Artigo

11 de agosto de 2026

Feedback entre gestores e professores: desafios e oportunidades para o desenvolvimento profissional na Educação Básica

Michele de Souza; Adriana Telk

DOI: 10.22167/2675-6528-202601229

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A pesquisa analisou os desafios e as oportunidades para a criação de uma cultura de feedback voltada ao desenvolvimento profissional de gestores e professores nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo central consistiu em investigar como as relações interpessoais e a segurança psicológica influenciam a eficácia das devolutivas pedagógicas. Para tanto, utilizou-se uma metodologia aplicada de levantamento de campo (survey) com método misto e amostragem por conveniência, realizada com 109 profissionais da educação da região noroeste paulista. A confiabilidade do instrumento foi validada pelo Alfa de Cronbach (α de 0,84 e 0,91). A análise dos dados integrou a estatística descritiva com o cálculo de médias e medianas para identificar as tendências centrais de percepção, interpretadas sob a luz da Hierarquia das Necessidades de Maslow e de referenciais sobre liderança educacional. Os resultados demonstraram que a transitoriedade do vínculo funcional dos gestores e o medo do conflito foram barreiras críticas, gerando feedbacks superficiais ou centrados em aspetos burocráticos. Identificou-se que 65,8% dos docentes experimentaram ansiedade no processo, evidenciando uma estagnação no nível de segurança da pirâmide de Maslow. Como contribuição prática, a pesquisa propôs um Protocolo Estruturado de Feedback Pedagógico, fundamentado na observação reflexiva e na alavancagem instrucional, visando converter o feedback num instrumento real de autorrealização e melhoria dos indicadores de aprendizagem.

Palavras-chave: Desenvolvimento Profissional; Gestão Escolar; Hierarquia das Necessidades de Maslow; Protocolo de Feedback; Segurança Psicológica.

1. Introdução

O cenário da Educação Básica brasileira, especialmente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, é marcado pela busca contínua por qualidade pedagógica. Essa qualidade é frequentemente mensurada por indicadores nacionais como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Para que esses índices reflitam uma aprendizagem significativa e duradoura, a literatura acadêmica converge para a importância fundamental da gestão escolar e do desenvolvimento profissional docente. A escola, nesse contexto, é compreendida como uma organização social que aprende, onde a gestão pedagógica atua como o motor principal da formação continuada e da organização eficiente do trabalho escolar (Libâneo, 2013).

Nesse ambiente dinâmico, o papel do gestor transcende as funções meramente burocráticas. A eficácia da gestão está intrinsecamente ligada a uma liderança proativa e à capacidade de articular as diversas dimensões pedagógicas (Lück, 2009). A essência do trabalho diretivo reside em criar e implementar ferramentas que conectem a gestão às práticas cotidianas da sala de aula, reconhecendo que o sucesso dos estudantes é um reflexo direto do investimento e do suporte oferecido aos professores. A valorização dos saberes construídos na prática diária exige uma estrutura de apoio onde o feedback se estabeleça como o elo integrador entre a prática docente e a mediação gestora. A mobilização de saberes, conforme postula Tardif (2014), ocorre na reflexão sobre a própria prática, cabendo à gestão prover um feedback formativo que conecte as teorias acadêmicas aos desafios reais do ambiente escolar. Assim, o diálogo entre gestores e professores transforma-se em um motor essencial para o aprimoramento pedagógico.

Apesar da reconhecida pertinência do feedback, o cotidiano escolar enfrenta desafios severos que comprometem sua efetividade. Dados do Instituto Semesp (2024) revelam que oito em cada dez professores brasileiros já consideraram abandonar a carreira, motivados por sentimentos de desvalorização e sobrecarga de trabalho. Esse esgotamento docente é um indicativo crítico de que a sustentabilidade do sistema educacional depende, urgentemente, de um olhar atento ao bem-estar e ao suporte dos profissionais que atuam diretamente no processo educativo. O cenário é agravado por uma cultura de isolamento que, segundo Nóvoa (2022), fragmenta a prática docente e obstrui a construção de saberes coletivos. Na ausência de espaços para um diálogo mediado pela gestão, o erro, em vez de ser uma oportunidade de aprendizado, converte-se em barreira e silenciamento, impedindo a ressignificação de falhas como ativos estratégicos para a evolução do corpo docente.

A ausência de um feedback sistemático e qualificado representa um entrave crítico ao desenvolvimento profissional. A sobrecarga e a falta de suporte institucional, conforme o Instituto Semesp (2024), contribuem para o esgotamento docente, comprometendo tanto a saúde do profissional quanto a qualidade do ensino. Essa lacuna evidencia que, sem uma cultura de devolutiva orientada pelo suporte, como preconizado por Reis (2011), é complexa a transição de práticas pedagógicas intuitivas para métodos fundamentados em evidências científicas. A formação continuada, conforme Nóvoa (1997), deve estimular a busca constante pelo conhecimento e a reflexão sobre a prática, com o gestor atuando como mediador desse saber, utilizando a devolutiva qualificada para promover o desenvolvimento profissional e romper ciclos de baixa performance pedagógica.

A importância desta pesquisa reside na necessidade premente de fortalecer o sistema educacional, priorizando o bem-estar e o desenvolvimento de seus profissionais. Em um cenário de alto desgaste, o feedback emerge como uma estratégia essencial de acolhimento. Ao transformar a observação de aula em um diálogo formativo, é possível mitigar o isolamento docente e promover uma cultura escolar baseada na confiança mútua e no desenvolvimento contínuo. O estudo gera conhecimento prático que pode subsidiar políticas de formação, investigando as barreiras que impedem a consolidação de uma cultura de feedback eficaz. Assim, este trabalho contribui para que gestores qualifiquem suas lideranças pedagógicas, fortalecendo o maior patrimônio da escola – seus educadores – e impactando diretamente na qualidade do ensino. A pesquisa é oportuna por alinhar-se às discussões contemporâneas sobre liderança pedagógica em tempos de alta rotatividade e fragilidade emocional no setor educativo, buscando soluções que promovam o crescimento organizacional através de uma gestão humanizada, integrando excelência técnica e acolhimento humano.

Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo geral analisar como a liderança pedagógica e a segurança psicológica influenciam a eficácia do feedback como ferramenta de desenvolvimento humano e profissional no Ensino Fundamental, buscando mapear a periodicidade e as tipologias das devolutivas, identificar barreiras estruturais e motivacionais sob a ótica da Hierarquia das Necessidades de Maslow e analisar as percepções dos docentes para fundamentar práticas de liderança pedagógica mais assertivas e humanizadas.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como aplicada, utilizando uma abordagem de levantamento de campo (survey) com método misto, integrando dados quantitativos e qualitativos. O método de levantamento foi empregado para obter enunciados descritivos sobre uma população, permitindo a análise de atitudes e opiniões por meio de questionários padronizados (Babbie, 2001). A integração de métodos mistos justificou-se pela necessidade de enriquecer os indicadores estatísticos com as perspectivas subjetivas dos participantes, visando uma compreensão holística do fenômeno estudado (Creswell, 2010).

A unidade de análise consistiu em 109 profissionais da educação, sendo 73 professores e 36 gestores. A pesquisa foi realizada em 26 escolas públicas municipais localizadas na região noroeste do estado de São Paulo, abrangendo os municípios de Penápolis, Araçatuba, Avanhandava, Turiúba, Magda e Castilho. A seleção da amostra ocorreu por conveniência, conforme os preceitos de Gil (2008), que permite a escolha de participantes com experiência direta no objeto de estudo.

Os critérios de seleção dos participantes incluíram profissionais com no mínimo um ano de atuação na rede municipal, garantindo a maturidade das respostas sobre a cultura organizacional. A coleta de dados foi operacionalizada por meio da plataforma Microsoft Forms, durante um período de 41 dias, compreendido entre 05 de novembro de 2025 e 15 de dezembro de 2025. Este intervalo de coleta foi idêntico para ambos os grupos de respondentes, assegurando a contemporaneidade das percepções.

O instrumento de coleta de dados consistiu em questionários padronizados, apresentados nos Apêndices A e B. Para mitigar riscos de identificação e assegurar a confidencialidade, utilizou-se o anonimato digital nativo da plataforma. O acesso ao corpo do instrumento foi estritamente condicionado ao aceite voluntário do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), disponibilizado na página inicial do formulário.

O questionário foi estruturado com lógica de ramificação (branching logic), que direcionava o respondente para um fluxo específico de perguntas de acordo com sua função (Gestor ou Professor). O Bloco 1 dedicou-se à coleta de dados de perfil e caracterização funcional da amostra, incluindo gênero, faixa etária, nível de escolaridade, tempo de atuação na educação e na função atual, informações consideradas fundamentais para contextualizar o estudo (Gil, 2008).

Os blocos subsequentes do questionário foram desenhados para investigar dimensões específicas do feedback pedagógico. O Bloco 2 explorou a Frequência e o Formato das interações, fundamentando-se em Reis (2011) e Aguilar (2016). O Bloco 3 investigou Barreiras e Desafios, articulando a visão de gestão de Lück (2009) com os conceitos de inteligência emocional de Goleman (2002), buscando identificar obstáculos operacionais e comportamentais.

O Bloco 4, voltado para Impacto e Eficácia, baseou-se nas obras de Hattie (2015) e Wiliam (2016), que abordam o feedback como acelerador da aprendizagem. O Bloco 5 explorou Modelos e Competências, conectando a teoria de mindset de Dweck (2017) às alavancas de liderança de Bambrick-Santoyo (2019). Por fim, o Bloco 6 foi composto por questões abertas, permitindo a emergência de subjetividades e a triangulação qualitativa dos dados.

A análise dos dados integrou a estatística descritiva, com o cálculo de médias e medianas para identificar as tendências centrais de percepção, à análise de conteúdo temática, realizada com as respostas das questões abertas. A interpretação dos achados foi fundamentada na Hierarquia das Necessidades de Maslow e em referenciais sobre liderança educacional. Para assegurar a consistência interna do instrumento de pesquisa, aplicou-se o coeficiente Alfa de Cronbach (α), que obteve índices superiores a 0,70.

Como um dos produtos metodológicos desta pesquisa, previu-se a elaboração de uma proposta de intervenção prática. Assim, os dados coletados e as unidades de significado extraídas das questões abertas serviram de base para a construção do Protocolo Estruturado de Feedback Pedagógico (PEFP), detalhado no Apêndice C. Este protocolo foi fundamentado em Danielson (2013) e Bambrick-Santoyo (2019), visando instrumentalizar a gestão para a superação das barreiras identificadas.

3. Resultados e Discussão

A análise dos resultados, fundamentada em uma amostra de 109 profissionais da educação, revelou um cenário de maturidade acadêmica contrastado por barreiras estruturais e psicossociais que fragmentam a cultura de feedback. A consistência interna do instrumento de pesquisa, atestada por índices de Alfa de Cronbach de 0,84 para Necessidades de Segurança e 0,91 para Estima e Autorrealização, confere fidedignidade científica aos achados, permitindo uma interpretação robusta sob a ótica da Hierarquia das Necessidades de Maslow. Os dados foram submetidos a tratamento estatístico de tendência central, com cálculo de médias e medianas, para identificar frequências de interação, abismos perceptivos e zonas de “neutralidade emocional” que estagnam o desenvolvimento docente, conforme será detalhado nos blocos seguintes.

Inicialmente, o perfil de escolaridade dos professores demonstrou um corpo docente altamente qualificado, com 78,1% possuindo especialização, 17,8% graduação e 4,1% mestrado. Essa elevada qualificação eleva a expectativa por devolutivas que transcendam o aspecto meramente burocrático, buscando um rigor técnico-pedagógico mais aprofundado. Complementarmente, a vasta vivência prática dos docentes é notável, com 75,3% dos participantes possuindo mais de 11 anos de magistério, e 43,8% superando duas décadas de atuação. Essa senioridade redefine os desafios da gestão pedagógica, exigindo que o feedback vá além da instrução técnica básica, focando na validação dos saberes da experiência acumulada. Sob a ótica de Maslow (1954), esse perfil profissional tende a ter suas necessidades de base estabilizadas, direcionando suas expectativas para as camadas de estima e reconhecimento, onde a devolutiva do gestor se torna um motor essencial para o engajamento e a autorrealização.

O perfil de liderança também se destaca pela elevada qualificação acadêmica, com 94,4% dos gestores possuindo formação além da graduação, sendo 80,6% com especialização e 13,8% com mestrado ou doutorado. Contudo, essa densidade teórica estabelece um paradoxo. Embora o nível de instrução pedagógica seja sólido, a titulação acadêmica não se traduz automaticamente em proficiência na gestão de pessoas. Essa evidência reforça a hipótese de que a lacuna na cultura de feedback não decorre de uma carência de saber científico, mas sim de uma necessidade de aprimoramento em ferramentas técnicas de liderança e comunicação assertiva, essenciais para a mediação de conflitos e para o desenvolvimento do corpo docente, conforme Lück (2009) preconiza sobre as competências de gestão.

A análise do vínculo funcional dos gestores expõe uma vulnerabilidade estrutural na governança pedagógica. Ao agregar os professores concursados em função gestora (50,0%) às nomeações comissionadas (22,2%), constata-se que 72,2% das lideranças operam sem estabilidade definitiva no cargo. Essa configuração impõe o desafio de gerir uma equipe sem a garantia de permanência a longo prazo, o que pode fragmentar a continuidade das políticas de desenvolvimento docente na unidade escolar. Lück (2009) argumenta que tal cenário exige que o profissional se desvincule da identidade exclusivamente docente para assumir uma postura de liderança proativa e mediadora, transição esta que se torna complexa diante da fragilidade do vínculo, comprometendo a segurança psicológica necessária para oferecer feedbacks assertivos a colegas que são, em essência, seus pares de carreira.

Essa transitoriedade atua como uma barreira invisível, dificultando a consolidação de uma autoridade técnica contínua e permitindo que a necessidade de autopreservação do gestor se sobreponha à urgência do aprimoramento pedagógico. Isso perpetua uma cultura de complacência que substitui a transparência e a cobrança por resultados no ambiente público. A análise conjunta do tempo de atuação na educação (86,1% dos gestores com mais de uma década) e o tempo de experiência no cargo de gestão (72,2% com até 10 anos, sendo 16,7% iniciantes absolutos) evidencia que a maioria ainda atravessa uma fase de maturação das competências gerenciais. Esse cenário descortina um grupo que, embora domine a complexidade do “chão da escola”, pode enfrentar lacunas na segurança psicológica e na autoridade técnica necessárias para mediar feedbacks desafiadores. Sob a ótica de Maslow (1954), a transição para um novo papel profissional reinicia o ciclo de necessidades de segurança, sugerindo que a hesitação na prática da devolutiva pode ser reflexo dessa adaptação à nova identidade funcional.

A senioridade e a alta titulação acadêmica identificadas na rede, com 94,4% dos gestores possuindo pós-graduação, revelam um capital intelectual que anseia por trocas de alto nível. O desafio da gestão, portanto, é oferecer um feedback que respeite essa trajetória consolidada, transformando a devolutiva em uma consultoria pedagógica mútua e não em uma correção básica de rotina. Essa perspectiva é crucial para que o feedback seja percebido como um instrumento de desenvolvimento e não como uma ferramenta de controle, alinhando-se às necessidades de estima e autorrealização dos profissionais.

Dinâmicas de Interação: Frequência e Formato do Feedback

A percepção dos gestores sobre o processo de feedback revela uma intencionalidade voltada para o topo da Hierarquia das Necessidades de Maslow (1954), visando a estima (86,1%) e a autorrealização (100%) do docente, com a crença de que as condições básicas de trabalho e segurança no ambiente já estão plenamente consolidadas (100%). Essa projeção, no entanto, demonstra uma dissonância estratégica entre a intenção gestora e a realidade escolar. Enquanto a gestão acredita operar em um cenário onde as necessidades básicas estão supridas, permitindo um foco total no desenvolvimento, existe um “ponto cego” em relação à base emocional da equipe. O descompasso entre a idealização do gestor e a sobrecarga apontada pelo Instituto Semesp (2024) sugere que o feedback, por mais técnico que seja, pode perder sua eficácia ao ignorar instabilidades nas camadas de segurança e pertencimento, que muitas vezes permanecem negligenciadas na rotina institucional.

O distanciamento entre a intencionalidade da gestão e a realidade da sala de aula torna-se evidente na frequência de feedback individual formal recebido pelos professores. Um dado crítico revela uma lacuna profunda na supervisão pedagógica: 65,7% dos docentes afirmam que o feedback individual formal ocorre apenas raramente ou nunca. Somado ao baixo índice de interações semanais (4,1%) e mensais (11,0%), esse cenário expõe uma rotina escolar marcada pela ausência de acompanhamento sistemático, na qual o professor opera, em grande parte, desprovido de uma orientação institucional estruturada. Essa carência de devolutivas institucionaliza o isolamento docente, denunciado por Nóvoa (2022), obstruindo a construção de saberes coletivos e a troca de experiências. Sob a ótica de Maslow (1954), a ausência de feedback mantém o profissional em um estado de incerteza constante sobre a eficácia de sua prática, gerando uma estagnação nas necessidades de base. Sem a validação externa e o suporte técnico da gestão, torna-se inviável para o professor progredir em direção aos níveis de estima e autorrealização, comprometendo não apenas o seu desenvolvimento profissional, mas a própria qualidade do processo de ensino-aprendizagem na unidade escolar.

Em contrapartida, a percepção da gestão revela um cenário significativamente mais otimista, com 69,5% dos líderes afirmando realizar feedbacks individuais com periodicidade mensal (41,7%) ou bimestral (27,8%). Esse contraste estatístico em relação à percepção docente revela o fenômeno da “dissonância perceptiva” ou o “ponto cego da gestão”, no qual o líder acredita estar exercendo sua função orientadora, mas a interação não é decodificada pelo liderado como um momento formal de desenvolvimento profissional. Reforçando essa disparidade, a análise por amostragem por conveniência demonstra que, enquanto o grupo gestor apresenta uma média de 4,2 e mediana 4 (frequência mensal), o corpo docente registra média de 1,8 e mediana 2 (raramente). A causa provável para esse desencontro reside na informalidade dos processos. Segundo Aguilar (2016), a ausência de protocolos claros e de agendamentos prévios faz com que a conversa perca seu caráter estratégico, sendo confundida com diálogos rotineiros ou orientações administrativas pontuais. Sob a ótica de Maslow (1954), essa falta de formalização impede que o feedback cumpra sua função de suprir a necessidade de estima, pois, sem o reconhecimento do momento como uma instância de avaliação e valorização, o professor permanece em um estado de invisibilidade pedagógica, independentemente da intenção do gestor.

Barreiras e Desafios à Cultura de Feedback

As barreiras identificadas revelam uma convergência crítica quanto às limitações operacionais do cotidiano escolar. A escassez de tempo na jornada emerge como o principal entrave para ambos os grupos, atingindo 78,1% dos docentes e 83,3% dos gestores. Entretanto, a percepção de sobrecarga burocrática alcança níveis extremos entre os gestores (88,9%), evidenciando que a dimensão administrativa está sufocando a atuação pedagógica. Esse cenário sugere que o gestor, absorvido por demandas operacionais e urgências burocráticas, acaba relegando o feedback a uma posição secundária, transformando-o em um “luxo” diante das necessidades imediatas da instituição. Adicionalmente, um dado revelador sob a perspectiva de Goleman (2002) reside na falta de formação específica, relatada por 47,2% dos gestores. Essa carência técnica e comportamental correlaciona-se diretamente com o receio de gerar conflitos, apontado por 31,5% dos docentes e 13,9% dos gestores. Na ausência de competências de Inteligência Emocional e técnicas de comunicação assertiva, a gestão tende a evitar feedbacks mais profundos ou corretivos para preservar um clima relacional superficial. Sob a ótica de Maslow (1954), a insegurança técnica do gestor atua como um fator de desestabilização da própria base da pirâmide, impedindo que a liderança atue como mediadora do desenvolvimento e da autorrealização da equipe. O medo do conflito, apontado por 74,3% dos líderes, e a necessidade de autopreservação em cargos temporários geram uma “polidez excessiva”, conforme Scott (2017). Essa omissão estratégica mantém uma harmonia superficial que, sob a ótica de Maslow (1954), priva o docente do direito de saber onde evoluir, estagnando o ciclo de alta performance em prol da manutenção do clima relacional.

Segurança Psicológica, Impacto e Eficácia

A percepção de eficácia detalhada expõe um acentuado abismo de intencionalidade entre os atores escolares. Enquanto 91,7% dos gestores acreditam que suas devolutivas geram mudanças efetivas na prática pedagógica, apenas 58,9% dos professores compartilham dessa visão. Esse descompasso de quase 33 pontos percentuais sugere que o feedback, embora emitido com a intenção de transformar, está perdendo sua potência no processo de recepção. Estatisticamente, a percepção gestora sobre a clareza e valorização do feedback atingiu média de 4,6 e mediana 5, enquanto as respostas docentes flutuam na neutralidade, com média de 3,2 e mediana 3. O dado torna-se ainda mais crítico ao observar que apenas 47,9% dos docentes sentem-se valorizados pelo processo, indicando que, para mais da metade do corpo docente, o feedback não cumpre sua função primordial de reconhecimento profissional. Sob a ótica da Pirâmide de Maslow (1954), essa lacuna é determinante: para que o feedback atue como motor de desenvolvimento, ele precisa ser legitimado como um valor real por quem o recebe. A baixa percepção de valorização e de aplicabilidade prática (52,1%) entre os professores revela que a prática está sendo reduzida a uma formalidade burocrática, falhando em suprir as necessidades de estima e pertencimento. Sem esse alinhamento de percepções, o feedback estagna o desenvolvimento profissional em vez de impulsioná-lo, evidenciando que a eficácia da liderança pedagógica não reside na frequência da fala do gestor, mas na qualidade do impacto percebido pelo docente.

A lacuna técnica e metodológica no processo de devolutiva é ratificada pelos dados que revelam um distanciamento crítico na percepção de resolutividade. Enquanto 88,9% dos gestores acreditam estabelecer um Plano de Ação claro, apenas 42,5% dos professores identificam essa diretriz ao final das conversas. Esse abismo de 46,4 pontos percentuais indica que as interações, embora ocorram, falham em fornecer o suporte prático necessário para a transformação da prática docente. Estatisticamente, a resolutividade do processo apresenta média de 4,8 e mediana 5 para os gestores quanto à clareza das metas, contra uma média de 2,1 e mediana 2 para os professores. Conforme postula Bambrick-Santoyo (2019), o feedback só atinge sua plenitude pedagógica quando resulta em uma tarefa específica, mensurável e imediatamente praticável. Sem essa clareza de “norte” técnico, o processo de feedback é percebido pelo docente apenas em sua dimensão relacional, onde a escuta ativa e a empatia são reconhecidas por 54,8%, mas carece de instrumentalização para a evolução real. Sob a ótica de Maslow (1954), esse cenário fragiliza as necessidades de estima e competência, pois o professor, embora se sinta acolhido, permanece em um estado de insegurança sobre como aprimorar seu desempenho. A ausência de um foco rigoroso em evidências de sala de aula, percebida por apenas 50,7% dos professores contra 94,4% dos gestores, reforça que a subjetividade ainda impera sobre os dados, comprometendo a transição para uma cultura de alta performance e autorrealização profissional.

A eficácia da gestão pedagógica enfrenta barreiras subjetivas que comprometem o clima organizacional e a segurança psicológica dos profissionais. Enquanto o receio de conflitos limita a profundidade do feedback para 74,3% dos gestores, a observação de aula gera ansiedade e insegurança para 65,8% dos docentes. Estatisticamente, a percepção de insegurança no processo de observação apresenta uma média de 4,4 e mediana 4 para os professores, indicando alta tensão, enquanto a percepção gestora sobre a vulnerabilidade da equipe registra média de 3,1 e mediana 3. Esse cenário de vulnerabilidade mútua, potencializado pelo esgotamento docente apontado pelo Instituto Semesp (2024), evidencia que o feedback ainda opera em um nível rudimentar da Hierarquia de Maslow (1954), focado na sobrevivência emocional e na autopreservação, em vez do crescimento técnico. O dado mais alarmante reside na percepção do papel do gestor: 88,6% dos líderes reconhecem o desafio de não serem vistos como fiscalizadores, enquanto 24,7% dos professores admitem que a observação é interpretada como uma busca por falhas. Esse distanciamento perceptivo sugere que a observação de sala de aula ainda não foi ressignificada como um processo de apoio pedagógico, permanecendo vinculada a uma herança de controle burocrático. Consequentemente, a prática da devolutiva é esvaziada de seu potencial transformador, pois, em um ambiente onde o erro é motivo de silenciamento, a reflexão crítica, essencial para o aprimoramento contínuo, é substituída por uma postura reativa ou por mecanismos de autopreservação. Sem a quebra desse paradigma de vigilância, o feedback falha em sua missão de promover a segurança necessária para a evolução das práticas docentes.

Os dados ratificam que, em oposição à percepção idealizada da gestão, a realidade docente é permeada por um estado de reatividade emocional. O dilema dos gestores em desvincular sua imagem da função fiscalizadora (88,6%) colide frontalmente com a barreira da ansiedade instalada na ponta do processo pedagógico. Para materializar esse diagnóstico e evidenciar como o clima organizacional impacta a progressão profissional, a Hierarquia das Necessidades de Maslow (1954) sob a perspectiva dos professores revela um fluxo de desenvolvimento “estagnado” no degrau da Segurança Psicológica. Embora as condições básicas de trabalho existam, o nível elevado de ansiedade (65,8%) e a baixa percepção de valorização (47,9%) funcionam como filtros que impedem o suporte pedagógico de converter-se em autorrealização plena. Ao estagnar no degrau da segurança de Maslow, devido ao índice de 65,8% de ansiedade e insegurança na observação de aula, o profissional foca na sobrevivência emocional e não na inovação pedagógica. O feedback, quando percebido como fiscalização por 24,7% dos professores, deixa de ser suporte e torna-se ameaça, exigindo que o gestor atue primeiro na construção de um ambiente de confiança para que a aprendizagem profissional e a autorrealização aconteçam.

Modelos, Competências e Planos de Ação

A discrepância entre a “hierarquia da intenção” gestora e a “hierarquia da realidade” docente confirma que o feedback é, fundamentalmente, um evento psicossocial. O descompasso estatístico sugere que a comunicação institucional está sendo filtrada por camadas de insegurança e cansaço, o que torna as orientações, muitas vezes, inócuas para quem as recebe. Uma maioria expressiva de 88,9% dos gestores acredita entregar um plano de ação claro, mas menos da metade dos professores (42,5%) reconhece esse direcionamento. Ao cruzar esse abismo perceptivo com os dados do Instituto Semesp (2024), compreende-se que a sobrecarga de trabalho e o esgotamento docente atuam como barreiras intransponíveis à recepção de novas diretrizes. A ausência de um plano de ação objetivo, somada ao quadro de exaustão profissional, impede que as intervenções pedagógicas saiam do campo das ideias e se tornem práticas estruturadas. Consequentemente, esse vácuo de clareza compromete diretamente a qualidade do ensino, uma vez que o professor, sobrecarregado, não encontra na fala do gestor o suporte técnico necessário para redirecionar suas rotas pedagógicas com eficácia.

Existe um vácuo de resolutividade entre a intenção e a prática que fragiliza a eficácia da gestão pedagógica. Enquanto a maioria dos gestores (88,9%) acredita definir metas claras, menos da metade dos professores (42,5%) reconhece esse norte prático, revelando que a mensagem institucional está sendo filtrada por barreiras de comunicação e sobrecarga de trabalho. Essa discrepância confirma que o feedback vago ou meramente elogioso gera frustração e inércia pedagógica. Portanto, a clareza técnica e a cocriação de planos de ação (action steps) são os elementos fundamentais para converter a conversa em evolução real na sala de aula, garantindo que a devolutiva deixe de ser um evento isolado e se torne um ciclo contínuo de aprimoramento fundamentado em evidências, conforme Bambrick-Santoyo (2019) enfatiza sobre a importância de planos de ação claros e mensuráveis.

Uma barreira institucional crítica é materializada pela correlação entre a transitoriedade do vínculo e o receio de conflitos, apontado por 74,3% dos líderes. Sob a ótica da Gestão de Pessoas, esse dado expõe uma falha de liderança denominada “polidez excessiva”, conforme Scott (2017). Como a maioria dos gestores (72,2%) ocupa cargos temporários, a necessidade de autopreservação do clima relacional sobrepõe-se à urgência do aprimoramento pedagógico. O gestor atua como um “regulador de tensões”, sacrificando o rigor técnico para não sobrecarregar profissionais já exaustos. Contudo, essa omissão estratégica mantém uma harmonia superficial que priva o docente do direito de saber onde evoluir, estagnando o ciclo de alta performance e autorrealização profissional previsto na Hierarquia das Necessidades de Maslow (1954).

Perspectivas Subjetivas e a Voz dos Protagonistas

Com o intuito de desvelar as raízes subjetivas das divergências de percepção e conferir profundidade aos indicadores estatísticos analisados, buscou-se ouvir diretamente os protagonistas do processo educativo por meio de questões dissertativas. Essa abordagem qualitativa é essencial para transcender a mera descrição dos fatos, permitindo identificar as nuances do “como” e do “porquê” das resistências, silenciamentos e angústias que permeiam a cultura do feedback na rede pesquisada. Ao dar voz aos sujeitos, a pesquisa revela que o feedback não é um ato isolado, mas um fenômeno social complexo que envolve vulnerabilidade e expectativas de reconhecimento profissional. As principais unidades de significado extraídas dos depoimentos de docentes e gestores organizam as tensões latentes que moldam as relações pedagógicas cotidianas.

Na perspectiva dos docentes, a cultura de feedback é frequentemente vista como “chamar a atenção” ou punição, gerando uma postura defensiva imediata. O formato e local das interações são problemáticos, com reclamações de feedbacks feitos às pressas, em corredores ou na frente de alunos, sem privacidade. Há um desejo por clareza técnica, com a busca pelo “como melhorar” e não apenas críticas vazias, evidenciando a falta de orientação prática para a sala de aula. A segurança psicológica é comprometida pelo “medo de ser julgado ao expor dificuldades reais”, levando à preferência por silenciar dúvidas. As vozes colhidas nesta etapa humanizam os indicadores estatísticos e revelam um clamor por parceria no ambiente escolar. O desejo docente por clareza técnica e por saber “como melhorar” justifica a implementação de uma ferramenta que profissionalize as relações e garanta a autorrealização prevista na teoria de Maslow (1954).

Sob a perspectiva da gestão, o desafio principal é não ser percebido como fiscalizador, em um contexto onde a cultura da crítica ainda é muito forte na educação. Os gestores expressam angústia por estarem “presos” em burocracias e planilhas, o que impede um acompanhamento pedagógico mais próximo. Há uma clara percepção da falta de formação específica para gerir pessoas e conduzir conversas difíceis de forma profissional. Além disso, os gestores admitem dificuldade em lidar com a resistência da equipe, que já se sente sobrecarregada com as demandas. A análise qualitativa consolida a triangulação dos dados ao conferir “voz” aos indicadores e revelar nuances emocionais que os números, isoladamente, não capturam. Evidencia-se que o desejo docente por uma gestão mais presente e empática choca-se com a percepção de um feedback ainda punitivo e assistemático. As respostas revelam que a prática improvisada fere a necessidade de estima e gera desvalorização. Mais do que elogios, o corpo docente clama por instrumentalização técnica, destacando que críticas sem orientação prática, ou seja, o “como” fazer, esvaziam o potencial transformador da devolutiva.

Sob a perspectiva da gestão, os depoimentos expõem o fenômeno da sobrecarga administrativa, na qual o tempo emerge como o principal limitador. O dilema emocional dos líderes é evidente ao admitirem que evitam feedbacks corretivos para não sobrecarregar profissionais já exaustos, corroborando o cenário de esgotamento apontado pelo Instituto Semesp (2024). O gestor atua como um regulador de tensões, sacrificando o rigor técnico em prol do clima relacional. Adicionalmente, a carência de formação específica para gerir pessoas confirma que a alta titulação acadêmica não supre a necessidade de competências de liderança, conforme Lück (2009) aponta sobre a complexidade da gestão escolar.

Diante deste diagnóstico, que evidenciou elevados índices de ansiedade (65,8%) e fragilidade na cultura de transparência, torna-se imperativo transpor a análise teórica para a prática. Como resposta estratégica, o Protocolo Estruturado de Feedback Pedagógico (PEFP) apresenta-se como a ferramenta necessária para profissionalizar as relações. Fundamentado em Danielson (2013) e Bambrick-Santoyo (2019), o protocolo utiliza rubricas neutras e foca em evidências observáveis, eliminando o viés da subjetividade e promovendo a cocriação de planos de ação com metas claras e imediatas. Dessa forma, o PEFP converte o feedback de um evento burocrático em um pacto de confiança e alta performance. Ao substituir a “polidez excessiva” (Scott, 2017) por uma transparência empática, a rede pode transitar de um estágio de medo do julgamento para um estágio de desenvolvimento real, onde a observação de aula deixa de ser percebida como fiscalização e passa a ser consolidada como um suporte de mentoria e valorização do magistério. O protocolo não se configura apenas como um registro burocrático, mas como o instrumento de gestão de pessoas capaz de converter a ansiedade docente em autorrealização, alinhando-se ao objetivo central de analisar como a liderança pedagógica e a segurança psicológica influenciam a eficácia do feedback como ferramenta de desenvolvimento humano e profissional no Ensino Fundamental.

4. Conclusão

A presente pesquisa analisou como a liderança pedagógica e a segurança psicológica influenciam a eficácia do feedback no desenvolvimento profissional de gestores e professores nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Verificou-se uma acentuada dissonância perceptiva entre gestores e docentes quanto à frequência e efetividade das devolutivas. Identificou-se que a transitoriedade do vínculo funcional dos gestores e o receio de conflitos atuaram como barreiras críticas, resultando em feedbacks superficiais ou excessivamente burocráticos. Observou-se que 65,8% dos docentes experimentaram ansiedade e insegurança no processo de observação de aula, o que evidenciou uma estagnação no nível de segurança da Hierarquia das Necessidades de Maslow. A escassez de tempo e a sobrecarga administrativa também foram apontadas como entraves significativos. Como contribuição prática, o estudo propôs um Protocolo Estruturado de Feedback Pedagógico (PEFP), fundamentado na observação reflexiva e na alavancagem instrucional, visando transformar o feedback em um instrumento de autorrealização e aprimoramento contínuo das práticas pedagógicas.

A análise dos resultados sugere que a eficácia do feedback depende da superação de barreiras psicossociais e estruturais, exigindo uma transição de uma gestão intuitiva para uma liderança técnica e padronizada que promova a segurança psicológica. A ausência de planos de ação claros e a baixa percepção de valorização entre os docentes revelam que a devolutiva, muitas vezes, não cumpre sua função de reconhecimento profissional e instrumentalização para a melhoria. Contudo, a pesquisa apresentou limitações, pois a amostra concentrou-se predominantemente em redes municipais da região noroeste paulista, o que restringe a generalização dos achados para outras esferas educacionais. Além disso, a coleta de dados ocorreu em período próximo ao recesso escolar, o que pode ter influenciado a adesão dos participantes. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação do escopo amostral para redes estaduais, a realização de investigações longitudinais que correlacionem o feedback sistemático com índices de aprendizagem e a exploração do papel da inteligência emocional na formação de líderes escolares.

Referências Bibliográficas

Aguilar, E. 2016. A arte do coaching: estratégias para potencializar o desempenho de professores. Porto Alegre: Penso.

Babbie, E. 2001. Métodos de pesquisas de survey. Belo Horizonte: Editora UFMG.

Bambrick-Santoyo, P. 2019. Liderança de alavancagem 2.0: um guia prático para resultados excepcionais nas escolas. São Paulo: Fundação Lemann.

Creswell, J. W. 2010. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed.

Danielson, C. 2013. The framework for teaching evaluation instrument. Princeton: The Danielson Group.

Dweck, C. S. 2017. Mindset: a nova psicologia do sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva.

Gil, A. C. 2008. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas.

Goleman, D.; Boyatzis, R.; Mckee, A. 2002. O poder da inteligência emocional: como liderar com sensibilidade e eficácia. Rio de Janeiro: Objetiva.

Hattie, J. 2015. Aprendizagem visível para professores: como maximizar o impacto da aprendizagem. Porto Alegre: Penso.

Instituto Semesp [SEMESP]. 2024. Perfil e desafios dos professores da educação básica no Brasil. Disponível em: https://www.semesp.org.br/pesquisas/perfil-e-desafios-dos-professores-da-educacao-basica-no-brasil/. Acesso em: 16 mar. 2026

Libâneo, J. C. 2013. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 6. ed. São Paulo: Heccus.

Lück, H. 2009. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Curitiba: Editora Positivo.

Maslow, A. H. 1954. Motivation and personality. New York: Harper & Row.

Nóvoa, A. 1997. Os professores e a sua formação. 3. ed. Lisboa: Dom Quixote.

Nóvoa, A. 2022. Escola e professores: proteger, transformar, valorizar. Salvador: Edufba.

Reis, P. 2011. Observação de aulas e avaliação do desempenho docente: propostas para a formação de professores e avaliadores. Lisboa: Ministério da Educação, DGIDC.

Scott, K. 2017. Empatia assertiva: como ser um líder radical, sem perder a humanidade. Rio de Janeiro: Alta Books.

Tardif, M. 2014. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes.

Wiliam, D. 2016. Avaliação formativa inclusiva: estratégias para o sucesso na sala de aula. São Paulo: Phorte.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

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26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

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24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

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24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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