Artigo

29 de julho de 2026

Gerenciamento de Riscos: Adoção de Tecnologias Emergentes para Mitigação de Resíduos de Antibióticos no Leite

Emelda Orlando Simbine-Ribisse; Cláudia Gibertoni

DOI: 10.22167/2675-6528-202600759

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Um plano de gerenciamento de riscos foi proposto para a implementação de tecnologias emergentes não térmicas, como Campo Elétrico Pulsado (PEF), ozônio (O3) e Alta Pressão Hidrostática (APH), na indústria de laticínios, com o objetivo de mitigar resíduos de antibióticos no leite. A presença desses resíduos representa um grave risco à saúde pública, incluindo reações alérgicas e o fomento à resistência antimicrobiana, além de acarretar perdas econômicas ao setor. A metodologia empregada baseou-se em uma revisão sistemática da literatura e na aplicação de ferramentas do Guia PMBOK®, como a Estrutura Analítica de Riscos (EAR) e a Matriz de Probabilidade e Impacto (Pxl). Identificaram-se e categorizaram-se os principais riscos técnicos, operacionais, financeiros, regulatórios e de mercado. A análise gerou um registro de riscos priorizado e um conjunto de estratégias de resposta para mitigar ameaças e potencializar oportunidades. O plano desenvolvido oferece um framework estruturado para auxiliar cooperativas e processadores de leite a tomar decisões estratégicas sobre investimentos em inovação, aumentando a segurança do produto e a competitividade no mercado.

Palavras-chave: Inovação tecnológica; Laticínios; PMBOK; Qualidade; Resíduos de antibióticos.

1. Introdução

O leite é um alimento de fundamental importância na dieta humana, reconhecido por seu alto valor nutricional. A produção global de leite tem demonstrado um crescimento contínuo, impulsionado pela necessidade de atender à crescente demanda mundial (FAO, 2023). No entanto, a intensificação das práticas na pecuária leiteira, embora essencial para suprir essa demanda, trouxe consigo o desafio do uso de medicamentos veterinários, especialmente os antibióticos. Estes são empregados para o tratamento e prevenção de doenças em animais, bem como para a promoção do crescimento, mas seu uso inadequado pode resultar na presença de resíduos em produtos de origem animal, como o próprio leite (Akinyemi et al., 2021; Simbine-Ribisse et al., 2024).

A ocorrência de resíduos de antibióticos (RAs) no leite representa uma séria preocupação para a segurança alimentar e um desafio significativo para a saúde pública global. Tais resíduos podem causar efeitos adversos na saúde humana, incluindo reações alérgicas, perturbações na flora intestinal e o preocupante desenvolvimento de resistência bacteriana aos antibióticos (Lobato & De Los Santos, 2019; Madougou et al., 2019; Niang et al., 2017; Roca et al., 2011; Simbine-Ribisse et al., 2024). Além das implicações para a saúde, a presença de RAs acarreta perdas econômicas substanciais para a indústria de laticínios. Estes resíduos podem inibir as culturas de fermentação, comprometendo a produção de derivados lácteos como queijos e iogurtes, o que gera prejuízos financeiros (Santamarina-García et al., 2024; Simbine-Ribisse et al., 2024).

Diante desse cenário, a busca por estratégias eficazes para minimizar ou mitigar a presença de RAs no leite tornou-se imperativa. Embora tratamentos térmicos tradicionais tenham sido explorados para a redução desses resíduos (Han et al., 2015; Rana et al., 2019), o uso de altas temperaturas pode comprometer a qualidade nutricional do leite, reduzindo seu teor de micronutrientes. Consequentemente, há um interesse crescente em tecnologias emergentes não térmicas como alternativas. Pesquisas recentes têm focado na aplicação do Campo Elétrico Pulsado (PEF), ozônio (O3) e Alta Pressão Hidrostática (APH) para essa finalidade (Simbine-Ribisse et al., 2026). Essas tecnologias já demonstraram eficácia na redução de diversos antibióticos, como benzilpenicilina, sulfametazina e oxitetraciclina por PEF (Shinde et al., 2021, 2022; Wen et al., 2025), sulfamonometoxina sódica, ceftiofur e oxitetraciclina por ultrassom (Liu et al., 2023, 2024), e amoxicilina, sulfadiazina e tetraciclina por ozônio (Alsager et al., 2018; Sert & Mercan, 2021; Liu et al., 2022), além da redução de sulfametazina e tetraciclina por APH (Sidirokastritis et al., 2022).

Apesar da comprovada eficácia dessas tecnologias emergentes na mitigação de RAs no leite, sua implementação em escala industrial é um projeto inerentemente complexo. Este processo exige altos investimentos e está sujeito a uma série de riscos multifacetados, que incluem desafios técnicos relacionados à eficiência e escalabilidade, operacionais como a necessidade de expertise e infraestrutura, financeiros devido aos custos elevados e regulatórios em função das aprovações e conformidades. A falta de um planejamento robusto pode comprometer a viabilidade e o sucesso da adoção dessas inovações, criando uma lacuna prática na gestão desses projetos.

Nesse contexto, o gerenciamento de riscos assume um papel crucial. Conforme o Guia PMBOK (PMI, 2013), o gerenciamento de riscos abrange o planejamento e controle de eventos ou condições incertas que, se ocorrerem, podem ter um efeito positivo ou negativo nos objetivos do projeto. A identificação, análise e planejamento de respostas a esses riscos são essenciais para aumentar a probabilidade de eventos positivos e minimizar o impacto de eventos negativos, garantindo a segurança do produto e a competitividade no mercado. A ausência de um framework estruturado para auxiliar cooperativas e processadores de leite na tomada de decisões estratégicas sobre investimentos em inovação representa uma lacuna prática que precisa ser preenchida.

Portanto, a realização de um estudo focado na identificação, caracterização e gerenciamento de riscos associados à implementação dessas tecnologias emergentes é fundamental. Este trabalho justifica-se pela necessidade de fornecer um guia prático para a indústria de laticínios, permitindo a adoção segura e eficiente de inovações que visam aprimorar a segurança alimentar e a qualidade do leite. Assim, este trabalho tem como objetivo propor um plano de gerenciamento de riscos para um projeto de implementação de tecnologias emergentes, visando à mitigação de resíduos de antibióticos no leite e seus derivados em uma indústria de processamento.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi desenvolvido com uma abordagem qualitativa e descritiva, fundamentada na realização de uma revisão sistemática da literatura e na aplicação de ferramentas de gestão de projetos. A pesquisa foi conduzida em três etapas principais, abrangendo o período de outubro de 2025 a fevereiro de 2026, com o objetivo de propor um plano de gerenciamento de riscos para a implementação de tecnologias emergentes na mitigação de resíduos de antibióticos no leite.

A primeira etapa consistiu na estratégia de busca, seleção e coleta de dados. A busca de informações foi realizada em artigos científicos originais, utilizando bases de dados como PubMEd, Scopus, Web of Science e Embase, além de publicações de órgãos reguladores como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) e Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). O Guia PMBOK® (PMI, 2013) serviu como principal referência para a estruturação do plano de gerenciamento de riscos.

Para a busca, empregaram-se operadores booleanos que combinaram os termos “Resíduos de antibióticos” AND “Tecnologias não térmicas” AND “Redução” OR “mitigação” AND “Leite”, AND “Segurança do leite” AND “indústria de laticínios”. Os critérios de inclusão abrangeram artigos originais, escritos em inglês, sobre tecnologias não térmicas emergentes na mitigação de resíduos de antibióticos no leite. Foram excluídos artigos de revisão de literatura, capítulos de livro, resumos de conferências, ou estudos não aplicáveis industrialmente ou a outras matrizes alimentares.

O processo de seleção dos artigos foi realizado em duas fases por dois revisores independentes, Emelda Orlando Simbine-Ribisse (E.O.S-R.) e Wilma Custódio Fumo (W.C.F.), com um terceiro revisor, Arson André Ribisse (A.A.R.), para resolução de conflitos. A triagem inicial ocorreu por título e resumo, seguida pela análise do texto completo. O software Rayyan (Ouzzani et al., 2016) foi utilizado para gerenciar a seleção, e o Mendeley para a extração dos dados, que foram organizados em uma tabela no Microsoft® Excel® (Version 2305 Build 16.0.16501.20074).

Os dados extraídos focaram em informações relevantes sobre as tecnologias emergentes na mitigação de resíduos de antibióticos no leite, incluindo ano, país, tipo de tecnologia, desafios de implementação, regulamentação e aplicabilidade industrial. A segunda etapa envolveu a análise dos dados coletados, sintetizados por meio de análise de conteúdo e ferramentas de gestão de projetos do Guia PMBOK® (PMI, 2013).

A Estrutura Analítica de Riscos (EAR) foi empregada para categorizar os riscos identificados em níveis hierárquicos (técnicos, operacionais, financeiros, regulatórios e de mercado). A Matriz de Probabilidade e Impacto (Matriz PxI) avaliou e priorizou os riscos em escala de 1 a 5 para probabilidade de ocorrência e impacto potencial, gerando um score final (1 a 25) que classificou os riscos em Crítico, Alto, Médio e Baixo. Complementarmente, a Análise SWOT identificou forças, fraquezas, oportunidades e ameaças no contexto da adoção das tecnologias.

A terceira etapa consistiu no desenvolvimento do plano de gerenciamento de riscos, seguindo a estrutura proposta pelo PMBOK® (PMI, 2013). Este plano incluiu um registro de riscos detalhado, documentando suas causas, consequências, responsáveis, probabilidade, impacto e estratégias de resposta. As estratégias de resposta foram categorizadas em mitigação, aceitação, escalação e transferência, com a mitigação sendo a predominante, focada em reduzir a probabilidade ou o impacto dos riscos.

O plano de respostas foi estruturado para ser implementado em quatro fases progressivas, com foco em riscos de planejamento e regulatórios iniciais (Mês 1), técnicos e operacionais (Meses 2-3), operacionais contínuos (Meses 4+) e de escalabilidade e expansão (Meses 12+). O monitoramento foi realizado por meio de reuniões mensais e trimestrais, com avaliação contínua da efetividade das ações implementadas. O plano de contingência detalhou as ações qualitativas a serem executadas caso os riscos se concretizassem, conforme o Guia PMBOK® (PMI, 2013).

Os riscos foram organizados em cinco categorias (Técnicos, Operacionais, Financeiros, Regulatórios e de Mercado), definindo procedimentos específicos, responsáveis e prazos de ação. Os tempos de ação variaram de imediato (24-48 horas) para riscos críticos a até 12 semanas para riscos complexos. As responsabilidades foram atribuídas a gerências específicas, e o monitoramento ocorreu por indicadores de alerta e comitê de crise, garantindo clareza na execução.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa, que visou propor um plano de gerenciamento de riscos para a implementação de tecnologias emergentes não térmicas na indústria de laticínios, com foco na mitigação de resíduos de antibióticos no leite. Os resultados foram obtidos por meio de uma revisão sistemática da literatura, seguindo as diretrizes PRISMA, e pela aplicação de ferramentas de gestão de projetos, como a Estrutura Analítica de Riscos (EAR), a Matriz de Probabilidade e Impacto (PxI) e a Análise SWOT. A investigação permitiu identificar, categorizar e propor estratégias de resposta para os riscos associados a este tipo de inovação tecnológica, fornecendo um arcabouço estruturado para a tomada de decisões estratégicas no setor.

Estudos incluídos

A pesquisa foi conduzida em conformidade com as diretrizes PRISMA, um padrão reconhecido para revisões sistemáticas, garantindo transparência e rigor metodológico na seleção dos estudos. O processo de seleção envolveu quatro fases distintas: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Inicialmente, um total de 410 registros foram identificados a partir de buscas sistemáticas em bases de dados científicas de renome, incluindo Web of Science, Scopus, PubMed e Embase, além de outras fontes complementares. Esta etapa inicial demonstrou a vasta literatura existente sobre o tema, mas também a necessidade de um processo de filtragem rigoroso para focar nos estudos mais relevantes para o objetivo proposto.

Na fase de identificação, observou-se que 258 registros, correspondendo a 62,9% do total, eram duplicatas e foram removidos, resultando em 152 registros únicos para a etapa de triagem. A triagem foi realizada com base na leitura de títulos e resumos, onde 139 registros (33,9%) foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão pré-definidos. Os critérios de inclusão exigiam que os artigos fossem originais, escritos em inglês, e abordassem tecnologias não térmicas emergentes na mitigação de resíduos de antibióticos no leite, com dados experimentais documentados sobre a degradação desses resíduos. Essa rigorosa filtragem foi essencial para garantir a relevância dos estudos para a análise subsequente.

Após a triagem, 13 registros foram selecionados para a fase de elegibilidade, onde os artigos completos foram avaliados em profundidade. Durante esta etapa, três artigos foram excluídos por motivos específicos: um apresentava apenas discussão teórica sem dados experimentais, outro abordava a aplicação da tecnologia em matriz aquosa sem relevância para produtos lácteos, e o terceiro continha uma análise de risco genérica, desprovida de dados experimentais sobre a eficácia das tecnologias. Ao final do processo, 10 estudos foram considerados elegíveis e incluídos na análise final, representando a base empírica para a identificação e caracterização dos riscos.

Características dos estudos incluídos

Os 10 estudos incluídos na revisão sistemática abordaram quatro tecnologias emergentes não térmicas distintas, com uma distribuição relativamente equilibrada entre elas. O ultrassom foi investigado em três estudos, representando 30% do total, assim como o ozônio, também presente em três estudos (30%). O Campo Elétrico Pulsado (PEF) foi o foco de outros três estudos (30%), enquanto a Alta Pressão Hidrostática (APH) foi abordada em um estudo (10%). Essa distribuição permitiu uma análise comparativa das diferentes abordagens tecnológicas, fornecendo uma visão abrangente sobre o potencial e os desafios de cada uma na mitigação de resíduos de antibióticos no leite.

A diversidade de antibióticos investigados nos estudos reflete a complexidade do problema dos resíduos na pecuária leiteira. Foram analisados antibióticos das classes de β-lactâmicos, como penicilina G e amoxicilina; cefalosporinas, como cefalexina; sulfonamidas, incluindo sulfametazina, sulfametoxazol e sulfadiazina; tetraciclinas, como tetraciclina e oxitetraciclina; e fluoroquinolonas, como ciprofloxacina. Essa abrangência demonstra a relevância das tecnologias emergentes para uma ampla gama de contaminantes, o que é crucial para a segurança alimentar e a saúde pública, conforme destacado por Lobato e De Los Santos (2019).

A análise integrada dos estudos revelou que as tecnologias emergentes não térmicas possuem um potencial significativo na redução de resíduos de antibióticos no leite. Especificamente, o Campo Elétrico Pulsado (PEF) e o ozônio (O3) destacaram-se como as tecnologias mais promissoras, demonstrando eficácia comprovada na redução de resíduos para níveis abaixo dos limites máximos regulatórios. O ultrassom e a Alta Pressão Hidrostática (APH) também apresentaram potencial, embora com uma eficácia ligeiramente inferior em alguns contextos, conforme observado por Shinde et al. (2021, 2022) e Alsager et al. (2018).

Contudo, a pesquisa também identificou desafios importantes que precisam ser considerados na implementação dessas tecnologias. Primeiramente, a variabilidade dos resultados entre diferentes antibióticos sugere que a eficácia de cada tecnologia pode ser específica para certos tipos de resíduos. Em segundo lugar, a maioria dos estudos foi realizada em condições de laboratório controladas, o que levanta questões sobre a transferibilidade e escalabilidade para ambientes de produção industrial. A transição do laboratório para a escala comercial é um obstáculo comum em inovações tecnológicas, exigindo validação em condições reais de operação.

Outro desafio relevante é a escassez de estudos que investigam o impacto dessas tecnologias na qualidade geral do leite, incluindo seus nutrientes e características sensoriais. A aceitação comercial de produtos processados por novas tecnologias depende não apenas da segurança, mas também da manutenção ou melhoria das propriedades organolépticas e nutricionais. Adicionalmente, poucos estudos documentam a formação de subprodutos potencialmente prejudiciais resultantes da degradação de antibióticos. A ausência de dados robustos sobre esses aspectos pode gerar incertezas regulatórias e a resistência dos consumidores, conforme apontado por Simbine-Ribisse et al. (2026).

Esses achados sublinham a necessidade de um plano de gerenciamento de riscos estruturado para orientar a implementação das tecnologias emergentes na indústria de laticínios. Tal plano deve abordar não apenas os desafios técnicos de escalabilidade e variabilidade, mas também os aspectos operacionais, financeiros, regulatórios e de mercado. A complexidade inerente a projetos de inovação tecnológica, especialmente em um setor tão regulado como o de alimentos, exige uma abordagem proativa e sistemática para identificar e mitigar potenciais ameaças, garantindo a viabilidade e o sucesso da inovação.

Estrutura analítica dos riscos (EAR)

Identificação e caracterização dos riscos

A análise detalhada resultou na identificação de 34 riscos distintos associados à implementação de tecnologias emergentes na indústria de laticínios para mitigação de resíduos de antibióticos. Esses riscos foram organizados em cinco categorias principais, seguindo a Estrutura Analítica de Riscos (EAR) do Guia PMBOK (PMI, 2013), o que permite uma visão hierárquica e sistemática dos potenciais problemas. A categorização facilita a compreensão da natureza dos riscos e a alocação de responsabilidades para o seu gerenciamento, contribuindo para um planejamento mais eficaz e abrangente do projeto.

A primeira categoria, Riscos Técnicos, engloba desafios relacionados à própria tecnologia, como a eficácia da tecnologia, sua integração com processos existentes, a validação da segurança alimentar e a confiabilidade dos equipamentos. Por exemplo, a variabilidade de resultados (T2) e a falta de dados de longo prazo (T7) foram identificadas como riscos críticos, indicando que a tecnologia pode não apresentar desempenho consistente em diferentes condições de leite ou que seus efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos. A formação de subprodutos indesejáveis (T3) também representa uma preocupação técnica significativa, pois pode comprometer a segurança do produto final.

Os Riscos Operacionais referem-se à capacidade da organização de implementar e operar a nova tecnologia. Esta categoria inclui a capacidade dos recursos humanos, a disponibilidade de fornecedores, a manutenção e o suporte técnico, e a escalabilidade da produção. A falta de expertise técnica na equipe (O1) e a dificuldade na escalabilidade da produção (O7) são exemplos de riscos operacionais elevados. A dependência de poucos fornecedores especializados (O3) também pode criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos e na manutenção dos equipamentos, impactando a continuidade das operações.

A categoria de Riscos Financeiros aborda os aspectos econômicos do projeto, como o custo de investimento, os custos operacionais, o retorno sobre o investimento (ROI) e o financiamento do projeto. Os custos de investimento acima do orçado (F1) e um ROI negativo ou insuficiente (F3) foram identificados como riscos críticos, refletindo os altos investimentos iniciais e a incerteza sobre a rentabilidade. A dificuldade em obter financiamento (F4) também é um risco relevante, pois projetos de inovação tecnológica com alto risco percebido podem encontrar resistência por parte de instituições financeiras, limitando a capacidade de expansão.

Os Riscos Regulatórios envolvem a aprovação regulatória, a conformidade com padrões e as mudanças regulatórias. Atrasos na aprovação regulatória (R1) e a falta de clareza sobre os requisitos regulatórios (R3) são riscos altos que podem prolongar o cronograma do projeto e aumentar os custos. A possibilidade de rejeição regulatória (R2) ou a não conformidade com padrões internacionais (R5) representam ameaças significativas, podendo inviabilizar a comercialização do produto. A complexidade do ambiente regulatório exige um acompanhamento constante e proativo para garantir a conformidade.

Por fim, os Riscos de Mercado dizem respeito à aceitação dos consumidores, à diferenciação do produto e à competição. A baixa aceitação pelos consumidores (M1) e a percepção negativa de segurança (M2) são riscos altos, pois a inovação, mesmo que eficaz, pode ser rejeitada se não for bem comunicada ou se gerar desconfiança. A competição intensa (M4) e a falta de diferenciação do produto (M3) também são preocupações, pois concorrentes podem adotar tecnologias similares ou melhores, reduzindo a vantagem competitiva. Esses riscos destacam a importância de estratégias de marketing e comunicação eficazes para o sucesso da implementação.

Matriz de Probabilidade e Impacto (Matriz PxI)

A Matriz de Probabilidade e Impacto (Matriz PxI) foi uma ferramenta crucial para a avaliação e priorização dos 34 riscos identificados, permitindo uma visualização clara da relação entre a chance de ocorrência de um risco e seu impacto potencial nos objetivos do projeto. Cada risco foi avaliado em uma escala de 1 a 5 para ambas as dimensões, onde 1 representa probabilidade ou impacto muito baixo e 5 representa probabilidade ou impacto muito alto. O score final de cada risco foi calculado pela multiplicação da probabilidade pelo impacto, resultando em uma escala de 1 a 25, o que permitiu uma classificação objetiva dos riscos.

Com base nos scores calculados, os riscos foram categorizados em quatro níveis de prioridade: Crítico (Score 15-25), Alto (Score 10-14), Médio (Score 6-9) e Baixo (Score 1-5). A análise revelou que 6 dos 34 riscos (17,6%) foram classificados como críticos, e 12 riscos (35,3%) como altos. Isso significa que mais de 50% dos riscos identificados estão em níveis críticos ou altos, confirmando a natureza desafiadora do projeto de implementação de tecnologias emergentes e a necessidade de uma gestão de riscos proativa e focada, conforme preconizado pelo Guia PMBOK (PMI, 2013).

Entre os riscos críticos e altos que exigem atenção prioritária da gestão do projeto, destacam-se a variabilidade de resultados da tecnologia (T2), com score 16, e os custos de investimento acima do orçado (F1), também com score 16. A falta de expertise técnica na equipe (O1) e a falta de dados de segurança a longo prazo (T7) também foram classificadas como críticas, ambas com score 16. A eficácia insuficiente da tecnologia (T1) e um retorno sobre o investimento negativo (F3) apresentaram score 15, indicando seu alto potencial de impacto negativo no sucesso do projeto. Estes riscos refletem a imaturidade da tecnologia e os desafios inerentes à inovação.

A distribuição dos riscos críticos e altos por categoria revelou que os riscos técnicos e operacionais apresentaram os maiores desafios imediatos. Na categoria técnica, 3 riscos foram críticos e 1 alto, totalizando 57% dos riscos técnicos em nível crítico/alto. Para os riscos operacionais, 1 foi crítico e 3 altos, também somando 57% dos riscos operacionais em nível crítico/alto. Os riscos financeiros tiveram 2 críticos e 0 altos (33%), enquanto os riscos regulatórios e de mercado apresentaram 0 críticos e 4 altos cada (57% em cada categoria). Essa distribuição indica que, embora todas as categorias apresentem riscos significativos, os desafios técnicos e operacionais são os mais prementes no curto prazo.

A variabilidade dos resultados da tecnologia (T2) e a falta de dados de longo prazo (T7) são indicativos da relativa imaturidade das tecnologias emergentes em ambientes de produção real, o que exige validação e estudos aprofundados. O alto custo de investimento (F1) e a falta de expertise técnica (O1) representam barreiras significativas à entrada para a indústria, demandando planejamento financeiro e capacitação de pessoal. A eficácia insuficiente da tecnologia (T1) e um ROI negativo (F3) ameaçam a própria justificativa econômica do projeto, reforçando a necessidade de uma análise de viabilidade robusta e contínua.

Análise SWOT

A análise estratégica do cenário de implementação das tecnologias emergentes foi realizada por meio da ferramenta Análise SWOT, que permitiu identificar e integrar fatores internos (forças e fraquezas) e externos (oportunidades e ameaças) que influenciam a adoção dessas inovações na indústria de laticínios. Os resultados desta análise são cruciais para compreender a viabilidade técnica, econômica e regulatória da mitigação de resíduos de antibióticos no leite. A Análise SWOT oferece uma perspectiva holística, auxiliando na formulação de estratégias que capitalizem as forças e oportunidades, ao mesmo tempo em que mitigam fraquezas e ameaças.

As forças identificadas (Strengths) incluem a eficácia comprovada de tecnologias como PEF e ozônio na redução de resíduos de antibióticos, conforme demonstrado por estudos científicos. A preservação da qualidade nutricional do leite pelas tecnologias não térmicas, em comparação com tratamentos térmicos, é outra força significativa. A crescente demanda de mercado por produtos de melhor qualidade, impulsionada pela conscientização sobre segurança alimentar, cria um ambiente favorável. Além disso, o suporte regulatório, com órgãos abertos a novas tecnologias que melhoram a segurança alimentar, e a diferenciação de produto, que confere vantagem competitiva às empresas inovadoras, são aspectos positivos que impulsionam a adoção.

As fraquezas (Weaknesses) incluem a falta de expertise na indústria de laticínios com essas tecnologias emergentes, o que exige investimentos em treinamento e desenvolvimento. Os custos elevados de investimento inicial e operacionais são significativos, representando uma barreira financeira considerável. A limitação de dados sobre segurança e eficácia a longo prazo também é uma fraqueza, gerando incertezas. A integração complexa com os processos existentes na indústria e a dependência de poucos fornecedores especializados são outros pontos fracos que podem dificultar a implementação em larga escala, exigindo planejamento e recursos adicionais.

As oportunidades (Opportunities) para o projeto são diversas. A expansão de mercados, com acesso a mercados internacionais que possuem padrões rigorosos como os da União Europeia e dos Estados Unidos, representa um potencial de crescimento. A capacidade de cobrar um prêmio de preço por produtos de melhor qualidade e segurança é uma oportunidade econômica. A inovação tecnológica contínua, com potencial para o desenvolvimento de novas aplicações e melhorias, abre portas para o avanço do setor. Parcerias estratégicas com fornecedores de tecnologia, universidades e órgãos reguladores podem acelerar a implementação, e o alinhamento com tendências de sustentabilidade e redução do uso de antibióticos reforça a relevância do projeto.

As ameaças (Threats) incluem a resistência dos consumidores, que podem ter preocupações sobre a segurança de novas tecnologias, exigindo campanhas de comunicação transparentes. A competição intensa, com concorrentes adotando tecnologias similares ou melhores, pode reduzir a vantagem competitiva. Mudanças regulatórias adversas podem impactar a viabilidade do projeto, exigindo flexibilidade e adaptação. A viabilidade econômica da tecnologia a longo prazo é uma ameaça, pois os custos podem não ser sustentáveis. Por fim, a existência de tecnologias alternativas, como tratamentos térmicos melhorados ou métodos de prevenção, pode desviar o interesse e o investimento das tecnologias emergentes não térmicas.

Estratégias e Plano de Resposta para Riscos

O Plano de Resposta aos Riscos foi desenvolvido como um componente essencial do gerenciamento de riscos, focado nos 18 riscos classificados como críticos e altos, que representam 52,9% do total de riscos identificados. Este plano incorpora estratégias proativas e reativas, alinhadas às melhores práticas do gerenciamento de projetos (PMI, 2013), visando mitigar ameaças e potencializar oportunidades. A abordagem sistemática garante que os riscos mais significativos sejam tratados com a devida prioridade e recursos, aumentando a probabilidade de sucesso do projeto de implementação das tecnologias emergentes.

A estratégia predominante adotada foi a mitigação, aplicada a aproximadamente 83,3% (15 dos 18) dos riscos críticos e altos. A mitigação busca reduzir a probabilidade de ocorrência ou o impacto do risco, tornando-o mais aceitável. As ações de mitigação abrangem diversas categorias de riscos. Para os riscos técnicos, foram propostos testes-piloto extensivos para validar a eficácia da tecnologia e estudos longitudinais de 24 meses para gerar dados de longo prazo sobre segurança e eficácia. A padronização de procedimentos operacionais e programas de capacitação técnica intensiva foram definidos para os riscos operacionais, visando aprimorar a expertise da equipe e a eficiência dos processos.

No âmbito financeiro, a mitigação incluiu a otimização de processos para reduzir custos operacionais e a reavaliação do modelo de negócio para garantir um ROI positivo. Para os riscos regulatórios, foram estabelecidas ações como a qualificação de novos fornecedores para garantir conformidade com padrões internacionais (FDA/EFSA) e o engajamento proativo com órgãos reguladores para evitar atrasos na aprovação. Em relação aos riscos de mercado, a estratégia de mitigação envolveu a diferenciação de produto e marca, bem como campanhas de educação e marketing para aumentar a aceitação dos consumidores e comunicar a segurança das novas tecnologias.

A aceitação foi a segunda estratégia mais utilizada, aplicada a cerca de 16,7% (3 dos 18) dos riscos. Esta estratégia é adotada quando o custo de uma resposta seria desproporcional ao benefício. Riscos como custos de investimento elevados, falta de capital para expansão e aumento de taxas/impostos foram aceitos, com a manutenção de planos contingenciais para acionamento caso se materializem. A aceitação consciente desses riscos, acompanhada de um plano de contingência robusto, demonstra uma abordagem pragmática, reconhecendo que nem todos os riscos podem ser eliminados ou mitigados de forma economicamente viável.

A estratégia de escalação foi utilizada para um risco (5,6% do total), especificamente para riscos que excedem a capacidade de gestão do projeto. O conflito com a legislação existente, por exemplo, seria escalado para a alta administração, que então solicitaria isenção ou revisão regulatória aos órgãos competentes. Esta abordagem reconhece os limites da equipe do projeto e garante que questões de alta complexidade e impacto sejam tratadas no nível organizacional adequado. A transferência de risco, também aplicada a um risco (5,6%), envolveu deslocar o risco para terceiros, como a flutuação de preços de matérias-primas, que seria transferida aos fornecedores por meio de contratos com preço fixo, protegendo o projeto de volatilidades externas.

O plano de respostas será implementado em quatro fases distintas, alinhadas ao cronograma do projeto. A Fase 1 (Mês 1) foca em respostas para riscos de planejamento e regulatórios iniciais, estabelecendo as bases para a conformidade e aprovação. A Fase 2 (Meses 2-3) concentra-se em respostas técnicas e operacionais, garantindo a validação da tecnologia e a capacitação da equipe. A Fase 3 (Meses 4+) aborda respostas para riscos operacionais contínuos, assegurando a estabilidade e eficiência das operações. Finalmente, a Fase 4 (Meses 12+) lida com respostas para riscos de escalabilidade e expansão, preparando o projeto para o crescimento e a sustentabilidade a longo prazo.

O monitoramento do plano de respostas será contínuo, com reuniões mensais durante as fases críticas do projeto e trimestrais durante a operação. Esta avaliação contínua da efetividade de cada ação implementada permite ajustes dinâmicos conforme novos riscos emergirem ou a efetividade das estratégias atuais for reavaliada. Este processo iterativo é fundamental para manter o plano de gerenciamento de riscos relevante e eficaz ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, minimizando impactos negativos e maximizando as chances de sucesso na adoção das tecnologias emergentes para mitigação de resíduos de antibióticos no leite.

Plano de contingência

O Plano de Contingência apresenta as ações qualitativas a serem executadas caso os riscos se concretizem, conforme as diretrizes do PMBOK (PMI, 2013). Este plano detalha procedimentos específicos, responsáveis e prazos de ação para cada um dos 34 riscos identificados, fornecendo um guia prático para a resposta rápida e eficaz a eventos adversos. A organização do plano em categorias de risco facilita a navegação e a implementação das estratégias de contingência, garantindo que a equipe esteja preparada para lidar com as incertezas do projeto.

Para os Riscos Técnicos, que incluem 7 ameaças, as ações de contingência variam desde a revisão de parâmetros operacionais para eficácia insuficiente, com tempo de ação imediato (24 horas), até o redesenho de processos para escalabilidade, com prazo de até 3 meses. A responsabilidade é compartilhada entre o gerente de projeto, a equipe técnica e os engenheiros de processo. Em caso de formação de subprodutos indesejáveis, por exemplo, a suspensão imediata do processo e uma análise química completa seriam acionadas, com o químico responsável e a equipe de análise atuando em até 2 horas, demonstrando a criticidade e a urgência dessas respostas.

Os Riscos Operacionais, que também somam 7 ameaças, contemplam ações como a contratação de consultores externos para falta de expertise técnica, com prazo de 2 a 4 semanas, e programas de treinamento acelerado. A busca por fornecedores alternativos e a reengenharia de processos são outras estratégias, com prazos de 4 a 8 semanas. As responsabilidades são atribuídas a áreas como Recursos Humanos, operações e qualidade, garantindo que a equipe esteja preparada para lidar com desafios como a disponibilidade limitada de fornecedores ou problemas de escalabilidade operacional, por exemplo, através de um plano de recrutamento e treinamento acelerado.

No que tange aos Riscos Financeiros, identificados em 6 ameaças, as ações de contingência incluem a busca de financiamento adicional para custos de investimento elevados, a otimização de processos para custos operacionais superiores e a reavaliação de modelos de negócio para ROI insuficiente. Os tempos de ação variam de 1 a 8 semanas, com responsabilidade do gerente financeiro e do diretor executivo. Por exemplo, em caso de custos de investimento elevados, a busca de financiamento adicional ou a revisão do escopo do projeto seriam acionadas imediatamente, com o gerente financeiro e o diretor executivo liderando a resposta.

Os Riscos Regulatórios, com 7 ameaças, preveem a intensificação da comunicação com órgãos reguladores, a condução de estudos adicionais para conformidade e a busca de isenções regulatórias. Os tempos de ação são mais longos, variando de 1 a 12 semanas, com responsabilidade do gerente regulatório e de especialistas em regulação. Em caso de atraso na aprovação regulatória, a intensificação da comunicação e o fornecimento de informações adicionais seriam implementados em 1 a 2 semanas. Para a rejeição regulatória, a análise dos motivos e a ressubmissão de estudos adicionais seriam realizadas em 4 a 8 semanas, exigindo um esforço coordenado e especializado.

Por fim, os Riscos de Mercado, que também somam 7 ameaças, incluem a intensificação de campanhas de marketing, a comunicação transparente sobre segurança, estratégias de diferenciação de produto e a expansão para novos segmentos de mercado. Os tempos de ação variam de 2 a 8 semanas, com responsabilidade das áreas de marketing, vendas e estratégia. Para a baixa aceitação dos consumidores, por exemplo, uma campanha de educação e marketing seria intensificada em 4 a 8 semanas. Em caso de percepção negativa de segurança, a comunicação transparente e estudos de validação seriam acionados imediatamente, com o gerente de comunicação e especialista em segurança liderando a resposta.

Os tempos de ação no Plano de Contingência foram definidos de acordo com a criticidade de cada risco. Riscos críticos, que demandam resposta urgente, têm um tempo de ação imediato, de até 24-48 horas, abrangendo 6 riscos. Para 14 riscos altos e médios, que exigem ação rápida, o prazo é de 1 a 4 semanas. Riscos que requerem planejamento mais estruturado, totalizando 10, têm um prazo de 4 a 8 semanas. Já para 4 riscos complexos, que demandam estudos ou negociações prolongadas, o tempo de ação pode se estender de 8 a 12 semanas. Essa gradação nos prazos assegura que a resposta seja proporcional à urgência e complexidade do risco.

As responsabilidades pelo acionamento das contingências estão claramente definidas, garantindo clareza na execução. A gerência de projeto é responsável pela coordenação geral e pelo acionamento de contingências críticas. As áreas técnicas respondem aos riscos técnicos e operacionais, enquanto a gerência financeira lida com os riscos financeiros. A gerência regulatória é responsável pelos riscos regulatórios, e as áreas de marketing e vendas respondem aos riscos de mercado. Essa estrutura de responsabilidades bem delineada minimiza a ambiguidade e acelera a tomada de decisão em momentos de crise, contribuindo para a eficácia do plano.

O plano de contingência será monitorado por meio de indicadores de alerta (KPIs) que acionam a contingência, um comitê de crise que realizará reuniões semanais durante as fases críticas, comunicação imediata para notificação de acionamento, documentação de todas as ações executadas e aprendizado por meio de análises pós-ação para melhorias futuras. Este sistema de monitoramento e ativação garante que o plano seja dinâmico e adaptável, permitindo que a organização aprenda com a experiência e aprimore continuamente suas capacidades de gerenciamento de riscos, fortalecendo a resiliência do projeto diante de incertezas.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que a implementação bem-sucedida de tecnologias emergentes como o Campo Elétrico Pulsado, ozônio e Alta Pressão Hidrostática na mitigação de resíduos de antibióticos no leite depende fundamentalmente de um gerenciamento robusto de riscos em múltiplas dimensões. A aplicação de ferramentas consagradas de gerenciamento de riscos, como a Matriz de Probabilidade e Impacto, a Estrutura Analítica de Riscos e a Análise SWOT, revelou a identificação de 34 riscos, dos quais 52,9% foram classificados como críticos ou altos, exigindo atenção prioritária. O plano de resposta e contingência proposto, com suas estratégias de mitigação, aceitação, escalação e transferência, oferece um arcabouço estruturado para auxiliar a indústria de laticínios a tomar decisões estratégicas, aumentando a segurança do produto e a competitividade no mercado, e respondendo diretamente ao objetivo central do estudo.

4. Conclusão

Este estudo teve como objetivo propor um plano de gerenciamento de riscos para a implementação de tecnologias emergentes não térmicas, como Campo Elétrico Pulsado (PEF), ozônio (O3) e Alta Pressão Hidrostática (APH), na indústria de laticínios, visando à mitigação de resíduos de antibióticos no leite. Por meio de uma revisão sistemática da literatura e da aplicação de ferramentas do Guia PMBOK®, verificou-se que o PEF e o ozônio demonstraram ser as tecnologias mais promissoras na redução desses resíduos. Identificou-se um total de 34 riscos associados a essa implementação, categorizados em dimensões técnicas, operacionais, financeiras, regulatórias e de mercado. A análise de probabilidade e impacto revelou que 52,9% desses riscos eram críticos ou altos, exigindo atenção prioritária. Em resposta a esses achados, foi desenvolvido um plano de gerenciamento de riscos abrangente, que incluiu estratégias de mitigação, aceitação, escalação e transferência, além de um plano de contingência detalhado. Este arcabouço estruturado representa uma contribuição significativa, fornecendo à indústria de laticínios um guia prático para a tomada de decisões estratégicas em investimentos em inovação, o que potencializa a segurança do produto e a competitividade no mercado.

Contudo, reconheceu-se que a maioria dos estudos sobre as tecnologias emergentes foi conduzida em ambiente laboratorial, o que levanta questões sobre a transferibilidade e escalabilidade para a produção industrial. Observou-se, ainda, a escassez de dados sobre o impacto dessas tecnologias na qualidade nutricional e sensorial do leite, bem como a formação de possíveis subprodutos resultantes da degradação de antibióticos. Para estudos futuros, sugere-se a realização de pesquisas em escala piloto e industrial para validar a eficácia e a segurança dessas tecnologias em condições reais de processamento. Recomenda-se, também, aprofundar a investigação sobre os efeitos na qualidade do leite e a análise da formação de subprodutos, a fim de garantir a aceitação regulatória e do consumidor. A implementação de um gerenciamento de riscos robusto, como o proposto, é fundamental para navegar pelas incertezas inerentes à inovação tecnológica, assegurando a resiliência e o sucesso de projetos no setor agroindustrial.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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