24 de julho de 2026
Certificação em Propriedades Rurais como Diferencial Competitivo no Agronegócio em Sorriso – MT
Cristiane Dorneles Lagemann Pozzobon; Mariana Trevisan Florencio
DOI: 10.22167/2675-6528-202600673
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A crescente demanda por sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade normativa no agronegócio impulsionou a adoção de certificações em propriedades rurais, especialmente em cadeias produtivas voltadas ao mercado internacional. Nesse contexto, avaliou-se os impactos econômicos, produtivos e gerenciais da adoção de certificações e boas práticas agrícolas em propriedades rurais de duas cooperativas em Sorriso – MT, com o objetivo de verificar se os benefícios superaram os custos de implementação e manutenção para o produtor. A metodologia empregou pesquisa aplicada, com abordagem quantitativa e qualitativa, por meio de questionário estruturado aplicado a produtores rurais das cooperativas selecionadas. Os dados coletados permitiram identificar o nível de adoção de certificações e a percepção dos produtores sobre custos, exigências técnicas e benefícios. Os resultados indicaram que a maioria das propriedades possuía algum tipo de certificação ou adotava boas práticas agrícolas, mas uma parcela menor manifestou interesse em novas certificações, citando exigências, custos e adequações operacionais como entraves. Observou-se que os produtores certificados relataram melhorias na organização dos processos produtivos e gerenciais. Concluiu-se que a adoção de certificações contribuiu para o aprimoramento da gestão e dos processos produtivos, embora sua consolidação como estratégia econômica dependa da percepção de viabilidade e dos benefícios efetivamente percebidos pelos produtores.
Palavras-chave: Agronegócio; Boas práticas agrícolas; Competitividade; Gestão da propriedade; Sustentabilidade.
1. Introdução
A crescente preocupação mundial com a degradação ambiental e os impactos climáticos associados às atividades produtivas, especialmente na agricultura, tem gerado novas demandas para o setor do agronegócio. Nesse contexto, a adoção de boas práticas nas propriedades rurais, aliada a processos de certificação, consolida-se como um mecanismo capaz de ampliar a transparência das operações produtivas e contribuir para a valorização e a comercialização da produção agrícola.
As Boas Práticas Agrícolas (BPA) referem-se a um conjunto de princípios, normas e procedimentos técnicos aplicados nas diversas etapas da produção agrícola. Seu propósito é garantir a qualidade e a segurança dos alimentos, promover a proteção ambiental e assegurar condições adequadas de trabalho no meio rural. Essas práticas abrangem, entre outros aspectos, o manejo adequado do solo e da água, o uso responsável de insumos agrícolas, a rastreabilidade da produção e a implementação de medidas que reduzam riscos de contaminação química, física ou biológica dos produtos (Ministério da Agricultura e Pecuária [MAPA], 2026).
O produtor rural tem enfrentado barreiras comerciais cada vez mais frequentes, impostas por países consumidores no processo de negociação de produtos agrícolas. Paralelamente, o aumento dos custos de produção e a volatilidade dos preços das commodities intensificam a necessidade de estratégias que permitam a agregação de valor à produção e a melhoria da rentabilidade da atividade agrícola. Nesse cenário, as certificações de sustentabilidade e de boas práticas são apresentadas como instrumentos para ampliar o acesso a mercados e fortalecer a competitividade do produtor.
Contudo, ainda se questiona em que medida a adoção dessas certificações gera benefícios financeiros efetivos que justifiquem os custos e as exigências inerentes ao processo de certificação nas propriedades rurais. Esta lacuna prática e teórica é central para a tomada de decisão dos produtores, que buscam equilibrar a conformidade com as demandas de mercado e a viabilidade econômica de seus empreendimentos.
A base conceitual para as políticas globais de sustentabilidade reside no desenvolvimento sustentável, que, conforme a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991), busca atender às necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras. É natural que o produtor rural almeje a sustentabilidade de sua propriedade, tanto em aspectos ambientais quanto econômicos, visando consolidar uma estrutura produtiva organizada, eficiente e duradoura (Barbieri e Silva, 2011). Uma boa gestão e organização interna da propriedade podem ser remuneradas por meio de certificações que reconhecem boas práticas agrícolas e ambientais (Veiga, 2010), proporcionando um acréscimo no caixa do produtor e reforçando sua responsabilidade socioambiental (Altieri e Nicholls, 2017).
O Brasil destaca-se como um dos maiores produtores de grãos, algodão e proteína animal no comércio internacional do agronegócio (Reis e Neto, 2018). Dentro desse cenário, o município de Sorriso, no Mato Grosso, é um polo pujante que concentra uma das maiores produções de grãos do país, tornando-se um local estratégico para o estudo das dinâmicas do agronegócio e da adoção de práticas de certificação.
Diante do cenário desafiador de margens de lucro reduzidas, volatilidade cambial e elevados custos de produção, a compreensão da percepção dos produtores rurais sobre os impactos econômicos, produtivos e gerenciais da adoção de certificações é crucial. Isso se deve à necessidade de identificar se tais práticas, que visam o fortalecimento do fluxo de caixa e a sustentabilidade econômica, efetivamente superam os custos de implementação e manutenção. Assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar os impactos econômicos, produtivos e gerenciais decorrentes da adoção de certificações e de recomendações técnicas relacionadas às boas práticas agrícolas em propriedades rurais vinculadas a cooperativas localizadas no município de Sorriso, Mato Grosso, verificando se os benefícios obtidos superam os custos de implementação e manutenção para o produtor.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza descritiva, com enfoque aplicado e abordagem metodológica que combinou elementos quantitativos e qualitativos. A natureza descritiva buscou detalhar as características dos fenômenos observados, enquanto o enfoque aplicado visou gerar conhecimentos para a resolução de problemas práticos no contexto do agronegócio. A abordagem mista permitiu uma compreensão abrangente dos impactos das certificações.
O objetivo central da metodologia consistiu em identificar a proporção de produtores rurais que possuíram certificação em suas propriedades. Adicionalmente, buscou-se analisar os principais desafios enfrentados durante o processo de certificação e verificar a existência de benefícios financeiros decorrentes da adoção das diretrizes e exigências estabelecidas pelas empresas certificadoras, alinhando-se ao propósito de avaliar os impactos econômicos, produtivos e gerenciais.
A coleta de dados foi realizada por meio de um levantamento de campo, conhecido como survey, utilizando-se questionários estruturados como instrumento principal. Os questionários foram elaborados para abordar aspectos relacionados à adoção de certificações, custos, exigências técnicas e benefícios percebidos pelos produtores rurais. Este procedimento permitiu a obtenção de informações padronizadas e comparáveis.
Os questionários foram aplicados de forma online, utilizando a plataforma Google Forms, o que facilitou o acesso aos respondentes e ampliou o alcance da pesquisa. Para a distribuição, os questionários foram enviados nos grupos de WhatsApp das cooperativas, direcionados aos gestores e aos cooperados, garantindo a comunicação direta com os participantes do estudo.
A unidade de análise da pesquisa compreendeu produtores rurais vinculados a duas cooperativas localizadas no município de Sorriso, estado de Mato Grosso. A seleção dessas cooperativas justificou-se pela sua representatividade na produção agrícola da região e pela diversidade de propriedades com diferentes níveis de adoção de certificações e boas práticas agrícolas.
As cooperativas participantes foram denominadas Cooperativa 1 e Cooperativa 2. A Cooperativa 1 era composta por vinte e dois grupos familiares, enquanto a Cooperativa 2 reunia cinquenta e sete grupos familiares. No total, setenta e nove unidades produtivas foram consideradas na análise, representando um universo significativo de produtores de grande escala.
As propriedades rurais vinculadas a essas cooperativas atuavam predominantemente nas culturas de soja, milho e algodão. De forma agregada, a área cultivada por essas propriedades somava mais de quatrocentos e cinquenta mil hectares na safra 2025/2026, com a cultura da soja sendo a mais expressiva. O volume de produção estava associado a um desempenho econômico relevante.
As informações contextuais sobre as cooperativas, como área cultivada e faturamento, foram obtidas por meio de dados disponibilizados pelas próprias cooperativas e por registros de domínio público. Esses dados complementaram as informações coletadas diretamente dos produtores, fornecendo um panorama mais completo do ambiente de estudo.
Após a coleta, os dados foram organizados e tabulados para posterior análise. O tratamento dos dados foi realizado por meio de estatística descritiva, utilizando o software Microsoft Excel. Esta técnica permitiu sumarizar e descrever as características principais do conjunto de dados, sem inferências para uma população maior.
A análise descritiva visou identificar a proporção de propriedades rurais que já possuíam algum tipo de certificação ou adotavam boas práticas agrícolas. Também se buscou descrever os principais desafios enfrentados pelos produtores durante o processo de implementação da certificação e os benefícios econômicos percebidos após a sua adoção.
Durante todo o processo de coleta, tratamento e armazenamento das informações, observaram-se rigorosamente os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018). Assegurou-se a confidencialidade e o anonimato dos respondentes, garantindo que as informações individuais não fossem identificadas.
Adicionalmente, os dados coletados foram utilizados exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, em conformidade com os princípios de finalidade, necessidade e segurança estabelecidos pela legislação. Este cuidado ético reforçou a integridade da pesquisa e a proteção dos participantes.
3. Resultados e Discussão
A presente pesquisa, que avaliou os impactos econômicos, produtivos e gerenciais da adoção de certificações e boas práticas agrícolas, contou com 47 respostas válidas de produtores rurais associados a duas cooperativas em Sorriso, Mato Grosso. O perfil dos respondentes revelou uma experiência consolidada na atividade agrícola, com 44,7% atuando há mais de 20 anos, o que sugere que as decisões sobre certificação são tomadas por indivíduos com conhecimento técnico e práticas produtivas já estabelecidas. Essa base de experiência é crucial para a compreensão das percepções sobre os desafios e benefícios da certificação.
A predominância da cultura da soja foi evidente, representando 93,6% da principal atividade desenvolvida nas propriedades, o que reforça a relevância dessa commodity para a economia regional e nacional, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2023). Além disso, a maioria das propriedades, 66% delas, possuía área superior a 2.000 hectares, indicando a predominância de empreendimentos rurais de grande escala. Esse porte pode ser um facilitador para a adoção de certificações, dado que propriedades maiores tendem a ter maior capacidade de investimento e estruturas gerenciais mais organizadas, aspectos considerados importantes para a implementação de padrões normativos, conforme apontado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA, 2020).
No que diz respeito à adoção de certificações ou recomendações técnicas relacionadas às boas práticas agrícolas, 66% dos respondentes já possuíam algum tipo de certificação ou adotavam diretrizes reconhecidas. Contudo, o interesse em buscar novas certificações foi manifestado por apenas 46,8% dos produtores. Essa disparidade sugere que, embora a adesão inicial seja significativa, a expansão para novas certificações enfrenta barreiras consideráveis. A literatura corrobora essa observação, indicando que custos de adequação, complexidade dos requisitos e ajustes operacionais são fatores limitantes para a adoção de certificações no meio rural (Veiga, 2010; Barbieri e Silva, 2011; Souza Filho et al., 2019).
Os principais fatores que dificultam a adoção de certificações foram identificados, com 51,1% dos respondentes apontando as exigências impostas pelas certificadoras como o maior entrave. A ausência de retorno financeiro foi citada por 36,2% dos produtores, enquanto o custo de implantação e o desconhecimento do tema foram mencionados por 23,4% cada. As dificuldades de gestão e controle, bem como a falta de informações técnicas, também representaram desafios significativos, ambos com 21,3% das menções. Esses dados revelam uma percepção clara de que os requisitos e os custos associados superam, para muitos, os benefícios percebidos ou esperados.
Entre os produtores que já haviam implementado certificações, foram relatados benefícios relacionados ao acesso a mercados diferenciados, embora a percepção de retornos econômicos expressivos no curto prazo fosse limitada. Um dado relevante é que 36,2% dos respondentes reconheceram que a certificação contribuiu para a melhoria da organização interna, a padronização de processos e o aperfeiçoamento da gestão da propriedade. Essas evidências alinham-se a estudos que destacam a função da certificação como instrumento de profissionalização da atividade agrícola, promovendo maior controle e fortalecendo a imagem do produtor rural (Neves e Zylbersztajn, 2005; Machado, 2017).
A experiência com certificações na amostra estudada é notável, com 31,9% das propriedades possuindo certificação há mais de seis anos, o que indica uma consolidação de padrões normativos e de conformidade entre esses produtores. Dentre os modelos de certificação mencionados, a Round Table on Responsible Soy (RTRS) destacou-se, sendo citada por 23,4% dos respondentes. A RTRS, no contexto da cadeia produtiva da soja, estabelece critérios rigorosos relacionados à conformidade legal, responsabilidade ambiental, condições de trabalho e rastreabilidade, demandando investimentos em controles operacionais, registros produtivos e padronização de processos (RTRS, 2021; Souza Filho et al., 2019).
A implementação da certificação foi classificada como moderada em termos de dificuldade por 40,4% dos respondentes. Os desafios específicos incluíram a necessidade de adequações na infraestrutura da propriedade, indicada por 29,8% dos produtores, e dificuldades na organização documental, mencionadas por 10,6%. Esses resultados sublinham que a certificação não exige apenas mudanças físicas, mas também uma formalização e sistematização mais robusta dos processos gerenciais, o que implica em demandas por capacitação técnica e adaptação administrativa. Outros desafios relevantes foram os custos financeiros (29,8%), adequações ambientais (8,5%), mudanças na gestão da propriedade (8,5%) e capacitação da equipe (8,5%).
Em relação à percepção de benefícios econômicos após a certificação, 23,4% dos produtores afirmaram ter observado retorno econômico, enquanto outros 23,4% indicaram uma percepção parcial desses resultados. Apenas 19,1% relataram maior facilidade na negociação de seus produtos como consequência direta da certificação. Adicionalmente, somente 21,3% dos produtores indicaram um impacto econômico moderado associado à certificação. Esses dados sugerem que o retorno financeiro direto e imediato ainda é percebido de forma limitada pela maioria dos produtores, o que pode influenciar a decisão de não buscar novas certificações.
A avaliação do impacto da certificação na rentabilidade da propriedade revelou que 34% dos respondentes não perceberam nenhum impacto, enquanto 21,3% relataram um baixo impacto. Um impacto moderado foi indicado por 19,1% dos produtores, e apenas 12,8% e 8,5% mencionaram impacto significativo e muito significativo, respectivamente. Essa distribuição de percepções reforça a ideia de que, embora existam benefícios, eles não são universalmente traduzidos em ganhos financeiros substanciais ou imediatos para todos os produtores, o que gera incerteza sobre a viabilidade econômica da certificação.
No que tange aos aspectos de sustentabilidade e competitividade, 36,2% dos respondentes concordaram totalmente que a certificação contribuiu para a melhoria da organização e da gestão da propriedade. Outros 29,8% concordaram parcialmente com essa afirmação. Esses resultados evidenciam que a certificação promove ganhos tangíveis na padronização de processos e no controle das atividades produtivas, alinhando-se à visão de Barbieri e Silva (2011) e Altieri e Nicholls (2017) sobre a importância da gestão e organização interna para a sustentabilidade do empreendimento rural.
A percepção sobre o aumento da competitividade do produtor rural no mercado devido à certificação foi mais dividida. Enquanto 27,7% concordaram totalmente e outros 27,7% concordaram parcialmente, uma parcela significativa (25,5%) nem concordou nem discordou, e 8,5% discordaram parcialmente. Essa ambivalência sugere que os benefícios estratégicos da certificação, como o fortalecimento da competitividade, ainda não são integralmente reconhecidos ou percebidos por uma parcela considerável dos produtores, o que pode limitar a motivação para a adesão ou manutenção de tais processos.
Finalmente, ao serem questionados sobre a viabilidade da certificação como estratégia para o produtor rural, apenas 21,3% dos entrevistados afirmaram concordar totalmente com essa possibilidade. Outros 36,2% concordaram parcialmente, enquanto 19,1% nem concordaram nem discordaram. Esse resultado indica que a decisão de adotar ou manter certificações permanece fortemente condicionada à avaliação de custo-benefício, à percepção de retorno econômico e à compatibilidade das exigências normativas com a realidade operacional das propriedades. A expectativa de ganhos de eficiência e a inserção em mercados mais exigentes são fatores que influenciam o processo decisório, mas a percepção de valor precisa ser mais concreta (Neves e Zylbersztajn, 2005).
Em síntese, os resultados da pesquisa indicaram que a adoção de certificações e boas práticas agrícolas é uma realidade para a maioria dos produtores em Sorriso, Mato Grosso, impulsionando melhorias significativas na organização e gestão das propriedades. Contudo, a percepção de benefícios econômicos diretos e a viabilidade estratégica da certificação ainda são limitadas, com os custos de implementação e as exigências das certificadoras representando os principais entraves. A consolidação da certificação como um diferencial competitivo e uma estratégia econômica eficaz dependerá de um alinhamento mais claro entre os investimentos realizados e os retornos efetivamente percebidos pelos produtores.
4. Conclusão
O presente estudo avaliou os impactos econômicos, produtivos e gerenciais da adoção de certificações e de recomendações técnicas relacionadas às boas práticas agrícolas em propriedades rurais de Sorriso, Mato Grosso, buscando verificar se os benefícios superavam os custos de implementação e manutenção para o produtor. Verificou-se que uma parcela significativa dos produtores já possuía algum tipo de certificação ou adotava boas práticas agrícolas, indicando uma conformidade inicial com os padrões de mercado. Contudo, a percepção de viabilidade para novas certificações mostrou-se limitada, com os produtores apontando as exigências das certificadoras, os custos de implantação e a ausência de retorno financeiro direto como os principais entraves. Observou-se que, embora os benefícios econômicos imediatos fossem percebidos de forma restrita, a certificação contribuiu para a melhoria da organização interna, a padronização de processos e o aperfeiçoamento da gestão da propriedade.
A principal contribuição deste trabalho reside em evidenciar que a adoção de certificações impulsionou o aprimoramento da gestão e dos processos produtivos nas propriedades rurais, promovendo a profissionalização da atividade agrícola. No entanto, a consolidação da certificação como uma estratégia econômica eficaz permanece condicionada à percepção de valor e à superação dos custos de implementação e manutenção, o que representa uma limitação para sua expansão. Sugere-se, para estudos futuros, aprofundar a análise dos impactos econômicos da certificação em horizontes temporais mais amplos, como o médio e longo prazo, e investigar mecanismos que possam reduzir os custos de implementação e ampliar a percepção de valor pelos produtores rurais, favorecendo sua adoção como diferencial competitivo no agronegócio.
Referências Bibliográficas
Altieri, Miguel A.; Nicholls, Clara I. Agroecologia: princípios e estratégias para a agricultura sustentável. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2017.
Barbieri, José Carlos; Silva, Dirceu da. Gestão Ambiental Empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. 430 p.
Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos. Brasília: [CONAB], 2023.
Machado, Rosa Teresa Moreira. Certificação e competitividade no agronegócio. Revista de Política Agrícola, Brasília, 2017.
Ministério da Agricultura e Pecuária. Boas práticas agrícolas. Brasília [MAPA], 2020.
Neves, Marcos Fava; Zylbersztajn, Décio. Economia e gestão dos negócios agroalimentares. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.
Reis, João Gilberto Mendes dos; Neto, Pedro Luiz de Oliveira C. Engenharia de produção aplicada ao agronegócio. São Paulo: Editora Blucher, 2018.
RTRS – Round Table on Responsible Soy. RTRS Standard for Responsible Soy Production. Version 3.1. 2021. Disponível em: https://responsiblesoy.org. Acesso em: 05/04/2026.
Souza Filho, Hildo Meirelles de et al. Adoção de tecnologia e inovação na agricultura. Revista de Economia e Sociologia Rural, 2019.
Veiga, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. 2. ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2010.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq
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