Artigo

03 de agosto de 2026

A Segurança Psicológica como Fator de Sucesso na Gestão de Projetos em Obras de Grande Porte

Giovane de Oliveira Ramos; Maria do Carmo Assis Todorov

DOI: 10.22167/2675-6528-202600852

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A segurança psicológica emergiu como um fator crucial para o sucesso de projetos, influenciando a comunicação, o bem-estar das equipes, o desempenho, a tomada de decisão e a gestão de riscos. O estudo avaliou a percepção de colaboradores, em diversos níveis hierárquicos, sobre a importância da segurança psicológica em obras de grande porte e sua influência como fator de sucesso nesses empreendimentos. Além disso, identificou áreas com níveis reduzidos de segurança psicológica para subsidiar a atuação de gestores de projetos. A pesquisa, de campo e com abordagem quantitativa, utilizou um formulário online que incluiu a Escala de Segurança Psicológica de Edmondson (1999) e uma escala complementar, aplicado a profissionais atuantes em obras de grande porte. Os resultados revelaram que os participantes perceberam o ambiente de trabalho como moderadamente seguro, com uma média geral de 3,54. Contudo, atribuíram alta importância à segurança psicológica para o desempenho da gestão de projetos, com uma média de 4,48, evidenciando uma lacuna entre a percepção da importância e a aplicação prática. A percepção da segurança psicológica variou conforme o nível hierárquico, sendo mais elevada em cargos de gestão. Concluiu-se que a segurança psicológica é um elemento estratégico para o sucesso em obras de grande porte, impactando positivamente a comunicação, a tomada de decisão, a gestão de riscos e o desempenho da equipe, e sua promoção pela liderança é fundamental para reduzir falhas e aumentar a colaboração.

Palavras-chave: Comunicação eficaz; Desempenho de equipes; Gestão de obras; Liderança.

1. Introdução

O sucesso na gestão de projetos é um tema de crescente relevância no cenário contemporâneo, impulsionado pela complexidade e dinamismo dos empreendimentos. Dentre os múltiplos fatores que contribuem para o êxito de um projeto, a segurança psicológica emerge como um elemento crucial, influenciando diretamente o desempenho das equipes e a consecução dos objetivos. A segurança psicológica pode ser compreendida como um ambiente no qual os indivíduos se sentem à vontade para expressar suas ideias, dúvidas, preocupações, erros e falhas, sem o receio de constrangimento ou represália (Edmondson, 2020).

Em contextos onde a segurança psicológica é presente, a comunicação se torna mais eficaz, os erros são reportados com rapidez, e as intervenções e tomadas de ação são realizadas de forma proativa. Além disso, observa-se um aumento na confiança mútua e no respeito entre os colegas de equipe (Edmondson, 2020). O conceito foi amplamente explorado por Amy C. Edmondson (2020) em sua obra “A organização sem medo”, e sua importância foi corroborada pelo Projeto Aristóteles do Google, que demonstrou a segurança psicológica como um fator determinante para o sucesso de um grupo, superando até mesmo as habilidades individuais de seus membros (Almeida et al., 2023). Essa perspectiva sublinha a influência direta dos fatores comportamentais e relacionais do ambiente de trabalho sobre o desempenho coletivo, aspecto fundamental em projetos que exigem forte interação e colaboração.

A atualidade impõe desafios constantes às relações humanas e questões interpessoais no mercado de trabalho, o que tem levado a uma crescente preocupação com a saúde mental no ambiente laboral. Iniciativas para a prevenção de transtornos mentais têm se tornado cada vez mais presentes nas organizações. No Brasil, o ano de 2024 registrou o maior número de afastamentos por questões de saúde mental, como depressão e ansiedade (Meneses, 2025), evidenciando a urgência de ambientes de trabalho que promovam o bem-estar dos colaboradores.

Diante deste cenário, medidas governamentais têm sido propostas para endereçar a questão, como a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) em agosto de 2024. Esta atualização inseriu os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) (Brasil, 2024). Embora a norma não aborde diretamente a segurança psicológica, suas diretrizes reforçam a necessidade de ambientes que incentivem a comunicação, o reporte de riscos e a cooperação entre os trabalhadores. As organizações, por sua vez, são incumbidas de identificar, avaliar e controlar riscos relacionados à saúde mental, como estresse ocupacional, assédio moral e sexual, e sobrecarga de trabalho.

No setor de obras de grande porte, a complexidade é acentuada pela presença de equipes multidisciplinares, pela necessidade de tomada de decisão rápida e pelo trabalho sob pressão. Nesses projetos, falhas de comunicação e a não percepção de riscos podem comprometer gravemente o cronograma, aumentar custos, afetar a qualidade e impactar a segurança operacional. A gestão de projetos, conforme o Project Management Institute (PMI, 2021), associa o sucesso ao desempenho da equipe, à comunicação eficaz e à confiança entre os envolvidos. Esses elementos são diretamente influenciados pelo nível de segurança psicológica percebido, que por sua vez afeta a tomada de decisão e a gestão de riscos.

Investigar como os trabalhadores percebem seu ambiente psicológico torna-se, portanto, fundamental para propor melhorias na gestão de equipes e no sucesso do projeto. Existe uma lacuna na compreensão da aplicação prática da segurança psicológica em ambientes de obras de grande porte, apesar do reconhecimento de sua importância. Assim, o presente estudo justifica-se pela necessidade de avaliar a percepção de colaboradores, em diferentes níveis hierárquicos, acerca da importância da segurança psicológica em projetos de obras de grande porte, bem como sua influência como fator de sucesso nesses empreendimentos, e identificar áreas com baixos níveis de segurança psicológica para evidenciar pontos que necessitam de atenção e melhoria, contribuindo para a atuação dos gestores de projetos.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de campo, adotando uma abordagem quantitativa para investigar a percepção da segurança psicológica. O objetivo foi medir e compreender a segurança psicológica em um grupo de trabalhadores de obras de grande porte, bem como a percepção geral desses profissionais sobre a temática. A estratégia de pesquisa envolveu a aplicação de um formulário online, desenhado para coletar dados de forma padronizada.

A unidade de análise do estudo consistiu na percepção da segurança psicológica por parte de trabalhadores atuantes em projetos de obras de grande porte. Os participantes foram profissionais que exerciam ou haviam exercido funções em obras de grande porte em qualquer estado brasileiro. A seleção dos participantes ocorreu por amostragem por conveniência, buscando alcançar uma diversidade de experiências e níveis hierárquicos.

A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário online, desenvolvido na plataforma Google Forms. O link para acesso ao formulário foi divulgado diretamente pelo pesquisador em redes sociais e grupos de interesse, convidando os profissionais a participarem voluntariamente. O período de coleta estendeu-se de 19 de janeiro de 2026 a 25 de janeiro de 2026.

O formulário de coleta de dados foi estruturado em três seções. Inicialmente, apresentou-se um termo de responsabilidade da pesquisa, detalhando os objetivos do estudo e os direitos dos participantes. Em seguida, incluiu-se um questionário sociodemográfico, destinado a coletar informações sobre o perfil dos respondentes, como faixa etária, escolaridade, formação acadêmica, setor de atuação, tempo de formação, nível ocupacional, porte e tipo de vínculo da empresa.

A seção seguinte do formulário incorporou a Escala de Segurança Psicológica de Edmondson (1999), composta por sete itens. As respostas a esses itens foram avaliadas por meio de uma escala de concordância do tipo Likert, variando de 1 (Discordo totalmente) a 5 (Concordo totalmente). Para uma interpretação consistente, os itens com formulação negativa foram recodificados, invertendo a escala de valor, de modo que 1 passou a equivaler a 5, 2 a 4, e assim sucessivamente.

Adicionalmente, utilizou-se uma escala complementar, elaborada pelo autor com o apoio da orientadora, para avaliar a relação entre segurança psicológica e gestão de projetos. Este instrumento foi composto por oito itens, divididos em dois blocos. O primeiro bloco focou na avaliação da relação entre segurança psicológica e o desempenho na gestão de projetos, enquanto o segundo bloco buscou mensurar a percepção geral dos participantes quanto à satisfação com o ambiente de trabalho.

Os procedimentos éticos foram rigorosamente observados. A participação no estudo foi voluntária e gratuita, e o anonimato dos respondentes foi integralmente garantido. Não foram solicitados nomes dos participantes nem informações que pudessem identificar as empresas em que atuavam, assegurando a confidencialidade dos dados coletados. O termo de responsabilidade da pesquisa foi apresentado antes do início do questionário, garantindo o consentimento informado.

Para a análise dos dados, empregou-se a técnica de análise descritiva. As respostas obtidas foram organizadas e processadas para identificar padrões e tendências. A consistência interna dos itens das escalas foi avaliada por meio do coeficiente Alfa de Cronbach, um indicador estatístico que verificou a fidedignidade do conjunto de itens. Este procedimento assegurou a confiabilidade das medidas utilizadas no estudo.

A interpretação dos dados da Escala de Segurança Psicológica de Edmondson (1999) baseou-se em uma referência que classificou os níveis de segurança psicológica em categorias como baixa, moderada-baixa, moderada-alta e alta, conforme as médias obtidas. Similarmente, a percepção da relação entre segurança psicológica e gestão de projetos, bem como o grau de satisfação com o ambiente de trabalho, foram interpretados utilizando escalas de classificação análogas, que categorizaram as médias em níveis de relação ou satisfação.

Os dados foram organizados de forma a permitir a visualização da distribuição das respostas para cada item das escalas. A recodificação dos itens negativos da escala de Edmondson foi um passo crucial para a padronização e a correta interpretação dos resultados, alinhando todas as respostas a uma mesma direção de percepção da segurança psicológica. A análise buscou, portanto, descrever como os profissionais percebem a segurança psicológica e sua influência no contexto de obras de grande porte.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa oferecem uma visão abrangente sobre a percepção da segurança psicológica em ambientes de obras de grande porte, revelando tanto o nível atual de segurança percebida quanto sua influência no sucesso da gestão de projetos. Inicialmente, a caracterização da amostra permitiu traçar o perfil dos participantes, predominantemente profissionais com formação em engenharia, representando 72% dos respondentes. A atuação em funções de gestão e planejamento foi significativa, com 28% e 22% respectivamente, indicando uma amostra relevante para a temática. Observou-se também que 52% dos participantes possuíam até cinco anos de formação e 61% atuavam em empresas de grande porte, o que confere pertinência aos dados coletados no contexto estudado.

A avaliação da segurança psicológica, utilizando a Escala de Edmondson (1999), revelou uma média geral de 3,54, com um desvio padrão de 1,24. Este valor, interpretado com base na escala de referência, indica que os participantes percebem o ambiente de obras de grande porte como moderadamente seguro psicologicamente. Essa percepção sugere a existência de barreiras que ainda precisam ser superadas para fomentar uma comunicação mais aberta entre as equipes. Em projetos de grande porte, onde diversas equipes operam simultaneamente, a presença dessas barreiras pode comprometer o reporte eficaz de problemas e riscos, impactando negativamente a capacidade de resposta da equipe e aumentando a probabilidade de desvios em prazos, custos e qualidade.

Ao analisar os itens específicos da escala de segurança psicológica, verificou-se que a facilidade de pedir ajuda apresentou a menor média (3,17), acompanhada de uma maior dispersão (1,48). Este dado é particularmente relevante, pois evidencia que, na prática, os colaboradores podem enfrentar obstáculos interpessoais ou culturais ao buscar auxílio de seus colegas. Tal achado aponta para uma área crítica que os gestores de projetos devem priorizar em obras de grande porte, buscando criar um ambiente que minimize o receio de pedir ajuda e promova a colaboração. Em contraste, a afirmação sobre a liberdade para trazer problemas e dúvidas obteve uma média superior (3,92) e menor dispersão (1,05), indicando uma percepção mais positiva quanto à comunicação operacional para questões complexas.

A percepção da relação entre segurança psicológica e gestão de projetos foi avaliada por meio de uma escala complementar, que buscou compreender a influência desse fator em aspectos como comunicação, tomada de decisão, gestão de riscos e desempenho das equipes. A média geral obtida para essa escala foi de 4,48, com um desvio padrão de 0,79, indicando uma alta percepção da importância da segurança psicológica para o sucesso na gestão de projetos. Esse resultado sugere que os participantes reconhecem que ambientes caracterizados por boa comunicação, confiança e segurança psicológica são propícios a práticas colaborativas e ao alcance dos objetivos do projeto.

Contudo, mesmo com a alta percepção da importância, os itens relacionados à comunicação aberta sobre falhas e ao alerta de riscos apresentaram médias ligeiramente menores, com 3,83 e 4,14, respectivamente. Isso indica que, apesar do reconhecimento geral da relevância da segurança psicológica, ainda persistem limitações na comunicação aberta, especialmente no que tange ao reporte de riscos e falhas. Por outro lado, os itens que associam a segurança psicológica à qualidade das entregas, ao cumprimento de metas e marcos, e ao aumento da probabilidade de o projeto atingir seus objetivos de prazo, custo, escopo e qualidade, obtiveram as maiores médias, todas acima de 4,75. Esses resultados demonstram uma forte associação entre a segurança psicológica e os indicadores de sucesso do projeto.

A consistência interna dos itens da escala complementar foi verificada por meio do coeficiente Alfa de Cronbach, que resultou em 0,75. Este valor é considerado aceitável, conferindo confiabilidade à escala utilizada para analisar a relação entre segurança psicológica e gestão de projetos. A aceitabilidade da confiabilidade interna reforça a validade dos achados e a robustez das inferências extraídas a partir dos dados coletados, permitindo uma análise segura sobre a percepção dos profissionais.

A avaliação da satisfação geral dos participantes com o ambiente de trabalho atual, por sua vez, apresentou uma média de 4,03, com desvio padrão de 1,08. Este resultado indica uma percepção moderada-alta de satisfação, sugerindo que, embora o ambiente de trabalho seja visto de forma positiva, ainda existem oportunidades de melhoria para alcançar níveis mais elevados de bem-estar e engajamento dos trabalhadores em obras de grande porte. A promoção de um ambiente psicologicamente seguro, conforme Edmondson (2020), favorece uma zona de aprendizado e alto desempenho, essenciais para o crescimento da equipe e o fortalecimento da liderança.

Ao correlacionar os resultados, observou-se uma diferença significativa entre a percepção do nível de segurança psicológica no ambiente de trabalho (média de 3,54) e a percepção da sua influência no sucesso da gestão de projetos (média de 4,48). Essa lacuna evidencia que, embora os profissionais reconheçam a importância da segurança psicológica para o êxito dos empreendimentos, a aplicação prática desse conceito ainda não está plenamente desenvolvida nos ambientes de obras de grande porte. Tal desalinhamento sugere a necessidade de uma atuação mais estruturada da liderança para fomentar ambientes com maior segurança psicológica, potencializando a comunicação, a gestão de riscos e a eficiência na tomada de decisão, aspectos cruciais para o cumprimento de cronogramas, controle de custos e garantia da qualidade.

A importância da liderança na promoção da segurança psicológica foi corroborada por uma análise cruzada entre o nível ocupacional e a percepção da segurança psicológica. Verificou-se que cargos de gestão, como site/residente e gestor de projetos, apresentaram uma média mais elevada (3,70) na percepção de segurança psicológica, em comparação com cargos mais operacionais, como analista/engenheiro, assistente, técnicos e encarregado, que obtiveram uma média inferior (3,48). Esse achado sugere que a percepção da segurança psicológica pode variar conforme o nível hierárquico e o grau de autonomia no ambiente de trabalho, mesmo que os níveis observados permaneçam moderados em todas as categorias.

Esses dados estão alinhados com a perspectiva de Schein (2022), que enfatiza o papel central da liderança na construção da cultura organizacional. O fortalecimento da segurança psicológica, portanto, deve partir dos gestores, cujos comportamentos e práticas são replicados pelos demais colaboradores. A criação de uma atmosfera de confiança, onde as pessoas se sintam motivadas a compartilhar conhecimentos e a colaborar, é um dos papéis fundamentais do gestor de obras de grande porte, conforme também destacado pelo Project Management Institute (PMI, 2021). Essa dinâmica, que Simon Sinek (2020) descreve como o “círculo de segurança”, favorece a colaboração, o reporte de erros e a proposição de soluções, impactando positivamente a tomada de decisão.

Em síntese, os resultados do estudo indicam que a segurança psicológica é um fator estratégico e não meramente comportamental para o sucesso em obras de grande porte. Embora os profissionais reconheçam sua alta importância para o desempenho da gestão de projetos, a percepção do ambiente de trabalho como moderadamente seguro revela uma lacuna significativa entre o ideal e a prática. A variação da percepção entre diferentes níveis hierárquicos e a necessidade de aprimoramento na comunicação de riscos e falhas reforçam o papel crucial da liderança na criação de um ambiente de confiança e abertura, essencial para a redução de falhas, a melhoria na identificação de riscos e o aumento da eficiência e colaboração entre as equipes.

4. Conclusão

O presente estudo buscou avaliar a percepção de colaboradores, em diferentes níveis hierárquicos, sobre a importância da segurança psicológica em obras de grande porte e sua influência como fator de sucesso nesses empreendimentos, além de identificar áreas com níveis reduzidos de segurança psicológica. Verificou-se que os participantes percebem o ambiente de trabalho como moderadamente seguro psicologicamente, com uma média geral de 3,54. Contudo, atribuiu-se alta importância à segurança psicológica para o desempenho da gestão de projetos, com uma média de 4,48, evidenciando uma lacuna significativa entre a percepção da importância e a aplicação prática desse conceito. Observou-se que a facilidade de pedir ajuda apresentou a menor média na escala de segurança psicológica, indicando uma barreira interpessoal ou cultural. A percepção da segurança psicológica variou conforme o nível hierárquico, sendo mais elevada em cargos de gestão, o que reforça o papel central da liderança na construção de um ambiente de confiança. Esses achados indicam que a segurança psicológica é um elemento estratégico, e não meramente comportamental, para o sucesso em obras de grande porte, impactando positivamente a comunicação, a tomada de decisão, a gestão de riscos e o desempenho da equipe.

A principal contribuição deste estudo reside em propor que a segurança psicológica seja tratada como um fator estratégico na gestão de projetos de grande porte, oferecendo um direcionamento prático para gestores ao evidenciar a necessidade de promover um ambiente de confiança, incentivar a comunicação aberta e estimular o reporte de erros para potencializar a colaboração e a eficiência. A pesquisa, ao integrar o conceito de segurança psicológica ao contexto da gestão de obras de grande porte, amplia a discussão sobre fatores humanos e comportamentais como elementos cruciais para o êxito dos projetos. Como limitações, destaca-se o uso da amostragem por conveniência e o caráter perceptivo da pesquisa, baseada em autoavaliação dos participantes. Sugere-se para estudos futuros a aplicação do formulário em uma obra específica para análise aprofundada, a realização de pesquisas longitudinais com reaplicações do instrumento e a restrição de cargos para ampliar o número de participantes, permitindo uma compreensão mais detalhada da evolução da segurança psicológica ao longo do tempo.

Referências Bibliográficas

Almeida, Ana Júlia Jesus, Vargas, Stella Oliveira, Santucci, Kareem Tathyany Teixeira. 2023. Segurança Psicológica no Ambiente Organizacional. In: Anais do 21º Encontro Científico Cultural Interinstitucional. FAG, Cascavel, PR, Brasil.

Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. 2024. Portaria nº 1.419, de 27 de agosto de 2024. Altera a Norma Regulamentadora nº 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF.

Edmondson, Amy C. 2020. A Organização Sem Medo: Criando Segurança Psicológica no Local de Trabalho para Aprendizado, Inovação e Crescimento / Amy C. Edmondson; traduzido por Thais Cots – Rio de Janeiro: Alta Books, 2020.

Meneses, Bárbara Letícia Almeida. 2025. Nova NR-1 e o Impacto Multinível das Exigências Legais sobre Saúde Mental nas Empresas Brasileiras: Da Conformidade à Cultura de Cuidado. Journal of Convergent Scientific Inquiry (ISSN 3085-8356), 1(1): 34-48.

Project Management Institute (PMI). 2021. Guia PMBOK®: um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 7ed. Project Management Institute: Newtown Square, PA, EUA.

Schein, Edgar H. Organizational Culture and Leadership. 5. ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2022.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade