Artigo

28 de julho de 2026

A Governança Corporativa na Gestão Financeira: o papel da mentalidade de intraempreendedorismo

Denise dos Santos Carvalho; Suzi Bueno de Almeida

DOI: 10.22167/2675-6528-202600717

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão financeira eficiente exige integração de práticas que promovam responsabilidade, transparência e inovação. A Governança Corporativa estabelece princípios éticos e de controle, enquanto o intraempreendedorismo representa a mentalidade de propriedade dos colaboradores sobre os resultados organizacionais. A sinergia entre essas duas práticas potencializa a gestão dos recursos financeiros, reduzindo desperdícios e melhorando decisões estratégicas. O estudo teve como objetivo analisar como a Governança Corporativa, associada à mentalidade de intraempreendedorismo, influenciou a gestão financeira das organizações, a partir da percepção de profissionais da área. A pesquisa caracterizou-se como aplicada, descritiva e com abordagem mista, utilizando Levantamento de Campo (Survey) com questionário estruturado. A amostra não probabilística incluiu 16 profissionais seniores de empresas com governança consolidada. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e os qualitativos por Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram que 93,8% dos respondentes perceberam que a mentalidade intraempreendedora favoreceu o zelo no uso dos recursos financeiros, e 87,5% associaram essa mentalidade à transparência e aos controles internos, indicando forte sinergia. A análise qualitativa identificou cinco categorias temáticas que explicaram os mecanismos dessa integração. Concluiu-se que a integração deliberada entre Governança Corporativa e intraempreendedorismo atuou de forma sinérgica na gestão financeira, contribuindo para ganhos operacionais e para a construção de uma cultura organizacional orientada à responsabilidade.

Palavras-chave: Controles Internos; Cultura Organizacional; Eficiência Operacional; Responsabilidade; Transparência.

1. Introdução

O cenário corporativo atual é marcado por elevada competitividade e crescente demanda por transparência. Neste ambiente dinâmico, a gestão empresarial robusta e eficiente é imperativa para a sustentabilidade das organizações. A Governança Corporativa surge como pilar fundamental, oferecendo práticas e princípios que fortalecem a administração e asseguram a integridade organizacional.

A Governança Corporativa estabelece diretrizes éticas e mecanismos de controle, promovendo o alinhamento de interesses entre acionistas, gestores e demais partes interessadas. Seus princípios incluem transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa (IBGC, 2023), essenciais para uma cultura ética e conformidade. Na gestão financeira, a governança atua como aliada estratégica, conferindo credibilidade pela disponibilização de informações consistentes, cruciais para a tomada de decisões (Santos, 2024).

A literatura demonstra a Governança Corporativa como fator determinante para o desempenho financeiro. Sua adoção aumenta a eficiência e lucratividade, potencializando o retorno aos investidores (Sena & Favarim, 2018). Legislações como a Lei Sarbanes-Oxley estabeleceram padrões rigorosos de transparência (Oliveira, 2022), e estudos empíricos corroboram que empresas com melhores práticas de governança apresentam desempenho financeiro superior (Ribeiro & Souza, 2023). Na área financeira, a Governança Corporativa é proeminente, relacionada à credibilidade da empresa (Silva, 2023), contribuindo para a redução de riscos, fortalecimento da confiança (IBGC, 2023) e mitigação de fraudes (Trindade, 2025).

Nesse cenário, fatores comportamentais complementam as práticas formais de governança. O intraempreendedorismo consolida-se como elemento central para inovação e melhoria do desempenho interno, descrevendo a mentalidade de propriedade dos colaboradores sobre os resultados organizacionais. Termos como empreendedorismo corporativo e interno são utilizados para descrever o ato de empreender dentro dos limites de uma organização existente, visando criação de valor e renovação estratégica (Dornelas, 2023). Impulsionado pela evolução da cultura organizacional, que valoriza autonomia, criatividade e colaboração, o intraempreendedorismo evidencia a ambidestria organizacional, conciliando eficiência operacional com inovação (Sartori, 2025). Atua como agente de mudança, contribuindo para a melhoria contínua dos processos, inclusive na gestão financeira.

A ausência de uma mentalidade de intraempreendedorismo pode acarretar impactos negativos na gestão e governança financeira. Colaboradores que não se percebem como corresponsáveis pelos resultados demonstram menor preocupação com o uso adequado dos recursos, favorecendo desperdícios e reduzindo a eficiência operacional (Lodi, 2000). Essa postura intensifica conflitos de interesse, comprometendo a transparência e a credibilidade. A falta de responsabilidade individual também pode resultar em falhas na prestação de contas e na divulgação de informações financeiras inadequadas (Silveira, 2015), aumentando riscos de perdas e fragilizando controles internos.

A intersecção entre Governança Corporativa e intraempreendedorismo evidencia que uma governança efetiva influencia o potencial intraempreendedor. Pesquisas recentes indicam relação positiva entre estruturas sólidas de governança e aumento da atividade intraempreendedora, resultando em maior inovação e criação de valor sustentável (Chamba, 2025). A governança fornece o arcabouço de regras e procedimentos que orientam escolhas e ações intraempreendedoras, garantindo que a inovação ocorra alinhada aos objetivos estratégicos e financeiros da empresa. A sinergia entre essas práticas potencializa a gestão dos recursos financeiros, reduzindo desperdícios e melhorando as decisões estratégicas.

Diante desse contexto, questiona-se: de que maneira as práticas de Governança Corporativa, associadas à mentalidade de intraempreendedorismo, influenciam a gestão financeira nas organizações? Para responder a esta problemática e aprofundar a compreensão sobre essa sinergia, este estudo tem como objetivo analisar a percepção de profissionais da área financeira sobre como as práticas de Governança Corporativa, associadas à mentalidade de intraempreendedorismo, influenciam a redução de desperdícios, a melhoria dos controles internos, a transparência e a tomada de decisões estratégicas financeiras.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como aplicada, de natureza descritiva e com abordagem metodológica mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos. A abordagem aplicada buscou oferecer soluções práticas para problemas organizacionais, alinhando-se ao propósito de investigar a influência do intraempreendedorismo na gestão financeira (Gil, 2024). O caráter descritivo visou descrever as características de uma população específica e as percepções sobre fenômenos organizacionais, conforme os preceitos de Gil (2024).

O delineamento adotado para o estudo foi o Levantamento de Campo (Survey), que permitiu a interrogação direta de um grupo de indivíduos para a obtenção sistemática de dados sobre seu comportamento e percepções (Marconi e Lakatos, 2024). Essa estratégia foi selecionada para coletar as percepções de profissionais sobre o fenômeno estudado, garantindo um alcance estruturado e abrangente dos participantes.

A amostra da pesquisa foi composta por 16 profissionais seniores da área financeira, atuantes em empresas que possuíam práticas de Governança Corporativa consolidadas. A seleção dos participantes ocorreu por meio de amostragem não probabilística, por conveniência. Os profissionais foram contatados via WhatsApp e indicados por colegas da rede profissional da pesquisadora, priorizando a disponibilidade e disposição para participar (Malhotra, 2019).

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, composto por 10 questões. As três primeiras questões foram destinadas a traçar o perfil demográfico e de classificação dos respondentes, abordando o tempo de atuação na área financeira, o porte da empresa em que atuavam e a existência de práticas de Governança Corporativa na organização.

As sete questões subsequentes foram elaboradas em escala Likert de 5 pontos, variando de “discordo totalmente” (1) a “concordo totalmente” (5). Essas questões abordaram aspectos relacionados ao comportamento intraempreendedor, seu impacto nas decisões financeiras, na eficiência operacional, na redução de desperdícios, na transparência e na cultura organizacional. O questionário foi concebido para ser claro e sem tendenciosidade, facilitando a compreensão e garantindo a validade das respostas (Malhotra, 2019).

A coleta de dados foi realizada por meio da plataforma digital Google Forms, no período de 08 de janeiro a 08 de fevereiro de 2026. A escolha dessa ferramenta se deu pela sua acessibilidade, facilidade de uso para os respondentes e capacidade de gerar relatórios automáticos, o que permitiu o alcance sistemático dos participantes e a tabulação inicial dos dados quantitativos.

Todos os participantes foram devidamente informados sobre os objetivos da pesquisa e manifestaram seu aceite por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que foi incluído na primeira página do questionário eletrônico. O TCLE continha a identificação da pesquisadora, o curso em que estava matriculada, os interesses e objetivos do estudo, e a solicitação explícita de consentimento. O anonimato e a confidencialidade das respostas foram garantidos, com os dados utilizados exclusivamente para fins acadêmicos.

Para o tratamento dos dados, adotou-se uma abordagem mista. Os dados quantitativos, provenientes das questões fechadas e em escala Likert, foram tabulados e analisados por meio de estatística descritiva. Utilizaram-se frequências relativas e absolutas para indicar tendências e níveis de concordância entre os respondentes, permitindo a identificação de padrões nas percepções dos profissionais.

Os dados qualitativos, originados das respostas abertas do questionário, foram analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo, conforme proposto por Bardin (2016). Essa análise foi estruturada em três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. A pré-análise envolveu a leitura flutuante e organização do material coletado, enquanto a exploração do material consistiu na codificação e agrupamento dos dados brutos em unidades de análise, formando categorias temáticas.

A etapa de tratamento dos resultados e interpretação consistiu na análise das categorias identificadas, relacionando-as com os objetivos da pesquisa e a fundamentação teórica. Esse processo permitiu a compreensão dos fenômenos estudados e a identificação de eixos temáticos centrais. A combinação das abordagens qualitativa e quantitativa proporcionou uma compreensão mais abrangente do problema de pesquisa (Creswell, 2021), garantindo o alinhamento entre os objetivos propostos e os métodos adotados.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os resultados e a discussão do estudo, que teve como objetivo analisar a percepção de profissionais da área financeira sobre a influência das práticas de Governança Corporativa, associadas à mentalidade de intraempreendedorismo, na gestão financeira das organizações. Os achados revelaram uma sinergia significativa entre esses dois pilares, impactando positivamente a redução de desperdícios, a melhoria dos controles internos, a transparência e a tomada de decisões estratégicas financeiras. A pesquisa, de abordagem mista, combinou dados quantitativos de um levantamento de campo com a profundidade da análise qualitativa, permitindo uma compreensão robusta dos mecanismos pelos quais essa integração se manifesta na prática corporativa.

Perfil dos Respondentes

O perfil dos respondentes, composto por 16 profissionais da área financeira, demonstrou uma amostra qualificada e experiente. Observou-se que a maior parte dos participantes, especificamente 43,8%, possuía mais de dez anos de atuação no setor financeiro. Ao somar essa parcela aos profissionais com seis a dez anos de experiência, constatou-se que aproximadamente 63% da amostra era formada por indivíduos seniores, o que confere às suas percepções uma base de vivência consolidada e observações de longo prazo sobre as práticas de gestão. Essa característica da amostra é crucial para a relevância dos resultados.

Em relação ao porte das organizações onde os respondentes atuavam, a pesquisa identificou que uma parcela expressiva, 62,5%, estava vinculada a empresas de grande porte, enquanto 31,3% atuavam em empresas de médio porte. Essa concentração em grandes corporações é pertinente ao tema, visto que estruturas organizacionais mais complexas frequentemente demandam sistemas de controle e gestão mais sofisticados. Adicionalmente, 81,3% dos profissionais confirmaram que suas organizações adotavam práticas formais de Governança Corporativa, um dado que reforça a adequação da amostra aos propósitos do estudo e evidencia a disseminação dessas práticas no mercado atual, conforme o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2023).

Percepções Quantitativas sobre Governança e Intraempreendedorismo na Gestão Financeira

A análise quantitativa das questões estruturadas em escala Likert revelou altos índices de concordância quanto aos impactos positivos da associação entre Governança Corporativa e intraempreendedorismo na gestão financeira. Verificou-se que 81,3% dos respondentes concordaram que suas organizações incentivam os colaboradores a assumir responsabilidade pelos resultados financeiros, agindo como “donos do negócio”. Esse achado alinha-se à perspectiva de Dornelas (2023), que descreve o empreendedorismo corporativo como a capacidade de agir com autonomia e responsabilidade dentro dos limites organizacionais, descentralizando a preocupação com os resultados financeiros.

Similarmente, 81,3% dos profissionais concordaram que o comportamento intraempreendedor influencia positivamente as decisões financeiras diárias. Este resultado empírico sugere que a inovação e a proatividade não se restringem apenas ao desenvolvimento de produtos, mas são aplicáveis à gestão de recursos e processos financeiros. Tal constatação corrobora a visão de Sartori (2025), que posiciona o intraempreendedor como um agente de mudança, capaz de contribuir para a melhoria contínua dos processos organizacionais, incluindo aqueles de natureza financeira, promovendo uma gestão mais eficiente e adaptativa.

Um dos maiores índices de concordância, 93,8%, foi observado na percepção de que a mentalidade de intraempreendedorismo favorece um maior zelo no uso dos recursos financeiros. Esse resultado demonstra uma forte conexão entre a responsabilidade individual e a eficiência operacional, indicando que quando os profissionais se sentem “donos”, há um cuidado mais acentuado com os gastos. Lodi (2000) já destacava que a ausência de corresponsabilidade pode levar ao uso inadequado de recursos e à redução da eficiência, enquanto a presença dessa mentalidade promove o cuidado necessário com os ativos da organização.

A associação entre intraempreendedorismo, transparência e controles internos obteve 87,5% de concordância entre os participantes. Os respondentes perceberam que colaboradores com um perfil intraempreendedor tendem a valorizar a clareza nas informações e o rigor nos controles, contrariando a ideia de que a inovação exige a quebra irrestrita de regras. Esse dado corrobora a visão de Trindade (2025), que enfatiza a importância dos controles internos na mitigação de riscos e na garantia da fidedignidade dos relatórios financeiros, legitimando as iniciativas inovadoras perante a alta gestão e fortalecendo a confiança.

No entanto, quando questionados se a mentalidade de intraempreendedorismo está alinhada aos princípios de Governança Corporativa, 62,5% dos profissionais concordaram, um percentual expressivo, mas inferior aos anteriores. Essa percepção sugere que, embora haja reconhecimento da conexão, nem todos os respondentes veem uma clareza total na integração desses dois conceitos. Esse achado alinha-se à proposição de Chamba (2025), que ressalta a necessidade de estruturas sólidas de governança para que o intraempreendedorismo se desenvolva de forma alinhada aos objetivos organizacionais, indicando que em algumas empresas, o intraempreendedorismo pode ser percebido como um conceito isolado.

Por fim, 75,0% dos profissionais indicaram que a Governança Corporativa contribui de maneira expressiva para a tomada de decisões financeiras mais assertivas e para a redução de desperdícios. A governança, nesse contexto, atua como um direcionador que canaliza a energia intraempreendedora para resultados sustentáveis e alinhados à estratégia da empresa. Este achado confirma os estudos de Ribeiro e Souza (2023), que evidenciam o impacto positivo de estruturas sólidas de governança na rentabilidade e eficiência organizacional, e alinha-se à proposição de Santos (2024), que descreve a governança como aliada na gestão das finanças.

Análise Qualitativa das Categorias Temáticas

A análise qualitativa, realizada por meio da técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (2016), aprofundou a compreensão dos mecanismos pelos quais a sinergia entre Governança Corporativa e intraempreendedorismo influencia a gestão financeira. Foram identificadas cinco categorias temáticas centrais a partir das 45 unidades de análise geradas pelas respostas abertas. A primeira categoria, “Responsabilidade Financeira e Comportamento Intraempreendedor”, revelou que a percepção de “ser dono” do negócio motivou os profissionais a buscarem maior eficiência na alocação de recursos, sendo a governança o arcabouço que forneceu a segurança necessária para essa atuação, corroborando Dornelas (2023) sobre a autonomia dentro dos limites organizacionais.

A segunda categoria, “Redução de Desperdícios e Eficiência Operacional”, destacou que a mentalidade intraempreendedora impulsionou a revisão constante de processos e a otimização de custos, sempre normatizadas pelas regras de governança. Este foi o benefício prático mais tangível identificado, demonstrando que a inovação em processos financeiros resultou em redução direta de custos operacionais. Tal achado confirma a percepção de que a mentalidade intraempreendedora gera eficiência operacional mensurável e alinha-se a Lodi (2000), que aponta a ausência de corresponsabilidade como fator de desperdício, risco mitigado pela governança.

A terceira categoria, “Transparência e Controles Internos”, evidenciou uma simbiose entre inovação e controle. Os participantes enfatizaram que o intraempreendedorismo financeiro só prospera quando apoiado por controles internos sólidos, desmistificando a ideia de que inovação e controle são forças opostas. A governança garantiu a transparência, conferindo credibilidade às inovações financeiras propostas pelos colaboradores. Essa perspectiva alinha-se a Oliveira (2022) e Santos (2024), que destacam como controles rigorosos protegem a organização e subsidiam decisões inovadoras, garantindo a fidedignidade dos relatórios financeiros e a confiança.

A quarta categoria, “Impacto na Tomada de Decisão Estratégica”, revelou que a combinação de autonomia com direcionamento claro, proporcionada pela governança, resultou em decisões mais ágeis. A governança reduziu a insegurança, encorajando posturas proativas e a inovação responsável por parte dos colaboradores. Esse achado sustenta a proposição de Chamba (2025), que indica que estruturas sólidas de governança aumentam a atividade intraempreendedora e a criação de valor, ao fornecer um ambiente seguro e estruturado para que a proatividade se manifeste de forma alinhada aos objetivos estratégicos da organização.

Por fim, a quinta categoria, “Cultura Organizacional e Mentalidade de Dono”, demonstrou que a resistência à mudança foi a principal barreira para a implementação da mentalidade intraempreendedora. A consolidação dessas práticas exigiu tempo, treinamento e, crucialmente, o comprometimento contínuo da alta liderança. Esse aspecto reforça a visão de Sartori (2025) sobre a ambidestria organizacional, que concilia eficiência operacional com inovação, e a necessidade de uma evolução profunda da cultura corporativa para que a mentalidade de dono se estabeleça de forma sustentável nas organizações, superando desafios comportamentais e promovendo um ambiente de inovação responsável.

A análise integrada dos resultados quantitativos e qualitativos permite concluir que a Governança Corporativa e o intraempreendedorismo não são conceitos excludentes, mas atuam de forma complementar e sinérgica na gestão financeira. A governança estabelece as regras, a transparência e os limites de atuação, conforme preconizado pelo IBGC (2023), enquanto o intraempreendedorismo fornece a agilidade, a inovação em processos e o senso de responsabilidade individual, como apontado por Dornelas (2023). A interseção entre essas práticas é o que possibilita a redução efetiva de desperdícios e a tomada de decisões financeiras mais assertivas e seguras.

A pesquisa demonstrou que a governança corporativa fornece o respaldo normativo e ético necessário para que a responsabilidade financeira seja exercida de forma alinhada aos objetivos estratégicos. Sem esse arcabouço, a iniciativa intraempreendedora poderia se desviar para ações isoladas e desalinhadas. A atuação da liderança mostrou-se fundamental para incentivar o comportamento intraempreendedor, promover o alinhamento entre interesses individuais e organizacionais, e criar ambientes psicologicamente seguros onde a inovação responsável pode florescer, consolidando uma cultura organizacional orientada à responsabilidade e ao comprometimento.

Como ponto positivo do estudo, destaca-se a adequação da abordagem mista, que permitiu não apenas quantificar a percepção dos profissionais por meio da escala Likert, mas também compreender os significados e mecanismos práticos por trás desses números via Análise de Conteúdo. A qualificação da amostra, composta majoritariamente por profissionais seniores atuantes em grandes empresas com governança já estabelecida, conferiu alta relevância, confiabilidade e aplicabilidade prática aos achados discutidos, oferecendo insights valiosos sobre a dinâmica entre governança e intraempreendedorismo em contextos corporativos estruturados.

Contudo, é fundamental considerar as limitações metodológicas do estudo. O tamanho reduzido da amostra, com apenas 16 respondentes, e a utilização de amostragem não probabilística, impedem a generalização estatística dos achados para todo o universo de profissionais da área financeira no Brasil. Os resultados refletem a realidade específica do grupo pesquisado e não podem ser estendidos a outros contextos ou setores econômicos sem cautela. Além disso, a pesquisa baseou-se exclusivamente em percepções autorrelatadas por meio de questionário, o que pode introduzir certo grau de subjetividade e viés do respondente, com tendência a avaliações positivas de suas próprias práticas.

A implementação efetiva da mentalidade intraempreendedora ainda enfrenta desafios significativos, especialmente no que se refere à resistência à mudança e à necessidade de maior engajamento e comprometimento dos colaboradores. Embora os benefícios sejam amplamente reconhecidos pelos profissionais da área financeira, sua consolidação depende de ações estruturadas e deliberadas por parte das organizações, focadas na cultura organizacional, na gestão de pessoas e no desenvolvimento de competências comportamentais. Isso ressalta que a transformação cultural é um processo contínuo que exige investimento e apoio da alta gestão para ser sustentável.

Em síntese, os resultados obtidos confirmaram que a Governança Corporativa, quando associada a uma mentalidade de intraempreendedorismo, influencia de forma sinérgica a gestão financeira das organizações. Essa integração contribui para a redução de desperdícios, aprimora os controles internos, aumenta a transparência e qualifica a tomada de decisões estratégicas financeiras. A percepção dos profissionais da área financeira evidencia que a mentalidade de “agir como dono” é um catalisador para a responsabilidade e a eficiência, enquanto a governança fornece o arcabouço necessário para que essa proatividade se desenvolva de maneira ética e alinhada aos objetivos organizacionais, promovendo ganhos operacionais e uma cultura de responsabilidade.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar a percepção de profissionais da área financeira sobre como as práticas de Governança Corporativa, associadas à mentalidade de intraempreendedorismo, influenciam a gestão financeira das organizações, abrangendo a redução de desperdícios, a melhoria dos controles internos, a transparência e a tomada de decisões estratégicas. Verificou-se que a mentalidade intraempreendedora favoreceu significativamente o zelo no uso dos recursos financeiros, com 93,8% dos respondentes percebendo essa conexão, e 87,5% associaram-na à transparência e aos controles internos. A análise qualitativa aprofundou essa compreensão, revelando que a percepção de “ser dono” impulsionou a eficiência na alocação de recursos, a revisão contínua de processos para otimização de custos e uma simbiose entre inovação e controle, e a governança forneceu o arcabouço de segurança e transparência. A combinação de autonomia com direcionamento claro resultou em decisões mais ágeis, consolidando uma cultura organizacional orientada à responsabilidade. A principal contribuição deste trabalho reside em reforçar a importância estratégica da integração deliberada entre Governança Corporativa e intraempreendedorismo, demonstrando que essa sinergia não apenas aprimora os resultados financeiros e a eficiência operacional, mas também fortalece a sustentabilidade, a inovação e a competitividade das organizações no longo prazo, ao promover ganhos operacionais e uma cultura de responsabilidade.

Contudo, é fundamental reconhecer as limitações metodológicas do estudo, que se baseou em uma amostra reduzida de dezesseis respondentes e em amostragem não probabilística, o que impede a generalização estatística dos achados para o universo mais amplo de profissionais da área financeira. Os resultados, portanto, refletem a realidade específica do grupo pesquisado e são baseados em percepções autorrelatadas, o que pode introduzir subjetividade e viés. Para estudos futuros, recomenda-se ampliar a amostra, englobando diferentes setores da economia de forma estratificada, e incorporar métricas financeiras objetivas, como indicadores de rentabilidade, liquidez e eficiência operacional extraídos de demonstrações contábeis, a fim de aprofundar a compreensão do impacto financeiro quantitativo real da sinergia entre governança corporativa e intraempreendedorismo.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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