, com início e fim definidos, destinado à entrega de um produto ou serviço único. De acordo com o Guia PMBOK, o gerenciamento de projetos envolve a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas para atender aos requisitos do projeto, sendo o gerenciamento do cronograma uma das áreas fundamentais para garantir previsibilidade, controle e alinhamento entre as partes interessadas (PMI, 2021).

Em projetos de implantação de sistemas com inteligência artificial, a ausência de um cronograma estruturado tende a gerar atrasos, retrabalho e dificuldades de comunicação entre equipes técnicas e clientes. Essa problemática é amplificada pela complexidade inerente a essas soluções. Métodos ágeis de gestão, como o Scrum, destacam a importância da divisão do trabalho em etapas claras, com entregas frequentes e transparência no andamento das atividades, favorecendo o acompanhamento contínuo e a identificação antecipada de problemas (Sutherland, 2014). De forma complementar, a abordagem Sprint enfatiza a realização de ciclos curtos de trabalho e validação, permitindo testar soluções e promover ajustes de maneira mais rápida e controlada (Knapp, Zeratsky, Kowitz, 2017). Além disso, o pensamento enxuto reforça a necessidade de experimentação, aprendizado contínuo e redução de desperdícios, como proposto pela Startup Enxuta (Ries, 2012) e pela Lean Inception, que destaca o alinhamento e a definição clara de escopo (Caroli, 2018).

No âmbito do gerenciamento de projetos, o gerenciamento do cronograma constitui uma das áreas de conhecimento fundamentais para assegurar a entrega do projeto dentro dos prazos estabelecidos. Conforme o Guia PMBOK (PMI, 2021), ele envolve um conjunto de processos inter-relacionados que visam planejar, desenvolver, monitorar e controlar o tempo do projeto. Esses processos incluem a definição das atividades, que consiste na identificação das tarefas necessárias para a entrega do projeto, e o sequenciamento das atividades, que estabelece a lógica de execução a partir das dependências existentes entre elas.

A estimativa de duração busca prever o tempo necessário para a execução de cada tarefa, considerando fatores como complexidade, recursos disponíveis e experiência da equipe. O desenvolvimento do cronograma integra essas informações em um planejamento temporal estruturado, frequentemente representado por ferramentas como o gráfico de Gantt, que permite visualizar a distribuição das atividades ao longo do tempo. Adicionalmente, a análise do cronograma possibilita a identificação do caminho crítico, que corresponde à sequência de atividades que determina a duração total do projeto, sendo crucial para a priorização de esforços.

Por fim, o controle do cronograma envolve o monitoramento contínuo do progresso das atividades, a identificação de desvios em relação ao planejamento inicial e a adoção de ações corretivas quando necessário. Esse processo é fundamental para manter a previsibilidade do projeto ao longo de sua execução, permitindo ajustes dinâmicos diante de mudanças ou imprevistos. Dessa forma, o gerenciamento estruturado do cronograma não apenas organiza o planejamento das atividades, mas também estabelece as bases para o acompanhamento e a melhoria contínua do desempenho do projeto.

Nesse contexto, a aplicação integrada das boas práticas de gerenciamento de projetos e de métodos ágeis mostra-se especialmente relevante para projetos de implantação de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde. O planejamento adequado do cronograma possibilita organizar atividades, identificar dependências, antecipar riscos e aprimorar a comunicação com clientes e equipes, contribuindo para a redução da variabilidade dos prazos de implantação e a diminuição de retrabalho.

Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo analisar como a estruturação do gerenciamento do cronograma influencia a previsibilidade e o desempenho das implantações de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde, a partir de um estudo de caso em uma empresa de tecnologia.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa possui caráter aplicado, com abordagem qualitativa e descritiva, e foi conduzida por meio do método de estudo de caso. Esse método foi adotado por permitir a análise aprofundada de um fenômeno contemporâneo inserido em um contexto real, possibilitando a compreensão detalhada do processo de implantação de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde, sob a perspectiva do gerenciamento do cronograma.

O objeto do estudo correspondeu ao processo de implantação de uma plataforma tecnológica baseada em inteligência artificial, utilizada para atendimento e agendamento de consultas em clínicas médicas. O foco da pesquisa esteve na estruturação e análise do gerenciamento do cronograma dessas implantações, conforme as boas práticas de gestão de projetos descritas no Guia PMBOK (PMI, 2021), com ênfase nos processos dos grupos de iniciação e planejamento.

Os processos de gerenciamento do cronograma descritos na 6ª edição do PMBOK foram utilizados como referência estruturante, orientando a organização das etapas metodológicas e a análise. Especificamente, consideraram-se os processos de definir as atividades, sequenciar as atividades, estimar a duração das atividades, desenvolver o cronograma e controlar o cronograma, tratados de forma integrada.

O estudo foi desenvolvido em uma empresa de tecnologia de pequeno porte, localizada na região Sul do Brasil, que atua no desenvolvimento e implantação de soluções digitais para automação de atendimentos administrativos no setor da saúde. A organização atende clínicas médicas e realiza projetos recorrentes de implantação de sistemas integrados a softwares de gestão clínica.

A unidade de análise consistiu em nove projetos de implantação, sendo quatro realizados antes e cinco após a estruturação do cronograma. A escolha dessa organização como campo empírico justificou-se pela recorrência de projetos de implantação de sistemas com inteligência artificial e pela necessidade de estruturar e padronizar o gerenciamento do cronograma.

Os dados analisados foram de natureza qualitativa e foram obtidos por meio da observação direta das implantações realizadas. Adicionalmente, coletaram-se informações a partir da análise de documentos e artefatos do projeto, como cronogramas, registros de tarefas, formulários de coleta de requisitos e registros de testes. A experiência prática do autor na condução dos projetos também foi considerada como fonte de dados.

As etapas metodológicas compreenderam, inicialmente, o diagnóstico do processo atual de implantação. Nessa fase, identificaram-se as atividades realizadas e os principais gargalos relacionados a prazo. Em seguida, definiu-se o conjunto de atividades do projeto, estruturadas em fases sequenciais, alinhadas aos princípios de organização do trabalho (Sutherland, 2014).

Posteriormente, realizou-se o sequenciamento das atividades, com a identificação das dependências técnicas e operacionais entre as etapas. A estimativa de duração das atividades foi definida com base na experiência prática da equipe e no histórico das implantações realizadas, utilizando estimativas médias. Essa abordagem priorizou a agilidade operacional em detrimento de técnicas quantitativas formais.

A etapa final consistiu na consolidação de um cronograma de implantação, que serviu como base para a organização do trabalho e o acompanhamento dos projetos. Esse cronograma foi representado graficamente por meio de um gráfico de Gantt, permitindo visualizar a distribuição temporal das atividades e suas sequências. O gráfico de Gantt apoiou o acompanhamento do projeto e a comunicação com as partes interessadas (Caroli, 2018).

Os dados coletados foram analisados de forma qualitativa, buscando identificar padrões, gargalos e oportunidades de melhoria no gerenciamento do cronograma. A análise do cronograma permitiu a identificação do caminho crítico do projeto, ou seja, a sequência de atividades que determina a duração total da implantação. As atividades que compõem o caminho crítico foram identificadas para priorização de esforços e tomada de decisão gerencial.

A pesquisa foi realizada com autorização formal da empresa estudada, por meio de termo de anuência devidamente assinado, conforme exigido pelas normas institucionais. O uso das informações coletadas restringiu-se exclusivamente a fins acadêmicos, sendo preservada a confidencialidade dos dados e o anonimato da organização, em observância aos princípios éticos da pesquisa.

3. Resultados e Discussão

A aplicação das práticas de gerenciamento do cronograma no processo de implantação de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde revelou impactos substanciais na previsibilidade e no desempenho dos projetos. A análise comparativa, realizada em nove projetos de implantação – quatro anteriores e cinco posteriores à estruturação do cronograma – demonstrou uma melhoria significativa em diversos indicadores. Os resultados concentram-se na definição das atividades, no sequenciamento das etapas, na estimativa de duração e na consolidação de um cronograma, alinhados às diretrizes do Guia PMBOK (PMI, 2021). Essa abordagem estruturada permitiu observar mudanças concretas na condução dos projetos, especialmente entre outubro de 2025 e março de 2026, período de desenvolvimento do estudo.

Em termos de prazos, a estruturação do cronograma resultou em uma redução notável da variabilidade e do tempo médio de implantação. Anteriormente, os projetos apresentavam um prazo mínimo de 60 dias e um máximo de 150 dias, com um prazo médio de 100 dias. Após a adoção do modelo estruturado, o prazo mínimo diminuiu para 40 dias e o máximo para 60 dias, estabelecendo um prazo médio de 50 dias. Essa mudança representa uma redução de aproximadamente 50% no tempo médio de execução dos projetos, o que se traduz em uma economia estimada de cerca de 50 dias por implantação. A amplitude da variabilidade de prazo, que era alta (90 dias), tornou-se baixa (20 dias), indicando um aumento substancial na previsibilidade dos projetos.

Além da melhoria nos prazos, a estruturação do cronograma impactou positivamente outros aspectos do desempenho dos projetos. A previsibilidade, que era baixa no cenário anterior, tornou-se alta. O nível de retrabalho, antes alto e recorrente, passou a ser baixo e pontual, com a origem do retrabalho migrando de problemas internos de processos e requisitos para ajustes finais residuais. A clareza de escopo, que era baixa devido a mudanças frequentes, elevou-se para alta, com um escopo mais definido. A dependência do cliente, antes difusa e desorganizada, tornou-se estruturada e previsível. As principais causas de atraso, que incluíam inexperiência da equipe, falta de padronização, coleta de requisitos insuficiente e mudanças de escopo, foram substituídas por dependências externas específicas, como validação do cliente e integração com sistemas ERP. O controle do processo, que era baixo, tornou-se estruturado, e o uso do cronograma, antes inexistente ou informal, passou a ser ativo na gestão e comunicação com o cliente.

A estruturação do cronograma também gerou impactos relevantes na gestão operacional dos projetos, indo além dos indicadores de prazo. Houve uma melhoria significativa na comunicação com o cliente, facilitada pela utilização do cronograma como instrumento de acompanhamento e alinhamento. Isso permitiu a realização de atualizações periódicas sobre o andamento do projeto e maior transparência em relação às etapas concluídas e pendentes. Internamente, o cronograma passou a ser uma ferramenta de gestão da equipe, auxiliando na distribuição das atividades, no acompanhamento da execução e na definição de prioridades. A explicitação das dependências entre as etapas contribuiu para a identificação mais rápida de gargalos e a antecipação de problemas, resultando em tomadas de decisão mais assertivas ao longo do projeto. Esses elementos demonstram que o cronograma evoluiu de um mero artefato de planejamento para um papel central na coordenação e controle das implantações.

Definição das atividades do cronograma

A partir do diagnóstico do processo de implantação e da análise das práticas da empresa, foi possível estruturar o projeto de implantação em um conjunto de atividades organizadas de forma lógica e sequencial. Essas atividades representam as principais etapas necessárias para a implantação do sistema com inteligência artificial, desde o contato inicial com o cliente até a entrada em produção do agente e o acompanhamento inicial pós-implantação. As atividades definidas buscam refletir tanto as necessidades operacionais da equipe interna quanto os marcos percebidos pelo cliente, permitindo maior clareza sobre o andamento da implantação e facilitando a comunicação entre as partes envolvidas.

Sob a perspectiva do PMBOK (PMI, 2021), essa etapa está alinhada ao processo de definição das atividades, que consiste na identificação e documentação das ações necessárias para a entrega do projeto. A estruturação das atividades no presente estudo contemplou adequadamente esse processo, traduzindo o fluxo operacional da implantação em um conjunto organizado de tarefas, o que permitiu maior controle e previsibilidade. A organização do trabalho em etapas claras e bem definidas, como proposto por Sutherland (2014), e a abordagem de validação progressiva de Knapp, Zeratsky e Kowitz (2017), que permite que as entregas sejam organizadas de forma sequencial e passíveis de validação, foram elementos coerentes com a estruturação das atividades.

As atividades do cronograma de implantação foram detalhadas em onze etapas principais. A atividade A1 corresponde ao contato inicial e reunião com o cliente. A2 envolve a implantação inicial da plataforma e treinamento, excluindo a inteligência artificial. A3 trata da configuração das mensagens de confirmação de consulta. A4 abrange a validação das rotas e o funcionamento da API. A5 é dedicada ao desenvolvimento do agente de agendamento. A6 consiste nos testes do agente de agendamento. A7 refere-se à entrega da primeira versão do agente e documentação. A8 é o retorno do cliente. A9 compreende os ajustes ou aprovação final. A10 é a subida do agente para produção. Por fim, A11 representa o acompanhamento pós-implantação.

Sequenciamento das atividades e estimativas de duração

Após a definição das atividades, procedeu-se ao sequenciamento das etapas, considerando as dependências técnicas e operacionais. Verificou-se que a maioria das atividades segue uma sequência lógica, onde a conclusão de uma etapa é pré-requisito para o início da seguinte. Contudo, algumas atividades podem ocorrer em paralelo nas fases iniciais do projeto, sem impacto direto no prazo final da implantação. As estimativas de duração das atividades foram estabelecidas com base na experiência prática da equipe e no histórico das implantações realizadas, utilizando estimativas médias.

As durações estimadas para as atividades, em dias úteis, foram as seguintes: A1 (Contato inicial e reunião com cliente) com 5 dias; A2 (Implantação inicial da plataforma e treinamento sem IA) com 5 dias, dependente de A1; A3 (Configuração das mensagens de confirmação de consulta) com 1 dia, dependente de A2; A4 (Validação das rotas e funcionamento da API) com 2 dias, dependente de A1; A5 (Desenvolvimento do agente de agendamento) com 15 dias, dependente de A4; A6 (Testes do agente de agendamento) com 3 dias, dependente de A5; A7 (Entrega da primeira versão do agente e documentação) com 1 dia, dependente de A6; A8 (Retorno do cliente) com 5 dias, dependente de A7; A9 (Ajustes ou aprovação final) com 5 dias, dependente de A8; A10 (Subida do agente para produção) com 1 dia, dependente de A9; e A11 (Acompanhamento pós-implantação) com 7 dias, dependente de A10. Essas durações podem variar conforme a disponibilidade do cliente e a complexidade do sistema de gestão clínica.

Em conformidade com o PMBOK (PMI, 2021), o sequenciamento das atividades está alinhado ao processo de identificação e organização das dependências entre tarefas, essencial para a construção de um cronograma consistente. No entanto, houve uma divergência na estimativa de duração, pois não foram utilizadas técnicas quantitativas formais, como estimativas de três pontos ou análise probabilística. Essa escolha foi influenciada pelo contexto operacional da empresa, caracterizado por projetos recorrentes com baixa variabilidade e uma forte base histórica de execução, priorizando a agilidade no planejamento em detrimento da precisão estatística.

A adoção de estimativas baseadas na experiência da equipe e no histórico dos projetos permitiu maior agilidade no planejamento, mas implicou em menor precisão na previsão de prazos e maior exposição a variações decorrentes de fatores externos, como a disponibilidade do cliente e a complexidade do sistema integrado. Isso revela um trade-off entre o rigor metodológico e a aplicabilidade prática, onde a simplificação das técnicas de estimativa favoreceu a operacionalização do modelo, apesar das limitações em termos de acurácia e controle de incertezas. Do ponto de vista prático, a definição das dependências entre as atividades contribuiu para a identificação de gargalos recorrentes, especialmente aqueles relacionados ao retorno do cliente, à validação de testes e à integração com sistemas externos, que anteriormente eram pouco estruturados e passaram a ser claramente identificados como etapas críticas do processo.

Esse resultado está alinhado aos princípios da abordagem enxuta, conforme descrito por Ries (2012), ao evidenciar a importância da redução de desperdícios e retrabalho por meio da organização do fluxo de atividades. A diminuição do retrabalho, que passou de um nível elevado para baixo após a estruturação do cronograma, reforça a eficácia da organização das etapas e da definição clara de responsabilidades. A explicitação das dependências e a padronização dos processos contribuíram para um fluxo de trabalho mais eficiente e menos propenso a interrupções, otimizando a alocação de recursos e o tempo da equipe.

Cronograma do projeto e gráfico de Gantt

Com base nas atividades definidas, nas dependências estabelecidas e nas estimativas de duração, foi elaborado o cronograma de implantação do sistema. Esse cronograma foi representado graficamente, permitindo visualizar a distribuição temporal das atividades e sua sequência ao longo do período de implantação. O gráfico de Gantt constitui uma ferramenta importante para o acompanhamento do projeto, pois possibilita identificar o andamento das atividades, facilitar a comunicação com a equipe e com o cliente, além de apoiar a identificação de possíveis atrasos ao longo do cronograma.

A construção do cronograma e sua representação visual estão diretamente alinhadas ao processo de desenvolvimento do cronograma descrito no PMBOK (PMI, 2021), no qual atividades, durações e dependências são integradas em um planejamento temporal estruturado. Essa representação visual contribui significativamente para a gestão do projeto, ao permitir uma visão consolidada das etapas e facilitar o monitoramento do progresso. Adicionalmente, a utilização do gráfico de Gantt como ferramenta de visualização contribuiu para o alinhamento entre as partes envolvidas, permitindo que tanto a equipe quanto o cliente tivessem clareza sobre o andamento do projeto. Esse aspecto está em consonância com a abordagem de alinhamento proposta por Caroli (2018), que destaca a importância da transparência e da definição clara das etapas para o sucesso da execução.

Identificação do caminho crítico do projeto

A análise do cronograma permitiu a identificação do caminho crítico do projeto, que é a sequência de atividades que determina a duração total da implantação. As atividades que compõem o caminho crítico não apresentam folga, de modo que qualquer atraso em sua execução impacta diretamente o prazo final do projeto. No cronograma analisado, o caminho crítico é composto pelas seguintes atividades: contato inicial e reunião com o cliente (A1), implantação inicial e treinamento (A2), configuração das mensagens de confirmação (A3), validação das rotas e funcionamento da API (A4), desenvolvimento do agente de agendamento (A5), testes do agente (A6), entrega da primeira versão e documentação (A7), retorno do cliente (A8), ajustes ou aprovação final (A9) e subida do agente para produção (A10).

A atividade de acompanhamento pós-implantação (A11), embora relevante para a qualidade do serviço prestado, não impacta o prazo principal de entrega do projeto e, portanto, não integra o caminho crítico. Sua execução ocorre após a entrada do sistema em produção, atuando como uma etapa de suporte e estabilização. A identificação do caminho crítico está alinhada às práticas de análise do cronograma recomendadas pelo PMBOK (PMI, 2021), permitindo identificar as atividades que possuem impacto direto no prazo final do projeto. Esse tipo de análise contribui para a priorização das atividades críticas e para a tomada de decisão gerencial, especialmente em situações de risco de atraso.

Do ponto de vista prático, a identificação do caminho crítico evidenciou que as principais causas de atraso estavam associadas às atividades A3, A4, A6, A8, A9 e A10, especialmente aquelas que dependem diretamente da atuação do cliente. A explicitação dessas etapas permitiu não apenas compreender onde ocorriam os atrasos, mas também atribuir responsabilidades de forma mais clara, reduzindo a ocorrência de paralisações no fluxo do projeto. Além disso, observou-se que a utilização do cronograma como ferramenta ativa de acompanhamento, compartilhada com o cliente, contribuiu significativamente para a melhoria da comunicação e do engajamento ao longo do projeto. Na prática, isso se traduziu em menos retrabalho, menor número de interações corretivas e maior percepção de valor por parte do cliente em cada etapa da implantação.

A análise dos resultados evidencia que a estruturação do gerenciamento do cronograma exerceu impacto direto na previsibilidade das implantações. No cenário anterior, os projetos apresentavam elevada variabilidade de duração, com prazos variando entre 60 e 150 dias, refletindo ausência de padronização, indefinição de etapas e forte dependência de fatores externos. Após a adoção de um cronograma estruturado, observou-se não apenas a redução do prazo médio de execução, mas também a diminuição da dispersão entre os projetos, que passaram a concentrar-se em intervalos mais consistentes, entre 40 e 60 dias. Esse resultado indica um aumento significativo da previsibilidade, elemento central do gerenciamento do cronograma conforme proposto pelo PMBOK (PMI, 2021), ao permitir maior confiabilidade no planejamento e na comunicação de prazos.

A melhoria de desempenho observada não se limita à redução do tempo de execução, estando diretamente associada a mudanças estruturais na forma de condução dos projetos. A definição clara das atividades e de suas dependências contribuiu para a organização do fluxo de trabalho, reduzindo ambiguidades e eliminando incertezas quanto às próximas etapas. Adicionalmente, a padronização do processo de coleta de requisitos e a explicitação das responsabilidades entre equipe e cliente reduziram significativamente o retrabalho, especialmente aquele decorrente de informações incompletas ou mal definidas. A utilização do cronograma como ferramenta ativa de gestão também ampliou a visibilidade do projeto, permitindo melhor acompanhamento do progresso e facilitando a tomada de decisão ao longo da execução. Dessa forma, a melhoria observada pode ser atribuída à combinação de maior clareza operacional, melhor gestão de dependências e fortalecimento da comunicação entre as partes envolvidas.

Outro aspecto relevante diz respeito ao papel do cliente no desempenho do cronograma. As atividades relacionadas à coleta de requisitos, validação de testes e aprovação final mostraram-se fortemente dependentes da disponibilidade e do engajamento do cliente, configurando-se não apenas como dependências externas, mas como parte integrante do caminho crítico do projeto. No cenário inicial, essas etapas representavam uma das principais fontes de atraso, devido à dificuldade dos clientes em consolidar informações operacionais e disponibilizar tempo para validação das entregas, caracterizando-se como riscos externos de difícil controle pela equipe do projeto. Com a estruturação do cronograma e a padronização do processo de coleta de requisitos, observou-se uma melhoria nesse aspecto, uma vez que as informações passaram a ser solicitadas de forma mais direcionada e completa, reduzindo a necessidade de interações adicionais. Ainda assim, essas atividades permanecem como fatores críticos, reforçando a importância da gestão de stakeholders e do alinhamento contínuo com o cliente ao longo do projeto, conforme recomendado pelas boas práticas de gerenciamento de projetos.

Apesar dos resultados positivos, o modelo proposto apresenta limitações que devem ser consideradas. O estudo foi conduzido em uma única empresa, com base em um conjunto restrito de nove projetos, o que limita a generalização dos resultados para outros contextos organizacionais. Além disso, as estimativas de duração foram baseadas na experiência da equipe e em dados históricos, não sendo utilizadas técnicas quantitativas mais robustas, como estimativas de três pontos, análise probabilística ou métodos formais de controle de desempenho do cronograma. A ausência de mecanismos estruturados de monitoramento, como análise de variação de prazo, também representa uma limitação do modelo no que se refere ao controle dinâmico da execução.

Essas características refletem o contexto operacional da empresa, marcado por uma equipe reduzida e projetos com baixa variabilidade, além de indicar uma dependência relevante da maturidade e da experiência da equipe na condução dos projetos, o que pode limitar a replicabilidade do modelo em contextos com menor nível de especialização. Ainda assim, tais aspectos apontam oportunidades de evolução para aplicações em cenários mais complexos. Observa-se uma lacuna entre a abordagem formal proposta pelo PMBOK (PMI, 2021) e a prática organizacional analisada, especialmente nos processos de estimativa e controle do cronograma. Enquanto o PMBOK recomenda o uso de técnicas quantitativas estruturadas, a empresa adota estimativas fundamentadas na experiência da equipe e em dados históricos, priorizando agilidade operacional em detrimento da precisão estatística.

Adicionalmente, não foram identificados mecanismos formais de controle do cronograma durante a execução, como análise sistemática de variação de prazo ou uso de indicadores de desempenho temporal, sendo o acompanhamento realizado por meio de práticas mais simples e adaptativas. Apesar dessa limitação do ponto de vista metodológico, os resultados indicam que a estruturação básica do cronograma foi suficiente para gerar ganhos relevantes de previsibilidade e desempenho, sugerindo que, em contextos de menor complexidade e maior repetitividade, a adoção parcial das boas práticas pode ser mais adequada do que a aplicação integral de modelos formais. Dessa forma, a lacuna observada não representa necessariamente uma falha na aplicação do gerenciamento do cronograma, mas sim uma adaptação às condições operacionais da organização. Esse achado reforça a necessidade de interpretar as recomendações do PMBOK de forma contingencial, considerando fatores como maturidade da equipe, complexidade dos projetos e capacidade de aplicação das ferramentas, de modo a equilibrar rigor metodológico e viabilidade prática na gestão de projetos.

Em síntese, os resultados obtidos reforçam a melhoria consistente no desempenho temporal dos projetos de implantação, com uma redução do tempo médio de aproximadamente 100 para 50 dias, acompanhada de uma diminuição significativa da dispersão entre os projetos, indicando maior consistência na execução. Esse resultado está associado à maior clareza das etapas, à melhoria na coleta de requisitos, à redução de retrabalho e à gestão mais estruturada das dependências ao longo do projeto. Além dos impactos nos prazos, o cronograma passou a desempenhar um papel central na gestão dos projetos, sendo utilizado como ferramenta ativa de acompanhamento, comunicação e tomada de decisão, contribuindo para maior alinhamento com o cliente, melhor organização das atividades internas e identificação mais ágil de gargalos, ampliando o controle sobre a execução das implantações e respondendo diretamente ao objetivo de analisar a influência da estruturação do gerenciamento do cronograma na previsibilidade e desempenho das implantações de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar como a estruturação do gerenciamento do cronograma influencia a previsibilidade e o desempenho das implantações de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde. Verificou-se que a adoção de um gerenciamento de cronograma estruturado resultou em uma redução significativa da variabilidade dos prazos de implantação, que passaram de um intervalo entre 60 e 150 dias para um mais concentrado entre 40 e 60 dias. Essa mudança representou uma diminuição de aproximadamente 50% no tempo médio de execução dos projetos, que caiu de 100 para 50 dias. Observou-se, ainda, uma diminuição do retrabalho, que se tornou pontual, e uma melhoria na comunicação entre a equipe e o cliente, com maior clareza de escopo e dependências mais estruturadas. A estruturação do cronograma contribuiu diretamente para o aumento da previsibilidade e para a melhoria do desempenho das implantações, transformando-o em uma ferramenta ativa de gestão e comunicação.

Como contribuição prática, o trabalho apresenta um modelo estruturado e replicável de gerenciamento do cronograma, capaz de orientar a condução de projetos de implantação de sistemas com inteligência artificial em clínicas de saúde, com foco na previsibilidade, no controle e na eficiência operacional. Contudo, o estudo possui limitações, como a realização em uma única empresa e com um número restrito de nove projetos, o que restringe a generalização dos resultados. As estimativas de duração foram baseadas na experiência da equipe e em dados históricos, sem o uso de técnicas quantitativas mais robustas, e não foram identificados mecanismos formais de controle do cronograma durante a execução. Essas características refletem uma adaptação às condições operacionais da organização, sugerindo que, em contextos de menor complexidade, a adoção parcial das boas práticas pode ser eficaz. Sugere-se que estudos futuros explorem a aplicação do modelo em contextos com maior complexidade e variabilidade, bem como avaliem a incorporação de métodos quantitativos de gerenciamento do cronograma.

Referências Bibliográficas

Caroli, P. 2018. Lean Inception: Como Alinhar Pessoas e Construir o Produto Certo. Caroli.org, São Paulo, SP, Brasil.

Knapp, J.; Zeratsky, J.; Kowitz, B. 2017. Sprint: Ο Método Usado no Google para Testar e Aplicar Novas Ideias em Cinco Dias. Intrínseca, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Project Management Institute [PMI]. 2021. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK). 7. ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Ries, E. 2012. A Startup Enxuta: Como os Empreendedores Atuais Utilizam a Inovação Contínua para Criar Empresas Extremamente Bem-Sucedidas. Leya, São Paulo, SP, Brasil.

Sutherland, J. 2014. Scrum: A Arte de Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo. Leya, São Paulo, SP, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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