Resumo Executivo

24 de abril de 2026

Inovação em Compras no Varejo: Percepção dos Colaboradores

Frederico Hanai; Beatriz Lima Zanoni

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O cenário contemporâneo dos negócios apresenta-se marcado por incertezas, complexidade e uma competitividade acirrada, fatores que transformam a capacidade de inovação em um elemento vital para a sobrevivência e a perenidade das organizações. A necessidade de inovar deixou de ser uma opção estratégica para se tornar uma exigência fundamental, permitindo que as empresas não apenas se diferenciem em mercados saturados, mas também construam modelos de negócios resilientes e sustentáveis a longo prazo (Silva et al., 2023). Dentro de uma estrutura organizacional, a inovação desempenha um papel determinante em diversos setores, com destaque para a área comercial. Este departamento atua como o elo entre a produção e o mercado, e ao priorizar novas ideias, tecnologias e estratégias, torna-se capaz de antecipar as necessidades dos consumidores, manter a vantagem competitiva e impulsionar o crescimento sustentado, elevando os níveis de satisfação do cliente (Galvão, 2024).

A inovação funciona como um propulsor que permite às empresas a adaptação rápida às mudanças nas exigências dos consumidores e a melhoria contínua de seus processos internos. Ao promover a criatividade e implementar novas ferramentas tecnológicas, as organizações conseguem sustentar o sucesso em períodos de transição econômica (Tidd e Bessant, 2024). É fundamental compreender que a inovação não se restringe exclusivamente ao avanço tecnológico ou à criação de novos produtos; ela se manifesta de forma robusta na reformulação de processos, na adoção de novos modelos de gestão e na reestruturação estratégica. Exemplos claros dessa abrangência incluem a automação de tarefas rotineiras, a otimização de fluxos logísticos e o aprimoramento do atendimento direto ao cliente, elementos que, em conjunto, elevam a eficiência operacional (Marziale, 2010).

A busca incessante por diferenciais competitivos reflete-se diretamente nos processos internos de mudança. Nesse contexto, a percepção dos colaboradores surge como um elemento-chave, pois o ciclo de inovação frequentemente se inicia com a colaboração e as ideias geradas pelos profissionais que vivenciam o cotidiano operacional. Esses indivíduos mantêm o contato direto com as demandas externas, o que agrega informações precisas e valiosas para o direcionamento das transformações organizacionais (Argudin, 2021). Dados de mercado reforçam essa premissa ao indicar que os colaboradores são fontes primárias de inovação para 21,7% das empresas, superando até mesmo a contribuição direta dos clientes em determinados segmentos (Ace Innovation Survey Report, 2019). Portanto, o setor comercial, ao integrar as visões interna e externa, consolida-se como um ambiente fértil para a proposição e implementação de soluções inovadoras. O objetivo central desta análise consiste em compreender as percepções dos profissionais do setor comercial de uma organização varejista acerca dos processos de compra e da relação estabelecida com os fornecedores, investigando como a inovação é absorvida e interpretada no cotidiano laboral.

Para a fundamentação metodológica, adotou-se uma abordagem qualitativa, que se mostra a mais adequada para o estudo de microprocessos e ações sociais individuais ou grupais dentro do ambiente corporativo (Martins, 2004). A pesquisa qualitativa privilegia a profundidade da análise sobre a quantidade de dados, permitindo uma compreensão detalhada das experiências e visões dos sujeitos envolvidos. O local escolhido para o estudo de caso foi o setor comercial de uma empresa varejista de alimentos, identificada pelo nome fictício Las Rozas. Esta organização possui uma estrutura robusta, contando com 10 filiais distribuídas pelo interior do estado de São Paulo, uma força de trabalho superior a 5000 colaboradores e uma área construída que ultrapassa 216.000 m². A empresa possui metas de expansão ambiciosas, com a previsão de inauguração de duas novas unidades em 2025, localizadas em Taubaté e na região metropolitana de São Paulo, visando consolidar sua posição como a operação mais eficiente do setor em sua área de atuação.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, ferramenta amplamente reconhecida pela eficácia na obtenção de informações primárias diretamente com os sujeitos pesquisados (Miranda, 2020). O questionário foi elaborado com 12 perguntas objetivas e uma pergunta subjetiva de resposta aberta, permitindo a exploração de opiniões, percepções de oportunidades, desafios e a identificação de inovações necessárias no fluxo comercial. A aplicação ocorreu de forma online, garantindo a agilidade e a padronização das respostas (Bastos, 2023). Antes da aplicação definitiva, realizou-se um pré-teste com dois funcionários do setor comercial para validar a clareza das questões e realizar ajustes finos no instrumento. O convite para participação foi enviado a 25 profissionais que compõem o núcleo comercial da empresa, dos quais 22 responderam integralmente, fornecendo a base de dados para a análise.

O processo de análise dos dados seguiu um roteiro rigoroso de categorização, focando em três eixos principais: os desafios estruturais e tecnológicos enfrentados pela equipe; o nível de capacitação e preparo dos profissionais para lidar com mudanças; e as expectativas futuras quanto à transformação digital no varejo. A caracterização da amostra revelou um grupo heterogêneo em termos de cargos e tempo de serviço. A composição dos respondentes apresentou uma predominância de gestores comerciais, representando 42,9% do total, seguidos por analistas comerciais com 28,6%, assistentes comerciais com 23,8% e auxiliares comerciais com 4,8%. Quanto ao tempo de atuação na área de compras, observou-se que a maioria dos participantes possui entre um e cinco anos de experiência na empresa.

Ao detalhar o perfil dos respondentes, nota-se que os gestores comerciais apresentam maior estabilidade, com casos de profissionais que superam 16 anos de casa, além de uma parcela significativa na faixa de 11 a 15 anos. Os analistas comerciais concentram-se majoritariamente na faixa de seis a 10 anos de serviço, sugerindo uma estabilidade intermediária. Já os assistentes comerciais apresentam uma distribuição mais voltada para o início da carreira na organização, situando-se predominantemente entre um e cinco anos de experiência, embora existam colaboradores com menos de um ano de atuação. O cargo de auxiliar comercial, com menor representatividade numérica na amostra, também se enquadra na faixa de um a cinco anos de serviço. Essa distribuição permite uma análise que abrange desde a visão estratégica de longo prazo dos gestores até a visão operacional e imediata dos assistentes e auxiliares.

A análise da percepção sobre o nível de inovação tecnológica no processo de compras revelou uma dualidade significativa. Aproximadamente 40% dos colaboradores avaliaram que a inovação é pouco avançada, enquanto 31% consideram o estágio atual como avançado. Uma parcela de 22% classificou o nível como intermediário e apenas 7% indicaram a ausência total de avanços significativos. Essa discrepância de percepções está intrinsecamente ligada à posição hierárquica ocupada. Os gestores comerciais tendem a possuir uma visão mais otimista e positiva, classificando os processos como avançados ou intermediários. Isso sugere que, do ponto de vista estratégico e de tomada de decisão, as ferramentas disponíveis parecem atender às expectativas de controle e planejamento.

Em contrapartida, os analistas comerciais demonstram ambiguidade em suas avaliações, dividindo-se entre a percepção de avanços e a identificação de limitações práticas que impactam o contato direto com a rotina de compras. Os assistentes comerciais apresentam a visão mais crítica e fragmentada, com respostas que variam entre pouco avançado, intermediário e nada avançado. No nível operacional, representado pelo auxiliar comercial, a percepção de que a inovação é pouco avançada é predominante. Tais dados reforçam a premissa de que, quanto mais próxima da execução operacional das tarefas diárias, menor é a percepção de que a inovação tecnológica atingiu o setor de forma plena e eficaz. Os impactos das novas tecnologias ainda não são percebidos de maneira clara e objetiva por quem lida com o processamento manual de dados e burocracias cotidianas.

Ao investigar os principais obstáculos para a inovação no processo de compras, a burocracia e a existência de processos manuais foram apontadas por 64% dos respondentes como o maior desafio. Esse dado é alarmante e indica que a carga de trabalho operacional consome o tempo que poderia ser dedicado a análises estratégicas. A falta de tecnologia adequada foi citada por 14% da amostra, enquanto outros fatores, como falhas na comunicação com fornecedores, ausência de dados para tomada de decisão e carência de capital humano qualificado, apareceram com menor frequência, mas ainda compõem o quadro de dificuldades. A predominância da burocracia como entrave dialoga diretamente com a necessidade de otimização de processos internos e logísticos, conforme preconizado pela literatura acadêmica sobre eficiência no varejo (Marziale, 2010).

A frequência com que novas tecnologias são implementadas no setor comercial da Las Rozas também contribui para a sensação de estagnação. A maioria dos colaboradores indicou que as mudanças ocorrem apenas ocasionalmente, em intervalos de dois a três anos, ou raramente, superando os três anos. Essa baixa recorrência na adoção de novas ferramentas limita a percepção de evolução e mantém a equipe presa a métodos tradicionais que podem estar se tornando obsoletos frente à velocidade do mercado varejista global. A inovação, para ser efetiva, exige uma continuidade que não foi identificada na rotina da organização estudada.

No que tange ao preparo dos colaboradores para lidar com novas tecnologias, a pesquisa revelou que a grande maioria se sente apenas parcialmente preparada. Apenas uma pequena parcela avaliou-se como totalmente preparada, enquanto os níveis mais baixos de percepção de competência técnica reforçam a existência de dificuldades no manuseio de ferramentas complexas. Relatos colhidos na pergunta aberta destacam a necessidade premente de disponibilização de mais ferramentas para análise de dados e a crítica à falta de evolução sistêmica, o que torna o trabalho manual excessivamente presente no dia a dia. A ausência de programas de capacitação e treinamento contínuo foi identificada como um fator que limita a efetividade de qualquer tentativa de inovação tecnológica, pois o engajamento dos profissionais depende diretamente da segurança e do domínio que possuem sobre as ferramentas de trabalho (Argudin, 2021).

A análise qualitativa das respostas abertas permitiu identificar três categorias centrais de preocupação. A primeira refere-se aos desafios estruturais, onde os colaboradores apontaram que os processos de compras ainda são excessivamente manuais, o que gera atrasos na adoção de práticas inovadoras e compromete a eficiência global do setor. Menções específicas à necessidade de ferramentas digitais mais modernas e à integração tecnológica entre diferentes departamentos foram recorrentes. A segunda categoria foca na capacitação, evidenciando que a falta de treinamento adequado impede que as inovações sejam plenamente absorvidas pela equipe. A percepção de insegurança e resistência diante do novo é um reflexo direto da carência de suporte educacional corporativo. A terceira categoria revela uma expectativa de transformação futura, com os colaboradores expressando otimismo em relação à digitalização crescente, ao uso de inteligência artificial e à automação como elementos inevitáveis e desejáveis para o setor de compras.

Esses achados corroboram a ideia de que a inovação é uma exigência competitiva, mas sua eficácia prática só se concretiza quando os profissionais envolvidos estão devidamente preparados e motivados para operar as mudanças (Silva et al., 2023). O engajamento dos colaboradores é o motor que transforma a tecnologia em resultado efetivo. Na Las Rozas, o sentimento de que o trabalho manual ainda é o protagonista das atividades comerciais gera um descompasso entre a visão estratégica da diretoria e a realidade das mesas de operação. Para que a organização atinja sua meta de ser a mais eficiente da região, é imperativo que ocorra um alinhamento entre as tendências globais de varejo e a prática interna, eliminando gargalos burocráticos e investindo no capital humano.

A área comercial possui um papel central nesse processo de transformação, sendo simultaneamente fonte de dados para a inovação e a principal beneficiária das melhorias aplicadas (Galvão, 2024). A transição para processos mais automatizados e o uso de inteligência artificial para a precificação dinâmica e gestão de estoques aparecem no horizonte dos colaboradores como soluções para os problemas atuais. No entanto, a implementação dessas tecnologias deve ser acompanhada de uma revisão profunda dos fluxos de trabalho, garantindo que a inovação não seja apenas uma camada tecnológica sobre processos antigos e ineficientes. A capacidade das organizações de se adaptarem às mudanças de mercado e sustentarem o sucesso a longo prazo depende dessa harmonia entre tecnologia, processos e pessoas (Tidd e Bessant, 2024).

As limitações deste estudo residem no fato de ter sido realizado em uma única organização varejista, o que restringe a generalização dos resultados para todo o setor. Além disso, a natureza qualitativa do questionário online pode ter limitado a profundidade de algumas respostas, uma vez que alguns participantes optaram por contribuições mais genéricas. Contudo, os dados obtidos são suficientes para traçar um diagnóstico claro das percepções internas e identificar os pontos críticos que demandam intervenção imediata da gestão. A dualidade entre a visão dos gestores e a dos assistentes aponta para uma falha na comunicação interna sobre os objetivos e os benefícios das inovações implementadas, sugerindo que a transparência e o compartilhamento de metas são fundamentais para o sucesso das transformações organizacionais.

Para pesquisas futuras, recomenda-se a expansão da amostra para outras empresas do varejo de diferentes portes e regiões geográficas, permitindo uma comparação mais abrangente das realidades do setor. Estudos longitudinais que acompanhem a implementação de novas tecnologias e a evolução da percepção dos colaboradores ao longo do tempo também seriam valiosos para compreender o ciclo de maturação da inovação no ambiente corporativo. O uso de métodos complementares, como entrevistas em profundidade ou grupos focais, poderia trazer à tona nuances das experiências pessoais que não são totalmente capturadas por questionários estruturados, enriquecendo a compreensão sobre as barreiras psicológicas e culturais à inovação.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que se identificou que a percepção de inovação no setor comercial da empresa estudada é fragmentada e fortemente influenciada pela posição hierárquica dos colaboradores. Enquanto a gestão visualiza um cenário de avanços, a base operacional ainda se sente sobrecarregada por processos manuais e burocráticos que impedem a percepção da inovação tecnológica na prática. A carência de treinamentos específicos e a baixa frequência de atualização das ferramentas de trabalho surgem como os principais obstáculos para uma transformação digital efetiva. O reconhecimento desses gargalos estruturais e a valorização do capital humano são passos indispensáveis para que a organização supere a estagnação percebida e alcance os níveis de eficiência operacional desejados em seu plano de expansão.

Referências Bibliográficas:

ACE. Ace Innovation Survey Report 2019. São Paulo, 2019.

ARGUDIN, A. Importância dos colaboradores no processo de inovação da companhia. Metropoles, Brasília, 18 jul. 2021.

BASTOS, J. E. de S.; SOUSA, J. M. de J.; SILVA, P. M. N.; AQUINO, R. L. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 3, p. 623-636, 2023.

GALVÃO, Juliano. A importância da inovação no setor comercial: adaptando-se às mudanças do mercado. LinkedIn, 2024.

MARTINS, H. H. T. de S. Metodologia qualitativa de pesquisa. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/4jbGxKMDjKq79VqwQ6t6Ppp/.

MARZIALE, M. H. P. Investigación estratégica, innovación tecnológica y enfermería. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/9d12/d8884b1c04d2a3b41adc70662e886e2591e8.pdf.

MIRANDA, Gilberto José. Elaboração e aplicação de questionários. In: NOVA, Silvia Pereira de Castro Casa et al. (org.). Trabalho de Conclusão de Curso: uma abordagem leve, divertida e prática. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. p. 216-229.

SILVA, C. G. L.; LIMA, F. J. P.; FERREIRA, H. S.; MARTINS, G. Inovação: Um caminho para a longevidade e sucesso da organização. 2023.

TIDD, J.; BESSANT. Innovation and Entrepreneurship. 3. ed. Chichester: John Wiley & Sons, 2014.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Quem editou este artigo

Mais recentes

Você também pode gostar

Quer ficar por dentro das nossas últimas publicações? Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade