Artigo

03 de agosto de 2026

Causas de atrasos em ambientes multiprojeto: estudo de caso com identificação de estratégias para melhoria

Gisele Cristina Mantovani; Alexandre Sanches Copatto

DOI: 10.22167/2675-6528-202600844

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão de cronogramas em ambientes multiprojeto representou um desafio relevante para organizações que conduzem múltiplas iniciativas simultaneamente. Este estudo teve como objetivo identificar e analisar as principais causas de atrasos em cronogramas em um ambiente multiprojeto, bem como propor estratégias voltadas à melhoria do desempenho temporal. Para tanto, realizou-se um estudo de caso em uma equipe que atua em projetos de infraestrutura e construção civil, caracterizados pela participação simultânea de profissionais em diferentes iniciativas e pela interação entre múltiplas disciplinas técnicas. A coleta de dados foi realizada em janeiro de 2026 por meio da aplicação de um questionário aos membros da equipe investigada, obtendo-se 12 respostas válidas de um universo de 46 profissionais. O instrumento permitiu analisar o perfil dos participantes, as causas percebidas de atrasos, as práticas de acompanhamento do cronograma e as estratégias consideradas relevantes para sua melhoria. Os resultados indicaram que interrupções frequentes, influências políticas e conflitos de prioridades constituíram, sob a ótica dos respondentes, os principais fatores para a ocorrência de atrasos na equipe. No que tange ao acompanhamento do cronograma, observou-se o predomínio do uso de planilhas eletrônicas e ferramentas colaborativas. Entre as estratégias de melhoria apontadas, destacaram-se a padronização de processos, a priorização formal entre projetos e o fortalecimento da gestão do conhecimento. Concluiu-se que a adoção de práticas mais estruturadas de planejamento, priorização e acompanhamento pode contribuir para reduzir atrasos e melhorar a previsibilidade das entregas em ambientes multiprojeto, sobretudo no contexto organizacional analisado.

Palavras-chave: Desempenho temporal; Gestão de projetos; Planejamento; Priorização.

1. Introdução

A gestão do cronograma é um elemento fundamental no gerenciamento de projetos, sendo diretamente responsável pela previsibilidade das entregas, pela eficaz coordenação das atividades e pela otimização do uso dos recursos organizacionais. O planejamento e o controle do tempo permitem a estruturação lógica das atividades, a definição de suas sequências de execução e o acompanhamento contínuo do progresso em relação ao que foi originalmente planejado, o que é crucial para a tomada de decisões ao longo de todo o ciclo de vida do projeto (Kerzner, 2017).

Contudo, a ocorrência de atrasos em cronogramas persiste como um desafio significativo e recorrente em diversos setores e contextos organizacionais. Essa problemática não se restringe apenas a falhas técnicas, mas frequentemente envolve fatores comportamentais e sistêmicos. Goldratt (1997) aponta elementos como a síndrome do estudante, a lei de Parkinson e a multitarefa excessiva como contribuintes para a ineficiência, comprometendo a fluidez das atividades e a confiabilidade dos prazos estabelecidos.

Em ambientes organizacionais contemporâneos, a simultaneidade na condução de múltiplos projetos é uma prática comum, implicando no compartilhamento de recursos humanos e materiais. Essa configuração inerentemente aumenta a complexidade do planejamento e do controle dos cronogramas. Decisões tomadas em um projeto podem, de fato, gerar impactos diretos no desempenho temporal de outras iniciativas, criando um cenário de interdependência que exige uma gestão ainda mais rigorosa (Aghileh et al., 2025).

Nesse contexto, a gestão de cronogramas em ambientes multiprojeto emerge como um campo de estudo crítico, dada a sua relevância para a sustentabilidade e competitividade das organizações. A complexidade intrínseca a esses ambientes, aliada à dinâmica de compartilhamento de recursos e à multiplicidade de demandas, torna a identificação das causas de atrasos um passo essencial para o desenvolvimento de estratégias de melhoria eficazes.

Diante desse cenário, o gerenciamento de projetos busca continuamente estruturar práticas e princípios que possam orientar o desempenho organizacional de maneira mais integrada e eficiente. O Guia PMBOK (PMI, 2021) propõe uma abordagem baseada em domínios de desempenho, que abrangem áreas críticas para o sucesso dos projetos, como equipe, planejamento, entrega de valor e medição de resultados. Fatores que levam a atrasos em cronogramas podem ser interpretados como manifestações de fragilidades ou limitações dentro desses domínios.

A presente pesquisa, de natureza aplicada, busca gerar conhecimento que contribua para a solução de um problema prático, conforme preconizado por Gil (1989). Ela se insere no contexto de uma equipe multiprojeto atuante em Florianópolis, Santa Catarina, dedicada a projetos de pesquisa, inovação e consultoria técnica, com foco especial nos setores de infraestrutura e construção civil. Este ambiente é caracterizado pela atuação simultânea de profissionais multidisciplinares, pela alta interdependência entre projetos, pela diversidade de disciplinas envolvidas e pela constante pressão de prazos concorrentes.

A escolha desse estudo de caso específico justifica-se pela aderência do contexto aos desafios típicos de ambientes multiprojeto, oferecendo uma oportunidade valiosa para a análise aprofundada das causas de atrasos em cronogramas. A compreensão desses fatores e a proposição de estratégias de melhoria são cruciais para aprimorar a previsibilidade e a eficiência na entrega de projetos.

Assim, este estudo tem como objetivo identificar e analisar as principais causas de atrasos no cumprimento de cronogramas em um ambiente multiprojeto, por meio de um estudo de caso, e indicar estratégias que contribuam para a melhoria do seu desempenho temporal.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como aplicada, buscando gerar conhecimento para a solução de um problema prático, conforme a classificação de Gil (1989). Quanto à abordagem metodológica, adotou-se uma natureza qualiquantitativa, seguindo a conceituação de Creswell (2009). Essa abordagem permitiu a análise de percepções, experiências e interpretações dos participantes, complementada por informações quantitativas sobre o contexto estudado. Em relação aos objetivos, o estudo foi classificado como descritivo, visando identificar e caracterizar os fatores associados ao desempenho do cronograma.

O delineamento metodológico empregou um estudo de caso único, conduzido em uma equipe multiprojeto, conforme a estratégia proposta por Yin (2001). A unidade de análise foi uma equipe atuante em Florianópolis, Santa Catarina, dedicada a projetos de pesquisa, inovação e consultoria técnica nos setores de infraestrutura e construção civil. Este ambiente foi selecionado por sua característica de atuação simultânea de profissionais multidisciplinares, alta interdependência entre projetos e prazos concorrentes.

O universo da pesquisa compreendeu o conjunto de 46 profissionais integrantes da equipe multiprojeto investigada. A coleta de dados foi realizada no mês de janeiro de 2026, por meio da aplicação de um questionário eletrônico. A amostra foi composta por 12 participantes que aceitaram voluntariamente responder ao questionário, representando uma taxa de participação de aproximadamente 26%. A participação foi anônima, visando reduzir vieses e garantir a espontaneidade das respostas.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário eletrônico, desenvolvido com base na pesquisa bibliográfica dos domínios de desempenho da 7ª edição do Guia PMBOK (PMI, 2021), integrando a literatura sobre causas de atrasos. O instrumento foi organizado em cinco blocos principais: caracterização dos respondentes; identificação das causas de atrasos conforme domínio de desempenho; práticas de acompanhamento e controle do cronograma; estratégias percebidas para redução de atrasos; e barreiras à implementação de melhorias. A aplicação de questionários é uma técnica amplamente empregada em pesquisas descritivas para coleta de dados padronizados (Sampieri, Collado e Lucio, 2013).

As questões do questionário foram predominantemente objetivas, estruturadas em formato de múltipla escolha, permitindo a seleção de mais de uma alternativa quando aplicável. Campos abertos foram incluídos para complementação qualitativa das respostas. O questionário foi elaborado e disponibilizado por meio da plataforma Google Forms. Antes da aplicação definitiva, realizou-se um teste piloto com um participante de perfil semelhante ao público-alvo, com o objetivo de verificar a clareza, coerência e adequação das alternativas propostas. Após ajustes pontuais, o instrumento foi disponibilizado aos membros da equipe estudada.

Os dados coletados foram consolidados em planilha eletrônica e organizados por domínio de desempenho, permitindo uma análise segmentada das causas de atrasos. Inicialmente, realizou-se a análise estatística descritiva, com o cálculo de frequências das alternativas selecionadas. Essa etapa visou identificar os fatores mais recorrentes associados aos atrasos no cronograma, considerando como relevantes aqueles com maior concentração de respostas. As respostas abertas, por sua vez, foram examinadas e incorporadas às análises para complementar a compreensão dos dados.

A interpretação dos resultados foi conduzida de forma integrada, buscando identificar padrões recorrentes e convergências entre as causas apontadas e as estratégias sugeridas. Procurou-se também estabelecer possíveis relações entre os diferentes domínios de desempenho analisados. Este processo permitiu uma compreensão abrangente dos fenômenos observados, sem antecipar achados empíricos ou conclusões analíticas.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados por meio do questionário eletrônico revelou um panorama detalhado sobre as causas de atrasos em cronogramas no ambiente multiprojeto investigado, as práticas de acompanhamento adotadas, as estratégias percebidas como eficazes e as barreiras para a implementação de melhorias. Os resultados obtidos fornecem uma base empírica para compreender a complexidade inerente à gestão temporal em contextos onde múltiplos projetos coexistem e compartilham recursos, alinhando-se à perspectiva de Aghileh et al. (2025) sobre a interdependência de iniciativas.

A caracterização dos respondentes indicou que a equipe é composta por profissionais com perfis variados, sendo 41,7% bolsistas ou estagiários e outros 41,7% atuando em funções técnicas sem liderança formal, enquanto apenas 16,7% ocupam posições de coordenação. Essa predominância de uma visão operacional é relevante, pois os profissionais técnicos vivenciam diretamente os impactos de conflitos de prioridade e restrições de capacidade. A experiência em ambientes multiprojeto também é heterogênea, com 50% dos respondentes possuindo mais de cinco anos de atuação, o que permite a combinação de percepções consolidadas com visões mais recentes das dinâmicas de trabalho.

No que se refere à formação em Gestão de Projetos, 58,3% dos participantes declararam não possuir qualificação formal na área, e apenas um dos dois coordenadores possuía essa formação. Este achado sugere que as práticas de gestão podem estar mais ancoradas na experiência empírica e na cultura organizacional do que em metodologias padronizadas, o que pode influenciar a consistência no uso de ferramentas e processos. A natureza multidisciplinar dos projetos, indicada por 91,7% dos participantes, reforça a complexidade do ambiente, demandando maior coordenação e gestão de interfaces para o cumprimento dos cronogramas.

A simultaneidade de atuação é um fator crítico, com 83,4% dos respondentes envolvidos em três ou mais projetos paralelos. Esse elevado grau de fragmentação da alocação de tempo e atenção intensifica os conflitos de prioridade, amplia o tempo de resposta e aumenta o risco de atrasos em cascata, conforme a literatura sobre ambientes multiprojeto. A cadência de entregas mostrou um equilíbrio entre entregas múltiplas sem periodicidade definida (50%) e entregas periódicas (50%), indicando uma variabilidade de demandas que exige replanejamento frequente e dificulta o planejamento de médio e longo prazo.

A diversidade no tamanho das equipes e nas abordagens de desenvolvimento (41,7% adaptativa, 41,7% híbrida e 16,7% tradicional) também contribui para a complexidade. A coexistência de diferentes modelos metodológicos pode gerar desafios de padronização e alinhamento, especialmente na ausência de diretrizes organizacionais consolidadas. Em síntese, o perfil da equipe e o contexto de trabalho caracterizam um ambiente multiprojeto com alta simultaneidade de demandas, diversidade de experiências e heterogeneidade metodológica, fatores que, combinados, criam um cenário propício à ocorrência de atrasos.

Causas de atrasos conforme domínio de desempenho

A investigação das causas de atrasos, categorizadas pelos domínios de desempenho do Guia PMBOK (PMI, 2021), revelou fatores específicos que impactam o cronograma. No domínio das partes interessadas, a mudança frequente de prioridades ao longo do projeto foi a causa mais citada, com 75% dos respondentes. A demora na tomada de decisão pelas partes interessadas (50%) e a predominância de comunicação informal sem registros oficiais (41,7%) também foram destacadas. Esses resultados sugerem que os atrasos não se limitam à execução técnica, mas refletem problemas de governança e instabilidade nas diretrizes estratégicas, gerando baixa previsibilidade e replanejamento constante.

Em relação à equipe, a falta de alinhamento quanto às prioridades entre projetos simultâneos foi a causa mais expressiva, indicada por 58,3% dos participantes. A baixa disponibilidade da equipe devido à atuação em múltiplos projetos, a insuficiência de competências técnicas ou gerenciais e a falta de alinhamento geral de prioridades foram mencionadas por 25% dos respondentes cada. Esses dados reforçam o diagnóstico de um ambiente multiprojeto onde a simultaneidade de atuação fragmenta o foco e a capacidade produtiva, indicando que o problema possui uma natureza sistêmica que afeta tanto a definição estratégica quanto a execução operacional.

No domínio da abordagem de desenvolvimento e ciclo de vida, a dificuldade de priorização entre múltiplos projetos dentro do mesmo ciclo de vida foi apontada por 66,7% dos respondentes como a principal causa de atraso. A inadequação da abordagem de desenvolvimento ao tipo de projeto foi citada por 33,3%. Esse achado sugere que o desafio central não reside na escolha de um modelo metodológico específico (tradicional, híbrido ou adaptativo), mas na ausência de mecanismos eficazes para priorizar e balancear o portfólio de projetos, o que pode intensificar ambiguidades na definição de entregas e marcos.

As causas relacionadas ao planejamento evidenciaram fragilidades estruturais. A subestimação dos prazos das atividades e a desconsideração da disponibilidade real de recursos foram as causas mais citadas, ambas com 66,7% das indicações. A ausência de critérios formais para estimativas e a falta de reservas de contingência foram mencionadas por 41,7% dos respondentes cada. Esses resultados apontam para um otimismo excessivo ou pressão por cronogramas agressivos, além de um desalinhamento entre o planejamento e a realidade operacional, o que aumenta a probabilidade de atrasos em cascata.

No domínio da organização e coordenação do trabalho, a interrupção frequente no fluxo de trabalho foi a causa mais expressiva, indicada por 91,7% dos respondentes. A execução recorrente de trabalhos não planejados (41,7%) e a dependência de aquisições ou contratações (33,3%) também foram fatores relevantes. A alta incidência de interrupções caracteriza um ambiente com baixa estabilidade operacional, coerente com a presença de múltiplos projetos simultâneos e mudanças frequentes de prioridade, o que gera um ciclo de descontinuidade que compromete a produtividade e a previsibilidade das entregas.

Quanto às causas relacionadas à entrega, o retrabalho decorrente de falhas de entendimento ou especificação e a dificuldade de integração entre entregas de diferentes áreas foram as mais citadas, ambas com 66,7% das indicações. A dependência excessiva de validações externas foi mencionada por 33,3%. Esses dados indicam que falhas na comunicação e na integração técnica impactam diretamente o cronograma por meio de retrabalho. Em ambientes multidisciplinares, a ausência de alinhamento prévio tende a gerar incompatibilidades entre as entregas, resultando em ajustes posteriores que comprometem o prazo final.

Por fim, no domínio das incertezas, a influência política externa ou interna foi a incerteza mais citada como causa de atrasos, com 83,3% dos respondentes. A dependência de informações externas foi mencionada por 66,7%. Esse resultado sugere que uma parte significativa dos atrasos decorre de fatores externos ao controle direto da equipe, indicando a necessidade de mecanismos mais robustos de gestão de riscos e de antecipação de impactos externos para mitigar os efeitos dessas incertezas no desempenho do cronograma.

Síntese das causas predominantes de atrasos

A análise consolidada das respostas permitiu identificar as dez causas mais recorrentes de atrasos no ambiente multiprojeto investigado. Em ordem decrescente de frequência, os fatores mais citados foram: interrupções frequentes no fluxo de trabalho (11 indicações), influências políticas externas ou internas (10 indicações), mudança frequente de prioridades ao longo do projeto (9 indicações), falta de alinhamento quanto às prioridades entre projetos simultâneos (7 indicações), e com 8 indicações cada, a dependência de informações externas, a dificuldade de integração entre entregas de projetos, o retrabalho por falhas de entendimento ou especificação, a desconsideração da disponibilidade real de recursos, a subestimação dos prazos das atividades e a dificuldade de priorização entre múltiplos projetos.

Observa-se que os fatores mais citados estão predominantemente associados à dinâmica organizacional e operacional, destacando-se as interrupções frequentes no fluxo de trabalho, o desalinhamento de prioridades entre projetos simultâneos e as influências políticas externas ou internas. Esses resultados indicam que uma parte significativa dos atrasos não decorre de dificuldades técnicas na execução das atividades, mas de aspectos relacionados à coordenação, priorização e estabilidade das demandas no ambiente organizacional, conforme a perspectiva de Goldratt (1997) sobre fatores sistêmicos.

Um conjunto relevante de fatores refere-se ao processo de planejamento e estimativa, incluindo a subestimação dos prazos das atividades, a desconsideração da disponibilidade real de recursos e a dificuldade de priorização entre múltiplos projetos. Esses elementos sugerem fragilidades no processo de planejamento, especialmente na consideração das restrições de capacidade e na gestão integrada do portfólio de projetos. Adicionalmente, fatores relacionados à qualidade da comunicação e integração das entregas, como o retrabalho decorrente de falhas de entendimento ou especificação e a dificuldade de integração entre entregas de diferentes áreas, também apresentaram ocorrência significativa, ampliando a necessidade de ajustes posteriores e retrabalho.

Para facilitar a compreensão, as principais causas de atraso podem ser organizadas em um fluxograma conceitual que as categoriza em causas operacionais, estruturais e organizacionais, todas inseridas no contexto de um ambiente multiprojeto. As causas operacionais incluem retrabalho, falta de alinhamento, interrupções frequentes e subestimação dos prazos. As causas estruturais abrangem a dependência de informações, a dificuldade de integração, a disponibilidade de recursos e a dificuldade de priorização. Já as causas organizacionais envolvem influências políticas e a mudança frequente de prioridades. O ambiente multiprojeto, caracterizado por múltiplos projetos, equipes multidisciplinares e diferentes níveis de experiência, atua como o pano de fundo para esses atrasos no cronograma.

A partir dessa organização, fica evidente que a gestão eficaz do cronograma em ambientes multiprojeto exige uma abordagem multifacetada. É fundamental a adoção de estratégias estruturadas de priorização de demandas, de gestão da capacidade de execução da equipe e de proteção do fluxo de trabalho. Tais medidas são essenciais para mitigar os impactos das interrupções e dos conflitos de prioridade, que são percebidos como os principais impulsionadores dos atrasos no contexto analisado.

Práticas de acompanhamento e controle do cronograma

Além da identificação das causas, o estudo buscou compreender como ocorre o acompanhamento do desempenho dos cronogramas. Os resultados indicaram que o uso de métricas formais para monitoramento é limitado. A alternativa mais indicada foi a inexistência de medidas estruturadas de acompanhamento, mencionada por 41,7% dos respondentes. Entre as métricas efetivamente utilizadas, 25% citaram o percentual de atividades concluídas e o desvio entre prazo planejado e realizado, enquanto 16,7% mencionaram o percentual de atividades concluídas no prazo e 8,3% a quantidade de produtos entregues.

Esses resultados sugerem que o monitoramento do cronograma ocorre de forma pouco sistematizada, com predominância de indicadores simples de progresso e ausência de métricas mais estruturadas de desempenho temporal. A inexistência de medidas formais para uma parcela significativa dos respondentes pode dificultar a identificação precoce de desvios e a adoção de ações corretivas, comprometendo a capacidade de resposta da equipe diante de imprevistos e mudanças de escopo.

No que se refere às ferramentas utilizadas para acompanhamento do cronograma, observou-se a predominância de soluções simples e de uso geral. As planilhas eletrônicas, como Excel, foram mencionadas por 41,7% dos respondentes, configurando a ferramenta mais utilizada. Ferramentas colaborativas, como Trello ou ClickUp, foram citadas por 33,3%, assim como a alternativa de não usar nenhuma ferramenta específica. Em contraste, o uso de softwares dedicados à gestão de projetos, como MS Project, foi mencionado por apenas 8,3% dos participantes.

A baixa adoção de ferramentas especializadas para planejamento e controle de cronogramas é um indicativo de que a visibilidade integrada das atividades é limitada. A predominância de planilhas e ferramentas genéricas pode dificultar o acompanhamento sistemático de dependências, a identificação de caminhos críticos e a avaliação dos impactos de atrasos em um ambiente multiprojeto. Essa limitação tecnológica pode agravar os desafios de coordenação e priorização já identificados.

A percepção dos participantes quanto à suficiência das práticas de acompanhamento atuais reforça essa avaliação crítica. Dos respondentes, 58,3% consideram que as medidas e ferramentas utilizadas são insuficientes para gerenciar adequadamente o cronograma, enquanto 41,7% avaliam que os mecanismos existentes são suficientes. Essa percepção majoritária de insuficiência corrobora os resultados anteriores, indicando que parte dos atrasos observados está associada à ausência de mecanismos estruturados de monitoramento e controle do desempenho dos cronogramas, o que impede uma gestão proativa e eficaz.

Estratégias percebidas para redução de atrasos

Entre as estratégias percebidas pelos participantes como potenciais para a redução dos atrasos, a padronização de processos foi a mais recorrente, mencionada por 75% dos respondentes. Em seguida, a priorização formal entre projetos e o gerenciamento do conhecimento foram apontados por 41,7% cada. As revisões periódicas do cronograma foram mencionadas por 33,3%, indicando que parte dos participantes reconhece a importância do acompanhamento sistemático do progresso das atividades como forma de reduzir desvios de prazo.

Estratégias como a limitação do trabalho em andamento e a aquisição de recursos foram mencionadas por apenas 8,3% dos respondentes cada, sugerindo uma menor adoção ou percepção de relevância dessas práticas no contexto analisado. De forma geral, os resultados indicam que estratégias relacionadas à estruturação dos processos organizacionais e à coordenação entre projetos são percebidas como mais relevantes para o cumprimento dos cronogramas no ambiente estudado, o que reforça a importância de mecanismos de governança e de gestão integrada em ambientes caracterizados pela atuação simultânea em múltiplas iniciativas, conforme preconizado pelo Guia PMBOK (PMI, 2021).

Barreiras à implementação das melhorias

Quando questionados acerca das barreiras para a implementação de melhorias, os participantes indicaram o conflito de prioridades entre projetos como a principal dificuldade, mencionado por 66,7% dos respondentes. Em seguida, destacaram-se as limitações de recursos, apontadas por 50%, sugerindo que a disponibilidade restrita de pessoal ou tempo pode representar um fator adicional que dificulta o cumprimento dos prazos e a adoção de práticas mais estruturadas de planejamento e controle. A falta de apoio da alta gestão foi mencionada por 25% dos respondentes, indicando que, embora não seja percebida como a principal barreira, ainda pode influenciar a capacidade de implementação de mudanças.

A resistência organizacional à mudança e a ausência de governança multiprojeto foram mencionadas por 8,3% dos respondentes cada, sugerindo que esses fatores, embora presentes, possuem menor relevância relativa no contexto analisado. Esse resultado, quando analisado em conjunto com o contexto da equipe, pode indicar que a tarefa de implementar uma mudança na gestão do cronograma não é vista como prioridade, sendo frequentemente postergada. Isso cria um ciclo vicioso onde as melhorias necessárias são adiadas devido aos próprios problemas que elas visam resolver, como os conflitos de prioridade e a pressão por demandas imediatas.

Em síntese, os achados da pesquisa revelam que o ambiente multiprojeto estudado é caracterizado por profissionais atuando simultaneamente em diversas iniciativas, em equipes multidisciplinares e com diferentes níveis de experiência, o que aumenta a complexidade da coordenação e a necessidade de clareza na definição de prioridades. As principais causas de atrasos estão associadas a interrupções frequentes, influências políticas e conflitos de prioridades, indicando que os desafios vão além do planejamento das atividades, envolvendo interferências externas e a ausência de mecanismos claros de priorização. As práticas de acompanhamento são pouco formalizadas, com predominância de planilhas e ferramentas genéricas, dificultando a identificação precoce de desvios. Para mitigar esses problemas, a padronização de processos, a priorização formal entre projetos e o gerenciamento do conhecimento são estratégias consideradas mais relevantes, embora sua implementação seja dificultada por conflitos de prioridades e limitações de recursos, que desviam o foco para a resolução de demandas imediatas em detrimento de melhorias estruturais.

4. Conclusão

O estudo buscou identificar e analisar as principais causas de atrasos em cronogramas em um ambiente multiprojeto, bem como propor estratégias para a melhoria do desempenho temporal. Verificou-se que os atrasos estavam fortemente associados a fatores organizacionais e operacionais, como interrupções frequentes no fluxo de trabalho, influências políticas externas ou internas e a mudança constante de prioridades. Adicionalmente, identificou-se que a subestimação dos prazos das atividades e a desconsideração da disponibilidade real de recursos contribuíam significativamente para a ocorrência de desvios. As práticas de acompanhamento do cronograma, por sua vez, mostraram-se pouco formalizadas, com predomínio de planilhas eletrônicas e ferramentas colaborativas genéricas, e uma percepção majoritária de insuficiência por parte dos respondentes. Diante desses achados, a padronização de processos, a priorização formal entre projetos e o fortalecimento da gestão do conhecimento emergiram como as estratégias mais relevantes para mitigar os atrasos. A pesquisa contribui ao fornecer um diagnóstico empírico detalhado dos desafios de gestão temporal em ambientes multiprojeto, reforçando a importância de mecanismos estruturados de governança e coordenação para a previsibilidade das entregas.

Contudo, o estudo possui limitações inerentes ao seu desenho metodológico, por tratar-se de um estudo de caso único, o que restringe a generalização estatística dos resultados. Além disso, os dados coletados basearam-se nas percepções dos respondentes, podendo refletir vieses subjetivos. Para estudos futuros, sugere-se ampliar a análise para outros contextos organizacionais e setores de atuação, a fim de verificar a aplicabilidade e a relevância das causas e estratégias identificadas. Recomenda-se também explorar a implementação prática das estratégias de priorização formal e gestão do conhecimento, avaliando seus impactos na redução de conflitos entre projetos e na melhoria da previsibilidade das entregas.

Referências Bibliográficas

AGHILEH, Marzieh et al. Multi-project scheduling with uncertainty and resource flexibility: a narrative review and exploration of future landscapes. Algorithms, [S.L], p. 1-21, maio 2025.

CRESWELL, John W. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 3. ed. [S.L]: Sage Publications, 2009. 270 р.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 2. ed. São Paulo: Atlas Sa, 1989. 105 р.

GOLDRATT, Eliyahu M. Critical chain: a business novel. Great Barrington: North River Press, 1997.

KERZNER, Harold. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 12. ed. New Jersey: John Wiley & Sons, 2017. 840 р.

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SAMPIER, Roberto Hernández; COLLADO, Carlos Fernández; LUCIO, María Dei Pilar Baptista. Metodologia de pesquisa. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2013. 625 р.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. 105 р.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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