24 de julho de 2026
Automação de Testes como Ferramenta de Suporte em Migração de Sistemas Monolíticos para Microsserviços
Daniel Augusto Pimentel Martini; Mônica Mancini
DOI: 10.22167/2675-6528-202600684
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A modernização de sistemas tornou-se uma necessidade crescente em organizações que buscam maior eficiência, escalabilidade e capacidade de adaptação. Nesse contexto, a migração de sistemas monolíticos para arquiteturas de microsserviços exige mecanismos que assegurem a qualidade e estabilidade do software, sendo a automação de testes um elemento fundamental para reduzir riscos e apoiar a evolução contínua das aplicações. O objetivo geral foi mostrar os benefícios e desafios do uso de testes automatizados em processos de migração de sistemas monolíticos para microsserviços. A metodologia adotada foi exploratória de natureza qualitativa, com aplicação de questionário estruturado a 22 profissionais da área de tecnologia da informação. Os resultados apontaram que os benefícios incluíram a redução de erros humanos, a melhoria da qualidade do software, a mitigação de riscos técnicos e o apoio ao “onboarding” de novos desenvolvedores, com o uso predominante de ferramentas de testes de API, especialmente o Postman. Por outro lado, os desafios identificados foram a complexidade dos testes de integração em arquiteturas distribuídas, o alto custo de manutenção dos testes em ambientes voláteis e a dificuldade de reproduzir cenários realistas devido à evolução independente dos serviços. Concluiu-se que a automação foi percebida como essencial para reduzir erros e melhorar a qualidade entregue, embora sua sustentabilidade exigisse investimento em infraestrutura de testes e gestão da dívida técnica.
Palavras-chave: API; Migração de monolito; Modernização de sistemas; Postman; Testes de integração.
1. Introdução
A modernização de sistemas de software tornou-se uma exigência fundamental para organizações que buscam maior eficiência operacional, escalabilidade e capacidade de adaptação em um cenário tecnológico em constante evolução. Nesse contexto, a migração de arquiteturas monolíticas para soluções baseadas em microsserviços emergiu como prática recorrente na literatura e na indústria. Essa transição é reconhecida por proporcionar maior flexibilidade, escalabilidade aprimorada e independência de implantação, mas também introduz desafios significativos relacionados à complexidade arquitetural inerente a ambientes distribuídos, à gestão de dados e à necessidade de garantir a consistência entre os diversos serviços (Gervino, 2020; Newman, 2022).
A pressão por entregas rápidas no desenvolvimento de software muitas vezes prevalece sobre um planejamento arquitetural robusto, resultando em aumento da complexidade, dificuldades de manutenção e impacto negativo na competitividade organizacional (Klaus, 2013). A gestão de dados, que em sistemas monolíticos é centralizada, exige estratégias de distribuição complexas em microsserviços para preservar a integridade e a consistência das informações (Edge Delta Team, 2024). Muitos sistemas legados, caracterizados por documentação deficiente e tecnologias obsoletas, complicam a adoção de práticas modernas de engenharia de software, incluindo a automação de testes.
A falta de documentação e a presença de código com defeitos intrínsecos nesses sistemas legados elevam o custo e a incerteza na criação de cenários de teste representativos, tornando a modernização um processo de alto risco sem estratégias de verificação adequadas (Santos Junior, 2024; Zappts, 2024). A escassez de profissionais qualificados e a alocação de talentos em suporte a código legado contribuem para a rotatividade de equipes e a perda de conhecimento institucional, impactando negativamente a qualidade das entregas.
Nesse cenário desafiador, a automação de testes emerge como elemento central para mitigar os riscos associados à migração de sistemas. Ela possibilita a detecção precoce de defeitos, reduz o retrabalho e aumenta a confiabilidade do software, especialmente em ambientes distribuídos e de alta complexidade (Boby, 2021). Ferramentas e frameworks contemporâneos, como xUnit, Testcontainers, Robot Framework, OWASP e Pact, oferecem suporte para diversos níveis de verificação, incluindo testes de unidade, integração, API, segurança e contrato, sendo cruciais quando integrados a uma estratégia de testes coerente.
Contudo, a eficácia plena dessas soluções de automação é condicionada pela existência de infraestrutura de testes adequada, práticas de versionamento e governança eficaz de contratos entre serviços. Frequentemente, esses elementos não estão presentes em projetos de modernização, limitando o aproveitamento total das ferramentas (Newman, 2022; Gervino, 2020). Barreiras práticas à automação são comumente relatadas, incluindo a dificuldade de reproduzir ambientes de integração complexos, o alto custo de manutenção de scripts em ecossistemas em rápida evolução e a complexidade de gerenciar a dívida técnica acumulada. Mesmo entre profissionais familiarizados com a técnica, a frequência de uso da automação é limitada pela concorrência com outras demandas, pela falta de tempo para investimento e pela ausência de políticas organizacionais que priorizem a qualidade dos testes (Zappts, 2024).
Essas limitações evidenciam que a adoção da automação de testes não se restringe apenas à implementação de ferramentas, mas exige mudanças culturais e investimentos substanciais em infraestrutura e governança. A literatura contemporânea aponta a automação de testes como fator determinante para o desempenho organizacional, contribuindo para a redução de tarefas manuais, a melhoria da eficiência operacional e a facilitação do onboarding de novos desenvolvedores (Forsgren et al., 2018). Organizações com automação estruturada apresentam menor sobrecarga operacional e maior satisfação das equipes, contrastando com a ausência de automação, que se associa a retrabalho e falhas. A sustentabilidade das suítes de testes automatizados, exigindo manutenção e atualização contínuas, emerge como um desafio central. Diante desse cenário, este estudo se justifica pela necessidade de compreender os benefícios e desafios percebidos na prática, com o objetivo de mostrar os benefícios e desafios do uso de testes automatizados em processos de migração dos sistemas monolíticos para microsserviços.
2. Material e Métodos
A pesquisa foi delineada com uma abordagem exploratória de natureza qualitativa, visando aprofundar a compreensão sobre os benefícios e desafios da automação de testes em processos de migração de sistemas monolíticos para microsserviços. Essa escolha metodológica alinhou-se à necessidade de investigar um fenômeno complexo e ainda pouco estruturado na prática organizacional, conforme a perspectiva de Collins e Lobão (2010) para estudos que buscam identificar padrões e insights iniciais. A dimensão qualitativa foi reforçada pela utilização da análise de conteúdo nas questões abertas, buscando interpretar percepções e significados atribuídos pelos participantes (Gil, 2017).
O objeto empírico do estudo consistiu em profissionais da área de Tecnologia da Informação, atuantes em cargos de liderança e de execução técnica. A coleta de dados foi realizada de forma remota, abrangendo participantes inseridos em diferentes contextos organizacionais. A amostra foi composta por 22 profissionais, selecionados por conveniência, que possuíam experiência em qualidade de software, participação em equipes que utilizam metodologias ágeis e algum nível de familiaridade com ferramentas de automação de testes.
Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário online estruturado, composto por 11 questões fechadas e 3 questões abertas. O instrumento foi elaborado com base nos objetivos do estudo e em temas recorrentes na prática profissional, buscando cobrir aspectos relevantes da automação de testes em cenários de migração. O questionário foi dividido em quatro blocos temáticos distintos para organizar a coleta de informações.
A primeira seção do questionário abordou o perfil profissional dos participantes, incluindo informações sobre cargo atual, tempo de experiência em qualidade de software, tempo de atuação em equipes que utilizam metodologias ágeis e nível de familiaridade com ferramentas de automação. Esta etapa visou caracterizar a amostra e verificar sua adequação ao tema proposto, garantindo que os respondentes tivessem o conhecimento necessário para contribuir com a pesquisa.
A segunda seção concentrou-se no uso de ferramentas e tipos de teste, investigando quais ferramentas de automação, como xUnit, Testcontainers, Robot Framework, OWASP, Pact e Postman, eram utilizadas pelos profissionais. Também se buscou identificar os tipos de testes realizados, como funcionais, de integração, de regressão, de desempenho e End-to-End (E2E), além da frequência de aplicação dessas ferramentas no ambiente de trabalho dos participantes.
Na terceira seção, avaliou-se a eficácia e o impacto da automação de testes por meio de itens apresentados em uma escala Likert de cinco pontos. Os participantes foram solicitados a avaliar a confiabilidade, a facilidade de uso, o impacto na produtividade, a cobertura de testes, a manutenção e a mitigação de riscos proporcionados pela automação. Esta abordagem permitiu mensurar a percepção dos profissionais sobre a contribuição da automação em diversos aspectos do desenvolvimento de software.
A quarta e última seção do questionário foi dedicada a perguntas abertas, que permitiram aos participantes expressar suas percepções sobre desafios não listados, benefícios percebidos, custos envolvidos e a influência da pressa por entregas no planejamento arquitetural e na estratégia de testes durante a modernização de sistemas. Essas questões qualitativas complementaram os dados quantitativos, oferecendo insights mais aprofundados sobre as experiências dos profissionais.
Os dados foram coletados no período de janeiro a março de 2026. O questionário foi disponibilizado online por meio de um link do “Google Forms”. A participação no estudo foi voluntária e anônima, e não foram coletados dados sensíveis ou informações pessoais identificáveis, garantindo a privacidade dos respondentes. A divulgação do questionário foi ampla e direcionada, realizada por meio de postagens em grupos de colegas de trabalho, publicações em grupos de Facebook da área e compartilhamento em grupos internos de empresas.
Para a análise dos dados, as respostas fechadas foram tratadas utilizando o Microsoft Excel, onde se organizaram os dados para a geração de gráficos e tabelas descritivas. As respostas obtidas nas questões abertas foram submetidas à análise de conteúdo, um procedimento sistemático de categorização e interpretação que buscou identificar temas, padrões e significados emergentes nos relatos dos participantes (Gil, 2017). Essa técnica permitiu extrair informações qualitativas relevantes para o entendimento dos benefícios e desafios da automação de testes.
3. Resultados e Discussão
A presente seção detalha os achados da pesquisa, obtidos por meio de um questionário estruturado aplicado a profissionais da área de tecnologia da informação. Os resultados refletem a percepção desses especialistas sobre a automação de testes no contexto específico da migração de sistemas monolíticos para arquiteturas de microsserviços. A análise buscou identificar padrões e significados nas respostas, conforme a abordagem qualitativa adotada, interpretando as percepções sobre os benefícios e desafios inerentes a esse processo de modernização de software.
Perfil Profissional e Experiência
A amostra do estudo, composta por 22 respondentes, revelou um perfil de alta senioridade entre os profissionais. A maioria, 12 (54,5%), possuía mais de dez anos de experiência em qualidade de software, enquanto 3 (13,6%) tinham entre seis e dez anos, e 7 (31,8%) entre um e cinco anos. Essa distribuição sugere que os participantes detêm um conhecimento aprofundado e consolidado na área, o que confere robustez às suas percepções sobre a automação de testes e os desafios da migração de sistemas.
Em relação à familiaridade com ferramentas de automação de testes, 17 (77,3%) dos respondentes indicaram um nível de familiaridade igual ou superior a três em uma escala de um a cinco. Esse dado valida a adequação do público-alvo ao tema da pesquisa, demonstrando que os participantes possuem um conhecimento intermediário a avançado sobre as ferramentas e práticas de automação, essencial para uma avaliação informada dos benefícios e desafios.
A experiência em projetos de migração de sistemas monolíticos para microsserviços também foi um critério relevante. Verificou-se que 12 (54,5%) dos respondentes confirmaram ter participado ou liderado projetos dessa natureza. Esse envolvimento direto com o processo de migração fortalece a relevância de suas percepções, pois suas respostas são baseadas em experiências práticas e desafios reais enfrentados em ambientes de modernização de software.
Adicionalmente, a pesquisa revelou uma predominância de profissionais com alta experiência em sistemas legados, mal documentados ou com tecnologias obsoletas. A maioria absoluta, 15 (68,2%), atribuiu nível cinco de experiência, e outros 5 (22,7%) atribuíram nível quatro, em uma escala de um a cinco. Apenas 2 (9,1%) respondentes indicaram nível um. Essa maturidade técnica é crucial, pois os desafios da modernização frequentemente se originam das complexidades e limitações desses sistemas legados, como a falta de documentação e a presença de tecnologias ultrapassadas, conforme apontado por Santos Junior (2024) e Zappts (2024).
Uso de Ferramentas e Tipos de Testes
No que tange às ferramentas de automação mais utilizadas, o Postman se destacou com 16 (72,7%) das marcações, consolidando-se como a ferramenta predominante, especialmente para testes de API. Outras ferramentas frequentemente citadas incluíram Selenium e JUnit, ambas com 6 (27,3%) marcações, Robot Framework com 4 (18,2%) e Cypress com 2 (9,1%). Ferramentas como Playwright, xUnit e Cucumber foram mencionadas em menor escala, indicando a diversidade de abordagens e a especialização em diferentes tipos de testes, como funcionais, de regressão e end-to-end (E2E).
Apesar da familiaridade com as ferramentas, a frequência de uso da automação de testes no trabalho revelou um padrão de utilização pontual. A maioria dos participantes, 12 (54,5%), relatou utilizar as ferramentas “raramente”, enquanto 5 (22,7%) as usam “semanalmente” e 4 (18,2%) “diariamente”. Esse achado sugere que, embora os profissionais reconheçam o valor da automação, barreiras práticas, como a falta de tempo, a maturidade técnica da equipe ou limitações arquiteturais, ainda restringem sua aplicação plena, um desafio já identificado por Zappts (2024).
Os tipos de testes mais realizados com automação foram os funcionais, com 19 (36,5%) marcações, seguidos pelos testes de integração, com 14 (26,9%), e os testes de regressão, com 10 (19,2%). Testes de desempenho e E2E também foram mencionados, mas em menor proporção. Curiosamente, ferramentas específicas para testes de contrato, como o Pact, não foram amplamente adotadas pela amostra, apesar de sua relevância para a garantia da consistência em arquiteturas de microsserviços, conforme destacado por Newman (2022).
Ao comparar os desafios dos testes em arquiteturas de microsserviços com as monolíticas, os testes de integração foram apontados como os mais desafiadores, com 18 (40,9%) indicações. Testes de segurança (9/20,5%) e de desempenho (8/18,2%) também foram citados como complexos. A complexidade dos testes de integração em ambientes distribuídos, com suas dependências sistêmicas e múltiplos pontos de falha, emerge como o principal obstáculo técnico, superando a dificuldade do comportamento individual dos componentes e focando na orquestração entre eles, um aspecto crucial na migração para microsserviços (Gervino, 2020).
Avaliação da Eficácia, Desafios e Impacto Organizacional
A automação de testes foi amplamente percebida como um pilar de sustentação para a melhoria da qualidade do software entregue, especialmente no contexto de migração para microsserviços. Houve uma forte concordância, com 17 (77,3%) dos respondentes afirmando que a automação reduz o erro humano em processos repetitivos de regressão. Essa redução é considerada crítica ao “quebrar” um sistema monolítico em partes independentes, onde a eficácia da automação é medida pela capacidade de validar a comunicação entre os serviços distribuídos.
Paradoxalmente, os testes de integração, embora essenciais, foram citados como o maior desafio. A eficácia da automação nesse nível é limitada pela complexidade de manter ambientes de teste que simulem fielmente a rede de microsserviços. Isso sugere que a mera utilização de ferramentas como JUnit ou Postman não é suficiente para resolver as falhas de infraestrutura de teste, indicando a necessidade de uma abordagem mais abrangente que inclua a gestão de ambientes e a governança de contratos entre serviços (Newman, 2022).
A pesquisa também investigou o impacto da automação de testes na retenção de talentos e no “onboarding” de novos desenvolvedores. Profissionais seniores destacaram que a automação eficaz libera talentos para atividades mais analíticas e arquiteturais, reduzindo o “burnout” associado a testes manuais repetitivos em sistemas legados. Essa redução do trabalho operacional contribui para um ambiente de trabalho mais satisfatório e produtivo, alinhando-se aos achados de Forsgren et al. (2018) sobre o desempenho organizacional.
A adoção de frameworks modernos, como Playwright e Testcontainers, foi vista como um atrativo tecnológico, contribuindo para uma cultura de inovação. Equipes que trabalham em migrações para microsserviços sem automação tendem a apresentar maior rotatividade devido à alta carga de manutenção e retrabalho em sistemas instáveis. Esses benefícios técnicos, como detecção precoce de defeitos e mitigação de riscos, somam-se à melhoria do ambiente de trabalho e à capacitação de novos integrantes, desde que haja investimentos em infraestrutura de testes e práticas de manutenção dos scripts.
A maioria dos participantes manifestou concordância total (5/22,7%) ou parcial (8/36,4%) de que a automação impacta positivamente a retenção de talentos. Essa percepção é consistente com os comentários qualitativos que associaram a automação à redução de trabalho manual repetitivo e à liberação de profissionais para atividades de maior valor. Assim, a automação não apenas otimiza processos técnicos, mas também atua como um fator estratégico para a gestão de capital humano em ambientes de modernização de software.
A manutenção dos testes automatizados foi identificada como um dos principais desafios. A eficácia da automação é frequentemente questionada pelo custo de manutenção, refletindo uma barreira técnica significativa. A maior dificuldade apontada foi a criação de cenários de teste para códigos legados mal documentados, onde o custo de automatizar algo desconhecido é alto e a eficácia inicial é baixa até que o sistema se estabilize na nova arquitetura de microsserviços.
A dívida técnica, especificamente a manutenção dos scripts de teste em um ambiente de microsserviços em constante mudança, foi citada como um desafio. A concordância total de 12 (54,5%) respondentes e parcial de 5 (22,7%) sobre este ponto indica que a produtividade pode ser impactada se a estratégia de automação não acompanhar a velocidade das entregas ágeis. Isso reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura de testes e na gestão proativa da dívida técnica, conforme sugerido pela literatura (Newman, 2022).
Percepções Qualitativas e Obstáculos
As questões abertas permitiram identificar desafios críticos não listados explicitamente, mas que impactam o processo de modernização. A principal dificuldade reside no levantamento de requisitos funcionais e na criação de cenários de teste compreensíveis a partir de códigos legados que, muitas vezes, já possuem “bugs” intrínsecos e falta de documentação. Essa complexidade inicial eleva o custo e a incerteza na criação de testes representativos, tornando a modernização um processo arriscado sem estratégias de verificação adequadas (Santos Junior, 2024; Zappts, 2024).
Outro desafio significativo é a concorrência de demandas, onde a pressão para atender às necessidades de negócio rapidamente impacta negativamente o planejamento arquitetural e a estratégia de testes. Essa concorrência foi citada como um fator que afeta a produtividade da equipe e a implementação da automação. Embora a automação de testes envolva custos e desafios, ela é percebida como um investimento necessário para garantir a confiabilidade na comunicação entre os novos serviços, mitigando riscos técnicos e melhorando a qualidade do software entregue (Boby, 2021).
Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a amostra é composta por profissionais seniores, com vasta experiência em sistemas legados, metodologias ágeis e processos de migração para microsserviços. Observou-se uma ampla familiaridade com ferramentas de automação, especialmente para testes de API com o Postman, embora a utilização seja frequentemente pontual devido a limitações de infraestrutura e maturidade técnica. A automação foi reconhecida como crucial para a qualidade do software, redução de erros e mitigação de riscos, mas os testes de integração emergiram como o principal desafio técnico. Além disso, a automação demonstrou impactos organizacionais positivos, como a redução da sobrecarga operacional e o apoio ao “onboarding” de novos desenvolvedores, reforçando que sua implementação estratégica, com infraestrutura e governança adequadas, é fundamental para a modernização de sistemas legados.
4. Conclusão
O presente estudo buscou mostrar os benefícios e desafios do uso de testes automatizados em processos de migração de sistemas monolíticos para microsserviços, a partir da percepção de profissionais da área de tecnologia da informação. Verificou-se que a automação de testes foi amplamente reconhecida como um elemento essencial para a redução de erros humanos, a melhoria da qualidade do software e a mitigação de riscos técnicos durante a transição. Observou-se o predomínio de ferramentas voltadas para testes de API, como o Postman, e constatou-se que ambientes com testes automatizados contribuem positivamente para a retenção de talentos e para o “onboarding” de novos desenvolvedores. Contudo, a pesquisa evidenciou que os testes de integração representam o principal obstáculo técnico em arquiteturas distribuídas, devido à complexidade das interações entre serviços. A principal contribuição do estudo reside em consolidar a percepção de que a automação de testes é crucial para a modernização de sistemas, mas sua sustentabilidade exige investimentos contínuos em infraestrutura de testes e uma gestão proativa da dívida técnica para ser eficaz.
As limitações deste trabalho foram relacionadas ao tamanho reduzido da amostra, obtida por conveniência, e à baixa adesão ao questionário, o que pode restringir a generalização dos resultados. Adicionalmente, as respostas dependeram da percepção individual dos participantes, introduzindo vieses subjetivos característicos de pesquisas qualitativas. Para futuros trabalhos, recomenda-se a ampliação da amostra, a inclusão de diferentes perfis organizacionais e a realização de estudos de caso que permitam observar a automação de testes em ambientes reais de migração. Sugere-se ainda explorar abordagens metodológicas mistas, combinando métricas quantitativas de desempenho com análises qualitativas, a fim de aprofundar a compreensão sobre o impacto da automação em arquiteturas de microsserviços.
Referências Bibliográficas
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Gil, Antonio Carlos. 2017. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. Disponível em: <https://www.amazon.com.br/Elaborar-Projetos-Pesquisa-Antonio-Carlos/dp/8597012617>. Acesso em: 02 fev. 2026.
Klaus, Vivian Sabrine. 2013. Gestão do conhecimento: lições aprendidas em desenvolvimento de software. Estudo de caso em empresa de soluções em tecnologia da informação para o mercado financeiro. Disponível em: <https://repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/6597?show=full>. Acesso em: 27 set. 2025.
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Santos Junior, Luis Carlos. 2024. Migração de Monolito para Microsserviços: Relatório da experiência do projeto integrador. Disponível em: <https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/43864/1/TCC_Jose%20Teodoro%20da%20Silv.pdf>. Acesso em: 10 out. 2025.
Zappts. 2024. Modernização de Sistemas Legados na era da IA: Quando e Como Realizar a Transição com Sucesso. Disponível em: <https://zappts.com.br/modernizacao-de-sistemas-legados-na-era-da-ia-quando-e-como-realizar-a-transicao-com-sucesso/>. Acesso em: 08 out. 2025.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq
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