07 de maio de 2026
Métodos ágeis na automação da gestão da qualidade
Maria da Graça Bezerra de Andrade; Jessica Suarez Campoli
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
A qualidade consolidou-se como um fator estratégico fundamental para a competitividade das organizações no mercado contemporâneo, atuando como um diferencial que permite às empresas atender e superar as crescentes expectativas de consumidores cada vez mais informados. Conforme destacado por Feigenbaum (1961), a qualidade é mensurada pela capacidade de um produto ou serviço satisfazer as necessidades dos clientes, o que exige uma estrutura organizacional robusta e orientada para processos. Nesse sentido, a gestão da qualidade, ao ser implementada de forma eficaz, posiciona a organização em um patamar de excelência, permitindo a criação de diferenciais competitivos sustentáveis em relação aos concorrentes (Navarro, 2022). Para operacionalizar esses conceitos, as empresas adotam metodologias consagradas, como o Six Sigma e o Lean Manufacturing, além de sistemas de gestão baseados na norma ISO 9001 (ABNT, 2015). Esta norma fundamenta-se em princípios essenciais, como o foco no cliente, a liderança, o engajamento das pessoas e a abordagem por processos, visando assegurar que as expectativas dos stakeholders sejam compreendidas e atendidas de maneira sistemática.
A evolução tecnológica impulsionou uma transformação significativa na gestão de documentos e requisitos, áreas críticas para a manutenção da conformidade normativa. Historicamente, o controle documental era realizado por meio de arquivos físicos e papéis impressos, o que gerava limitações severas, como falhas humanas, extravios e dificuldades de acesso e rastreabilidade. Com o advento das tecnologias da informação, houve uma transição para planilhas eletrônicas, que, embora representassem um avanço, mostraram-se insuficientes para gerenciar grandes volumes de dados e a complexidade inerente aos processos de qualidade modernos. Segundo Araujo e Coelho (2018), a gestão documental deve considerar todo o ciclo de vida dos documentos e seu valor informacional, exigindo práticas sistematizadas e integradas que as ferramentas rudimentares não conseguem suprir. Moraes (2018) reforça que os métodos tradicionais precisam ser complementados por sistemas informatizados capazes de oferecer a agilidade e a precisão exigidas pelas demandas contemporâneas.
Nesse cenário de transição digital, os softwares surgem como ferramentas estruturadas para a manipulação de dados, fornecendo funções e desempenhos que permitem às organizações introduzir inovações e melhorias de forma acelerada (Pressman, 2011). A integração de sistemas de informação estruturados permite análises críticas mais profundas e tomadas de decisão mais eficazes (Vieira Filho, 2007). Paralelamente, os métodos ágeis, que emergiram na década de 90 como resposta aos modelos tradicionais vistos como burocráticos e lentos, passaram a ser aplicados fora do desenvolvimento de software, alcançando a gestão de projetos e a gestão da qualidade (Gomes, 2014). Embora tenham sido concebidos originalmente para equipes pequenas, os métodos ágeis, como Scrum e Kanban, demonstram potencial para otimizar processos em grandes corporações ao enfatizar o feedback contínuo e a adaptação rápida às mudanças (Dingsoyr et al., 2012). A agilidade deriva da valorização do conhecimento tácito da equipe e da busca pela simplicidade e foco nas pessoas (Boehm, 2002). Assim, o objetivo central desta análise consiste em investigar como o uso de métodos ágeis e a automatização por meio de softwares de gestão de requisitos podem otimizar os sistemas de gestão da qualidade, promovendo eficiência e conformidade.
A fundamentação metodológica deste estudo baseia-se em uma abordagem descritiva e qualitativa, estruturada para estabelecer relações entre as variáveis investigadas por meio de técnicas padronizadas de coleta de dados. Segundo Kauark (2010), a pesquisa descritiva assume frequentemente a forma de levantamento, visando analisar fenômenos e processos em seu contexto real. O procedimento foi dividido em seis etapas operacionais rigorosas para garantir a integridade dos resultados. A primeira etapa envolveu a definição do tema e a elaboração do projeto de pesquisa, estabelecendo as bases para a investigação. Na segunda etapa, utilizou-se a metodologia do Project Model Canvas, desenvolvida por José Finocchio Júnior, para estruturar a lógica inicial do estudo de forma colaborativa e visual. Este modelo permitiu alinhar os componentes essenciais do projeto, como justificativas, objetivos, benefícios, requisitos e restrições, facilitando a comunicação e a tomada de decisão estratégica (Finocchio, 2013).
A terceira etapa consistiu em uma revisão bibliográfica narrativa, que permitiu a construção de uma base conceitual sólida sobre gestão da qualidade, ISO 9001 e métodos ágeis. Este tipo de revisão é fundamental para reunir e analisar criticamente trabalhos acadêmicos relevantes, proporcionando uma compreensão ampla do estado da arte (Cavalcante; Oliveira, 2020). Na quarta etapa, procedeu-se à elaboração de um questionário estruturado, ferramenta comum para a busca de informações primárias diretamente com os sujeitos pesquisados (Miranda, 2020). O instrumento foi desenhado para captar percepções sobre a usabilidade de softwares, vantagens, desvantagens e desafios na implementação de tecnologias e metodologias ágeis. A quinta etapa compreendeu a coleta de dados, realizada entre 24 de janeiro e 15 de setembro de 2025, por meio de uma plataforma digital que garantiu o anonimato e a participação de profissionais de diferentes regiões e setores. Por fim, a sexta etapa envolveu a análise e interpretação dos dados coletados, seguindo as normas da ABNT e utilizando critérios de clareza e objetividade.
O detalhamento do Project Model Canvas revelou que as justificativas para a automação residem na necessidade de superar processos “engessados” e na busca por vantagens competitivas. O produto final esperado foi a validação do uso de softwares para verificar benefícios reais. Entre os stakeholders identificados, incluíram-se fornecedores de softwares de qualidade e clientes finais. As premissas estabelecidas consideraram a disponibilidade de engenheiros e mão de obra qualificada, enquanto os riscos envolveram a possibilidade de baixa adesão ao questionário, estabelecendo-se a meta de obter pelo menos 100 respondentes, embora o número final tenha sido de 53 profissionais. O cronograma foi dividido em fases de iniciação, planejamento, execução e fechamento, conforme as diretrizes do guia PMBOK (PMI, 2021). A fase de execução focou na aplicação do questionário para identificar softwares de gestão de requisitos com maior aceitação no mercado e avaliar a confiabilidade desses sistemas sob a ótica da experiência do usuário (Assunção, 2019).
Os resultados obtidos a partir da amostra de 53 profissionais revelaram um perfil diversificado, com predominância da faixa etária entre 36 e 45 anos, que representou 25 participantes. Em termos de gênero, a amostra foi equilibrada, com 28 homens e 25 mulheres. No que tange ao nível hierárquico, observou-se uma forte presença de lideranças, sendo 10 gestores, sete profissionais em cargos de gerência ou diretoria e 23 profissionais em posições estratégicas de liderança no somatório geral. O setor de Gestão da Qualidade foi o mais representativo, com 18 respondentes, seguido por áreas como Produção e Logística, Administração e Engenharia. Essa diversidade de atuação permitiu uma análise abrangente das percepções sobre a tecnologia em diferentes contextos organizacionais.
Quanto à usabilidade e confiabilidade dos softwares de gestão da qualidade, os dados indicaram uma percepção amplamente positiva. Do total de participantes, 34 concordaram totalmente que esses sistemas são seguros e confiáveis, enquanto 15 expressaram concordância parcial. Apenas um participante manifestou discordância total. Esses dados corroboram a visão de Assunção (2019), que afirma que a confiabilidade deve ser avaliada tanto por métricas técnicas quanto pela percepção de experiência do usuário. A automação, portanto, é vista como um mecanismo que gera resultados tangíveis para as organizações, conforme apontado por 37 respondentes que concordaram totalmente com essa afirmação. A eficiência e a confiabilidade proporcionadas pela automação são fundamentais para a melhoria contínua e para o suporte à tomada de decisão (Rocha e Oliveira, 2017; Vieira Filho, 2007).
A investigação sobre o uso efetivo de softwares específicos revelou que 34 das 53 empresas participantes já utilizam sistemas informatizados para apoiar a gestão da qualidade. Entre as ferramentas citadas, destacaram-se softwares como Qualiex, Qualyteam, SoftExpert, SAP e 8Quali. Os módulos mais implementados nessas organizações incluem a gestão de documentos, gestão de ocorrências e não conformidades, planos de ação e gestão de indicadores de desempenho. Esse cenário reflete uma tendência clara de digitalização, alinhada à necessidade de maior rastreabilidade e controle (Pressman, 2011). Os benefícios mais citados pelos profissionais foram a disponibilidade de informações em tempo real, com 36 menções, e a melhoria do nível de controle, com 27 menções. Outras vantagens relevantes incluíram a maior integração entre as áreas (23 menções), agilidade nos processos decisórios (22 menções) e a redução de custos internos (15 menções).
Apesar dos benefícios, a implementação de softwares enfrenta barreiras significativas. O custo para manter as licenças foi apontado por 16 respondentes como a principal desvantagem, seguido pelas mudanças organizacionais e culturais e pela incompatibilidade entre sistemas já existentes, ambos com 14 menções. A resistência à mudança por parte das equipes foi identificada como o maior desafio prático, citada por 42 participantes. Este fenômeno é comum em processos de transformação digital, exigindo não apenas infraestrutura, mas uma mudança de mentalidade (Araujo e Coelho, 2018). Além disso, a falta de treinamento ou conhecimento sobre a tecnologia foi mencionada por 31 profissionais, reforçando a necessidade de investimentos em capacitação contínua para garantir que as ferramentas sejam utilizadas em seu potencial máximo (Assunção, 2019). A limitação de recursos humanos e materiais também foi um entrave citado por 23 respondentes.
No que diz respeito à aplicação de metodologias ágeis na gestão da qualidade, os resultados foram promissores. Os profissionais apontaram que o uso de frameworks como Scrum e Kanban melhora a comunicação entre as equipes (16 menções) e proporciona maior flexibilidade no planejamento (15 menções). A priorização mais eficiente na automação da gestão de requisitos foi citada por 12 participantes. Segundo Muniz (2023), os ciclos curtos de desenvolvimento e as reuniões regulares típicas do agilismo fortalecem a colaboração e facilitam a identificação precoce de problemas. Bueno (2023) complementa que essa adaptabilidade é essencial em ambientes de negócios dinâmicos, permitindo ajustes constantes conforme as necessidades do mercado. No entanto, a dificuldade em adaptar ciclos curtos de planejamento a estruturas tradicionais foi mencionada por 16 respondentes, evidenciando um conflito cultural que ainda precisa ser superado.
A discussão dos dados permite inferir que a integração entre tecnologia e agilidade representa uma oportunidade estratégica para as empresas. A automação documental, especialmente em organizações que ainda operam manualmente, é um passo urgente para garantir a conformidade com a norma ISO 9001 (ABNT, 2015). Recomenda-se que os projetos de automatização priorizem a usabilidade e a segurança desde o início, incorporando métricas de qualidade de serviço e experiência do usuário. O envolvimento da alta administração é crucial, pois o apoio da liderança é um dos pilares para o sucesso da gestão da qualidade (Feigenbaum, 1961). Além disso, a escolha de softwares deve basear-se em benefícios comprovados e na capacidade de integração com sistemas legados para evitar retrabalho (Dingsoyr et al., 2012). A capacitação contínua surge como o elemento moderador que permite superar a resistência cultural e maximizar o retorno sobre o investimento tecnológico.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a análise demonstrou que a aplicação de métodos ágeis e o uso de softwares de gestão de requisitos são estratégias eficazes para otimizar o sistema de gestão da qualidade. Os resultados evidenciaram que, embora existam desafios culturais e financeiros, os benefícios relacionados à agilidade decisória, ao controle de processos e à disponibilidade de dados em tempo real superam as barreiras iniciais. A integração entre os princípios da qualidade e as ferramentas digitais promove uma estrutura organizacional mais flexível e resiliente, capaz de responder com precisão às exigências do mercado e garantir a satisfação dos clientes de forma sustentável.
Referências Bibliográficas:
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Assunção, L. M. Confiabilidade de software e qualidade da experiência do usuário: um estudo quanti-qualitativo. 2019. 123 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/43523/1/ConfiabilidadeSoftwareQualidade.pdf.
Boehm, B. (2002). Get ready for agile methods, with care. Computer, 35(1), 64–69.
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Dingsoyr, T., Nerur, S., Balijepally, V., & Moe, N. B. (2012). A decade of agile methodologies: Towards explaining agile software development. Journal of Systems and Software (Vol. 85, Issue 6, pp. 1213– 1221).
Feigenbaum, A. V. Total Quality Control. New York: McGraw-Hill, 1961;
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Navarro, Bruno. Conheça a história da qualidade e seu uso na gestão empresarial. 2022. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/21176/1/2018_RonaldoRodriguesPacheco_tcc.pdf.
PMBOK. Guia de Conhecimento em Gerenciamentos de Projetos (Guia PMBOK). 7° Edição. Português, 2021.
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Vieira Filho, Geraldo. Gestão da Qualidade Total: uma abordagem prática. 2ª edição – Campinas, SP: Editora Alínea, 2007.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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