Artigo

23 de julho de 2026

A análise fundamentalista da empresa Lojas Renner S.A., cotada na B3, nos anos de 2021 a 2025

Caroline Schaffer Ehlers; Ricardo de Souza

DOI: 10.22167/2675-6528-202600652

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A globalização intensificou a integração dos mercados e a competitividade, exigindo das empresas não apenas eficiência operacional, mas também capacidade de geração de valor. O estudo teve como objetivo realizar a análise fundamentalista da Lojas Renner S.A., empresa de varejo de moda no Brasil, nos anos de 2021 a 2025. Para tanto, utilizou dados publicados pela companhia e análise comparativa com Guararapes Confecções S.A. e C&A Modas S.A., empresas do mesmo segmento. Foram calculados indicadores de rentabilidade, liquidez e endividamento a partir de demonstrações financeiras públicas. Os resultados evidenciaram que a Lojas Renner S.A. apresentou, no período analisado, desempenho econômico-financeiro consistente, com evolução favorável dos principais indicadores e manutenção de níveis adequados de liquidez. A empresa sinalizou capacidade de geração operacional de resultados, via EBITDA, compatível com a dinâmica do setor, demonstrando maior previsibilidade e robustez frente aos pares. Concluiu-se que a análise fundamentalista foi essencial para compreender a qualidade econômica e a saúde financeira da Lojas Renner S.A., destacando sua eficiência operacional, capacidade de honrar obrigações e estrutura de capital conservadora. O trabalho contribuiu academicamente ao aplicar a temática em um contexto real do varejo de moda e socialmente ao fornecer dados para tomada de decisões.

Palavras-chave: Criação de valor; Endividamento; Indicadores; Liquidez; Rentabilidade.

1. Introdução

A globalização, ao intensificar a integração dos mercados, redefiniu o cenário competitivo para as empresas em escala mundial. Nesse ambiente, a mera eficiência operacional não é mais suficiente; as organizações precisam demonstrar uma robusta capacidade de geração de valor para se manterem competitivas. Conforme Assaf Neto (2014), torna-se imperativo que as empresas adotem práticas financeiras cada vez mais eficazes, não apenas para competir em cenários globais, mas também para aprimorar seu gerenciamento de riscos e, fundamentalmente, maximizar o valor para seus acionistas.

A criação de valor, um conceito central nas finanças, ocorre quando o retorno obtido a partir do capital investido pelos acionistas supera o custo de oportunidade, ou seja, o retorno da melhor alternativa de investimento disponível no mercado, conforme elucidado por Assaf e Lima (2019). As técnicas financeiras, nesse contexto, são ferramentas essenciais que permitem mensurar essa geração de valor. Sua aplicação constitui um suporte relevante para análises e planejamentos estratégicos, auxiliando as companhias a alcançarem seus objetivos e a embasarem as decisões de investidores e demais partes interessadas.

A efetividade organizacional, portanto, transcende a simples busca por lucro e rentabilidade, orientando-se prioritariamente para a maximização da riqueza dos acionistas, o que representa um dos maiores desafios empresariais, segundo Assaf Neto (2017). A administração financeira, conforme Assaf e Lima (2019), concentra-se no planejamento e controle financeiro, além da gestão estratégica de ativos e passivos. Essas funções são cruciais para guiar a organização nas principais decisões financeiras, que englobam tanto o investimento, relacionado à aplicação de recursos, quanto o financiamento, que diz respeito à captação desses recursos.

Nesse panorama, a análise fundamentalista emerge como uma ferramenta vital de análise e planejamento para a gestão empresarial. Segundo Graham (2016), essa abordagem avalia como as informações disponíveis sobre uma empresa influenciam a estimativa de sua performance futura. Tal avaliação é indispensável para uma compreensão aprofundada do negócio e para a orientação de decisões estratégicas, tanto internas quanto externas. O papel do gestor, nesse contexto, é fundamental para assegurar não apenas o desempenho operacional, mas também a aderência das práticas financeiras às dinâmicas e exigências do mercado.

O setor de varejo de moda, em particular, ilustra a relevância dessas práticas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2026), por meio da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), destacou que o segmento de tecidos, vestuários e calçados registrou um crescimento de 4,9% em 2025. Esse dado sublinha a importância do planejamento e controle financeiro para as empresas atuantes nesse ramo, que operam em um ambiente dinâmico e altamente competitivo, onde a capacidade de adaptação e a solidez financeira são determinantes para o sucesso.

Diante da necessidade de compreender a saúde econômico-financeira de empresas inseridas nesse contexto, este trabalho se justifica pela aplicação da análise fundamentalista à Lojas Renner S.A., uma multinacional brasileira líder no varejo de moda no Brasil e em outros países da América Latina. A companhia, listada na B3 como sociedade anônima de capital aberto, encerrou 2025 com uma receita líquida consolidada de aproximadamente 14 bilhões de reais e um total de 717 lojas em operação, consolidando sua posição de referência no segmento (Lojas Renner S.A., 2026). Assim, este estudo visa realizar a análise fundamentalista da Lojas Renner S.A., empresa de varejo de moda no Brasil, nos anos de 2021 a 2025.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza qualitativa e quantitativa, ao investigar os dados financeiros de uma multinacional brasileira do varejo de moda por meio de indicadores financeiros e informações de mercado. O objetivo central foi realizar a análise fundamentalista da Lojas Renner S.A., uma empresa líder no segmento, abrangendo o período de 2021 a 2025, conforme alinhado com o propósito do trabalho.

Para a análise comparativa de mercado, foram selecionadas duas empresas do mesmo segmento: Guararapes Confecções S.A. e C&A Modas S.A. A escolha dessas companhias baseou-se em critérios de porte e atuação geográfica compatíveis com a Lojas Renner S.A., além da disponibilidade de demonstrações contábeis públicas para o período de 2021 a 2025, incluindo receita líquida anual e número de lojas.

Os dados financeiros utilizados para a Lojas Renner S.A. e as empresas comparáveis foram as demonstrações contábeis dos últimos cinco anos, de 2021 a 2025. Essas informações, expressas em milhares de reais, foram obtidas de fontes públicas, especificamente da Central de Resultados disponível nos sites de Relação de Investidores (RI) das respectivas companhias. O tratamento e a organização dos dados foram realizados utilizando-se o software Microsoft Excel.

A análise das demonstrações contábeis foi conduzida com o propósito de avaliar a empresa sob os aspectos econômico-financeiros, conforme a abordagem de Pinheiro (2014), buscando compreender seu valor e posicionamento no mercado. Para tanto, foram calculados e analisados indicadores financeiros de rentabilidade, liquidez, endividamento e desempenho, considerados relevantes para a avaliação fundamentalista.

No que se refere aos indicadores de rentabilidade, que, segundo Assaf Neto (2014), mensuram a capacidade da companhia, foram calculados o Retorno sobre o Ativo (ROA), o Retorno sobre o Investimento (ROI) e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE). O ROA foi determinado pela divisão do lucro operacional gerado pelos ativos pelo ativo total médio (Assaf, 2014).

O ROI, por sua vez, foi calculado dividindo-se o lucro operacional gerado pelos ativos pelo investimento médio (Assaf Neto, 2014). O investimento, neste contexto, corresponde ao ativo total subtraído dos passivos de funcionamento não onerosos. Já o ROE foi obtido pela divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido médio (Assaf, 2014), mensurando o retorno para os acionistas.

Os indicadores de liquidez, conforme Kobori (2011), foram empregados para demonstrar a capacidade da empresa de honrar seus compromissos de curto prazo. Foram calculados a liquidez corrente e a liquidez seca. A liquidez corrente foi determinada pela divisão do ativo circulante pelo passivo circulante (Kobori, 2011), indicando a disponibilidade de recursos de curto prazo para cada unidade de dívida.

A liquidez seca foi calculada subtraindo-se os estoques do ativo circulante e dividindo-se o resultado pelo passivo circulante (Kobori, 2011). Este indicador visa apresentar a capacidade da empresa de liquidar suas obrigações de curto prazo sem depender da conversão de estoques em caixa, fornecendo uma visão mais conservadora da liquidez.

Para avaliar o endividamento, foram utilizados indicadores que mostram a composição das fontes de financiamento da empresa, conforme Assaf e Lima (2019). A Relação Capital de Terceiros/Capital Próprio foi calculada dividindo-se o exigível total (passivo circulante mais exigível a longo prazo) pelo patrimônio líquido (Assaf e Lima, 2019).

Adicionalmente, a Relação de Capital de Terceiros/Ativo Total foi calculada dividindo-se o exigível total pelo ativo total (Assaf e Lima, 2019), indicando a proporção do ativo total da empresa que é financiada por recursos de terceiros. Essas métricas permitiram avaliar o grau de comprometimento financeiro da companhia a longo prazo.

O Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization (EBITDA) foi verificado como uma métrica de desempenho operacional, correspondendo à receita operacional de vendas deduzidos os custos e despesas operacionais, sem considerar despesas não caixa (Assaf e Lima, 2019). Foram calculados a alavancagem financeira e a margem EBITDA.

A alavancagem financeira foi mensurada pela divisão da dívida líquida (dívida onerosa menos caixa e equivalentes) pelo EBITDA. A margem EBITDA, que avalia a eficiência operacional, foi calculada dividindo-se o EBITDA pela receita líquida. Esses indicadores foram utilizados para analisar a capacidade de geração operacional de resultados e a estrutura de capital das empresas no período estudado.

3. Resultados e Discussão

A análise fundamentalista da Lojas Renner S.A. no período de 2021 a 2025 foi desenvolvida em um contexto macroeconômico brasileiro marcado por oscilações significativas. Em 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou uma recuperação pós-pandemia, superando 4% em relação ao ano anterior. Contudo, nos anos seguintes, de 2022 a 2024, observou-se uma desaceleração no crescimento, caracterizando um ritmo moderado. Em 2025, a variação do PIB continuou a apontar para uma desaceleração, atingindo 2,3, o que reflete a persistência de desafios econômicos e a necessidade de adaptação das empresas a um cenário de menor expansão (IBGE, 2026).

Paralelamente, a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentou um aumento expressivo de 10,06% em 2021, indicando um desequilíbrio macroeconômico e a consequente perda do poder de compra da população. Nos anos de 2022 e 2023, houve uma diminuição gradual do IPCA, refletindo esforços de estabilização. No entanto, 2023 foi um ano de transição governamental, o que introduziu mudanças na política econômica. Em 2024, verificou-se um novo e moderado aumento da inflação, com uma ligeira queda para 4,26% em 2025. Esses movimentos influenciaram diretamente o custo de vida e as decisões de política monetária, impactando a renda real das famílias (IBGE, 2026).

O mercado de trabalho brasileiro, por sua vez, demonstrou uma evolução positiva entre 2021 e 2025. A taxa de desocupação, conforme a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, reduziu de 13,22% em 2021 para 5,87% em 2025. Essa recuperação do emprego, após os impactos da pandemia, esteve associada à retomada econômica e contribuiu para um ambiente de maior consumo. Diante desse quadro macroeconômico, com oscilações no crescimento e na inflação, mas com melhora no emprego, a gestão orientada por indicadores torna-se crucial para a eficiência operacional e a competitividade das empresas, como a Lojas Renner S.A. (IBGE, 2026).

A Lojas Renner S.A. demonstrou uma trajetória de crescimento consistente em suas receitas líquidas ao longo do período analisado. O ano de 2021 ainda refletiu os impactos residuais da pandemia, mas em 2022 houve uma expansão expressiva das receitas, impulsionada pela demanda reprimida e pela normalização das operações. Em 2023, o crescimento desacelerou devido ao ambiente macroeconômico e à transição de governo. Contudo, em 2024, a empresa voltou a registrar aumento nas receitas, atribuído à sua disciplina estratégica e eficiência operacional. Em 2025, essas estratégias se consolidaram, permitindo à empresa alcançar níveis superiores de faturamento, sinalizando um novo ciclo de expansão (Lojas Renner S.A., 2026).

Em comparação, as empresas Guararapes Confecções S.A. e C&A Modas S.A. apresentaram comportamentos semelhantes na evolução de suas receitas líquidas. Ambas também registraram crescimento consistente no período, com uma desaceleração em 2023, igualmente associada ao ambiente macroeconômico em processo de estabilização. A partir de 2024, houve uma retomada da elevação das receitas, e em 2025, essas empresas também alcançaram os maiores níveis de faturamento do período analisado, refletindo a dinâmica geral do setor de varejo de moda.

O lucro operacional da Lojas Renner S.A. aumentou de 0,8 bilhão de reais em 2021 para 1,4 bilhão de reais em 2022. Em 2023, houve uma retração, impactada pelo acréscimo das despesas operacionais e das provisões para perdas de crédito, em função do cenário macroeconômico. No entanto, em 2024, verificou-se a recuperação do lucro operacional, decorrente da disciplina na execução das despesas, e o desempenho positivo foi mantido em 2025 (Lojas Renner S.A., 2026). Essa resiliência demonstra a capacidade da empresa de ajustar suas operações e custos em face de desafios externos.

A Guararapes Confecções S.A. acompanhou o padrão da Lojas Renner S.A. no lucro operacional, com aumento entre 2021 e 2022, recuo em 2023 devido ao aumento das provisões para perdas de crédito, e retomada a partir de 2024, impulsionada pelo maior faturamento e redução de custos. Em contrapartida, a C&A Modas S.A. demonstrou um processo de alavancagem operacional consistente, inclusive em 2023, decorrente do crescimento da margem bruta e do melhor controle das despesas operacionais. Essa distinção ressalta diferentes abordagens na gestão de custos e na resposta às pressões do mercado entre as companhias.

O lucro líquido da Lojas Renner S.A. foi contido em 2021, mas mais que dobrou em 2022. Em 2023, houve uma diminuição, seguida de uma retomada em 2024, atingindo um novo recorde próximo de 1,5 bilhão de reais em 2025. Esse desempenho no último ano reflete a normalização das despesas operacionais e sinaliza o início de um ciclo estrutural de alavancagem operacional com ganhos de eficiência (Lojas Renner S.A., 2026). A capacidade de recuperação e o crescimento do lucro líquido são indicativos da solidez e da gestão eficaz da empresa.

Em contraste, o lucro líquido da Guararapes Confecções S.A. foi reduzido em 2021 e registrou prejuízos em 2022 e 2023, atribuídos principalmente ao aumento das provisões para créditos de liquidação duvidosa. Em 2024, a empresa reverteu esse quadro, retornando à lucratividade, e em 2025, apurou seu maior lucro líquido do período, influenciado por um evento não recorrente de alienação de ativos. A C&A Modas S.A. também acompanhou a evolução operacional do lucro líquido, mas com maior sensibilidade às despesas financeiras, reportando prejuízo em 2023 e recuperando-se a partir de 2024, com seu maior lucro líquido em 2025, totalizando 470,7 milhões de reais, associado à rentabilidade operacional e à redução do custo da dívida.

A análise do EBITDA revelou que a Lojas Renner S.A. apresentou uma aceleração pontual em 2022, seguida de queda em 2023, retomada em 2024 e desaceleração em 2025. Essa dinâmica reflete a capacidade da empresa de gerar resultados operacionais, influenciada por vendas e gestão de custos. A queda em 2023 foi atribuída ao aumento das despesas operacionais sobre a receita, principalmente perdas de crédito. Para Guararapes Confecções S.A. e C&A Modas S.A., a variação do EBITDA em 2022 foi menor devido ao crescimento atípico de 2021, impulsionado pela recuperação pós-pandemia, e a queda em 2023 também se relacionou ao cenário macroeconômico desafiador e ao aumento das perdas de crédito.

Em 2024, as três empresas registraram crescimento na variação do EBITDA, principalmente devido ao aumento das vendas e à diluição das despesas operacionais, além de um cenário mais estável nas perdas de crédito. Para 2025, Lojas Renner S.A. e C&A Modas S.A. desaceleraram a variação do EBITDA em relação a 2024, pois este foi um ano de intensa recuperação, elevando a base de comparação. A Guararapes Confecções S.A., contudo, acelerou fortemente o crescimento do EBITDA em 2025, impulsionado por ganhos operacionais e eventos não recorrentes, como a alienação de ativos, o que exige cautela na comparação (Guararapes Confecções S.A., 2026).

Ao analisar a margem EBITDA, a Lojas Renner S.A. manteve níveis estáveis ao longo do período, com uma média de 16,91% e baixa volatilidade, sugerindo maior previsibilidade operacional. A C&A Modas S.A. demonstrou uma evolução mais consistente, avançando de 12,56% em 2021 para 21,69% em 2025, indicando ganhos sustentáveis de eficiência e possível alavancagem operacional. Já a Guararapes Confecções S.A. registrou um pico em 2025 de 29,86%, elevando a média do período para 16,32%. No entanto, esse pico foi influenciado por um ganho associado a um evento não recorrente, a alienação de ativos (Guararapes Confecções S.A., 2026).

Após o ajuste do EBITDA da Guararapes Confecções S.A. para 2025, excluindo o efeito do evento não recorrente, a margem dessa empresa foi significativamente reduzida, tornando seu desempenho mais consistente com o histórico e com os pares, cuja média entre 2021 e 2024 foi de aproximadamente 12,93%. Esse ajuste é crucial para evitar conclusões inadequadas sobre a liderança operacional baseada apenas na margem divulgada de 2025. No cenário ajustado, as três companhias exibiram margens médias semelhantes, com a C&A Modas S.A. destacando-se pela trajetória de melhora e a Lojas Renner S.A. pela maior estabilidade.

No que se refere à alavancagem financeira, medida pela relação Dívida Líquida/EBITDA, a Lojas Renner S.A. manteve o indicador consistente e inferior a 1,0x ao longo de todo o período analisado, evidenciando uma estrutura de capital mais conservadora. A Guararapes Confecções S.A. apresentou o maior grau de alavancagem em todos os anos, atingindo o pico em 2022 com 2,71x, e, a partir de então, registrou desalavancagem contínua até 2025 com 0,71x, sinalizando redução relevante do risco financeiro, embora permanecendo acima das demais. A C&A Modas S.A. exibiu queda progressiva e consistente, partindo de 3,29x em 2021 para 0,98x em 2025, aproximando-se de um nível inferior a 1,0x ao final do período.

Em resumo, a Lojas Renner S.A. destacou-se pela baixa alavancagem e estabilidade, enquanto a Guararapes Confecções S.A. demonstrou uma redução mais expressiva após o pico. A C&A Modas S.A. seguiu uma trajetória contínua de desalavancagem, caminhando para um perfil mais equilibrado em 2025. Esses resultados indicam que a Lojas Renner S.A. adota uma gestão financeira mais prudente, com menor dependência de capital de terceiros, o que, conforme Assaf e Lima (2019), contribui para a solidez e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Com relação aos indicadores de rentabilidade, o Retorno sobre o Ativo (ROA) da Lojas Renner S.A. apresentou uma tendência de aumento, demonstrando eficiência na utilização de seus ativos para geração de lucro, com exceção de 2023. Em 2021, o ROA foi de 4,52%, alcançando 8,99% em 2025. A Guararapes Confecções S.A. registrou volatilidade no ROA entre 2021 e 2024, com um crescimento abrupto de 16,67% em 2025. A C&A Modas S.A. manteve uma evolução contínua no ROA, mostrando melhoria operacional consistente, partindo de 1,16% em 2021 e atingindo 10,78% em 2025, embora seus indicadores fossem inferiores aos da Lojas Renner S.A., com exceção do ano de 2025.

A evolução do ROA nas três empresas esteve mais relacionada ao desempenho operacional do período do que a mudanças relevantes na base de ativos, que permaneceu relativamente estável. A Lojas Renner S.A. demonstrou uma trajetória estável, contribuindo para maior previsibilidade de seus retornos sobre ativos. O Retorno sobre o Investimento (ROI) da Lojas Renner S.A. apresentou valores moderados e relativamente estáveis, oscilando entre 6,13% e 16,58%, com queda em 2023 e recuperação até 2025. A Guararapes Confecções S.A. demonstrou variações, iniciando em 4,65% em 2021 e atingindo 30,79% em 2025. A C&A Modas S.A. manteve níveis constantes de crescimento, partindo de 2,12% em 2021 e alcançando 22,38% em 2025.

As médias aritméticas do ROI para o período de 2021 a 2025 foram de 10,43% para a Lojas Renner S.A., 10,91% para a Guararapes Confecções S.A. e 11,02% para a C&A Modas S.A. A proximidade entre essas médias evidencia níveis similares de desempenho entre empresas do mesmo setor, no que tange à eficiência do investimento. Observou-se um aumento gradual do ROI médio das três companhias, de 4,30% em 2021 para 23,25% em 2025, sugerindo um fortalecimento do ROI médio das empresas, em linha com a melhora do desempenho operacional do setor e a evolução favorável do ambiente macroeconômico.

Quanto ao Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), as três empresas apresentaram trajetórias distintas. A Lojas Renner S.A. evidenciou crescimento consistente e baixa volatilidade, passando de 6,68% em 2021 para 13,73% em 2025. A Guararapes Confecções S.A. registrou grandes alterações, com retrações em 2022 e 2023, e recuperação em 2025, alcançando 27,69%. A C&A Modas S.A. mostrou retomada moderada e maior volatilidade, com retornos negativos em 2022 e 2023, encerrando 2025 em 16,74%. A variação do ROE esteve diretamente relacionada ao lucro líquido apurado em cada exercício, uma vez que os patrimônios líquidos médios permaneceram constantes.

A evolução do ROE da Lojas Renner S.A. a posiciona como a opção com menor risco relativo e maior previsibilidade entre as três empresas avaliadas. Seus resultados indicam que a companhia proporciona retornos mais estáveis aos acionistas, provavelmente em decorrência de uma base de capital mais elevada. Essa estabilidade é um fator importante para investidores que buscam segurança e consistência nos retornos, conforme a perspectiva de Assaf Neto (2017) sobre a maximização da riqueza dos acionistas.

Na análise dos indicadores de liquidez, a liquidez corrente da Lojas Renner S.A. manteve-se superior a 1 em todo o período, demonstrando um perfil estável e conservador, com razões entre 1,76 em 2021 e 1,69 em 2025, atingindo o pico de 1,86 em 2022. Isso indica disponibilidade de ativos circulantes para honrar obrigações de curto prazo. A redução de 2022 para 2023 decorreu da diminuição do ativo circulante e aumento do passivo circulante, especialmente empréstimos e financiamentos. A melhora de 2024 para 2025 foi explicada pela redução expressiva do passivo circulante, decorrente da reestruturação de obrigações financeiras de curto prazo.

A Lojas Renner S.A. apresentou os níveis mais elevados de liquidez corrente em comparação com a Guararapes Confecções S.A. e a C&A Modas S.A., embora estas também tenham registrado liquidez corrente positiva. A Guararapes Confecções S.A. mostrou melhora progressiva até 2023 (de 1,45 em 2021 para 1,66 em 2023), seguida de retração em 2024 (1,48) e recuperação moderada em 2025 (1,56). A C&A Modas S.A. evidenciou maior volatilidade na liquidez corrente, partindo de 1,63 em 2021 e encerrando 2025 em 1,46, devido a variações no ativo e passivo circulante.

A liquidez seca da Lojas Renner S.A. permaneceu acima de 1 entre 2021 e 2025, indicando que suas disponibilidades e contas a receber são suficientes para liquidar dívidas vencíveis sem depender da venda de estoques. O indicador iniciou em 1,56 em 2021, alcançou o pico de 1,60 em 2022 e, após recuo em 2023 e 2024, encerrou 2025 em 1,42. Esse movimento reflete alterações na base explicativa da liquidez corrente, pois os estoques quase não apresentaram variações. Esse comportamento sinaliza uma capacidade estável de honrar passivos circulantes sem dependência excessiva de estoques ou necessidade de captações emergenciais, conforme Kobori (2011).

Em termos comparativos, a Lojas Renner S.A. apresentou os maiores índices de liquidez seca, indicando maior folga de liquidez em relação às empresas Guararapes Confecções S.A. e C&A Modas S.A. A C&A Modas S.A. manteve os resultados mais baixos, recuando de 1,28 em 2021 para 1,09 em 2025. A Guararapes Confecções S.A. apresentou comportamento cíclico de melhoria até 2023 (de 1,24 para 1,42) e, em 2024, manteve o indicador estável, com recuperação parcial em 2025, atingindo 1,31. Para ambas, os estoques não foram a causa principal das oscilações, pois suas variações foram relativamente moderadas.

No que tange aos indicadores de endividamento, a relação de capital de terceiros sobre o capital próprio da Lojas Renner S.A. mostrou uma redução consistente, diminuindo de 1,18 em 2021 para 0,88 em 2025. Isso indica que seu patrimônio líquido já supera suas obrigações, sinalizando menor dependência de recursos de terceiros. A relação de capital de terceiros sobre o ativo total também apresentou queda, partindo de 0,54 em 2021 para 0,47 em 2025, indicando menor participação de recursos de terceiros na estrutura de ativos da empresa. Em conjunto, esses indicadores apontam fortalecimento da estrutura de capital da Lojas Renner S.A., com menor exposição ao risco financeiro (Assaf e Lima, 2019).

A C&A Modas S.A., embora também tenha registrado tendência de redução nos indicadores de endividamento, manteve índices superiores aos da Lojas Renner S.A., evidenciando maior dependência de financiamento externo. Para a Guararapes Confecções S.A., o indicador de endividamento de relação de capital de terceiros e próprio apresentou oscilações, mas a relação de terceiros e ativos totais permaneceu estável, demonstrando que a empresa possui dívidas superiores ao seu patrimônio. Essas diferenças na estrutura de capital refletem distintas estratégias de financiamento e perfis de risco entre as companhias do setor.

Com relação à dívida líquida, as três empresas atingiram seu maior nível em 2022, embora com trajetórias distintas. A Lojas Renner S.A. partiu de uma dívida líquida reduzida em 2021 de 180.636 mil reais, apresentou grande aumento em 2022 para 1.811.803 mil reais e, após uma queda relevante em 2024 para 805.604 mil reais, voltou a crescer em 2025 para 982.555 mil reais. O aumento em 2022 decorreu da redução do caixa e equivalentes, resultante de amortizações de empréstimos e debêntures, além do pagamento de juros sobre capital próprio e dividendos. A queda em 2024 associou-se ao aumento das disponibilidades, e o novo aumento em 2025 relacionou-se à redução de caixa e equivalentes, influenciada por atividades operacionais e saídas de caixa em financiamento, como recompras de ações.

A Guararapes Confecções S.A. iniciou o período com elevado endividamento, atingindo o pico da dívida líquida em 2022 e, a partir de 2023, passou por desalavancagem contínua, alcançando 1.221.928 mil reais em 2025. O aumento em 2022 decorreu do crescimento dos passivos financeiros para financiar operações e expansão da carteira de crédito. A partir de 2023, houve uma redução consistente em empréstimos e financiamentos, explicada pelas amortizações realizadas nos anos seguintes. A C&A Modas S.A. também reduziu a dívida após 2022, chegando a 1.697.340 mil reais em 2025, de forma mais gradual. Em 2022, atingiu a dívida líquida mais alta devido ao aumento dos passivos financeiros para reforço do capital de giro. A partir de 2023, a empresa apresentou desalavancagem devido à redução de empréstimos e financiamentos e à maior geração de caixa operacional.

O período analisado evidenciou um padrão comum de dívida líquida entre as três empresas, com o ápice em 2022 e a reversão desse movimento a partir de 2023, embora com intensidades distintas. A Lojas Renner S.A. apresentou o comportamento mais volátil, com queda relevante em 2024 e novo aumento em 2025. A Guararapes Confecções S.A. evidenciou a desalavancagem mais acentuada no período pós-2022, e a C&A Modas S.A. demonstrou uma trajetória de redução gradual e consistente do endividamento. De modo geral, a análise comparativa entre as empresas evidenciou padrões comuns na trajetória de receitas líquidas, liquidez corrente e dinâmica da dívida líquida, movimentos coerentes com as condições do setor e do ambiente macroeconômico brasileiro, embora os indicadores baseados no resultado e os de rentabilidade tenham sofrido distorções relevantes devido a eventos não recorrentes, como observado na Guararapes Confecções S.A. em 2025, comprometendo a comparabilidade entre as empresas e reforçando a necessidade de uma avaliação integrada para conclusões robustas sobre a saúde econômico-financeira e o desempenho.

4. Conclusão

O presente estudo buscou realizar a análise fundamentalista da Lojas Renner S.A. no período de 2021 a 2025, com o intuito de compreender sua saúde econômico-financeira e posicionamento no setor de varejo de moda. Verificou-se que a companhia demonstrou um desempenho consistente, com evolução favorável dos indicadores de rentabilidade, como o Retorno sobre o Ativo (ROA) e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), que evidenciaram eficiência na utilização de ativos e estabilidade nos retornos aos acionistas. Os indicadores de liquidez, corrente e seca, mantiveram-se em níveis elevados e estáveis, sinalizando robusta capacidade de honrar obrigações de curto prazo sem dependência excessiva de estoques. Adicionalmente, a análise do endividamento revelou uma estrutura de capital conservadora, com redução da dependência de recursos de terceiros ao longo do período. A capacidade de geração operacional de resultados, mensurada pelo EBITDA, mostrou-se compatível com a dinâmica do setor, conferindo maior previsibilidade e solidez à empresa frente aos seus pares, apesar das oscilações macroeconômicas e dos eventos não recorrentes que impactaram a comparabilidade setorial em alguns momentos.

Este trabalho contribuiu academicamente ao aplicar a análise fundamentalista em um contexto real do varejo de moda brasileiro, oferecendo um exemplo prático e material de estudo para interessados na temática. Socialmente, forneceu uma análise financeira detalhada de uma empresa negociada em bolsa, comparando-a com outras do setor e com a realidade econômica brasileira, gerando dados relevantes para a tomada de decisões de investidores e demais partes interessadas. Contudo, o estudo enfrentou limitações relacionadas à quantidade restrita de empresas brasileiras de capital aberto comparáveis no setor de varejo de moda e ao período de análise de cinco anos. Para pesquisas futuras, sugere-se a ampliação do horizonte temporal da análise e a inclusão de um número maior de empresas do varejo de moda ou de setores correlatos. Tal abordagem permitiria identificar tendências de longo prazo mais consistentes, aprofundar a avaliação do desempenho operacional, dos riscos e da eficiência financeira, enriquecendo ainda mais a compreensão do mercado.

Referências Bibliográficas

Graham, Benjamin. 2016. O investidor inteligente. 1ed. Harper Collins, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Guararapes Confecções S.A. 2026. Central de Resultados. Disponível em: <https://ri.riachuelo.com.br/informacoes-financeiras/central-de-resultados/>. Acesso em: 28 fev 2026.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. 2026. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?=&t=series-historicas>. Acesso em: 10 mar 2026.

Kobori, José. 2011. Análise fundamentalista – Como obter uma performance superior e consistente no mercado de ações. 1ed. Elsevier Editora Ltda, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Lojas Renner S.A. 2026. Central de Resultados. Disponível em: <https://ri.lojasrenner.com.br/info-aos-investidores/central-de-resultados/>. Acesso em: 06 mar 2026.

Neto, Alexandre A. 2014. Finanças Corporativas e Valor. 7ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Neto, Alexandre A. 2017. Valuation – Métricas de Valor e Avaliação de Empresas. 2ed. Grupo GEN, São Paulo, SP, Brasil.

Neto, Alexandre A.; Lima, Guasti F. 2019. Curso de Administração Financeira. 4ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Pinheiro, Juliano L. 2014. Mercado de Capitais: fundamentos e técnicas. 7ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

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26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

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26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

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24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

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24 de agosto de 2026

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A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

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24 de agosto de 2026

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A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

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Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

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24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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