Artigo

30 de julho de 2026

Fatores determinantes da inadimplência junto aos tomadores de crédito com Garantia Complementar do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas – FAMPE

Flaviano Augusto Nunes Dutra; Lucineide Bispo dos Reis Luz

DOI: 10.22167/2675-6528-202600820

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O crédito é essencial para o desenvolvimento empresarial, mas seu acesso é restrito para pequenos negócios devido ao risco de inadimplência. Este estudo objetivou ampliar a compreensão sobre as características e os fatores determinantes da inadimplência junto aos tomadores de crédito com Garantia Complementar do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE). Para tanto, a pesquisa utilizou dados quantitativos do FAMPE/SEBRAE, referentes a 120.746 operações de crédito no período pós-pandemia, e empregou a modelagem estatística de Regressão Logística Binária, com processamento e análise na linguagem R. O modelo demonstrou consistência estatística, assertividade e elevada capacidade preditiva. Os resultados indicaram que a instituição financeira (com destaque para o modelo cooperativo), o nível de risco de crédito (com operações de risco C apresentando maior inadimplência e risco AA menor), o porte empresarial (microempresas e empresas de pequeno porte com menor propensão à inadimplência que MEIs), a região geográfica (Sul e Sudeste com menor inadimplência), a presença de crédito assistido, o valor da garantia e o prazo da operação influenciaram a probabilidade de inadimplência. Os achados geraram subsídios para o entendimento da inadimplência no FAMPE e para a formulação de ações que visam ampliar o acesso ao crédito para os pequenos negócios.

Palavras-chave: Acesso ao Crédito; FAMPE; Pequenos Negócios; Regressão Logística; Risco de Crédito.

1. Introdução

O crédito desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento e crescimento empresarial, potencializando investimentos, a ampliação de negócios e a manutenção da gestão operacional. Este instrumento financeiro é vital para que empresas de todos os portes possam prosperar e contribuir ativamente para a economia.

Apesar de sua grande representatividade em número de empresas e participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) frequentemente enfrentam acesso limitado ao crédito quando comparadas às empresas de maior porte. Essa disparidade representa um desafio significativo, sendo o risco de inadimplência um dos principais fatores restritivos para a obtenção de financiamento por esses pequenos negócios.

No Brasil, as MPEs são formalmente caracterizadas pela Lei Complementar nº 123, de 2026, conhecida como Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que instituiu seu estatuto e o regime tributário do Simples Nacional. A Lei Complementar nº 128, de 2018, criou o Microempreendedor Individual (MEI). Essas classificações abrangem MEIs com receita bruta anual de até R$81.000,00, Microempresas (ME) com receita bruta anual igual ou inferior a R$360.000,00, e Empresas de Pequeno Porte (EPP) com receita bruta anual superior a R$360.000,00 e igual ou inferior a R$4.800.000,00. O Atlas dos Pequenos Negócios de 2022 aponta que as MPEs respondem por 30% do PIB brasileiro. Dados mais recentes do Mapa de Empresas, Relatório do 2º Quadrimestre de 2025, indicam que 93,8% das 24.213.445 empresas ativas são MEIs, MEs ou EPPs.

O mercado de crédito no Brasil é expressivo, com o Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central do Brasil (BACEN) registrando um saldo de R$2,58 trilhões em operações de crédito para empresas de todos os portes até agosto de 2025, o que equivale a aproximadamente 54% do PIB nacional. Contudo, a distribuição é desigual: MPEs e médias empresas recebem cerca de 48% do crédito total, enquanto as grandes empresas respondem por 52%. O Relatório de Economia Bancária (BACEN, 2020) já indicava que, em dezembro de 2020, os pequenos negócios representavam apenas 17,1% do crédito concedido às empresas, em contraste com 58,9% para as grandes. Uma barreira significativa para as MPEs é a falta de garantias adequadas ou a exigência de garantias excessivas pelas instituições financeiras, conforme destacado por 16% dos empresários entrevistados em matéria da Agência SEBRAE de Notícias.

As garantias são mecanismos cruciais para reduzir os efeitos da assimetria de informação entre credores e tomadores, além de mitigar riscos decorrentes de eventos imprevistos que possam comprometer o cumprimento das obrigações do devedor (Santos, 2000, apud Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, 2012). A assimetria informacional e o risco de inadimplência frequentemente levam os bancos tradicionais a majorar as taxas de juros ou a não conceder crédito a tomadores economicamente menos estáveis (Stiglitz e Weiss, 1981, apud Fundo garantidor para microcrédito, 2024). Nesse contexto, os sistemas de garantia são fundamentais para reduzir custos e riscos, apoiando o acesso ao crédito para projetos viáveis que não possuem garantias suficientes (Estudo Mecanismos de Mitigação de Risco, 2016).

É neste cenário que os sistemas de garantia complementar, como fundos garantidores ou fundos de aval, desempenham um papel estratégico. Eles visam cobrir parte do risco das instituições financeiras na concessão de crédito, de acordo com as condições pactuadas. No Brasil, a partir da década de 1990, diversos fundos de aval foram criados para facilitar o acesso ao crédito para pequenos negócios. Entre eles, destaca-se o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE), uma iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Criado em 1995, o FAMPE tem como objetivo diminuir as barreiras ao acesso ao crédito para pequenos negócios, originadas pela falta de garantias reais exigidas pelos bancos, garantindo até 80% de um financiamento junto a instituições financeiras conveniadas.

Desde sua criação, o FAMPE já respaldou mais de 673 mil operações, totalizando R$37,2 bilhões em crédito e R$27,4 bilhões em garantias, evidenciando sua efetividade. Somente entre abril de 2020 e setembro de 2024, 268.891 operações de crédito beneficiaram pequenos negócios por meio do FAMPE. No entanto, a questão da inadimplência persiste. A inadimplência em operações de crédito é geralmente considerada a partir de 91 dias de atraso (CNI, Negociação de Dívidas). Estudos recentes da Unidade de Capitalização e Serviços Financeiros do SEBRAE, analisando operações de crédito junto ao FAMPE no período de abril de 2020 a setembro de 2024, apontam para uma taxa de inadimplência de 24,58%.

Compreender os fatores que contribuem para essa taxa de inadimplência é crucial para aprimorar a eficácia do FAMPE e de outras ferramentas de fomento ao crédito. O cenário atual revela uma lacuna prática e teórica na compreensão dos determinantes específicos da inadimplência entre os tomadores de crédito com garantia complementar do FAMPE. Assim, esta pesquisa se justifica pela necessidade de fornecer subsídios robustos para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias corporativas mais direcionadas, visando otimizar o acesso ao crédito e o desempenho dos pequenos negócios.

Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo ampliar a compreensão sobre as características da inadimplência junto ao Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE), respondendo à questão quais seriam os fatores determinantes da inadimplência junto aos tomadores de crédito com Garantia Complementar do FAMPE.

2. Material e Métodos

Esta pesquisa, de natureza quantitativa, teve como objetivo ampliar a compreensão sobre os fatores determinantes da inadimplência junto aos tomadores de crédito com Garantia Complementar do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE). Para tanto, adotou-se uma abordagem metodológica baseada na modelagem estatística, utilizando a técnica de Regressão Logística Binária. A escolha dessa metodologia justificou-se pela sua capacidade de estimar a probabilidade de ocorrência de um evento dicotômico, como a inadimplência, a partir de um conjunto de variáveis explicativas (Fávero et al., 2024).

Os dados utilizados neste estudo foram de natureza primária, obtidos diretamente do banco de dados do FAMPE, gerido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). A coleta abrangeu operações de crédito realizadas no período pós-pandemia, especificamente a partir de 22 de maio de 2022. Inicialmente, a base de dados bruta era composta por 166.855 observações e 18 variáveis, correspondentes a registros de operações de crédito formalizadas junto às instituições financeiras conveniadas ao FAMPE/SEBRAE.

Antes da análise, a base de dados passou por um processo de limpeza, tratamento e transformação. Essa etapa foi crucial para lidar com valores ausentes ou inconsistentes, potenciais outliers e categorias com baixa representatividade, garantindo a adequação dos dados à modelagem estatística proposta. Procedimentos de padronização foram aplicados previamente à estimação dos modelos econométricos, assegurando a qualidade e a consistência das informações.

Após o tratamento e a análise de aderência em relação aos objetivos do estudo, à qualidade da informação e à representatividade, o conjunto de variáveis foi reduzido. Das 18 variáveis iniciais, 9 foram selecionadas para compor o modelo final, resultando em uma base ajustada de 120.746 observações. A variável dependente, denominada Inadimplência, foi construída como uma variável qualitativa dicotômica, representando a ocorrência ou não de inadimplência.

As variáveis explicativas consideradas incluíram: Instituição Financeira, que agrupou as instituições com menos de 5.000 operações em “Outras IFs” e consolidou as Centrais Regionais do Sicredi em uma única rubrica denominada “Sicredi”. Também foram incluídas Região, categorizando as Unidades da Federação em Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul; e Porte Empresarial, abrangendo Microempreendedor Individual (MEI), Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP).

Outras variáveis explicativas foram: Valor da Garantia, correspondente ao valor financiado na operação garantida pelo FAMPE; Prazo da Operação, definido em meses desde o período de carência até o vencimento da última parcela; e Risco de Crédito, classificado pela instituição financeira nos níveis AA, A, B e C, atribuídos na análise prévia à concessão. A Taxa de Juros, convertida para o período anual, e o Crédito Assistido, que identificou o recebimento de apoio do SEBRAE, completaram o conjunto de preditores.

A classificação da variável dependente Inadimplência foi baseada na Situação da Operação, onde se consideraram inadimplentes as operações vencidas a mais de 90 dias, conforme a Resolução CMN nº 4.966 de 25 de novembro de 2021. Essa definição permitiu a construção da variável dicotômica necessária para a aplicação da Regressão Logística Binária.

Para o processamento e a análise dos dados, utilizou-se a linguagem de programação R, reconhecida por sua aplicação em problemas estatísticos e visualização gráfica (Perlin, 2021). Os códigos em R foram executados no ambiente Google Colab, que foi previamente configurado e ajustado para a utilização da referida linguagem. As etapas operacionais para a elaboração dos códigos incluíram a leitura da base de dados no formato .xlsx, a padronização dos campos e a construção da variável dependente binária, bem como a preparação das covariáveis categóricas e numéricas.

A estimação e interpretação da regressão logística (logit) foram realizadas, e o desempenho preditivo do modelo foi avaliado por meio de métricas como a Área sob a Curva ROC (AUC/RPC) e a matriz de confusão. A avaliação do desempenho preditivo ocorreu em um conjunto de teste independente, obtido por particionamento amostral, com o objetivo de evitar sobreajuste e fornecer uma estimativa mais realista da capacidade de generalização do modelo.

3. Resultados e Discussão

A análise dos fatores determinantes da inadimplência junto aos tomadores de crédito com Garantia Complementar do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE) foi realizada por meio de um modelo de regressão logística binária. Este modelo foi estimado com base em 120.746 observações e nove variáveis explicativas, após um rigoroso tratamento e padronização dos dados. A abordagem metodológica permitiu investigar a probabilidade de ocorrência de inadimplência, definida como operações com mais de noventa e um dias de atraso, em função das características das operações e dos tomadores de crédito.

Os resultados do modelo de regressão logística foram apresentados de forma integrada, contemplando os valores numéricos, as razões de chances (Odds Ratios – OR), os efeitos marginais médios (Average Marginal Effects – AME), o diagnóstico de multicolinearidade e o desempenho preditivo. As categorias de referência para as variáveis categóricas foram estabelecidas como Caixa Econômica Federal para instituição financeira, Microempreendedor Individual (MEI) para porte empresarial, Centro-Oeste para região, Nível A para risco de crédito e a ausência de crédito assistido.

Desempenho preditivo do modelo

O desempenho preditivo do modelo foi avaliado em um conjunto de teste independente, obtido por particionamento amostral, para fornecer uma estimativa realista da capacidade de generalização. A área sob a curva ROC (Receiver Operating Characteristic), conhecida como AUC, obtida no conjunto de teste, foi de 0,8318. Este valor indica um elevado poder discriminatório do modelo, sendo substancialmente superior ao nível de referência de 0,5, que seria associado a classificadores sem capacidade preditiva.

A estatística AUC de 0,8318 pode ser interpretada como a probabilidade de que o modelo atribua uma probabilidade de inadimplência maior a uma operação efetivamente inadimplente do que a uma operação adimplente, quando ambas são selecionadas aleatoriamente. Do ponto de vista prático, este resultado sugere que o modelo é capaz de ordenar adequadamente as operações de acordo com seu risco relativo. Esta capacidade é particularmente relevante em aplicações de crédito, onde a priorização e a segmentação do risco são mais importantes do que a simples classificação binária, reforçando a adequação da AUC como critério principal de avaliação preditiva.

Diagnóstico de multicolinearidade

O diagnóstico de multicolinearidade foi realizado com base no Fator de Inflação da Variância Generalizado (GVIF) e sua versão ajustada (GVIF¹/(²·Df)), uma métrica apropriada para modelos com variáveis categóricas de múltiplos graus de liberdade. O GVIF quantifica o quanto a variância dos estimadores é inflada devido a correlações lineares entre as covariáveis. Valores próximos de um indicam virtual ausência de correlação linear relevante, enquanto valores elevados sugerem perda de precisão estatística e potencial instabilidade dos coeficientes estimados.

No presente modelo, todos os termos das variáveis explicativas apresentaram um GVIF ajustado de 1,000. Este resultado implica que a variância dos coeficientes não sofreu inflação decorrente de correlação linear entre as variáveis explicativas. A ausência de multicolinearidade é um achado particularmente relevante, considerando a presença simultânea de blocos conceitualmente correlacionados, como banco, porte, risco e características contratuais. Isso indica que cada conjunto de covariáveis contribuiu de forma estatisticamente independente para a explicação da inadimplência, reforçando a estabilidade dos coeficientes estimados, a confiabilidade dos testes de significância individuais e a robustez das inferências realizadas.

Razões de chances (Odds Ratios) e Efeitos marginais médios

Na regressão logística, os coeficientes estimados são interpretados por meio de suas exponenciações, resultando nas razões de chances (OR). A OR expressa como uma variável explicativa afeta as chances de ocorrência do evento de interesse, neste caso, a inadimplência. Quando a OR é igual a um, a variável não altera as chances de inadimplência. Se a OR for maior que um, a variável está associada a um aumento das chances de inadimplência, e se for menor que um, a variável está associada a uma redução.

Para variáveis categóricas, a interpretação é sempre feita em relação à categoria de referência, enquanto para variáveis contínuas, refere-se a um aumento unitário na variável. A significância estatística dos efeitos foi avaliada pelo valor de p (considerando p < 0,05 como significativo) e pelo intervalo de confiança de 95%, onde a ausência do valor um no intervalo indica diferença estatisticamente significativa. Os efeitos marginais médios (AME) quantificam, na escala de probabilidade, a variação média na probabilidade prevista de inadimplência associada a cada variável explicativa, mantendo as demais covariáveis constantes. Os AMEs são úteis por traduzirem os resultados diretamente em pontos percentuais de probabilidade.

Instituição Financeira

As taxas observadas de inadimplência revelaram diferenças substanciais entre as instituições financeiras. A Caixa Econômica Federal apresentou a maior taxa de inadimplência, enquanto as cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, exibiram taxas significativamente menores. As probabilidades ajustadas pelo modelo, controlando as demais variáveis, confirmaram essa tendência, com as cooperativas apresentando menor probabilidade de inadimplência.

A avaliação das razões de chances (OR) para as instituições financeiras demonstrou que as categorias de SICOOB, SICREDI e Outras IFs apresentaram ORs substancialmente inferiores a um e altamente significativos, em comparação com a Caixa Econômica Federal. Por exemplo, o Banco SICOOB apresentou uma OR de 0,047, o que implica uma redução aproximada de 95,3% nas chances de inadimplência. Resultados semelhantes foram observados para Outras IFs e Banco SICREDI. Os efeitos marginais médios (AME) foram negativos e de grande magnitude para essas categorias, sendo todos estatisticamente significativos. O Banco SICOOB, por exemplo, apresentou um AME de -0,3676, indicando que operações associadas a essa instituição exibem uma probabilidade prevista de inadimplência aproximadamente 36,8% menor do que a categoria de referência, ceteris paribus. Magnitudes semelhantes foram observadas para Outras IFs (-30,4%) e Banco SICREDI (-30,8%).

Esses achados indicam que a instituição financeira tem um grande impacto na determinação da inadimplência no FAMPE, com destaque para o modelo cooperativo na mitigação do risco. O melhor desempenho dos conglomerados cooperativos pode estar relacionado aos diferenciais de seu modelo, que permeia os princípios do cooperativismo, a proximidade de relacionamento com os associados e critérios mais conservadores para concessão de crédito, resultando em operações de risco mais elevado (Ceschini, 2024).

Classificação de risco

A análise da taxa observada de inadimplência por classificação de risco revelou um gradiente monotônico claro: operações classificadas como Risco Nível AA apresentaram inadimplência bastante reduzida, enquanto as operações de Nível C exibiram taxas muito superiores. Essa relação se mostrou uma das mais fortes e consistentes da análise. As probabilidades ajustadas seguiram a mesma dinâmica, embora as operações classificadas como Risco Nível A e B apresentassem probabilidades muito próximas, indicando perfis de risco similares.

Em relação à categoria de referência Risco Nível A, a variável Risco Nível C apresentou uma OR de 1,152, correspondendo a um aumento aproximado de 15,2% nas chances de inadimplência, e um AME de 0,0210, equivalente a um aumento médio de 2,1% na probabilidade de inadimplência. Em contrapartida, a variável Risco Nível AA teve uma OR de 0,784, indicando uma redução aproximada de 21,6% nas chances de inadimplência, e um AME de -0,0160, ou seja, 1,6% de redução na probabilidade prevista. A variável Risco Nível B, com OR de 0,983 e AME de -0,0010, não apresentou diferença estatisticamente significativa em relação ao Risco Nível A, sugerindo que não há evidências robustas para diferenciá-las.

Os resultados obtidos para a classificação de risco possuem relevância estrutural para a base de dados do FAMPE. Operações com classificação de risco elevada geralmente refletem maior fragilidade financeira ou incerteza quanto à capacidade de pagamento, enquanto classificações de risco mais baixas indicam maior solidez. Esses achados são coerentes com a teoria econômica e a literatura sobre crédito, onde sistemas de classificação de risco funcionam como instrumentos essenciais para avaliação e precificação do risco de inadimplência.

Porte empresarial

Os dados empíricos observados indicaram que empresas classificadas como Microempreendedor Individual (MEI) apresentaram taxa de inadimplência superior às micro e pequenas empresas. Este resultado foi confirmado pelas probabilidades ajustadas via modelo, onde MEIs apresentaram maior probabilidade ajustada de inadimplência, em torno de 52%, seguidas pelas empresas de pequeno porte (aproximadamente 48%) e microempresas (aproximadamente 41%).

As variáveis de porte exibiram efeitos estatisticamente significativos. As microempresas apresentaram o melhor resultado em relação à categoria MEI, com uma OR de 0,715, o que equivale a uma redução aproximada de 28,5% nas chances de inadimplência. Os efeitos marginais médios foram de -0,0478, indicando uma redução média de cerca de 4,8% na probabilidade prevista. As empresas de pequeno porte apresentaram resultados intermediários, com uma OR de 0,846, representando uma redução de 15,4% nas chances, e um AME de -0,0231, ou 2,4% de redução média na probabilidade prevista de inadimplência.

Esses achados sugerem que o porte empresarial possui relevante influência sobre a inadimplência, com empresas mais estruturadas e de maior porte apresentando menor propensão à inadimplência. Isso pode refletir diferenças na capacidade de gestão, estrutura produtiva e financeira, e acesso a instrumentos de mitigação de risco, como seguros de crédito ou garantias reais. Um detalhe notável é que as microempresas apresentaram menor propensão à inadimplência do que as empresas de pequeno porte. Esse diferencial pode estar relacionado a uma maior seletividade na concessão de crédito, com maior rigor no perfil do cliente para microempresas, e aos valores de garantias envolvidos.

Região geográfica

Foram identificadas diferenças regionais relevantes nas taxas observadas de inadimplência. As regiões Sul e Sudeste apresentaram taxas menores, enquanto o Centro-Oeste e o Norte se situaram na zona intermediária, e a região Nordeste registrou as taxas mais elevadas. Contudo, ao observar as probabilidades ajustadas pelo modelo, notou-se que a região Centro-Oeste assumiu um maior risco de inadimplência, seguida pelo Nordeste e Norte, enquanto Sul e Sudeste mantiveram os menores níveis previstos. Essa divergência entre as taxas observadas e as probabilidades ajustadas para o Nordeste sugere que a maior inadimplência observada pode estar associada ao perfil da carteira regional.

Ao avaliar as ORs de inadimplência, considerando a região Centro-Oeste como categoria de referência, a região Sul apresentou uma OR de 0,807 e a região Sudeste uma OR de 0,860, o que equivale a reduções de 19,3% e 14% na probabilidade prevista, respectivamente. As regiões Nordeste e Norte apresentaram ORs de 0,950 e 0,923, respectivamente, indicando fatores redutores de 5% e 7,7%, mas com evidência estatística mais fraca, com valores de p tangenciando o zero. Os efeitos marginais médios corroboraram esses resultados, com Sudeste e Sul mantendo os maiores efeitos redutores, na ordem de 2,4% e 3,3%, respectivamente.

A análise dos resultados, privilegiando os mais significativos, revelou uma polarização entre a região Centro-Oeste e a região Sul, sinalizando heterogeneidade regional no comportamento da inadimplência. Essa heterogeneidade pode estar ligada à estrutura produtiva, empresarial e financeira, bem como ao desenvolvimento econômico regional. A divergência entre a taxa observada e a probabilidade ajustada para o Nordeste sugere que a composição da carteira em cada região influencia a inadimplência, e que, controlando outras variáveis, o efeito regional mais elevado se manifesta no Centro-Oeste.

Crédito assistido

As operações com crédito assistido demonstraram uma taxa de inadimplência substancialmente inferior às operações que não tiveram acesso a essa assistência. Essa análise está em linha com os resultados obtidos por meio das probabilidades ajustadas, que também indicaram que operações contempladas com o crédito assistido apresentaram probabilidade de inadimplência inferior às não assistidas. Quando comparadas à categoria de referência (operações sem crédito assistido), as operações com crédito assistido apresentaram uma OR de 0,789, correspondendo a uma redução aproximada de 21,1% nas chances de inadimplência.

Os efeitos marginais médios para o crédito assistido foram de -0,0231, indicando que a assistência ao crédito está associada a uma redução média de aproximadamente 2,3% na probabilidade de inadimplência. Os resultados sugerem que o acompanhamento técnico, oferecido pelo SEBRAE, por meio de consultorias, capacitações e ferramentas, contribui para uma melhor gestão dos recursos e maior viabilidade dos projetos financiados. Essa prática auxilia na saúde financeira do negócio e no adimplemento da operação, tanto no momento da obtenção do crédito quanto durante sua vigência.

Valor da garantia

A taxa observada de inadimplência por faixas de valor da garantia revelou uma relação negativa: à medida que o valor da garantia aumenta, a inadimplência reduz. Destacou-se que as taxas de inadimplência foram muito reduzidas para garantias a partir de R$175.000. A probabilidade estimada pelo modelo logístico, mantendo as demais covariáveis constantes, confirmou uma tendência decrescente suave e estatisticamente consistente, indicando que o efeito identificado não é apenas reflexo da agregação por faixas, mas permanece mesmo quando controladas as demais características das operações.

Ao avaliar a variável Valor da Garantia por meio das ORs, encontrou-se um valor de 0,998, inferior a um e estatisticamente significativo, sugerindo um efeito protetivo sobre o risco de inadimplência, embora de pequena magnitude marginal. O AME foi praticamente nulo por unidade monetária, um padrão típico quando a variável é medida em escala muito granular, como em reais, onde o efeito por real é diminuto. Para uma interpretação econômica mais robusta, o TCC original sugere reescalar a variável ou considerar transformações como logaritmo da garantia em análises de robustez.

Os resultados apontam que o valor da garantia, embora não seja um dos determinantes mais significativos, sugere que operações com garantias maiores tendem a apresentar uma ligeira redução na probabilidade de inadimplência. Do ponto de vista econômico, esses achados podem refletir o entendimento de que financiamentos mais robustos geralmente envolvem análises de crédito mais criteriosas, uma maior capacidade econômica do tomador, projetos mais sólidos e maior potencial de geração de receita para os empreendimentos.

Prazo da operação

A taxa observada de inadimplência por faixas de prazo da operação apresentou um comportamento não-linear e volátil, com picos em faixas específicas e quedas abruptas. Para prazos acima de 103 meses, registrou-se zero de inadimplência, devido à ausência de casos. A análise das probabilidades ajustadas pelo modelo, contudo, revelou uma relação negativa e linear entre o número de meses e a probabilidade ajustada de inadimplência, com o risco diminuindo à medida que o prazo se amplia. Essa linearidade modelada contrasta com a volatilidade observada, sugerindo cautela na interpretação dos resultados desta variável, pois a relação entre prazo e inadimplência pode não ser perfeitamente linear.

A variável Prazo da Operação apresentou uma OR de 0,995, indicando um efeito protetivo estatisticamente significativo, embora de pequena magnitude. O AME, também significativo, foi de -0,0007, indicando uma redução média de 0,07% na probabilidade de inadimplência para cada mês adicional no prazo. Esses resultados guardam coerência com o gráfico de probabilidades ajustadas, mas a volatilidade das observações empíricas contrastou com a linearidade do resultado do modelo, o que reforça a recomendação de cautela na interpretação, já que o risco real pode não descrever uma forma constante de acordo com o alongamento do prazo.

Taxa de Juros

A taxa observada de inadimplência por faixas de taxa de juros sugeriu uma relação não linear e volátil nos dados empíricos, com picos de inadimplência em faixas intermediárias, seguidos de quedas abruptas. Este comportamento pode indicar a ocorrência de seleção adversa nos picos de inadimplência, possivelmente associados a tomadores de crédito de risco mais elevado. Ao transpor os dados para o modelo logístico, as probabilidades ajustadas impuseram uma tendência linear ascendente, priorizando a elevação da inadimplência com o aumento da taxa de juros. Essa imposição linear pode resultar em subestimação de riscos, em detrimento das observações empíricas que mostraram picos e volatilidade.

Ao analisar as ORs associadas à taxa de juros, observou-se o valor de 1,004 com significância estatística, indicando que cada incremento unitário na taxa de juros eleva as chances de inadimplência em 0,4%. Este resultado demonstra um efeito positivo e persistente da taxa de juros sobre o risco de inadimplência, mesmo diante de observações empíricas ruidosas. Contudo, ao avaliar o efeito marginal médio, observou-se ausência de significância estatística ao nível de 5% (p igual a 0,065), com um AME de 0,062 e intervalo de confiança que abrange o zero, indicando neutralidade. Este resultado sugere que, embora a direção do risco seja identificável via OR, a magnitude de seu impacto na probabilidade de inadimplência é incerta, o que reforça a recomendação de cautela no uso isolado desta variável em análises de risco.

Em síntese, os achados desta pesquisa, baseados na modelagem de regressão logística binária, revelaram que a instituição financeira, o nível de risco de crédito, o porte empresarial, a região geográfica, a presença de crédito assistido, o valor da garantia e o prazo da operação são fatores determinantes da inadimplência nas operações de crédito com garantia complementar do FAMPE. O modelo demonstrou robustez estatística e capacidade preditiva, indicando que instituições cooperativas e operações de menor risco (AA) e maior porte (microempresas) estão associadas a menor inadimplência. A assistência técnica e garantias de maior valor também contribuem para a mitigação do risco, enquanto a taxa de juros e o prazo da operação, embora com efeitos mais complexos e que demandam cautela na interpretação, também influenciam a probabilidade de inadimplência, fornecendo subsídios valiosos para o aprimoramento das políticas de acesso ao crédito para pequenos negócios.

4. Conclusão

Este estudo objetivou ampliar a compreensão sobre os fatores determinantes da inadimplência junto aos tomadores de crédito com Garantia Complementar do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE). Por meio da aplicação de um modelo de regressão logística binária a uma vasta base de dados, verificou-se que a instituição financeira, o nível de risco de crédito, o porte empresarial, a região geográfica, a presença de crédito assistido, o valor da garantia e o prazo da operação influenciaram a probabilidade de inadimplência. Observou-se que instituições cooperativas, operações classificadas com risco AA e microempresas apresentaram menor propensão à inadimplência. Adicionalmente, o crédito assistido e garantias de maior valor contribuíram para a mitigação do risco. O modelo demonstrou consistência estatística e elevada capacidade preditiva, com uma área sob a curva ROC de 0,8318, e ausência de multicolinearidade, reforçando a robustez das inferências.

Os achados desta pesquisa fornecem subsídios valiosos para o entendimento da inadimplência no FAMPE e para a formulação de políticas públicas e estratégias corporativas mais direcionadas, visando otimizar o acesso ao crédito e o desempenho dos pequenos negócios. Contudo, a interpretação dos efeitos da taxa de juros e do prazo da operação demandou cautela, visto que a imposição de linearidade pelo modelo contrastou com a volatilidade observada nos dados empíricos, sugerindo que o risco real pode não descrever uma forma constante ao longo do tempo. Para estudos futuros, recomenda-se aprofundar a análise dessas variáveis, explorando transformações ou modelos que capturem relações não lineares, além de investigar o comportamento dos preditores para aprimorar a democratização do mercado de crédito brasileiro.

Referências Bibliográficas

Banco Central do Brasil [BACEN]. (2020). Relatório de Economia Bancária. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/relatorioeconomiabancaria/reb_2020.pdf. Acesso em: 20 out. 2025.

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,

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Santos, 2000 [Referência completa não encontrada no documento original]

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas [SEBRAE]. (2022). Atlas dos Pequenos Negócios. Disponível em: https://datasebrae.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Livro_Atlas_dos_Peq_Neg_Sebrae_V8.pdf. Acesso em: 20 out. 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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