Artigo

03 de agosto de 2026

Desafios e Oportunidades na Implementação do Sistema MES na Manufatura de Bombas de Combustível

Gabriel Tosatto Ferigato; Douglas Murilo Siqueira

DOI: 10.22167/2675-6528-202600837

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A implantação de sistemas de automação industrial tem se mostrado um desafio para organizações que buscam elevar sua maturidade digital. Nesse contexto, uma fabricante de bombas de combustível iniciou um projeto para integrar seu ambiente produtivo por meio da implementação de um Sistema de Execução da Manufatura (MES), alinhado ao ERP Protheus. O estudo objetivou descrever e analisar os principais desafios enfrentados durante a implantação do MES, bem como as estratégias adotadas para superar dificuldades técnicas, organizacionais e operacionais, buscando compreender como a integração entre sistemas industriais e corporativos impactou os processos produtivos, a governança do projeto e a cultura organizacional. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e exploratória, estruturada como um estudo de caso único. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas com dois participantes diretamente envolvidos no projeto, complementadas por análise documental e observação participante. A triangulação desses dados permitiu examinar a aderência entre os processos existentes e o modelo de automação proposto, além de identificar ajustes necessários na modelagem e parametrização do ERP. Os resultados evidenciaram que a implantação do MES dependeu não apenas de soluções tecnológicas, mas também de mudanças organizacionais, disciplina operacional e fortalecimento da cultura orientada à gestão de dados. Constatou-se que a aceitação do sistema pelos colaboradores esteve diretamente relacionada à confiabilidade das informações registradas no chão de fábrica. Concluiu-se que o sucesso do projeto exigiu equilíbrio entre customização tecnológica, revisão de processos e atuação efetiva do gerente de projetos na condução das transformações.

Palavras-chave: Cultura organizacional; Gestão de projetos; Indústria 4.0; Integração.

1. Introdução

A Indústria 4.0 tem impulsionado transformações significativas na manufatura, caracterizadas pela crescente integração entre os processos produtivos e os sistemas de informação. Essa evolução tecnológica amplia a complexidade dos projetos de digitalização nas organizações industriais, exigindo uma abordagem estratégica para a gestão da produção. Nesse cenário, a busca por maior eficiência e controle operacional leva as empresas a investir em soluções avançadas que possam otimizar suas operações e aprimorar a tomada de decisão em tempo real.

Os Sistemas de Execução da Manufatura, conhecidos pela sigla MES (Manufacturing Execution System), assumem um papel estratégico fundamental neste contexto. Eles possibilitam a coleta, o processamento e a análise de dados operacionais em tempo real, fornecendo uma visão detalhada do chão de fábrica. Essa capacidade é crucial para o monitoramento de indicadores de desempenho, como o Overall Equipment Effectiveness (OEE), e para o aumento da rastreabilidade dos processos produtivos, elementos essenciais para a competitividade e a sustentabilidade das empresas no mercado atual.

Contudo, a adoção de tecnologias como o MES não se restringe a uma mera iniciativa tecnológica. Ela representa um processo organizacional complexo, que demanda mudanças estruturais, revisão de processos e um alinhamento cuidadoso entre os diversos stakeholders envolvidos. Conforme argumentado por Davenport (1993), a tecnologia atua como um habilitador da reengenharia de processos, exigindo que os projetos sejam conduzidos de forma integrada, considerando não apenas os requisitos técnicos, mas também os impactos organizacionais, culturais e humanos associados à sua implementação.

Em um ambiente de crescente competitividade e complexidade dos sistemas produtivos, torna-se imperativo que as organizações revisem continuamente seus processos de gestão para ampliar o controle operacional e a produtividade (Escobar et al., 2015). O estabelecimento, a padronização e o monitoramento de processos são fatores críticos de sucesso em projetos de implantação de sistemas industriais, contribuindo para a melhoria contínua e a redução de falhas operacionais (Ramos; Bitencourt, 2017). A utilização de sistemas de informação e indicadores de desempenho, quando alinhados à realidade organizacional, é essencial para apoiar o controle da produção e a tomada de decisão ao longo do ciclo de vida do projeto (Vargas; Sellitto, 2016).

Quando integrado a um sistema de gestão empresarial, como o Enterprise Resource Planning (ERP), o MES contribui significativamente para a redução de lacunas informacionais entre as áreas da organização, promovendo maior integração entre processos corporativos e operações industriais. Essa integração, no entanto, é um dos principais desafios dos projetos de implantação, pois exige coordenação entre stakeholders com diferentes interesses, expectativas e níveis de maturidade em gestão de dados (Neves, 2011; Matsubara, 2014). Do ponto de vista da gestão de projetos, tal integração requer planejamento adequado, definição clara de escopo, gestão de riscos e comunicação eficaz entre as partes envolvidas.

Apesar dos benefícios associados, a implantação do MES apresenta desafios relevantes. Muitos sistemas disponíveis no mercado são desenvolvidos para atender a contextos produtivos específicos, o que pode limitar sua aderência a determinados ambientes organizacionais (Shendryk; Boiko, 2015). Além disso, dificuldades relacionadas à integração com sistemas existentes, à confiabilidade das informações e ao alinhamento entre fornecedores, clientes e áreas internas da empresa podem comprometer o desempenho do projeto (Witsch; Vogel-Heuser, 2011; Yang et al., 2016; Silva, 2016). No contexto brasileiro, destaca-se ainda o desafio relacionado ao retorno sobre o investimento, frequentemente influenciado por implantações realizadas de forma modular ou parcial, nas quais nem todas as funcionalidades do sistema são plenamente utilizadas (Giunchetti, 2014; Naedele; Kazman; Cai, 2014).

Esses fatores reforçam a importância de uma abordagem estruturada de gestão de projetos, orientada ao engajamento dos stakeholders, à gestão da mudança organizacional e à consolidação de uma cultura orientada a dados. Considerando, portanto, a complexidade e os desafios inerentes à implantação de sistemas MES em ambientes industriais, este estudo se justifica pela necessidade de compreender e mitigar as dificuldades que podem comprometer o sucesso desses projetos. Assim, o objetivo deste estudo é descrever e analisar os principais desafios enfrentados durante a implantação do MES em uma empresa fabricante de bombas de combustível, bem como as estratégias adotadas para superar dificuldades técnicas, organizacionais e operacionais, buscando compreender como a integração entre sistemas industriais e corporativos impacta os processos produtivos, a governança do projeto e a cultura organizacional.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se pela natureza qualitativa, descritiva e exploratória. A abordagem qualitativa foi adotada para permitir a compreensão aprofundada dos fenômenos associados à implantação de um sistema MES em um contexto organizacional específico, considerando as percepções, práticas e interações entre os atores envolvidos. Pesquisas descritivas, conforme Gil (2002), visam apresentar as características de determinada população ou fenômeno, enquanto o caráter exploratório se justificou pela necessidade de ampliar o entendimento sobre um problema ainda pouco estruturado, especialmente na integração entre sistemas industriais e áreas organizacionais distintas (Creswell, 2014).

Como estratégia metodológica, utilizou-se o estudo de caso único, conforme recomendado por Yin (2015) para investigações que envolvem questões do tipo “como” e “por que”, com foco em fenômenos contemporâneos inseridos em seu contexto real. Essa escolha permitiu examinar em profundidade os desafios e as condições associadas à implantação de um sistema MES em ambiente industrial, sob a perspectiva da gestão de projetos. A unidade de análise consistiu no processo de implementação do MES em uma empresa fabricante de bombas de combustível.

A pesquisa foi desenvolvida por meio da triangulação de dados, combinando diferentes fontes de evidência para ampliar a consistência analítica do estudo. As fontes de dados primários e secundários incluíram revisão bibliográfica, análise documental, entrevistas semiestruturadas e observação participante. A revisão bibliográfica teve como objetivo fundamentar teoricamente os conceitos relacionados à gestão de projetos, à implantação de sistemas MES, à integração entre sistemas industriais e corporativos, e à abordagem metodológica adotada.

A análise documental concentrou-se em registros internos da empresa, incluindo o documento PM0280 e outros documentos de mapeamento do processo. Esses materiais foram utilizados para compreender o contexto do projeto de implantação do MES e para complementar as evidências empíricas obtidas por meio das entrevistas. A observação participante foi realizada para contextualizar as dinâmicas operacionais e as interações no ambiente de trabalho durante o período do estudo.

A coleta de dados primários foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, conduzidas com dois participantes diretamente envolvidos no projeto de implantação do MES. Os participantes foram um Gerente de TI, responsável por liderar a implantação, e um Especialista em Sistema MES, responsável pela empresa de implantação. As entrevistas tiveram duração média de 40 minutos cada e foram realizadas entre 06/01/2026 e 19/01/2026. A escolha da entrevista semiestruturada possibilitou maior flexibilidade na condução da coleta, permitindo aprofundar aspectos relevantes identificados ao longo da interação com os participantes.

Para garantir a sistematização e a confiabilidade do processo investigativo, o estudo seguiu um protocolo de pesquisa, conforme as diretrizes para estudos de caso (Yin, 2015). Esse protocolo orientou a condução das entrevistas e a organização das informações coletadas, assegurando que os procedimentos fossem executados de maneira consistente e alinhada aos objetivos do estudo. Não foram identificadas dificuldades relevantes relacionadas à infraestrutura tecnológica existente que impactassem a implantação do sistema MES.

Os dados coletados foram examinados por meio da técnica de análise de conteúdo, com o auxílio do software livre QualCoder. O processo analítico foi estruturado a partir de categorias previamente definidas, as quais incluíram dimensões como Projeto, Escopo e outros aspectos relacionados à implantação do sistema MES. A utilização dessas categorias permitiu organizar os dados empíricos de forma sistemática e direcionar a interpretação dos significados presentes nos relatos dos participantes e nos documentos analisados.

A análise buscou identificar padrões, convergências e divergências entre as diferentes fontes de evidência, de modo a fortalecer a compreensão do fenômeno estudado. Dessa forma, a combinação da análise documental, das entrevistas e da observação participante contribuiu para a robustez interpretativa dos achados da pesquisa, permitindo uma visão abrangente dos desafios e estratégias na implantação do MES. Os procedimentos metodológicos foram delineados para responder ao objetivo de descrever e analisar os desafios e as estratégias adotadas na implantação do MES, bem como o impacto da integração entre sistemas industriais e corporativos.

3. Resultados e Discussão

A investigação inicial permitiu identificar que o modelo de produção da empresa, antes da implantação do Sistema de Execução da Manufatura (MES), operava com uma coleta de dados predominantemente manual, utilizando fichas físicas e planilhas. Esse cenário comprometia severamente a qualidade da informação e a confiabilidade dos indicadores operacionais, o que, por sua vez, impactava negativamente a tomada de decisão e a gestão do desempenho. A ausência de um sistema integrado dificultava a obtenção de uma visão precisa e em tempo real dos processos produtivos, limitando a capacidade da organização de responder rapidamente às demandas e otimizar suas operações.

A proposta de implantação do sistema MES foi analisada como uma alternativa estratégica para viabilizar o controle remoto da produção, ampliar a rastreabilidade dos produtos e componentes, e facilitar a geração de relatórios de desempenho, incluindo indicadores como o Overall Equipment Effectiveness (OEE) e outros Key Performance Indicators (KPIs). Contudo, o estudo evidenciou que os desafios inerentes a essa implantação não se restringiam apenas à dimensão tecnológica, mas abrangiam também questões complexas de integração sistêmica, governança de projetos, qualificação dos stakeholders e padronização dos processos operacionais, conforme observado por Neves (2011) e Matsubara (2014) sobre a complexidade da integração entre sistemas.

Um dos problemas críticos identificados estava relacionado à rastreabilidade de componentes, especialmente em situações de substituição de itens em garantia realizada em campo. A falta de um vínculo confiável entre o componente substituído e a bomba correspondente elevava o risco de fraudes e poderia gerar prejuízos financeiros significativos para a organização. Sob a perspectiva da gestão de projetos, esse achado revelou fragilidades nas dimensões de controle, qualidade, riscos e integração, sublinhando a necessidade de um sistema robusto para gerenciar essas informações.

Para abordar a questão da rastreabilidade, a solução implementada envolveu a integração do consumo de componentes entre o ERP Protheus e o MES, realizada por meio de uma tela específica de consumo. Essa funcionalidade permitiu que o MES apresentasse os componentes corretos em cada estação da linha de produção, efetuando o consumo e a integração diretamente no ERP em tempo real. Os benefícios estratégicos percebidos incluíram um maior controle do histórico do produto e a redução do risco de fraudes e inconsistências, enquanto os benefícios operacionais se manifestaram na facilidade de consulta dos componentes utilizados e em um melhor vínculo entre o componente consumido e o produto montado.

A integração entre o MES e o ERP Protheus representou outro ponto de atenção. Embora o ERP tivesse passado por melhorias, o MES não havia sido ajustado no mesmo ritmo, o que gerava processos manuais e o risco de quebra de integridade entre os sistemas. A solução adotada foi o uso da integração nativa entre MES e ERP, com ajustes funcionais, workshops de processos e estabilização da comunicação entre as plataformas. Essa abordagem visou maior integração entre processos corporativos e operacionais, reduzindo lacunas informacionais e diminuindo progressivamente o retrabalho decorrente de falhas de integração, estabilizando o fluxo de dados.

A gestão do desempenho da produção, particularmente o indicador OEE, também apresentava desafios. Embora o OEE na montagem girasse em torno de noventa por cento, sua confiabilidade era questionável devido à coleta manual de dados e à falta de tempos padronizados entre os postos de trabalho e os produtos. A solução proposta incluiu a publicação online do OEE no MES, a geração de alarmes de parada e a adoção de tempos médios padronizados por posto e por tipo de produto. Estrategicamente, isso apoiou o balanceamento de carga, a programação da montagem e as iniciativas de melhoria contínua, oferecendo maior visibilidade das paradas e do desempenho produtivo, embora a consolidação plena do indicador ainda dependesse da padronização dos tempos.

O registro eletrônico da qualidade e dos testes era, anteriormente, baseado em papel, o que dificultava a auditoria, a padronização e a rastreabilidade das verificações realizadas. A implantação de uma tela de inspeção no módulo de qualidade do TOTVS MES, com checklists digitais, apontamentos eletrônicos e registro de substituição de componentes rastreáveis, digitalizou o processo de qualidade. Essa medida ampliou a rastreabilidade dos testes e inspeções, resultando em checklists e inspeções realizados diretamente no sistema, com maior consistência e disponibilidade dos registros.

A eliminação do uso de papel foi um benefício significativo. A operação utilizava formulários impressos e instruções físicas na fabricação, o que aumentava o volume de papel e a possibilidade de divergências. A implantação de um módulo configurador, que disponibilizava eletronicamente as especificações de cada produto, substituiu integralmente o papel na área de fabricação. Esse avanço na transformação digital e a padronização do acesso às especificações de montagem resultaram em uma redução significativa do volume de papel circulando na fábrica e na eliminação de formulários impressos em etapas críticas.

A acuracidade dos dados e a tomada de decisão eram limitadas pela falta de confiabilidade dos dados operacionais. O registro das informações diretamente no MES e a consolidação do uso do sistema como fonte principal dos dados operacionais melhoraram a gestão baseada em dados e ampliaram a capacidade de análise gerencial. Consequentemente, houve um aumento da acuracidade das informações e uma qualificação do processo decisório após os primeiros meses de operação, conforme destacado por Vargas e Sellitto (2016) sobre o apoio do MES à tomada de decisão.

Em relação ao cronograma, aos stakeholders e à mudança organizacional, a disponibilidade limitada das equipes, que conciliavam as atividades do projeto com suas rotinas operacionais, impactou o andamento de etapas críticas como testes, validações e ajustes. A necessidade de adequar funcionalidades do sistema às particularidades do processo produtivo exigiu revisões de escopo e maior controle sobre customizações. A integração entre MES e ERP demandou alinhamento contínuo entre regras de negócio, cadastros e fluxos operacionais, enquanto a consolidação das entregas dependeu do envolvimento das áreas usuárias, da comunicação entre os stakeholders e da adaptação dos colaboradores a uma nova lógica de trabalho orientada por dados.

O replanejamento das etapas críticas, um maior controle sobre customizações, a comunicação eficaz entre stakeholders e ações de capacitação foram essenciais para sustentar a nova lógica de trabalho orientada por dados. Essa abordagem permitiu tratar a implantação do MES como um projeto estratégico, com maior integração, governança e gestão da mudança organizacional. Os resultados incluíram a redução de retrabalhos, um menor volume de atividades manuais e uma percepção positiva da alta direção a partir do terceiro mês de operação, corroborando a visão de Davenport (1993) sobre a tecnologia como habilitadora de reengenharia de processos.

Os benefícios decorrentes da implantação do sistema MES passaram a ser percebidos de forma mais consistente a partir do terceiro mês de operação, evidenciando a entrada do projeto em uma fase de geração concreta de valor para a organização. Observou-se uma redução expressiva dos retrabalhos na fábrica, resultado diretamente associado à automação de processos que, anteriormente, dependiam de registros manuais e de controles paralelos. Essa diminuição de atividades manuais e a eliminação de etapas repetitivas executadas fora dos sistemas oficiais demonstraram um avanço relevante na padronização dos processos e na consolidação das entregas do projeto, contribuindo para maior eficiência operacional.

Outro ganho importante foi a diminuição do volume de papel circulando na fábrica, uma vez que grande parte das informações passou a ser registrada, consultada e tratada diretamente no sistema MES. Esse achado reforça o alcance de benefícios relacionados à digitalização dos processos, à melhoria do fluxo informacional e à redução de práticas operacionais obsoletas. Além disso, os dados passaram a ser disponibilizados com maior acuracidade, proporcionando uma visão mais confiável da operação e qualificando o processo de tomada de decisão nas áreas de Produção, PCP e Engenharia.

A aceitação do sistema pelos colaboradores foi considerada muito positiva, impulsionada principalmente pela percepção de que o sistema contribuiria para reduzir esforços manuais, diminuir erros e melhorar a organização do trabalho. O gerente de TI destacou que o projeto contou com patrocínio direto da alta direção, caracterizando uma implantação conduzida de maneira top-down, o que garantiu alinhamento estratégico e clareza na comunicação interna desde o início do processo, conforme a literatura sobre gestão de projetos e engajamento de stakeholders.

A estabilização do uso do MES exigiu um conjunto de ajustes comportamentais e rotinas operacionais, incluindo a disciplina de apontamento “no momento do evento”, com registro de produção, paradas e refugo em tempo real, eliminando preenchimentos retroativos. O abandono de controles paralelos em papel, substituindo formulários impressos por transações oficiais no MES, estabeleceu uma política de “um único repositório de verdade” para dados do chão de fábrica. Essas mudanças foram cruciais para a confiabilidade e a integridade das informações.

Adicionalmente, foram implementadas rotinas de tratamento de exceções e pendências, com verificação diária da fila de integração e registro da causa raiz de cada falha para prevenir recorrências. A padronização de tempos e critérios para o OEE, com revisão e congelamento periódico dos tempos padrão por posto/célula e treinamento sobre classificação correta de paradas e refugo, garantiu um OEE fidedigno. A formação de “super usuários” e capacitações práticas no posto de trabalho para operações críticas, exceções e checklists também foram estratégias essenciais para a adoção e estabilização do sistema.

O fluxo de comunicação entre as áreas de TI, Operações, PCP e Engenharia foi estruturado de forma regular e transparente, envolvendo todos os stakeholders e patrocinadores do projeto. Os comunicados eram enviados mensalmente por e-mail, contendo informações sobre marcos atingidos, gaps identificados e status das tratativas, problemas e riscos observados, e a indicação objetiva do status do projeto em relação ao cronograma. Essa rotina de comunicação garantiu alinhamento entre todas as áreas envolvidas, permitiu rápida identificação de desvios e apoiou a tomada de decisão por parte das lideranças e patrocinadores do projeto.

Apesar de a integração entre o MES e o ERP Protheus ter sido avaliada como pouco complexa inicialmente, devido a mecanismos nativos, a complexidade real aumentou com o desenho dos processos e as interdependências entre reporte de produção, baixas de ordem e integrações de consumo. Foram identificados gaps no produto padrão do sistema MES, que exigiram customizações e personalizações para adequar o sistema às particularidades operacionais da empresa. Essas adaptações foram implementadas durante a implantação para garantir a continuidade operacional e mitigar falhas potenciais.

Em síntese, a implantação do sistema MES na fabricante de bombas de combustível revelou que o sucesso de projetos de digitalização transcende a mera adoção tecnológica, exigindo um equilíbrio delicado entre customização tecnológica, revisão e padronização de processos, e uma atuação efetiva da gestão de projetos na condução das transformações organizacionais. Os achados demonstram que a confiabilidade dos dados, a rastreabilidade de componentes e a gestão do desempenho produtivo foram significativamente aprimoradas, consolidando uma cultura orientada à gestão de dados e à melhoria contínua das operações.

4. Conclusão

Este estudo objetivou descrever e analisar os desafios e as estratégias adotadas durante a implantação de um Sistema de Execução da Manufatura (MES) em uma fabricante de bombas de combustível, buscando compreender o impacto da integração entre sistemas industriais e corporativos nos processos produtivos, na governança do projeto e na cultura organizacional. Verificou-se que a implementação do MES transcendeu a dimensão meramente tecnológica, exigindo a superação de complexidades relacionadas à integração sistêmica com o ERP Protheus, à qualificação dos stakeholders e à padronização dos processos operacionais. Identificou-se que a coleta manual de dados comprometia a confiabilidade dos indicadores e a rastreabilidade de componentes, como em substituições em garantia, elevando o risco de inconsistências e fraudes. As estratégias adotadas incluíram a integração em tempo real do consumo de componentes entre MES e ERP, a digitalização de registros de qualidade e testes por meio de checklists eletrônicos, e a substituição de formulários impressos por um módulo configurador que disponibilizava eletronicamente as especificações de produto. Tais ações resultaram em maior controle do histórico do produto, redução de retrabalhos e eliminação do uso de papel na fábrica.

Os resultados evidenciaram que a acuracidade dos dados operacionais foi significativamente aprimorada, qualificando a tomada de decisão nas áreas de Produção, PCP e Engenharia. A aceitação do sistema pelos colaboradores foi positiva, impulsionada pela percepção de redução de esforços manuais e erros. A principal contribuição do estudo reside em demonstrar que o sucesso da implantação do MES dependeu de um equilíbrio entre customização tecnológica, revisão de processos e uma gestão de projetos eficaz na condução das transformações organizacionais, consolidando uma cultura orientada à gestão de dados. Como limitações, observou-se que a disponibilidade limitada das equipes, que conciliavam as atividades do projeto com suas rotinas diárias, impactou o cronograma, exigindo replanejamento e maior controle sobre as customizações. Adicionalmente, o atraso no fornecimento de equipamentos essenciais para o MES, devido ao contexto da pandemia, estendeu o prazo de entrega e impactou o planejamento. Conclui-se que a implantação bem-sucedida do MES exige maturidade organizacional, disciplina operacional e comprometimento institucional com a transformação proposta, com o gerente de projetos desempenhando um papel central na coordenação das entregas e na gestão da mudança.

Referências Bibliográficas

Creswell, J. W. 2014. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 4. ed. Thousand Oaks: Sage Publications.

Davenport, T. H. 1993. Process innovation: reengineering work through information technology. Boston: Harvard Business School Press.

Escobar, J. A. T.; Carvalho, M. do S., Faria B. S. de; Freires, F. G. .M. 2015. O uso de tecnologias para o processo de preparação de pedidos: implicações e proposições. Revista Produção Online, [s.l.], v. 15, n. 1, p. 188-212..

Gil, A. C. 2002. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas..

Giunchetti, F. F. 2014. Coordenação de projetos para implementação de sistemas MES. 2014. 71 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) Universidade Federal de Itajubá, Itajubá.

Matsubara, R. Y. 2014. Redução de custos através do manufacturing execution system (MES) e sua integração com o enterprise resource planning (ERP). 2014. 146 f. Dissertação (Mestrado em Administração) Universidade de São Paulo, São Paulo.

Naedele, M.; Kazman, R.; Cai, Y. 2014. Making the case for a “Manufacturing Execution System” for software development. Communications of the ACM, [s.l.], v. 57, n. 12, p. 33-36,

Neves, J. M. S. 2011. Contribuições da implantação da tecnologia de informação MES para a melhoria das dimensões competitivas da manufatura: estudo de caso Novelis Brasil Ltda. 2011. 189 f. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá.

Ramos, C. M.; Bitencourt, B. M. 2017. Em busca da melhoria contínua: alto desempenho organizacional através da gestão por processos. Revista Qualidade Emergente, [s.l.], v. 7, n. 1, p. 1-33, 2017.

Shendryk, V.; Boiko, A. 2015. Stages of information system development in the process approach. Procedia Computer Science, [s.l.], v. 77, p. 98-103.

Silva, G. E. 2016 A relevância da implantação de sistemas nas micro e pequenas empresas para a gestão e a tomada de decisões. 2016. Monografia (Especialização) Universidade Federal do Pampa, [s.l.].

Vargas, E. J. de; Sellitto, M. A. 2016. Contribuição do manufacturing execution system na execução de prioridades competitivas em empresas de manufatura. Revista Produção Online, [s.l.], v. 16, n. 3, p. 875-894.

Witsch, M.; Vogel-Heuser, B. 2011. Formal MES modeling framework – integration of different views. IFAC Proceedings Volumes, [s.l.], v. 44, n. 1, p. 14109-14114.

Yin, R. K. 2015. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade