Artigo

30 de julho de 2026

Aplicação do método Kanban no gerenciamento do cronograma de projeto de prospecção de bactérias

Felipe Nogueira de Sá Marto; Brayan Dias Dauria

DOI: 10.22167/2675-6528-202600786

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Projetos de prospecção de bactérias com potencial agrícola são estratégicos para o desenvolvimento de bioinsumos, mas sua gestão eficiente é desafiadora devido à complexidade e incerteza inerentes aos processos biológicos. Objetivou-se propor um modelo de gerenciamento de cronograma baseado na aplicação do método Kanban para tais projetos. A metodologia adotada consistiu na estruturação de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) conforme as diretrizes do PMBOK, organizada em fases de iniciação, planejamento, execução, monitoramento e encerramento. A partir dessa estrutura, desenvolveu-se um backlog de atividades e implementaram-se quadros Kanban para visualização e controle do fluxo de trabalho, além da proposição de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs) para avaliação técnica e gerencial. Os resultados indicaram que a aplicação do Kanban proporcionou maior clareza na visualização das atividades, melhoria na organização do fluxo de trabalho, redução de gargalos e retrabalhos, e maior flexibilidade para adaptação a mudanças. Observou-se, ainda, potencial benefício na rastreabilidade das atividades e na previsibilidade das entregas, especialmente em etapas complexas e iterativas. Concluiu-se que o método Kanban demonstrou elevada aplicabilidade como ferramenta de gestão em projetos de prospecção de bactérias, otimizando o gerenciamento do cronograma e melhorando o desempenho geral do projeto.

Palavras-chave: Fluxo de trabalho; Indicadores de desempenho; Melhoria contínua; Métodos ágeis.

1. Introdução

O solo representa um ambiente complexo, dinâmico e heterogêneo, essencial para a vida microbiana e para o equilíbrio ecológico, conforme destacado por Cotta (2016). Dentre os diversos organismos que habitam esse ecossistema, como fungos, vírus, protozoários, insetos e nematoides (Andreote e Cardoso, 2016), as bactérias se sobressaem como um dos grupos mais explorados em pesquisas voltadas à engenharia genética, biotecnologia e produção de bioinsumos (Wang e Kuzyakov, 2024).

As bactérias do solo desempenham funções vitais para a manutenção da estrutura do solo e para a ciclagem de nutrientes. Elas participam ativamente da decomposição da matéria orgânica (Quevedo et al., 2023), da fixação biológica de nitrogênio (Hungria et al., 2001), da disponibilização de fósforo (Paiva et al., 2024) e da solubilização de potássio, contribuindo significativamente para a saúde do solo e o desenvolvimento de plantas de interesse agrícola. Nesse contexto, o solo é reconhecido como um valioso reservatório biológico, uma fonte estratégica de bactérias com potencial para o desenvolvimento de novas tecnologias e insumos agrícolas (Cotta, 2016).

Projetos de prospecção de bactérias em amostras de solo são, portanto, trabalhos exploratórios cruciais para o avanço do conhecimento de espécies com potencial agrícola e biotecnológico, impulsionando o desenvolvimento contínuo de insumos biológicos. No entanto, a gestão eficiente desses projetos é inerentemente desafiadora. A natureza dos processos biológicos, como o crescimento microbiano, introduz um alto grau de incerteza, variabilidade e volatilidade no cronograma, exigindo ajustes frequentes ao longo do desenvolvimento do projeto (PMI, 2021).

A complexidade desses projetos é evidenciada pelas múltiplas etapas envolvidas, que vão desde a coleta de amostras de solo com características diversas, passando pelo cultivo microbiológico em laboratório, testes de mecanismos de ação (como fixação de nitrogênio e solubilização de fósforo e potássio), seleção preliminar e complementar de isolados, até a identificação taxonômica das bactérias mais promissoras. Cada uma dessas fases possui uma série de processos interligados e dependentes, que demandam detalhamento extensivo e triagens constantes.

Modelos tradicionais de gerenciamento de projetos, com seus cronogramas fixos e alto nível de detalhamento prévio, podem ser inadequados para lidar com essa dinâmica. A baixa flexibilidade desses modelos pode resultar em atrasos e retrabalhos, comprometendo o prazo final do projeto, especialmente em trabalhos com alto grau de robustez cognitiva que exigem adaptação contínua e coordenação entre as equipes (Weaver, 2009). A tomada de decisão centralizada e a lentidão na resposta a problemas operacionais, como falhas em cultivos ou contaminações, são gargalos comuns.

Diante dessa problemática, a adoção de abordagens ágeis e adaptativas é recomendada para o gerenciamento do cronograma, permitindo a modificação dos processos com base em resultados preliminares e a rápida adaptação às mudanças (PMI, 2017a). Entre as metodologias ágeis, o método Kanban se destaca como uma ferramenta de controle visual do fluxo de trabalho. Ele permite a visualização clara e eficaz dos processos, otimizando as etapas e focando na minimização de desperdícios e na entrega de valor ao cliente final (PMI, 2017b).

Originário do sistema de produção “Just In Time” (JIT) e do “Lean manufacturing”, o Kanban tem se mostrado aplicável em diversas áreas, não se limitando à produção ou ao setor agrícola/biotecnológico (Zeng et al., 2019). Sua eficácia é comprovada em diferentes contextos, como na construção civil, onde aumentou a satisfação dos funcionários, a integração da equipe e a confiabilidade dos processos (Cervantes et al., 2024), e na logística hospitalar, contribuindo para a redução de custos e desperdícios (Yuniar et al., 2023). O Guia de Práticas Ágeis (PMI, 2017b) ressalta que o Kanban promove flexibilidade, entregas contínuas, maior eficiência, produtividade e qualidade, além de reduzir desperdícios e aumentar o foco da equipe.

A aplicação do Kanban permite uma visualização organizada e dinâmica das tarefas, utilizando um “pull system” para mover o trabalho pelo processo, com a capacidade de “iniciar onde você está” (PMI, 2017b). Essa abordagem facilita o monitoramento contínuo das atividades e a otimização da gestão do tempo e dos recursos, sendo uma ferramenta valiosa para mitigar atrasos nas entregas e favorecer o replanejamento dinâmico. Assim, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de otimizar o gerenciamento de cronogramas em projetos de prospecção de bactérias, que são complexos e incertos, e tem como objetivo propor um modelo de gerenciamento de cronograma baseado na aplicação do método Kanban para um projeto de prospecção de bactérias com potencial benéfico para a agricultura.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem metodológica exploratória e descritiva, visando à proposição de um modelo de gerenciamento. O objeto empírico da pesquisa foi o gerenciamento de cronogramas em projetos de prospecção de bactérias com potencial benéfico para a agricultura. A complexidade inerente a esses projetos, que envolvem processos biológicos com alto grau de incerteza e variabilidade, justificou a busca por abordagens adaptativas para a gestão do cronograma.

Diante desse cenário, a estratégia de pesquisa adotada concentrou-se na aplicação de metodologias ágeis, com foco no método Kanban, para otimizar o gerenciamento do cronograma. O Kanban foi selecionado por sua capacidade de visualização do fluxo de trabalho, monitoramento contínuo das atividades e otimização da gestão de tempo e recursos, conforme preconizado por PMI (2017b) e PMI (2021).

A primeira etapa metodológica consistiu na elaboração de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) para um projeto de prospecção de bactérias. Essa EAP foi desenvolvida seguindo as diretrizes da 8ª edição do Guia PMBOK (PMI, 2025) e a estrutura de responsabilidades de um gestor de projetos, conforme Shanthi et al. (2023). A EAP foi organizada em cinco fases principais: Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento e Encerramento, servindo como alicerce para a proposta de gerenciamento.

A partir da EAP estruturada, procedeu-se ao desenvolvimento de um “backlog” de atividades. Este “backlog” representou uma lista ordenada de todo o trabalho a ser realizado no projeto de prospecção de bactérias, detalhando as tarefas em cada uma das fases da EAP. A criação do “backlog” permitiu a decomposição hierárquica do trabalho, facilitando a visualização das entregas necessárias em pacotes de trabalho mensuráveis e rastreáveis (PMI, 2025).

Na sequência, implementaram-se quadros Kanban para estruturar o gerenciamento do projeto em seu estágio intermediário, com as atividades em andamento. Os quadros foram concebidos para organizar e visualizar o fluxo de trabalho de forma clara e sequencial, distribuindo as tarefas em três etapas distintas: “A fazer”, “Em andamento” e “Concluído”. Essa organização visou aprimorar a transparência e o acompanhamento contínuo das atividades.

Paralelamente à estruturação do fluxo de trabalho, realizou-se a proposição de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs) para compor o modelo de gerenciamento. Esses indicadores foram definidos com o objetivo de medir entregas e eventos, focando nas informações geradas após a execução dos processos e refletindo o desempenho geral do projeto (PMI, 2021). Os KPIs propostos abrangeram tanto aspectos técnicos da prospecção de bactérias quanto elementos de gestão do cronograma.

Para exemplificar a aplicação prática dos quadros Kanban e potencializar a visualização do fluxo de trabalho, utilizou-se o software Trello. Esta plataforma permitiu a representação intuitiva e a organização dinâmica das atividades, com a identificação das etapas do “backlog” às quais cada tarefa estava vinculada, por meio de etiquetas e marcadores. O Trello facilitou o monitoramento contínuo e o acompanhamento do fluxo de processos do projeto.

O modelo de gerenciamento de cronograma proposto, baseado no método Kanban, foi concebido para oferecer maior flexibilidade e adaptabilidade aos projetos de prospecção de bactérias. A abordagem buscou mitigar atrasos nas entregas e favorecer o replanejamento dinâmico, permitindo ajustes nos processos com base em resultados preliminares e na rápida resposta a mudanças, conforme a natureza iterativa desses projetos (PMI, 2017a).

3. Resultados e Discussão

A análise dos modelos tradicionais de gerenciamento de projetos, quando aplicados à prospecção de bactérias, revelou desafios significativos. Nesses contextos, a organização dos processos tende a ser rigidamente definida, desde a coleta inicial de amostras ambientais até a consolidação dos resultados, com um alto nível de detalhamento prévio. Essa abordagem, embora busque evitar ajustes posteriores, frequentemente se mostra inflexível diante da complexidade e da imprevisibilidade inerentes aos processos biológicos, como o crescimento microbiano e as reações em ensaios laboratoriais. A tomada de decisão centralizada, comum em modelos tradicionais, pode retardar respostas a problemas operacionais, como falhas em cultivos ou contaminações, gerando retrabalhos e atrasos.

Os projetos de prospecção de bactérias, por sua natureza, estão intrinsecamente ligados à sobrevivência microbiana e a processos biológicos complexos, o que os torna suscetíveis a incertezas, volatilidade e altas taxas de mudança de escopo. A baixa flexibilidade dos modelos tradicionais pode, assim, desencadear um efeito cascata de atrasos, comprometendo o prazo final do projeto. Essa limitação é corroborada por Weaver (2009), que destaca a inadequação da visão tradicional de gerenciamento para trabalhos com alto grau de robustez cognitiva, os quais exigem adaptação contínua e coordenação eficaz entre as equipes, características marcantes da pesquisa biotecnológica.

Diante desses desafios, a adoção de abordagens ágeis é impulsionada pela necessidade de uma visualização clara dos processos de curto prazo e pela capacidade de rápida adaptação com base em feedbacks e avaliações contínuas, realizadas diretamente com os clientes (PMI, 2017b). Para aplicar essa perspectiva a um projeto de prospecção de bactérias, a primeira etapa consistiu na elaboração de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Essa EAP foi desenvolvida seguindo as diretrizes do PMBOK (PMI, 2025), as propostas de Shanthi et al. (2023), Webster (1994) e Moylan (2002), organizando o projeto em cinco grupos de processos distintos.

A EAP estruturou o projeto de prospecção de bactérias em fases de Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento e Encerramento. A fase de Iniciação envolveu a reunião com o cliente e o alinhamento dos objetivos, funções biológicas desejadas e protocolos específicos. O Planejamento compreendeu a definição do cronograma, a preparação dos materiais e protocolos necessários, e a distribuição das etapas no cronograma. A Execução abrangeu a coleta de solos e amostras ambientais, o cultivo microbiológico, o isolamento e a obtenção da coleção de isolados bacterianos, testes específicos para caracterização, triagem e seleção de bactérias com resultados positivos, testes complementares, seleção final dos isolados promissores e identificação taxonômica das bactérias.

Durante a fase de Execução, foram previstas três entregas parciais, cada uma seguida de um feedback do cliente, caracterizando ciclos de vida adaptativos. Essa abordagem, alinhada aos princípios do Manifesto Ágil, visa estreitar a participação do cliente na tomada de decisão e calibrar as necessidades do projeto com base nos resultados obtidos (PMI, 2017b). A iteração contínua e o feedback constante permitem entregas antecipadas e a geração contínua de valor, aumentando a satisfação do cliente e a capacidade de resposta do projeto às descobertas científicas.

A fase de Monitoramento, que ocorre em paralelo à Execução, focou na gestão de tarefas por meio de ferramentas específicas e no controle de qualidade realizado pela equipe técnica, abrangendo as bactérias avaliadas, os ensaios e a compilação dos dados. Por fim, a fase de Encerramento incluiu a elaboração e entrega do relatório final ao cliente, detalhando as bactérias promissoras e seu potencial biotecnológico, culminando em uma reunião final para discussão aprofundada dos resultados. O presente estudo concentrou-se na etapa de Monitoramento, onde a aplicação do método Kanban demonstrou seu maior potencial.

O método Kanban foi aplicado como uma nova forma de gerenciamento para projetos de prospecção de bactérias, alinhado às diretrizes do Manifesto Ágil e do Guia de Prática Ágil (PMI, 2017b). Essa aplicação permitiu a criação de quadros visuais que organizam o fluxo de processos em cada etapa do projeto, proporcionando uma visualização clara e objetiva das atividades em andamento, pendentes e concluídas. O escopo do projeto, derivado da EAP, foi inicialmente apresentado como um backlog, uma lista ordenada de todo o trabalho a ser realizado, que serviu de base para a implementação dos quadros Kanban.

A implementação dos quadros Kanban estruturou o gerenciamento do projeto em seu estágio intermediário, com as atividades já em andamento, distribuindo as tarefas em três etapas do fluxo de trabalho: “A fazer”, “Em andamento” e “Concluído”. No backlog de estudo inicial, o Kanban atuou como uma ferramenta de alinhamento estratégico, organizando e priorizando atividades como reuniões com o cliente, definição de orçamento e formalização da ordem de serviço. A visualização contínua dessas atividades aumentou a transparência e facilitou a identificação de pendências, reduzindo gargalos decisórios e atrasos na tomada de decisão.

Na etapa de planejamento, o Kanban assumiu um papel estruturante, facilitando a decomposição das atividades e a distribuição de responsabilidades entre as equipes. Os quadros visuais permitiram um melhor acompanhamento do progresso das etapas, tornando o processo mais dinâmico e flexível. Além disso, a metodologia pode ser associada a limites de “Work In Progress” (WIP) para evitar a sobrecarga das equipes, promovendo maior equilíbrio na execução das tarefas e otimizando a utilização dos recursos disponíveis.

No backlog de preparo dos materiais, o Kanban demonstrou potencial para aumentar a eficiência no controle operacional do fluxo de trabalho. A visualização das atividades em andamento e dos materiais necessários para o projeto permitiu identificar bloqueios e dependências entre as tarefas, garantindo maior sincronia entre os processos laboratoriais e reduzindo os tempos de espera. Essa otimização contribuiu para a fluidez das atividades preparatórias e para a mitigação de desperdícios, um princípio central do Lean manufacturing, do qual o Kanban é uma ramificação (PMI, 2021).

O potencial máximo do Kanban no gerenciamento do cronograma do projeto foi evidenciado na etapa de desenvolvimento técnico. Nesta fase, a complexidade e a iteração entre os testes, como os testes de fixação de nitrogênio, solubilização de fósforo e potássio, controle de fungos fitopatogênicos, produção de hormônios vegetais e sobrevivência em ambientes de estresse, atingem seu nível mais alto. O Kanban possibilitou o gerenciamento de múltiplas tarefas simultaneamente, permitindo o acompanhamento contínuo do progresso de cada teste e a realização de ajustes necessários com base nos resultados obtidos, promovendo flexibilidade e adaptação às mudanças.

Essa flexibilidade favoreceu a incorporação de melhorias contínuas, com entregas parciais e feedbacks dos clientes, resultando em maior eficiência e produtividade da equipe. A utilização de softwares específicos, como o Trello, potencializou a aplicação dos quadros Kanban, proporcionando uma visualização intuitiva e organização dinâmica das atividades. A ferramenta permitiu a identificação das etapas do backlog às quais cada tarefa estava vinculada, por meio de etiquetas e marcadores, facilitando o monitoramento contínuo e o acompanhamento do fluxo de processos do projeto.

A proposta de aplicação do método Kanban no projeto de prospecção de bactérias indicou um potencial relevante para aprimorar o gerenciamento das atividades experimentais. A utilização dos quadros visuais proporcionou maior clareza no fluxo de trabalho, facilitando o acompanhamento e a priorização das tarefas. Observou-se uma contribuição positiva na organização das rotinas laboratoriais e na integração entre atividades técnicas e administrativas, o que pode reduzir perdas de informação e retrabalhos. A abordagem Kanban evidenciou benefícios práticos na previsibilidade das entregas, rastreabilidade das ações e suporte à tomada de decisão, mostrando-se uma ferramenta de grande potencial para projetos com múltiplas fases e alta dependência entre processos.

Além dos benefícios operacionais, foram propostos Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs) para avaliar o desempenho do projeto, tanto sob uma perspectiva técnica quanto gerencial. Os KPIs técnicos incluíram o número de isolados por amostra coletada, o percentual de isolados promissores e a taxa de perda de culturas bacterianas. Esses indicadores permitem medir a quantidade média de isolados obtidos, a qualidade dos isolados e identificar problemas operacionais ou de armazenamento, respectivamente, fornecendo uma visão clara do progresso científico.

No âmbito gerencial, os KPIs propostos abrangeram o Lead Time, que mede o tempo total para entrega de uma atividade desde a demanda inicial; o Cycle Time, que avalia o tempo efetivo de trabalho em uma tarefa; a taxa de tarefas concluídas no prazo, indicando a confiabilidade do planejamento; o tempo médio por etapa, para identificar gargalos no fluxo de trabalho; a taxa de retrabalho, que avalia falhas na execução; e o WIP médio, que indica o volume de trabalho simultâneo. Valores altos para o WIP médio podem sinalizar sobrecarga da equipe, permitindo ajustes proativos no fluxo de trabalho.

A literatura corrobora os potenciais de melhoria identificados com o uso do Kanban. Ahmed et al. (2024) destacaram a preferência de engenheiros de software, gerentes de projetos, CEOs e gerentes de RH pelo Kanban (85-90%) em relação a outras metodologias ágeis, especialmente em gerenciamento de custo, tempo, risco e qualidade. O Kanban contribuiu para ciclos de entregas rápidas, melhoria na comunicação das equipes e aumento da eficiência. Zúñiga (2025) apontou uma correlação positiva entre o uso do Kanban e a melhoria de processos (51%), rendimento das equipes (62%), melhoria de serviços (67%) e fluxo de trabalho (58%) em companhias financeiras, reforçando seu papel no fomento de adaptabilidade e melhoria contínua.

Em síntese, a aplicação do método Kanban demonstrou ser uma ferramenta valiosa para o gerenciamento de cronogramas em projetos de prospecção de bactérias. Os resultados evidenciaram melhorias significativas no fluxo de trabalho, maior controle sobre as atividades, redução de gargalos e retrabalhos, e maior flexibilidade para adaptação a mudanças. A versatilidade do Kanban foi observada em diferentes fases do projeto, desde o alinhamento estratégico inicial até o controle operacional e o desenvolvimento técnico, sendo complementada pela proposição de KPIs que permitem uma avaliação abrangente do desempenho, tanto técnico quanto gerencial. Essa abordagem contribui para a otimização do gerenciamento do cronograma e a melhoria do desempenho geral do projeto, alinhando eficiência operacional e qualidade técnica em contextos científicos complexos.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou propor um modelo de gerenciamento de cronograma baseado na aplicação do método Kanban para projetos de prospecção de bactérias com potencial agrícola, reconhecendo a complexidade e incerteza inerentes a esses processos biológicos. Verificou-se que os modelos tradicionais de gerenciamento de projetos apresentavam limitações significativas, como rigidez e baixa adaptabilidade, que resultavam em gargalos, retrabalhos e atrasos. Em contraste, a aplicação do Kanban, estruturada a partir de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e complementada por Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs), proporcionou maior clareza na visualização das atividades, otimizou a organização do fluxo de trabalho e conferiu maior flexibilidade para adaptação a mudanças. Observou-se, ainda, um benefício substancial na rastreabilidade das atividades e na previsibilidade das entregas, especialmente nas etapas mais complexas e iterativas do desenvolvimento técnico.

A principal contribuição deste trabalho reside na proposição de uma abordagem gerencial adaptativa que otimiza o cronograma e melhora o desempenho geral de projetos científicos complexos. O modelo Kanban demonstrou elevada aplicabilidade, atuando como ferramenta de alinhamento estratégico nas fases iniciais, estruturação no planejamento e controle operacional no desenvolvimento técnico. A integração de KPIs técnicos e gerenciais permite uma avaliação abrangente do progresso, identificando gargalos e promovendo a melhoria contínua. Essa metodologia oferece um caminho para a modernização das práticas de gestão em contextos de pesquisa e desenvolvimento biotecnológico, fortalecendo a tomada de decisão e a eficiência operacional em projetos de prospecção de bactérias.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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