Resumo Executivo

23 de fevereiro de 2026

Práticas de gestão de pessoas na retenção e motivação de talentos corporativos

Livia de Alcântara Ramos Oliveira; Bárbara Helena de Oliveira Santos

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Este estudo analisou as percepções de colaboradores de uma empresa multinacional sobre liderança, engajamento, clima organizacional e intenção de permanência, para identificar os fatores críticos associados à decisão de permanecer na companhia. A premissa foi que a compreensão da experiência do colaborador é fundamental para políticas de gestão de pessoas mais eficazes, capazes de mitigar a rotatividade de talentos. A pesquisa buscou traduzir percepções subjetivas em dados quantificáveis, oferecendo um diagnóstico sobre os pontos fortes e as vulnerabilidades da organização em sua capacidade de reter profissionais.

A retenção de talentos é um desafio proeminente na gestão de pessoas, impulsionado por um mercado globalizado, novas gerações com expectativas distintas e competição por profissionais qualificados. A perda de um talento implica custos financeiros e, fundamentalmente, perda de conhecimento tácito e capital intelectual. A literatura aponta que práticas de reconhecimento e valorização são cruciais para construir um vínculo afetivo que transcende a relação transacional, sendo um pilar para a retenção de longo prazo (Silva e Carrieri, 2020). Portanto, a análise sistemática das percepções dos colaboradores é uma ferramenta estratégica.

A retenção exige uma análise multifatorial. Estudos demonstram forte correlação entre gestão de talentos bem estruturada e maior engajamento, resultando em menor intenção de saída (Sinisterra et al., 2024), sendo a relação crítica em estágios intermediários da carreira. Oportunidades de desenvolvimento e autogestão de carreira fortalecem a permanência e fomentam comportamentos de cidadania organizacional (Liu et al., 2022). A liderança emerge como variável moderadora, cujo impacto sobre o engajamento varia com o tempo de serviço e senioridade, demandando políticas calibradas para cada estágio profissional (Jentjens et al., 2025).

O clima organizacional, a atmosfera psicológica percebida, é um eixo central. Um ambiente colaborativo, com confiança e comunicação transparente, é um forte fator de retenção. A percepção de justiça, distributiva e processual, molda a confiança na liderança. Processos decisórios claros e equitativos fortalecem o comprometimento, enquanto a falta de clareza pode acelerar a decisão de saída. A literatura reforça que o sentido atribuído ao trabalho, nutrido por uma liderança inspiradora e cultura de reconhecimento, é um preditor significativo da satisfação e um fator de proteção contra a rotatividade (Wandycz-Mejias et al., 2025).

A diversidade e inclusão intergeracional são cada vez mais relevantes para a gestão de talentos. Um ambiente inclusivo, que valorize profissionais de todas as idades, constrói o senso de pertencimento. Pesquisas indicam que declarações institucionais sobre diversidade etária reduzem vieses e promovem equipes inovadoras (de Saint Priest et al., 2025). Práticas como mentoria cruzada facilitam a transferência de conhecimento e combatem estereótipos (Schmitz, 2025). A combinação de práticas de RH que consideram idade e ciclo de vida é eficaz para predizer o bem-estar e o desempenho ao longo da carreira (Tordera et al., 2020).

O estudo foi uma pesquisa aplicada, quantitativa e descritiva, com delineamento de levantamento de campo (survey), adequada para mensurar percepções (Gil, 2017; Creswell, 2014). A amostra foi de 120 colaboradores de uma multinacional no Rio de Janeiro, selecionados por conveniência. O critério de inclusão foi ter no mínimo seis meses de vínculo empregatício. O instrumento foi um questionário estruturado com escala Likert de cinco pontos, dividido em blocos: perfil sociodemográfico, clima, benefícios, desenvolvimento e liderança. Um pré-teste com 20 colaboradores foi realizado para ajustes. A coleta de dados ocorreu online de 5 a 9 de setembro de 2025, via Microsoft Forms, com Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) garantindo anonimato e confidencialidade. A análise utilizou estatística descritiva (frequências, médias, desvios-padrão) e cruzamentos simples entre variáveis.

A análise do clima organizacional revela uma avaliação positiva das relações interpessoais. O relacionamento com os colegas (média 4,0) e o ambiente de trabalho colaborativo (média 3,9) foram os pontos mais fortes, sugerindo um robusto capital social. Contudo, essa coesão horizontal contrasta com fragilidades na comunicação institucional. A comunicação clara (média 3,5) e a transparência da liderança (média 3,4) receberam as avaliações mais baixas, sinalizando uma lacuna entre gestão e equipes. Essa dissonância sugere que, embora os colaboradores se sintam conectados aos pares, a falta de clareza nos processos decisórios pode gerar incerteza e minar a confiança. A literatura aponta a comunicação clara e o reconhecimento como pilares para um clima positivo e para a redução da intenção de saída (Silva e Carrieri, 2020). A clareza sobre os rumos da empresa é essencial para reter profissionais (Sinisterra et al., 2024), e um ambiente onde o sentido do trabalho é reforçado pela liderança fortalece o vínculo organizacional (Wandycz-Mejias et al., 2025).

A avaliação da liderança reflete uma dualidade. Os líderes são percebidos positivamente em suas características relacionais, como acessibilidade (média 3,9) e capacidade de estabelecer confiança (média 3,8). No entanto, surgem vulnerabilidades nas práticas de gestão. A percepção de que as decisões são justas (média 3,5) e o incentivo ao desenvolvimento (média 3,6) apresentaram as médias mais baixas. O achado sugere um perfil de liderança mais relacional do que desenvolvimentista: os líderes são vistos como pessoas de confiança, mas não como agentes ativos e equitativos na promoção do crescimento de suas equipes. A literatura corrobora a importância da justiça processual, que tem impacto direto na satisfação e intenção de permanecer (Wandycz-Mejias et al., 2025). A necessidade de apoio ao desenvolvimento se intensifica em certas fases da carreira (Jentjens et al., 2025), e líderes que não incentivam o crescimento podem contribuir para a desmotivação, especialmente de profissionais em estágios intermediários.

No engajamento, os colaboradores se sentem motivados quando suas opiniões são valorizadas (média 3,9) e quando há oportunidades de desenvolvimento profissional (média 3,8). Isso evidencia que o desejo de contribuir e crescer é um motor primário. Contudo, a implementação prática parece deficiente. A frequência de feedbacks (média 3,5) e a percepção de crescimento profissional efetivo (média 3,6) foram os itens com as avaliações mais baixas. Este padrão revela uma desconexão: a organização valoriza o desenvolvimento no discurso, mas falha em prover mecanismos essenciais para que ele ocorra, como feedback contínuo e trilhas de carreira claras. A literatura enfatiza que o desenvolvimento de carreira requer um ecossistema de suporte que inclua feedback regular e planos de progressão transparentes (Liu et al., 2022). A ausência de feedback pode gerar frustração e sensação de invisibilidade. Práticas de desenvolvimento robustas estão diretamente ligadas à redução da intenção de saída (Sinisterra et al., 2024).

A análise da intenção de permanência sintetiza as fragilidades apontadas. Embora haja uma disposição geral para permanecer na empresa nos próximos dois anos (média 3,8), a crença de que as práticas atuais de gestão são suficientes para garantir essa permanência é menor (média 3,4). Isso indica que a decisão de ficar está mais ancorada na satisfação pessoal do que na convicção de que a empresa oferece as melhores condições. Um achado crítico é a maior vulnerabilidade à saída entre colaboradores com tempo de casa entre um e seis anos. Este grupo, segundo a literatura, apresenta maior risco de rotatividade quando as perspectivas de crescimento não são claras (Lay, 2025). Em contraste, colaboradores com sete anos ou mais demonstram intenção de permanência significativamente maior. Essa diferenciação por tempo de serviço sugere que as políticas de retenção devem ser segmentadas. O grupo de um a seis anos é mais sensível à falta de feedback, ausência de trilhas de carreira e percepção de injustiça. A moderação dos efeitos da liderança pelo tempo de casa (Jentjens et al., 2025) reforça a necessidade de os líderes serem treinados para gerir as expectativas deste grupo crítico.

Em síntese, a pesquisa revela uma organização com base social sólida, com clima colaborativo e relações interpessoais positivas, mas que enfrenta desafios em suas estruturas formais de gestão. As lacunas residem na comunicação e transparência da liderança, na implementação de processos de feedback, na percepção de justiça e na clareza das trilhas de carreira. A liderança, embora acessível, precisa evoluir para um papel mais ativo como desenvolvedora de pessoas. A intenção de permanência, embora presente, mostra-se frágil no segmento de colaboradores em estágio intermediário de carreira.

As implicações para a gestão de pessoas são diretas. É prioritário instituir uma política de comunicação interna robusta. A implementação de rituais de gestão, como check-ins mensais focados em desenvolvimento, pode suprir a carência de feedback. A criação de trilhas de carreira por estágio, com critérios de progressão explícitos, é fundamental para atender às expectativas do grupo mais vulnerável. Um programa contínuo de formação de líderes, com foco em comunicação, justiça processual e gestão do desenvolvimento, é essencial para capacitar os gestores a se tornarem os principais agentes da retenção.

Este estudo possui limitações: a amostra de conveniência em uma única unidade restringe a generalização; o delineamento transversal não permite estabelecer causalidade; e os dados baseiam-se no autorrelato. Pesquisas futuras poderiam adotar um desenho longitudinal, incluir indicadores objetivos de rotatividade e ampliar a coleta para outras unidades. No entanto, as evidências apresentadas oferecem um diagnóstico valioso para a organização. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que, embora o clima social seja positivo, a retenção de talentos na organização é vulnerabilizada por lacunas na comunicação, na justiça processual da liderança e na estruturação de trilhas de desenvolvimento de carreira.

Referências:
CRESWELL, J. W. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 4. ed. Thousand Oaks: Sage, 2014.
DE SAINT PRIEST, O.; KRINGS, F. The impact of diversity statements on age diversity: More than just window-dressing? Work, Aging and Retirement, v. 11, n. 3, p. 213–229, 2025.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
JENTJENS, S. et al. Leadership tenure as a moderator of engagement outcomes. Journal of Organizational Behavior, v. 46, n. 3, p. 455–472, 2025.
LAY, K. S. M. Turnover intention among early-career professionals: A meta-analysis. Human Resource Management Review, v. 35, n. 1, p. 100–118, 2025.
LIU, X. et al. Career self-management and HRD practices: Impacts on citizenship behaviors and career trajectories. Human Resource Development Quarterly, v. 33, n. 4, p. 421–440, 2022.
SAMPERI, R. H.; COLLADO, C. F.; LUCIO, M. P. B. Metodologia de pesquisa. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2013.
SCHMITZ, S. Youngism in the workplace and intergenerational interactions. Work, Aging and Retirement, v. 11, n. 1, p. 77–92, 2025.
SILVA, R.; CARRIERI, A. Práticas de reconhecimento no contexto organizacional. Revista Brasileira de Gestão de Pessoas, v. 18, n. 2, p. 45–61, 2020.
SINISTERRA, L. et al. Talent management practices, engagement, and turnover intention: A meta-review. International Journal of Human Resource Management, v. 35, n. 4, p. 612–630, 2024.
TORDERA, N. et al. HR practices, age, and sustainable career outcomes: A systematic review. Academy of Management Annals, v. 14, n. 2, p. 501–534, 2020.
WANDYCZ-MEJIAS, J. et al. Meaningful work, satisfaction, and turnover intention: Evidence from organizational settings. Journal of Management and Organization, v. 31, n. 1, p. 88–105, 2025.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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