Resumo Executivo

24 de abril de 2026

Endomarketing e saúde mental: estratégias de bem-estar organizacional

Francielle Aparecida dos Santos; Camila Alves Cruz Ortega

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O ambiente de trabalho contemporâneo é marcado por constantes transformações que exigem das organizações não apenas foco em resultados financeiros, mas também uma atenção rigorosa à qualidade de vida de quem compõe a força produtiva. Nesse contexto, o endomarketing surge como uma estratégia essencial voltada ao fortalecimento da comunicação interna e ao engajamento do público interno, que passa a ser considerado o primeiro e mais importante cliente da organização. Mais do que uma simples ferramenta de gestão, essa prática contribui para a criação de um clima organizacional positivo, favorecendo a motivação, a produtividade e a retenção de talentos. A satisfação e o engajamento do cliente interno influenciam diretamente a imagem que a empresa projeta ao mercado externo, tornando a comunicação clara e a valorização constante aspectos estratégicos para a manutenção da competitividade (Bekin, 2005).

A saúde mental consolidou-se como um fator determinante para o bem-estar dos trabalhadores e para a performance global das instituições. Altos índices de estresse, ansiedade e esgotamento têm levado as corporações a repensarem as práticas de gestão e a buscarem estratégias que reduzam os riscos psicossociais. O endomarketing, ao valorizar o indivíduo e aproximá-lo dos objetivos institucionais, torna-se uma ferramenta fundamental para enfrentar esses desafios. Ao ser aplicado de forma sistemática, promove uma integração profunda entre setores e pessoas, criando um ambiente em que os funcionários se percebem como parte essencial da missão organizacional. Essa perspectiva reconhece os colaboradores como ativos valiosos e defende a necessidade de envolvê-los em decisões, proporcionando reconhecimento e oferecendo condições favoráveis de trabalho.

A prática do endomarketing é capaz de criar um ambiente de entusiasmo e transformação positiva dentro das organizações, pois conecta os profissionais aos propósitos institucionais e fortalece a cultura organizacional (Brum, 2017). Assim, ao promover motivação, integração e cuidado com a saúde mental, a estratégia contribui não apenas para o desempenho econômico, mas também para a construção de empresas mais humanas e sustentáveis. A urgência em discutir estratégias que favoreçam a saúde mental no trabalho justifica-se pelo fato de que grande parte dos profissionais brasileiros relatam situações de estresse, sobrecarga e desejo de desligamento em função de ambientes desfavoráveis. A associação entre marketing interno e saúde mental oferece um campo promissor para compreender como ações de valorização podem mitigar riscos psicossociais e promover o bem-estar coletivo.

O papel da liderança é central nesse processo, uma vez que gestores atuam como mediadores entre os objetivos organizacionais e as expectativas dos colaboradores. Quando existe alinhamento entre liderança e equipe, o resultado é um clima de transparência, engajamento e cooperação. A abertura para feedbacks e a prática de escuta ativa fortalecem o senso de pertencimento e reduzem barreiras internas, estimulando os profissionais a alcançarem metas de forma mais motivada e participativa. O endomarketing deve ser compreendido como uma estratégia que ultrapassa o campo da comunicação para se transformar em uma filosofia de gestão voltada ao capital humano. A valorização do colaborador atua como elo entre a satisfação interna e o desempenho externo, permitindo que a construção de um ambiente saudável e colaborativo reflita diretamente nos resultados organizacionais.

Para a execução deste estudo, adotou-se uma abordagem exploratória, visando conhecer os atributos que influenciam o bem-estar e a saúde mental nas organizações. O objetivo da pesquisa exploratória é identificar o problema e torná-lo mais compreensível, possibilitando a construção de hipóteses e a ampliação do entendimento sobre o fenômeno estudado (Gil, 2017). O caráter explicativo também foi incorporado, procurando identificar as relações de causa e efeito entre as práticas de endomarketing e a saúde mental no ambiente organizacional. Esse tipo de investigação busca compreender como a comunicação interna, a valorização e a motivação impactam diretamente o engajamento e a percepção de bem-estar (Lakatos e Marconi, 2001).

O estudo possui natureza descritiva, detalhando as percepções dos colaboradores sobre aspectos como equilíbrio entre vida pessoal e profissional, estresse, esgotamento mental e motivação. A pesquisa descritiva apresenta características de uma população ou fenômeno, identifica correlações entre variáveis e define sua natureza, fornecendo subsídios importantes para interpretações posteriores (Vergara, 2000). A natureza dos dados foi quali-quantitativa, integrando análises numéricas e interpretações subjetivas para compreender não apenas as tendências gerais, mas também a profundidade das percepções dos participantes.

A coleta de dados ocorreu entre os dias 12 e 13 de junho de 2025, utilizando um questionário estruturado elaborado na plataforma Google Forms. O instrumento continha questões fechadas, de múltipla escolha e de escala, abrangendo eixos temáticos fundamentais: comunicação interna, valorização pelos gestores, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, estresse, esgotamento mental, motivação e intenção de permanência na empresa. O link para acesso foi compartilhado em grupos e contatos profissionais via redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, garantindo agilidade no processo de coleta.

A amostra foi definida por conveniência, composta por colaboradores de diferentes faixas etárias, gêneros, níveis de escolaridade e estados brasileiros. O delineamento utilizou o método de levantamento de campo, ou survey, adequado para coletar informações diretamente junto aos respondentes em larga escala de forma online, o que garantiu alcance geográfico e flexibilidade na participação. Complementarmente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental para fornecer o embasamento teórico necessário sobre gestão de pessoas e clima organizacional.

A análise dos dados quantitativos foi realizada por meio de estatística descritiva simples, considerando frequência absoluta e porcentagem das respostas. Os dados qualitativos, oriundos das percepções subjetivas, foram tratados para identificar categorias relacionadas ao bem-estar e ao engajamento. Embora a amostra por conveniência apresente limitações quanto à generalização universal dos resultados, os dados oferecem indícios relevantes para compreender a relação entre as estratégias organizacionais e a promoção da saúde mental no ambiente corporativo.

O processo operacional da pesquisa seguiu etapas rigorosas, iniciando pela definição dos eixos temáticos do questionário para garantir que todas as dimensões do endomarketing fossem contempladas. A primeira etapa consistiu na revisão da literatura para fundamentar as perguntas. A segunda etapa envolveu a estruturação técnica no software de formulários, testando a clareza das perguntas. A terceira etapa foi a distribuição controlada do link. A quarta etapa envolveu a tabulação dos dados e a geração de frequências estatísticas para posterior cruzamento com a base teórica. Cada resposta foi analisada individualmente para garantir a integridade dos dados coletados, eliminando duplicidades ou respostas incompletas que pudessem enviesar o resultado final.

A análise dos resultados inicia-se pela caracterização da amostra, que contemplou diferentes identidades de gênero, possibilitando uma visão abrangente sobre as percepções de bem-estar. Essa diversidade é relevante, pois os impactos do trabalho sobre a saúde mental são influenciados também por fatores sociais e de gênero, o que explica diferenças na forma como colaboradores avaliam o ambiente organizacional (Dejours, 2018). A distribuição etária mostrou uma predominância de indivíduos entre 26 e 45 anos, faixa que vivencia intensamente as pressões relacionadas à carreira, estabilidade financeira e responsabilidades familiares. Trabalhadores em idade economicamente ativa tendem a enfrentar maiores riscos de adoecimento psicológico pelo acúmulo de demandas profissionais e pessoais (Seligmann-Silva, 2011).

Quanto ao nível de escolaridade, observou-se uma concentração em profissionais com ensino superior e pós-graduação. Esse perfil indica que os participantes possuem repertório crítico para avaliar as estratégias de marketing interno, especialmente no que tange à comunicação e ao papel das lideranças. Níveis educacionais mais elevados tendem a gerar expectativas maiores em relação à valorização e ao reconhecimento, tornando a gestão de pessoas um fator crítico para a retenção de talentos (Robbins e Judge, 2014). Geograficamente, houve predominância de respostas oriundas de São Paulo e Rio de Janeiro, o que reflete a realidade de grandes centros urbanos onde o ritmo de trabalho e a competitividade são acentuados.

Ao avaliar o nível de bem-estar no ambiente organizacional, a maioria dos participantes apresentou uma experiência positiva ou neutra, porém uma parcela significativa relatou percepções negativas. Esse dado demonstra que, apesar da existência de práticas voltadas ao cuidado com o colaborador, ainda há lacunas a serem preenchidas para garantir um ambiente saudável. Empresas que aplicam estratégias consistentes de endomarketing tendem a gerar maior engajamento interno e entusiasmo, o que reflete diretamente na satisfação geral (Brum, 2017). A ausência de uma percepção plenamente positiva em toda a amostra sugere que as ações podem estar sendo executadas de forma fragmentada.

A eficácia da comunicação interna sobre saúde e bem-estar foi outro ponto crítico. Enquanto parte dos respondentes considerou a comunicação eficaz, muitos apontaram falhas ou raridade de ações nesse sentido. A comunicação organizacional não deve ser vista apenas como transmissão de informações, mas como uma prática estratégica que constrói vínculos, engajamento e clima de confiança (Kunsch, 2016). A carência de canais transparentes e constantes dificulta o alinhamento de expectativas e o acolhimento das necessidades psicológicas dos funcionários.

No que se refere à valorização e ao acompanhamento pelos gestores, grande parte dos colaboradores sente-se apenas moderadamente reconhecida ou pouco valorizada. A percepção sobre o suporte profissional variou, com índices relevantes de insatisfação. O engajamento só é plenamente possível quando o trabalhador percebe clareza no apoio da liderança e na integração com os objetivos da empresa. O acompanhamento contínuo e o feedback assertivo são fatores decisivos para o bem-estar e para a motivação no cotidiano laboral. A prática do endomarketing precisa ser mais consistente na mediação entre as expectativas dos indivíduos e as metas da organização para fortalecer o senso de pertencimento.

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional revelou-se um desafio expressivo. Embora parte dos participantes consiga conciliar as duas dimensões, muitos admitiram dificuldades, relatando sobrecarga e estresse. A satisfação de necessidades pessoais é fundamental para que o indivíduo alcance níveis mais elevados de autorrealização, o que justifica a importância de políticas organizacionais voltadas à flexibilidade e à qualidade de vida (Maslow, 1943). A ausência desse equilíbrio é um dos principais gatilhos para o esgotamento mental e a queda de produtividade.

As respostas evidenciaram a presença recorrente de estresse e esgotamento, reconhecidos pela maioria como situações comuns no cotidiano. O estresse ocupacional é um dos principais fatores de risco para o adoecimento mental e para a redução da eficiência operacional (OMS, 2020). Os dados indicam que a maioria dos participantes sente-se estressada a ponto de comprometer o desempenho em determinados momentos. O estresse organizacional reduz a motivação e prejudica o engajamento a longo prazo. O endomarketing, aliado a práticas de gestão humanizadas, pode contribuir para minimizar esses fatores de pressão ao promover o reconhecimento e melhorar o fluxo de informações.

A intenção de deixar a empresa ou mudar de setor foi manifestada por uma parte considerável dos colaboradores, motivada por problemas de gestão ou ambiente desfavorável. Esse achado evidencia uma relação direta entre falhas nas estratégias de valorização interna e o aumento do turnover. O alinhamento entre as políticas de marketing interno e a saúde organizacional é fundamental para reduzir os índices de rotatividade e promover um ambiente mais produtivo. A valorização do colaborador promove o pertencimento, e práticas consistentes de cuidado com a saúde mental são capazes de fortalecer o vínculo entre o profissional e a instituição (Brum, 2017).

A avaliação geral das empresas quanto ao tema do bem-estar revelou uma predominância de conceitos regular e bom, mas com uma quantidade expressiva de avaliações ruins. Poucos consideraram a atuação das organizações como excelente. Isso sugere que, embora existam esforços, as práticas ainda são percebidas como insuficientes ou pouco estruturadas. O bem-estar organizacional depende de uma gestão que alinhe as expectativas individuais aos objetivos institucionais de forma genuína. O endomarketing deve ser utilizado não apenas como uma ferramenta tática de comunicação, mas como uma filosofia de gestão capaz de consolidar políticas de cuidado sustentáveis.

A análise dos dados reforça que o investimento em ações de valorização aumentaria significativamente a motivação e o compromisso com os resultados para a grande maioria dos respondentes. Essa constatação valida a importância de reconhecer o valor do capital humano e promover um ambiente transparente e participativo. O marketing interno deve ser tratado como parte da estratégia global da organização para que impacte de fato o desempenho e a saúde mental (Grönroos, 2009). A integração de programas de saúde mental com as campanhas de comunicação interna pode criar uma rede de apoio que previne o agravamento de quadros de ansiedade e depressão no trabalho.

As limitações do estudo residem no tamanho da amostra e na sua natureza por conveniência, o que impede a generalização para todos os setores da economia. No entanto, os resultados são consistentes com a literatura atual que aponta para uma crise de saúde mental no ambiente corporativo brasileiro. Sugere-se que pesquisas futuras explorem setores específicos, como a indústria ou o varejo, para identificar se as carências de endomarketing variam conforme a natureza da atividade econômica. Além disso, a investigação do papel das tecnologias digitais e do trabalho remoto na percepção de bem-estar constitui um campo relevante para novos estudos.

A discussão dos dados permite concluir que a ausência de reconhecimento e a falha na comunicação são os principais detratores da saúde mental. Quando o colaborador não recebe feedback ou não compreende seu papel na organização, o sentimento de invisibilidade gera desmotivação. Por outro lado, ações simples de endomarketing, como programas de reconhecimento, canais de escuta ativa e campanhas de conscientização sobre saúde mental, possuem um alto potencial de reversão desse quadro. A gestão humanizada, portanto, não é apenas uma escolha ética, mas uma necessidade estratégica para a sustentabilidade do negócio.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que se identificou a relação direta entre as práticas de endomarketing e a promoção da saúde mental, evidenciando que estratégias de comunicação interna e valorização profissional são fundamentais para mitigar o estresse e aumentar o engajamento. Os resultados demonstraram que, embora existam iniciativas organizacionais, persistem lacunas significativas no suporte dos gestores e na eficácia da comunicação sobre bem-estar, o que impacta a intenção de permanência dos colaboradores. A implementação de uma filosofia de gestão voltada ao capital humano, que integre o cuidado com a saúde mental às estratégias de marketing interno, configura-se como o caminho mais eficaz para construir ambientes de trabalho saudáveis, produtivos e capazes de reter talentos em um mercado cada vez mais exigente e dinâmico.

Referências Bibliográficas:

Bekin, S.F. 2005. Endomarketing: como praticá-lo com sucesso. Prentice Hall, São Paulo, SP, Brasil.

Brum, A.M. 2017. Endomarketing estratégico: como transformar líderes em comunicadores e empregados em seguidores. Integrare, São Paulo, SP, Brasil.

Dejours, C. 2018. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5ed, Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Gil, A.C. 2017. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Gronroos, C. 2009. Marketing: gerenciamento e serviços. 3ed. Elsevier, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Kunsch, M.M.K. 2016. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. 5ed. Summus, São Paulo, SP, Brasil.

Lakatos, E.M.; Marconi, M.A. 2001. Fundamentos metodologia científica. 4.ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Maslow, A.H. 1943. A theory of human motivation. Psychological Review, v. 50, n. 4, p. 370-396, 1943.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). 2020. Diretrizes sobre saúde mental no trabalho. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work. Acesso em: 14 ago. 2025.

Robbins, S.P.; Judge, T.A. 2014. Fundamentos do comportamento organizacional. 12ed. Pearson, São Paulo, SP, Brasil.

Seligmann-Silva, E. 2011. Trabalho e desgaste mental: o direito de ser dono de si mesmo. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Vergara, S.C. 2000. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3.ed. Atlas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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