Artigo

29 de julho de 2026

Competitividade logística para escoamento de açúcar e grãos no Porto de Santos

Emanuele Cosmo Araujo Fonseca; Rafael Soares Douradinho

DOI: 10.22167/2675-6528-202600755

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O agronegócio brasileiro, pilar da economia nacional, depende crucialmente do Porto de Santos para o escoamento de commodities. Este estudo analisou o crescimento das exportações de açúcar e grãos pelo Porto de Santos e os fatores que influenciam a disputa logística nesse complexo portuário. A metodologia empregou um estudo de caso, que incluiu a análise de dados históricos de 20 anos e a aplicação de um questionário a 30 profissionais do setor. Os resultados revelaram um aumento expressivo no volume exportado, com elevações de 112% para açúcar e 415% para soja no período analisado. Foram identificados como principais gargalos a infraestrutura limitada, a dependência excessiva do modal rodoviário, a insuficiência de ativos ferroviários e a sobreposição sazonal das safras, que geram picos de demanda e sobrecarga nos recursos logísticos. Eventos climáticos adversos também agravaram a fluidez das operações portuárias. Concluiu-se que a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global exige a ampliação da capacidade de recebimento ferroviário, investimentos em armazenagem e melhorias no acesso portuário, sendo fundamental a resolução desses gargalos estruturais para que o Porto de Santos continue exercendo seu papel estratégico.

Palavras-chave: Agronegócio; Armazenagem; Infraestrutura; Transporte.

1. Introdução

O agronegócio brasileiro desempenha um papel fundamental no cenário econômico nacional e internacional. Em 2024, o setor representou aproximadamente 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mantendo participação relevante na economia (CEPEA, 2025). Essa relevância é amplificada pela crescente demanda global por alimentos e matérias-primas, consolidando o Brasil como um dos principais exportadores de commodities agrícolas. A expansão territorial e as condições edafoclimáticas favoráveis contribuem para a posição de destaque do país no mercado global, exigindo uma infraestrutura logística robusta e eficiente para o escoamento da produção.

Nesse contexto, o Porto de Santos emerge como um elemento estratégico, sendo o maior e mais importante porto do Brasil para o escoamento de commodities agrícolas (AUTORIDADE PORTUÁRIA DE SANTOS, 2026). Sua centralidade é evidenciada pela participação de mercado, que em 2024 alcançou 29% para a soja, 40% para o milho e 61% para o açúcar. A importância do porto é reforçada pelo crescimento exponencial das exportações observadas nas últimas duas décadas. Em 20 anos, o volume de açúcar exportado aumentou 112%, enquanto a soja registrou um crescimento de 415%. As exportações de milho, que ganharam relevância a partir de 2007, apresentaram um aumento de 394% até 2025.

A trajetória de crescimento da produção agrícola brasileira é contínua, com projeções que indicam a manutenção dessa expansão no curto e médio prazo. A Agência de Notícias IBGE (2026) reportou que a produção de grãos mais do que duplicou em 13 anos, atingindo um recorde de 346,1 milhões de toneladas em 2025. Para a USDA (2026), a safra brasileira de 2025/26 projeta 131 milhões de toneladas de milho e 43 milhões de toneladas de soja, com 112,5 milhões de toneladas exportadas. Esses números, embora confirmem a força do agronegócio, também evidenciam um desafio logístico crescente: a capacidade de escoamento pode não acompanhar a expansão da produção, gerando pressões significativas sobre a infraestrutura portuária.

Apesar dos incrementos operacionais e investimentos realizados, a infraestrutura atual do Porto de Santos apresenta limitações que comprometem sua eficiência e a competitividade logística. A Autoridade Portuária de Santos (2025) aponta obstáculos relacionados à infraestrutura, aos processos operacionais e às questões regulatórias. A capacidade de armazenagem é insuficiente frente à demanda crescente, e a dependência do transporte rodoviário gera congestionamentos e eleva custos, com a participação ferroviária ainda reduzida (ANTAQ, 2025). Além disso, a necessidade de dragagem contínua é crucial para permitir o acesso de navios de maior porte, garantindo a profundidade adequada do canal (AUTORIDADE PORTUÁRIA DE SANTOS, 2025).

Um fator que intensifica a disputa logística no Porto de Santos é a sobreposição temporal dos fluxos de exportação das três commodities. A soja tem seu pico entre fevereiro e junho, o milho entre julho e outubro, e o açúcar, embora mais distribuído, intensifica-se entre abril e novembro. Essa sazonalidade gera uma concentração de demanda por ativos logísticos, como terminais de armazenagem, caminhões e vagões ferroviários, aproximando a infraestrutura do limite operacional (AUTORIDADE PORTUÁRIA DE SANTOS, 2024). Eventos climáticos adversos, como chuvas intensas, também impactam negativamente as operações de embarque, resultando em aumento do tempo de espera e formação de filas logísticas.

A manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global está intrinsecamente ligada à capacidade do Porto de Santos de escoar eficientemente sua produção. A resolução desses gargalos estruturais é fundamental para que o Brasil preserve sua liderança no comércio internacional de commodities. Diante desse cenário, este trabalho tem como objetivo analisar o crescimento na exportação de açúcar e grãos no Porto de Santos, abordando os fatores que influenciam essa disputa logística e buscando identificar possíveis soluções para otimizar este escoamento.

2. Material e Métodos

O presente trabalho foi desenvolvido por meio de uma metodologia de estudo de caso, delineada para investigar a complexidade da competitividade logística no Porto de Santos. Essa abordagem permitiu uma análise aprofundada dos fenômenos que envolvem o escoamento de commodities agrícolas, integrando diferentes fontes de informação para construir uma compreensão abrangente do cenário.

A pesquisa foi estruturada para analisar o crescimento das exportações de açúcar e grãos, bem como os fatores que influenciam a disputa logística nesse complexo portuário, conforme o objetivo geral do estudo. Para tanto, empregou-se uma combinação de análise de dados históricos e a coleta de percepções sobre as práticas operacionais atuais do setor, buscando identificar possíveis soluções para otimizar o escoamento.

A coleta de dados históricos concentrou-se nos volumes de exportação de açúcar, milho e soja, abrangendo um período de 20 anos, de 2006 a 2025. Esses dados foram levantados junto à Autoridade Portuária de Santos para investigar as tendências de crescimento e compará-las com a capacidade de escoamento do porto, fornecendo uma base quantitativa para a análise das tendências.

Complementarmente, realizou-se um levantamento de dados primários por meio de um questionário online, aplicado a profissionais atuantes no segmento logístico portuário. O instrumento foi desenvolvido para capturar a percepção desses especialistas sobre as operações de açúcar e grãos, os desafios e as práticas correntes no Porto de Santos. A plataforma Google Forms foi utilizada para a aplicação do questionário.

Os participantes da pesquisa foram 30 profissionais, selecionados por atuarem em diferentes níveis hierárquicos e funções dentro do setor. Incluíram-se gerentes, coordenadores, supervisores, analistas, especialistas e técnicos de tradings, transportadoras e terminais portuários. A coleta de dados por questionário ocorreu entre 11 de junho de 2025 e 20 de agosto de 2025.

Os cuidados éticos foram observados rigorosamente, garantindo a participação voluntária e o anonimato dos respondentes. Não foram solicitados dados pessoais, e todas as informações coletadas foram destinadas exclusivamente para fins acadêmicos, conforme explicitado no Termo de Esclarecimento que precedeu o questionário, assegurando a confidencialidade das informações.

A análise dos dados foi dividida em duas etapas principais. Primeiramente, procedeu-se à análise quantitativa dos dados históricos de exportação, com o intuito de identificar padrões e tendências de crescimento ao longo do período estudado e compará-los à capacidade portuária. Em seguida, realizou-se a análise qualitativa das respostas obtidas por meio do questionário, buscando identificar padrões e temas recorrentes nos desafios logísticos mencionados pelos profissionais.

A integração dessas abordagens metodológicas permitiu uma compreensão multifacetada da competitividade logística no Porto de Santos. Os procedimentos adotados visaram a fornecer uma base sólida para a identificação dos fatores que influenciam a disputa logística e a proposição de possíveis soluções, alinhando-se diretamente aos objetivos do estudo.

3. Resultados e Discussão

A análise dos resultados obtidos, tanto por meio da avaliação de dados históricos de exportação quanto pela percepção de profissionais do setor logístico portuário, revelou um panorama complexo da competitividade logística para o escoamento de açúcar e grãos no Porto de Santos. Os achados confirmam o crescimento expressivo das exportações agrícolas brasileiras e identificam os principais gargalos que comprometem a eficiência e a sustentabilidade das operações portuárias. A seção a seguir detalha essas descobertas, interpretando-as à luz dos objetivos do estudo e da literatura pertinente já abordada no trabalho original.

Análise das exportações dos últimos 15 anos e possíveis tendências

Ao examinar o volume de açúcar, milho e soja exportados a granel pelo Porto de Santos ao longo dos últimos 20 anos, observou-se um crescimento contínuo e substancial. A exportação de açúcar, que em 2006 registrava 9,8 milhões de toneladas, atingiu 20,9 milhões de toneladas em 2025, com um pico de 23,5 milhões de toneladas em 2023. Esse aumento representa uma elevação de 112% no período. Para o milho, as exportações, que ganharam relevância a partir de 2007 com 3,1 milhões de toneladas, alcançaram 15,2 milhões de toneladas em 2025, com um pico de 21,4 milhões de toneladas em 2023, totalizando um crescimento de 394%.

A soja também demonstrou uma trajetória de crescimento notável, passando de 4,6 milhões de toneladas em 2006 para 34,8 milhões de toneladas em 2025. Esse aumento expressivo de 415% reflete a crescente demanda global e a expansão da produção nacional. Os dados históricos evidenciam que o Porto de Santos tem sido o principal canal para o escoamento dessas commodities, consolidando sua posição estratégica no agronegócio brasileiro. Contudo, essa expansão contínua da produção agrícola, que mais do que duplicou em 13 anos, atingindo 346,1 milhões de toneladas em 2025 (Agência de Notícias IBGE, 2026), projeta desafios significativos para a infraestrutura portuária.

As projeções para a safra brasileira de 2025/26, indicando 131 milhões de toneladas de milho e 175 milhões de toneladas de soja, com 43 milhões e 112,5 milhões de toneladas exportadas, respectivamente (USDA, 2026), reforçam a expectativa de manutenção do crescimento. Esses números, embora positivos para a balança comercial, sublinham a urgência de adequação da capacidade logística. A infraestrutura atual do Porto de Santos, apesar de melhorias, pode não acompanhar a demanda futura, gerando pressões que afetam a competitividade e os custos de exportação do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

O papel do Porto de Santos no escoamento dessas commodities

O Porto de Santos desempenha um papel central e estratégico no escoamento das commodities agrícolas brasileiras, sendo reconhecido como o maior e mais importante porto do país. Em 2024, sua participação de mercado foi de 29% para a soja, 40% para o milho e 61% para o açúcar (Autoridade Portuária de Santos, 2026). Essa centralidade confere ao porto uma influência direta na balança comercial do agronegócio, pois qualquer ineficiência ou gargalo logístico impacta diretamente os custos de exportação, a competitividade internacional e, indiretamente, a formação dos preços internos das commodities.

A capacidade do Porto de Santos de operar com fluidez é, portanto, um fator determinante para a manutenção da liderança brasileira no comércio global de produtos agrícolas. A relevância do porto transcende a mera movimentação de cargas, atuando como um termômetro da eficiência logística do país. A Autoridade Portuária de Santos (2026) destaca que a otimização das operações portuárias é essencial para garantir que o agronegócio brasileiro possa continuar a expandir sua produção e atender à demanda global sem comprometer a rentabilidade dos produtores e exportadores.

A infraestrutura atual do Porto de Santos

Apesar de sua importância estratégica, a infraestrutura atual do Porto de Santos apresenta limitações que comprometem sua eficiência operacional. A capacidade de armazenagem é insuficiente para atender à crescente demanda, o que levou a Autoridade Portuária de Santos (2024) a revisar a poligonal do porto organizado para ampliar áreas. Além disso, a dependência excessiva do transporte rodoviário gera congestionamentos e eleva os custos logísticos, uma vez que a participação ferroviária no escoamento permanece reduzida, conforme relatórios da ANTAQ (2025).

Outro desafio recorrente é a necessidade de dragagem contínua para manter a profundidade do canal em níveis adequados, permitindo a atracação de navios de maior porte, conforme evidenciam os projetos de manutenção realizados pela APS (Autoridade Portuária de Santos, 2025). Esses fatores demonstram que, embora o Porto de Santos seja o principal canal de escoamento das commodities agrícolas, existem gargalos estruturais que precisam ser superados para garantir a competitividade internacional e a sustentabilidade logística. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB, 2023) estima que seriam necessários R$242,4 bilhões de investimentos anuais para alcançar uma infraestrutura logística adequada no país.

Pesquisa com profissionais da área

Para aprofundar a compreensão sobre os desafios logísticos, realizou-se um questionário online com 30 profissionais atuantes no setor portuário, incluindo tradings, transportadoras e terminais. A maioria dos participantes possuía experiência significativa, com 33,3% atuando há mais de 10 anos e 23,3% entre 4 e 6 anos. Em relação aos cargos, 26,7% eram gerentes, 23,3% coordenadores ou supervisores, 23,3% analistas, 13,3% especialistas e 13,3% técnicos. Grande parte dos entrevistados trabalhava com múltiplas commodities, sendo 76,7% com açúcar, 70% com soja e 60% com milho, o que confere robustez às suas percepções sobre a dinâmica do porto.

A avaliação geral da infraestrutura do Porto de Santos pelos profissionais revelou uma percepção mista, com 50% classificando-a como regular e 43,3% como boa. Apenas 3,3% a consideraram excelente, e 3,3% a avaliaram como ruim. Quando questionados sobre os modais de transporte utilizados para a chegada da carga ao porto, 63,3% afirmaram utilizar tanto o modal rodoviário quanto o ferroviário, enquanto 30% utilizavam apenas o rodoviário e 6,7% apenas o ferroviário. Essa distribuição reflete a predominância do transporte rodoviário, mesmo com a crescente busca por alternativas.

A percepção sobre os modais de transporte indicou que o sistema opera no limite da capacidade, com gargalos em ambos os modais. O transporte rodoviário, embora ofereça flexibilidade e maior alcance regional, é sobrecarregado por custos elevados e infraestrutura de acesso precária. O sistema Anchieta-Imigrantes foi citado como um ponto de saturação, com o volume de caminhões frequentemente excedendo a capacidade da via, gerando congestionamentos que se agravam em períodos de pico de safra ou por condições climáticas adversas. A falta de estradas bem conservadas e pátios reguladores eficientes também foi apontada como um dificultador.

No que se refere ao modal ferroviário, os profissionais reconhecem sua superioridade para movimentação de grandes volumes, mas apontam um déficit estrutural significativo. Foram mencionados a falta de ativos suficientes e a carência de infraestrutura específica, como as peras ferroviárias, que poderiam otimizar a produtividade. Além disso, a operação ferroviária enfrenta problemas de segurança e integridade, com relatos de vandalismo, roubos e adulteração de cargas em trechos menos estruturados. A competitividade tarifária também foi um ponto relevante, com o alto preço praticado pelas concessionárias ferroviárias, sugerindo a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa da ANTT para equilibrar os custos.

Os entrevistados identificaram a infraestrutura como o maior gargalo logístico atualmente, destacando a falta de espaço para armazenagem, as limitações ferroviárias e a dificuldade para concentrar volume devido à capacidade insuficiente. Para melhorar esse cenário, foram sugeridas medidas como o aumento da capacidade de recebimento ferroviário, o embarque de navios maiores para liberar espaço nos armazéns e a melhoria das ruas, avenidas e corredores rodoviários. Essas sugestões corroboram a necessidade de investimentos estruturais e de gestão para otimizar o fluxo logístico no Porto de Santos.

A capacidade do Porto de Santos para exportação de soja, milho e açúcar

O Porto de Santos atende predominantemente a região produtora do Centro-Sul do Brasil, que concentra grande parte da produção nacional de soja, milho e açúcar. A análise da exportação mensal dos três produtos ao longo de 2024 revelou períodos de maior concentração de embarques, evidenciando a sobreposição temporal dos fluxos logísticos. A soja apresenta seu pico de exportações entre fevereiro e junho, refletindo a demanda internacional logo após a colheita. O milho, por sua vez, concentra suas exportações entre julho e outubro, período associado ao escoamento da segunda safra.

O açúcar, embora com um fluxo de exportação mais distribuído ao longo do ano, intensifica-se entre abril e novembro, coincidindo com o ciclo de moagem da cana-de-açúcar. Essa sobreposição temporal dos períodos de maior movimentação das commodities gera uma pressão significativa sobre a infraestrutura portuária, pois todos esses produtos utilizam os mesmos tipos de ativos logísticos, como terminais de armazenagem, caminhões, vagões ferroviários e janelas de atracação. Essa concentração de demanda aproxima a infraestrutura do limite operacional, intensificando a disputa por capacidade e recursos.

A influência das condições climáticas também contribui negativamente para a capacidade operacional. A região de Santos apresenta um regime de chuvas intensas durante os meses de verão, especialmente entre dezembro e março. Durante esses episódios, as operações de embarque de grãos e açúcar são frequentemente interrompidas para preservar a qualidade das cargas, o que impede a saída dos armazéns e gera estoques elevados, filas de espera para descarga de caminhões e vagões, e atrasos na entrada de navios. Esse cenário de concentração de demanda e eventos climáticos adversos resulta em aumento do tempo de espera para embarque, formação de filas logísticas, redução da eficiência portuária e elevação dos custos operacionais.

Em síntese, os resultados demonstram que o crescimento exponencial da produção agrícola brasileira não foi acompanhado proporcionalmente pela expansão da infraestrutura logística no Porto de Santos. A disputa logística é intensificada pela forte concentração temporal da demanda, pela sobreposição das safras e pela dependência de modais de transporte com limitações estruturais. A insuficiência de armazenagem, a precariedade das vias de acesso e a carência de ativos ferroviários, agravadas por eventos climáticos, comprometem a fluidez do escoamento e elevam os custos. A manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global exige, portanto, a ampliação da capacidade de recebimento ferroviário, investimentos em dragagem e modernização das áreas de armazenagem, conforme apontado pelos profissionais do setor e pelos dados analisados.

4. Conclusão

O presente estudo analisou o crescimento das exportações de açúcar e grãos pelo Porto de Santos, bem como os fatores que influenciam a disputa logística nesse complexo portuário, buscando identificar soluções para otimizar o escoamento. Verificou-se um aumento expressivo no volume exportado, com elevações de 112% para açúcar e 415% para soja ao longo de 20 anos, e 394% para milho desde 2007. Contudo, observou-se que a expansão da infraestrutura logística não acompanhou proporcionalmente o crescimento da produção agrícola brasileira. Identificou-se que a infraestrutura limitada, a dependência excessiva do modal rodoviário, a insuficiência de ativos ferroviários e a sobreposição sazonal das safras, que geram picos de demanda, constituem os principais gargalos. Eventos climáticos adversos também foram apontados como agravantes da fluidez das operações portuárias. A pesquisa, ao integrar dados históricos e a percepção de 30 profissionais do setor, ofereceu uma compreensão aprofundada dos desafios operacionais e estruturais que afetam a competitividade do agronegócio brasileiro.

A centralidade do Porto de Santos no escoamento de commodities agrícolas brasileiras, com participações de mercado significativas, torna a resolução desses gargalos crucial. A dependência do modal rodoviário, aliada à precariedade das vias de acesso e à carência de infraestruturas ferroviárias específicas, como peras, compromete a fluidez e eleva os custos logísticos. A insuficiência de armazenagem e a necessidade de dragagem contínua também foram destacadas. Para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global, o estudo sustenta a necessidade de ampliação da capacidade de recebimento ferroviário, investimentos em dragagem para navios de maior porte e modernização das áreas de armazenagem. Essas medidas são fundamentais para que o Porto de Santos continue a desempenhar seu papel estratégico no comércio internacional de commodities.

Referências Bibliográficas

AUTORIDADE PORTUÁRIA DE SANTOS. Estatística – Autoridade Portuária de Santos. Porto de Santos, 2026. Disponível em: <http://mensario.portodesantos.com.br/cargas/>. Acesso em: 21 abr. 2026.

CEPEA. PIB do Agronegócio Brasileiro. Cepea/ESALQ-USP,2025. Disponível em: <https://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx#:~:text=Agora%2C%20considerando%2Dse%20tamb%C3%A9m%20o,%2C5%25%20registrados%20em%202023>. Acesso em: 23 mar. 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Safra de 2025 é recorde e previsão para 2026 é 1,8% menor. Agência de Notícias IBGE, 2025. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45674-safra-de-2025-e-record

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq

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24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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