Artigo

31 de julho de 2026

Estrutura Analítica de Riscos para identificação de riscos socioambientais em projetos de mineração

Guilherme Andrade Ranier Silva; Gleison De Souza

DOI: 10.22167/2675-6528-202600869

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A atividade minerária, de grande relevância para a balança comercial brasileira, frequentemente se mostra suscetível a diversos riscos. Este estudo objetivou identificar e analisar qualitativamente os riscos socioambientais associados a projetos de mineração, empregando a Estrutura Analítica de Riscos (EAR) como ferramenta metodológica principal. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, baseada na análise documental de 109 reportagens e na compreensão subjetiva de indivíduos sobre os fenômenos de risco. O trabalho estruturou e hierarquizou os riscos em quatro categorias: ambientais, sociais, regulatórios e operacionais. Os resultados indicaram uma forte interdependência entre riscos sociais, que foram os mais recorrentes, e ambientais, com concentração em estados de intensa atividade minerária como Minas Gerais e Pará. A pesquisa reforçou a necessidade de abordagens integradas na gestão de projetos minerários, incorporando dimensões ambientais, sociais e institucionais desde o planejamento inicial. Como contribuição, o estudo ofereceu uma estrutura analítica aplicável à identificação de riscos socioambientais, subsidiando práticas mais eficazes de governança e sustentabilidade no setor mineral.

Palavras-chave: Gestão de riscos; Governança; Impactos socioambientais; Mineração; Pesquisa qualitativa.

1. Introdução

A atividade minerária desempenha papel fundamental na economia brasileira, contribuindo para a balança comercial do país. Este setor dialoga com diversas indústrias e possui vasta cadeia de valor, abrangendo desde a pesquisa e extração mineral até o produto final (Silva e Rocha, 2022). Sua importância é inegável para o fornecimento de insumos essenciais, impactando o conforto da sociedade (IBRAM, 2014). A mineração é pilar para o desenvolvimento econômico nacional (Teixeira, 2014), representando cerca de 47% do saldo da balança comercial brasileira em 2024 (Brasil Mineral, 2025).

Apesar de suas vantagens, a mineração, devido à escala de operações, é associada a desafios significativos. Estes manifestam-se no aspecto ambiental, com impactos nos ecossistemas e recursos naturais, e no âmbito social, afetando comunidades e culturas (Pereira, 2021). Projetos minerários são suscetíveis a riscos, destacando-se os socioambientais, que exigem gerenciamento especializado.

No contexto da gestão de projetos, o risco é definido como evento incerto que, se ocorrer, terá efeito sobre um ou mais objetivos do projeto (PMI, 2017). O risco socioambiental é a presença de condições com probabilidade de eventos adversos, ligados a fatores como vulnerabilidade, suscetibilidade e incerteza, podendo culminar em crise ou desastre (Briguenti, 2007). Em projetos de mineração, o risco é condicionado pela interação de três fatores: fonte de contaminação, receptor e via de exposição, exigindo que o gerenciamento atue em ao menos um desses vetores (Guimarães, 2024).

Os riscos socioambientais em projetos de mineração emergem da complexa interação entre fatores geogênicos e antropogênicos. Os geogênicos referem-se aos processos naturais do meio físico, como características geológicas e climáticas, que podem contribuir para instabilidades ou contaminações. Já os antropogênicos englobam as ações humanas que modificam o ambiente, incluindo a extração mineral, supressão vegetal, disposição de rejeitos e intervenções hídricas. Tais ações podem intensificar riscos preexistentes, tornando essencial uma abordagem integrada para a identificação (Dagnino, 2007; Briguenti et al., 2007).

O gerenciamento de riscos é um processo estruturado para identificar, avaliar e tratar os fatores de risco sistematicamente. Não implica controle total, mas sim preparação eficaz para lidar com potenciais ocorrências (Dismore e Brewin, 2009). O Guia “Project Management Body Of Knowledge” (PMI, 2017) detalha sete etapas para o gerenciamento, incluindo planejamento, identificação e análise qualitativa. Entre as ferramentas disponíveis, a Estrutura Analítica de Riscos (EAR), ou “Risk Breakdown Structure”, destaca-se por agrupar e organizar os riscos de um projeto, facilitando sua gestão (Hillson, 2003).

A complexidade e interdependência dos riscos socioambientais em projetos de mineração, aliadas à necessidade de gestão eficaz, evidenciam uma lacuna na disponibilidade de ferramentas que permitam sua visualização e hierarquização claras. A ausência de um artefato visual organizado que compile e estruture essas informações dificulta a tomada de decisão e a implementação de estratégias de mitigação. Compreender esses riscos é fundamental para a viabilidade dos projetos, a responsabilidade socioambiental e a sustentabilidade no setor. A relevância de uma estrutura analítica que organize e apresente esses riscos de forma sistemática é inquestionável para aprimorar as práticas de governança.

Diante deste cenário, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de fornecer um instrumento prático e contextualizado que auxilie na gestão de projetos minerários, promovendo uma compreensão aprofundada dos riscos socioambientais e subsidiando abordagens integradas desde as fases iniciais do planejamento. O estudo objetiva dar visibilidade aos potenciais riscos socioambientais presentes em projetos reais de mineração de modo geral, construindo uma representação visual organizada hierarquicamente através de uma Estrutura Analítica de Riscos (EAR).

2. Material e Métodos

A metodologia adotada nesta pesquisa combinou diferentes abordagens, visando proporcionar uma análise abrangente e prática dos riscos socioambientais em projetos de mineração. Caracterizou-se como uma pesquisa de caráter aplicado, buscando aprofundar a compreensão dos fenômenos de risco. A abordagem qualitativa foi empregada para explorar a perspectiva de indivíduos e grupos sobre os fenômenos que os cercam, dedicando-se à compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais, especialmente em aspectos não quantificáveis da realidade (Sampieri et al., 2013).

O estudo foi estruturado em três etapas principais para a coleta e análise dos dados. Estas etapas foram denominadas Pesquisa Documental, Observação e, por fim, Análise e Interpretação dos Dados. Cada uma dessas fases foi concebida para contribuir de forma complementar à identificação e estruturação dos riscos socioambientais, conforme o objetivo geral da pesquisa.

A primeira etapa, a Pesquisa Documental, utilizou como fontes de coleta de dados diversos tipos de documentos. Incluíram-se arquivos públicos, reportagens e dados estatísticos, que foram submetidos a um processo investigativo de observação, leitura, reflexão e análise crítica (Prodanov e Freitas, 2013). Para esta pesquisa, foram analisadas 109 reportagens publicadas em veículos de comunicação confiáveis, com datas entre 2023 e 2025. A rastreabilidade das informações foi assegurada pela referência aos portais jornalísticos e títulos das reportagens.

A segunda etapa consistiu na Observação, uma técnica de coleta de dados empregada em pesquisas descritivas (Malhotra, 2019). Esta técnica envolveu o registro sistemático de padrões de comportamento, objetos e eventos, sem interação direta do observador com os observados. A coleta de dados foi realizada por meio de visitas a regiões onde há projetos de mineração em andamento, com foco na identificação de fatores ambientais e sociais. Utilizaram-se técnicas de observação direta e registro sistemático das informações, mantendo a confidencialidade dos dados coletados.

A terceira etapa, Análise e Interpretação dos Dados, dedicou-se à organização e análise das informações coletadas nas fases anteriores. Os dados foram processados com base nos princípios da Estrutura Analítica de Riscos (EAR), uma ferramenta que permite agrupar e organizar os riscos de um projeto, facilitando sua gestão (Hillson, 2003). A análise qualitativa foi fundamental para interpretar as implicações dos riscos socioambientais no contexto dos projetos de mineração.

A construção da Estrutura Analítica de Riscos (EAR) foi aprofundada por meio da vivência do autor no setor mineral e pela coleta de dados junto a um especialista da área. Este processo permitiu refinar as categorias de risco e validar os riscos identificados, resultando em uma ferramenta prática e contextualizada. O gerenciamento de riscos, conforme o Guia PMBOK (PMI, 2017), envolve etapas como planejamento, identificação e análise qualitativa, que foram o foco principal deste estudo.

A pesquisa concentrou-se nas três etapas iniciais do gerenciamento de riscos: Planejar o Gerenciamento de Riscos, Identificar os Riscos e Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos por intermédio da EAR. Fatores como a frequência e quantidade dos riscos, que seriam abordados na Análise Quantitativa, não foram o enfoque principal. O conceito de risco, especialmente em projetos de mineração, foi compreendido como condicionado por três fatores prévios: fonte da contaminação, receptor e via de exposição (Guimarães, 2024).

O gerenciamento de riscos foi entendido como um processo estruturado para identificar, avaliar e tratar os fatores de risco de forma sistemática (Dismore e Brewin, 2009). Os riscos socioambientais em projetos de mineração foram analisados a partir da interação entre fatores geogênicos e antropogênicos, que podem intensificar ou desencadear eventos adversos (Dagnino, 2007; Briguenti et al., 2007). A atuação no gerenciamento dos riscos buscou compreender ao menos um desses vetores.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa permitiu uma identificação abrangente das categorias de riscos socioambientais inerentes aos projetos de mineração. Esta identificação foi fundamentada em uma revisão bibliográfica robusta, na análise de reportagens veiculadas por meios de comunicação e nas percepções de especialistas do setor. A partir dessa análise qualitativa, foram estabelecidos os níveis iniciais da Estrutura Analítica de Riscos (EAR), uma ferramenta que organiza os riscos de forma hierárquica, facilitando sua visualização e compreensão. As categorias principais de risco delineadas incluem os riscos ambientais, sociais, regulatórios e operacionais, todos com impacto socioambiental direto ou indireto.

A Estrutura Analítica de Riscos (EAR) desenvolvida no estudo foi organizada em níveis hierárquicos, começando pelas categorias macro de risco e desdobrando-se em subcategorias e eventos específicos. Essa organização oferece uma base sólida para a análise qualitativa e a categorização dos riscos, permitindo a priorização com base em sua relevância e impacto percebido. A integração dos aspectos sociais e ambientais em uma única estrutura reflete a interdependência desses elementos, uma característica proeminente na mineração contemporânea, conforme apontado por Azevedo et al. (2020).

A categoria de riscos ambientais abrange diversos aspectos críticos, como a contaminação de recursos naturais, a degradação de ecossistemas, a poluição atmosférica, a gestão inadequada de resíduos e as alterações hidrológicas. Exemplos específicos incluem o vazamento de rejeitos em corpos hídricos, a contaminação por metais pesados como mercúrio, ferro e manganês, e a infiltração em aquíferos. A degradação de ecossistemas manifesta-se pela supressão de vegetação nativa, fragmentação de habitats, perda de biodiversidade e alteração de cursos d’água, consequências frequentemente associadas à mineração em larga escala (Hilson e Murck, 2000).

A poluição atmosférica é exemplificada pela emissão de material particulado, gases de explosão e poluentes decorrentes do transporte de minério. A gestão inadequada de resíduos envolve a disposição imprópria de rejeitos, a instabilidade de pilhas e o assoreamento de rios. As alterações hidrológicas incluem o rebaixamento do lençol freático, a redução da disponibilidade hídrica e a modificação dos padrões de drenagem. Esses riscos ambientais são interligados e podem desencadear uma série de impactos negativos em cascata, afetando diretamente a qualidade de vida das comunidades e a integridade dos ecossistemas.

Os riscos sociais constituem outra categoria fundamental, englobando conflitos com comunidades locais, deslocamento e reassentamento involuntário, impactos à saúde pública, perda de patrimônio cultural e desigualdade socioeconômica. Conflitos com comunidades locais são frequentemente observados em disputas territoriais e resistência a projetos, incluindo aqueles que afetam povos indígenas e tradicionais. O deslocamento involuntário pode resultar na perda de moradias, ruptura de redes sociais e insegurança fundiária, enquanto os impactos à saúde pública incluem doenças respiratórias, contaminação por metais e insegurança alimentar.

A perda de patrimônio cultural manifesta-se por danos a sítios arqueológicos e a referências culturais e simbólicas. A desigualdade socioeconômica é evidenciada pela concentração de renda, aumento do custo de vida e dependência econômica local. Esses riscos são percebidos de forma subjetiva pelas populações afetadas, o que sublinha a relevância da abordagem qualitativa adotada neste estudo (Terminski, 2015). A compreensão dessas percepções é crucial para um gerenciamento de riscos que considere as dimensões humanas e culturais dos projetos minerários.

A categoria de riscos regulatórios de normas legais abrange a mudança na legislação ambiental, a falta de conformidade, a fragilidade institucional e a pressão política e econômica. Alterações nas regras de licenciamento e a insegurança jurídica são exemplos de mudanças legislativas. A falta de conformidade se manifesta por multas, embargos e o descumprimento de condicionantes. A fragilidade institucional é caracterizada pela baixa capacidade de fiscalização e pela sobreposição de competências entre órgãos reguladores, enquanto a pressão política e econômica pode levar à flexibilização de normas e à influência de interesses econômicos.

Por fim, os riscos operacionais com impacto socioambiental incluem falhas tecnológicas e estruturais, emergências e desastres, incertezas geológicas e técnicas, e falhas de monitoramento e controle. Falhas tecnológicas e estruturais são exemplificadas por rupturas de barragens, falhas em sistemas de contenção e colapsos de estruturas. Emergências e desastres abrangem rompimentos, deslizamentos, inundações e acidentes industriais. Incertezas geológicas e técnicas referem-se a variações no solo, instabilidade geotécnica e erros de modelagem, enquanto falhas de monitoramento e controle incluem a ausência de sensores, falhas em sistemas de alerta e erros humanos.

A análise da base empírica, composta por 109 reportagens publicadas entre 2023 e 2025, revelou que os riscos sociais constituem a categoria predominante. Estes foram evidenciados principalmente por conflitos com comunidades locais, impactos à saúde pública e deslocamentos populacionais. Acselrad (2004) destaca que conflitos socioambientais surgem quando diferentes grupos sociais disputam o acesso e o controle de recursos naturais, sendo a mineração um vetor significativo desses conflitos no Brasil. Um exemplo marcante é a disputa entre o garimpo ilegal e os povos indígenas Yanomami na região norte do país.

Como segunda categoria mais frequente, identificaram-se os riscos regulatórios, caracterizados pela falta de conformidade com as normas legais e pela fragilidade institucional na fiscalização. Enríquez (2007) aponta que o setor mineral brasileiro enfrenta desafios históricos relacionados à governança e ao cumprimento da legislação ambiental, o que contribui para a ampliação dos riscos socioambientais. Dados indicam que aproximadamente 37% dos processos minerários ativos no Brasil possuem algum tipo de inconsistência, ou seja, apresentam mineração com permissão considerada inapropriada, o que reforça a dimensão desse problema.

Os riscos ambientais surgiram como a terceira categoria mais recorrente, associados à degradação de ecossistemas, contaminação de recursos hídricos e manejo inadequado de resíduos. Sánchez (2013) enfatiza que a mineração é uma das atividades com maior potencial de geração de impactos ambientais significativos, especialmente devido à remoção de cobertura vegetal, alteração da paisagem e geração de rejeitos. Pesquisas da Universidade Federal de Minas Gerais confirmam a recorrência de contaminação por metais pesados e o comprometimento de corpos hídricos em áreas mineradas (Milanez e Losekann, 2016), corroborando a predominância desses riscos.

Por fim, os riscos operacionais configuraram a categoria menos frequente, mas de maior severidade. Eventos como rompimentos de barragens evidenciam que falhas estruturais podem gerar impactos de grande magnitude e consequências devastadoras. A análise qualitativa dos dados, conforme Minayo (2014), foi fundamental para compreender a complexidade e a multifatorialidade desses fenômenos, permitindo uma interpretação aprofundada das implicações dos riscos socioambientais no contexto dos projetos de mineração e a validação das categorias e subcategorias de risco.

A análise espacial dos casos revelou uma concentração de riscos em regiões com intensa atividade minerária, notadamente nos estados de Minas Gerais, Pará, Amazonas e Roraima. Em Minas Gerais, a tradição minerária e a alta concentração de barragens de rejeitos aumentam a exposição a riscos operacionais e estruturais (Milanez e Losekann, 2016). A Amazônia, por sua vez, tem se consolidado como uma nova fronteira mineral, marcada por conflitos territoriais e impactos ambientais significativos, conforme Becker (2005). Essa distribuição espacial sublinha a necessidade de abordagens de gestão de riscos adaptadas às especificidades socioambientais de cada território.

A distribuição das ocorrências por estado demonstrou que Minas Gerais registrou 28 ocorrências, seguido por Pará com 17, e Amazonas e Roraima, ambos com 12 ocorrências. Alagoas apresentou 11 ocorrências, Bahia 6, Rio de Janeiro 7, Espírito Santo 3, Maranhão 2 e Mato Grosso 5. Outros estados somaram 6 ocorrências. Essa correlação entre a intensidade da atividade minerária e a incidência de riscos socioambientais indica a existência de pontos de concentração regionais que demandam estratégias específicas de gestão e mitigação de riscos, reforçando a importância de uma análise contextualizada.

A integração e análise dos resultados evidenciam que os riscos socioambientais na mineração possuem um caráter sistêmico, resultando da interação complexa entre fatores ambientais, sociais, regulatórios e operacionais. Observa-se que as falhas regulatórias frequentemente potencializam a ocorrência de riscos socioambientais, enquanto os riscos ambientais atuam como catalisadores de conflitos sociais. Um exemplo disso é a mobilização de povos indígenas e quilombolas do Acará, que protestaram em Belém contra uma obra de mineroduto, ilustrando a interconexão entre as dimensões do risco.

A gestão ambiental em projetos minerários deve ser incorporada desde as fases iniciais de planejamento, considerando não apenas aspectos técnicos, mas também sociais e institucionais (Sánchez, 2013). Nesse contexto, a EAR se estabelece como uma ferramenta estratégica para apoiar a tomada de decisão, permitindo a priorização de riscos e o desenvolvimento de medidas mitigadoras mais eficazes. A literatura também destaca que a adoção de abordagens integradas de gestão de riscos contribui significativamente para a redução de impactos negativos e para o fortalecimento da governança no setor mineral (Enríquez, 2007).

A Estrutura Analítica de Riscos foi expandida ao longo do desenvolvimento do trabalho, incorporando dados coletados com stakeholders, análises de estudos de caso e reportagens. Algumas subcategorias foram criadas com base na vivência acadêmica e profissional do autor, bem como em trocas de experiências com colegas do setor. Essa abordagem prática e contextualizada permitiu refinar as categorias e validar os riscos identificados, resultando em uma ferramenta aplicável para apoiar a gestão de riscos e promover maior responsabilidade socioambiental nas decisões estratégicas do setor.

Em síntese, a pesquisa demonstrou a eficácia da Estrutura Analítica de Riscos (EAR) como ferramenta para identificar e organizar os riscos socioambientais na mineração brasileira. A análise qualitativa das reportagens e a construção hierárquica da EAR revelaram a predominância dos riscos sociais, seguidos pelos regulatórios, ambientais e operacionais, e evidenciaram a forte interdependência entre essas categorias. A concentração dos riscos em estados com intensa atividade minerária e a natureza sistêmica dos impactos reforçam a necessidade de abordagens integradas e ferramentas como a EAR para uma gestão de riscos mais eficaz e sustentável no setor mineral.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou dar visibilidade aos potenciais riscos socioambientais presentes em projetos reais de mineração de modo geral, por meio da construção de uma Estrutura Analítica de Riscos (EAR) organizada hierarquicamente. Verificou-se a identificação de quatro categorias principais de riscos: ambientais, sociais, regulatórios e operacionais, que se desdobraram em subcategorias e eventos específicos. A análise qualitativa de 109 reportagens, publicadas entre 2023 e 2025, evidenciou a predominância dos riscos sociais, seguidos pelos regulatórios e ambientais, enquanto os riscos operacionais, embora menos frequentes, apresentaram maior severidade. Observou-se uma forte interdependência entre essas categorias, onde falhas regulatórias potencializam riscos socioambientais e riscos ambientais atuam como catalisadores de conflitos sociais. Adicionalmente, identificou-se uma concentração desses riscos em estados com intensa atividade minerária, como Minas Gerais e Pará, reforçando a natureza sistêmica dos impactos.

A principal contribuição deste trabalho reside na oferta de uma Estrutura Analítica de Riscos (EAR) como ferramenta prática e contextualizada, aplicável à identificação e organização de riscos socioambientais, subsidiando práticas mais eficazes de governança e sustentabilidade no setor mineral. Esta ferramenta apoia a tomada de decisão e a priorização de riscos, promovendo maior responsabilidade socioambiental desde as fases iniciais do planejamento de projetos. Contudo, a pesquisa limitou-se à análise qualitativa, não abordando a quantificação de riscos em termos de frequência ou quantidade. Sugere-se, portanto, que estudos futuros explorem a aplicação da EAR em análises quantitativas e em contextos específicos, aprofundando a compreensão e a gestão desses riscos complexos.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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