O FETHAB no contexto da soja mato-grossense

Coluna

Direito Tributário

12 de março de 2026

O FETHAB no contexto da soja mato-grossense

Como a estrutura de financiamento estadual interage com custos, logística e desempenho econômico da principal commodity do Estado

O Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil. A escala impressiona: somente na safra 2024/2025 o estado ultrapassou 50 milhões de toneladas produzidas, consolidando-se como eixo central da oferta brasileira destinada ao mercado interno e, sobretudo, às exportações. O estado responde sozinho por aproximadamente um quarto da produção nacional e integra uma região, o Centro-Oeste, responsável por cerca de 45% de toda a soja produzida no país. Paradoxalmente, contudo, o produtor mato-grossense frequentemente recebe um dos menores preços médios da saca no mercado interno. Surge, então, um dilema estrutural: como um estado líder absoluto em volume convive com margens pressionadas?

Parte da resposta pode estar em um elemento pouco discutido do ambiente econômico regional. Instrumentos criados para financiar a infraestrutura estadual, como o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB), também passam a integrar a estrutura de custos que influencia a competitividade da principal commodity do estado. Nesse contexto, o fundo deixa de ser apenas um mecanismo fiscal e passa a ocupar lugar relevante no debate sobre competitividade.

Infraestrutura

Criado no início dos anos 2000, o FETHAB consolidou-se como um dos principais mecanismos de financiamento de infraestrutura em Mato Grosso. Seu desenho é simples: parte da produção agropecuária contribui com valores vinculados à comercialização, destinados a obras e políticas públicas estaduais. Ao longo do tempo, porém, o fundo passou a operar de maneira articulada ao sistema tributário estadual, especialmente ao do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), condicionando o acesso a determinados regimes fiscais à adesão ao mecanismo.

É nesse ponto que o debate deixa de ser meramente administrativo e assume contornos econômicos. O FETHAB não é apenas um fundo de arrecadação; ele se insere na arquitetura de incentivos que organiza a relação entre Estado e agronegócio. Sua incidência dialoga com fluxo de caixa, timing de comercialização e formação de preço. Em cadeias produtivas fortemente integradas ao mercado internacional, variações moderadas de custo podem afetar margens e decisões estratégicas.

Em 2023, por exemplo, a cadeia da soja gerou cerca de R$ 1,2 bilhão em arrecadação para o FETHAB, o equivalente a aproximadamente 68% do total do fundo. Isso não é surpresa: o Mato Grosso lidera a produção nacional e sustenta parcela relevante da oferta destinada às exportações. O que merece reflexão é o seguinte: quando o financiamento da infraestrutura depende do desempenho da principal commodity estadual, parte da competitividade do setor passa a financiar o próprio ambiente logístico em que opera.

Trata-se de um arranjo que revela virtudes e tensões. Por um lado, o modelo permite ao Estado ampliar investimentos em transporte e infraestrutura, elementos indispensáveis para reduzir gargalos históricos de escoamento. Em regiões distantes dos portos, a logística representa parcela expressiva da composição de custos. Estimativas do setor indicam que o frete[1] pode representar entre 20% e 30% do valor da soja exportada, dependendo da distância e das condições de transporte.

Por outro lado, a contribuição vinculada à produção integra a estrutura de custos do produtor. Essa pressão se torna mais relevante quando observada no contexto de formação de preços no mercado nacional. Ainda que não seja o único fator relevante, pois câmbio, frete, armazenagem, crédito e clima continuam determinantes; ela compõe o ambiente econômico no qual decisões são tomadas. Em um setor exposto à volatilidade internacional, qualquer elemento que altere margens merece análise cuidadosa.

Paradoxo

O paradoxo emerge com nitidez: o maior produtor nacional frequentemente figura entre os estados com menor preço médio recebido. Dados da Conab mostram que, em 2023, enquanto a saca de soja atingiu aproximadamente R$ 141,79 no Rio Grande do Sul e R$ 134,83 no Paraná, em Mato Grosso o valor médio ficou em torno de R$ 124,89, valores que em diversos momentos permaneceram abaixo dos registrados em outros estados produtores. As razões são múltiplas, sobretudo logísticas e geográficas. Contudo, a discussão sobre competitividade não pode desconsiderar a composição interna de custos. Instrumentos de financiamento setorial, quando vinculados à fruição de benefícios fiscais, passam a ocupar posição estrutural dentro do sistema produtivo.

Esse modelo também suscita reflexões federativas. Fundos vinculados à produção agropecuária não são exclusividade do Mato Grosso; outros estados adotaram estruturas semelhantes. Ainda assim, a articulação entre política de incentivo e contribuição setorial exige atenção constante quanto à neutralidade concorrencial e à previsibilidade das regras. Em economias regionais altamente dependentes de commodities, o equilíbrio entre arrecadação e competitividade torna-se particularmente sensível.

Não se trata de afirmar que o FETHAB seja, em si, distorcivo ou ineficiente. A questão central é mais complexa: até que ponto o desenho atual maximiza os benefícios coletivos sem internalizar custos permanentes sobre o setor que sustenta o fundo?

A competitividade da soja mato-grossense não se define por um único fator. Ela resulta da interação entre mercado global, política cambial, capacidade logística, tecnologia agrícola e estrutura tributária. Em um estado cuja produção anual supera 50 milhões de toneladas, volume superior ao de muitos países produtores, pequenas variações de custo podem produzir impactos relevantes sobre margens e competitividade internacional.

A discussão, portanto, não é meramente contábil. É estratégica. Instrumentos de financiamento setorial precisam dialogar com ciclos de mercado, oscilações de preço e dinâmica internacional. À medida que novas safras se sucedem e o ambiente regulatório evolui, o acompanhamento permanente dos efeitos econômicos torna-se indispensável.

Entre a vinculação de receitas e a busca por competitividade, o desafio está em calibrar incentivos. O financiamento da infraestrutura é condição necessária para o desenvolvimento regional. Ao mesmo tempo, a inserção internacional da soja exige atenção a cada componente da formação de custos.

O FETHAB revela, em última análise, um dilema clássico das políticas públicas contemporâneas: como sustentar investimentos estruturais sem comprometer a base produtiva que os financia. A resposta não está em simplificações, mas na análise contínua de seus efeitos econômicos, logísticos e federativos.

Se o Mato Grosso continuará liderando a produção nacional, a questão que permanece é como equilibrar, de forma dinâmica, arrecadação e competitividade. O debate não se encerra na existência do fundo, mas no seu desenho e na forma como dialoga com um setor cada vez mais integrado ao mercado global. 

Para ter acesso às referências desse texto clique aqui

Quem publicou esta coluna

Bruna Esteves

Advogada tributarista. Bacharela em Direito, mestra e doutoranda em Direito Econômico e Economia Política, todos na FD-USP. Possui MBA em Gestão Tributária, Investimentos e Banking e em Agronegócios pela USP/Esalq. Atua como professora de prática tributária do Curso de Especialização em Direito Tributário Brasileiro (IBDT) e como orientadora do MBA USP/Esalq.

Você também pode gostar

29 de setembro de 2026

Método de Gestão Integrada para o Terceiro Setor: Acessibilidade Cognitiva e Territorialidade para Mulheres Periféricas

O estudo analisou a gestão de iniciativas econômicas lideradas por mulheres em territórios periféricos, contextos marcados por desigualdades estruturais e pela economia da urgência. O objetivo geral foi desenvolver uma estrutura metodológica de gestão voltada a gestoras em situação de vulnerabilidade, integrando psicoeducação e ferramentas práticas de organização. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, com 12 mulheres gestoras de pequenos negócios. Os dados foram coletados por meio de entrevistas e submetidos à análise de conteúdo, cujas categorias orientaram a definição dos componentes e das ferramentas da proposta metodológica. Os resultados indicaram que a escassez, a sobrecarga de responsabilidades e as barreiras territoriais limitam o planejamento de longo prazo, exigindo modelos de gestão que considerem dimensões emocionais e sociais da experiência empreendedora, além dos aspectos técnicos. Concluiu-se que o Método de Gestão Feminina Periférica constitui uma proposta acessível e territorialmente adaptável, estruturada em organização financeira visual, psicoeducação e redes de apoio, que transformou os achados das entrevistas em ferramentas práticas para o fortalecimento da autoeficácia, da organização e da sustentabilidade das iniciativas das participantes.

Palavras-chave: Economia comportamental; Empreendedorismo feminino; Gestão periférica; Tecnologias sociais; Vulnerabilidade socioeconômica.

29 de setembro de 2026

Predição do engajamento estudantil em ensino a distância com random forest

O crescimento dos cursos de ensino a distância (EAD), intensificado no cenário pós-COVID-19, ampliou o acesso à educação, mas também revelou desafios significativos relacionados ao engajamento e à permanência dos estudantes. Estudos recentes indicaram que baixos níveis de engajamento em ambientes virtuais de aprendizagem estiveram associados à evasão e ao baixo desempenho acadêmico. Diante desse contexto, o estudo objetivou identificar padrões de comportamento estudantil que possibilitassem a detecção precoce do desengajamento. Para isso, utilizou-se uma abordagem baseada em mineração de dados e aprendizado supervisionado, a partir de dados gerados por ambientes virtuais de aprendizagem, incluindo logs de acesso, participação em fóruns, envio de atividades e tempo de estudo. Desenvolveu-se um modelo preditivo empregando o algoritmo Random Forest, selecionado por sua capacidade de lidar com dados heterogêneos e ruidosos. Os resultados indicaram que a abordagem foi eficaz na identificação de padrões relevantes de comportamento estudantil. Concluiu-se que o modelo proposto apresentou potencial para apoiar intervenções pedagógicas e subsidiar a tomada de decisão em instituições de ensino, contribuindo para a melhoria da retenção e do sucesso acadêmico.

Palavras-chave: Aprendizagem online; Comportamento do aluno; Evasão acadêmica; Mineração educacional; Modelos preditivos.

Compliance E Esg

29 de setembro de 2026

Governança e sustentabilidade na mineração: reestruturação da integridade após desastre socioambiental

A crescente relevância dos critérios Environmental, Social and Governance (ESG) tem redefinido os modelos de governança corporativa, especialmente em setores de elevado impacto socioambiental, como a mineração. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo analisar o processo de reestruturação da governança corporativa e das estratégias de ESG em uma organização do setor mineral, com foco na transição de um modelo de conformidade simbólica para uma gestão de riscos integrada. Metodologicamente, a pesquisa caracterizou-se como qualitativa e exploratória, utilizando o estudo de caso único e a pesquisa documental como procedimentos técnicos, com análise dos dados baseada na técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram que a organização operava sob um modelo de paper compliance, no qual a conformidade documental não era acompanhada de efetividade prática, contribuindo para a ocorrência de falhas sistêmicas na gestão de riscos. Após o evento crítico analisado, observou-se a implementação de medidas de reestruturação, incluindo o fortalecimento dos mecanismos de controle, a criação de estruturas independentes de governança e a incorporação de indicadores ESG à gestão estratégica. Concluiu-se que a efetividade das práticas ESG depende da internalização de uma cultura de integridade organizacional, sendo insuficiente a adoção de mecanismos formais desvinculados da prática institucional, reforçando a necessidade de integração entre governança, ética e sustentabilidade para a prevenção de riscos e a promoção da resiliência corporativa.

Palavras-chave: Compliance; ESG; Gestão de Risco; Governança corporativa; Sustentabilidade empresarial.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

29 de setembro de 2026

Compreensão do Transtorno do Espectro Autista à luz da Neurociência: e-book formativo para educadores

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurobiológica que impacta o desenvolvimento cerebral, afetando a interação social, comunicação e comportamento. Diante do crescente número de pessoas com TEA no Brasil, a qualificação da prática educacional inclusiva tornou-se essencial para assegurar um aprendizado eficaz. Objetivou-se desenvolver um e-book acessível a educadores, compilando e traduzindo conhecimentos neurocientíficos sobre o TEA para subsidiar uma prática pedagógica mais intencional. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter documental e aplicado, estruturada em etapas de fundamentação teórica, análise documental e elaboração do produto educacional. Analisaram-se referenciais diagnósticos, como o DSM-5 e a CID-11, e a legislação brasileira de inclusão, utilizando a técnica de análise de conteúdo. Os resultados revelaram um distanciamento entre o laudo clínico e sua aplicação no contexto escolar, frequentemente interpretado de forma reducionista. Evidenciou-se que a compreensão de aspectos neurocognitivos, como a conectividade cerebral e as dificuldades nas funções executivas, além do processamento sensorial, foi fundamental para evitar a sobrecarga e favorecer a aprendizagem. Concluiu-se que o e-book proposto constituiu um suporte prático e didático para docentes, mediando a teoria e a prática e promovendo uma atuação mais consciente e alinhada às necessidades individuais dos alunos com TEA, contribuindo para uma educação inclusiva e humanizada.

Palavras-chave: Autismo; Educação inclusiva; Funções executivas; Neurociência; Prática pedagógica.

Digital Business

29 de setembro de 2026

O paradoxo dos independentes: titularidade, distribuição e controle no mercado fonográfico brasileiro

A presença de artistas independentes na indústria fonográfica brasileira ampliou-se nos últimos anos, acompanhada por mudanças nas estruturas de circulação da música no ambiente digital. O estudo analisou o paradoxo dos independentes: a possibilidade de que a presença independente na titularidade dos fonogramas não corresponda, na mesma medida, a um controle equivalente sobre a distribuição. A pesquisa adotou abordagem quantitativa e caráter descritivo, com base no mapeamento de 1.143 registros de faixas brasileiras que compuseram o Top 50 mensal da Pro-Música Brasil entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, analisados por meio de estatística descritiva. Os resultados mostraram que a titularidade independente permaneceu relativamente estável ao longo do período analisado, enquanto a distribuição permaneceu mais concentrada nas três majors nos dois anos observados. Observou-se também que parte dos agentes independentes utilizou estruturas de distribuição vinculadas às grandes gravadoras para acessar o segmento de maior consumo, configuração que se manteve presente nos dois anos analisados. Nesse contexto, concluiu-se que a independência não se apresenta como uma posição fixa, mas como uma condição definida pela forma como o repertório se articula com os sistemas que organizam sua circulação, evidenciando uma assimetria persistente entre titularidade e distribuição.

Palavras-chave: Concentração de mercado; Distribuição musical; Economia da música; Indústria fonográfica; Streaming.

Compliance E Esg

29 de setembro de 2026

Compliance ambiental em postos de combustíveis no Paraná: Modelo de referência para conformidade

A conformidade ambiental em postos de combustíveis é crucial devido aos riscos inerentes à atividade. O estudo analisou o nível de conformidade ambiental de postos de combustíveis no Paraná, por meio do desenvolvimento e aplicação de um checklist baseado na legislação vigente, com foco na sistematização das obrigações legais e no apoio à gestão ambiental. A pesquisa foi conduzida como estudo de caso, com abordagem qualitativa, envolvendo a análise de três empreendimentos em Curitiba. Os resultados indicaram variação no nível de conformidade entre os empreendimentos, com melhor desempenho em requisitos técnicos e estruturais, e maior incidência de não conformidades relacionadas à gestão documental e ao acompanhamento de obrigações periódicas. Identificaram-se falhas no controle de condicionantes de licenciamento ambiental, na gestão de resíduos e na formalização de programas e planos ambientais, evidenciando fragilidade na sistematização da gestão ambiental. Concluiu-se que a adoção de instrumentos estruturados de verificação, como o checklist, pode contribuir para a organização das obrigações legais, a redução de não conformidades e a prevenção de riscos e passivos ambientais, fortalecendo as práticas de compliance ambiental.

Palavras-chave: Avaliação ambiental; Controle ambiental; Controle documental; Gestão ambiental; Licenciamento ambiental.

Compliance E Esg

29 de setembro de 2026

Responsabilidade social corporativa: análise comparativa entre discurso institucional e percepção social

O estudo analisou o discurso corporativo e as percepções sociais sobre um projeto do pilar social da agenda ESG da Ambev, multinacional do setor de bebidas. Objetivou-se compreender a medida em que o discurso apresentado no Relatório Anual de Sustentabilidade da empresa se alinhava às percepções do público externo sobre uma iniciativa específica. Para tanto, empregou-se uma pesquisa qualitativa, caracterizada como estudo de caso comparativo. Analisaram-se comentários publicados no feed do Instagram da empresa, referentes ao ano de 2024 e ao programa em questão, e o Relatório de Sustentabilidade de 2025. A análise dos dados foi conduzida por meio do método de análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram lacunas significativas entre o discurso corporativo e a percepção social da iniciativa. O principal ponto de tensão referiu-se às condições de trabalho, pois o cuidado com os colaboradores, enfatizado institucionalmente, não se confirmou nas experiências relatadas por trabalhadores informais, como ambulantes e entregadores. Concluiu-se que, embora a agenda ESG apresente avanços, o pilar social ainda se configura como um desafio, visto que o discurso institucional nem sempre se materializa em práticas percebidas como legítimas pelos públicos diretamente envolvidos. A pesquisa contribuiu para o debate sobre responsabilidade social corporativa no Brasil.

Palavras-chave: Análise de conteúdo; Discurso organizacional; Responsabilidade social corporativa; Stakeholders.

Gestão Financeira

29 de setembro de 2026

Impactos da Reforma Tributária na Zona Franca de Manaus no Setor Eletroeletrônico: Desafios e Perspectivas

A Zona Franca de Manaus (ZFM) representa um pilar do desenvolvimento regional brasileiro, e o setor eletroeletrônico desempenha um papel estratégico em seu Polo Industrial. O estudo analisou os impactos da reforma tributária sobre o setor eletroeletrônico instalado na ZFM, focando nas alterações do regime de incentivos, na competitividade industrial e na geração de empregos. A pesquisa empregou abordagem qualitativa e quantitativa, com análise documental da legislação pertinente (EC nº 132/23, LC nº 214/25, LC nº 227/26, RCBS, RIBS) e de dados públicos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), especialmente do Caderno de Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus para 2025 e o primeiro bimestre de 2026. Os resultados revelaram que a reforma tributária não suprimiu o tratamento favorecido da ZFM, mas o reconstruiu por meio de mecanismos como suspensão, isenção condicionada, alíquota zero e créditos presumidos de IBS e CBS, além da preservação seletiva do IPI. O complexo eletroeletrônico, incluindo bens de informática, faturou R$ 86,5 bilhões em 2025, correspondendo a quase 38% do faturamento do PIM, e concentrou 47.630 postos de trabalho. Identificou-se uma assimetria nos créditos presumidos entre as regulamentações do IBS e da CBS, um achado normativo relevante para o setor. Concluiu-se que a reforma preservou a base jurídica da vantagem competitiva da ZFM, mas transferiu parte da estabilidade do modelo para a etapa regulatória e operacional, exigindo coordenação institucional, segurança jurídica e estratégias de adaptação para a manutenção da competitividade.

Palavras-chave: CBS; Competitividade industrial; IBS; Polo Industrial de Manaus; SUFRAMA.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

29 de setembro de 2026

Proposta de jardins sensoriais em ambiente escolar como estratégia de regulação emocional

O ambiente físico escolar impacta o desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças, especialmente as neurodivergentes, e ambientes multissensoriais auxiliam na regulação emocional e comportamental. Propôs-se investigar e implementar uma estratégia de regulação emocional por meio de jardins sensoriais transportáveis com painéis psicoeducativos. O objetivo geral foi criar um método para implementar essas estratégias em crianças neurodivergentes, visando aprimorar o bem-estar, a performance acadêmica e a percepção temporal. A metodologia, fundamentada na pesquisa-ação e na neurociência da educação, buscou otimizar esses aspectos. Realizou-se a implantação da metodologia desenvolvida com uma escola parceira, que incluiu uma oficina de plantio e a criação de painéis psicoeducativos. Os resultados abrangeram a implantação real da metodologia, com o plantio de 80 espécies nativas, e a elaboração de um roteiro de atividades educativas sobre neurodiversidade e biodiversidade. Concluiu-se que a proposta demonstrou a exequibilidade de uma intervenção de baixo custo e alto impacto neurobiológico, promovendo a regulação emocional e o engajamento com a natureza em ambientes escolares.

Palavras-chave: Ambientes Enriquecidos; Autorregulação Emocional; Miopia Temporal; Neurodiversidade; Psicoeducação.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade