23 de julho de 2026
Estratégias de Investimento no Brasil: Evidências Empíricas da Eficácia do Buy and Hold e do Market Timing em Diferentes Setores da Economia
Bruno Gonçalves Roman; Marcio Pereira Basilio
DOI: 10.22167/2675-6528-202600627
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
Este estudo apresentou uma análise comparativa de diferentes estratégias de investimento no mercado acionário brasileiro, especificamente buy and hold com e sem reinvestimento de dividendos e market timing. O objetivo foi avaliar empiricamente o desempenho dessas estratégias em horizontes de investimento de curto e de longo prazo, buscando identificar qual abordagem tende a proporcionar melhores resultados para investidores que visam à acumulação de patrimônio no longo prazo. Para isso, utilizou-se dados históricos do mercado, coletados na plataforma Yahoo Finance entre 2006 e 2025, e aplicou-se backtesting em ativos de diferentes setores. A metodologia descreveu a coleta e tratamento dos dados, além do cálculo de métricas de desempenho e risco, como retorno acumulado, volatilidade, Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR), Índice de Sharpe e drawdown máximo. Os resultados indicaram que o horizonte temporal desempenhou papel central no desempenho das estratégias analisadas. Embora o market timing tenha apresentado vantagens pontuais na redução de perdas e drawdowns em determinados períodos, as estratégias buy and hold mostraram resultados mais consistentes em horizontes de investimento mais longos. Esse efeito tornou-se ainda mais evidente com o reinvestimento de dividendos, que contribuiu significativamente para o crescimento dos retornos acumulados. Concluiu-se que o tempo, a disciplina e a permanência no mercado no longo prazo são elementos centrais para a construção sustentável de patrimônio.
Palavras-chave: Buy and hold; Dividendos; Market timing; Mercado acionário; Retorno ajustado ao risco.
1. Introdução
O mercado de valores mobiliários no Brasil tem experimentado um crescimento notável, com a Brasil, Bolsa, Balcão (B3, 2026) registrando a entrada de cerca de 206 mil novos investidores na bolsa de valores brasileira somente em 2025. Esse fenômeno sublinha a crescente relevância das estratégias de investimento, particularmente no segmento de renda variável. A função primordial desse mercado é canalizar recursos de investidores para empresas e instituições, impulsionando a atividade produtiva e o desenvolvimento econômico.
Investir, conforme Maheswari (2011), implica empregar recursos com a expectativa de obter retornos futuros, sempre acompanhado de riscos inerentes ao ativo escolhido. Entre os riscos mais proeminentes estão o risco de mercado, que se refere às flutuações de preço, e o risco de liquidez, relacionado à facilidade de converter um ativo em dinheiro. A evolução tecnológica, o acesso facilitado à informação e a redução das taxas de corretagem contribuíram para a maior acessibilidade do mercado financeiro, ampliando o volume de operações e o número de participantes.
Nesse cenário, duas estratégias de investimento são amplamente debatidas na literatura financeira: o buy and hold e o market timing. A estratégia buy and hold, ou compra e manutenção, envolve a manutenção de ativos por longos períodos, fundamentada na crença de valorização gradual e na solidez das empresas. Segundo Graham (2007), essa abordagem é típica do investidor defensivo, que prioriza a preservação de capital e busca retornos consistentes ao longo do tempo, evitando negociações frequentes e especulativas. O princípio é que empresas bem geridas geram valor contínuo, recompensando acionistas com lucros e dividendos.
Em contraste, o market timing busca antecipar os movimentos do mercado para comprar e vender ativos nos momentos mais vantajosos. Conforme Bodie et al. (2014), essa estratégia visa obter ganhos de capital por meio de previsões baseadas em tendências econômicas, indicadores técnicos ou condições macroeconômicas. Contudo, a literatura aponta dificuldades significativas na execução consistente do market timing, pois a previsão precisa dos movimentos de mercado é um desafio complexo. Malkiel (2019) e Sharpe (1975) discutem que a identificação consistente do melhor momento para negociar é improvável, dada a complexidade e a natureza não totalmente aleatória das flutuações do mercado.
No contexto brasileiro, a discussão sobre essas estratégias adquire particular importância. O mercado acionário nacional é caracterizado por maior volatilidade, instabilidade política e ciclos de juros elevados, sendo altamente sensível a mudanças macroeconômicas. Araújo et al. (2005) indicam que o mercado brasileiro apresenta maior dispersão nas tendências de retorno de longo prazo em comparação com mercados desenvolvidos, sugerindo uma heterogeneidade significativa no desempenho de empresas e setores. Esse ambiente reforça a necessidade de investigar como as diferentes estratégias de investimento se comportam em um cenário de maior instabilidade.
Apesar da relevância do tema, a literatura nacional ainda possui limitações quanto à comparação empírica abrangente entre essas estratégias de investimento ao longo do tempo. Muitos estudos focam na capacidade de gestores em prever movimentos de mercado via market timing, com resultados frequentemente inconclusivos sobre a obtenção de ganhos consistentes (Souza, 2018; Lima, 2021). Por outro lado, há evidências de que estratégias passivas de longo prazo tendem a apresentar resultados mais estáveis, com Almeida (2024) argumentando que ativos de qualidade mantêm suas características ao longo do tempo, favorecendo a permanência em carteira.
Diante dessa lacuna, a problemática central desta pesquisa reside em determinar se estratégias baseadas em market timing são capazes de superar, em termos de retorno acumulado, as estratégias passivas de buy and hold no mercado acionário brasileiro. Para tanto, a análise considera horizontes temporais distintos, avaliando o comportamento das estratégias tanto em ciclos de curto prazo quanto em períodos mais longos de investimento. Adicionalmente, busca-se identificar possíveis diferenças no desempenho entre empresas de diversos setores econômicos, como varejo, energia, infraestrutura e consumo, permitindo a identificação de padrões recorrentes ou divergências estruturais no comportamento dos ativos ao longo do tempo.
A justificativa para este estudo reside na necessidade de fornecer evidências empíricas que auxiliem investidores e gestores na tomada de decisões em um mercado complexo como o brasileiro, contribuindo para a construção sustentável de patrimônio. Assim, o objetivo deste estudo consiste em comparar empiricamente as estratégias buy and hold, buy and hold com reinvestimento de dividendos e market timing no mercado acionário brasileiro, considerando diferentes horizontes temporais e setores econômicos.
2. Material e Métodos
A metodologia adotada para este estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, fundamentada na coleta de dados secundários do mercado financeiro brasileiro. A investigação foi conduzida por meio da aplicação de estratégias de investimento baseadas em backtesting, utilizando dados históricos. Esse procedimento permitiu uma avaliação comparativa do desempenho das estratégias no período analisado, sem a intenção de extrapolar os resultados para previsões ou estimativas de desempenho futuro.
A amostra de dados foi composta por séries históricas coletadas na plataforma Yahoo Finance, abrangendo um período de 20 anos, de 02 de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2025. Os ativos analisados foram Banco do Brasil (BBSA3), Engie (EGIE3), Itaú Unibanco (ITUB4), Lojas Renner (LREN3) e Petrobras (PETR4). Essas empresas foram selecionadas por representarem diferentes características setoriais da economia brasileira, além de critérios como relevância econômica e liquidez.
Os dados foram inicialmente disponibilizados em formato HTML e, posteriormente, extraídos, organizados e tratados por meio da linguagem de programação Python. Para a extração das informações, utilizou-se a biblioteca BeautifulSoup. As bibliotecas pandas e numpy foram empregadas para manipulação e análise dos dados, enquanto matplotlib foi utilizada para a geração de gráficos. Registros que não correspondiam a operações regulares de mercado foram excluídos, e as séries temporais foram convertidas para formato numérico, padronizadas e organizadas em ordem cronológica crescente.
Implementaram-se três estratégias de investimento com base nos retornos diários dos ativos selecionados. A primeira, buy and hold, caracterizou-se pela manutenção contínua do investimento no ativo, considerando a variação do preço de fechamento. A segunda estratégia consistiu no buy and hold com reinvestimento de dividendos, utilizando o preço de fechamento ajustado para incorporar o efeito da distribuição de proventos e outros eventos corporativos.
A terceira estratégia foi o market timing, uma abordagem ativa baseada no cruzamento de médias móveis simples (SMA), técnica amplamente utilizada para identificação de tendências (Murphy, 1999). Foram consideradas duas médias móveis: uma de curto prazo (5 a 50 pregões) e outra de longo prazo (60 a 200 pregões), com incrementos de cinco e vinte períodos, respectivamente. O sinal de investimento foi determinado pela relação entre as médias, com posição comprada quando a média de curto prazo se situou acima da de longo prazo.
O retorno diário do ativo foi calculado pela variação percentual do preço de fechamento entre pregões consecutivos. O retorno da estratégia de market timing considerou o sinal de posição com defasagem de um período para evitar viés de antecipação. A configuração de médias móveis que apresentou o maior retorno acumulado foi selecionada como a mais eficiente dentro da amostra analisada, em um procedimento estritamente in-sample, sem tentativa de previsão fora da amostra.
Como ativo de taxa livre de risco, utilizou-se a taxa SELIC, obtida do Banco Central do Brasil, convertida em retornos diários equivalentes e ajustada por uma alíquota de 15% de imposto de renda. A avaliação das estratégias foi realizada por meio de métricas quantitativas amplamente utilizadas na literatura financeira, permitindo analisar simultaneamente retorno e risco (Bodie et al., 2014). As principais métricas empregadas foram o retorno acumulado, a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR), o Índice de Sharpe anualizado e o drawdown máximo.
O retorno acumulado mensurou a evolução do capital investido, refletindo a capitalização composta (Araújo et al., 2005). A CAGR definiu o retorno médio anual em horizontes de 5 e 20 anos (Bodie et al., 2014; Souza, 2018). O Índice de Sharpe anualizado relacionou o retorno excedente ao risco assumido (Sharpe, 1975), utilizando o desvio-padrão dos retornos excedentes e o fator de anualização de 252 dias úteis. O drawdown máximo, por sua vez, quantificou a maior perda percentual entre um pico e o ponto mínimo subsequente (Chekhlov, Uryasev e Zabarankin, 2005).
Este estudo apresenta limitações importantes, como a calibração in-sample da estratégia de market timing, que pode introduzir viés de sobreajuste e limitar a generalização. Não foram considerados custos de transação, o que pode superestimar o desempenho de estratégias ativas. A amostra de ativos é específica, e o modelo de market timing adotado é uma abordagem simplificada. Dessa forma, os resultados devem ser interpretados como evidências empíricas condicionadas ao período, à amostra e às escolhas metodológicas adotadas.
3. Resultados e Discussão
A análise empírica das estratégias de investimento buy and hold, buy and hold com reinvestimento de dividendos e market timing no mercado acionário brasileiro, no período de 02 de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2025, revelou padrões de desempenho distintos, influenciados principalmente pelo horizonte temporal e pela política de reinvestimento de proventos. Os resultados foram avaliados por métricas como retorno acumulado, Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR), Índice de Sharpe e drawdown máximo, permitindo uma compreensão abrangente da eficiência relativa de cada abordagem em diferentes contextos setoriais e temporais. Observou-se que a consistência dos retornos e a relação risco-retorno variaram significativamente entre as estratégias passivas e ativas, conforme a duração do investimento.
De modo geral, a pesquisa indicou que o horizonte temporal desempenha um papel central no desempenho das estratégias analisadas. Em períodos mais longos, as abordagens passivas, especialmente aquelas que incorporam o reinvestimento de dividendos, tenderam a apresentar resultados mais consistentes e superiores em termos de retorno anualizado e ajustado ao risco. Por outro lado, a estratégia de market timing, embora tenha demonstrado capacidade de mitigar perdas em cenários de maior volatilidade ou tendência negativa, não conseguiu sustentar um desempenho superior no longo prazo, conforme discutido por Malkiel (2019) e Sharpe (1975) sobre a dificuldade de prever movimentos de mercado.
Banco do Brasil (BBSA3)
Para as ações do Banco do Brasil (BBSA3), a evolução dos retornos mostrou que, no horizonte de 5 anos, as diferenças entre as estratégias foram relativamente moderadas. A estratégia buy and hold com reinvestimento de dividendos apresentou o maior CAGR de 11,61% e um Índice de Sharpe de 0,22, superando o buy and hold tradicional (CAGR de 2,92% e Sharpe de -0,07) e o market timing (CAGR de 4,78% e Sharpe de -0,13). Contudo, o market timing registrou o menor drawdown máximo, de -22,03%, indicando menor exposição a perdas extremas em períodos de curto prazo, em comparação com -38,42% para o buy and hold e -37,20% para o buy and hold com dividendos.
No horizonte de 20 anos, a superioridade da estratégia buy and hold com reinvestimento de dividendos tornou-se ainda mais evidente para BBSA3. Essa abordagem alcançou um CAGR de 12,24% e um Índice de Sharpe de 0,26, enquanto o buy and hold tradicional obteve um CAGR de 6,01% e Sharpe de 0,12. A estratégia de market timing, por sua vez, apresentou o desempenho mais baixo em termos de retorno anualizado, com um CAGR de 2,37% e Sharpe de -0,11, apesar de ter um drawdown máximo ligeiramente inferior (-63,07%) em comparação com o buy and hold (-66,10%) e o buy and hold com dividendos (-64,91%). Esse padrão reforça a importância do reinvestimento de dividendos para a capitalização composta e a construção de patrimônio em ativos com distribuição recorrente de proventos, conforme a perspectiva de Graham (2007) sobre o investidor defensivo.
Engie (EGIE3)
O comportamento das estratégias para as ações da Engie (EGIE3) seguiu um padrão similar. No horizonte de 5 anos, a estratégia buy and hold tradicional apresentou um retorno praticamente nulo, com CAGR de 0,00% e um Índice de Sharpe negativo de -0,35, além de um drawdown máximo de -26,35%. O reinvestimento de dividendos, contudo, melhorou significativamente o desempenho, elevando o CAGR para 6,18% e o Sharpe para -0,04, com um drawdown de -24,02%. A estratégia de market timing obteve um CAGR de 3,82% e Sharpe de -0,30, mas com o menor drawdown máximo de -20,30%, indicando sua capacidade de proteção em períodos de baixa, embora com retornos intermediários.
Em um horizonte de 20 anos, o buy and hold com reinvestimento de dividendos para EGIE3 manteve a liderança, com um CAGR de 12,52% e o melhor Índice de Sharpe de 0,26. O buy and hold tradicional registrou um CAGR de 6,73% e Sharpe de 0,07. A estratégia de market timing, apesar de apresentar o menor drawdown máximo (-29,13%) entre as três, teve um desempenho inferior em retorno anualizado, com CAGR de 4,55% e Sharpe de -0,10. Esses achados reiteram a relevância do reinvestimento de dividendos para ativos de perfil mais defensivo e com histórico consistente de proventos, contribuindo para a acumulação de valor no longo prazo, como apontado por Almeida (2024).
Itaú Unibanco (ITUB4)
Para as ações do Itaú Unibanco (ITUB4), a análise dos retornos nos últimos 5 anos demonstrou que o buy and hold com reinvestimento de dividendos foi a estratégia mais eficaz, alcançando um CAGR de 14,24% e o melhor Índice de Sharpe de 0,30. Essa performance superou tanto o buy and hold tradicional (CAGR de 7,11% e Sharpe de 0,05) quanto o market timing (CAGR de 10,00% e Sharpe de 0,12). No entanto, o market timing apresentou o menor drawdown máximo, de -21,24%, evidenciando uma menor exposição a perdas extremas em períodos de curto prazo, embora com um retorno ajustado ao risco inferior ao buy and hold com dividendos.
No longo prazo, considerando o horizonte de 20 anos para ITUB4, o padrão de superioridade do buy and hold com reinvestimento de dividendos foi ainda mais pronunciado, com um CAGR de 12,80% e um Índice de Sharpe de 0,26. O buy and hold tradicional obteve um CAGR de 8,23% e Sharpe de 0,14. A estratégia de market timing, por sua vez, registrou um retorno significativamente inferior, com CAGR de 3,87% e Sharpe de -0,10, embora tenha apresentado o menor drawdown máximo (-41,59%) em comparação com -57,14% para o buy and hold e -56,99% para o buy and hold com dividendos. Esses resultados sugerem que, para instituições financeiras com histórico consistente de geração de resultados e distribuição de dividendos, as estratégias de longo prazo são mais propensas a capturar a criação de valor ao longo do tempo.
Lojas Renner (LREN3)
A análise das ações da Lojas Renner (LREN3) revelou algumas particularidades, especialmente no horizonte de 5 anos, onde todas as estratégias apresentaram retornos negativos. O buy and hold tradicional registrou um CAGR de -17,47% e Sharpe de -0,43, com um drawdown máximo de -73,18%. O buy and hold com reinvestimento de dividendos, embora ainda negativo, apresentou um desempenho ligeiramente melhor, com CAGR de -14,32% e Sharpe de -0,35, e drawdown de -71,05%. Nesse cenário adverso, a estratégia de market timing demonstrou a menor perda acumulada, com CAGR de -3,11% e Sharpe de -0,38, além do menor drawdown máximo de -50,73%, indicando sua capacidade de mitigação de risco em momentos de tendência desfavorável.
No horizonte de 20 anos para LREN3, o comportamento foi distinto. O market timing apresentou um retorno anualizado superior ao buy and hold tradicional, com CAGR de 11,05% e Sharpe de 0,22, em comparação com 10,02% e 0,21, respectivamente. No entanto, o buy and hold com reinvestimento de dividendos manteve o desempenho superior, com CAGR de 12,62% e Sharpe de 0,27. O market timing também registrou o menor drawdown máximo (-68,06%) em relação a -78,34% para o buy and hold e -76,37% para o buy and hold com dividendos. A trajetória temporal dos retornos indicou que as estratégias passivas superaram amplamente o market timing durante grande parte do período, especialmente em ciclos de valorização, com o desempenho relativo da estratégia ativa ocorrendo apenas em períodos mais recentes de maior instabilidade, o que pode ser atribuído à otimização in-sample dos parâmetros das médias móveis.
Petrobras (PETR4)
Os resultados para as ações da Petrobras (PETR4) reforçaram a importância do reinvestimento de dividendos, especialmente no horizonte de 5 anos. A estratégia buy and hold com reinvestimento de dividendos apresentou um desempenho significativamente superior, com um CAGR de 30,26% e o maior Índice de Sharpe de 0,69. Em contraste, o buy and hold tradicional obteve um CAGR de 1,23% e Sharpe de -0,03. O market timing, embora tenha registrado um CAGR de 9,81% e Sharpe de 0,13, e o menor drawdown máximo de -20,53%, seus retornos permaneceram abaixo da estratégia que incorporou os dividendos, que teve um drawdown de -39,13%.
No horizonte de 20 anos, o padrão de superioridade do buy and hold com reinvestimento de dividendos para PETR4 persistiu, com um CAGR de 11,22% e um Índice de Sharpe de 0,29. O buy and hold tradicional alcançou um CAGR de 2,45% e Sharpe de 0,10. A estratégia de market timing, por sua vez, registrou um CAGR de 3,17% e Sharpe de -0,04, com o menor drawdown máximo de -52,62%. Apesar dos elevados níveis de drawdown observados em todas as estratégias, reflexo da volatilidade histórica do setor de energia e das oscilações no preço do petróleo, o buy and hold com dividendos manteve o melhor desempenho em termos de retorno anualizado e relação risco-retorno. Esse comportamento indica que, para empresas com políticas de distribuição de dividendos mais expressivas, o reinvestimento sistemático desses proventos pode desempenhar um papel central na geração de retornos ao longo do tempo.
Síntese comparativa dos resultados
A análise conjunta dos ativos estudados revelou padrões recorrentes que sublinham a influência do horizonte temporal e do reinvestimento de dividendos no desempenho das estratégias de investimento. Em horizontes de investimento mais longos, as estratégias passivas, notadamente o buy and hold com reinvestimento de dividendos, demonstraram consistentemente um desempenho superior em termos de retorno anualizado e, na maioria dos casos, também em relação ao desempenho ajustado ao risco, corroborando a visão de que a permanência no mercado e a capitalização composta são cruciais para a acumulação de patrimônio (Graham, 2007).
Em segundo lugar, a estratégia de market timing frequentemente apresentou um drawdown inferior, indicando uma menor exposição a perdas extremas em determinados períodos, especialmente em cenários de mercado desfavoráveis ou de alta volatilidade. Contudo, essa capacidade de mitigação de risco nem sempre se traduziu em retornos superiores ao longo do tempo, e em muitos casos, os retornos ajustados ao risco do market timing foram inferiores aos das estratégias passivas, o que se alinha às dificuldades apontadas por Bodie et al. (2014) e Malkiel (2019) na previsão consistente dos movimentos de mercado.
Os resultados também destacaram que o reinvestimento de dividendos desempenha um papel fundamental na geração de retornos acumulados, particularmente em empresas com um histórico consistente de distribuição de proventos. Em praticamente todos os ativos analisados, a inclusão do reinvestimento de dividendos elevou significativamente o retorno anualizado e o Índice de Sharpe, evidenciando o poder da capitalização composta na construção de valor ao longo do tempo. Esse achado é particularmente relevante para o mercado acionário brasileiro, que, conforme Araújo et al. (2005), apresenta maior dispersão nas tendências de retorno de longo prazo.
É importante ressaltar que o desempenho observado para a estratégia de market timing dependeu diretamente dos parâmetros utilizados na definição das médias móveis, os quais foram ajustados com base no próprio conjunto de dados analisado (in-sample). Dessa forma, os resultados devem ser interpretados como evidência empírica exploratória do comportamento das estratégias dentro da amostra considerada, não constituindo uma indicação de superioridade estrutural de qualquer abordagem de investimento para previsões futuras. A análise sugere que, embora o market timing possa oferecer vantagens pontuais na redução de perdas, a disciplina e a permanência no mercado com estratégias de buy and hold, especialmente com reinvestimento de dividendos, tendem a gerar resultados mais robustos e consistentes para investidores com foco na acumulação de patrimônio no longo prazo.
4. Conclusão
Este estudo buscou comparar empiricamente as estratégias buy and hold, buy and hold com reinvestimento de dividendos e market timing no mercado acionário brasileiro, considerando diferentes horizontes temporais e setores econômicos. Verificou-se que o horizonte temporal desempenhou um papel determinante no desempenho relativo das estratégias. As abordagens passivas, especialmente o buy and hold com reinvestimento de dividendos, apresentaram resultados consistentemente superiores no longo prazo em termos de retorno anualizado e ajustado ao risco. Esse achado sublinha a relevância da capitalização composta dos proventos na formação de patrimônio. Embora a estratégia de market timing tenha demonstrado capacidade de mitigar perdas e drawdowns em cenários de maior volatilidade ou tendência negativa, essa vantagem mostrou-se pontual e não se sustentou de forma consistente em horizontes mais longos, nos quais seus retornos acumulados e o desempenho ajustado ao risco foram inferiores aos das estratégias passivas. A principal contribuição deste trabalho reside em fornecer evidências empíricas que reforçam a importância da disciplina e da permanência no mercado para investidores que visam à acumulação de patrimônio no longo prazo no contexto brasileiro.
Contudo, o estudo possui limitações inerentes ao seu desenho metodológico. A calibração dos parâmetros da estratégia de market timing foi realizada com base nos próprios dados da amostra (in-sample), o que pode ter introduzido um viés de sobreajuste e restringe a generalização dos resultados para outros períodos ou ativos. Adicionalmente, a ausência de consideração dos custos de transação pode ter superestimado o desempenho das estratégias ativas. A amostra de ativos analisados, embora representativa de diferentes setores, também limita a generalização dos achados para o mercado acionário brasileiro como um todo. Para estudos futuros, sugere-se a realização de validações out-of-sample para as estratégias de market timing, a incorporação de custos de transação e a comparação do desempenho ajustado ao risco com outras métricas, como o Índice de Sortino, mais adequadas para mercados de alta volatilidade. Recomenda-se também a ampliação da amostra de ativos e a exploração de modelos de market timing mais sofisticados.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq
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