Artigo

30 de julho de 2026

Automação inteligente na geração de scripts SQL para a equipe de sustentação do TRT21

Felipe Barros de Paula Leite; Anderson Canale Garcia

DOI: 10.22167/2675-6528-202600775

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Equipes de sustentação de sistemas enfrentam desafios diários na criação e execução manual de scripts SQL, um processo suscetível a erros, retrabalho e inconsistências, especialmente em ambientes com equipes reduzidas. Com o objetivo de mitigar essas dificuldades, desenvolveu-se uma solução baseada em Inteligência Artificial para interpretar solicitações em linguagem natural e gerar scripts SQL consistentes, seguros e alinhados à estrutura real dos bancos de dados. A metodologia empregou a extração automática de metadados de bases de dados, sua estruturação padronizada e técnicas de pré-processamento para selecionar entidades relevantes. Integraram-se modelos de linguagem natural para a geração dos comandos SQL, utilizando uma estratégia de duas etapas para otimizar o contexto e reduzir custos. A avaliação da eficácia foi realizada comparando-se os scripts gerados automaticamente com consultas SQL padrão-ouro, elaboradas manualmente. Os resultados preliminares indicaram a viabilidade técnica da solução, que produziu consultas funcionalmente equivalentes ao SQL padrão-ouro na maioria dos casos. A abordagem contribuiu para a padronização da elaboração de scripts, reduziu o esforço manual e minimizou erros humanos, especialmente em cenários com bases de dados extensas, onde a estratégia de duas etapas demonstrou ser eficaz na redução do consumo de “tokens” e latência. Concluiu-se que a solução proposta possui potencial para automatizar a geração de scripts SQL de forma padronizada e segura, sendo aplicável ao contexto de equipes de sustentação de sistemas e adaptável a outros ambientes corporativos com desafios semelhantes.

Palavras-chave: Automação de Processos; Inteligência Artificial; Linguagem Natural; SQL; Sustentação de Sistemas.

1. Introdução

Equipes de sustentação de sistemas desempenham um papel crucial na gestão e manutenção de bases de dados corporativas, lidando diariamente com a criação e execução de scripts SQL. Essas operações são essenciais para garantir a integridade dos sistemas, corrigir falhas emergenciais, realizar manutenções preventivas e gerar informações gerenciais que subsidiam as áreas administrativas e judiciais. No contexto do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT21), a demanda por esses scripts é constante e vital para o funcionamento eficiente da instituição.

Contudo, a elaboração manual de scripts SQL apresenta desafios significativos. O processo é frequentemente dependente da experiência individual de cada analista, o que pode levar a inconsistências, retrabalho e falhas capazes de comprometer a integridade e a disponibilidade dos sistemas. Essa dependência do conhecimento tácito de cada profissional dificulta a padronização das atividades e a mensuração da produtividade, especialmente em equipes reduzidas ou que operam em regime de trabalho remoto, onde a heterogeneidade nas abordagens de resolução de problemas se acentua.

Uma parcela considerável das solicitações de scripts SQL envolve tarefas repetitivas, que exigem apenas a alteração de parâmetros específicos, como datas ou identificadores. A execução manual dessas tarefas consome um tempo valioso dos analistas e aumenta a probabilidade de erros humanos. Além disso, a equipe de sustentação do TRT21, sendo reduzida, enfrenta dificuldades operacionais em cenários de ausência de membros, resultando em acúmulo de chamados, aumento do “backlog” e, consequentemente, no descumprimento dos Acordos de Nível de Serviço (SLA). A automação desses processos pode liberar a equipe para atividades de maior valor técnico e analítico (Centenaro, 2025).

Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) emerge como uma solução promissora para automatizar tarefas repetitivas e reduzir erros humanos na Engenharia de Software (Russell e Norvig, 2021). Modelos de linguagem natural, particularmente aqueles baseados em arquiteturas transformadoras, demonstram capacidade de converter instruções textuais em comandos estruturados, como a geração automática de código SQL (Zhang et al., 2023; OpenAI, 2024). A utilização de Large Language Models (LLMs) “open source” também oferece alternativas acessíveis e eficientes para traduzir linguagem natural em consultas SQL, potencializando a automação de processos (Evangelista, 2023).

A integração de módulos de conversão de linguagem natural para SQL em sistemas corporativos pode aumentar significativamente a eficiência na execução de tarefas repetitivas (Endrizzi, 2024). Essa abordagem permite que solicitações expressas em linguagem natural sejam transformadas em instruções SQL consistentes, seguras e auditáveis, alinhadas à estrutura real dos bancos de dados. A capacidade de interpretar o contexto e os metadados do banco de dados, como tabelas, colunas e relacionamentos, é fundamental para garantir a precisão e a confiabilidade dos scripts gerados, superando as limitações da elaboração manual e promovendo maior padronização.

Diante da problemática da elaboração manual de scripts SQL, que gera inconsistências, retrabalho e sobrecarga para as equipes de sustentação, e considerando o potencial da Inteligência Artificial para otimizar esses processos, este trabalho propõe o desenvolvimento de uma solução baseada em IA capaz de interpretar solicitações em linguagem natural e gerar automaticamente scripts SQL consistentes, seguros e alinhados à estrutura real dos bancos de dados, a partir de informações estruturais obtidas do banco de dados, conforme a abordagem adotada, com aplicação prática na realidade do TRT21.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como um estudo aplicado, de natureza prática e experimental, focado no desenvolvimento de uma solução computacional. O objetivo foi automatizar a geração de scripts SQL a partir de solicitações em linguagem natural. O trabalho foi conduzido com base em conhecimentos de Inteligência Artificial, Engenharia de Software e integração de sistemas, aplicado ao contexto do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT21).

A solução foi desenvolvida como um sistema web, composto por uma aplicação “frontend” e um “backend”. O “frontend” foi construído com o “framework” Angular, enquanto o “backend” utilizou a linguagem Python e o “framework” FastAPI. Essa arquitetura permitiu centralizar a comunicação com modelos de IA, aumentar a segurança no uso de “tokens” e incorporar funcionalidades adicionais, facilitando testes iterativos.

Para a definição da estrutura de dados que suportaria a geração dos scripts SQL, implementaram-se duas abordagens. A primeira, o modo tradicional, permitiu a conexão direta a bancos de dados PostgreSQL e Oracle. Realizou-se a extração automática de metadados, como tabelas, colunas, tipos de dados, chaves primárias, chaves estrangeiras e comentários, para formar um dicionário de dados estruturado.

No modo tradicional, o usuário podia configurar a geração de um resumo auxiliar com informações sintéticas das tabelas, usado como contexto inicial para identificação de entidades relevantes. O sistema também ofereceu um campo para inserção de instruções contextuais relacionadas ao domínio da aplicação. Um recurso assistido por IA foi empregado para analisar e sugerir comentários em tabelas com descrições ausentes.

A segunda abordagem, o modo Model Context Protocol (MCP), integrou-se especificamente com bancos PostgreSQL. Nessa modalidade, a Inteligência Artificial consultou diretamente a estrutura do banco de dados durante a geração do script SQL. Isso eliminou a necessidade de extração prévia de metadados ou preparação de dicionário, requerendo apenas os parâmetros de conexão com o banco.

Os metadados extraídos foram padronizados em um dicionário estruturado em formato JSON, onde cada tabela era representada como um objeto contendo identificação, descrição, colunas e relacionamentos. Para otimizar custo e volume de contexto em bases de dados extensas, implementou-se um fluxo de geração em duas etapas, utilizando um resumo auxiliar das tabelas na primeira etapa e um dicionário filtrado na segunda, alinhado ao conceito de Retrieval-Augmented Generation (RAG).

A geração dos scripts SQL foi orientada por “prompts” padronizados, contendo regras explícitas para reduzir ambiguidades e evitar a criação de elementos inexistentes. Os “prompts” impunham restrições como o uso exclusivo do “schema” fornecido, a preservação dos nomes originais e a obrigatoriedade de saída em SQL puro. Instruções contextuais foram incorporadas para fornecer informações de domínio ao modelo.

Durante o desenvolvimento, diversos modelos de linguagem natural foram avaliados, incluindo OpenAI (GPT-5.2), Gemini e modelos “open source” via Ollama. O GPT-5.2 foi selecionado como principal modelo para a geração de SQL. Sua escolha baseou-se na maior capacidade de contexto, suporte a entradas extensas e desempenho superior na interpretação de estruturas de dados complexas.

A eficácia da solução foi avaliada por um procedimento de comparação entre consultas SQL geradas automaticamente pelo sistema e consultas SQL consideradas padrão-ouro. As consultas padrão-ouro foram elaboradas manualmente pelo autor. O conjunto de testes consistiu em solicitações em linguagem natural que representavam demandas recorrentes da equipe de sustentação de sistemas.

Os critérios de avaliação incluíram validade sintática da consulta, equivalência semântica dos resultados, uso correto de relacionamentos entre tabelas e aplicação adequada de filtros. Uma consulta foi considerada correta se apresentasse equivalência funcional ao SQL padrão-ouro, mesmo com diferenças sintáticas. A acurácia da solução foi calculada como a proporção de consultas corretamente geradas em relação ao total de casos de teste, seguindo metodologia similar a avaliações de sistemas NL2SQL.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa, abrangendo a implementação e a arquitetura da solução desenvolvida, bem como os resultados preliminares obtidos na avaliação das consultas SQL geradas. A abordagem adotada visou mitigar os desafios inerentes à elaboração manual de scripts SQL em equipes de sustentação de sistemas, propondo uma alternativa baseada em Inteligência Artificial. Os resultados demonstram a viabilidade técnica da solução e seu potencial para promover maior padronização, segurança e eficiência na gestão de bases de dados, conforme o objetivo central do estudo. A discussão dos achados é fundamentada na metodologia aplicada e na literatura pertinente, buscando contextualizar as contribuições e limitações observadas.

A solução foi concebida com uma arquitetura robusta, dividida em um “frontend” e um “backend”, visando otimizar a interação do usuário e o processamento das solicitações. O “frontend”, desenvolvido com o “framework” Angular, estrutura a interação em três etapas cruciais: a configuração da chave de acesso aos modelos de Inteligência Artificial, a definição do dicionário de dados que serve como base para a geração dos scripts, e a submissão da solicitação em linguagem natural para a geração do comando SQL. Essa modularidade permitiu um desenvolvimento iterativo e ajustes contínuos, garantindo a flexibilidade necessária para adaptar a ferramenta a diferentes provedores de IA e cenários de uso.

Na etapa de configuração da chave de acesso, a solução oferece a flexibilidade de escolha entre diversos provedores de modelos de linguagem, incluindo opções como OpenAI, Claude, Gemini, DeepSeek, e até mesmo provedores locais. Essa capacidade de integração é fundamental para que as equipes de sustentação possam selecionar a ferramenta mais adequada às suas necessidades e políticas de segurança. A maioria dos testes de avaliação foi realizada utilizando modelos da OpenAI, especificamente o GPT-5.2, devido à sua capacidade avançada de processamento e ao limite superior de “tokens”, característica essencial para lidar com bases de dados que contêm mais de cem tabelas, um cenário comum em ambientes corporativos complexos.

A definição da estrutura de dados, que é o pilar para a geração precisa dos scripts SQL, foi implementada por meio de duas abordagens distintas. A primeira, denominada modo tradicional, permite a conexão direta a bancos de dados PostgreSQL e Oracle. Essa funcionalidade automatiza a extração de metadados, englobando tabelas, colunas, tipos de dados, chaves primárias e estrangeiras, além de comentários associados. A partir desses dados, o sistema constrói um dicionário de dados estruturado, que serve como referência para a IA. Essa automação reduz significativamente o esforço manual e a propensão a erros, que são comuns em processos de entrada de dados manuais.

No modo tradicional, o usuário tem a opção de configurar a geração de um resumo auxiliar das tabelas, que contém informações sintéticas e é utilizado como contexto inicial. Este resumo é crucial para a identificação de entidades relevantes em bases de dados extensas, otimizando o processo de geração de scripts. Adicionalmente, o sistema oferece um campo para a inserção de instruções contextuais, permitindo que o usuário forneça informações de domínio ou regras de negócio específicas. Esse recurso aprimora a aderência das consultas geradas às particularidades do ambiente, garantindo que os scripts sejam não apenas sintaticamente corretos, mas também semanticamente alinhados às necessidades da organização.

Um recurso assistido por Inteligência Artificial foi incorporado para analisar tabelas que carecem de comentários ou possuem descrições genéricas. Essa funcionalidade visa apoiar a documentação do banco de dados, sugerindo descrições mais informativas e precisas com base na estrutura das tabelas e seus relacionamentos. A melhoria na documentação do banco de dados é um benefício secundário, mas significativo, que contribui para a manutenção e compreensão do sistema a longo prazo, facilitando o trabalho das equipes de sustentação e reduzindo a dependência do conhecimento tácito.

A segunda abordagem para a definição da estrutura de dados é o modo Model Context Protocol (MCP), implementado especificamente para bancos de dados PostgreSQL. Nesta modalidade, a Inteligência Artificial consulta diretamente a estrutura do banco de dados durante o processo de geração do script SQL. Isso elimina a necessidade de extração prévia de metadados, criação de dicionário estruturado ou preparação de contexto textual auxiliar por parte do usuário. Embora simplifique a interação, o modo MCP apresenta restrições de compatibilidade, sendo limitado a bancos PostgreSQL e a modelos de linguagem que suportam essa integração, como OpenAI e Claude.

O “backend” da solução foi desenvolvido em Python, utilizando o “framework” FastAPI, com o propósito de centralizar a comunicação com os modelos de Inteligência Artificial. Essa arquitetura visa aumentar a segurança no gerenciamento dos “tokens” de acesso e permitir a incorporação de funcionalidades adicionais, como regras de processamento e controle de fluxo de dados. A separação entre “frontend” e “backend” demonstrou ser eficaz para garantir maior controle sobre as informações enviadas aos modelos de linguagem, otimizando a performance e a segurança da aplicação.

Ao longo do desenvolvimento do sistema, diversas estratégias para disponibilizar a estrutura do banco de dados ao modelo de linguagem foram avaliadas. Inicialmente, a inserção manual do dicionário de dados por meio de texto livre revelou-se suscetível a erros e ineficiente para bases de dados extensas. Posteriormente, a funcionalidade de upload de arquivos para descrição do dicionário também apresentou limitações relacionadas ao tamanho e à confiabilidade das informações. Essas dificuldades levaram à adoção da conexão direta ao banco de dados como estratégia principal, que se mostrou mais confiável e reduziu a dependência de entradas manuais.

A extração de metadados foi padronizada em um dicionário estruturado em formato JSON, onde cada tabela é representada como um objeto contendo informações de identificação, descrição, colunas e relacionamentos. Esse formato foi concebido para ser compatível com diferentes sistemas gerenciadores de banco de dados e para otimizar sua utilização tanto na geração direta do SQL quanto em estratégias de otimização de contexto. A padronização do dicionário de dados em JSON é crucial para a interoperabilidade da solução e para a consistência na interpretação dos metadados pelos modelos de linguagem.

Para reduzir custos operacionais e o volume de contexto enviado aos modelos de linguagem em bases de dados extensas, foi implementada uma estratégia de geração em duas etapas. Na primeira etapa, o modelo de linguagem recebe um resumo auxiliar das tabelas, que contém o nome, a descrição e, opcionalmente, colunas com comentários, chaves primárias e estrangeiras, conforme a configuração do usuário. Esse resumo permite que a IA identifique quais tabelas são potencialmente relevantes para atender à solicitação em linguagem natural, filtrando o contexto antes de enviar o dicionário completo.

A geração dos scripts SQL é orientada por “prompts” padronizados, que incluem regras explícitas para reduzir ambiguidades e evitar a criação de tabelas, colunas ou relacionamentos inexistentes. Essas regras impõem restrições, como o uso exclusivo do “schema” fornecido, a preservação dos nomes originais como símbolos atômicos e a obrigatoriedade de saída em SQL puro, garantindo que o resultado possa ser executado diretamente em ferramentas de banco de dados. A inclusão de instruções contextuais no “prompt” permite fornecer informações de domínio ou orientações de negócio ao modelo, adaptando a geração do SQL ao contexto específico da aplicação sem redefinir a estrutura do banco de dados.

Em cenários com grande volume de metadados, o sistema utiliza o fluxo de geração em duas etapas. Na primeira etapa, o modelo recebe apenas o resumo das tabelas e identifica as entidades relevantes para a solicitação. Na segunda etapa, o sistema filtra o dicionário estruturado em JSON e constrói o “prompt” final, contendo apenas o subconjunto de metadados necessários para a geração do script SQL. Esse modelo de “prompt” foi adotado para garantir previsibilidade, reduzir alucinações e aumentar a confiabilidade dos scripts SQL gerados, especialmente em ambientes corporativos com bases de dados extensas e complexas.

A arquitetura geral da solução desenvolvida, que integra o usuário/analista, o “frontend” (Web/Angular), o “backend” (FastAPI) e os modelos de Inteligência Artificial, permite um fluxo de trabalho eficiente. O usuário configura a conexão e o modelo, informa o pedido em linguagem natural, o “frontend” gerencia a interface, e o “backend” centraliza as chamadas para a IA, protegendo credenciais e aplicando regras de processamento. O resultado é um script SQL gerado, que pode ser de consulta, atualização ou exclusão, e um retorno ao usuário, evidenciando a automação e a integração dos componentes.

A etapa inicial do sistema, que envolve a configuração da chave de acesso e a seleção do provedor e do modelo de linguagem, é fundamental para definir as capacidades de contexto e processamento disponíveis. Essa interface permite ao usuário escolher entre diversos provedores de IA, como OpenAI, Claude, Gemini, DeepSeek e Ollama (para modelos locais), e selecionar o modelo específico, como o gpt-5.4-mini da OpenAI. A clareza na configuração dos “tokens” de API e a orientação sobre a segurança das chaves são aspectos importantes para a usabilidade e a segurança da solução.

A funcionalidade de conexão direta ao banco de dados, seja PostgreSQL ou Oracle, é um dos pilares da solução no modo tradicional. Essa interface permite ao usuário inserir os parâmetros de conexão, como host, porta, nome do banco, usuário e senha, e opcionalmente definir os schemas a serem considerados. Ao clicar em “Conectar e Obter Dicionário”, o sistema extrai automaticamente todas as tabelas, colunas, chaves e comentários, formando o dicionário de dados. Essa automação reduz significativamente os erros associados à entrada manual de informações e aumenta a confiabilidade do dicionário utilizado nos testes.

Como alternativa ao modo tradicional, a configuração da conexão via MCP para PostgreSQL oferece uma interface simplificada. O usuário informa apenas os parâmetros de conexão (host, porta, banco de dados, usuário, senha e schemas opcionais), e a IA consulta diretamente o banco durante a geração do script. Embora mais simples operacionalmente, essa abordagem é restrita à compatibilidade entre o banco PostgreSQL e os modelos de linguagem que suportam o MCP, como OpenAI e Claude, tornando-a uma opção complementar para cenários específicos.

A configuração da geração do resumo auxiliar de tabelas, empregado na estratégia de duas etapas do modo tradicional, é demonstrada por uma interface que permite ao usuário selecionar quais informações serão incluídas no resumo. As opções incluem a inclusão de colunas com comentários, chaves primárias (PK) e chaves estrangeiras (FK). Esse mecanismo é relevante para reduzir o volume de informações enviado ao modelo de linguagem em bases de dados extensas, otimizando o consumo de “tokens” e a latência das respostas.

A funcionalidade de análise automática e sugestão de comentários para tabelas é apresentada por uma interface que permite ao usuário acionar a IA para analisar tabelas sem comentários ou com descrições genéricas. O objetivo é apoiar a documentação do banco de dados, sugerindo descrições mais informativas a partir da estrutura das tabelas e de seus relacionamentos. Esse recurso contribui para a melhoria da qualidade dos metadados, facilitando a compreensão e a manutenção do banco de dados por toda a equipe.

A inserção de instruções contextuais é uma funcionalidade crucial para refinar a geração dos scripts SQL. Uma interface dedicada permite ao usuário adicionar informações sobre o contexto de negócio, a importância de tabelas específicas ou qualquer orientação que ajude a IA a compreender melhor o schema dos dicionários. Por exemplo, instruções como a identificação da tabela de usuários principal ou a tabela de documentos principal, e a orientação para sempre realizar “joins” com elas quando necessário, contribuem para maior aderência das consultas geradas às regras de negócio do sistema.

A etapa final de submissão do pedido em linguagem natural é o ponto de entrada principal para a geração automática do script SQL. Uma interface intuitiva permite ao usuário digitar sua solicitação, como “quero os usuários advogados que estão com OAB válida e ativos no sistema”. A ativação da “Geração em 2 etapas” é visível, indicando que o modo otimizado será usado para identificar tabelas relevantes e gerar o SQL de forma mais precisa e econômica em “tokens”. Após a submissão, o sistema processa a solicitação e retorna o script SQL correspondente.

Avaliação preliminar da solução

Durante os testes preliminares, especialmente com bases de dados extensas que continham mais de cem tabelas, observou-se que o envio integral do dicionário de dados aos modelos de linguagem resultava em um elevado consumo de “tokens”. Esse consumo excessivo impactava negativamente o custo operacional da solução e sua eficiência geral. A latência das respostas também aumentava consideravelmente, tornando evidente a necessidade de um mecanismo mais sofisticado para gerenciar o contexto enviado aos modelos de linguagem, a fim de otimizar o desempenho do sistema.

Diante desse desafio, a estratégia adotada pode ser caracterizada como uma aplicação do conceito de Retrieval-Augmented Generation (RAG). Essa abordagem envolve a recuperação seletiva de informações relevantes a partir de uma base de conhecimento externa, que, neste contexto, corresponde aos metadados do banco de dados corporativo. Em vez de fornecer o dicionário de dados completo ao modelo de linguagem, o pré-processamento identifica entidades e termos relevantes na solicitação em linguagem natural e seleciona apenas um subconjunto dos metadados necessários para a geração do script SQL. Essa filtragem resultou em uma redução substancial do consumo de “tokens”, diminuição da latência das respostas e otimização dos custos operacionais, além de aumentar a aderência das consultas geradas à estrutura real do banco de dados.

Durante o desenvolvimento da solução, foram avaliados diferentes modelos de linguagem natural, incluindo alternativas baseadas em nuvem e modelos executados localmente. Entre os modelos testados localmente, destacam-se o mistral, codellama e sqlcoder, disponibilizados por meio da ferramenta Ollama. No entanto, esses modelos apresentaram limitações relevantes quando submetidos a grandes volumes de contexto, especialmente em cenários com dicionários de dados extensos. Verificou-se perda de coerência nas respostas, dificuldade na manutenção de relacionamentos corretos entre tabelas e maior propensão à geração de consultas inconsistentes, o que levou à decisão de não dar continuidade aos testes com esses modelos no escopo deste trabalho.

Testes também foram conduzidos com modelos da plataforma Gemini, utilizando as versões gratuitas disponíveis. Contudo, os resultados obtidos não demonstraram desempenho satisfatório em termos de precisão semântica e aderência ao dicionário fornecido, especialmente em consultas mais complexas. A incapacidade de gerar scripts SQL com a precisão e a confiabilidade necessárias para o ambiente de sustentação de sistemas levou à exclusão desses modelos das avaliações subsequentes. A escolha do modelo de linguagem é um fator crítico para a eficácia da solução, e a seleção rigorosa é essencial.

O modelo GPT-5.2 da OpenAI foi selecionado como o principal modelo para a geração de SQL devido à sua superior capacidade de contexto, suporte a entradas extensas e melhor desempenho na interpretação de estruturas complexas de dados. Essas características revelaram-se essenciais para lidar com dicionários de dados volumosos e para a implementação bem-sucedida da estratégia de geração em duas etapas adotada neste trabalho. Assim, os testes e análises apresentados nos resultados preliminares concentraram-se exclusivamente nos scripts SQL gerados a partir do modelo GPT-5.2, que demonstrou ser o mais adequado para os requisitos do estudo.

A abordagem inicial, baseada no envio completo do dicionário de dados aos modelos de linguagem, apresentou desempenho satisfatório apenas em cenários com bases de dados pequenas ou médias. Em bases maiores, o aumento significativo no consumo de “tokens”, a maior latência nas respostas e a elevação dos custos associados ao uso da IA tornaram essa abordagem inviável. Esse cenário reforçou a necessidade de um mecanismo de pré-processamento capaz de filtrar e selecionar apenas os metadados relevantes para cada solicitação, confirmando a eficácia da estratégia de duas etapas na otimização do contexto.

Como alternativa ao fluxo tradicional baseado em dicionário de dados estruturado, os testes exploratórios com o Model Context Protocol (MCP) para PostgreSQL indicaram uma experiência de uso mais simples. Nessa modalidade, a estrutura do banco de dados é consultada diretamente pela IA, reduzindo a necessidade de preparação prévia de contexto pelo usuário. Essa simplificação operacional é uma vantagem significativa, pois minimiza a carga de trabalho do analista e acelera o processo de geração de scripts.

Em contrapartida, a abordagem MCP mostrou-se condicionada à compatibilidade com bancos PostgreSQL e com modelos de linguagem que oferecem suporte a esse tipo de integração, como OpenAI e Claude. Essa restrição limita sua aplicação em cenários mais amplos quando comparada à abordagem tradicional, que é mais flexível em termos de tipos de banco de dados. Dessa forma, o MCP foi compreendido como uma alternativa complementar, voltada à simplificação operacional em cenários específicos onde as condições de compatibilidade são atendidas.

A avaliação preliminar da solução foi realizada utilizando um conjunto de cinco casos de teste, que representavam demandas recorrentes da equipe de sustentação de sistemas. Para cada solicitação em linguagem natural, foi definido um SQL padrão-ouro, elaborado manualmente, para comparação. Os casos incluíam pedidos como “Processos distribuídos no mês de dezembro de 2025”, “Excluir etiquetas associadas ao processo de id 123”, “Documentos do processo de id 123”, “Comentários arquivados associados ao processo de id 123” e “Buscar o nome das partes do processo no polo ativo do processo de número 0000XXX-XX.2025.5.21.0015”.

Observou-se que a solução produziu consultas funcionalmente equivalentes ao SQL padrão-ouro na maioria dos casos analisados. No modo tradicional, o caso “Processos distribuídos no mês de dezembro de 2025” resultou em uma consulta parcial, enquanto os demais casos foram considerados corretos. No modo MCP, todos os cinco casos de teste geraram consultas corretas. As divergências identificadas no modo tradicional ocorreram principalmente em situações que exigiam inferências não explicitamente representadas nos metadados ou em solicitações com maior grau de ambiguidade semântica.

No caso específico do resultado parcial no modo tradicional, a limitação não esteve relacionada à geração sintática do SQL, mas sim à seleção incompleta das informações necessárias para compor a consulta esperada. Isso sugere que, embora a abordagem proposta seja promissora, ainda depende do aprimoramento dos mecanismos de seleção de contexto e da representação do conhecimento de negócio. A acurácia da solução foi calculada como a proporção de consultas corretamente geradas em relação ao total de casos de teste, seguindo metodologia semelhante à adotada em avaliações de sistemas NL2SQL descritas na literatura.

A introdução do “backend” em FastAPI contribuiu significativamente para a segurança no gerenciamento dos “tokens” e possibilitou maior controle sobre o fluxo de informações enviadas aos modelos de linguagem. Essa arquitetura robusta permitiu a implementação de regras de processamento antes do envio das informações, garantindo a integridade e a segurança dos dados. A funcionalidade de conexão direta ao banco de dados mostrou-se mais eficiente e confiável do que as abordagens baseadas em entrada manual ou upload de arquivos, reduzindo erros humanos e inconsistências no dicionário de dados, elementos cruciais para a confiabilidade do sistema.

De forma geral, a solução proposta demonstrou ser tecnicamente viável e apresenta potencial para automatizar a geração de scripts SQL de maneira padronizada e segura. Os ajustes em andamento concentram-se na definição de critérios eficientes de seleção de tabelas e relacionamentos, visando aprimorar o desempenho do sistema em bases de dados de grande porte. A abordagem contribui para a padronização da elaboração de scripts, reduz a dependência do conhecimento individual dos analistas e minimiza erros humanos, conforme o objetivo de apoiar equipes de sustentação de sistemas corporativos.

Em síntese, a pesquisa demonstrou a viabilidade de uma solução baseada em Inteligência Artificial para a geração automatizada de scripts SQL a partir de linguagem natural. A arquitetura desenvolvida, com suas abordagens de extração de metadados e a estratégia de geração em duas etapas, mostrou-se eficaz na redução de custos e na melhoria da precisão, especialmente em bases de dados extensas. Embora o modo MCP ofereça simplicidade, sua aplicabilidade é restrita pela compatibilidade. Os resultados preliminares indicam que a solução tem potencial para padronizar processos, reduzir erros e otimizar o trabalho das equipes de sustentação, respondendo ao problema de pesquisa e ao objetivo do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo buscou desenvolver uma solução baseada em Inteligência Artificial para interpretar solicitações em linguagem natural e gerar scripts SQL consistentes, seguros e alinhados à estrutura real dos bancos de dados, com foco em equipes de sustentação de sistemas. Verificou-se a viabilidade técnica da solução, que integrou um “frontend” em Angular e um “backend” em Python/FastAPI para gerenciar a comunicação com modelos de IA. Implementaram-se duas abordagens para a definição da estrutura de dados: o modo tradicional, que extrai metadados de bancos PostgreSQL e Oracle para formar um dicionário JSON, e o modo Model Context Protocol (MCP), que permite à IA consultar diretamente a estrutura de bancos PostgreSQL. Para otimizar o desempenho em bases de dados extensas, adotou-se uma estratégia de geração em duas etapas, inspirada no conceito de Retrieval-Augmented Generation (RAG), que seleciona apenas os metadados relevantes, resultando em significativa redução do consumo de “tokens”, da latência e dos custos operacionais. Os testes preliminares, realizados com o modelo GPT-5.2 da OpenAI, indicaram que a solução produziu consultas funcionalmente equivalentes ao SQL padrão-ouro na maioria dos casos, contribuindo para a padronização da elaboração de scripts e a minimização de erros humanos.

A principal contribuição do trabalho reside na oferta de uma ferramenta que padroniza a elaboração de scripts SQL, reduzindo a dependência do conhecimento individual dos analistas e liberando a equipe para atividades de maior valor técnico. Contudo, identificou-se como limitação a ocorrência de resultados parciais no modo tradicional em situações que exigiam inferências não explicitamente contidas nos metadados ou em solicitações com ambiguidade semântica, o que aponta para a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de seleção de contexto. A abordagem MCP, embora simplifique a operação, mostrou-se restrita à compatibilidade com bancos PostgreSQL e modelos de linguagem específicos. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação do conjunto de casos de teste, a definição de métricas quantitativas mais detalhadas para avaliar a acurácia das consultas geradas e a investigação de estratégias complementares de recuperação de contexto, como a seleção semântica de tabelas e relacionamentos. Recomenda-se também aprofundar a análise comparativa entre as abordagens tradicional e MCP, considerando critérios como precisão, custo operacional, tempo de resposta e aplicabilidade em diversos cenários corporativos. A solução proposta possui potencial de aplicação prática no contexto do TRT21 e é adaptável a outros ambientes organizacionais com desafios semelhantes na geração de scripts SQL.

Referências Bibliográficas

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ZHANG, Wei; LI, Ming; WANG, Hao. SQL Generation from Natural Language Using Transformers. Journal of Artificial Intelligence Research, v. 72, p. 123-145, 2023.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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