28 de julho de 2026
Da expansão à gestão de entregas na Infraestrutura Civil do e-commerce com o Jira
Diogo Machado Homem; Erich Ferreira Caputo
DOI: 10.22167/2675-6528-202600733
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A complexidade da gestão de projetos de construção civil em ambientes organizacionais, caracterizada pela necessidade de coordenação entre diferentes áreas e pela intensificação do fluxo de informações, evidenciou a importância da adoção de ferramentas que contribuíssem para a organização e o acompanhamento das atividades. Este estudo analisou a implementação da ferramenta de gestão de projetos Jira na área de Infraestrutura de uma empresa do setor de e-commerce, com o objetivo de verificar seus impactos sobre o controle de prazos, a gestão das comunicações e a coordenação das entregas. A pesquisa adotou uma abordagem aplicada, exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de um estudo de caso em uma organização do setor logístico. Foram analisados documentos internos, indicadores operacionais e registros de atividades de 20 projetos, comparando cenários antes e após a adoção do Jira. Os resultados indicaram que a utilização da ferramenta, aliada a práticas estruturadas de planejamento e controle, favoreceu a organização das atividades, ampliou a visibilidade sobre o andamento dos projetos e contribuiu para a rastreabilidade das informações e o acompanhamento mais sistemático das entregas. Observou-se uma significativa redução nos prazos de execução da fase de obras, embora as fases de arquitetura e orçamentos tenham apresentado aumento de duração devido ao maior detalhamento dos projetos executivos. Concluiu-se que a integração de ferramentas digitais de gestão com planejamento estruturado fortaleceu a gestão de projetos no contexto analisado, atuando o Jira como suporte para práticas de gestão aprimoradas.
Palavras-chave: Empreendimentos logísticos; Infraestrutura Civil; Jira; Planejamento e controle; Retrofit.
1. Introdução
A indústria da construção civil tem demonstrado um crescimento notável no cenário econômico brasileiro, posicionando-se como o terceiro setor de maior expansão no Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 (CBIC, 2025). Este dinamismo reflete a crescente demanda por infraestrutura, especialmente no contexto da Indústria 5.0, que enfatiza a integração avançada entre tecnologia e capital humano para otimizar processos e resultados (Mota Junior, 2025). Dentro deste panorama, a construção de galpões logísticos emerge como um segmento de destaque, impulsionado diretamente pela rápida evolução e consolidação do e-commerce, que tem revolucionado o mercado de consumo global e nacional (Amorim e Barbosa, 2022).
O avanço das operações de grandes empresas logísticas gera uma necessidade contínua por novas edificações e, principalmente, por projetos de retrofit para adaptar estruturas existentes às especificidades operacionais de cada companhia. Para atender a essas demandas complexas e em constante evolução, muitas organizações têm estabelecido áreas técnicas dedicadas à Infraestrutura Civil. Essas áreas são responsáveis pelo gerenciamento de projetos e obras, desde a abertura de novas operações logísticas até a manutenção subsequente, garantindo o alinhamento da base física com os requisitos operacionais, de segurança, sustentabilidade e crescimento da empresa.
A gestão de projetos dentro da área de Infraestrutura é, portanto, de suma importância para assegurar que as expectativas da companhia e as metas de expansão sejam atendidas conforme os cronogramas estabelecidos com os diversos stakeholders internos (Mota, 2023). No entanto, a complexidade inerente a esses empreendimentos, caracterizada pela necessidade de coordenação entre múltiplas áreas e pela intensificação do fluxo de informações, frequentemente resulta em desafios operacionais. A ausência de ferramentas adequadas para organizar processos e monitorar atividades pode comprometer a eficiência e a previsibilidade das entregas.
Nesse cenário de expansão acelerada, a priorização das entregas em detrimento da estruturação estratégica dos processos internos da equipe de Infraestrutura tem gerado desafios significativos. Observa-se a dificuldade no controle de cronogramas, na gestão eficaz das comunicações e na coordenação entre as equipes técnicas envolvidas. Esta lacuna prática ressalta a relevância de investigar como a adoção de ferramentas de gestão pode contribuir para a organização dos processos, a mitigação de falhas operacionais e o aumento da eficiência na condução de projetos de infraestrutura civil.
Para endereçar essas problemáticas, a empresa em questão criou, há menos de um ano, um time de Planejamento e Controle. Esta equipe tem como missão auxiliar no monitoramento de Key Performance Indicators (KPIs), na gestão de cronogramas, no acompanhamento do fluxo dos projetos e na mediação das comunicações entre as equipes, visando maior visibilidade do status dos fluxos internos e a minimização de atrasos e riscos operacionais. Complementarmente, no segundo semestre de 2025, a organização implementou o software Jira, da Atlassian, como ferramenta de apoio à gestão de projetos.
O Jira é uma ferramenta de gerenciamento de projetos cujo framework é concebido com base em metodologias ágeis, como Scrum e Kanban (Macieira, 2018). Sua implementação visa centralizar todos os processos em uma única plataforma, otimizando a gestão do ciclo de vida do projeto. Além disso, a ferramenta permite a integração com outros sistemas e a personalização de fluxos de trabalho, proporcionando maior clareza no acompanhamento das entregas. A adoção do Jira, portanto, representa uma iniciativa estratégica para fortalecer a governança operacional e a gestão de cronogramas nos empreendimentos logísticos.
Diante da problemática identificada na área de Infraestrutura, marcada pela complexidade dos projetos e pela necessidade de otimizar a coordenação e o controle, e da recente implementação do Jira como ferramenta de apoio, torna-se relevante compreender os impactos dessa iniciativa sobre os fluxos de entrega, o controle de cronogramas e a gestão das comunicações. Este estudo justifica-se pela necessidade de fornecer subsídios para o aprimoramento das práticas de planejamento, comunicação e controle na área, buscando analisar comparativamente projetos de infraestrutura civil desenvolvidos antes e após a implementação do Jira, a fim de verificar seus impactos sobre o controle de prazos, a gestão das comunicações e a coordenação das entregas no setor de e-commerce.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de um estudo de caso em uma organização do setor logístico. A abordagem metodológica adotada visou investigar de forma aprofundada a implementação e o impacto de uma ferramenta de gestão inserida em seu contexto real de aplicação, na área de Infraestrutura de uma empresa do setor de e-commerce (Robert, 2001). O objetivo geral consistiu em analisar comparativamente projetos de infraestrutura civil desenvolvidos antes e após a implementação do software Jira, a fim de verificar seus impactos sobre o controle de prazos, a gestão das comunicações e a coordenação das entregas.
A unidade de análise foi a área de Infraestrutura de uma empresa multinacional do setor de e-commerce, com sede na cidade de São Paulo, cuja malha logística atende todo o território nacional brasileiro. Esta área é composta por times de arquitetura, elétrica, obras e planejamento e controle, sendo que o time de orçamentos está atualmente vinculado a outra estrutura. O escopo de atividades da área abrange o desenvolvimento de projetos arquitetônicos e elétricos, a execução e o gerenciamento das respectivas obras, e o planejamento e controle de todo o cronograma que engloba esse processo, para a posterior entrega das estruturas das novas operações logísticas.
Para a pesquisa, selecionaram-se vinte projetos de infraestrutura civil. Desses, dez projetos foram desenvolvidos antes da implementação do Jira, e os outros dez foram acompanhados após a adoção da plataforma. Os projetos do cenário pré-Jira ocorreram entre os anos de 2024 e 2025. Para o cenário pós-Jira, foram analisados projetos já concluídos após a implementação da ferramenta, que se deu no início do segundo semestre de 2025.
No cenário pré-Jira, os dados foram coletados a partir das planilhas de controle que os times de arquitetura, elétrica, obras e orçamentos utilizavam para a gestão de suas entregas. Cada time mantinha sua própria planilha, onde se registravam os andamentos dos projetos por meio do preenchimento das datas correspondentes a cada atividade, além de comentários e informações gerais que contextualizavam desvios de prazos, alterações e alinhamentos com stakeholders internos.
Adicionalmente, para o cenário pré-Jira, informações foram extraídas de “threads” de e-mail, que documentavam discussões e alinhamentos, especialmente aqueles envolvendo áreas pares. E-mails referentes à liberação de fornecedores, envio de projetos para cotação e equalização de propostas, e apresentação de layouts para a companhia foram consultados. E-mails com o time comercial também serviram para validar escopos de projetos Built to Suit (BTS) contemplados nos contratos de locação dos imóveis.
Para o cenário pós-Jira, a principal fonte de dados foi o software Jira, da Atlassian, implementado como ferramenta de apoio à gestão de projetos. Aproximadamente 70% dos dados foram coletados diretamente dos “cards” referentes aos projetos dentro do Jira. A ferramenta, baseada em metodologias ágeis como Scrum e Kanban (Macieira, 2018), centralizou os processos e otimizou a gestão do ciclo de vida do projeto.
Outra fonte de coleta de dados para o cenário pós-Jira foi a planilha gerada pelos “connectors” do Jira. Essa planilha, que extrai todas as informações dos campos presentes nos “cards” da plataforma, facilitou a consulta de informações específicas e a elaboração de controles externos. Dados não encontrados no Jira foram complementados por “threads” de e-mail e planilhas de controle dos times referentes ao ano de 2025.
Os procedimentos de coleta envolveram a validação de datas de início e término de processos com os analistas responsáveis, especialmente para projetos como os galpões 1, 6, 8 e 19, cujas informações não foram encontradas em todos os controles consultados. Após a coleta, os dados foram tratados e inseridos em planilhas específicas para cada cenário, permitindo o cálculo da duração total dos processos de arquitetura e elétrica, orçamentos e obras.
A técnica de análise dos dados baseou-se na interpretação de dados operacionais, como os Service Level Agreements (SLAs), que definem os prazos das áreas envolvidas. Compararam-se os SLAs efetivos de execução das entregas entre os dois cenários para compreender os reflexos do uso do Jira na gestão das comunicações e no controle dos cronogramas dos projetos. Os indicadores de performance (KPIs) estabelecidos para análise incluíram a duração de cada etapa, a ocorrência de adicionais em obra, a data de assinatura do contrato de locação e a caracterização do imóvel como Built to Suit (BTS).
A análise comparativa também considerou a aplicação dos Métodos Ágeis de Gerenciamento de Projetos, associada ao uso do Jira, para verificar sua influência nas entregas da área (Andrade e Ramos, 2022). A metodologia adotada visou, portanto, permitir uma análise comparativa robusta dos processos e indicadores da área de Infraestrutura antes e após a implementação do Jira, estruturando uma base consistente para a verificação dos impactos sobre o controle de prazos, a gestão das comunicações e a coordenação das entregas.
3. Resultados e Discussão
A presente seção apresenta os resultados obtidos na análise comparativa dos projetos de infraestrutura civil, desenvolvidos antes e após a implementação da ferramenta Jira, na área de Infraestrutura de uma empresa do setor de e-commerce. A discussão dos achados busca verificar os impactos da ferramenta sobre o controle de prazos, a gestão das comunicações e a coordenação das entregas, conforme o objetivo geral do estudo. Os dados foram coletados e analisados a partir de 20 projetos, sendo 10 do cenário pré-Jira (2024-2025) e 10 do cenário pós-Jira (2025), permitindo uma avaliação detalhada das mudanças nos fluxos de trabalho e nos indicadores de desempenho.
A análise inicial dos dados revelou que, embora o período total de duração dos projetos tenha apresentado uma variação relativamente pequena entre os dois cenários, com 2489 dias no cenário pré-Jira e 2447 dias no cenário pós-Jira, uma diferença de apenas 42 dias, houve alterações mais expressivas em etapas específicas do processo. Essa constatação sugere que a complexidade das execuções e o aumento de tarefas e etapas no fluxo dos times de projetos foram compensados por melhorias em outras fases, indicando uma reestruturação interna dos processos que merece ser detalhada. A ferramenta Jira, nesse contexto, atuou como um catalisador para a maior rastreabilidade das atividades e visibilidade dos marcos intermediários, elementos cruciais para o controle de cronogramas em projetos de infraestrutura (Teixeira, 2025).
Cenário Pré-Implantação Jira
No cenário anterior à implementação do Jira, a coleta de dados para os 10 projetos analisados foi realizada a partir de planilhas de controle individuais, utilizadas por cada time (arquitetura, elétrica, obras e orçamentos), e por meio de “threads” de e-mail. Essas planilhas registravam as datas de início e fim das atividades, além de comentários sobre desvios de prazos e alinhamentos. A ausência de uma ferramenta centralizada resultava em informações dispersas e na necessidade de validação manual de dados, como as datas de assinatura de contrato ou gatilhos para início de arquitetura, que frequentemente exigiam consulta aos analistas responsáveis.
A gestão dos projetos nesse período era caracterizada por um fluxo de entrega dos projetos de arquitetura e elétrica mais dinâmico e simplificado, com uma média de 43,4 dias para a etapa de arquitetura e elétrica. Contudo, essa agilidade inicial não se traduzia em eficiência global, pois a maior parte dos projetos (70%) não contava com um projeto executivo de arquitetura completo. Essa lacuna resultava em uma maior incidência de “adicionais” na etapa de obras, com quatro dos dez projetos apresentando tais ocorrências (Galpões 01, 03, 07 e 09), o que impactava negativamente o cronograma e a previsibilidade das entregas. A duração total da fase de obras neste cenário foi de 929 dias.
Fatores externos, como a necessidade de solicitação de adicionais em obra e a data de assinatura do contrato do imóvel, impactavam significativamente o andamento dos projetos. Os adicionais, geralmente identificados durante a fase de obras, demandavam análises adicionais, cotações e liberações, sendo frequentemente resultado de pontos não detectados na análise inicial ou de divergências contratuais. A assinatura do contrato, por sua vez, era um ponto crítico, pois atrasos nessa etapa impediam o início formal das intervenções de infraestrutura, amarradas a questões contratuais de posse e aprovação de projetos de retrofit.
Cenário Pós-Implantação Jira
Após a implementação do Jira, a coleta de dados para os 10 projetos analisados tornou-se mais assertiva, com aproximadamente 70% das informações sendo extraídas diretamente dos “cards” da ferramenta. Os dados restantes foram complementados por “threads” de e-mail e planilhas de controle, similar ao cenário anterior, mas com menor frequência de informações faltantes. A plataforma, com seus “connectors”, facilitou a consulta e a elaboração de “dashes” de informação, centralizando os processos e otimizando a gestão do ciclo de vida do projeto (Macieira, 2018).
A adoção do Jira, aliada à criação do time de Planejamento e Controle no primeiro trimestre de 2025, contribuiu para uma maior uniformidade nos prazos de execução. A média geral para a etapa de arquitetura e elétrica aumentou para 66,5 dias, um acréscimo de 23,1 dias em relação ao cenário pré-Jira, totalizando um aumento de 231 dias no fluxo de entrega dos projetos de arquitetura e elétrica. Esse aumento reflete a incorporação de projetos executivos mais detalhados no fluxo de trabalho, deslocando parte do esforço para as etapas iniciais do ciclo do projeto e promovendo uma estruturação prévia das informações que agrega valor às entregas (PMBOK, 2021).
No que tange à fase de orçamentos, observou-se um aumento total de 167 dias no cenário pós-Jira. Essa elevação é atribuída à revisão dos processos internos da área, que passou a cotar projetos com escopos mais amplos e detalhados. A maior complexidade das entregas e a necessidade de maior atenção na análise e equalização das propostas dos fornecedores, bem como um número potencialmente maior de revisões, impactaram diretamente o prazo dessa etapa. Contudo, essa abordagem mais minuciosa visa aprimorar a precisão e a qualidade das contratações futuras.
Em contrapartida, a fase de obras registrou uma redução significativa de mais de 40% no seu Service Level Agreement (SLA), passando de um total de 929 dias no cenário pré-Jira para 546 dias no cenário pós-Jira, uma diferença de 383 dias. Essa diminuição nos prazos de execução das obras é um reflexo direto do investimento em planejamento e da definição técnica prévia, que resultaram em maior fluidez, assertividade e previsibilidade na etapa construtiva. A ausência de projetos executivos detalhados no cenário anterior tendia a transferir incertezas para a execução, gerando retrabalhos e conflitos, enquanto a nova abordagem mitigou esses problemas (Fernandes e Rabechini, 2023).
A análise da quantidade de projetos com “adicionais” também demonstrou melhoria. No cenário pós-Jira, apenas dois dos dez projetos (Galpões 18 e 20) geraram adicionais, representando uma redução de 50% em comparação com o cenário pré-Jira. O Galpão 18, sendo um projeto Built to Suit (BTS) parcial, teve adicionais relacionados a itens de execução do proprietário ou falhas contratuais. Essa redução na incidência de adicionais reforça a eficácia da elaboração de projetos executivos completos e da estruturação de informações iniciais, que permitem antecipar e resolver problemas antes da fase de execução.
Síntese Comparativa dos Resultados Pré e Pós-Implementação do Jira
A comparação entre os cenários pré e pós-Jira evidencia um amadurecimento na concepção e criação do escopo de cada time, bem como um aprimoramento na gestão das comunicações e no controle de riscos. A criação do time de Planejamento e Controle e a consolidação da governança dos processos reforçam o alinhamento dos objetivos do projeto com as estratégias da organização, focadas na expansão da malha logística (Carvalho e Romão, 2016). A ferramenta Jira, nesse contexto, atua como um suporte fundamental para a organização do fluxo informacional e a padronização das interações entre as áreas, mitigando atrasos e riscos no desenvolvimento das obras.
A implementação de projetos executivos para os retrofits dos galpões logísticos, ausentes na maioria dos casos no cenário pré-Jira, mostrou-se crucial. A não elaboração desses projetos comprometia diretamente o andamento e os prazos de execução das obras, gerando indefinições que impactavam o planejamento e o sequenciamento das atividades (Teixeira, 2025). A nova abordagem, com maior detalhamento e estruturação prévia das informações, embora tenha aumentado os prazos nas fases de arquitetura e orçamentos, resultou em uma redução significativa na fase de obras, confirmando a importância de uma gestão integrada do projeto e de processos eficazes de comunicação.
Os resultados observados dialogam com a literatura sobre maturidade em gestão de projetos, que enfatiza que as melhorias de desempenho raramente decorrem exclusivamente da adoção de ferramentas. Em vez disso, são uma combinação de tecnologia, padronização de processos e desenvolvimento de competências organizacionais (Berssaneti, Carvalho, e Muscat, 2016). Assim, as melhorias nos SLAs da área de Infraestrutura estão diretamente associadas ao fortalecimento da governança e a uma maior disciplina na condução dos projetos, com o Jira potencializando essas práticas aprimoradas.
É importante ressaltar que o tamanho reduzido da amostra, com dez projetos em cada cenário, e o curto período de tempo desde a implementação do Jira (aproximadamente dez meses na data de conclusão da pesquisa) limitam a abrangência das análises. Essas condições restringem a possibilidade de avaliações mais aprofundadas sobre os impactos da ferramenta ao longo do ciclo completo dos projetos e implicam em limitações quanto à generalização estatística dos resultados. As conclusões apresentadas devem, portanto, ser compreendidas dentro do contexto específico analisado, embora a efetividade da ferramenta como mecanismo de gestão viabilize a reprodutibilidade de sua implementação em outros ambientes.
Em síntese, a implementação do Jira, em conjunto com a estruturação de processos e a criação de um time de Planejamento e Controle, promoveu uma melhoria substancial na gestão de projetos de infraestrutura. Embora as fases de arquitetura e orçamentos tenham experimentado um aumento na duração devido ao maior detalhamento dos projetos executivos, essa abordagem resultou em uma significativa redução nos prazos de execução da fase de obras e na diminuição da incidência de adicionais, evidenciando um fortalecimento da governança, da comunicação e da previsibilidade nas entregas.
4. Conclusão
O presente estudo analisou comparativamente projetos de infraestrutura civil em uma empresa do setor de e-commerce, buscando verificar os impactos da implementação da ferramenta Jira sobre o controle de prazos, a gestão das comunicações e a coordenação das entregas. Verificou-se que a adoção do Jira, em conjunto com a estruturação de processos e a criação de um time de Planejamento e Controle, favoreceu a organização das atividades, ampliou a visibilidade sobre o andamento dos projetos e contribuiu para a rastreabilidade das informações e o acompanhamento mais sistemático das entregas. Observou-se uma significativa redução nos prazos de execução da fase de obras, que passou de 929 para 546 dias, uma diferença de 383 dias, refletindo o investimento em planejamento e definição técnica prévia. Contudo, as fases de arquitetura e orçamentos apresentaram um aumento na duração, com a etapa de arquitetura e elétrica passando de uma média de 43,4 para 66,5 dias, e a fase de orçamentos registrando um acréscimo de 167 dias, devido à incorporação de projetos executivos mais detalhados e à revisão dos processos internos para escopos mais amplos. Essa abordagem mais minuciosa nas etapas iniciais resultou em uma redução de 50% na incidência de “adicionais” durante a fase de obras, evidenciando um fortalecimento da governança e da previsibilidade nas entregas.
A principal contribuição deste estudo reside em demonstrar que a integração de ferramentas digitais de gestão, como o Jira, com práticas estruturadas de planejamento e controle, fortalece a gestão de projetos em ambientes complexos, aprimorando a comunicação e a coordenação entre equipes. No entanto, as melhorias observadas não podem ser atribuídas exclusivamente à ferramenta, mas sim a uma combinação de tecnologia, padronização de processos e desenvolvimento de competências organizacionais. Como limitações, destaca-se o tamanho reduzido da amostra, com dez projetos em cada cenário, e o curto período de tempo desde a implementação do Jira, aproximadamente dez meses, o que restringe a abrangência das análises e a generalização estatística dos resultados. Sugere-se a continuidade do acompanhamento dos indicadores, de modo a permitir uma análise mais aprofundada sobre a consolidação dos processos e seus desdobramentos na gestão dos projetos ao longo do tempo.
Referências Bibliográficas
Amorim, A. R.; Barbosa, C. K. 2022. O crescimento do e-commerce no Brasil durante a pandemia Covid-19. Revista UNILUS Ensino e Pesquisa 19(57): 73-84.
Andrade, B. C.; Ramos, D. P. 2022. Metodologia ágil nos processos de construção civil. Orientador: Antônio Fontes de Faria Filho. 2022. 14p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Bacharelado em Engenharia Civil, UNEX – Centro Universitário de Excelência, Itabuna, 2022.
Berssaneti, F. T.; Carvalho, M. M. de; Muscat, A., 2016. O impacto de fatores críticos de sucesso e da maturidade em gerenciamento de projetos no desempenho: um levantamento com empresas brasileiras. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/prod/a/BwKsQyhPy7pKptm4v7QrPVJ/?lang=pt> Acesso em: 02 mar. 2026.
Carvalho, M. F. A.; Romão, M. J. B., 2016. Governança e Gestão de Projetos de TI: integração COBIT 5 e PMBOK. In: Atas da Conferência da Associação Portuguesa de Sistemas de Informação, Associação Portuguesa de Sistemas de Informação 16: 84-104.
Câmara Brasileira da Indústria da Construção [CBIC]. 2025. Construção Civil cresce 4,3% em 2024 e impulsiona economia nacional. Disponível em: <https://cbic.org.br/construcao-civil-cresce-43-em-2024-e-impulsiona-economia-nacional/> Acesso em: 12 de Set. 2025.
Fernandes, P. J. M.; Rabechini Jr., R., 2023. Gestão de riscos na abordagem ágil e o sucesso de projetos. Revista Gestão & Tecnologia 23(1): 138-162.
Macieira, L. G. 2018. Metodologia ágil para gestão e planejamento de projetos: Implantação do Scrum e do Framework Jira na qualidade em uma empresa do setor aeronáutico. In.: X Simpósio de Engenharia de Produção de Sergipe, 2018, São Cristóvão, SE, Brasil. Anais… p 126-144.
Mota Junior, A. E. 2025. Indústria 5.0 na Construção Civil: Uma análise Bibliométrica. Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil. Curso de Engenharia Civil, Universidade Federal do Ceará, Campus de Cratéus, Cratéus, Ceará, Brasil.
Mota, A. F. 2023. O papel da Engenharia Civil na expansão de redes empresariais. Revista FT 27(124).
Project Management Institute [PMI]. 2021. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 7. ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.
Robert, K. Y. 2001. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2ed. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.
Teixeira, M. S. 2025. A influência do gerenciamento nas fases de projeto em empreendimentos na construção civil: análise crítica de uma obra pública. Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil. Curso de Engenharia Civil, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Disponível em: <https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/c7f358fb-488b-420d-931d-86a42eede95e/content> Acesso em: 08 jan. 2026
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

