Artigo

28 de julho de 2026

Controles internos e seus impactos no processo decisório em setores administrativos

Yuri de Souza; Raíssa Silveira de Farias

DOI: 10.22167/2675-6528-202601550

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A influência dos controles internos no processo decisório em setores administrativos de grandes organizações foi investigada. O estudo objetivou analisar a relação entre a percepção dos colaboradores sobre os controles internos e o processo de tomada de decisão em setores administrativos de uma organização de grande porte. Para isso, a pesquisa adotou abordagem qualitativa, de natureza descritiva. O instrumento de coleta de dados foi desenvolvido com base na literatura e aplicado a 32 colaboradores de áreas administrativas. A análise dos dados foi conduzida por estatística descritiva e pela técnica de Análise de Conteúdo temática. Os resultados indicaram que os controles internos foram amplamente legitimados pelos colaboradores, principalmente pela segurança e respaldo que proporcionam. Contudo, observou-se tensão entre a conformidade normativa e a eficiência operacional, com relatos de limitação da autonomia decisória e atrasos em situações que demandavam maior agilidade. Identificou-se também um comportamento decisório mais conservador, influenciado pela preocupação com a responsabilização individual e a conformidade. Concluiu-se que os controles internos desempenham um papel duplo, atuando como suporte e restrição, e que o equilíbrio entre conformidade e flexibilidade é crucial para sua efetividade organizacional.

Palavras-chave: Comportamento decisório; Conformidade; Controladoria; Normas e procedimentos.

1. Introdução

A evolução do cenário corporativo contemporâneo tem gerado um ambiente de negócios de crescente complexidade. Nesse contexto, grandes organizações enfrentam demandas cada vez maiores, tanto de seus stakeholders quanto de exigências regulatórias e legais, para operar com transparência e integridade. A busca por prevenir fraudes, padronizar rotinas e procedimentos, e assegurar a conformidade, tem conferido um protagonismo acentuado à área de controles internos.

Os controles internos são reconhecidos como um dos pilares fundamentais do sistema de governança corporativa. O Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO, 2013) os define formalmente como um processo que visa garantir a confiabilidade das informações, a conformidade com as leis e regulamentações, e a eficiência operacional. Complementarmente, Caggiano e Figueiredo (1997) ressaltam que os controles representam o conjunto de instrumentos utilizados pela administração para proteger o patrimônio e assegurar que os objetivos organizacionais sejam atingidos.

A importância dos controles internos é evidenciada por um robusto arcabouço regulatório, tanto em âmbito global quanto nacional. Legislações internacionais, como a Sarbanes-Oxley Act (2002), e normas brasileiras, incluindo a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976), as resoluções do Banco Central nº 2.554/1998 e nº 4.595/2017, e a Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016), reforçam a necessidade de estruturas formais de controle. Tais regulamentações atribuem aos administradores a responsabilidade direta pela integridade das informações e operações.

Esse fortalecimento regulatório impulsionou uma transformação significativa na governança corporativa, que passou a incorporar os controles internos de maneira mais proeminente. Attie (2019) destaca que a promulgação da SOX marcou uma mudança paradigmática na governança corporativa internacional, estabelecendo padrões mais rigorosos de controle e responsabilidade. Essa legislação, conforme Almeida (2010), alterou profundamente a forma como os controles internos são concebidos e avaliados nas organizações.

Contudo, a consolidação desse arcabouço normativo também apresenta desafios consideráveis para as organizações. Paiva e Melo (2019) apontam que o fortalecimento regulatório exige que as empresas transformem requisitos legais em práticas de controle efetivas, alinhando as exigências normativas à realidade operacional e cultural, com especial atenção ao fator humano dentro de suas estruturas organizacionais.

Apesar de sua reconhecida importância e dos benefícios inerentes, a implementação eficaz dos controles internos frequentemente enfrenta dificuldades. Souza (2012) identifica obstáculos como a falta de apoio da alta administração, a resistência dos colaboradores à mudança e a percepção dos controles como meros entraves burocráticos. Peleias et al. (2007) complementam essa visão, descrevendo a implementação de controles internos como um processo de alta complexidade, envolvendo fatores que vão desde o desenho dos processos até a cultura organizacional e o nível de engajamento dos colaboradores.

A cultura organizacional, em particular, influencia diretamente a percepção dos colaboradores sobre os controles internos. Em organizações onde a cultura valoriza a integridade e o compartilhamento de responsabilidades, os controles são vistos como instrumentos de proteção e alcance de objetivos comuns (Zonatto; Beuren, 2014). Por outro lado, Lunkes e Rosa (2012) observam que culturas éticas fragilizadas comprometem a efetividade dos sistemas de controle. Nesses contextos, controles excessivamente coercitivos podem ser percebidos como mecanismos de vigilância e desconfiança, conforme Adler e Borys (1996).

Essa percepção dos controles internos, moldada pela cultura, estende-se a um dos processos mais críticos de qualquer organização: a tomada de decisão. Hodgkinson e Starbuck (2018) explicam que a tomada de decisão em um contexto organizacional envolve processos cognitivos e sociais influenciados pelo ambiente, pelas rotinas e pelos sistemas formais que estruturam a percepção dos problemas e a avaliação das alternativas. Dane e Pratt (2020) acrescentam que o processo decisório ocorre sob pressão temporal e incerteza, combinando análise racional, experiência e julgamentos subjetivos.

Simon (2009) caracteriza esse processo pela racionalidade limitada, onde se buscam decisões satisfatórias diante de restrições de tempo e informação. É nesse cenário que controles mal interpretados podem exercer pressão negativa sobre o processo decisório, seja por comunicação insuficiente, excesso de formalização ou ambiguidades.

A literatura corrobora esse efeito. Martins, Oliveira e Thomas (2019) demonstram que a estrutura de controles molda a autonomia, as prioridades e o grau de segurança percebido pelos colaboradores ao decidir. Hall, Smith e Langfield-Smith (2015) indicam que controles percebidos como habilitadores contribuem para decisões mais rápidas e consistentes. Contudo, quando os controles são vivenciados como excessivamente formais ou coercitivos, eles se tornam fonte de rigidez e lentidão, deslocando o foco para o cumprimento estrito de procedimentos, uma dinâmica alinhada à distinção entre burocracias “habilitadoras” e “coercitivas” de Adler e Borys (1996).

Esse efeito é ainda mais acentuado em ambientes corporativos regulados, como áreas administrativas e financeiras, onde os controles são centrais na mitigação de riscos. Adler (2006) sugere que o excesso de formalização e responsabilização pode desencorajar a iniciativa, levando os colaboradores a focar no cumprimento estrito de normas. Esse fenômeno pode gerar um efeito paradoxal, onde a tentativa de proteger a organização limita a adaptabilidade e desestimula a iniciativa individual, resultando no que Merton (1949) descreveu como uma incapacidade treinada para se adaptar.

Diante do exposto, emerge a seguinte problemática de pesquisa: como a percepção e a interpretação dos colaboradores sobre os controles internos influenciam o processo de tomada de decisão nos setores administrativos de uma empresa de grande porte? A justificativa para este estudo reside na necessidade de compreender essa dinâmica complexa, que afeta diretamente a eficiência operacional e a adaptabilidade organizacional, indo além da mera conformidade. O objetivo geral deste trabalho é analisar como a percepção e a interpretação dos colaboradores sobre os controles internos se associam ao processo de tomada de decisão nos setores administrativos de uma empresa de grande porte.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa foi classificada quanto à sua natureza como aplicada, buscando gerar conhecimento direcionado à compreensão e análise de um problema específico. Este problema relacionou-se à percepção dos colaboradores sobre os controles internos e sua influência no processo de tomada de decisão, conforme a caracterização de Vergara (2016) para estudos que oferecem subsídios à prática organizacional.

Em relação aos objetivos, o estudo foi de natureza descritiva, com o propósito de analisar como os colaboradores percebem os controles internos definidos pela organização e como esses se associam ao processo de tomada de decisão. A pesquisa descritiva, segundo Gil (2008), visa identificar a frequência de ocorrência de fenômenos e estabelecer possíveis relações entre variáveis observadas.

Quanto à abordagem metodológica, adotou-se uma perspectiva qualitativa, de natureza descritiva, utilizando um questionário estruturado como instrumento de coleta de dados. O questionário foi aplicado por meio do método de levantamento, conhecido como “survey”, com o objetivo de organizar e sistematizar as percepções dos colaboradores acerca dos controles internos.

A unidade de análise do estudo foi composta por colaboradores de setores administrativos de uma organização de grande porte. Abrangeu áreas como Finanças, Controladoria, Recursos Humanos, Jurídico, Suprimentos e outras áreas corporativas que possuem interface direta com processos formais de controle interno.

A amostra foi não probabilística, por conveniência, e contou com a participação voluntária de 32 colaboradores. Esse quantitativo de respostas válidas foi considerado suficiente para a identificação de padrões e tendências dentro do grupo analisado, especialmente em pesquisas sem pretensão de generalização dos resultados, conforme Malhotra (2012).

Para a etapa qualitativa, obtiveram-se 22 respostas para a questão aberta principal e 15 respostas para a questão voltada à descrição de situações práticas. A literatura de pesquisa qualitativa, conforme Godoy (1995) e Patton (2015), indica que a suficiência da amostra está mais associada à capacidade de identificar recorrência de percepções e significados relevantes do que a um número fixo de respondentes.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, aplicado de forma online. Essa técnica é amplamente empregada em pesquisas do tipo “survey” por possibilitar a coleta padronizada de dados, a mensuração de atitudes e opiniões, e o alcance de um número maior de respondentes, além de favorecer o anonimato, conforme Babbie (2016) e Gil (2008).

O questionário foi elaborado com base na literatura sobre controles internos, normas e procedimentos organizacionais, sendo estruturado para atender aos objetivos do estudo. Ele foi dividido em quatro seções principais para abordar diferentes aspectos da percepção dos colaboradores e sua relação com a tomada de decisão.

A primeira seção do questionário contemplou o perfil sociodemográfico e funcional dos respondentes, incluindo questões sobre tempo de empresa, nível hierárquico, área de atuação e formação acadêmica. A segunda seção abordou a percepção e interpretação dos controles internos, mensurada por meio de uma escala Likert de cinco pontos.

Nesta segunda seção, consideraram-se dimensões como clareza das normas, alinhamento entre normas e prática, adequação do nível de formalização e finalidade percebida dos controles, com base nos trabalhos de Adler e Borys (1996) e no COSO (2013). A terceira seção buscou relacionar o processo de tomada de decisão aos controles internos presentes na organização, também por meio de escala Likert.

A terceira seção contemplou aspectos como segurança para decidir, influência das normas na escolha de alternativas e percepção de responsabilização individual. A quarta seção incluiu questões abertas, destinadas a ampliar a compreensão qualitativa das percepções dos participantes sobre a influência das normas e procedimentos no processo decisório e relatos de situações práticas.

A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionário eletrônico utilizando a plataforma Google Forms. O link do questionário foi disponibilizado aos participantes por meio de convites eletrônicos, sem coleta de e-mails, exigência de login ou qualquer forma de identificação pessoal, garantindo o anonimato dos respondentes.

Previamente à aplicação definitiva, o instrumento foi submetido a uma verificação inicial junto a um pequeno grupo de respondentes. Essa etapa teve caráter exploratório e não estruturado, sendo utilizada para avaliar a clareza das questões e o tempo de preenchimento, sem a necessidade de ajustes após essa primeira aplicação.

Após a finalização da coleta, os dados foram exportados da plataforma e organizados em planilhas eletrônicas para posterior tratamento, sistematização e análise. O tratamento das respostas concentrou-se em uma abordagem qualitativa e descritiva, com o objetivo de organizar, comparar e interpretar as percepções dos colaboradores.

As respostas às questões fechadas foram utilizadas para a identificação de frequências e padrões de resposta por meio de estatística descritiva. Os dados provenientes das questões abertas foram analisados com base na técnica de Análise de Conteúdo, na vertente da análise temática, conforme proposta por Bardin (2016).

O processo de análise de conteúdo consistiu na leitura das respostas, identificação de unidades de sentido e posterior agrupamento em categorias temáticas. O objetivo foi evidenciar padrões recorrentes de percepção sobre a atuação dos controles internos no contexto decisório organizacional.

3. Resultados e Discussão

A presente seção apresenta os resultados obtidos na pesquisa, analisando a percepção dos colaboradores sobre os controles internos e sua influência no processo de tomada de decisão em setores administrativos de uma organização de grande porte. Os achados revelam uma complexa interação, onde os controles são amplamente legitimados pela segurança que proporcionam, mas também geram tensões operacionais e influenciam um comportamento decisório mais conservador. A discussão busca interpretar esses resultados à luz do objetivo do estudo e da literatura pertinente, conforme abordado no trabalho original.

Perfil dos Respondentes

A análise inicial do perfil dos 32 respondentes revelou uma amostra com significativa maturidade profissional e vivência organizacional. Observou-se que 56% dos participantes possuíam entre seis e dez anos de experiência na empresa, e 21,9% tinham mais de dez anos. Apenas 18,8% dos empregados estavam na faixa de até dois anos. Esses dados indicam que a maioria dos colaboradores possuía experiência suficiente para compreender e avaliar consistentemente os mecanismos de controle interno relacionados às suas atividades profissionais, conferindo robustez às percepções coletadas.

Em termos de formação acadêmica, a amostra demonstrou um elevado nível de qualificação, alinhado ao perfil esperado para áreas de gestão em grandes companhias. Verificou-se que 62,5% dos participantes (vinte indivíduos) possuíam pós-graduação, e 28,1% (nove indivíduos) tinham ensino superior completo. A distribuição hierárquica também corroborou essa qualificação técnica, com 75% dos empregados concentrados no nível de Analista/Especialista, seguidos por 12,5% em cargos de gerência ou superiores, o que reforça a capacidade analítica do grupo.

As áreas de atuação dos respondentes mostraram-se concentradas, contribuindo para a homogeneidade da amostra e sua relevância para o estudo. A área de Contratos/Suprimentos foi predominante, representando 71,9% (vinte e três respondentes), seguida por Finanças/Controladoria, com 9,4%, e outras áreas administrativas. Essa concentração é particularmente importante, pois essas áreas compartilham rotinas administrativas fortemente orientadas por normas, procedimentos e exigências de conformidade, tornando-as um campo fértil para investigar a influência dos controles internos.

Para avaliar a aderência da amostra ao tema central da pesquisa, a tomada de decisão, analisou-se a frequência com que os respondentes realizam escolhas e julgamentos em suas atividades diárias. Os resultados indicaram uma elevada exposição ao processo decisório: 40,6% dos participantes (treze indivíduos) tomavam decisões diariamente, enquanto 53,1% (dezessete indivíduos) o faziam frequentemente. Essa alta incidência, totalizando 93,7%, reforça que o grupo analisado está diretamente envolvido em processos decisórios, vivenciando na prática os impactos das normas e procedimentos organizacionais.

Percepção sobre os controles internos

A análise da percepção dos colaboradores sobre os controles internos revelou uma elevada aceitação e legitimidade desses mecanismos no ambiente organizacional. Não foi identificada rejeição à sua existência; ao contrário, observou-se uma forte concordância dos empregados quanto ao papel dos controles na proteção da organização e no suporte às atividades profissionais. Essa percepção inicial estabelece um pano de fundo de reconhecimento da importância dos controles internos para a estabilidade e segurança corporativa.

Especificamente, 90,3% dos respondentes concordaram que os controles contribuem para a proteção da organização, com uma mediana de 4 na escala Likert, indicando uma predominância de respostas nos níveis de concordância. Essa constatação empírica está alinhada à premissa do COSO (2013), que posiciona os controles internos como mecanismos fundamentais voltados à confiabilidade, conformidade e eficiência operacional. De forma semelhante, 93,5% dos participantes concordaram que a observância às normas impacta diretamente a tomada de decisão, mostrando que os controles são percebidos como elementos incorporados à rotina organizacional.

As questões abertas do questionário complementaram esses achados, identificando a categoria “Controles como um mecanismo de proteção e orientação”. Nela, os respondentes destacaram que as normas contribuem para a redução de incertezas, a garantia de conformidade e o direcionamento das ações em situações de dúvida. Relatos específicos descreveram os controles como instrumentos que “ampliam a segurança na atuação profissional” e “subsidiam a tomada de decisão de forma segura para a companhia e os colaboradores”, evidenciando o valor percebido desses mecanismos.

Entretanto, a análise também revelou limitações na aplicação prática dos controles. Quando questionados sobre a adequação das normas ao contexto real das atividades, embora a mediana tenha permanecido em 4, observou-se maior heterogeneidade nas respostas. Uma parcela relevante dos respondentes manifestou desalinhamento entre o normativo e a realidade operacional, com 22,6% discordando que os procedimentos consideram as particularidades das situações práticas, enquanto 58,1% concordaram, indicando uma divisão de percepções.

Essa percepção de desalinhamento foi reforçada por evidências qualitativas, que evidenciaram a categoria “Limitações na aplicabilidade dos controles”. Os relatos indicaram que, embora reconhecidos como necessários, os controles nem sempre acompanham a dinâmica das atividades organizacionais. Um participante destacou dificuldades na tomada de decisão porque as normas e procedimentos não se adaptam ao dinamismo, enquanto outro apontou que a dispersão das regras dificultava a identificação dos procedimentos aplicáveis, gerando fricções no cotidiano.

Adicionalmente, os resultados sugerem que os controles internos demandam um esforço operacional significativo. Observou-se que 87,5% dos respondentes consideram que a verificação e o cumprimento de normas ocupam uma parcela relevante do trabalho diário, com uma mediana de 4. Além disso, 65,6% indicaram que os controles são percebidos mais como registros formais do que como apoio direto à execução das atividades, evidenciando que, em determinadas situações, o foco no cumprimento de procedimentos pode se sobrepor à eficiência operacional.

Em síntese, os resultados indicam que os controles internos são amplamente legitimados pelos respondentes, principalmente pela segurança e respaldo que proporcionam. Contudo, essa legitimidade não elimina a percepção de limitações relacionadas à sua aplicabilidade e ao nível de formalização. Essa dualidade evidencia uma tensão estrutural entre a necessidade de conformidade e a busca por eficiência nas rotinas organizacionais, um desafio que os colaboradores precisam gerenciar constantemente.

Impactos na Tomada de Decisão

A análise do terceiro bloco do questionário focou em compreender como a estrutura normativa afeta o fluxo decisório dos colaboradores. Os dados indicaram que os controles internos transcendem a mera formalidade, participando ativamente da formulação da decisão. Uma maioria expressiva de 93,5% dos respondentes concordou que a preocupação em cumprir normas impacta a escolha da alternativa de decisão, com uma mediana de 4. Esse resultado sugere que a conformidade não é apenas um pano de fundo, mas uma variável de peso que atua de forma interdependente com a busca por eficiência na rotina profissional, condicionando o comportamento decisório em diferentes níveis.

Entretanto, os resultados também revelaram a existência de tensões operacionais associadas à aplicação dessas normas. Verificou-se que 56,2% dos participantes já perceberam que as normas entram em conflito com a alternativa de decisão que consideram mais adequada para a organização. Esse atrito prático foi ilustrado pelo relato de um gerente que apontou que, embora os padrões visem segurança, eles podem conflitar com decisões comerciais mais adequadas, gerando ineficiência. Outro participante da área de Suprimentos descreveu uma falha operacional urgente que exigia ação imediata, mas o cumprimento do fluxo formal atrasou a decisão até a liberação excepcional pela gestão.

Esses achados dialogam diretamente com a literatura que alerta para os efeitos não intencionais do excesso de formalização sobre o comportamento organizacional. Conforme argumenta Merton (1949), sistemas normativos rígidos podem levar à chamada “incapacidade treinada”, onde indivíduos passam a seguir as regras de forma mecanicista, reduzindo a capacidade crítica e de adaptação em situações atípicas. O exemplo citado da falha operacional e do atraso na decisão enquadra-se perfeitamente nessa teoria, demonstrando como a busca por conformidade pode limitar a agilidade.

Os controles internos, embora essenciais para a mitigação de riscos, podem introduzir fricções no processo decisório, especialmente em contextos que demandam agilidade e adaptação. A atuação dos controles não se limita ao suporte à decisão, mas também pode restringir o conjunto de alternativas consideradas viáveis pelos empregados no contexto organizacional. Essa restrição, combinada com a rigidez e a multiplicidade de interpretações das normas, insere uma camada adicional de cautela no comportamento dos colaboradores, levando a decisões menos ágeis.

Os dados quantitativos indicaram que quase metade da amostra, 48,4%, sentia-se insegura quanto à responsabilização individual, mesmo quando atuava dentro das normas, com uma mediana de 3. Esse resultado sugere que a percepção de insegurança, embora não predominante, é relevante para uma parte da amostra, refletindo diferentes experiências e níveis de exposição ao risco decisório na organização. Esse achado sugere que o processo decisório não é orientado exclusivamente pela busca do melhor resultado organizacional, mas também pela necessidade de mitigação de riscos pessoais associados à tomada de decisão.

Esse racional enquadra-se perfeitamente na discussão de processo decisório, na abordagem de Simon (2009), em que, diante do risco de autuação ou exposição, o indivíduo tende a não buscar necessariamente a decisão isoladamente ótima ou mais célere. Em vez disso, ele busca a alternativa que se mostre mais segura e satisfatória, dentro das restrições impostas pelo sistema de controle. As evidências qualitativas reforçaram essa dinâmica, com respondentes destacando a necessidade de fundamentação rigorosa de suas decisões, especialmente em uma empresa de economia mista, para mitigar o risco de questionamentos por órgãos de controle e a possível responsabilização pessoal.

Apesar dessas tensões e do esforço analítico exigido, a integração dos dados evidencia que os controles internos também cumprem um papel central de suporte e proteção ao tomador de decisão. Cerca de 90% dos respondentes concordaram que as normas conferem segurança para decidir, com uma mediana de 4, e 81,2% sentiram-se apoiados pela organização ao atuar em conformidade aos padrões. A percepção do controle como fator de respaldo institucional ficou evidente no relato de um participante com menos de dois anos de empresa, que afirmou utilizar diariamente os padrões corporativos para tomar decisões que, em caso de possíveis questionamentos, garantam razão e segurança.

Dessa forma, observa-se que os controles internos exercem um papel duplo no processo de tomada de decisão. Ao mesmo tempo em que funcionam como mecanismos de orientação, padronização e proteção institucional, também introduzem restrições que exigem dos profissionais um constante exercício de ponderação. Essa dualidade pode ser interpretada à luz da tipologia proposta por Adler e Borys (1996), que distinguem entre burocracias de caráter coercitivo e habilitador. No presente trabalho, os controles assumem simultaneamente as duas facetas: suporte e orientação (habilitadores), mas também impõem restrições que geram atritos e limitam a flexibilidade operacional (coercitivos). O decisor atua, assim, em um ambiente no qual precisa equilibrar a aderência às normas com a necessidade de responder de forma eficiente às demandas operacionais.

Em síntese, os resultados obtidos nesta pesquisa permitiram avançar na compreensão do papel dos controles internos para além de sua função técnica, evidenciando sua influência direta sobre o comportamento e o processo de tomada de decisão dos colaboradores. O estudo confirmou que os controles são amplamente legitimados pelos profissionais, especialmente em função da segurança e do respaldo que proporcionam. No entanto, a análise também evidenciou a existência de tensões práticas entre a formalização dos controles e a dinâmica exigida pelas rotinas administrativas, gerando restrições operacionais, atrasos na tomada de decisão e limitação da flexibilidade necessária para lidar com demandas específicas do contexto prático, o que fomenta um comportamento decisório mais conservador e focado na mitigação de riscos pessoais.

4. Conclusão

Este estudo buscou analisar como a percepção dos colaboradores sobre os controles internos se associa ao processo de tomada de decisão em setores administrativos de uma organização de grande porte. Verificou-se que os controles internos são amplamente legitimados pelos profissionais, principalmente pela segurança e pelo respaldo que proporcionam às suas atividades. Observou-se que esses mecanismos não são percebidos apenas como formalidades, mas como elementos intrínsecos à rotina organizacional, influenciando diretamente a forma como as decisões são conduzidas no cotidiano de trabalho. Contudo, identificou-se uma tensão prática entre a conformidade normativa e a eficiência operacional, com relatos de que os controles podem limitar a autonomia decisória e gerar atrasos em situações que demandavam maior agilidade. Essa dinâmica fomentou um comportamento decisório mais conservador, influenciado pela preocupação com a responsabilização individual e a estrita aderência às normas.

A principal contribuição deste trabalho reside em aprofundar a compreensão do papel dos controles internos para além de sua função técnica, evidenciando sua influência direta sobre o comportamento e o processo de tomada de decisão dos colaboradores. Demonstrou-se que os controles exercem um papel duplo, atuando simultaneamente como suporte e restrição, e que o equilíbrio entre a conformidade e a flexibilidade é crucial para sua efetividade organizacional. Apesar das contribuições, este estudo possui limitações inerentes à sua abordagem metodológica. A principal restrição reside na dimensão e na concentração da amostra, composta por 32 participantes de uma única organização, predominantemente da área de Contratos/Suprimentos. Consequentemente, os achados refletem as peculiaridades desse ambiente corporativo específico, não sendo possível generalizar as conclusões para o mercado em sentido amplo ou para empresas com diferentes modelos de gestão. Para futuras investigações, recomenda-se a replicação deste instrumento em múltiplos contextos organizacionais, comparando empresas privadas e públicas, a fim de compreender como distintas culturas institucionais e níveis de escrutínio impactam o comportamento decisório. Adicionalmente, estudos com abordagem quantitativa e amostras mais amplas podem aprofundar as relações identificadas, testando de forma mais robusta os impactos dos controles internos no processo de tomada de decisão.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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