Artigo

30 de julho de 2026

Gerenciamento de cronogramas e das partes interessadas no registro de produtos para alimentação animal

Felipe Juscele; Luciano Azevedo de Souza

DOI: 10.22167/2675-6528-202600791

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão de cronogramas e partes interessadas no registro de produtos para alimentação animal apresenta desafios significativos, especialmente na priorização e organização de tarefas em equipes multidisciplinares. O estudo avaliou esses desafios e objetivou propor técnicas de gestão de projetos para otimizar os processos de solicitação, aprovação, comunicação e execução de tarefas. Para isso, realizou-se uma análise documental de registros efetuados nos últimos 24 meses, focando em prazos e ferramentas utilizadas, e conduziu-se entrevistas com profissionais envolvidos para compreender suas percepções. Os resultados revelaram a limitada adoção de técnicas e ferramentas de gestão de projetos na área, frequentemente associada a problemas de comunicação, execução ineficiente e falta de suporte gerencial ou cultura organizacional orientada a projetos. Em resposta, o trabalho propôs uma abordagem estruturada, que incluiu o desenvolvimento de um formulário de requisição de registro (RRF), um plano de registro (RP), um cronograma detalhado, um dashboard de acompanhamento, e a formalização de reuniões de kick-off e encerramento. Concluiu-se que a implementação dessas técnicas é imperativa para aprimorar a gestão de projetos de registro, promovendo maior coesão, melhor compartilhamento de informações e otimização dos processos.

Palavras-chave: Alimentação animal; Engajamento; Gestão de projetos; Priorização; Registro regulatório.

1. Introdução

O desenvolvimento de um produto por uma equipe multidisciplinar pode ser muito desafiador, e o grande número de eventos não planejados pode trazer grande dificuldade no momento de se construir o cronograma (Ortiz-Pimiento e Diaz-Serna, 2020). As distintas etapas, desde o conceito inicial até o lançamento do produto, envolvem dinâmicas em constante mudança, prioridades conflitantes e condições de mercado de difícil previsão. E o desenvolvimento de um produto é a soma de muitos fatores, tais como: a estratégia da empresa, os recursos disponíveis e o modelo de desenvolvimento de novos produtos (Pienaar et al., 2019). Apesar de uma organização possuir diversas atividades em execução, o cumprimento dos objetivos estratégicos de uma companhia é um foco típico da gestão de portfólio de projetos (Patanakul, 2015).

A alocação de recursos, considerando a sua limitação em um período de tempo, geralmente é um desafio enfrentado pelas lideranças de uma equipe de projetos (Mira et al., 2015). Estes problemas podem ser agravados em uma condição onde muitas empresas operam com equipes que podem não ter os tamanhos ideais, frequentemente abaixo do ideal, o que afeta a produtividade das equipes e das companhias (Suresh, 2024).

Considerando os desafios comumente encontrados durante a execução dos projetos, o cronograma se torna uma ferramenta importantíssima, não só para o lançamento do produto no prazo, mas também para o cumprimento de metas orçamentárias, solução eficiente de problemas e otimização de recursos, sejam estes financeiros ou humanos. Marujo (2009) demonstrou que a sobreposição de tarefas é uma ferramenta importante para a redução do tempo de execução do projeto, mas o impacto de possíveis retrabalhos deve ser analisado em comparação com os possíveis benefícios trazidos pelo projeto. Ainda, Suresh (2024) pontua que a realidade atual de trabalho remoto traz camadas adicionais de desafio para líderes e gestores de projetos, e que equipes que souberam se adaptar a esta nova realidade podem superar as demais.

De maneira conceitual, um cronograma é um modelo para a execução das atividades do projeto, incluindo durações, dependências e outras informações de planejamento. O planejamento do cronograma pode usar abordagens preditivas ou adaptativas (PMI, 2021). A criação de um cronograma envolve a análise profunda de diversos fatores, tais como: as tarefas em si, seus responsáveis, suas conexões e interdependências, esforço requerido, tempo necessário, caminhos críticos e alocação da equipe (Suresh, 2024). E, apesar de a gestão de projetos ser uma prática de décadas, ainda pode ser difícil de se compreender o que se considera eficiente em uma gestão de portfólio de projetos. Sem a compreensão dessa eficiência, os resultados podem não se consolidar conforme o previsto, com impactos negativos em aspectos financeiros, produtivos e no moral das partes interessadas envolvidas (Patanakul, 2015). De maneira oposta, o engajamento das equipes pode ser positivamente influenciado por um cronograma bem desenvolvido e bem gerenciado, com tarefas conexas e acesso facilitado à informação do projeto (Suresh, 2024).

Em algumas companhias, no entanto, o processo de definição de um cronograma nem sempre ocorre, o que pode gerar gargalos e desengajamento da equipe. Este problema é particularmente relevante no contexto do registro de produtos para alimentação animal. Uma busca bibliográfica abrangente, mesmo com a utilização de terminologias e filtros amplos, demonstrou a ausência de estudos realizados especificamente nesse contexto (Page et al., 2021), o que evidencia a relevância do presente trabalho.

O cenário atual indica que, nessa área, a adoção de técnicas e ferramentas de gestão de projetos ainda não ocorre de maneira ampla. Esta pouca aplicação pode estar relacionada a problemas de comunicação e execução ineficiente. Além disso, o suporte da gestão pode influenciar o nível de adoção dessas técnicas, sugerindo que o sucesso na implementação pode não ser alcançado sem o apoio gerencial ou se a cultura da organização não estiver orientada a projetos.

A necessidade de aprimorar a gestão de projetos de registro de produtos para alimentação animal, especialmente através da adoção de técnicas de gerenciamento de cronograma e das partes interessadas, é imperativa para a melhoria da comunicação, priorização e engajamento das equipes. Diante deste cenário, o presente estudo teve como objetivo geral propor técnicas de gestão de pessoas e de cronogramas para o registro de produtos para alimentação animal, visando aprimorar a eficiência e a previsibilidade desses processos.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa e exploratória, com o objetivo de propor técnicas de gestão de projetos. A metodologia empregada incluiu pesquisa bibliográfica, análise documental e entrevistas semiestruturadas. Este fluxo foi delineado para consolidar o entendimento do contexto e subsidiar a elaboração das propostas, visando aprimorar a eficiência e a previsibilidade dos processos de registro de produtos para alimentação animal.

A pesquisa bibliográfica foi conduzida com foco na gestão de cronogramas, buscando identificar os principais aspectos abordados na literatura. As buscas foram realizadas em bases acadêmicas como Scopus, Web of Science e Google Acadêmico. Utilizaram-se as seguintes strings de busca em diferentes combinações: “Product development”, “Product management”, “Registration”, “Schedule”, “Scheduling”, “Animal feed”, “Animal nutrition” e “Veterinary products”. O período de busca foi limitado aos últimos dez anos, a partir de 2015, para incluir a legislação atualizada.

Na etapa de triagem da pesquisa bibliográfica, buscou-se identificar estudos específicos sobre registro de produtos para alimentação animal. Observou-se a ausência de trabalhos que se encaixassem nesses critérios, mesmo com terminologias e filtros amplos. Este achado, ilustrado pelo diagrama PRISMA (Page et al., 2021) no trabalho original, reforçou a relevância do estudo para preencher essa lacuna.

A análise documental foi realizada para avaliar os processos de registro anteriores, com o intuito de diagnosticar o cenário atual. Foram analisados os dados de todos os processos de registro efetuados nos últimos 24 meses. Incluíram-se processos referentes a produtos para alimentação animal na América Latina, e excluíram-se aqueles para alimentação humana ou que resultaram em isenções de registro.

Nesta etapa, coletaram-se informações sobre a condução dos processos de registro, as técnicas e ferramentas adotadas, causas de atraso e retrabalho, e eventos como reuniões de kick-off, alinhamento e fechamento. A coleta de dados contou com anuência institucional, e as informações foram tratadas com confidencialidade e anonimato, respeitando as diretrizes éticas.

As entrevistas foram realizadas com as principais partes interessadas envolvidas no ciclo de registro de produtos, considerando a natureza multidisciplinar desses projetos. O objetivo foi detectar as necessidades dos departamentos, identificar desafios na definição e execução de tarefas, e mapear oportunidades de melhoria. Buscou-se também compreender as prioridades e os controles necessários para a conclusão das atividades.

O roteiro das entrevistas, detalhado no Anexo 5 do trabalho original, foi estruturado em quatro seções: Introdução, Papel no processo de registro, Informações sobre a organização e Experiência pessoal. As percepções individuais foram coletadas para complementar a análise documental, sem atribuição de peso estatístico aos dados (Babbie, 2016).

Foram entrevistados quatorze participantes, cujas qualificações e posições incluíam Gestão de Produtos, Garantia de Qualidade, Controle de Qualidade, Assuntos Regulatórios, Gestão Comercial e Gestão de Vendas. A seleção dos entrevistados baseou-se em seu grau de influência e envolvimento nos processos de registro, permitindo uma compreensão abrangente das diferentes perspectivas.

A análise dos dados coletados na pesquisa bibliográfica, análise documental e entrevistas foi realizada por meio de uma síntese qualitativa. Os achados foram integrados para identificar padrões, fragilidades e oportunidades no gerenciamento de cronogramas e partes interessadas nos processos de registro de produtos para alimentação animal. Esta síntese serviu como base para a formulação das propostas.

Com base na análise e síntese dos dados, elaborou-se um conjunto de técnicas de gestão de projetos. Para a estruturação da proposta, utilizou-se a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), que permitiu a decomposição de tarefas, indicação de responsáveis, prazos e dependências. O MS Excel foi empregado para o desenvolvimento do modelo de cronograma, devido ao seu baixo custo, alta disponibilidade e flexibilidade.

A proposta incluiu o desenvolvimento de documentos formalizados, como o Registration Request Form (RRF), o Registration Plan (RP), um modelo de cronograma e um dashboard de acompanhamento. Delinearam-se, ainda, ações e recursos para a abertura, acompanhamento e encerramento dos projetos, formalizando reuniões de kick-off e encerramento, e a avaliação de indicadores de desempenho.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa buscou compreender e aprimorar a gestão de cronogramas e das partes interessadas no processo de registro de produtos para alimentação animal, um contexto marcado por desafios significativos na priorização e organização de tarefas em equipes multidisciplinares. Os resultados obtidos por meio da análise documental e das entrevistas com profissionais revelaram a ausência de práticas formais de gestão de projetos e a necessidade premente de ferramentas estruturadas para otimizar a comunicação, a execução e o engajamento das equipes envolvidas. A discussão a seguir detalha os achados e a proposta desenvolvida para responder a essas lacunas.

Análise documental

A análise documental dos processos de registro de produtos para alimentação animal, conduzida ao longo de 24 meses, revelou que, dos dezessete processos avaliados, nenhum empregou técnicas formais de gerenciamento de projetos. Observou-se a ausência de documentos essenciais, como termos de abertura, definições de escopo e cronogramas detalhados para estimativas de tempo e custo. Esta lacuna fundamental impactou diretamente a capacidade de mensurar e comparar os prazos de conclusão dos projetos de forma consistente, uma vez que as informações eram baseadas em comunicações informais, como e-mails e memorandos.

A falta de padronização resultou em tempos de conclusão notadamente inconstantes para os projetos, variando amplamente de 23 a 922 dias, conforme os dados levantados. Essa variabilidade impede uma análise estatística robusta e comparativa dos prazos, mas, paradoxalmente, evidencia a própria fragilidade do sistema existente. A ausência de critérios bem definidos para a mensuração do tempo de projeto demonstra que a execução dos registros não estava embasada em processos consolidados, o que, segundo Patanakul (2015), pode levar a resultados inconsistentes e impactos negativos em diversos aspectos organizacionais.

Adicionalmente, a análise documental constatou a inexistência de uma identificação formal das partes interessadas. Em muitos casos, os colaboradores eram envolvidos de maneira pontual, sem pleno conhecimento do contexto ou da demanda do projeto de registro. A ausência de reuniões de kick-off e de encerramento também foi um achado relevante, indicando uma falha na comunicação inicial e final dos projetos. Tais práticas, ou a falta delas, geram problemas de engajamento e dificultam o alinhamento das expectativas, conforme apontado por Suresh (2024) ao discutir a importância de um cronograma bem gerenciado para o engajamento das equipes.

Uma das principais raízes dos problemas identificados foi a ausência de um processo formal de solicitação de registro. Isso implicava que não havia preparação prévia ou organização da carga de trabalho das equipes em função dos projetos ativos. A gestão das tarefas era frequentemente realizada por gerentes funcionais, que priorizavam as atividades de suas respectivas equipes, resultando em divergências e atrasos na execução dos projetos de registro. Essa fragmentação da gestão, sem um gerente de projeto dedicado, contribui para a ineficiência e a falta de coesão, aspectos críticos em equipes multidisciplinares (Ortiz-Pimiento e Diaz-Serna, 2020).

Entrevistas

Qualificação dos Entrevistados

As entrevistas foram realizadas com quatorze participantes, cujas qualificações e posições incluíam Gestão de Produtos, Garantia de Qualidade, Controle de Qualidade, Assuntos Regulatórios, Gestão Comercial e Gestão de Vendas. A seleção desses profissionais foi estratégica, considerando seu grau de influência e envolvimento nos processos de registro, o que permitiu mapear suas necessidades e percepções. Embora o grau de participação não tivesse relevância estatística, ele foi fundamental para contextualizar as visões dos participantes e compreender o impacto de suas experiências no processo, em linha com a abordagem qualitativa de Babbie (2016).

Respostas

As respostas dos entrevistados forneceram percepções valiosas sobre o processo de registro, revelando diferentes níveis de engajamento e comprometimento. A análise dessas percepções foi crucial para identificar pontos de melhoria específicos. Embora a maioria dos participantes relatasse trabalhar com projetos estruturados em registros, a avaliação indicou que a maturidade desses projetos era limitada. Apenas dois entrevistados, por exemplo, mencionaram a presença de um Gerente de Projetos e o uso de software de gestão, enquanto os demais operavam sem ferramentas de gestão específicas ou sem a figura de um gerente dedicado.

A identificação das partes interessadas, embora considerada satisfatória em termos de envolvimento geral, apresentou oportunidades de melhoria. Observou-se que alguns participantes estavam excessivamente envolvidos, recebendo comunicações e atualizações que não eram pertinentes ao seu nível de participação. Isso sugere uma falha no plano de comunicação do projeto e na compreensão do público de cada parte interessada, o que pode levar a um desperdício de recursos e a um menor engajamento, conforme a literatura sobre gestão de partes interessadas (Jolanta, 2015; Ackermann, 2011).

Outro ponto relevante levantado nas entrevistas foi o suporte da gestão. Os participantes que atuavam em estruturas de projeto mais organizadas (Grupo D) indicaram ter o apoio gerencial necessário. Contudo, no Grupo A, onde não havia estrutura de processo, o único participante que reportou suporte gerencial era também o próprio gestor da equipe, o que pode indicar um viés. Essa observação reforça a ideia de que o apoio da alta gestão é um fator crítico para a implementação bem-sucedida de técnicas de gestão de projetos, como destacado na introdução do presente estudo.

A estratégia de comunicação e a priorização foram temas frequentemente abordados de forma espontânea pelos entrevistados. Muitos relataram que as informações eram compartilhadas de maneira ineficiente, mesmo entre os diretamente envolvidos. A sugestão de utilizar dashboards foi recorrente, vista como uma forma desejável de manter todas as partes interessadas atualizadas sobre o andamento do projeto sem a necessidade de reuniões constantes. A priorização, por sua vez, mostrou-se um problema associado à comunicação deficiente, especialmente para departamentos com menor participação no projeto, que podiam ser negligenciados nos processos de aprovação.

Proposta de cronograma

Considerando as limitações identificadas na análise documental e nas entrevistas, a pesquisa propôs uma abordagem estruturada para a gestão de projetos de registro de produtos para alimentação animal, baseada em pilares fundamentais. Estes incluem a definição de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP), a formalização de documentos como o Registration Request Form (RRF) e o Registration Plan (RP), a identificação clara das partes interessadas, a definição detalhada de tarefas e entregas, e a indicação de ações e recursos para todas as fases do projeto, desde a abertura até o encerramento.

Estrutura analítica do projeto

A Estrutura Analítica do Projeto (EAP) foi desenvolvida para organizar as atividades de registro, abrangendo as fases de planejamento, preparação (pré-registro), registro e pós-registro. A EAP permite decompor as tarefas do projeto, descrevendo entregas, responsáveis, prazos e dependências, o que é crucial para a clareza e o controle do projeto (PMI, 2021). Esta estrutura visa mitigar a fragmentação e a falta de clareza observadas nos processos atuais, fornecendo uma visão holística das atividades.

Atividades de Planejamento

A fase de planejamento envolve a alocação de atividades para estabelecer o plano geral de registro, incluindo a definição do escopo, a identificação das Partes Interessadas e a consolidação do Plano de Registro (RP). O RP atua como um termo de abertura do projeto, formalizando o escopo e obtendo a aprovação dos responsáveis. A aprovação do Registration Plan é considerada uma etapa crítica e um Indicador Chave de Desempenho (KPI), pois seu cumprimento baliza o início das tarefas subsequentes e permite a avaliação da otimização dos processos de registro.

Atividades de Preparação/Pré-registro

Esta fase abrange as tarefas internas realizadas pelas equipes e Partes Interessadas para a construção do dossiê de registro. É a etapa com o maior número de atividades e entregas, cada uma visando a conclusão de um documento ou a geração de conhecimento técnico. O Dossiê para Registro é o principal entregável desta fase. Contudo, devido às frequentes mudanças regulatórias e diferenças regionais na alimentação animal, esta fase requer revisão constante no início de cada projeto para garantir a conformidade com os requisitos do dossiê. A revisão e aprovação do dossiê também é um KPI essencial, funcionando como um bloqueio para as atividades subsequentes.

Atividades de Registro

A fase de registro compreende a avaliação do dossiê pela autoridade regulatória. Embora possua um número menor de atividades internas, é a fase que consome o maior tempo do projeto. Durante este período, as atualizações aos envolvidos são menos críticas para o avanço do cronograma, dada a baixa influência sobre os prazos regulatórios. No entanto, a comunicação contínua e o fornecimento de dados atualizados são importantes para manter o moral das equipes e gerenciar as expectativas, um aspecto relevante da gestão de partes interessadas (Patanakul, 2015).

Atividades de Pós-registro

Após a aprovação do registro, iniciam-se as atividades de pós-registro, que garantem a comercialização do produto. Isso inclui formalizações e parametrizações em sistemas internos, bem como a aprovação da rotulagem final. Idealmente, atividades de marketing e vendas deveriam ser iniciadas antes da aprovação do registro para otimizar o tempo de venda. No entanto, a baixa adesão e capilaridade de outros departamentos foram uma limitação do projeto, impedindo a inclusão dessas atividades na proposta inicial. Espera-se que este trabalho sirva como base para um sistema de gestão de registros mais abrangente, com maior envolvimento das partes interessadas no futuro.

Requisições de registro – Registration Request Form

A formalização da requisição de um projeto, por meio do Registration Request Form (RRF), foi identificada como uma fraqueza crítica nos processos avaliados e um ponto recorrente nas entrevistas. A ausência de um RRF pode ser o ponto inicial para falhas de comunicação, erros de escopo e ineficiências. O RRF proposto possui cinco seções: Informações sobre o Negócio (identificação do requisitante, escopo comercial), Informações sobre o Produto (detalhamento do produto, especificações), Partes Interessadas Relevantes (departamentos a serem envolvidos), Comentários do Requisitante (texto livre) e Aprovações (departamentos de vendas, gestão de produtos e regulatório). Este documento visa consolidar as necessidades do projeto e mapear as entregas e a estratégia regulatória, conforme a orientação do PMBOK (PMI, 2021).

Plano de Registro: termo de abertura e escopo do projeto

Assim como a requisição, a formalização da abertura dos projetos de registro também demonstrou ser deficiente. Frequentemente, as partes interessadas não tinham ciência do projeto até o momento de seu envolvimento e careciam de informações sobre o escopo, o que levava a tratar as tarefas de registro como rotina, competindo com outras prioridades e alongando os prazos. Para solucionar isso, propôs-se o Plano de Registro (RP), um documento que unifica o escopo do projeto e o plano de registro, funcionando como um termo de abertura. O RP consolida descrições, escopos e especificações aprovadas no RRF, indica as entregas necessárias e prevê custos e tempo, balizando a Reunião de Abertura do projeto para informar todas as partes interessadas.

Identificação das partes interessadas

A identificação das partes interessadas é crucial para o sucesso do projeto, pois permite alocar cada uma em um público específico e definir o nível de informação e engajamento necessários. Embora as partes interessadas possam variar conforme o escopo e o país, é possível estimar as principais para a maioria dos projetos regulatórios. A pesquisa mapeou as partes interessadas com base em seu grau de influência e interesse, categorizando-as em quatro grupos. Aqueles com alto poder e alto interesse, como Assuntos Regulatórios e Gerência de Produto, devem ser gerenciados com proximidade. Já os de alto poder e baixo interesse, como Controle de Qualidade, devem ser mantidos satisfeitos. Partes com baixo poder e alto interesse, como Marketing e Pesquisa e Desenvolvimento, precisam ser mantidas informadas. Por fim, as de baixo poder e baixo interesse, como Product Safety e Logística, devem ser monitoradas. Este mapeamento permite planejar a comunicação e o engajamento de forma mais assertiva, incluindo reuniões de kick-off, atualizações periódicas e reuniões de encerramento.

Tarefas e atividades – cronograma

Após a definição dos documentos de abertura, a EAP e a identificação das partes interessadas, foi proposto um modelo de acompanhamento de tarefas baseado em uma tabela do MS Excel. Este cronograma detalha cada tarefa com informações como número, descrição, fase do projeto, entrega, responsável, bloqueio, estado, datas de início e término (planejado e real), porcentagem de execução (planejada e real), atraso e comentários. Inicialmente concebido para ser específico por tipo de projeto e país, o modelo evoluiu para um cronograma único e adaptável, ajustado durante as fases iniciais do projeto conforme as entregas necessárias. Embora o Excel não seja uma ferramenta específica de gestão de projetos, sua flexibilidade e baixo custo o tornam uma opção viável para o ambiente da pesquisa, superando a situação atual de ausência de detalhamento e acompanhamento.

Ações e recursos

Abertura de Projeto – reunião de Kick Off

A adoção da reunião de Kick Off é uma sugestão importante para a entrega final do projeto, pois contribui significativamente para o processo de gestão. Esta reunião, que atualmente não ocorre, é o ponto de partida para o início das tarefas práticas, consolidando o conhecimento e as entregas necessárias para o dossiê de registro. Baseada no Registration Plan, a reunião de Kick Off tem como objetivo esclarecer às partes interessadas o escopo do projeto, do produto, os prazos e os pontos de atenção. Os participantes incluem as Partes Interessadas de Alto Poder, conforme a matriz poder-interesse, e outros membros adicionais, dependendo do escopo.

Acompanhamento – Dashboard e reuniões de atualização

Dashboard do Projeto

O dashboard foi desenvolvido para otimizar o acompanhamento do projeto e manter o histórico, respondendo à necessidade de uma fonte consolidada de atualizações, conforme indicado nas entrevistas. Apresentado em formato de One Page Report, ele inclui dados gerais do projeto (produto, descrição, país, data de início), dados de estado (atual, duração, porcentagem), tarefas recém-finalizadas e próximas, ações e pontos de atenção, estado dos KPIs e custos planejados e executados. Os dados são automaticamente obtidos do arquivo de acompanhamento, com exceção das ações e pontos de atenção, proporcionando uma visão clara e atualizada do progresso do projeto.

Diário do projeto

O diário do projeto foi concebido como uma ferramenta simples para rastrear mudanças, decisões e questões que possam impactar o andamento ou o escopo do projeto. Incluído no arquivo do projeto, ele permite descrever os itens conforme seu histórico e mapear as ações decorrentes, garantindo que todas as alterações e seus impactos sejam devidamente registrados e planejados. Esta prática contribui para a transparência e a memória institucional do projeto, elementos que estavam ausentes nos processos anteriores.

Rastreador de custos

Para otimizar a gestão dos custos de registro, que, embora baixos, não são negligenciáveis, foi incluído um rastreador de custos. Este componente prevê os custos estimados e mantém um histórico de pagamentos, permitindo a comparação entre o planejado e o executado. O modelo do arquivo de acompanhamento do projeto, que integra o cronograma, o dashboard e o diário, oferece uma visão abrangente e controlada dos aspectos financeiros do projeto, algo que não existia na prática anterior.

Encerramento – Reunião de Encerramento e ações adicionais

Reunião de encerramento

As reuniões de encerramento são implementadas para criar uma oportunidade de aprendizado para as equipes. Elas permitem analisar os problemas e entraves encontrados durante os projetos, mapear ações de melhoria que podem ser necessárias fora do escopo do projeto, e revisar os processos adotados. Este é um momento crucial para a retroalimentação e o aprimoramento contínuo da gestão de projetos, promovendo uma cultura de melhoria e aprendizado organizacional, em contraste com a ausência de fechamento formal observada anteriormente.

Avaliação do processo de registro

Para permitir a otimização e o monitoramento contínuo dos processos de registro, foram definidos KPIs específicos a serem acompanhados quanto ao prazo de encerramento. Estes incluem a Aprovação do Registration Plan (RP), a Revisão e Aprovação do Dossiê de registro e a Submissão do dossiê para avaliação. No encerramento do processo de registro, durante a reunião de encerramento, estas tarefas são avaliadas para medir o desempenho geral do processo, e metas realistas são propostas para otimizar os processos subsequentes. Essa abordagem sistemática visa transformar a gestão de registros em um processo mais previsível e eficiente, alinhado aos objetivos estratégicos da organização.

Em síntese, os resultados da pesquisa evidenciaram a necessidade crítica de formalização e estruturação na gestão de projetos de registro de produtos para alimentação animal. A proposta de técnicas e ferramentas, como o RRF, o RP, a EAP, o cronograma em Excel, o dashboard e as reuniões de kick-off e encerramento, busca preencher as lacunas identificadas na comunicação, priorização e engajamento das equipes. A implementação dessas ferramentas, embora com limitações inerentes ao uso de softwares não específicos, representa um avanço significativo em relação à prática atual, promovendo maior coesão, melhor compartilhamento de informações e otimização dos processos, respondendo diretamente ao objetivo de aprimorar a eficiência e a previsibilidade.

4. Conclusão

O presente estudo buscou propor técnicas de gestão de pessoas e de cronogramas para o registro de produtos para alimentação animal, visando aprimorar a eficiência e a previsibilidade desses processos. Verificou-se, por meio da análise documental de dezessete processos, a ausência de práticas formais de gerenciamento de projetos, como termos de abertura e cronogramas detalhados, o que resultou em tempos de conclusão inconsistentes, variando de 23 a 922 dias. Identificou-se também a falta de identificação formal das partes interessadas e a inexistência de reuniões de kick-off e encerramento, contribuindo para problemas de comunicação e execução ineficiente. As entrevistas com profissionais da área corroboraram a limitada maturidade em gestão de projetos, a ineficiência na comunicação e a necessidade de ferramentas estruturadas. Em resposta a essas lacunas, propôs-se uma abordagem estruturada que incluiu o desenvolvimento de um formulário de requisição de registro (RRF), um plano de registro (RP), uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP), um cronograma detalhado, um dashboard de acompanhamento, e a formalização de reuniões de kick-off e encerramento. Esta proposta representa uma contribuição gerencial e técnica significativa, ao fornecer um arcabouço para maior coesão, melhor compartilhamento de informações e otimização dos processos de registro.

Contudo, a implementação dessas técnicas enfrenta limitações importantes, como a baixa adesão e capilaridade de outros departamentos, que impediram a inclusão de atividades de marketing e vendas na proposta inicial. Observou-se que o ambiente corporativo carece de uma cultura organizacional orientada a projetos, o que exige suporte da alta gestão e uma profunda mudança cultural para o sucesso da adoção. Embora a utilização de ferramentas de baixo custo, como o MS Excel, tenha sido uma solução viável para o contexto da pesquisa, reconhece-se que o investimento em softwares específicos de gestão de projetos e a presença de um gerente de projetos dedicado seriam ideais para uma gestão mais robusta. Sugere-se que este trabalho sirva como base para o desenvolvimento de um sistema de gestão de registros mais abrangente, com maior envolvimento das partes interessadas e aprimoramentos contínuos, que demandarão futuras modificações e o apoio gerencial para a evolução dos processos.

Referências Bibliográficas

Ackermann, F.; Eden, C. 2011. Strategic management of stakeholders: theory and practice. Long range planning 44(3): 179-196.

Babbie, E. 2016. The practice of social research.14ed. Cengage Learning, Boston, MA, USA.

Jolanta, M.A.J. 2015. Diversity management’s stakeholders and stakeholders management. Proceedings of the 9th International Management Conference, Bucharest, Romania.

Marujo, L.G. 2009. Rework impacts evaluation through system dynamics approach in overlapped product development schedule. Journal of Technology Management Innovation 4(2): 90-101.

Mira, C.; Viadanna, P.R.; Souza, M.A.; Moura, A.; Meidanis, J.; Lima, G.A.C.; Bossolan, R.P. 2015. Project scheduling optimization in electrical power utilities. Pesquisa operacional 35(2): 285-310.

Ortiz-Pimiento, N.R.O.; Diaz-Serna, F.J. 2020. An optimization model to solve the resource constrained project scheduling problem RCPSP in new product development projects. Dyna 87(212): 179-188.

Page, M.J.; Moher, D.; Bossuyt, P.M.; Boutron, I.; Homann, T.C.; Mulrow, C.D. et al. 2021. PRISMA 2020 explanation and elaboration: updated guidance and exemplars for reporting systematic reviews. BMJ: 272.

Patanakul, P. 2015. Key Attributes of Effectiveness in Managing Project Portfolio. International Journal of Project Management 33(5): 1084-1097.

Pienaar, C.; Van Der Lingen, E.; Preis, E. 2019. A framework for successful new product development. South African Journal of Industrial Engineering 30(3): 199-209.

Project Management Institute [PMI]. 2021. A Guide to the Project Management Body of Knowledge. 7th ed. PMBOK Guide, EUA.

Suresh, D.; Annamalai, S. 2024. Effect of schedule management plan in project management worth using structural equation modelling. An Acad Bras Cienc. 96(2): 1-29.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade