Artigo

30 de julho de 2026

A tendência de desdolarização do Sistema Monetário Internacional vista entre 2016 até 2025: Uma visão sobre o Brasil e o mundo

Guilherme Menussi Loureiro; Washington Maciel da Silva

DOI: 10.22167/2675-6528-202600874

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O presente trabalho investigou a tendência de desdolarização do Sistema Monetário Internacional e seus impactos para o Brasil entre 2016 e 2025. O objetivo foi avaliar evidências empíricas de um processo consistente de desdolarização e compreender como esse movimento se manifesta nas dimensões financeira e comercial. Adotou-se uma abordagem analítico-documental, de natureza aplicada, combinando métodos qualitativos e quantitativos. Utilizaram-se dados de organismos internacionais e instituições oficiais, analisados por séries históricas e indicadores comparativos, com base em literatura sobre hegemonia monetária e estruturalismo latino-americano. Os resultados indicaram que, embora a participação do dólar nas reservas internacionais globais e brasileiras tenha apresentado uma redução gradual no período, o dólar permaneceu dominante. Nos pagamentos internacionais via sistema SWIFT e nas exportações brasileiras, a participação do dólar aumentou ou se consolidou, respectivamente, enquanto nas importações brasileiras manteve-se estável. Concluiu-se que a desdolarização se manifesta de forma lenta, limitada e assimétrica, não configurando uma ruptura estrutural na centralidade do dólar. O estudo evidenciou que o debate sobre desdolarização não se traduziu, no curto prazo, em mudanças proporcionais na prática econômica, reforçando a persistência de limitações estruturais para economias emergentes como o Brasil.

Palavras-chave: Economia; Geopolítica; Hegemonia; Moedas; Sistema Monetário Internacional.

1. Introdução

O Sistema Monetário Internacional (SMI) passou por profundas transformações a partir da década de 1940, com a redefinição das forças econômicas globais. Os Acordos de Bretton Woods, estabelecidos em 1944, foram fundamentais para a ascensão do dólar estadunidense como moeda de referência global, vinculando o valor das moedas ao dólar, que era lastreado em ouro. Posteriormente, o Choque Nixon, em 1971, desvinculou o dólar do ouro, conferindo-lhe um “privilégio exorbitante” no sistema monetário global, conforme destacado por Zappe (2022). Desde então, o dólar mantém um papel central e hegemônico nas transações financeiras e nas reservas internacionais em escala mundial.

Apesar dessa dominância, a sustentabilidade da hegemonia do dólar é amplamente debatida. Crises econômicas globais, a ascensão da China e a formação de blocos com grande poder de articulação global, como o BRICS, reacenderam discussões sobre a possibilidade de um sistema monetário mais multipolar (Avritzer, 2011; Cozendey, 2013; Eichengreen, 2011; Zappe, 2022). A confiança no dólar também é tensionada pelos déficits crônicos do balanço de pagamentos dos Estados Unidos, um fator que, segundo Cohen (2009), contribui para a discussão sobre sua resiliência. Nesse cenário, ganha força o conceito de desdolarização, que se refere à redução gradual da dependência do dólar nas transações comerciais e financeiras internacionais.

A desdolarização, embora seja uma tendência de longa data (Eichengreen, 2011), tem se manifestado mais visivelmente nos últimos anos. Isso ocorre através da celebração de acordos bilaterais que utilizam moedas locais, da diversificação na composição das reservas internacionais e da criação de mecanismos financeiros alternativos liderados por economias emergentes. Contudo, a literatura especializada indica que essas mudanças são graduais e dependem de transformações institucionais e estruturais profundas (Cohen, 2009; Eichengreen, 2011). A desdolarização não se configura como uma substituição abrupta da moeda hegemônica, mas sim como um movimento de ajuste dentro de uma ordem internacional ainda fortemente hierarquizada.

Para o Brasil, integrante fundador do BRICS e ator relevante no comércio e na geopolítica global, compreender os impactos e desafios da desdolarização é essencial para subsidiar a formulação de políticas monetárias e estratégias econômicas e diplomáticas mais autônomas. Socialmente, o tema é relevante pelos efeitos indiretos que a configuração do sistema monetário internacional exerce sobre a estabilidade econômica, o crescimento e o bem-estar das populações. Mudanças no padrão monetário global podem influenciar variáveis como inflação, custo do financiamento externo, volatilidade cambial e a capacidade de resposta a crises, afetando diretamente economias emergentes como a brasileira (Eichengreen, 2011; BIS, 2023).

Sob a perspectiva acadêmica, o estudo da desdolarização contribui para o aprofundamento do debate teórico sobre a hierarquização do sistema monetário internacional, a sustentabilidade da hegemonia do dólar e as possibilidades de uma ordem monetária multipolar. Embora o tema esteja presente na literatura internacional, ainda há espaço para análises empíricas recentes que integrem dados quantitativos e interpretação histórica, especialmente no que se refere aos impactos específicos para países emergentes e para o Brasil (Cohen, 2009; Zappe, 2022). Essa lacuna justifica a necessidade de estudos focados nessas realidades.

Os fundamentos teóricos desta pesquisa baseiam-se na literatura sobre hegemonia monetária e a hierarquia do sistema monetário internacional, examinando o papel do dólar como moeda de reserva e de liquidação global. A abordagem incorpora a perspectiva estruturalista latino-americana, por meio das contribuições de Prebisch (1962) e Bielschowsky (2020), que analisam a assimetria entre o “centro” e a “periferia” do sistema global, destacando a dependência estrutural das economias periféricas em relação a moedas fortes. A interdependência entre fluxos comerciais, fluxos de capitais e o papel das moedas de reserva, conforme abordado por Pettis (2022), contextualiza a desdolarização em um cenário mais amplo de desequilíbrios macroeconômicos globais.

Considerando a crescente relevância do tema no cenário global e a necessidade de análises empíricas focadas em economias emergentes, este estudo se justifica pela busca em aprofundar o debate sobre a hierarquização monetária internacional e a sustentabilidade da hegemonia do dólar, oferecendo subsídios para políticas mais autônomas. Assim, este artigo tem como objetivo principal avaliar se há evidências empíricas de um processo consistente de desdolarização e compreender de que forma esse movimento se manifesta nas dimensões financeira e comercial, tanto em nível global quanto no caso brasileiro, no período de 2016 a 2025.

2. Material e Métodos

A presente investigação caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com o propósito de gerar conhecimento útil para a compreensão de um fenômeno relevante no cenário econômico e geopolítico. Adotou-se uma abordagem metodológica analítico-documental, que integrou elementos qualitativos e quantitativos para examinar a tendência de desdolarização do Sistema Monetário Internacional. Essa escolha metodológica buscou assegurar a precisão e a coerência entre o problema de pesquisa e os procedimentos empregados, conforme as diretrizes de Gil (2019).

Quanto aos objetivos, a pesquisa foi de caráter exploratório e descritivo. A dimensão exploratória permitiu a identificação de padrões, tendências e relações ainda em consolidação no cenário internacional, enquanto a descritiva possibilitou a organização e sistematização das evidências empíricas disponíveis. A estratégia de pesquisa central foi a análise documental, que consistiu no exame sistemático de materiais que não haviam recebido tratamento analítico aprofundado para os fins específicos deste estudo (Gil, 2019).

O objeto empírico do estudo concentrou-se na participação do dólar estadunidense e de outras moedas na composição das reservas internacionais e nas transações de comércio internacional. Essa análise foi realizada tanto em nível global quanto especificamente para o caso brasileiro. O período temporal abrangido pela investigação foi de 2016 a 2025, selecionado para observar movimentos recentes e eventos relevantes no cenário econômico e geopolítico associados ao debate sobre desdolarização.

A coleta de dados envolveu a análise de documentos oficiais, relatórios institucionais, publicações acadêmicas e bases estatísticas. As fontes primárias e secundárias foram provenientes de organismos reconhecidos nacional e internacionalmente. Incluíram-se dados do Banco Central do Brasil, do Banco de Compensações Internacionais (BIS), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (WB), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Complementarmente, foram consultadas informações da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e documentos institucionais relacionados ao bloco BRICS. A seleção dessas fontes fundamentou-se na sua relevância técnica e na sua recorrente utilização na literatura especializada sobre o Sistema Monetário Internacional, garantindo a credibilidade e a pertinência dos dados para a análise proposta. Não foram utilizados dados de participantes ou amostras, dada a natureza documental do estudo.

Para a análise dos materiais textuais e documentais, empregou-se o método de análise de conteúdo, conforme as diretrizes de Bardin (2015). Essa técnica foi aplicada para assegurar o rigor metodológico, a coerência interpretativa e a consistência analítica na avaliação dos documentos examinados. Buscou-se identificar temas, padrões e tendências qualitativas que pudessem contextualizar e aprofundar a compreensão dos fenômenos monetários estudados.

Em paralelo, foram empregadas técnicas quantitativas para analisar os dados numéricos pertinentes ao objeto de estudo. Realizou-se a análise de séries históricas relativas à composição das reservas internacionais globais e brasileiras, bem como à participação das principais moedas como ativos de reserva. Adicionalmente, examinou-se a utilização das moedas nas transações de comércio internacional, tanto em âmbito global quanto no Brasil.

Os dados quantitativos foram extraídos de relatórios e bases estatísticas oficiais dos organismos previamente citados. Para a composição das reservas internacionais globais, utilizou-se a base de dados Currency Composition of Official Foreign Exchange Reserves (COFER) do FMI. A distribuição de moedas nos pagamentos internacionais foi analisada com base em dados do sistema SWIFT e da Bloomberg. Construíram-se indicadores comparativos e séries históricas para identificar variações e tendências na participação relativa do dólar e de outras moedas.

A organização dos resultados e da discussão foi estruturada em três subseções distintas, visando uma apresentação clara e segmentada das evidências. As subseções foram denominadas “Panorama Global”, que abordou as tendências internacionais; “Panorama Brasileiro”, que focou na realidade nacional; e “Acordos, negociações e ações em prol da desdolarização”, que examinou iniciativas específicas. Essa divisão permitiu uma análise aprofundada das manifestações da desdolarização em diferentes contextos.

3. Resultados e Discussão

À luz das evidências empíricas apresentadas, a dinâmica recente da desdolarização no sistema internacional pode ser interpretada não apenas como um fenômeno monetário, mas como uma expressão das tensões estruturais que caracterizam a economia global contemporânea (Li, 2023). Sob uma perspectiva crítica, alinhada à tradição estruturalista latino-americana e à economia política internacional, a centralidade do dólar revela-se como um mecanismo de reprodução do *status quo*, no qual a posição dominante das economias centrais, em especial dos Estados Unidos, é sustentada por uma arquitetura financeira que canaliza liquidez, confiança e capacidade de financiamento em sua direção (Prebisch, 1962; Bielschowsky, 2020).

Nesse arranjo, as economias periféricas permanecem inseridas de forma subordinada, dependentes de uma moeda que não emitem e expostas às condições macroeconômicas definidas externamente, o que reforça padrões históricos de vulnerabilidade e restrição ao crescimento. Embora iniciativas recentes, como acordos bilaterais de comércio em moedas locais e o fortalecimento de mecanismos financeiros alternativos no âmbito de blocos como os BRICS, sinalizem tentativas de reconfiguração dessa ordem, a literatura aponta que tais movimentos ainda possuem alcance limitado e concentrado em casos específicos (Li, 2023).

Exemplos como acordos comerciais entre países emergentes para liquidação em moedas locais e a criação de instituições financeiras multilaterais voltadas à redução da dependência do dólar ilustram esse movimento, mas também evidenciam seus desafios. A ausência de mercados financeiros suficientemente profundos e líquidos fora do eixo do dólar, bem como a necessidade de coordenação entre economias com diferentes interesses e níveis de desenvolvimento, indicam que a desdolarização depende não apenas de vontade política, mas de transformações estruturais mais amplas na economia global (Li, 2023).

Nesse sentido, mais do que uma ruptura imediata, o processo em curso parece refletir uma transição gradual e fragmentada, na qual a construção de parcerias estratégicas, como aquelas observadas no âmbito dos BRICS e em acordos comerciais regionais, emerge como condição necessária, ainda que não suficiente, para reduzir a dependência sistêmica da moeda hegemônica e ampliar a autonomia das economias periféricas no sistema internacional.

Panorama Global

Antes da análise empírica da evolução da composição das reservas internacionais e da utilização das moedas nos pagamentos globais, é relevante incorporar uma perspectiva teórica que permita compreender os condicionantes estruturais da hegemonia do dólar no Sistema Monetário Internacional. Nesse sentido, a abordagem desenvolvida por Michael Pettis oferece uma contribuição importante ao enfatizar a interdependência entre fluxos comerciais, fluxos de capitais e o papel das moedas de reserva, inserindo a discussão da desdolarização em um contexto mais amplo de desequilíbrios macroeconômicos globais (Pettis, 2022).

Um dos elementos centrais dessa interpretação reside na dualidade entre comércio e capital. Segundo Pettis (2022), o acúmulo de reservas internacionais em dólar por economias superavitárias não deve ser compreendido apenas como uma escolha financeira, mas como o reflexo de desequilíbrios estruturais em suas economias domésticas, especialmente aqueles relacionados à insuficiência de demanda interna. Nessa lógica, países com maior propensão à geração de superávits externos tendem a reciclar esses excedentes por meio da aquisição de ativos denominados em dólar, reforçando o papel da moeda estadunidense como eixo central do sistema financeiro internacional.

Essa interpretação é consistente com a literatura sobre o papel do dólar como principal moeda de reserva e de liquidação internacional, conforme discutido por Eichengreen (2011) e Cohen (2009). A dinâmica também está associada à ausência de alternativas estruturais viáveis à moeda estadunidense. Para que outra moeda desempenhasse papel semelhante ao do dólar, o país emissor precisaria oferecer mercados financeiros profundos, líquidos e abertos, além de aceitar déficits persistentes em conta corrente (Pettis, 2022).

No entanto, economias frequentemente citadas como candidatas à substituição do dólar, como a China, mantêm arranjos institucionais caracterizados por maior controle sobre a conta de capital e estratégias voltadas à geração de superávits comerciais, o que limita sua capacidade de assumir esse papel no curto e médio prazo (Pettis, 2022). Adicionalmente, essa abordagem permite revisitar criticamente a noção do “privilégio exorbitante” associada ao dólar, argumentando que a necessidade de sustentar déficits externos contínuos para absorver o excesso de poupança global pode gerar custos internos relevantes para a economia dos Estados Unidos.

Essa leitura complementa a visão tradicional apresentada por autores como Eichengreen (2011), ao destacar que a centralidade do dólar envolve não apenas benefícios, mas também *trade-offs* estruturais para o país emissor. As implicações dessa abordagem sugerem que eventuais evidências empíricas de desdolarização devem ser analisadas com cautela. Uma redução significativa e sustentada do papel do dólar exigiria uma reconfiguração dos desequilíbrios globais de poupança e investimento, o que envolve ajustes estruturais nas principais economias superavitárias (Pettis, 2022).

Em linha com essa interpretação, a literatura sobre o sistema monetário internacional aponta que mudanças na hierarquia das moedas tendem a ocorrer de forma gradual e dependente de transformações institucionais e estruturais profundas (Cohen, 2009; Eichengreen, 2011). Dessa forma, alterações observadas na composição das reservas internacionais ou nos meios de pagamento podem refletir movimentos marginais de diversificação, sem necessariamente indicar uma mudança estrutural no funcionamento do sistema.

No âmbito internacional, a análise dos dados da Currency Composition of Official Foreign Exchange Reserves (COFER), do Fundo Monetário Internacional, revelou que, no período compreendido entre 2016 e 2024, a participação do dólar americano na composição das reservas internacionais globais apresentou uma redução acumulada de 6,16 pontos percentuais, passando de 64,68% em 2016 para 58,52% em 2024. Esse movimento corresponde a uma queda média aproximada de 0,68 ponto percentual ao ano, indicando uma tendência de diminuição gradual, porém persistente, da centralidade do dólar como principal ativo de reserva internacional.

Apesar dessa redução, os dados evidenciam que o dólar permanece, de forma incontestável, como a principal moeda de reserva global ao longo de todo o período analisado. A trajetória observada sugere que o processo de desdolarização, ao menos sob a ótica da composição das reservas internacionais, ocorre de maneira lenta, incremental e sem rupturas abruptas, reforçando interpretações presentes na literatura de que a hegemonia do dólar tende a ser desafiada de forma gradual, e não substituída no curto prazo (Eichengreen, 2011; Cohen, 2009).

Paralelamente, a participação agregada das chamadas “outras moedas” apresentou movimento inverso, crescendo de 35,32% em 2016 para 41,48% em 2024. Esse avanço reflete um processo de diversificação das reservas internacionais por parte dos bancos centrais, compatível com estratégias de mitigação de riscos cambiais, financeiros e geopolíticos, conforme discutido em relatórios recentes do FMI e do Banco de Compensações Internacionais (FMI, 2025; BIS, 2023).

Esse comportamento sugere que, embora não haja evidências de uma perda acelerada da hegemonia do dólar, observa-se um ajuste progressivo na alocação de reservas globais, com maior espaço relativo para moedas alternativas. Tal dinâmica está associada, entre outros fatores, ao aumento das incertezas geopolíticas e financeiras no sistema internacional, como a intensificação de tensões comerciais entre grandes economias, a adoção de sanções econômicas com impacto sobre o sistema financeiro internacional e a maior volatilidade nos fluxos de capitais globais (Li, 2023).

No que se refere às transações de comércio internacional, os resultados preliminares permitem avaliar se essa tendência de diversificação observada nas reservas internacionais também se manifesta no uso das moedas nos fluxos comerciais globais. A análise da distribuição das moedas nos pagamentos internacionais, com base em dados do sistema SWIFT, indica que, no período entre 2016 e 2024, não se observa evidência empírica de uma tendência consistente de desdolarização no que se refere ao uso da moeda nas transações financeiras internacionais.

A participação do dólar americano nos pagamentos processados pelo sistema SWIFT apresentou oscilações ao longo do período analisado, mas com uma tendência líquida de aumento. Em termos quantitativos, a participação do dólar passou de 41,8% em 2016 para 47,0% em 2024, representando um crescimento acumulado de 5,2 pontos percentuais. Esse comportamento sugere que, apesar do debate crescente sobre desdolarização, o dólar não apenas manteve, como ampliou sua relevância como meio de pagamento internacional no recorte temporal analisado.

Paralelamente, a participação agregada das demais moedas recuou de 58,2% para 53,1%, reforçando a centralidade do dólar no sistema de pagamentos internacionais. Esses resultados contrastam, em certa medida, com a tendência de diversificação observada na composição das reservas internacionais, indicando que o processo de desdolarização pode se manifestar de forma assimétrica entre diferentes dimensões do Sistema Monetário Internacional. Enquanto os bancos centrais parecem adotar estratégias graduais de diversificação de reservas, o dólar permanece dominante como moeda de liquidação e meio de pagamento em transações internacionais, especialmente em mercados financeiros globais.

Cabe destacar, entretanto, uma limitação metodológica relevante desta análise. Os dados utilizados referem-se exclusivamente aos pagamentos processados no âmbito do sistema SWIFT, que, embora seja a principal infraestrutura de mensagens financeiras internacionais, não captura integralmente transações realizadas fora desse sistema, como pagamentos liquidados por mecanismos bilaterais, acordos diretos em moedas locais ou sistemas alternativos desenvolvidos por alguns países. Dessa forma, os resultados devem ser interpretados como representativos do comportamento das transações dentro do ecossistema SWIFT, e não necessariamente como um retrato exaustivo de todos os fluxos financeiros internacionais.

Ainda assim, considerando a ampla utilização do sistema SWIFT por instituições financeiras globais, os dados analisados fornecem evidências robustas de que, ao menos no curto e médio prazo, a desdolarização não se materializou de forma significativa na esfera dos pagamentos internacionais globais. Esse achado reforça a interpretação de que a hegemonia do dólar tende a ser mais resiliente como meio de pagamento do que como ativo de reserva, conforme discutido na literatura especializada (Eichengreen, 2011; Cohen, 2009; BIS, 2023).

Os resultados observados sugerem que, embora haja sinais de diversificação na composição de reservas e no uso de moedas em determinadas transações, não se verifica, até o momento, uma transformação estrutural capaz de deslocar o papel central do dólar no sistema internacional. Essa evidência é consistente com a interpretação de que a dominância do dólar está profundamente enraizada nos desequilíbrios globais de poupança e investimento, funcionando como mecanismo de absorção dos excedentes das economias superavitárias e de sustentação da liquidez internacional.

Adicionalmente, observa-se que o avanço da desdolarização tem sido impulsionado, em grande medida, por fatores geopolíticos, como tensões internacionais e o uso de instrumentos financeiros como mecanismos de pressão, mas permanece limitado pela ausência de uma infraestrutura financeira global alternativa suficientemente robusta. Nesse contexto, mais do que uma substituição imediata, o cenário atual aponta para um processo gradual e fragmentado, no qual a redução da dependência do dólar depende de mudanças mais profundas nos padrões de comércio, financiamento e coordenação entre grandes economias, especialmente por meio do fortalecimento de parcerias estratégicas e arranjos institucionais multilaterais (Pettis, 2022; Li, 2023).

Panorama Brasileiro

Antes da análise empírica, torna-se relevante contextualizar o país dentro da estrutura do Sistema Monetário Internacional a partir de uma perspectiva teórica. Nesse sentido, a tradição estruturalista latino-americana, desenvolvida no âmbito da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e associada a obras como “O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Alguns de Seus Problemas Principais” de Prebisch (1969), oferece uma lente interpretativa particularmente útil.

Desde suas formulações inaugurais, o pensamento estruturalista identifica uma assimetria fundamental entre o “centro”, composto por economias desenvolvidas como os Estados Unidos e União Europeia, e a “periferia”, na qual se inserem os países latino-americanos (Prebisch, 1949). Nesse arranjo, a hegemonia do dólar configura-se como um dos pilares centrais dessa hierarquia, na medida em que a periferia enfrenta historicamente a chamada “escassez de divisas”, sobretudo em moeda forte. Tal restrição externa atua como um gargalo estrutural ao crescimento econômico, limitando a capacidade de financiamento e ampliando a vulnerabilidade macroeconômica dessas economias.

Para a América Latina, a dependência de uma moeda que não é emitida domesticamente implica exposição direta às condições financeiras definidas no centro, especialmente às variações de liquidez global e às taxas de juros internacionais. Esse mecanismo está associado à forma de inserção periférica das economias latino-americanas no sistema internacional, conforme discutido pela tradição estruturalista inaugurada por Prebisch (1962), na qual a dinâmica econômica da periferia é fortemente condicionada por decisões e ciclos econômicos definidos nas economias centrais.

Nesse contexto, episódios recorrentes de instabilidade, como as crises de endividamento externo observadas ao longo da década de 1980, podem ser interpretados como manifestações dessas restrições estruturais, frequentemente descritas como processos de “asfixia financeira” na literatura cepalina. No caso brasileiro, a discussão sobre desdolarização pode ser interpretada como parte de um esforço mais amplo de reconfiguração do padrão de inserção internacional do país (Bielschowsky, 2020).

Apesar dos avanços históricos associados ao processo de industrialização, o Brasil permanece sujeito às restrições impostas pela estrutura financeira internacional, particularmente no que se refere à dependência de financiamento externo e à centralidade do dólar nas transações econômicas, o que reflete características estruturais típicas de economias periféricas (Bielschowsky, 2020). Sob essa perspectiva, a aplicação dos conceitos estruturalistas ao cenário brasileiro contemporâneo permite destacar três dimensões principais.

Em primeiro lugar, a desdolarização pode ser compreendida como um instrumento potencial de redução da vulnerabilidade externa, ao mitigar os efeitos da volatilidade dos fluxos de capitais de curto prazo, frequentemente apontados pela literatura neoestruturalista como uma fonte relevante de instabilidade em economias emergentes (Bielschowsky, 2020). A adoção de moedas alternativas e o fortalecimento de mecanismos de compensação regional tendem, nesse sentido, a reduzir a exposição da economia brasileira a choques externos originados no sistema financeiro internacional dominado pelo dólar.

Em segundo lugar, a questão da soberania econômica e da institucionalidade assume papel central. A tradição cepalina argumenta que o subdesenvolvimento está associado não apenas a fatores produtivos, mas também a arranjos institucionais que limitam a autonomia das economias periféricas. Nesse contexto, iniciativas como o fortalecimento de blocos multilaterais, a exemplo dos BRICS, e a criação de mecanismos financeiros que prescindem do dólar podem ser interpretadas como tentativas de construção de uma nova governança econômica internacional, com potencial de ampliar a capacidade do Estado brasileiro de conduzir políticas de desenvolvimento de forma mais autônoma (Bielschowsky, 2020; Li, 2023).

Por fim, destaca-se a dimensão do equilíbrio do balanço de pagamentos. A utilização de moedas locais nas transações comerciais pode contribuir para reduzir pressões estruturais sobre o setor externo, ao diminuir a necessidade de captação de divisas em dólar. Esse movimento tende a atenuar a recorrente pressão por desvalorizações cambiais, que, no caso brasileiro, historicamente se associam a processos de inflação de custos e perda de estabilidade macroeconômica.

Dessa forma, a desdolarização, no contexto brasileiro, não deve ser compreendida apenas como uma escolha técnica ou operacional, mas como parte de uma estratégia mais ampla de busca por uma inserção internacional mais favorável. Sob a ótica neoestruturalista, essa estratégia está associada à superação de padrões de competitividade baseados em fatores cambiais e à construção de condições que permitam ao país financiar seu próprio desenvolvimento, ampliar sua autonomia econômica e reduzir sua dependência das flutuações da moeda hegemônica do sistema internacional (Bielschowsky, 2020).

À luz dessas considerações teóricas, a análise empírica do caso brasileiro permite avaliar em que medida as restrições estruturais associadas à posição periférica do país no Sistema Monetário Internacional, conforme discutido pela tradição estruturalista latino-americana, especialmente em Prebisch (1962) e Bielschowsky (2020), se refletem em sua dinâmica recente de reservas internacionais e fluxos comerciais. Adicionalmente, a análise conversa com a literatura sobre hegemonia monetária e o papel do dólar no sistema internacional, conforme abordado por Eichengreen (2011) e Cohen (2009), bem como com interpretações contemporâneas sobre desdolarização e suas limitações estruturais (Li, 2023).

Nesse sentido, a investigação dos dados busca identificar se há evidências concretas de alteração nesse padrão de inserção, especialmente no que se refere à dependência do dólar, ou se, ao contrário, os resultados reforçam a persistência das características estruturais destacadas por essas abordagens teóricas. A análise quantitativa se inicia pela composição das reservas internacionais do país, avaliando a participação relativa das moedas que compõem esses ativos ao longo do período de 2016 a 2024.

A análise da composição das reservas internacionais do Brasil, com base em dados do Banco Central do Brasil, evidencia que o dólar americano permanece como a principal e amplamente dominante moeda de reserva do país ao longo de todo o período analisado, entre 2016 e 2024. Em 2016, o dólar representava 83,46% do total das reservas internacionais brasileiras, percentual que se reduziu para 78,45% em 2024, correspondendo a uma queda acumulada de aproximadamente 5 pontos percentuais no período.

Embora esse movimento indique uma redução marginal da participação do dólar, os dados não sustentam a interpretação de que o Brasil tenha adotado, até o momento, uma estratégia de diversificação expressiva ou acelerada da composição de suas reservas internacionais. Ao contrário, a trajetória observada sugere que o dólar mantém uma posição estruturalmente central na política de reservas do país, refletindo tanto sua elevada liquidez quanto seu papel dominante no sistema financeiro internacional.

Paralelamente, a participação agregada das demais moedas aumentou de 16,54% em 2016 para 21,55% em 2024, indicando um movimento gradual de diversificação. Esse avanço, embora consistente ao longo do tempo, ocorre de forma lenta e incremental, alinhando-se mais a uma estratégia prudencial de mitigação de riscos do que a uma mudança estrutural no padrão de alocação das reservas internacionais brasileiras. Tal comportamento é compatível com práticas observadas em outros países emergentes, que buscam ampliar a resiliência de seus ativos externos sem comprometer a liquidez e a segurança associadas ao dólar (BCB, 2025; FMI, 2022).

Dessa forma, os resultados preliminares sugerem que, sob a ótica das reservas internacionais, o Brasil não apresenta evidências de uma política ativa de desdolarização, mas sim de um ajuste gradual e cauteloso na composição de seus ativos externos. Essa constatação reforça a necessidade de complementar a análise financeira com uma avaliação sob a perspectiva comercial, a fim de verificar se eventuais sinais de desdolarização se manifestam de maneira mais significativa nos fluxos de comércio exterior do país.

Nesse sentido, a análise do viés comercial examinou as moedas utilizadas nos pagamentos associados aos fluxos de exportações e importações brasileiras. A análise do fluxo de exportações brasileiras por moeda, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, evidencia que o dólar americano já apresentava uma participação amplamente dominante em 2016 e ampliou ainda mais sua centralidade até 2024. Em termos percentuais, a participação do dólar nas exportações brasileiras passou de 92,06% em 2016 para 95,88% em 2024, enquanto a participação agregada das demais moedas recuou de 7,94% para 4,12% no mesmo período.

Esse movimento indica que, ao longo da última década, as exportações brasileiras tornaram-se ainda mais concentradas em operações denominadas em dólar, reforçando a dependência da moeda estadunidense como meio de liquidação no comércio exterior do país. Diferentemente do que poderia ser esperado em um contexto de intensificação do debate sobre desdolarização, os dados não apontam para uma diversificação monetária no fluxo exportador brasileiro, mas sim para uma consolidação do dólar como moeda predominante.

A crescente utilização do dólar nas exportações pode ser interpretada, em primeiro lugar, como reflexo de fatores estruturais do comércio internacional, tais como a elevada liquidez da moeda, sua ampla aceitação global e o fato de que grande parte das *commodities* exportadas pelo Brasil – como soja, minério de ferro e petróleo – é tradicionalmente precificada em dólar nos mercados internacionais. Esses elementos reduzem os incentivos econômicos para a adoção de moedas alternativas nas transações comerciais (Eichengreen, 2011; FMI, 2022).

Adicionalmente, a predominância do dólar no fluxo exportador contribui para a geração e manutenção de receitas externas denominadas em moeda forte, o que pode fortalecer a posição externa do país e facilitar a gestão das reservas internacionais. Nesse sentido, embora não seja possível afirmar, a partir dos dados, a existência de uma estratégia política explícita voltada à ampliação das reservas em dólar, os resultados sugerem que a dinâmica do comércio exterior brasileiro permanece funcionalmente alinhada à lógica do sistema monetário internacional centrado no dólar, reforçando sua relevância para a economia nacional (Li, 2023).

Dessa forma, sob a ótica do comércio exterior, os resultados preliminares indicam que o Brasil não apresenta sinais de desdolarização no fluxo de exportações, mas sim uma intensificação da dependência do dólar como moeda de liquidação. Essa evidência reforça o contraste observado entre o discurso crescente sobre desdolarização e a prática efetiva das transações comerciais brasileiras, especialmente no lado das exportações.

A análise do fluxo de importações brasileiras por moeda, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, indica que, embora o dólar americano permaneça como a principal moeda utilizada para a liquidação das importações, observa-se uma participação relativamente mais elevada de outras moedas quando comparada ao fluxo de exportações. Ao longo do período de 2016 a 2024, a participação do dólar nas importações brasileiras manteve-se majoritariamente em torno de 80%, enquanto as demais moedas oscilaram próximas a 20%.

Em termos quantitativos, a participação do dólar variou de 80,78% em 2016 para 80,28% em 2024, evidenciando um comportamento relativamente estável ao longo do período analisado. Em contrapartida, a participação das outras moedas passou de 19,22% para 19,72%, o que reforça a interpretação de que não houve uma mudança estrutural relevante na composição monetária das importações brasileiras no intervalo considerado.

Quando comparado ao fluxo de exportações, no qual o dólar representa consistentemente mais de 95% das transações, o padrão observado nas importações revela uma maior flexibilidade monetária. Essa diferença pode estar associada ao perfil dos parceiros comerciais do Brasil e à natureza dos bens importados, especialmente produtos manufaturados, bens de capital e insumos industriais provenientes de países e regiões que, em determinadas circunstâncias, aceitam liquidação em moedas alternativas, como o euro ou moedas regionais (FMI, 2022; UNCTAD, 2023).

Ainda assim, a permanência do dólar como moeda dominante nas importações brasileiras evidencia que, mesmo no lado em que há maior espaço potencial para diversificação, a estrutura do comércio internacional brasileiro permanece fortemente ancorada no dólar. Esse resultado sugere que iniciativas pontuais de uso de moedas alternativas ainda não se traduziram em mudanças significativas no padrão agregado das transações de importação.

Os resultados empíricos indicam que, apesar de iniciativas pontuais de diversificação, o Brasil permanece fortemente inserido na lógica de funcionamento do sistema monetário internacional dominado pelo dólar, o que reforça a interpretação de persistência das condições periféricas. Essa dinâmica pode ser compreendida à luz da recorrência da restrição externa e da vulnerabilidade financeira como elementos centrais do subdesenvolvimento, mesmo em contextos de maior integração global (Bielschowsky, 2020).

Adicionalmente, a dependência do dólar limita a capacidade de formulação de estratégias autônomas de desenvolvimento, mantendo o país exposto a ciclos externos e a decisões de política econômica tomadas fora de seu controle. Nesse sentido, a desdolarização, no caso brasileiro, não se configura apenas como uma alternativa operacional, mas como parte de um projeto mais amplo de fortalecimento institucional e redefinição da inserção internacional, cuja efetividade depende, em última instância, de transformações estruturais na base produtiva, no sistema financeiro e nas articulações estratégicas do país no cenário global (Furno, 2025).

Acordos, negociações e ações em prol da desdolarização

As relações comerciais entre o Brasil e a China, que é o principal parceiro comercial do país desde 2009, têm avançado para um novo patamar de integração financeira. Em 2022, a corrente de comércio entre as duas nações atingiu o recorde de US$150,5 bilhões, o que reforça a necessidade de mecanismos que facilitem essas trocas. Nesse cenário, o governo brasileiro tem se mobilizado ativamente para incentivar o uso de moedas próprias (Real e Yuan/Renminbi) em substituição ao dólar americano, visando reduzir custos de transação e a dependência da moeda norte-americana no chamado Sul Global.

Um marco fundamental desse processo ocorreu em abril de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em Pequim, um memorando de entendimento para promover o comércio em moedas locais. Como resultado prático, em setembro do mesmo ano, foi concluída a primeira transação comercial realizada exclusivamente com moedas locais, na qual a empresa Eldorado Brasil exportou celulose para o mercado chinês. A operação contou com o apoio do Banco da China Brasil (BOC Brasil), que recebeu uma carta de crédito em moeda chinesa e converteu o recurso diretamente para reais, disponibilizando-o na conta da empresa.

Para sustentar essa transição, novas infraestruturas financeiras estão sendo implementadas. O Banco BOCOM BBM anunciou sua adesão ao CIPS (China Interbank Payment System), que funciona como uma alternativa chinesa ao sistema internacional SWIFT, permitindo a redução de custos através do câmbio direto entre o BRL e o RMB. Além disso, a sucursal brasileira do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) passou a atuar como banco de compensação do Yuan no Brasil, facilitando investimentos e o fluxo comercial bilateral.

Adicionalmente, estratégias no mercado de derivativos também têm sido trabalhadas, como os acordos de *swap* cambial bilateral, que no caso sino-brasileiro giram em torno de US$ 26 bilhões, e o desenvolvimento da plataforma digital BRICS Pay. Essas são ferramentas essenciais para diversificar as opções financeiras de forma paulatina. Através de acordos bilaterais e por meio de diplomacia internacional, o Brasil consolida sua estratégia de “desdolarização” ao buscar sistemas de pagamento mais acessíveis e estratégicos para o país no cenário internacional.

Em síntese, os resultados deste estudo indicam que, embora o processo de desdolarização esteja presente no debate econômico contemporâneo e se manifeste por meio de iniciativas institucionais e movimentos pontuais de diversificação monetária, sua materialização no Sistema Monetário Internacional ainda ocorre de forma limitada, gradual e assimétrica. Não se configura, até o período analisado, uma ruptura estrutural capaz de alterar a centralidade do dólar. A análise do panorama global evidencia que a permanência da moeda estadunidense está ancorada em fatores estruturais profundamente enraizados, como sua elevada liquidez e a profundidade dos mercados financeiros, enquanto no caso brasileiro, a dependência do dólar persiste, especialmente nos fluxos de comércio exterior, reforçando a continuidade de restrições estruturais para a economia nacional.

4. Conclusão

O presente estudo buscou avaliar evidências empíricas de um processo consistente de desdolarização e compreender como esse movimento se manifesta nas dimensões financeira e comercial, tanto em nível global quanto no caso brasileiro, no período de 2016 a 2025. Verificou-se que, no panorama global, a participação do dólar nas reservas internacionais apresentou uma redução gradual, passando de 64,68% em 2016 para 58,52% em 2024, embora a moeda estadunidense tenha mantido sua dominância. Contudo, nos pagamentos internacionais via sistema SWIFT, a participação do dólar aumentou de 41,8% para 47,0% no mesmo período, consolidando sua relevância como meio de pagamento. No contexto brasileiro, observou-se uma redução marginal da participação do dólar nas reservas internacionais, de 83,46% para 78,45%, enquanto nas exportações brasileiras a dependência do dólar se intensificou, passando de 92,06% para 95,88%. Nas importações, a participação do dólar permaneceu estável, em torno de 80%. Esses achados indicam que a desdolarização se manifesta de forma lenta, limitada e assimétrica, sem configurar uma ruptura estrutural na centralidade do dólar no Sistema Monetário Internacional. A persistência da hegemonia do dólar está ancorada em fatores estruturais como sua liquidez e a profundidade dos mercados financeiros globais.

A principal contribuição deste trabalho reside na articulação entre a análise teórica da hegemonia monetária e do estruturalismo latino-americano com evidências empíricas recentes, evidenciando que a intensificação do debate sobre desdolarização não se traduz, no curto prazo, em mudanças proporcionais na prática econômica. Isso reforça a persistência de limitações estruturais para economias emergentes como o Brasil, que permanecem expostas a ciclos externos e decisões de política econômica tomadas fora de seu controle. Reconhece-se como limitação do estudo que os dados do sistema SWIFT não capturam integralmente todas as formas de transação global, como pagamentos bilaterais ou sistemas alternativos, o que restringe a abrangência da análise sobre os fluxos financeiros internacionais. Para estudos futuros, sugere-se o aprofundamento da investigação por meio da incorporação de novas bases de dados, recortes regionais mais detalhados e análises que explorem a evolução de mecanismos alternativos de liquidação internacional, visando ampliar a compreensão sobre os limites e possibilidades da desdolarização no cenário global e brasileiro.

Referências Bibliográficas

AVRITZER, Joana David. 2011. O futuro do dólar no sistema monetário internacional: um estudo da importância do Estado na definição de dinheiro mundial. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil

Bank of International Settlements [BIS]. 2023. Global liquidity: a new phase?. Disponível

COHEN, Benjamin J. 2009. The future of reserve currencies. Finance & Development 46 (3): 26-29. Disponível em: <https://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2009/09/pdf/cohen.pdf>. Acesso em: 19 out. 2025

COZENDEY, Carlos Márcio B. 2013. As instituições de Bretton Woods: desenvolvimento e implicações para o Brasil. Fundação Alexandre de Gusmão, Brasília, DF, Brasil

EICHENGREEN, Barry J. 2011. Exorbitant privilege: the rise and fall of the dollar and the future of the international monetary system. Oxford University Press, Nova Iorque, NY, EUA.

ZAPPE, Henrique Heiss. 2022. A hegemonia do dólar e o sistema monetário internacional hierarquizado. Trabalho de Conclusão de Curso para Graduação em Relações Internacionais. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade