Artigo

30 de julho de 2026

Aplicabilidade da inteligência artificial no gerenciamento de projetos em uma organização do terceiro setor

Fabricia Paula da Silva; Lair Barroso Arraes Rocha Silva

DOI: 10.22167/2675-6528-202600773

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O gerenciamento de projetos no terceiro setor frequentemente enfrenta desafios como a ausência de boas práticas, recursos limitados e baixa maturidade gerencial, contexto em que a inteligência artificial (IA) emerge como alternativa para otimizar processos. O estudo objetivou analisar a aplicação da IA como ferramenta estratégica para superar a baixa maturidade gerencial e a limitação de recursos em uma organização do terceiro setor. A metodologia empregou um estudo de caso qualitativo em uma instituição em São José dos Campos/SP, aplicando-se um questionário a colaboradores e realizando-se uma análise prática da implementação de ferramentas de IA (ChatGPT, ClickUp, NotebookLM, em versões gratuitas) no desenvolvimento de um projeto de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Os resultados indicaram que a IA contribuiu para a estruturação do planejamento, organização e monitoramento do projeto, resultando em uma redução de até 75% no esforço operacional e permitindo foco em atividades estratégicas. Contudo, identificaram-se limitações como respostas genéricas que exigiram validação humana. Concluiu-se que a IA é uma ferramenta de apoio relevante para o gerenciamento de projetos e modernização da gestão em entidades sem fins lucrativos, desde que utilizada de forma responsável e complementada pelo conhecimento humano.

Palavras-chave: Direcionamento estratégico; Modernização; Otimização de processos.

1. Introdução

O terceiro setor, que engloba organizações e grupos da sociedade civil sem fins lucrativos e de interesse social (Carvalho, 2021), desempenha um papel vital. Contudo, essas instituições frequentemente enfrentam desafios significativos na gestão de projetos, marcados pela ausência de processos formalizados e baixa maturidade gerencial (Bayma, 1997). Essa realidade impõe uma demanda contínua por aprimoramento da eficiência e organização.

A gestão de projetos sociais, em particular, carece de metodologias e instrumentos consolidados, dificultando a clara definição de objetivos, escopo, prazos e custos (Gomes, 2014; Lacruz e Cunha, 2018). Soma-se a isso a tendência de priorizar a missão do projeto em detrimento da concretização de entregáveis e a escassez de expertise em gerenciamento de riscos e de stakeholders (Bayma, 1997; Nwaiwu, 2013). Tais particularidades exigem que os gestores busquem alternativas inovadoras para a modernização e atualização gerencial (Pereira, 2006).

Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) surge como uma tecnologia com potencial transformador no gerenciamento de projetos (Magrani et al., 2022). Embora o conceito tenha raízes em mil novecentos e cinquenta e seis com John McCarthy, sua acessibilidade e impacto foram amplificados após o lançamento de ferramentas como o ChatGPT em dois mil e vinte e dois, popularizando a IA para diversos públicos (Almgren, 2023; Borgohain et al., 2024).

A capacidade disruptiva da IA reside em seus algoritmos que aprendem padrões a partir de grandes volumes de dados, permitindo que sistemas computacionais tomem decisões e resolvam problemas de forma autônoma (Schwab, 2016; Jain & Jain, 2019). A IA pode aplicar cognição em cenários complexos, nos quais o conhecimento humano por si só poderia ser insuficiente, agindo independentemente com base no conhecimento adquirido (Borges, 2023), o que a posiciona como uma ferramenta crucial para a eficiência no gerenciamento de projetos (Davenport et al., 2023).

A integração da IA em sistemas de gestão de projetos é promissora (Pinkowski, 2023), automatizando fluxos de trabalho e reduzindo o tempo empregado por profissionais em até setenta por cento (Markelius et al., 2024). Ferramentas de IA também oferecem maior precisão no controle e monitoramento de projetos em comparação com métodos tradicionais (Gil et al., 2021). Um levantamento do Project Management Institute (PMI, 2019) indicou que mais de oitenta por cento dos especialistas tiveram seus processos afetados pela IA, com sessenta e um por cento dos usuários entregando projetos no prazo. Projeções apontam que, até dois mil e trinta, oitenta por cento das tarefas de gerenciamento de projetos, como coleta de dados e relatórios, poderão ser automatizadas pela IA (Gartner, 2019).

Apesar do impacto da IA ser reconhecido em setores corporativos, a aplicação e os benefícios dessa tecnologia em organizações do terceiro setor permanecem subexplorados. Essa lacuna é notável em ambientes com baixa maturidade gerencial e recursos limitados, nos quais a IA poderia oferecer soluções estratégicas. Compreender como essas ferramentas podem ser implementadas e quais ganhos específicos podem gerar para entidades sem fins lucrativos é fundamental para modernizar suas práticas.

A relevância deste estudo reside em explorar a aplicabilidade da inteligência artificial como alternativa para otimizar processos e superar as dificuldades inerentes à gestão de projetos no terceiro setor. Justifica-se pela necessidade de demonstrar o potencial da IA para apoiar a modernização e o direcionamento estratégico dessas organizações, contribuindo para a eficiência e o sucesso de suas iniciativas. Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo analisar a aplicação da Inteligência Artificial como ferramenta estratégica para superar a baixa maturidade gerencial e a limitação de recursos em uma organização do terceiro setor.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi classificado, quanto aos objetivos, como pesquisa exploratória, buscando investigar a aplicabilidade da inteligência artificial no gerenciamento de projetos em organizações filantrópicas. Adotou-se uma abordagem qualitativa, adequada para aprofundar a compreensão de fenômenos em contextos reais, e o procedimento metodológico empregado foi o estudo de caso (Gil, 2017). A pesquisa foi realizada em uma instituição do terceiro setor localizada em São José dos Campos, SP, que atua no desenvolvimento de estudantes com altas habilidades. A seleção da organização ocorreu por conveniência, formalizada por um Termo de Permissão de Acesso para Pesquisa Acadêmica.

O objeto empírico do estudo foi a participação da pesquisadora em um projeto de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) em andamento na instituição. O AVA foi concebido para oferecer conteúdos digitais a estudantes da rede pública estadual, na faixa etária de dez a dezessete anos. A condução do estudo e a contribuição prática no desenvolvimento do projeto ocorreram no período de maio de dois mil e vinte e cinco a junho de dois mil e vinte e seis.

A coleta de dados iniciou-se com uma reunião com o gestor do projeto para compreender seus objetivos. Em seguida, aplicou-se um questionário por formulário digital a trinta colaboradores da organização que atuam com projetos. O questionário, enviado por e-mail e disponível por sessenta dias, garantiu o anonimato e a privacidade dos treze participantes que responderam. As seções abordaram perfil, conhecimento e uso da IA, aplicação prática da IA no gerenciamento de projetos, benefícios e desafios, e perspectivas futuras.

Paralelamente, realizou-se uma pesquisa com a equipe do projeto, composta por sete pessoas, para identificar a ferramenta de gerenciamento mais adequada. Conduziu-se uma análise comparativa de plataformas de gestão disponíveis no mercado, incluindo Jira, Trello, Notion, Asana, Microsoft Teams, 3D Experience e ClickUp. A avaliação considerou critérios como facilidade de uso, interface intuitiva, acessibilidade, funcionalidades e integração com IA, considerando a expertise da equipe e recursos.

Para a avaliação comparativa das ferramentas, utilizou-se uma matriz de análise com escala de pontuação de um a cinco. As ferramentas Microsoft Teams e ClickUp obtiveram as maiores pontuações, sendo o ClickUp selecionado por sua maior aderência às necessidades da organização. Sua usabilidade foi testada em uma etapa de experimentação prática, que durou aproximadamente três meses, ocorrendo de forma concomitante à execução do projeto AVA.

Para apoio no planejamento e execução, selecionaram-se o ChatGPT e o NotebookLM, ambos em suas versões gratuitas, devido à restrição orçamentária (Nwaiwu, 2013). O planejamento do projeto foi estruturado com o apoio do ChatGPT, utilizado para definir o problema, a justificativa, o escopo, a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e os riscos. Comandos (prompts) foram progressivamente refinados, e as respostas geradas pela IA serviram como apoio e referência, exigindo revisão e validação do gestor, conforme as diretrizes do guia PMBOK 7ª edição (PMI, 2021).

A organização das atividades e o monitoramento do projeto foram realizados na plataforma ClickUp. Esta ferramenta permitiu a inclusão de responsáveis, prazos, status das tarefas e observações, além de facilitar a comunicação entre os stakeholders. O recurso de “agente de IA” do ClickUp foi empregado para automatizar tarefas rotineiras, consultar o status das atividades, identificar pendências, enviar notificações e apoiar a organização das entregas.

A execução do projeto AVA seguiu etapas sequenciais, alinhadas às boas práticas de gerenciamento de projetos. O fluxo de trabalho exigia a conclusão de uma atividade para o início da próxima, abrangendo a elaboração do conteúdo das aulas, roteirização, gravação, edição de vídeos, inserção na plataforma e criação de interatividades. O NotebookLM foi utilizado para armazenar documentos do projeto e facilitar a recuperação de informações por meio de consultas em linguagem natural. Reuniões semanais foram realizadas durante todo o período de planejamento e execução.

Os dados coletados foram analisados para compreender o perfil dos respondentes e suas percepções sobre a IA. A matriz de avaliação comparativa das ferramentas identificou a aderência de cada plataforma. As interações com o ChatGPT foram avaliadas quanto à qualidade das respostas e ao refinamento dos prompts. A usabilidade e o impacto das ferramentas ClickUp e NotebookLM foram observados durante a execução do projeto, focando na organização, automação e monitoramento. Os dados obtidos, especialmente do ChatGPT, foram submetidos a uma análise rigorosa, considerando a natureza não certificada das informações geradas pela IA.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os resultados obtidos por meio do estudo de caso, abrangendo tanto as percepções dos colaboradores sobre a inteligência artificial quanto a aplicação prática de ferramentas de IA no gerenciamento de um projeto de Ambiente Virtual de Aprendizagem. Os achados são apresentados e discutidos em relação ao objetivo do estudo, que buscou analisar a aplicação da IA como ferramenta estratégica para superar a baixa maturidade gerencial e a limitação de recursos em uma organização do terceiro setor. A análise integra os dados coletados por questionário e a observação direta da implementação das ferramentas.

Análise e Interpretação das Percepções sobre IA

A pesquisa envolveu a aplicação de um questionário a colaboradores da organização, com treze respostas válidas de um total de trinta encaminhamentos. A análise do perfil dos entrevistados revelou que apenas sete por cento se identificavam como Gerentes de Projeto, enquanto os noventa e três por cento restantes eram outros profissionais com atuação indireta ou direta em projetos. Esse cenário corrobora estudos anteriores, como o de White e Fortune (2002), que indicam que, no terceiro setor, projetos são frequentemente conduzidos por indivíduos que, embora executem atividades de gerenciamento, não possuem o título formal de Gerente de Projeto.

Em relação ao conhecimento e uso da inteligência artificial, constatou-se que a maioria dos entrevistados possuía um nível intermediário de conhecimento, com cinquenta e quatro por cento, seguido por trinta e oito por cento com conhecimento básico e oito por cento com nível avançado. A ferramenta de IA mais utilizada por todos os respondentes foi o ChatGPT, empregado principalmente para atividades de redação de textos e criação de imagens. No contexto específico do gerenciamento de projetos, a IA foi mais frequentemente utilizada para automação de tarefas repetitivas, planejamento e programação, e otimização de recursos, nessa ordem de prioridade.

Os principais desafios identificados pelos colaboradores no uso da IA para gerenciamento de projetos incluíram a falta de conhecimento técnico da equipe, a ausência de comprovações claras sobre os benefícios práticos da IA na gestão e a resistência a mudanças. Apesar dessas dificuldades, setenta por cento dos respondentes concordaram que a IA agrega valor ao gerenciamento de projetos, e sessenta por cento a consideram uma tecnologia essencial para a evolução da área. Contudo, uma preocupação relevante foi levantada sobre a possibilidade de decisões serem baseadas em dados incompletos, imprecisos ou enviesados, um ponto que Dietterich e Horvitz (2015) já destacaram ao observar que sistemas de IA frequentemente interpretam intenções em vez de comandos literais.

Quanto às expectativas futuras, setenta por cento dos entrevistados expressaram a crença de que a IA poderá substituir o papel dos profissionais de gerenciamento de projetos. Embora o estudo não apresente evidências concretas dessa substituição total, a literatura aponta que a transformação digital impulsionada pela IA continuará a moldar o futuro da área, gerando tanto desafios persistentes quanto novas oportunidades (Russel e Norvig, 2020). Em síntese, embora a IA já esteja integrada às rotinas para tarefas simples, sua consolidação estratégica depende da superação das lacunas de conhecimento e da melhoria da confiabilidade dos dados utilizados.

Aplicação Prática da IA no Projeto Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)

O planejamento do projeto de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) foi significativamente apoiado pelo ChatGPT. A ferramenta foi utilizada para estruturar elementos essenciais como a definição do problema, a justificativa de viabilidade, o escopo, a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e a identificação de riscos e oportunidades. Inicialmente, as respostas geradas pela IA eram genéricas, exigindo um refinamento progressivo dos comandos, ou prompts, para obter resultados mais específicos e alinhados às necessidades do projeto. As respostas, mesmo coerentes, foram sempre consideradas como apoio e referência, demandando a revisão e validação do gestor.

A definição do problema, por exemplo, foi estruturada com o auxílio do ChatGPT, que identificou limitações no acesso a conteúdos educacionais de qualidade e na utilização de recursos tecnológicos na educação pública estadual. O problema central foi formulado como a dificuldade de acesso equitativo, estruturado e contínuo a conteúdos educacionais de qualidade, aliado à necessidade de mecanismos eficazes de acompanhamento e engajamento dos estudantes. Essa clareza na definição foi fundamental para direcionar as etapas subsequentes do projeto, demonstrando o potencial da IA na fase inicial de concepção.

A justificativa de viabilidade do projeto AVA, também elaborada com o apoio da IA, destacou a relevância e a capacidade da solução digital de ampliar o acesso à educação de forma escalável e eficiente. A ferramenta auxiliou na identificação da viabilidade técnica, social e estratégica, considerando a disponibilidade de tecnologias acessíveis, o potencial de inclusão educacional e a conformidade com os princípios de geração de valor e adaptabilidade do PMBOK 7ª edição. Essa análise detalhada reforçou a solidez do projeto e sua capacidade de impactar positivamente o público-alvo.

O escopo do projeto foi definido com clareza, especificando que o AVA teria como finalidade desenvolver e implementar uma plataforma digital educacional para estudantes da rede pública estadual, com foco em conteúdos padronizados e acompanhamento contínuo do desempenho. As premissas do projeto, como acesso mínimo à internet pelos estudantes e disponibilidade de conteúdos educacionais confiáveis, também foram estabelecidas com o auxílio da IA. A Estrutura Analítica do Projeto (EAP) foi decomposta hierarquicamente em etapas detalhadas, desde a iniciação até o encerramento, proporcionando uma visão abrangente e gerenciável das atividades.

A identificação de riscos e oportunidades do projeto também se beneficiou do uso do ChatGPT. A ferramenta gerou uma lista de riscos potenciais, como baixo acesso à internet e resistência das escolas, juntamente com seus impactos e estratégias de resposta. Paralelamente, foram identificadas oportunidades, como a escalabilidade da solução e o uso da IA para personalização do ensino, com suas respectivas estratégias de aproveitamento. Essa análise proativa permitiu à equipe antecipar desafios e maximizar o potencial do projeto, alinhando-se às boas práticas de gerenciamento de riscos.

A utilização do ChatGPT no planejamento demonstrou ser crucial, especialmente porque o setor responsável pelo projeto não possuía uma organização gerencial voltada a projetos. O guia PMBOK (dois mil e dezessete) enfatiza que um planejamento robusto reduz o risco de atrasos e o esforço. A IA proporcionou um direcionamento inicial, organizando ideias e definindo o projeto em um curto espaço de tempo. Ao considerar as diretrizes do PMBOK 7ª edição, a qualidade das respostas melhorou significativamente, tornando o planejamento mais objetivo e permitindo a decomposição do projeto em partes gerenciáveis. Essa prática, juntamente com as validações, aprimorou o conhecimento da equipe sobre os procedimentos de gerenciamento de projetos.

Em termos de eficiência, observou-se uma redução de sessenta e sete por cento no tempo dedicado ao planejamento do projeto. Anteriormente, eram necessárias três horas de reuniões semanais, que foram reduzidas para uma hora semanal após a integração da IA. Essa otimização permitiu que a equipe redirecionasse seus esforços para atividades mais estratégicas e críticas, promovendo um melhor entendimento dos próximos passos. Estudos de Davenport e Ronanki (dois mil e dezoito) e Hassani, El Idrissi (dois mil e dezenove) e Li, Duan e Su (dois mil e vinte e um) confirmam que a IA oferece aos gestores uma visão dos impactos das decisões, aprimorando a eficiência e a precisão na gestão de projetos.

Contudo, foram identificadas limitações no uso do ChatGPT. As respostas, embora coerentes, eram por vezes genéricas e exigiam validação humana. A preocupação com a veracidade dos dados gerados pela IA foi intensificada por relatórios como o da OpenAI (dois mil e vinte e três), que apontam para a possibilidade de informações falsas em tarefas atribuídas ao ChatGPT versão quatro ponto zero. Isso reforça que a IA é uma ferramenta de apoio valioso, mas não substitui o conhecimento e a validação de especialistas. Além disso, a privacidade dos dados é uma preocupação, pois o ChatGPT utiliza informações de bases de dados online sem fornecer as fontes adequadamente, o que pode configurar apropriação indevida de conteúdo (Peñalvo, dois mil e vinte e três).

Na fase de execução do projeto, o ChatGPT continuou a ser empregado para aperfeiçoar conteúdos, roteirizar gravações e criar atividades e exercícios práticos para as videoaulas. Cada aula do projeto, com aproximadamente quatro páginas de conteúdo e quatorze páginas de roteiro detalhado, incluindo atividades interativas e exercícios, demandava um esforço considerável. Para um curso de quatrocentas e cinquenta horas, dividido em setenta e cinco aulas, onde cada hora de aula exigia três horas de mão de obra, o esforço total da equipe seria de mil trezentas e cinquenta horas, ou cento e sessenta e nove dias úteis.

Com a utilização da inteligência artificial, esse tempo foi drasticamente reduzido para trezentas e trinta e oito horas, representando uma diminuição de setenta e cinco por cento nas horas trabalhadas, mesmo considerando as revisões necessárias. O ChatGPT demonstrou a capacidade de gerar conteúdos de alta qualidade e criatividade, enriquecendo o material didático e contribuindo para a elaboração de atividades complementares. Essa redução significativa do esforço operacional permitiu que a equipe se concentrasse em aspectos mais estratégicos do desenvolvimento do AVA.

A ferramenta ClickUp, integrada com seu agente de inteligência artificial, foi fundamental para a organização e monitoramento das atividades. A plataforma permitiu uma visualização simples e eficiente das tarefas, facilitando a adaptação da equipe e promovendo maior transparência no progresso do projeto. O agente de IA do ClickUp atuou como uma “secretária”, automatizando modificações em modelos de tarefas e facilitando a comunicação interna, com envio de mensagens e lembretes para os membros da equipe.

O agente de IA do ClickUp também realizou um monitoramento proativo de tarefas pendentes ou próximas do prazo, contribuindo para um gerenciamento mais eficiente do tempo e priorização das entregas. Além da automação, o agente foi utilizado para avaliar o progresso geral do projeto, considerando todas as tarefas inerentes e não apenas a construção de conteúdo. Essa funcionalidade proporcionou um diagnóstico rápido do projeto, e a partir de sua avaliação, o agente foi capaz de sugerir um plano de resposta, melhorando significativamente a coordenação e a produtividade da equipe.

Complementarmente, o NotebookLM foi empregado para armazenar todos os documentos do projeto, facilitando a recuperação de informações por meio de consultas em linguagem natural. Embora o projeto AVA tenha tido uma duração inicial de doze meses, sua complexidade e a necessidade de aprofundamento dos conteúdos levaram à extensão do prazo para vinte e quatro meses, e ele ainda está em curso. Desafios operacionais, como a mudança de sede e reformas no prédio, também impactaram o andamento das atividades, contextualizando a aplicação da IA em um ambiente real e dinâmico.

Em síntese, os resultados demonstram que a inteligência artificial atuou como uma ferramenta estratégica eficaz para mitigar a baixa maturidade gerencial e a limitação de recursos na organização do terceiro setor. A IA proporcionou uma estruturação mais assertiva do planejamento, uma redução substancial no tempo de execução de tarefas e um monitoramento mais eficiente do projeto, alinhando as práticas de gestão às diretrizes do PMBOK. Contudo, a necessidade de validação humana e a atenção à veracidade e privacidade dos dados são cruciais para a aplicação responsável e eficaz da IA, complementando o conhecimento especializado da equipe.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar a aplicação da inteligência artificial como ferramenta estratégica para superar a baixa maturidade gerencial e a limitação de recursos em uma organização do terceiro setor. Verificou-se que a integração de ferramentas de IA, como ChatGPT, ClickUp e NotebookLM, foi fundamental para a otimização do gerenciamento de um projeto de Ambiente Virtual de Aprendizagem. No planejamento, o ChatGPT proporcionou uma estruturação mais assertiva, auxiliando na definição do problema, justificativa, escopo, Estrutura Analítica do Projeto e identificação de riscos e oportunidades, o que resultou em uma redução de sessenta e sete por cento no tempo dedicado a essa fase. Na execução, a IA contribuiu para o aperfeiçoamento de conteúdos e roteiros, diminuindo em setenta e cinco por cento o esforço operacional na produção de materiais didáticos. O ClickUp, com seu agente de IA, facilitou a organização, o monitoramento proativo de tarefas e a comunicação, enquanto o NotebookLM centralizou a documentação do projeto. Esses achados demonstram que a IA permitiu à equipe redirecionar esforços para atividades mais estratégicas, aprimorando o conhecimento sobre procedimentos de gerenciamento de projetos e modernizando a gestão da entidade.

Contudo, identificou-se que as respostas geradas pela inteligência artificial eram, por vezes, genéricas, exigindo validação humana e um refinamento constante dos comandos. A preocupação com a veracidade e a privacidade dos dados também emergiu como uma limitação relevante, reforçando que a IA atua como um instrumento de apoio valioso, mas não substitui o conhecimento especializado e a supervisão de gestores. A complexidade inerente ao projeto e desafios operacionais externos também impactaram o cronograma, estendendo sua duração. Para estudos futuros, sugere-se investigar métodos para aprimorar a especificidade das respostas da IA e desenvolver diretrizes para a gestão da privacidade de dados em projetos do terceiro setor, garantindo uma aplicação ainda mais responsável e eficaz da tecnologia.

Referências Bibliográficas

Bayma, F. 1997. Capacitação de administradores para as organizações sem fins lucrativos. Revista de Administração Pública 31(6): 119-126.

Carvalho, S.B.A.; Barros, C.A.V.; Limonge, L.G.; Carneiro, A.A.; Nylander, B.V.R.; Costa, P.L.S. 2021. Captação de recursos para pesquisas e o terceiro setor: o que os docentes sabem? Revista Brasileira de Educação Médica 45(2): e067.

Gomes, C.F.S. 2014. Estruturação de um departamento de gestão de projetos no terceiro setor: estudo de caso na ONG Viva Rio. Relatórios de Pesquisa em Engenharia de Produção 14(6): 52-70.

Lacruz, A.J.; Cunha, E.A. 2018. Project management office in non-governmental organizations: an ex post facto study. Revista de Gestão 25(2): 212-227.

Nwaiwu, B.C. 2013. Critical management challenges facing NGOs – examining the impact of legitimacy and human resource issues on NGO effectiveness. CEDE Foundation.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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