Artigo

28 de julho de 2026

Aplicação da metodologia ágil Scrum no gerenciamento da comunicação em projetos de tecnologia hospitalar

Desiree Paola Ramos; Fabrício Martins Lacerda

DOI: 10.22167/2675-6528-202600719

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A comunicação revelou-se um fator crítico para o sucesso de projetos, especialmente em tecnologia na saúde, onde a ausência de um planejamento comunicacional estruturado pode gerar desalinhamento e retrabalho. Analisou-se a aplicação da metodologia ágil Scrum como apoio ao gerenciamento da comunicação em um projeto de tecnologia hospitalar, conforme diretrizes do Project Management Institute (PMI). Realizou-se uma pesquisa-ação, retrospectiva e qualitativa, no departamento de enfermagem de um hospital público de São Paulo. O projeto foi conduzido por ciclos iterativos, com sprints semanais e quinzenais, utilizando artefatos e eventos do Scrum, e processos de planejamento, gerenciamento e monitoramento das comunicações. Os resultados indicaram que a integração de práticas ágeis e o modelo tradicional do PMI aprimorou o fluxo informacional, o engajamento dos stakeholders, a mitigação de riscos comunicacionais e o suporte à tomada de decisão. Concluiu-se que o Scrum constituiu uma abordagem complementar eficaz para operacionalizar o gerenciamento da comunicação em projetos de tecnologia hospitalar, promovendo maior transparência, alinhamento e eficiência em ambientes organizacionais complexos.

Palavras-chave: Gerenciamento da comunicação; Gerenciamento de projetos; Metodologias ágeis; Scrum; Tecnologia hospitalar.

1. Introdução

A comunicação é amplamente reconhecida como um dos pilares fundamentais para o êxito de qualquer projeto, assumindo uma criticidade ainda maior em contextos caracterizados por alta complexidade e regulamentação rigorosa. Este cenário é particularmente evidente nos projetos de tecnologia desenvolvidos na área da saúde, onde a precisão e o fluxo informacional são cruciais. A ausência de um planejamento comunicacional estruturado pode desencadear uma série de desafios, como o desalinhamento entre as partes interessadas, a ocorrência de retrabalhos e o comprometimento dos resultados esperados do projeto (Da Silva e Kieling, 2023; PMI, 2017).

No ambiente hospitalar, a gestão de projetos de tecnologia enfrenta complexidades inerentes à natureza do setor. Por exemplo, o manejo clínico de lesões de pele representa um desafio significativo para os sistemas de saúde globalmente, configurando-se como um problema de saúde pública com considerável encargo financeiro. Essa complexidade deriva da necessidade de uma abordagem terapêutica multidisciplinar, do rápido avanço das doenças crônicas e da intrincada natureza do processo de cicatrização (Barreto et al., 2023; Salomé et al., 2017). Historicamente, os métodos de tratamento evoluíram de práticas empíricas para técnicas científicas avançadas (Shah, 2011; Barbosa e Bastos, 2024; Salomé et al., 2017). Diariamente, hospitais geram um vasto volume de registros clínicos que demandam gerenciamento e análise eficientes (Codá, 2017), embora ainda haja uma carência de softwares especializados para administrar essas informações (Barreto et al., 2023).

Nesse contexto, o gerenciamento da comunicação assume um papel estratégico, pois falhas comunicacionais são frequentemente apontadas como causas primárias de insucesso em projetos, especialmente em setores críticos como a saúde (Da Silva e Kieling, 2023; PMI, 2017). O gerente de projetos dedica uma parcela substancial de seu tempo à troca de informações, buscando promover o alinhamento das partes envolvidas e assegurar o acesso ágil aos dados necessários (Freitas, 2013). A comunicação eficaz é essencial não apenas para a compreensão mútua nas relações humanas, mas também para a construção de aprendizagens significativas em diversos contextos organizacionais (Dias, 2020), sendo fundamental para o sucesso organizacional (Clementino, 2021). A qualidade da comunicação é aprimorada pela adoção de boas práticas, como os cinco C’s da comunicação (correta, clara, concisa, coerente e controlada), que contribuem para a redução de falhas ao longo do projeto (Tarcia e Lacerda, 2022).

Diante da dinamicidade e da complexidade dos projetos contemporâneos, as abordagens tradicionais de gerenciamento nem sempre se mostram plenamente adequadas. Em resposta a essa realidade, os métodos ágeis emergiram como uma alternativa eficaz, oferecendo benefícios tanto para as equipes de desenvolvimento quanto para os clientes. A agilidade permite a entrega contínua de valor, mesmo em ambientes de mudanças frequentes e necessidade constante de adaptação. Embora inicialmente desenvolvidos para a área de tecnologia da informação, esses métodos, como o Scrum, têm sua aplicação estendida a diversos tipos de projetos, pois visam reduzir o planejamento excessivo e favorecer respostas rápidas às mudanças (Caetano, 2024).

A popularização dos métodos ágeis foi impulsionada pela publicação do Manifesto Ágil em 2001 (Beck et al., 2001). O Scrum, em particular, tem sua concepção inicial no artigo “The New Product Development Game” de Takeuchi e Nonaka (1986), que analisou equipes de alto desempenho em projetos, estabelecendo uma analogia com a formação de Rugby. Os autores observaram que projetos de menor escala, desenvolvidos por equipes reduzidas e multifuncionais, apresentavam melhores resultados em termos de desempenho e entrega de valor (Carvalho e Mello, 2012; Baldo et al., 2019). O Scrum é definido como uma metodologia leve que auxilia pessoas, times e organizações a gerar valor por meio de soluções adaptativas para problemas complexos (Schwaber e Sutherland, 2020), caracterizando-se por um planejamento adaptativo e incremental, construído progressivamente ao longo da execução do projeto (Camargo e Thomas, 2019; Baldo et al., 2019).

Paralelamente, o Project Management Institute (PMI, 2017) propõe um referencial metodológico abrangente para o gerenciamento das comunicações em projetos. Este referencial compreende um conjunto de processos destinados a assegurar que as informações do projeto sejam planejadas, coletadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas e monitoradas de forma sistemática e adequada. O plano de gerenciamento das comunicações, conforme o PMI (2017), deve ser elaborado no início do ciclo de vida do projeto e revisado periodicamente para atender às necessidades informacionais das partes interessadas. Os processos incluem planejar o gerenciamento das comunicações, gerenciar as comunicações e monitorar as comunicações, visando garantir um fluxo informacional eficaz e o alinhamento contínuo.

Apesar da estrutura conceitual robusta oferecida pelo PMI (2017) para o gerenciamento das comunicações, sua aplicação prática em ambientes de alta dinamicidade e complexidade, como os projetos de tecnologia hospitalar, pode demandar mecanismos operacionais que favoreçam ciclos curtos de feedback e maior adaptabilidade. A lacuna reside na necessidade de integrar essa estrutura formal com abordagens que promovam maior agilidade e transparência no fluxo informacional. Assim, a metodologia ágil Scrum, ao incorporar eventos, artefatos e papéis que estimulam a comunicação frequente, a transparência e a inspeção contínua em curtos períodos, configura-se como um framework complementar capaz de aprimorar o gerenciamento da comunicação nesses contextos.

Diante do exposto, este estudo se justifica pela relevância de investigar como a integração entre as diretrizes do PMI e a metodologia Scrum pode otimizar a comunicação em projetos de tecnologia hospitalar, contribuindo para a mitigação de riscos, o engajamento das partes interessadas e a tomada de decisão mais eficaz. Desta forma, formula-se a seguinte questão de pesquisa: de que forma a aplicação da metodologia ágil Scrum pode contribuir para o gerenciamento da comunicação em projetos de tecnologia hospitalar, conforme as diretrizes do Project Management Institute (PMI)? Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar a contribuição da metodologia ágil Scrum como instrumento de apoio ao gerenciamento da comunicação em projetos de tecnologia hospitalar, considerando os processos de planejamento, gerenciamento e monitoramento das comunicações propostos pelo PMI.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa-ação, de natureza retrospectiva e abordagem qualitativa, alinhada ao objetivo de analisar a contribuição da metodologia ágil Scrum para o gerenciamento da comunicação em projetos de tecnologia hospitalar. A pesquisa foi desenvolvida no departamento de enfermagem de um hospital público de grande porte, localizado no município de São Paulo, reconhecido como um dos maiores complexos hospitalares da América Latina.

O estudo foi conduzido de forma cíclica, seguindo os pressupostos da pesquisa-ação, adaptada às exigências acadêmicas e fundamentada na prática (Tripp, 2005; Silva Neto et al., 2023). A fase exploratória ocorreu em julho de 2024, período em que se definiram o objetivo da pesquisa, o problema a ser investigado e os responsáveis pelas ações, marcando o início formal do trabalho.

Posteriormente, implementaram-se sprints semanais e quinzenais, com reuniões presenciais de uma a duas horas de duração. Essas reuniões foram orientadas pelos pilares do Scrum – transparência, inspeção e adaptação – e seus valores centrais, como compromisso, foco, abertura, respeito e coragem. Adicionalmente, aplicaram-se os cinco C’s da comunicação (correta, clara, concisa, coerente e controlada), visando reduzir mal-entendidos (Tarcia e Lacerda, 2022).

Durante as sprints, procedeu-se à avaliação contínua dos processos de planejamento, gerenciamento e monitoramento da comunicação do projeto. Essa avaliação foi realizada por meio de análise documental, observação dos eventos do Scrum e levantamento das práticas de comunicação adotadas. Tais análises subsidiaram o gerenciamento de riscos comunicacionais e a implementação de adaptações para aprimorar a clareza e a efetividade do fluxo informacional.

A iteração final do projeto ocorreu em meados do segundo semestre de 2025. A fase de análise dos dados e elaboração dos resultados foi desenvolvida no período de novembro de 2025 a abril de 2026. Ressalta-se que um dos autores atuou como Scrum Master, desempenhando um papel ativo no gerenciamento da comunicação, em conformidade com os pressupostos da pesquisa-ação.

O projeto focou no desenvolvimento de um dashboard a partir de dados secundários previamente existentes, sem intervenções ou interações diretas com participantes humanos. Em virtude dessa característica, o estudo enquadrou-se nos critérios de dispensa de apreciação ética, conforme a Resolução CNS n° 510/2016, e foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), que emitiu parecer de dispensa.

Foram integralmente respeitados os princípios éticos aplicáveis à pesquisa científica, bem como as diretrizes da Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD). Assegurou-se a confidencialidade, a privacidade e a não identificação dos dados utilizados, garantindo a integridade e a segurança das informações.

Como referencial metodológico para o gerenciamento da comunicação, adotou-se o processo proposto pelo Project Management Institute (PMI, 2017). Este compreende um conjunto de processos destinados a assegurar que as informações do projeto sejam planejadas, coletadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas e monitoradas de forma sistemática e adequada ao longo do ciclo de vida do projeto.

O plano de gerenciamento das comunicações, conforme o PMI (2017), foi elaborado no início do projeto e revisado periodicamente para atender às necessidades informacionais das partes interessadas. Esse plano foi atualizado sempre que ocorreram alterações na comunidade de stakeholders ou no início de cada nova fase do projeto, garantindo a efetividade do fluxo comunicacional.

O processo de Planejar o Gerenciamento das Comunicações envolveu a identificação das necessidades informacionais dos stakeholders, a definição dos métodos, canais, frequência e responsáveis pela comunicação, e o estabelecimento de padrões para a geração e disseminação das informações. Durante o desenvolvimento do projeto, utilizaram-se e-mail e agenda corporativa como canais de comunicação, além dos eventos das sprints.

O processo de Gerenciar as Comunicações consistiu na implementação do plano definido, abrangendo a produção, distribuição, armazenamento e recuperação das informações, com o objetivo de assegurar que os stakeholders recebessem informações precisas, oportunas e compreensíveis. Já o processo de Monitorar as Comunicações verificou se as necessidades informacionais das partes interessadas estavam sendo efetivamente atendidas, por meio do acompanhamento contínuo do fluxo comunicacional.

Para o monitoramento das comunicações do projeto, utilizou-se o software MS Project como ferramenta de apoio, em consonância com as diretrizes do PMI (2017). Essa ferramenta permitiu estruturar e acompanhar o cronograma das atividades, bem como organizar e controlar as tarefas previstas em cada sprint, contribuindo para a sistematização da gestão comunicacional.

No que se refere ao tratamento dos dados, estes foram analisados de forma sistemática e iterativa, em consonância com a abordagem de pesquisa-ação. Inicialmente, realizou-se a organização e categorização das informações coletadas ao longo das sprints, considerando os registros provenientes das reuniões, dos instrumentos de monitoramento e das ferramentas de apoio, como o MS Project.

Em seguida, procedeu-se à análise interpretativa dos dados, com vistas à identificação de padrões, desvios e oportunidades de melhoria, especialmente no que tange ao gerenciamento da comunicação. A consolidação dos dados ocorreu por meio da integração das evidências obtidas nos diferentes ciclos iterativos, permitindo uma visão abrangente e longitudinal do desenvolvimento do projeto.

A metodologia Scrum foi aplicada ao gerenciamento da comunicação por meio de seus elementos, como o Product Owner, que centralizou e priorizou as necessidades de informação, e o Scrum Master, que facilitou os eventos e removeu barreiras comunicacionais. O Time de Desenvolvimento analisou e validou indicadores e visualizações do dashboard, comunicando o progresso e as limitações do projeto.

Os stakeholders forneceram requisitos e feedback contínuo, enquanto o Product Backlog organizou e tornou visíveis as demandas de comunicação. O Sprint Planning definiu os objetivos comunicacionais da sprint, alinhando expectativas e prioridades. O Daily Scrum atualizou o status do desenvolvimento, e o Sprint Review apresentou e analisou o incremento do dashboard, coletando feedback. Por fim, o Sprint Retrospective avaliou o processo de comunicação da sprint, promovendo a melhoria contínua.

O processo de gerenciamento das comunicações do projeto incluiu a definição de requisitos de comunicação das partes interessadas, a estruturação da equipe e a atribuição de funções. Também se realizou a escolha da plataforma para o desenvolvimento do dashboard, a alocação de recursos para as atividades de comunicação e a seleção da metodologia ágil, com identificação de ativos organizacionais.

No gerenciamento das comunicações, coordenaram-se as informações entre as partes, acompanhou-se o status das ações e utilizaram-se técnicas e habilidades interpessoais. O monitoramento das comunicações envolveu a atualização do andamento do projeto e dos ativos organizacionais, o registro das lições aprendidas e a análise do cronograma e dos riscos, com avaliação geral do processo de comunicação.

O roteiro das sprints do projeto descreveu as ações planejadas, os responsáveis e o andamento das atividades, organizadas em ciclos de sete a quinze dias, conforme a complexidade das ações. No início de cada sprint, o Scrum Master realizou a leitura das ações realizadas e seus responsáveis, enquanto o Product Owner avaliou as ações pendentes e próximas, definindo responsáveis e prazos junto ao Time de Desenvolvedores e Scrum Master.

Adicionalmente, avaliou-se a necessidade de revisão ou ajuste de documentos e a inclusão de novos itens nas sprints. Realizou-se a análise de riscos por todos os envolvidos, a análise da eficácia do fluxo informacional e a análise do envio de informações via e-mail. Após as atualizações, o Scrum Master atualizou o status das ações no Kanban e agendou a próxima sprint, enviando os convites.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa-ação desenvolvida demonstrou que a comunicação assertiva e eficaz é um pilar fundamental para o sucesso de projetos complexos, especialmente no ambiente de tecnologia hospitalar. A integração de todos os envolvidos e interessados no processo foi crucial para o gerenciamento comunicacional, que se pautou nos princípios dos 5 C’s: correta, clara, concisa, coerente e controlada. Essa abordagem contribuiu significativamente para a redução de mal-entendidos, um risco comum em projetos, conforme apontado por Tarcia e Lacerda (2022).

Na fase inicial de planejamento, ocorrida em agosto de 2024, foi elaborada a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), que serviu como um mapa detalhado para organizar as etapas do projeto, estabelecer prazos realistas e definir as entregas esperadas. Essa estrutura visualizou o projeto como um “dashboard”, subdividido em entregáveis A, B e C, os quais, por sua vez, foram detalhados em pacotes de trabalho, como Pacote de Trabalho 01, Pacote de Trabalho 02, e assim sucessivamente até o Pacote de Trabalho 07. Essa organização hierárquica forneceu clareza sobre o escopo e as responsabilidades.

Complementarmente, foi construído o Plano de Engajamento das Partes Interessadas (PEPI), uma ferramenta essencial para identificar, analisar e estabelecer estratégias de comunicação com todos os indivíduos e grupos que poderiam afetar ou ser afetados pelo projeto. Este plano detalhou o nome, cargo, contato, poder e interesse de cada colaborador, bem como seu nível de engajamento e as ações de engajamento correspondentes. Por exemplo, as Colaboradoras A, B e C, que atuavam como diretoras e coordenadoras, foram classificadas com alto poder e interesse, e um nível de engajamento de “Líder”, sendo designadas como Product Owners (PO).

O Time de Desenvolvimento, composto por enfermeiras estomaterapeutas, foi classificado com médio poder e alto interesse, com um nível de engajamento de “Apoiador”, atuando como parte do Scrum Development Team. O pesquisador, com baixo poder e alto interesse, também foi classificado como “Apoiador” e desempenhou o papel de Scrum Master. Essa categorização e o planejamento das ações de engajamento foram fundamentais para mitigar riscos comunicacionais e garantir que os resultados estivessem alinhados com as expectativas de todas as partes interessadas, desde o início até o fim do projeto.

Os resultados obtidos indicaram que a aplicação da metodologia ágil Scrum exerceu uma influência positiva notável no progresso das etapas de trabalho e no gerenciamento das comunicações do projeto. Observou-se uma melhoria significativa na fluidez do fluxo informacional, um maior alinhamento entre os stakeholders e uma aderência consistente aos processos de planejamento, gerenciamento e monitoramento das comunicações, conforme as diretrizes do Project Management Institute (PMI, 2017).

A integração sistematizada das atividades, facilitada pelos eventos e artefatos da metodologia Scrum, promoveu maior clareza, frequência e transparência na circulação das informações. Essa dinâmica foi essencial para alinhar as necessidades do projeto com as expectativas das partes interessadas. Tais achados corroboram a perspectiva teórica de que as práticas ágeis, ao incentivarem a comunicação contínua, a inspeção frequente e a adaptação incremental, fortalecem a coesão entre os envolvidos e otimizam a tomada de decisão ao longo do ciclo de vida do projeto, em consonância com os princípios do gerenciamento das comunicações do PMI (2017).

No contexto da pesquisa, o Product Owner (PO) foi o responsável por conduzir o processo para o alcance do produto, garantindo que o desenvolvimento estivesse alinhado com o objetivo do estudo. O Scrum Master (SM) desempenhou um papel crucial como facilitador das reuniões e das ações para o desenvolvimento do dashboard, assegurando que os objetivos de cada encontro fossem cumpridos dentro do tempo estipulado, utilizando as ferramentas ágeis. O Scrum Development Team, por sua vez, aplicou seu conhecimento técnico para atender aos requisitos do projeto.

O processo de Gerenciamento das Comunicações adotado na execução do projeto foi detalhado em três grandes processos: Planejar o Gerenciamento das Comunicações, Gerenciar as Comunicações e Monitorar as Comunicações. No planejamento, definiu-se os requisitos de comunicação das partes interessadas, os responsáveis pelas ações, a plataforma para o dashboard, os recursos alocados e a metodologia ágil (Scrum), além de identificar os ativos organizacionais. Os meios de comunicação primários foram as sprints e os e-mails, com a equipe estruturada e funções definidas.

No Gerenciamento das Comunicações, as atividades incluíram a gestão dos recursos e da comunicação, relatórios de riscos e desempenho, e o uso de feedbacks e ferramentas da equipe. O foco era a coordenação das informações entre as partes e o acompanhamento do status das ações, utilizando técnicas e habilidades interpessoais. Já o Monitoramento das Comunicações envolveu a atualização do andamento do projeto e dos ativos organizacionais, a análise do cronograma e dos riscos, e considerações finais, com o objetivo de controlar o progresso, registrar lições aprendidas e realizar uma avaliação geral do processo comunicacional.

O roteiro das sprints do projeto foi estruturado em ciclos de 7 a 15 dias, com duração definida pela complexidade das ações e pelo cronograma da sprint subsequente. As ações incluíram a análise das ações realizadas, o levantamento das próximas ações, prazos e responsáveis, e a avaliação da necessidade de revisão ou ajuste de documentos. O Product Owner e o Scrum Master foram os principais responsáveis por essas atividades, garantindo a leitura das ações e a avaliação das pendências.

Adicionalmente, o roteiro contemplou a análise da necessidade de inclusão de novos itens nas sprints, a análise de riscos, a análise do fluxo informacional e a análise do envio de informações via e-mail. Essas etapas foram realizadas por todos os envolvidos, com o objetivo de mitigar riscos, avaliar a eficácia do fluxo e garantir que as informações fossem devidamente comunicadas. A atualização do Kanban e o agendamento da próxima sprint, com o envio de convites, foram responsabilidades do Scrum Master, assegurando a continuidade e a transparência do processo.

Observou-se que os benefícios do uso de métodos ágeis no gerenciamento da comunicação estavam intrinsecamente relacionados ao grau de maturidade da equipe, ao engajamento dos stakeholders e à adequação do Scrum ao contexto organizacional específico. Como uma metodologia adaptativa e flexível, o Scrum permitiu a análise sistemática dos resultados parciais, das ações pendentes e dos próximos passos ao longo das sprints, em contraste com modelos de gestão mais tradicionais.

Essa dinâmica possibilitou ajustes contínuos na coleta e no tratamento dos dados em curtos intervalos, favorecendo a evolução progressiva do projeto. Contudo, evidenciou-se a necessidade de disciplina na definição de critérios e indicadores, visando minimizar retrabalhos e preservar a consistência metodológica ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. O cumprimento do roteiro das sprints, aliado aos conceitos de Product Backlog e Sprint Backlog, contribuiu para a eficiência do desenvolvimento do projeto, facilitando a identificação e antecipação de riscos que, em abordagens tradicionais, seriam reconhecidos em etapas posteriores.

A adoção de práticas estruturadas de gerenciamento da comunicação é fundamental para assegurar clareza, transparência e rastreabilidade das informações em projetos de tecnologia hospitalar. A metodologia Scrum mostrou-se eficaz como abordagem complementar, aprimorando o fluxo informacional, o alinhamento entre os stakeholders e o suporte à tomada de decisão. O brainstorming realizado pela equipe, como evidência empírica, refletiu a efetividade das práticas colaborativas do Scrum e dos processos de planejamento e comunicação do PMI (2017), promovendo um ambiente participativo e a construção coletiva de soluções.

A coleta e análise recorrente do feedback dos stakeholders, realizadas em todas as sprints, foram cruciais para o alinhamento das informações, a mitigação de ruídos comunicacionais e o aprimoramento contínuo dos fluxos de comunicação, especialmente diante de novas fases do projeto ou mudanças no contexto organizacional, conforme as diretrizes do PMI (2017). A integração entre as abordagens tradicionais do PMI e as metodologias ágeis, como o Scrum, demonstrou ser viável e relevante para o gerenciamento de projetos em saúde, potencializando a comunicação por meio de mecanismos iterativos e adaptativos.

O MS Project foi empregado como ferramenta de apoio ao monitoramento das comunicações, em consonância com as diretrizes do PMI (2017), permitindo estruturar e acompanhar o cronograma das atividades e organizar as tarefas de cada sprint. Sua utilização possibilitou o registro, acompanhamento e atualização contínua das atividades, verificando o cumprimento de prazos e identificando desvios, o que contribuiu para a sistematização do monitoramento e a consistência na gestão das comunicações.

A análise comparativa entre pesquisa-ação, Scrum e Gerenciamento da Comunicação do Projeto (PMI, 2017) revelou uma convergência conceitual significativa. A pesquisa-ação, com sua natureza participativa e interventiva, foca na resolução de problemas com colaboração contínua. O Scrum, como metodologia ágil de gerenciamento, prioriza a entrega incremental e a colaboração contínua. O gerenciamento da comunicação do PMI (2017) é uma área de conhecimento que visa planejar, gerenciar e monitorar o fluxo de informações.

Em termos de papel da comunicação, a pesquisa-ação a vê como instrumento de reflexão e mudança. O Scrum a estabelece como comunicação contínua e estruturada por eventos e artefatos. O PMI a formaliza e orienta para os stakeholders. A participação dos stakeholders é elevada e direta na pesquisa-ação, ativa e frequente nos eventos do Scrum, e definida conforme necessidades informacionais e níveis de interesse no PMI. Os mecanismos de feedback são ciclos reflexivos de ação e reflexão na pesquisa-ação, feedback iterativo a cada sprint no Scrum, e monitoramento sistemático da efetividade das comunicações no PMI.

A contribuição para o projeto, em cada abordagem, é o aprimoramento contínuo baseado na prática (pesquisa-ação), transparência, alinhamento e adaptação (Scrum), e clareza, rastreabilidade e controle da informação (PMI). Essa análise comparativa evidencia a centralidade da comunicação como elemento estruturante para o aprendizado organizacional, o alinhamento entre stakeholders e a melhoria contínua dos processos, confirmando que a integração desses eixos foi determinante para o alcance do objetivo do estudo.

A aplicação do Scrum, alinhada às boas práticas do PMI e implementada via pesquisa-ação, atendeu plenamente ao objetivo do estudo, evidenciando a comunicação como fator estruturante e estratégico na gestão de projetos de tecnologia hospitalar. Essa abordagem contribuiu significativamente para o aprimoramento do gerenciamento da comunicação, fortalecendo a gestão de indicadores hospitalares e qualificando a tomada de decisões estratégicas, com impactos positivos na qualidade da assistência, segurança do paciente e comunicação entre profissionais de saúde.

Os eventos e artefatos do Scrum favoreceram a transparência e a coesão entre os atores envolvidos, estabelecendo fluxos comunicacionais mais frequentes, sistematizados e orientados a objetivos comuns. No contexto de projetos de tecnologia hospitalar, o uso de dashboards, como os desenvolvidos com a ferramenta Looker Studio, mostrou-se uma estratégia eficaz e complementar às práticas de monitoramento e controle do PMI (2017), viabilizando o acompanhamento sistematizado dos indicadores hospitalares. Contudo, sua efetividade depende da qualidade dos dados, da definição adequada dos indicadores e da capacidade dos usuários de interpretar e utilizar as informações.

Em síntese, os resultados da pesquisa-ação demonstraram que a metodologia ágil Scrum, quando integrada aos processos de planejamento, gerenciamento e monitoramento das comunicações propostos pelo PMI, constitui um instrumento eficaz para otimizar a comunicação em projetos de tecnologia hospitalar. Essa integração favoreceu a transparência, o alinhamento dos stakeholders, a mitigação de riscos e a tomada de decisão, respondendo diretamente ao objetivo de analisar a contribuição do Scrum para o gerenciamento da comunicação neste contexto.

4. Conclusão

O presente estudo teve como objetivo analisar a contribuição da metodologia ágil Scrum como instrumento de apoio ao gerenciamento da comunicação em projetos de tecnologia hospitalar, considerando os processos de planejamento, gerenciamento e monitoramento das comunicações propostos pelo Project Management Institute (PMI). Verificou-se que a aplicação do Scrum, em alinhamento com as diretrizes do PMI e conduzida por meio de uma pesquisa-ação, exerceu influência positiva no progresso das etapas de trabalho e na gestão comunicacional. Observou-se uma melhoria significativa no fluxo informacional, no engajamento dos stakeholders e na aderência aos processos de comunicação, promovendo maior clareza, frequência e transparência. A integração de práticas ágeis, como os eventos e artefatos do Scrum, com o modelo tradicional do PMI, aprimorou a mitigação de riscos comunicacionais e o suporte à tomada de decisão. A utilização de dashboards, como os desenvolvidos com a ferramenta Looker Studio, mostrou-se uma estratégia eficaz e complementar para o monitoramento sistematizado de indicadores hospitalares, qualificando a gestão e a tomada de decisões estratégicas.

A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração da viabilidade e eficácia da integração entre as abordagens tradicionais do PMI e as metodologias ágeis, como o Scrum, para otimizar o gerenciamento da comunicação em ambientes complexos de tecnologia hospitalar. Essa articulação evidenciou a comunicação como um fator estruturante e estratégico, fortalecendo a gestão de indicadores e impactando positivamente a qualidade da assistência e a segurança do paciente. Contudo, os resultados obtidos indicaram que os benefícios do uso de métodos ágeis estão condicionados à maturidade da equipe, à cultura organizacional e à adaptação ao contexto específico, o que limita a generalização irrestrita dos achados. Sugere-se que estudos futuros explorem a aplicação dessa abordagem híbrida em diferentes contextos hospitalares e avaliem o impacto de longo prazo na cultura organizacional e na performance dos projetos.

Referências Bibliográficas

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Da Silva, A. S.; Kieling, A. C. (2023). Os desafios da comunicação no engajamento com os stakeholders em gestão de projetos: The challenges of communication in the engagement with stakeholders on project management. Brazilian Journal of Business, 5(1), 536–547. https://doi.org/10.34140/bjbv5n1-034

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Salomé, G. M.; Bueno, J. C.; Ferreira, L. M. (2017). Aplicativo multimídia em plataforma móvel para tratamento de feridas utilizando fitoterápicos e plantas medicinais. Rev enferm UFPE

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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