Artigo

28 de julho de 2026

Avaliação de viabilidade econômica em projeto de melhoria de durabilidade de componente

Diego Foltz Hanser; Iara Moroni

DOI: 10.22167/2675-6528-202600726

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A crescente necessidade de decisões técnicas fundamentadas em critérios econômicos impulsionou a integração entre engenharia e gestão de projetos em ambientes industriais de alta criticidade. Falhas recorrentes em componentes produtivos geraram impactos financeiros significativos, evidenciando a necessidade de uma avaliação estruturada da viabilidade econômica de intervenções técnicas. O objetivo foi propor e aplicar um modelo estruturado de avaliação de viabilidade econômica para projetos de melhoria da durabilidade de componentes, integrando análise de custos do ciclo de vida, técnicas de avaliação de investimentos e gestão de riscos, visando gerar indicadores de retorno financeiro e apoiar decisões gerenciais. Realizou-se uma pesquisa-ação descritiva e qualitativa em um projeto industrial real, coletando dados por observação participante e análise documental. Aplicaram-se ferramentas de análise de causa raiz e modelagem de fluxo de caixa incremental para comparar alternativas paliativas e estruturais. Os resultados indicaram que a viabilidade econômica mostrou-se sensível às premissas adotadas, especialmente o investimento inicial e a economia operacional estimada, o que reforçou a importância da análise de sensibilidade na tomada de decisão. Concluiu-se que a integração entre diagnóstico técnico e avaliação econômica fortaleceu a governança do projeto e ampliou a qualidade das decisões estratégicas.

Palavras-chave: Análise de investimentos; Análise de sensibilidade; Custo do ciclo de vida; Fluxo de caixa incremental; Tomada de decisão gerencial.

1. Introdução

A gestão de projetos tem assumido um papel cada vez mais estratégico nas organizações contemporâneas, especialmente em contextos caracterizados por pressão por eficiência, restrições orçamentárias e necessidade de maximização do valor entregue. Em ambientes industriais de alta criticidade operacional, a integração entre engenharia e gestão de projetos, fundamentada em critérios econômicos, tornou-se essencial. Projetos de melhoria de durabilidade de componentes ganham relevância nesse cenário, pois impactam diretamente custos operacionais, a confiabilidade dos sistemas e o desempenho ao longo do ciclo de vida dos ativos.

Historicamente, falhas recorrentes em componentes produtivos têm gerado impactos financeiros significativos, evidenciando a necessidade de uma avaliação estruturada da viabilidade econômica para intervenções técnicas. A criação de valor em projetos está diretamente associada à capacidade de alinhar decisões técnicas a critérios econômicos e estratégicos, conforme o Project Management Institute (PMI, 2021), reforçando a centralidade da viabilidade econômica na governança do projeto.

Tradicionalmente, as decisões relacionadas a melhorias técnicas em componentes eram frequentemente baseadas em critérios funcionais ou de desempenho imediato, com menor atenção à avaliação econômica estruturada. No entanto, em ambientes organizacionais cada vez mais orientados a resultados, essa abordagem tem se mostrado insuficiente. Kerzner (2022) destaca que projetos tecnicamente bem-sucedidos podem falhar do ponto de vista organizacional se não demonstrarem um retorno econômico claro, sublinhando a importância de integrar análises financeiras na tomada de decisão.

Nesse contexto, a avaliação de viabilidade econômica atua como um instrumento fundamental para apoiar decisões de investimento em projetos de engenharia e melhoria de componentes. Ela permite comparar alternativas, estimar retornos esperados e compreender os impactos financeiros das escolhas durante o planejamento. Meredith e Mantel Jr. (2017) afirmam que a viabilidade econômica deve ser tratada como parte integrante do planejamento do projeto, e não como uma etapa isolada, assegurando coerência entre escopo, custos, riscos e benefícios esperados.

Projetos voltados à melhoria da durabilidade de componentes possuem particularidades que reforçam a necessidade de uma análise aprofundada. Segundo Sullivan et al. (2019), essa característica torna indispensável a adoção de análises baseadas no custo do ciclo de vida, que permitem avaliar o desempenho econômico do investimento de forma mais abrangente e realista. A perspectiva do ciclo de vida amplia o papel da gestão de projetos, exigindo que o gerente considere não apenas os custos de execução, mas também os impactos futuros das decisões.

Para que as análises econômicas sejam bem estruturadas, é crucial considerar fluxos de caixa incrementais, um horizonte temporal adequado e critérios consistentes de desconto. Brealey et al. (2020) ressaltam a importância desses elementos para uma avaliação financeira robusta. A ausência de mecanismos formais para análise de riscos técnicos e econômicos, que estão inter-relacionados, pode comprometer o desempenho financeiro e o sucesso global do projeto (PMI, 2021).

Outro aspecto relevante é a incerteza associada aos benefícios esperados em projetos de melhoria de durabilidade. Reduções de falhas, aumento da vida útil e economia em manutenção dependem de variáveis técnicas, operacionais e ambientais, que nem sempre são totalmente previsíveis. Ross et al. (2022) indicam que o uso de análises de sensibilidade e cenários é fundamental para incorporar riscos e incertezas às avaliações econômicas, fortalecendo a robustez das decisões em projetos complexos.

A avaliação econômica também desempenha um papel crucial na priorização de projetos e na alocação eficiente de recursos. Kerzner (2022) aponta que projetos com justificativas econômicas claras e mensuráveis tendem a obter maior apoio da alta gestão e maior previsibilidade na liberação de recursos. Além disso, no contexto de melhoria de durabilidade, a viabilidade econômica contribui para a definição de critérios objetivos de sucesso, fornecendo métricas claras para monitoramento e controle (Meredith & Mantel Jr., 2017).

Diante desse contexto, emerge a problemática de como estruturar a avaliação de viabilidade econômica em projetos de melhoria da durabilidade de componentes de forma a apoiar decisões gerenciais consistentes, considerando custos iniciais, benefícios ao longo do ciclo de vida, riscos e incertezas inerentes ao projeto. Assim, o objetivo deste trabalho foi propor e aplicar um modelo estruturado de avaliação de viabilidade econômica para projetos de melhoria da durabilidade de componentes, integrando análise de custos do ciclo de vida, técnicas de avaliação de investimentos e gestão de riscos, de modo a gerar indicadores mensuráveis de retorno econômico, apoiar a comparação entre alternativas técnicas e subsidiar decisões gerenciais mais assertivas no âmbito da gestão de projetos.

2. Material e Métodos

Para alcançar o objetivo proposto neste trabalho, realizou-se uma pesquisa-ação de cunho descritivo, com abordagem qualitativa. A pesquisa foi aplicada a um projeto real de melhoria de durabilidade de componente industrial. Essa estratégia metodológica mostrou-se adequada por envolver a análise aprofundada de um problema prático e a intervenção direta no contexto investigado, conforme destacado por Thiollent (2011).

O caráter descritivo da pesquisa buscou detalhar e compreender as características do fenômeno analisado, sem a intenção de manipulá-lo ou generalizar estatisticamente os resultados, conforme explica Gil (2017). A abordagem qualitativa foi adotada por permitir a análise aprofundada de informações técnicas, operacionais e gerenciais relacionadas ao projeto estudado, contemplando percepções dos envolvidos, registros documentais e dados oriundos das atividades de diagnóstico e intervenção (Minayo, 2017).

A organização estudada atua no setor industrial de soluções para processamento e envase de alimentos, possuindo porte multinacional e presença consolidada em diversos países. No Brasil, a empresa mantém operações estruturadas, voltadas ao atendimento comercial e ao suporte técnico e de engenharia, atendendo clientes do setor alimentício que operam em ambientes produtivos de alta criticidade.

Do ponto de vista organizacional, a empresa adota uma estrutura matricial, integrando áreas técnicas, comerciais e de gestão de projetos. Essa configuração permite a atuação conjunta de especialistas em engenharia, gestão de contas, suporte técnico e desenvolvimento de soluções, viabilizando a condução de projetos customizados de acordo com as necessidades específicas de cada cliente e do contexto operacional em que estão inseridos.

O projeto analisado neste estudo inseriu-se no contexto de solução de problemas industriais, tendo como foco a investigação do desgaste prematuro de um componente crítico de equipamento de processamento. Esse desgaste resultava em quebras recorrentes e paradas não programadas de produção, em um ambiente industrial de alta criticidade operacional.

O projeto teve como objetivo principal a determinação da causa raiz do problema identificado, bem como a definição da solução técnica mais adequada para mitigar falhas recorrentes e reduzir impactos operacionais e econômicos. Apresentou características de alta complexidade, em razão da necessidade de integração entre diferentes áreas técnicas e do envolvimento de múltiplos stakeholders.

A coleta de dados ocorreu por meio da participação direta do autor no projeto analisado, no exercício da função de Gerente de Solução de Problemas, e por meio de análise documental de registros técnicos e gerenciais relacionados ao projeto. A utilização conjunta dessas técnicas favoreceu a triangulação dos dados, aumentando a confiabilidade das informações coletadas e fortalecendo a consistência metodológica do estudo (Minayo, 2017).

A participação direta do autor caracterizou-se como observação participante, atuando ativamente nas atividades de diagnóstico, análise de causa, proposição de ações e acompanhamento das soluções implementadas. Essa abordagem possibilitou a compreensão aprofundada do fenômeno estudado a partir da vivência do pesquisador no ambiente investigado (Thiollent, 2011), contribuindo para a coleta de dados ricos em contexto (Gil, 2017).

Complementarmente, realizou-se análise documental, abrangendo documentos técnicos, relatórios de investigação, registros de manutenção, históricos de falhas, especificações de projeto, comunicações formais entre as partes envolvidas e registros de custos associados ao problema. A análise documental constituiu uma fonte relevante de dados qualitativos, permitindo a reconstrução de eventos e decisões com base em evidências registradas (Flick, 2009).

Para a identificação e análise da causa raiz do desgaste prematuro do selo do agitador, utilizaram-se ferramentas da qualidade. Inicialmente, empregou-se a ferramenta “É / Não é” para delimitar o problema, identificando suas características e condições de ocorrência, conforme Werkema (2013). Na sequência, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa, também conhecido como espinha de peixe, para organizar e categorizar as possíveis causas do problema em categorias clássicas como método, máquina, material, mão de obra, medição e meio ambiente (Ishikawa, 1993).

Complementarmente, utilizou-se a técnica dos 5 Porquês, aplicada a partir das causas levantadas no Diagrama de Ishikawa. O objetivo foi aprofundar a análise até a identificação da causa raiz ou das causas mais prováveis do problema, baseando-se na repetição sistemática da pergunta “por quê?”, promovendo um encadeamento lógico que permite ultrapassar sintomas superficiais e alcançar fatores estruturais (Ohno, 1988).

Após a consolidação das alternativas técnicas, estruturou-se uma análise econômica para comparar a manutenção da estratégia paliativa com a implementação de uma solução estrutural definitiva. Inicialmente, definiram-se as premissas da análise econômica, contemplando um horizonte temporal de cinco anos, baseado na vida útil estimada do equipamento.

A taxa mínima de atratividade (TMA) adotada foi de 10% a.a., refletindo o custo médio de capital da organização. As premissas incluíram o intervalo atual de falha de 2.000 horas, o intervalo esperado com solução estrutural de 3.000 horas ou superior, e o custo médio de parada não programada estimado por evento, que incluía perda produtiva e manutenção.

Com base nessas premissas, estruturou-se a análise comparativa entre dois cenários: o Cenário 1 (Estratégia Paliativa), que considerou a manutenção da troca preventiva antecipada, e o Cenário 2 (Solução Estrutural), que envolveu investimento em correção definitiva do conjunto agitador-selo. A comparação considerou custos recorrentes ao longo do tempo, impacto financeiro das paradas não programadas e investimento inicial necessário.

A modelagem econômica utilizou um fluxo de caixa incremental entre os cenários, considerando como benefício econômico a diferença anual de custos operacionais. Após a estruturação do fluxo de caixa incremental, aplicaram-se métodos clássicos de avaliação de investimentos, como o Valor Presente Líquido (VPL) e o Payback, por sua relevância na análise de viabilidade econômica e na tomada de decisão gerencial.

O VPL foi adotado como principal critério financeiro do estudo, por permitir a mensuração do ganho econômico real do projeto ao considerar o valor do dinheiro no tempo (Brealey, Myers e Allen, 2020). O critério de decisão estabeleceu que VPL > 0 indicaria viabilidade econômica, VPL = 0 indicaria ponto de equilíbrio e VPL < 0 indicaria inviabilidade econômica sob as premissas adotadas.

Complementarmente, utilizou-se o método do Payback, que mede o tempo necessário para que os fluxos de caixa positivos recuperem o investimento inicial realizado (Ross et al., 2022). O Payback simples foi calculado pela razão entre o investimento inicial e a economia anual. Adicionalmente, considerou-se o Payback descontado, no qual os fluxos de caixa foram atualizados pela taxa mínima de atratividade, conferindo maior rigor à análise temporal.

Considerando a dependência dos resultados da análise de viabilidade econômica em relação às premissas, realizou-se uma análise de sensibilidade. O objetivo foi avaliar o comportamento do VPL frente a variações nas principais variáveis do modelo, identificando quais variáveis exerciam maior influência sobre o resultado econômico do projeto (Brealey, Myers e Allen, 2020).

As variáveis consideradas críticas para a análise de sensibilidade foram o investimento inicial, a economia anual estimada e a taxa mínima de atratividade (TMA). Inicialmente, analisou-se a sensibilidade do VPL à variação do investimento inicial, mantendo-se constantes as demais premissas. Na sequência, avaliou-se a sensibilidade do VPL em relação à economia anual projetada, mantendo-se constante o investimento inicial.

Por fim, avaliou-se a influência da taxa mínima de atratividade sobre o resultado do projeto, mantendo-se constantes o investimento inicial e a economia anual. A análise de sensibilidade permitiu identificar as condições sob as quais a atratividade do projeto poderia ser alterada, como a redução do investimento inicial por negociação, o aumento da economia anual decorrente da redução efetiva de falhas ou a ampliação do horizonte de análise.

3. Resultados e Discussão

A análise dos resultados da pesquisa-ação revelou um panorama detalhado do problema de desgaste prematuro do selo do agitador, permitindo a estruturação de um modelo de avaliação de viabilidade econômica para projetos de melhoria da durabilidade de componentes. Inicialmente, o diagnóstico técnico focou na compreensão do fenômeno de falha, caracterizado pelo desempenho inferior do componente, que apresentava vazamento após aproximadamente 2.000 horas de operação, em contraste com o intervalo esperado de 3.000 horas para manutenção preventiva. Essa discrepância entre a vida útil projetada e a observada em campo serviu como ponto de partida para a investigação aprofundada, indicando uma lacuna crítica no desempenho do ativo.

A etapa de diagnóstico inicial também consolidou informações técnicas e históricas, evidenciando que medidas corretivas anteriores haviam sido aplicadas, mas resultaram apenas em melhorias parciais e insuficientes para alcançar o intervalo de operação desejado. Esse histórico reforçou a necessidade de uma abordagem mais estruturada para a análise de causa raiz, indo além de ajustes pontuais. A complexidade do problema, que envolvia múltiplos fatores e a interdependência entre diferentes áreas técnicas, justificou a aplicação de ferramentas da qualidade para um diagnóstico sistemático e baseado em evidências, alinhado às boas práticas de gestão de projetos.

Para aprofundar a compreensão das causas do desgaste prematuro, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa, que organizou as causas potenciais em quatro categorias principais: método, material, máquina e mão de obra. Na categoria método, identificaram-se o intervalo de manutenção inadequado e a aplicação do equipamento fora das recomendações padrão de projeto, sugerindo desvios entre as condições operacionais reais e as especificações originais. A categoria material apontou limitações do selo DC e aspectos relacionados às propriedades do material, indicando a necessidade de reavaliar a compatibilidade do componente com as condições atuais do processo produtivo.

Na categoria máquina, as causas concentraram-se em problemas mecânicos, como a ausência de suporte inferior e o possível desalinhamento do eixo do agitador. Esses fatores foram considerados críticos, pois afetam diretamente a estabilidade do conjunto e a distribuição de esforços sobre o selo, acelerando seu desgaste. Por fim, a categoria mão de obra revelou causas relacionadas a treinamento insuficiente e falta de expertise técnica local para análises aprofundadas e proposição de soluções. A análise geral do Diagrama de Ishikawa demonstrou que o desgaste prematuro era multifatorial, servindo como base para a priorização das causas mais relevantes e direcionando a investigação subsequente.

A aplicação da técnica dos 5 Porquês, partindo do baixo fluxo de condensado como efeito central, permitiu aprofundar a análise de causalidade. A sequência de questionamentos revelou que o desgaste e vazamento prematuro ocorriam devido a condições operacionais e de aplicação não ideais, as quais, por sua vez, eram influenciadas por possíveis desvios de alinhamento, suporte e aplicação. Em última instância, a causa raiz foi identificada como limitações técnicas do projeto original do conjunto agitador-selo e da solução disponível, especialmente após uma alteração no processo produtivo que aumentou a viscosidade do produto processado, sobrecarregando o sistema.

Essa análise progressiva, que diferenciou sintomas de causas intermediárias e estruturais, forneceu subsídios técnicos robustos para a definição de ações de contenção e a avaliação de alternativas de solução. A identificação da causa raiz como uma incompatibilidade entre o projeto original e as condições operacionais alteradas foi crucial, pois direcionou a busca por soluções definitivas que abordassem a origem do problema, em vez de apenas mitigar seus efeitos. Essa abordagem sistemática é fundamental para a gestão de projetos, pois reduz incertezas e fundamenta decisões técnicas de forma mais consistente, conforme defendido por Ishikawa (1993) e Ohno (1988).

Como medida de curto prazo, foi implementada uma ação de contenção baseada na antecipação da troca preventiva do kit de reparo do selo. Essa intervenção reduziu o intervalo de manutenção previsto de 3.000 horas para aproximadamente 2.000 horas. Embora essa estratégia tenha mitigado o risco de falhas inesperadas e paradas não programadas, transformando intervenções corretivas não planejadas em preventivas programadas, ela não eliminou a causa estrutural do problema. Observou-se um aumento na frequência das intervenções e nos custos recorrentes de manutenção, o que reforçou a necessidade de buscar alternativas técnicas de maior abrangência para uma solução definitiva.

A comparação entre a condição original, a situação observada e a ação de contenção revelou que, enquanto o impacto na produção foi reduzido de alto para parcial e o risco operacional foi temporariamente mitigado, o custo unitário do kit de selo permaneceu o padrão de contrato, e a frequência de manutenção aumentou. Essa situação demonstrou que soluções paliativas, embora úteis para estabilizar o processo no curto prazo, podem gerar custos acumulados relevantes ao longo do tempo, reforçando a importância de uma análise de custo do ciclo de vida, conforme apontado por Sullivan et al. (2019).

Com base no diagnóstico e na identificação da causa raiz, foram discutidas alternativas estruturais para a correção definitiva do problema. Quatro alternativas foram consideradas preliminarmente: manutenção com troca antecipada (paliativa), ajustes mecânicos (corretiva), substituição do selo por modelo compatível (estrutural) e redesenho parcial do conjunto agitador-selo (definitiva). A alternativa paliativa apresentava baixa complexidade e baixo investimento inicial, mas potencial nulo de aumento da durabilidade. As alternativas estruturais e definitivas, por outro lado, exigiam investimento inicial elevado e alta complexidade técnica, mas ofereciam alto ou muito alto potencial de aumento da durabilidade.

A necessidade de uma análise econômica estruturada tornou-se evidente para comparar objetivamente a estratégia paliativa com a implementação de uma solução estrutural definitiva. Para isso, foram definidas premissas para a modelagem econômica, incluindo um horizonte de análise de cinco anos, uma taxa mínima de atratividade (TMA) de 10% ao ano, e estimativas de custos. O intervalo atual de falha de 2.000 horas foi contrastado com um intervalo esperado de 3.000 horas ou superior para a solução estrutural, e o custo médio de parada não programada foi estimado por evento, incluindo perda produtiva e manutenção.

A análise comparativa foi estruturada em dois cenários: o Cenário 1, que representava a estratégia paliativa de manutenção com troca preventiva antecipada, e o Cenário 2, que envolvia o investimento em uma solução estrutural definitiva para o conjunto agitador-selo. O Cenário 1 caracterizava-se por investimento inicial baixo ou inexistente, custos recorrentes de manutenção elevados, frequência de paradas não programadas moderada a alta, impacto produtivo recorrente, risco operacional mantido e potencial limitado de economia no longo prazo. Em contraste, o Cenário 2 exigia um investimento inicial elevado (único), mas prometia custos recorrentes de manutenção reduzidos, baixa frequência de paradas, impacto produtivo reduzido, risco operacional mitigado e elevado potencial de economia no longo prazo.

As premissas quantitativas para a modelagem econômica incluíram um custo anual de R$ 110.000 para o Cenário Paliativo e R$ 50.000 para o Cenário Estrutural, com um investimento inicial de R$ 400.000 para a solução estrutural. Com base nessas premissas, foi estruturado o fluxo de caixa incremental, considerando como benefício econômico a diferença anual de custos operacionais entre os cenários. A projeção do fluxo de caixa incremental ao longo dos cinco anos de horizonte de análise, com uma taxa de desconto de 10%, revelou um fluxo descontado total de R$ 227.447.

A aplicação dos métodos de avaliação de investimentos, como o Valor Presente Líquido (VPL) e o Payback, indicou que a soma dos fluxos de caixa descontados (R$ 227.447) foi inferior ao investimento inicial requerido (R$ 400.000) para a solução estrutural. Consequentemente, o VPL obtido foi negativo no horizonte de cinco anos, sugerindo que, sob as premissas adotadas, o retorno econômico não compensaria integralmente o investimento no período analisado. O cálculo do Payback simples reforçou essa conclusão, estimando um tempo de recuperação do investimento de 6,67 anos, o que superou o horizonte de análise estabelecido de cinco anos.

Esses resultados iniciais indicaram que, sob uma ótica exclusivamente financeira de curto prazo, a alternativa estrutural não se mostrava atrativa. No entanto, a análise também evidenciou que o resultado econômico era altamente sensível às variáveis críticas do modelo, como o custo das paradas não programadas e o valor do investimento inicial. Pequenas variações nesses parâmetros poderiam alterar significativamente o VPL, ressaltando a importância de uma análise de sensibilidade para uma tomada de decisão mais robusta, conforme preconizado por Ross et al. (2022).

A análise de sensibilidade do VPL em função do investimento inicial demonstrou que o ponto de equilíbrio econômico ocorreria quando o investimento inicial estivesse em torno de R$ 227.447. Investimentos superiores a esse limite resultariam em VPL negativo, confirmando a sensibilidade do projeto a essa variável. Em seguida, a sensibilidade do VPL em relação à economia anual projetada revelou que o VPL só se tornaria positivo se a economia anual superasse aproximadamente R$ 115.000, indicando que a estimativa de redução de custos era um fator determinante para a viabilidade do projeto.

Por fim, a avaliação da influência da taxa mínima de atratividade (TMA) sobre o VPL mostrou que o aumento da taxa de desconto reduzia ainda mais a atratividade do projeto. Por exemplo, com uma TMA de 8%, o VPL era de -148.248, enquanto com 15%, caía para -226.418. Esses achados reforçaram que a decisão era particularmente sensível ao custo de capital da organização. A análise de sensibilidade, portanto, demonstrou que a viabilidade da solução estrutural, embora negativa sob as premissas iniciais, poderia ser alterada por meio de negociações técnicas ou comerciais para reduzir o investimento inicial, um aumento na economia anual decorrente da redução efetiva de falhas, ou a ampliação do horizonte de análise, além da consideração de benefícios indiretos não mensurados financeiramente.

Sob a ótica da gestão de projetos, os resultados reforçaram que a decisão não deveria ser interpretada como exclusivamente financeira no curto prazo, mas sim integrada a fatores estratégicos, como a mitigação de risco operacional, a confiabilidade do processo produtivo e o impacto na relação com o cliente. O PMI (2021) e Kerzner (2022) enfatizam que projetos de melhoria, especialmente em ambientes industriais de alta criticidade, exigem justificativas que considerem a continuidade operacional e o impacto em stakeholders, mesmo que os benefícios não sejam totalmente capturados por métricas financeiras tradicionais em um horizonte curto. Assim, a solução estrutural, apesar do VPL negativo inicial, poderia ser defendida como uma estratégia de mitigação de risco e estabilização do processo, desde que suportada por evidências econômicas aprimoradas e critérios de sucesso claramente definidos.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que a integração entre diagnóstico técnico estruturado, avaliação econômica e análise de riscos é fundamental para a tomada de decisões robustas em projetos de melhoria da durabilidade de componentes. O modelo proposto permitiu traduzir impactos operacionais em fluxos financeiros incrementais, fortalecendo o racional decisório. Embora a viabilidade econômica tenha se mostrado sensível às premissas, a análise de sensibilidade revelou os pontos críticos e as condições sob as quais o projeto estrutural poderia se tornar justificável, evidenciando que a avaliação econômica é um instrumento de apoio à decisão gerencial, e não um único determinante da escolha da alternativa técnica.

4. Conclusão

O presente estudo buscou propor e aplicar um modelo estruturado de avaliação de viabilidade econômica para projetos de melhoria da durabilidade de componentes, integrando análise de custos do ciclo de vida, técnicas de avaliação de investimentos e gestão de riscos. Verificou-se que o desgaste prematuro do selo do agitador, identificado como problema central, decorria de uma causa raiz multifatorial, associada a limitações técnicas do projeto original e a alterações nas condições operacionais. A ação de contenção implementada, embora tenha mitigado riscos imediatos, resultou em aumento dos custos recorrentes de manutenção. Ao comparar a estratégia paliativa com uma solução estrutural definitiva, a modelagem econômica, baseada em fluxo de caixa incremental, indicou um Valor Presente Líquido negativo e um Payback superior ao horizonte de cinco anos, sob as premissas iniciais. Contudo, a análise de sensibilidade revelou a alta dependência da viabilidade econômica em relação ao investimento inicial e à economia operacional estimada, sugerindo que ajustes nessas variáveis poderiam alterar a atratividade do projeto. Essa abordagem demonstrou que a integração entre o diagnóstico técnico aprofundado e a avaliação econômica estruturada é crucial para fortalecer a governança do projeto e qualificar as decisões gerenciais, permitindo a tradução de impactos operacionais em indicadores financeiros mensuráveis e apoiando a comparação objetiva entre alternativas técnicas.

O estudo apresentou limitações decorrentes da restrição de acesso a dados financeiros detalhados, especialmente custos indiretos de parada produtiva, e da utilização de premissas projetadas, visto que o projeto ainda se encontrava em desenvolvimento. O horizonte de análise de cinco anos também influenciou os resultados obtidos. Para pesquisas futuras, recomenda-se a aplicação do modelo com dados consolidados após a implementação definitiva da solução técnica, a ampliação do horizonte temporal de análise e a incorporação de métodos probabilísticos para o tratamento de incertezas. Sugere-se ainda a integração de simulações de risco e análises multicritério que considerem impactos operacionais não financeiros de forma estruturada.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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