Resumo Executivo

05 de maio de 2026

Planejamento de Instrumentação e Controle em Bombas Centrífugas

Lucas Henrique Bueno da Rosa; Fabricio Martins Lacerda

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A indústria de fabricação de equipamentos originais, comumente denominada como Original Equipment Manufacturer, desempenha um papel fundamental no suprimento de soluções customizadas para setores altamente complexos, como o de óleo e gás. Nesse cenário, a sobrevivência e a competitividade das organizações dependem da manutenção de rigorosos padrões de qualidade e da racionalização dos processos produtivos, conforme aponta Neto (2006). Para fabricantes que operam sob regime de encomenda, a satisfação do cliente não se limita apenas à conformidade técnica do produto, mas estende-se ao cumprimento rigoroso dos prazos de entrega, fator que se torna um diferencial decisivo em concorrências de fornecimento. A complexidade inerente à produção de equipamentos sob medida exige a aplicação de técnicas estruturadas de gerenciamento de projetos para garantir que o planejamento e o acompanhamento sejam eficazes (Novais et al., 2011).

O planejamento é compreendido como um domínio de desempenho crítico que envolve a organização, coordenação e evolução das atividades necessárias para a entrega dos resultados esperados, segundo as definições estabelecidas pelo Project Management Institute (2021). Uma execução robusta dessa fase permite que o projeto avance de maneira organizada, assegurando que o tempo investido seja proporcional à complexidade das tarefas e que as partes interessadas disponham de informações suficientes para a tomada de decisão. Além disso, um planejamento bem estruturado confere à organização a capacidade de adaptação frente a variações inevitáveis durante o ciclo de vida do projeto. Projetos são caracterizados por sua singularidade, possuindo início e fim definidos, além de restrições claras de prazo, custo e recursos (Carvalho, 2018). No desenvolvimento de bombas centrífugas para o mercado de óleo e gás, cada unidade encomendada representa a abertura de um novo projeto, exigindo clareza sobre a solução técnica e a metodologia de gestão a ser implementada.

Considerando que as bombas centrífugas utilizam conceitos e conhecimentos de engenharia já consolidados, a gestão preditiva apresenta-se como a abordagem mais adequada. De acordo com o Project Management Institute (2021), essa modalidade de gestão é aplicada quando os requisitos do escopo podem ser definidos e analisados logo no início do processo. Em suma, trata-se de trabalhar com soluções conhecidas, cujas atividades podem ser determinadas com precisão, resultando em um cronograma estável. Em grandes corporações, o início de um projeto costuma ser marcado por um planejamento macro, voltado para grandes entregas que desencadeiam processos de compra e fabricação. No entanto, para que o cronograma global seja respeitado, é imperativo que as áreas técnicas, como a engenharia de produto, possuam um detalhamento minucioso de suas subatividades, evitando que falhas em entregas intermediárias comprometam o sucesso final.

O alicerce para um planejamento eficiente reside na elaboração da Estrutura Analítica do Projeto, ferramenta que permite a decomposição hierárquica e a análise detalhada de todas as partes do trabalho (Candido et al., 2012). A partir dessa decomposição, torna-se possível identificar cada atividade necessária para atingir os marcos de entrega, facilitando a construção de um cronograma realista. É fundamental distinguir o escopo do produto, que se refere às características técnicas e funcionais do equipamento, do escopo do projeto, que abrange todo o conjunto de entregáveis necessários para a conclusão do fornecimento (Maximiano e Veroneze, 2022). Em ambientes onde a gestão de projetos não é aplicada de forma sistêmica, as entregas acabam dependendo excessivamente da experiência individual dos engenheiros, o que eleva o risco de desvios, especialmente em equipes com diferentes níveis de senioridade.

A metodologia adotada para a análise da gestão de prazos e custos em projetos de instrumentação e controle possui caráter aplicado e descritivo, fundamentando-se em uma abordagem qualitativa (Mattar e Ramos, 2021). O estudo de caso foi conduzido em uma multinacional localizada no estado de São Paulo, especializada na fabricação de bombas centrífugas para o setor de óleo e gás. O processo de investigação foi estruturado em quatro etapas distintas: o levantamento bibliográfico, a coleta de dados primários e secundários, a elaboração da Estrutura Analítica do Projeto e do cronograma proposto, e, por fim, a comparação entre os resultados planejados e os dados reais obtidos no projeto executado pela empresa.

Na fase inicial de levantamento bibliográfico, realizou-se uma pesquisa exaustiva em periódicos e bases de dados acadêmicas, como a Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da Universidade de São Paulo, buscando fundamentação sobre técnicas de planejamento, uso do gráfico de Gantt e desenvolvimento de Estrutura Analítica do Projeto. A segunda etapa concentrou-se na coleta de dados por meio de análise documental, observação direta e entrevistas. Como o objeto de estudo foi um projeto já finalizado, a análise documental recorreu a relatórios de lições aprendidas, registros de desvios de custo, escopo e prazo armazenados no sistema SAP da companhia. A observação pessoal também desempenhou um papel relevante, uma vez que houve participação direta na equipe de execução do projeto, permitindo uma análise de rastro sobre os eventos ocorridos.

Para complementar a visão técnica, realizou-se uma entrevista estruturada com a gerência do projeto em 08 maio 2025. O roteiro de perguntas foi elaborado com base na literatura de gestão de projetos (PMI, 2021; Candido et al., 2012; Maximiano e Veroneze, 2022) e focou em identificar as causas raízes das revisões de escopo, os impactos financeiros de requisitos não previstos e as dificuldades na aprovação de documentos junto ao cliente. Entre os pontos investigados, destacaram-se a inclusão de estudos de Hazard and Operability e Layer of Protection Analysis, a necessidade de softwares de comunicação não orçados e as falhas na definição de fornecedores para o painel de controle e componentes periféricos.

A terceira etapa consistiu na definição das atividades por meio da ferramenta de Estrutura Analítica do Projeto, seguida pela elaboração do cronograma utilizando as técnicas Program Evaluation and Review Technique e Critical Path Method. A Estrutura Analítica do Projeto promove uma subdivisão hierárquica do trabalho em partes menores, facilitando o gerenciamento e garantindo que nenhum entregável seja omitido (Cavalcanti e Silveira, 2016). A aplicação dessa técnica permitiu organizar o trabalho de forma estruturada, assegurando que as entregas necessárias fossem identificadas no plano-base, superando a dependência exclusiva da experiência empírica dos executores (Gido et al., 2020).

A determinação da duração das atividades no cronograma proposto utilizou a combinação de estimativa análoga e estimativa estocástica. A estimativa análoga baseou-se na comparação com projetos similares executados anteriormente, enquanto a técnica Program Evaluation and Review Technique aplicou uma fórmula ponderada que considera os cenários otimista, mais provável e pessimista para cada tarefa. Esse cálculo resulta em uma duração média esperada que minimiza as incertezas inerentes ao processo de engenharia (Carvalho, 2018). Após a definição dos tempos, estabeleceram-se as relações de precedência entre as atividades, como as conexões de término para início e início para início, utilizando o software MS Project para a visualização por meio do gráfico de Gantt e identificação do caminho crítico.

A empresa objeto do estudo de caso é uma multinacional que emprega aproximadamente 400 colaboradores em sua unidade brasileira e cerca de 15000 funcionários globalmente. O projeto analisado consistiu no fornecimento de uma bomba centrífuga multiestágios para uma refinaria de petróleo no interior do Brasil. O equipamento, montado em uma base metálica denominada skid, incluía motor elétrico, sistema de selagem, instrumentação completa para monitoramento e um painel de controle remoto equipado com Interface Homem Máquina e módulos de comunicação. O desenvolvimento técnico foi dividido entre as disciplinas de mecânica, focada na integridade estrutural e montagem, e a disciplina de instrumentação e controle, responsável pelas especificações técnicas, projetos de automação e coordenação de subcontratados.

A análise dos resultados revelou falhas significativas no planejamento inicial, especialmente no que tange à definição da lista de documentos a serem fornecidos ao cliente. Esse documento, que deve ser o primeiro a ser gerado, passou por cinco revisões ao longo de um ano e nove meses até obter a aprovação final. Tal situação evidenciou uma falta de assertividade na definição inicial do conteúdo, gerando retrabalho e desgaste na relação com o cliente. O levantamento de dados apontou que, embora o plano inicial previsse 123 documentos, o total final entregue foi de 145, com 30 cancelamentos ao longo do processo. No âmbito específico da engenharia de instrumentação e controle, o número de documentos saltou de 40 para 43, mas houve 16 cancelamentos, o que demonstra uma imprecisão severa na definição do escopo documental.

O acompanhamento das atividades de engenharia, realizado via sistema SAP, demonstrou atrasos consideráveis em marcos críticos. A atividade de antecipação de instrumentos, prevista para ser concluída em 06 jan. 2023, foi finalizada apenas em 06 mar. 2023, representando um atraso de 59 dias, ou aproximadamente 50% do prazo original. De forma semelhante, a liberação da lista de materiais para interligação e a lista de acessórios sofreram atrasos de 69 e 76 dias, respectivamente. Esses desvios impactaram diretamente o cronograma global da empresa, uma vez que as fases subsequentes de compra e fabricação dependem da finalização dos projetos de engenharia.

No aspecto financeiro, o projeto foi vendido por um valor aproximado de 14 milhões BRL, com uma margem de lucro prevista de 8,0%. Após a ocorrência de diversos desvios e a aprovação de aditivos contratuais, o valor final de venda atingiu 15.376 milhões BRL. No entanto, o lucro real apurado foi de apenas 5,4%, ficando significativamente abaixo da meta organizacional. Os desvios de custo na área de instrumentação e controle somaram 275 mil BRL, causados principalmente pela definição incorreta de fornecedores e falhas na especificação de componentes técnicos, como o monitor de descargas parciais do motor elétrico. A decisão comercial de utilizar fornecedores diferentes para o painel e para as peças de controle gerou dificuldades de integração e ausência de um responsável único, resultando em custos adicionais de intermediação.

A entrevista com os gestores confirmou que houve falhas na interpretação das especificações técnicas do cliente. O escopo foi definido com base na experiência prévia em projetos similares, negligenciando requisitos particulares do novo contrato. Um exemplo crítico foi a omissão do estudo de funções instrumentadas de segurança, que, embora estivesse previsto nas normas técnicas exigidas, não foi contemplado no orçamento inicial. A necessidade de adquirir normas específicas e dedicar tempo de engenharia para análises de risco não planejadas contribuiu para o aumento dos custos e a dilatação dos prazos. Além disso, a falta de identificação de um software necessário para a comunicação entre o painel e o sistema da planta do cliente só foi percebida durante a fase de programação, gerando um problema técnico tardio.

Outro ponto de divergência técnica ocorreu no sistema de pressurização do motor elétrico e no acabamento das eletrocalhas. O cliente exigiu pintura eletrostática em vez do verniz orçado, e a lógica de desligamento por falha na pressurização precisou ser alterada durante a execução, evidenciando uma falta de alinhamento entre a engenharia de aplicações e os requisitos contratuais. Esses eventos reforçam a premissa de que a ausência de uma Estrutura Analítica do Projeto detalhada no início do processo impede a visualização completa dos riscos e das necessidades técnicas, tornando o projeto vulnerável a interpretações subjetivas.

A Estrutura Analítica do Projeto proposta nesta pesquisa foi organizada pelo método orientado à entrega, resultando em 15 grandes pacotes de trabalho que abrangem desde o fluxo de engenharia até a lista de peças sobressalentes e documentação final. Essa estrutura permitiu identificar atividades que frequentemente são esquecidas, como o estudo de risco em conformidade com a Norma Regulamentadora 37 e a definição detalhada dos pontos de interface elétrica. A decomposição minuciosa do trabalho evidenciou que o escopo de engenharia é muito mais amplo do que o tradicionalmente praticado pela empresa, reduzindo a probabilidade de omissões que geram custos extras e atrasos.

Ao aplicar a técnica Program Evaluation and Review Technique para a estimativa de duração das atividades na nova estrutura proposta, observou-se que, mesmo em projetos com alto grau de similaridade, os tempos de execução tendem a ser constantes. Atividades como a elaboração de fluxogramas e especificações de instrumentos não apresentam redução significativa de tempo entre um projeto e outro, pois dependem de análises técnicas rigorosas. O cronograma elaborado com base nessas estimativas demonstrou que as entregas críticas, como a antecipação de instrumentos e a lista de materiais de interligação, poderiam ter sido realizadas dentro dos prazos padronizados da empresa, caso houvesse um planejamento sistêmico desde o início.

A comparação entre o planejamento original e o proposto revelou que as atividades de engenharia poderiam ter sido concluídas com folgas que variam entre 04 e 10 dias, permitindo que o engenheiro responsável realizasse tarefas administrativas e suporte a outras áreas sem comprometer os marcos do projeto. No projeto real, a falta de uma sequência lógica e de uma definição clara de precedências levou a um ambiente de urgência constante, onde as datas eram perdidas por falta de informações básicas de fornecedores ou indefinições de escopo. A identificação do caminho crítico no novo cronograma apontou que a participação no teste funcional do painel é a atividade que demanda maior atenção, embora a empresa possua competência técnica para executá-la sem grandes riscos.

A discussão dos resultados indica que a melhoria contínua dos processos de venda e da engenharia de aplicações é vital para o sucesso dos projetos. A proposta técnica deve ser elaborada com o mínimo de dúvidas possível para garantir que a execução ocorra de forma fluida. O uso sistemático de ferramentas como a Estrutura Analítica do Projeto, a programação Program Evaluation and Review Technique e o gráfico de Gantt não deve ser visto como uma burocracia adicional, mas como um investimento necessário para potencializar a eficiência operacional e a satisfação do cliente. O desgaste no relacionamento com o cliente, causado por atrasos e renegociações de custos, pode ser mitigado através de uma postura proativa no planejamento inicial.

As limitações observadas no estudo de caso incluem fatores externos que fogem ao controle direto da engenharia, como a morosidade no fluxo de informações por parte do cliente e a burocracia interna de grandes corporações. No entanto, a aplicação das boas práticas de gerenciamento de projetos confere ao gestor uma base sólida para negociar prazos e custos com maior embasamento técnico. A inclusão do ciclo Plan-Do-Check-Act como ferramenta de melhoria contínua é sugerida para futuras aplicações, permitindo que o planejamento seja refinado a cada novo projeto com base nas lições aprendidas e nos dados reais de produtividade da equipe.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a elaboração da estrutura analítica e do cronograma detalhado demonstrou ser perfeitamente viável e capaz de reduzir significativamente os atrasos e desvios observados no projeto real. A aplicação das técnicas de decomposição do trabalho e estimativa estocástica permitiu identificar falhas de escopo e prever durações mais realistas, evidenciando que o cumprimento dos prazos agressivos do setor de óleo e gás depende de um planejamento sistêmico e não apenas da experiência individual. A utilização dessas ferramentas proporciona maior controle sobre os custos e melhora a previsibilidade financeira, sendo fundamental para garantir a margem de lucro esperada e a satisfação do cliente final em projetos de alta complexidade técnica.

Referências Bibliográficas:

Candido, R.; Gnoatto, A.A.; Caldana, C.G.; Setti, D.; Spanhol, F.A.; Schütz, F.; Carvalho, H. A.; Oliveira, J.; Kachba, Y.R. 2012. Gerenciamento de Projetos. Aymará, Curitiba, PR, Brasil.

Carvalho, F.C.A. 2018. Gestão de Projetos. 2ed. Pearson, São Paulo, SP, Brasil.

Cavalcanti, F.R.P.; Silveira, J.A.N. 2016. Fundamentos de Gestão de Projetos. Atlas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Disponível em: <https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597005622/>. Acesso em: 02 set. 2025.

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Mattar, J.; Ramos, D.K. 2021. Metodologia da pesquisa em educação: Abordagens Qualitativas, Quantitativas e Mistas. Almedina Brasil, São Paulo, SP, Brasil. Disponível em: <https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786586618518/>. Acesso em: 03 set. 2025.

Maximiano, A.C.A.; Veroneze, F. 2022. Gestão de Projetos: Preditiva, Ágil e Estratégica. 6ed. Atlas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559771721/. Acesso em: 03 set. 2025.

Neto, M.V.J. 2006. Perdas de produtividade devido à produção de peças defeituosas: um estudo de caso no setor de montagem em uma indústria fabricante de máquinas têxteis. Revista Intersaberes 1(1): 137-167.

Novais, I.F.; Jorge, E.M.F.; Costa Junior, C.P.; Souza, D.T.; 2011. Gerenciamento de projeto otimista (gpo): um método que integra PERT/CPM à CCPM. Revista de Gestão e Projetos – GeP 2(2): 150-165.

Project Management Institute [PMI]. 2021. Guia do conhecimento em gerenciamento de projetos [Guia PMBOK]. 7ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, USA.

Project Management Institute [PMI]. 2021. Guia do conhecimento em gerenciamento de projetos [Guia PMBOK]. 7ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, USA.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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