Artigo

28 de julho de 2026

Comportamento de investimento entre gerações sob a ótica das finanças comportamentais

Daxmara Ferreira da Silva; Juliana Leonardo de Oliveira Bergamini

DOI: 10.22167/2675-6528-202600707

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Decisões financeiras operam sob influência sistemática de vieses cognitivos e apresentam assinatura geracional associada às experiências econômicas de cada coorte. O estudo teve por objetivo analisar o comportamento de investimento de indivíduos das gerações Baby Boomers, X, Y (Millennials) e Z, identificando preferências, fontes de informação e indícios de vieses associados às decisões financeiras. Aplicou-se levantamento de campo transversal por meio de questionário estruturado autoadministrado, com 11 questões distribuídas em três blocos, sendo oito afirmativas em escala Likert de cinco pontos. A amostra não probabilística por conveniência reuniu 110 respondentes maiores de 18 anos residentes no Brasil. Os dados receberam tratamento estatístico descritivo e foram consolidados em matriz SWOT por coorte. A Geração Y concentrou 38,2% da amostra, seguida por Geração Z (25,5%), Geração X (23,6%) e Baby Boomers (11,8%). O viés de confirmação registrou a maior prevalência entre as dimensões investigadas, com 51,8% de concordância e mediana igual a 4. A aversão à perda alcançou 50,0%; o viés status quo, 44,5%; e o excesso de confiança, 42,7%. Redes sociais e criadores de conteúdo digital foram reconhecidos como fonte de informação por 46,4% dos respondentes. O planejamento financeiro antecipado reuniu 47,3% de concordância, com intensidade superior entre Baby Boomers e Geração X. A literacia autopercebida intermediária coexistiu com prevalência expressiva de vieses, evidência que sustentou a pertinência de estratégias segmentadas por coorte para educação financeira e desenho de produtos.

Palavras-chave: Coortes; Educação financeira; Matriz SWOT; Teoria da Perspectiva; Vieses cognitivos.

1. Introdução

As decisões financeiras, frequentemente percebidas como processos puramente racionais, desviam-se dos pressupostos da teoria econômica neoclássica. Evidências acumuladas nas últimas décadas demonstram que escolhas sobre consumo, poupança e investimento sofrem influência sistemática de fatores cognitivos, emocionais, sociais e culturais. Essa constatação consolidou o campo das finanças comportamentais, que articula contribuições da psicologia, economia e neurociências para explicar anomalias que a hipótese da racionalidade plena não acomoda (Kahneman e Tversky, 1979; Thaler, 2015).

A Teoria da Perspectiva, de Kahneman e Tversky (1979), é um pilar das finanças comportamentais, revelando que investidores avaliam ganhos e perdas de forma assimétrica, atribuindo peso psicológico maior ao sofrimento de uma perda do que ao prazer de um ganho equivalente. Essa premissa levou à identificação de um extenso catálogo de vieses cognitivos e heurísticas, que funcionam como atalhos mentais em contextos de incerteza. Entre os mais investigados, e centrais para este estudo, figuram a aversão à perda, o excesso de confiança, o status quo e o viés de confirmação (Kahneman, 2012; Thaler, 2015). Análises bibliométricas, como a de Costa et al. (2017), confirmam a relevância desses vieses na pesquisa sobre finanças comportamentais e tomada de decisão.

A manifestação desses desvios da racionalidade plena não se restringe ao cenário internacional, sendo observável também entre investidores brasileiros. Yoshinaga e Ramalho (2014) replicaram o experimento seminal de Kahneman e Tversky (1979) com funcionários de uma instituição financeira nacional, confirmando a ocorrência de efeitos como certeza, reflexão e isolamento. Isso evidencia que os vieses cognitivos impactam a realidade dos investidores no Brasil, reforçando a pertinência do estudo local.

Além da dimensão cognitiva, as decisões de investimento possuem um forte componente geracional. Cada investidor incorpora, em suas escolhas, as experiências econômicas vividas ao longo da vida, que se tornam referências afetivas para a avaliação de risco (Housel, 2021). No Brasil, eventos históricos como a sucessão de moedas e o confisco de poupanças no Plano Collor (1990) moldaram distintamente o comportamento financeiro das coortes. Altaf e Jan (2023) argumentam que os vieses comportamentais carregam uma assinatura geracional, pois as coortes compartilham experiências sociais e econômicas que uniformizam parcialmente suas preferências de risco e padrões de julgamento.

Evidências recentes reforçam que essa assinatura geracional se manifesta de formas distintas. Da Silva et al. (2024) identificaram que excesso de confiança e heurística da disponibilidade prevalecem entre Millennials e Geração Z, enquanto Geração X e Baby Boomers mostram maior propensão a vieses de status quo e confirmação. Marjerison et al. (2025) observaram que a Geração Z, apesar de nativa digital, adota postura conservadora em resposta à instabilidade econômica, enquanto a Geração X combina tolerância ao risco com preferência por ativos de longo prazo. A digitalização do sistema financeiro e a proliferação de criadores de conteúdo nas redes sociais também ampliam o acesso a produtos complexos, alterando a arquitetura informacional e a percepção de risco em cada geração (Dorsey e Villa, 2021).

Diante desse cenário, e considerando a baixa exposição da população brasileira à educação financeira formal, torna-se essencial compreender como as diferentes coortes traduzem suas experiências em escolhas de investimento. Essa lacuna de conhecimento é relevante tanto para o avanço acadêmico quanto para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes no mercado financeiro. Assim, o presente estudo teve por objetivo analisar o comportamento de investimento de indivíduos pertencentes às gerações Baby Boomers, X, Y (Millennials) e Z, identificando preferências, fontes de informação, canais de investimento e indícios de vieses cognitivos associados às decisões financeiras de cada coorte.

2. Material e Métodos

O presente estudo adotou uma abordagem metodológica quantitativa, caracterizada pela coleta e tratamento estatístico de respostas estruturadas. Essa escolha visou à mensuração de padrões de comportamento financeiro. Quanto aos objetivos, a pesquisa possui caráter descritivo e exploratório, buscando caracterizar o comportamento de investimento de quatro coortes geracionais e identificar indícios de vieses cognitivos associados às decisões financeiras de cada grupo.

Para os procedimentos técnicos, optou-se por um levantamento de campo, conhecido como “survey”, realizado por meio da aplicação de um questionário estruturado e autoadministrado. O recorte temporal da pesquisa foi transversal, com a coleta de dados realizada de forma única no mês de março de 2026. A escolha desse método justificou-se pela sua adequação à investigação de atitudes, percepções e preferências em populações geograficamente dispersas, conforme recomendado para estudos em finanças comportamentais que envolvem comparações entre grupos demográficos distintos (Kahneman e Tversky, 1979; Thaler, 2015).

O desenvolvimento da pesquisa seguiu seis etapas sequenciais. Inicialmente, realizou-se uma revisão de literatura sobre finanças comportamentais e teoria geracional, com o objetivo de identificar os principais vieses cognitivos e fundamentar a construção do instrumento. Em seguida, procedeu-se à elaboração e revisão do questionário quanto à clareza dos enunciados e à adequação das categorias de resposta. A terceira etapa correspondeu à coleta de dados em ambiente digital. Posteriormente, as respostas foram tratadas e tabuladas, incluindo a verificação de consistência e a exclusão de registros duplicados. A quinta etapa envolveu a análise estatística descritiva dos dados, e a sexta etapa consolidou os achados em uma matriz SWOT.

A amostra foi composta por 110 respondentes, recrutados por amostragem não probabilística por conveniência, em virtude da ausência de um cadastro populacional de investidores brasileiros que permitisse sorteio aleatório. A divulgação do questionário ocorreu por meio de redes sociais e aplicativos de mensageria, com convite aberto a indivíduos maiores de 18 anos e residentes no Brasil. O estudo considerou os seguintes intervalos de coortes: Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), Geração X (1965 a 1980), Geração Y ou Millennials (1981 a 1996) e Geração Z (1997 a 2012).

A participação na pesquisa foi voluntária e anônima. Antes do início do questionário, os respondentes foram informados, na própria página de abertura do formulário, sobre os objetivos do estudo, seu caráter acadêmico, a garantia de confidencialidade das respostas e a possibilidade de interrupção da participação a qualquer momento, sem qualquer prejuízo. Não foram coletados dados que permitissem a identificação individual dos participantes, condição que, somada ao caráter de pesquisa de opinião pública com participantes não identificados, dispensou a submissão do projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa.

O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado, composto por 11 questões fechadas distribuídas em três blocos temáticos. O primeiro bloco reuniu três questões de caracterização sociodemográfica do respondente, com respostas de múltipla escolha. O segundo bloco contemplou quatro afirmativas relativas ao perfil de investimento e à tomada de decisão financeira, avaliadas em escala Likert de cinco pontos. O terceiro bloco abordou quatro afirmativas associadas a vieses comportamentais e às fontes de informação utilizadas pelos respondentes, também em escala Likert de cinco pontos.

As oito afirmativas dos blocos dois e três foram avaliadas em uma escala Likert de cinco pontos, com as seguintes categorias: “discordo totalmente” (1), “discordo parcialmente” (2), “neutro” (3), “concordo parcialmente” (4) e “concordo totalmente” (5). As afirmativas foram redigidas a partir de construtos consagrados na literatura de finanças comportamentais, contemplando indícios dos vieses de status quo, de confirmação, de excesso de confiança e de aversão à perda, conforme descritos por Kahneman (2012) e Thaler (2015). A versão integral do questionário aplicado encontra-se no Apêndice A do trabalho original.

Após a coleta, os dados foram submetidos a tratamento estatístico descritivo. Os resultados foram, então, consolidados em uma matriz SWOT do comportamento de investimento para cada coorte geracional. A matriz SWOT, ferramenta originalmente proposta para o planejamento estratégico organizacional, foi adaptada neste estudo para a sistematização das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças associadas ao perfil financeiro de cada grupo. As forças e fraquezas representaram aspectos internos do comportamento dos respondentes, enquanto as oportunidades e ameaças contemplaram fatores externos identificados na revisão de literatura e potencialmente associados aos achados. A matriz SWOT serviu como um instrumento de síntese qualitativa das evidências quantitativas obtidas por meio do questionário.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados permitiu uma compreensão aprofundada do comportamento de investimento das diferentes gerações, revelando padrões e indícios de vieses cognitivos que modulam as decisões financeiras. Inicialmente, procedeu-se à caracterização sociodemográfica da amostra, que forneceu o contexto para a interpretação dos achados comportamentais. Em seguida, foram examinadas as respostas às afirmativas em escala Likert, que abordaram o perfil de investimento, a tomada de decisão e a prevalência de vieses comportamentais, bem como as fontes de informação utilizadas pelos respondentes. Por fim, os resultados foram sintetizados em uma matriz SWOT adaptada, que articulou os fatores internos e externos que influenciam o comportamento de investimento de cada coorte, culminando em uma síntese interpretativa dos achados.

A amostra do estudo, composta por 110 respondentes, apresentou uma distribuição geracional que reflete a dinâmica demográfica atual, com a Geração Y (Millennials), entre 29 e 44 anos, sendo o grupo mais representativo, com 42 indivíduos, correspondendo a 38,2% do total. A Geração Z, com idades entre 18 e 28 anos, seguiu com 28 respondentes (25,5%), enquanto a Geração X, de 45 a 60 anos, representou 23,6% da amostra, com 26 indivíduos. Os Baby Boomers, com 61 a 79 anos, somaram 13 respondentes, ou 11,8%. Um único respondente, 0,9% da amostra, declarou ter idade superior a 79 anos, situando-se fora dos recortes geracionais definidos para a pesquisa.

Em relação ao gênero, observou-se uma predominância feminina, com 58 respondentes (52,7%), em comparação com 50 respondentes do gênero masculino (45,5%). Duas respostas adicionais, cada uma representando 0,9%, foram registradas nas categorias “outro” ou “prefiro não informar”. A distribuição da renda mensal individual dos participantes concentrou-se nas faixas intermediárias, com 28,2% dos respondentes reportando rendimentos entre dois e cinco salários mínimos, e 25,5% entre cinco e dez salários mínimos. As faixas extremas, como até dois salários mínimos e acima de vinte salários mínimos, apresentaram proporções menores, com 15,5% e 11,8%, respectivamente.

O perfil sociodemográfico da amostra converge parcialmente com os padrões identificados na literatura brasileira recente sobre comportamento financeiro. Por exemplo, Vieira et al. (2025) observaram em seu estudo uma predominância feminina (59,1%) e uma idade média de 46 anos, além de uma concentração de respondentes em estratos de renda intermediários, o que se alinha com os achados desta pesquisa. Esses autores também demonstraram que variáveis como gênero, idade e renda exercem efeitos estatisticamente significativos sobre o bem-estar financeiro percebido, com mulheres, indivíduos mais jovens e aqueles com rendas mais baixas apresentando níveis de bem-estar financeiro abaixo da média populacional.

A composição da amostra, que inclui uma maioria feminina, uma presença expressiva de coortes mais jovens e uma distribuição de renda que abrange estratos tipicamente associados a uma menor segurança financeira subjetiva, possui implicações diretas para a interpretação dos resultados. Essa configuração sugere que a tolerância ao risco e a intensidade dos vieses comportamentais, como a aversão à perda e o status quo, podem ser moduladas por essas características. Assim, a análise desagregada por coorte geracional, realizada nas subseções seguintes, torna-se crucial para evitar generalizações indevidas e para compreender as nuances do comportamento de investimento.

Análise das questões em escala Likert

A primeira afirmativa avaliada, referente ao planejamento financeiro antecipado, que envolve o estabelecimento de objetivos, a estimativa de receitas e despesas e a organização da alocação de recursos em um horizonte superior ao mês corrente, revelou que 47,3% dos respondentes (52 indivíduos) concordaram parcial ou totalmente com a prática. Em contrapartida, 24,5% (27 indivíduos) discordaram parcial ou totalmente. Uma parcela significativa, 28,2% (31 respondentes), posicionou-se na categoria neutra, indicando um contingente expressivo de indecisão ou falta de adoção de rotinas formais de planejamento financeiro. Esse achado sugere uma percepção intermediária dos controles relacionados ao planejamento financeiro entre os participantes brasileiros, conforme a literatura de Yeo et al. (2024) que aponta a atitude, normas subjetivas e controle comportamental percebido como determinantes do comportamento de planejamento.

A autoavaliação do conhecimento sobre produtos financeiros, incluindo renda fixa, renda variável, fundos de investimento e previdência complementar, apresentou uma média de 3,31 e uma mediana de 3 na escala Likert. A concordância parcial ou total foi reportada por 42,7% dos respondentes (47 indivíduos), enquanto 26,4% (29 indivíduos) declararam discordância. A categoria neutra, com 30,9% (34 respondentes), foi a mais frequente, sugerindo um conhecimento autopercebido moderado e a presença de uma parcela expressiva de indivíduos com insegurança quanto à sua familiaridade com os instrumentos financeiros. Maheshwari et al. (2025) demonstraram que a literacia financeira impacta positivamente as decisões de investimento, especialmente quando mediada por atitude favorável e confiança moderada, indicando que a autoavaliação intermediária observada na amostra sinaliza uma oportunidade para ganhos decisórios por meio de programas de qualificação.

No que tange ao conforto autorrelatado com a exposição ao risco em decisões de investimento, uma dimensão central na teoria de portfólio, 46,4% dos respondentes (51 indivíduos) expressaram concordância parcial ou total. A discordância parcial ou total foi observada em 21,8% (24 indivíduos), e 31,8% (35 respondentes) mantiveram uma posição neutra. Essa distribuição sugere uma inclinação discreta ao conforto com o risco, sem, contudo, configurar uma tolerância elevada e generalizada na amostra. Hemrajani et al. (2024) identificaram que traços psicológicos como extroversão, neuroticismo e autoeficácia financeira são determinantes da tolerância ao risco, e o padrão intermediário observado neste estudo é compatível com amostras onde a exposição a instrumentos de maior volatilidade é restrita.

A tendência de vender ativos em períodos de queda acentuada, comportamento associado à aversão à perda e ao efeito disposição, registrou uma média de 3,55 e uma mediana de 3,5, valores superiores aos das demais afirmativas sobre vieses. A concordância parcial ou total alcançou 50,0% (55 respondentes), superando significativamente a discordância, que foi de 13,6% (15 respondentes). A categoria neutra concentrou 36,4% (40 respondentes). Esse resultado indica uma intensidade expressiva do viés de aversão à perda na amostra. An et al. (2024) observaram que o efeito disposição é atenuado quando o portfólio está em ganho e amplificado quando está em perda, sugerindo que a intensidade do viés na amostra pode variar conforme o desempenho agregado das carteiras dos investidores.

A afirmativa sobre a manutenção de produtos financeiros familiares, sem buscar alternativas, comportamento associado ao viés status quo e à inércia decisória, obteve 44,5% de concordância parcial ou total (49 respondentes). A discordância foi de 27,3% (30 respondentes), e a categoria neutra reuniu 28,2% (31 respondentes). A distribuição sugere uma presença relevante do viés status quo, embora uma parcela significativa dos respondentes esteja disposta a considerar alternativas. Mahmood et al. (2024) concluíram que vieses como status quo, ancoragem e efeito manada influenciam as decisões de investimento, e que a literacia financeira atua como moderador, reforçando a pertinência de programas de educação financeira para mitigar a inércia decisória.

A propensão a priorizar informações que corroborem convicções prévias sobre investimentos, comportamento associado ao viés de confirmação, foi a mais elevada entre os vieses investigados, atingindo 51,8% de concordância parcial ou total (57 respondentes), com uma mediana igual a 4. A discordância correspondeu a 16,4% (18 respondentes), e a categoria neutra reuniu 31,8% (35 respondentes). A mediana de 4 indica que metade dos respondentes se posiciona em nível de concordância parcial ou superior com a afirmativa. Karki et al. (2024) evidenciaram que o viés de confirmação está associado ao excesso de confiança e ao viés retrospectivo, promovendo a busca seletiva de informações e a persistência em teses equivocadas de investimento, um padrão que converge com o observado em mercados emergentes.

A autoavaliação da capacidade de prever o desempenho de investimentos em nível superior à média, que operacionaliza o excesso de confiança, foi reportada com 42,7% de concordância parcial ou total (47 respondentes). A discordância foi de 25,5% (28 respondentes), e a categoria neutra concentrou 31,8% (35 respondentes). A distribuição indica uma presença moderada do viés, sem concentração assimétrica nos extremos da escala. Singh et al. (2024) identificaram que o excesso de confiança entre investidores de varejo se manifesta por calibração imprecisa e atribuição interna de sucessos, resultando em negociação excessiva e redução de retornos. A parcela relevante de concordância na amostra sugere um risco análogo de negociação excessiva entre os respondentes que declararam tal percepção.

Por fim, a afirmativa sobre o uso de redes sociais e criadores de conteúdo digital como principais fontes de informação para decisões de investimento, fenômeno conhecido como “finfluência”, obteve 46,4% de concordância parcial ou total (51 respondentes), com uma média de 3,30 e mediana de 3. A discordância foi de 27,3% (30 respondentes), e a categoria neutra reuniu 26,4% (29 respondentes). A distribuição revela que quase metade dos respondentes reconhece as plataformas digitais como uma fonte efetiva de orientação financeira. Mölders et al. (2025) caracterizaram os finfluencers como agentes de mudança na promoção da literacia financeira, operando em modelos de negócio que combinam educação e promoção comercial. A adesão expressiva observada na amostra brasileira sinaliza o avanço desse canal informacional.

A consolidação dos achados descritivos foi realizada por meio de uma matriz SWOT adaptada para o comportamento de investimento entre gerações. Essa ferramenta articulou os elementos internos favoráveis (forças) e desfavoráveis (fraquezas) identificados nas respostas às afirmativas em escala Likert, em confronto com os fatores externos favoráveis (oportunidades) e desfavoráveis (ameaças) que delineiam o ambiente financeiro brasileiro contemporâneo. As forças incluíram o hábito de planejamento financeiro antecipado, reportado por 47,3% dos respondentes, com intensidade superior entre Baby Boomers (média 3,77) e Geração X (média 4,04), e o conhecimento autopercebido moderado sobre produtos financeiros, com 42,7% de concordância, que configura uma base mínima para escolhas informadas. A tolerância ao risco em faixa intermediária, com 46,4% de concordância, sem aversão estrutural que inviabilize a diversificação, e a pluralidade geracional da amostra, que possibilita uma leitura segmentada e a formulação de estratégias por coorte, também foram consideradas forças.

As fraquezas identificadas na matriz SWOT, representando fatores internos desfavoráveis, incluíram a prevalência do viés de confirmação, com 51,8% de concordância e mediana 4, indicando uma busca seletiva de informações que validem convicções prévias. A aversão à perda expressiva, com 50,0% de concordância e média 3,55, revelou uma propensão a vender ativos em períodos de queda acentuada. O viés status quo, presente em 44,5% dos respondentes, sinalizou inércia na revisão de produtos financeiros. Além disso, uma parcela relevante de respondentes em posição neutra, variando de 26% a 37% conforme a afirmativa, indicou insegurança decisória, o que representa uma fraqueza no processo de tomada de decisão.

As oportunidades, que são fatores externos favoráveis, englobaram a expansão de plataformas digitais de investimento e fintechs, que reduzem custos de transação e barreiras de acesso para investidores de varejo. O reconhecimento de redes sociais e finfluencers como fonte de informação por 46,4% dos respondentes foi visto como um canal com potencial para disseminação de educação financeira qualificada. A atuação regulatória da CVM e Anbima, voltada à literacia financeira e à proteção do investidor, em particular sobre comunicação digital, e a ampliação da base de investidores brasileiros, com estímulo à segmentação de produtos por perfil geracional, também foram consideradas oportunidades para o desenvolvimento do mercado financeiro.

Por outro lado, as ameaças, fatores externos desfavoráveis, incluíram o histórico brasileiro de instabilidade inflacionária e episódios de confisco, que moldam aversão residual e desconfiança em coortes mais velhas. A proliferação de conteúdo financeiro não regulado em redes sociais, com risco de promoção enviesada e recomendação de produtos inadequados ao perfil, foi outra ameaça significativa. A volatilidade macroeconômica, como taxas de juros e câmbio, que tende a amplificar o efeito disposição observado em metade da amostra, e a baixa literacia financeira estrutural da população brasileira, que limita a capacidade de crítica a fontes informacionais e de calibração do próprio conhecimento, completaram o quadro de ameaças.

A leitura integrada da matriz SWOT revela uma dissonância entre a autopercepção dos respondentes e os vieses efetivamente declarados. Embora a amostra reconheça planejar com alguma disciplina e atribua a si um conhecimento intermediário sobre produtos financeiros, adere, em proporções superiores, a comportamentos como o viés de confirmação e a aversão à perda. Essa coexistência indica que a literacia autopercebida não neutraliza a operação dos atalhos cognitivos, o que aponta para uma lacuna pouco enfrentada pelas iniciativas convencionais de educação financeira no Brasil, que ainda se concentram na transmissão de conceitos técnicos e são pouco estruturadas em torno da identificação e mitigação de vieses decisórios.

A matriz também explicita uma ambivalência estrutural no eixo externo, onde plataformas digitais e criadores de conteúdo financeiro emergem simultaneamente como oportunidade de ampliação do acesso e como ameaça à qualidade da decisão. A mesma infraestrutura que reduz custos de transação viabiliza a disseminação de recomendações não qualificadas. Essa dupla face é particularmente sensível no contexto brasileiro, onde a instabilidade macroeconômica histórica amplifica o efeito disposição reportado por metade da amostra e onde a baixa literacia estrutural limita a capacidade de escrutínio crítico das fontes. Sem contrapeso regulatório e educativo, a expansão do canal digital tende a converter oportunidades declaradas em vulnerabilidade efetiva, deslocando parte do debate da dicotomia entre acesso e exclusão para o terreno da qualidade da mediação informacional.

A leitura agregada da matriz, contudo, tende a ocultar assimetrias geracionais que os dados desagregados tornam visíveis. O planejamento disciplinado dos Baby Boomers convive com baixa tolerância ao risco e acentuada inércia decisória. Os Millennials combinam maior exposição a plataformas digitais com nível elevado de excesso de confiança. A Geração Z apresenta o menor conhecimento autopercebido, ainda que reconheça redes sociais como fonte legítima de orientação. Essas configurações sugerem que estratégias de educação financeira e desenho de produtos não devem buscar padronização, mas sim incorporar a assinatura comportamental de cada coorte como unidade de intervenção, respondendo diretamente ao objetivo de analisar o comportamento de investimento de indivíduos das gerações Baby Boomers, X, Y (Millennials) e Z, identificando preferências, fontes de informação e indícios de vieses associados às decisões financeiras.

4. Conclusão

O presente estudo analisou o comportamento de investimento de indivíduos das gerações Baby Boomers, X, Y (Millennials) e Z, identificando suas preferências, fontes de informação e indícios de vieses cognitivos associados às decisões financeiras. Verificou-se que a literacia financeira autopercebida, embora intermediária, coexistiu com uma prevalência expressiva de vieses cognitivos, destacando-se o viés de confirmação, com 51,8% de concordância, e a aversão à perda, que alcançou 50,0% entre os respondentes. Observou-se que o planejamento financeiro antecipado foi mais acentuado nas gerações Baby Boomers e X, enquanto as redes sociais e criadores de conteúdo digital emergiram como fontes de informação relevantes para 46,4% da amostra, especialmente entre Millennials e Geração Z. Essa estratificação comportamental, revelada pela desagregação dos dados, demonstrou que a autoavaliação positiva sobre o conhecimento financeiro não neutraliza a operação dos atalhos decisórios, qualificando a hipótese de uma assinatura geracional dos vieses no contexto brasileiro. A principal contribuição do estudo reside na explicitação da necessidade de estratégias de educação financeira e desenho de produtos segmentadas por coorte, que considerem as particularidades comportamentais de cada geração, em vez de abordagens padronizadas.

A investigação, contudo, apresenta limitações que demandam cautela interpretativa. A amostra não probabilística por conveniência, de tamanho reduzido e recrutada majoritariamente por redes sociais, restringe a representatividade estatística e impede generalizações para segmentos com menor acesso digital ou coortes mais velhas. O desenho transversal do estudo não permite inferências sobre a estabilidade temporal dos vieses, e o caráter autorrelatado das afirmativas não elimina vieses de desejabilidade social. Para pesquisas futuras, sugere-se a ampliação do escopo amostral com desenhos probabilísticos estratificados por geração, região e renda, a incorporação de delineamentos experimentais para isolar o efeito de vieses específicos, e a combinação de autorrelato com dados comportamentais extraídos de contas de investimento reais. Adicionalmente, a adoção de abordagens longitudinais permitiria avaliar a estabilidade dos atalhos cognitivos ao longo do ciclo de vida e de diferentes ciclos macroeconômicos, contribuindo para delinear o peso do contexto brasileiro específico frente à assinatura geracional documentada na literatura internacional.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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