Resumo Executivo

18 de maio de 2026

Gestão de Riscos e Cronograma na Substituição de Redes de Água em São Paulo

Vinicius Moura Nascimento; Lorena Hernández Mastrapa

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A gestão de cronogramas em projetos de infraestrutura urbana configura-se como uma prática essencial para a manutenção da eficiência operacional e a mitigação de impactos socioeconômicos em grandes metrópoles. No cenário contemporâneo, a distribuição de água tratada exige um planejamento rigoroso, uma vez que qualquer intervenção física no sistema de abastecimento repercute diretamente na qualidade de vida da população e na integridade ambiental das bacias hidrográficas. A eficiência no saneamento básico é um fator inegociável, pois a preservação dos recursos naturais e a promoção da saúde pública dependem da integridade das redes de distribuição. Conforme aponta Santos (2015), o saneamento representa uma ação preventiva eficaz para a melhoria do bem-estar coletivo, sendo a sua ausência a principal causa de degradação ambiental em bacias hidrográficas brasileiras, especialmente naquelas situadas em grandes centros urbanos. A complexidade inerente à substituição de redes antigas em uma capital como São Paulo demanda a aplicação de metodologias estruturadas de gerenciamento de projetos, fundamentadas em guias globais de boas práticas. De acordo com o Project Management Institute (2017), um cronograma não é meramente uma lista de datas, mas um modelo para a execução das atividades que integra durações, dependências e recursos. A construção concisa desse modelo é o alicerce para o sucesso do empreendimento, pois falhas no planejamento temporal podem resultar em aumentos de custos, deterioração das relações com as partes interessadas e comprometimento da reputação das entidades responsáveis. Complementarmente, o gerenciamento de riscos surge como um fator crucial que impacta a entrega final, sendo definido como o tratamento de eventos ou condições incertas que podem afetar positiva ou negativamente os objetivos do projeto (PMI, 2012). A integração entre o controle de prazos e a análise de riscos é, portanto, a base teórica que norteia a necessidade de intervenção em sistemas de distribuição que apresentam sinais de exaustão técnica.

A fundamentação teórica deste estudo também se apoia na necessidade de garantir a dignidade humana por meio do acesso contínuo à água potável. Duarte e Ferreira (2017) reforçam que o saneamento básico está intrinsecamente ligado ao meio ambiente e à dignidade, exigindo uma manutenção constante e eficiente. No contexto específico da cidade de São Paulo, a incidência elevada de reclamações relacionadas a vazamentos motivou a apuração técnica pela companhia responsável, identificando-se que a idade avançada das tubulações é o fator preponderante para a perda de carga e interrupções no fornecimento. A teoria do gerenciamento de projetos aplicada a este caso visa não apenas a substituição física dos ativos, mas a otimização dos processos operacionais para que a entrega ocorra com excelência. O controle de custos e cronograma, conforme discutido por Franco (2009), é vital para evitar o desperdício de recursos públicos e privados, garantindo que a execução siga parâmetros técnicos rigorosos. Assim, o objetivo central reside na proposição de um cronograma detalhado e na classificação dos riscos para a substituição de redes em uma região com aproximadamente 1000 economias residenciais, assegurando que o prazo de dois meses seja respeitado sem comprometer a disponibilidade hídrica para os consumidores.

A metodologia adotada para a elaboração deste plano de intervenção baseia-se em um estudo de caso focado em dados históricos e operacionais de uma área delimitada no município de São Paulo. O processo operacional foi estruturado em oito etapas sequenciais, desenhadas para garantir a rastreabilidade e o controle de cada fase do projeto. A primeira etapa consistiu na definição de atividades, onde se realizou o levantamento exaustivo de todas as entregas necessárias. Para tanto, utilizou-se a técnica de decomposição para a construção da Estrutura Analítica do Projeto, contando com o auxílio do software MS Project para a organização visual e hierárquica das tarefas. Nesta fase, a identificação de marcos, ou pontos de referência significativos, foi essencial para monitorar o progresso e facilitar o gerenciamento do tempo, proporcionando uma visão clara das principais entregas e datas críticas (Prada, 2024). A segunda etapa envolveu o sequenciamento das atividades, mapeando-se as dependências obrigatórias, arbitradas, externas e internas. Foram aplicados conceitos de precedência como término para início e início para início, permitindo a confecção de diagramas de rede que refletem a lógica real da obra de engenharia.

O detalhamento metodológico prosseguiu com o mapeamento e a qualificação dos riscos, utilizando-se a técnica de discussão técnica entre especialistas para identificar ameaças potenciais. A classificação dos riscos foi realizada por meio de uma matriz de criticidade, que avalia a probabilidade de ocorrência e o impacto nos objetivos do projeto. Cada risco recebeu uma pontuação de 1 a 3 para probabilidade e de 1 a 3 para impacto, resultando em um coeficiente de criticidade que varia de 1 a 9. Conforme a metodologia de Alves (2022), a utilização de matrizes de risco em contratos de obras públicas permite posicionar os eventos sensíveis e alocar recursos de forma eficiente. Riscos com pontuação entre 1 e 2 foram classificados como baixos; entre 3 e 5 como moderados; e valores iguais ou superiores a 6 foram categorizados como altos ou críticos. Este rigor matemático na avaliação de incertezas é fundamental para que o plano de respostas seja proporcional à gravidade de cada cenário identificado.

A quinta e a sexta etapas da metodologia focaram na estimativa de duração e de recursos. Utilizou-se o conceito de homens-hora para estipular o tempo necessário para cada tarefa, dividindo o esforço total pelos recursos alocados. Três cenários foram considerados: duração fixa, esforço fixo e recursos fixos, permitindo uma modelagem flexível conforme a disponibilidade da equipe técnica. A estimativa de recursos buscou a uniformidade para evitar sobrecargas e minimizar o tempo de aprendizado da equipe em campo. Na sétima etapa, procedeu-se à estimativa da duração final, adotando-se uma abordagem pessimista. Esta escolha justifica-se pela natureza crítica do recurso distribuído, a água, onde atrasos podem gerar crises de abastecimento severas. Por fim, a oitava etapa consolidou o cronograma final e o Gráfico de Gantt, integrando todas as variáveis analisadas em um documento de controle diário. Este monitoramento contínuo permite a identificação precoce de desvios e a adoção imediata de medidas corretivas, garantindo o alinhamento com o planejamento estratégico estabelecido.

Os resultados obtidos a partir da aplicação desta metodologia revelaram que a rede de distribuição na área estudada possui uma idade mínima de 30 anos, o que valida tecnicamente a necessidade de substituição integral. A análise dos dados de manutenção indicou que a frequência de vazamentos e as reclamações por falta de água estavam diretamente correlacionadas à fadiga do material das tubulações antigas. No processo de definição de atividades, o levantamento realizado via software permitiu identificar que a obra não se resume à troca de tubos, mas envolve estudos de viabilidade, cálculos de extensão de rede, definição de diâmetros e aprovação de pacotes de contratação. O sequenciamento lógico demonstrou que a realização do estudo de viabilidade e a análise de riscos devem preceder qualquer intervenção física, garantindo que a equipe de engenharia trabalhe sobre dados precisos.

A aplicação da matriz de riscos trouxe dados quantitativos de extrema relevância para a gestão do projeto. Identificou-se que os riscos com maior criticidade, atingindo o nível 6 (alto), são a existência de dados das redes desatualizados ou inexistentes e a complexidade na identificação da causa raiz de problemas estruturais. Estes pontos exigem atenção especial, pois a falta de precisão cartográfica sobre a localização das redes antigas pode levar a erros de escavação e danos a outras infraestruturas urbanas. Outros riscos, como a inviabilidade da execução por interferências externas, falta de materiais ou condições climáticas prejudiciais, foram classificados como moderados, com níveis entre 3 e 4. A resistência de moradores quanto à execução das obras também foi mapeada como um risco moderado, sugerindo a necessidade de estratégias de comunicação social durante a fase de implantação. Curiosamente, o erro de cálculo da extensão de rede foi classificado como um risco baixo (nível 2), devido à expertise da equipe técnica envolvida e ao uso de ferramentas de geoprocessamento.

A discussão dos resultados aponta que, apesar da complexidade inerente ao ambiente urbano de São Paulo, a obra é tecnicamente viável e não exigirá a interrupção do abastecimento durante a execução. Isso se deve à estratégia de instalar as novas redes em paralelo às existentes, uma solução de engenharia que minimiza o impacto social. Quanto aos materiais, a decisão técnica orientou-se pela utilização do Polietileno de Alta Densidade (PEAD), em substituição ao antigo cimento-amianto. Esta escolha é corroborada por diretrizes de saúde pública e normas técnicas vigentes, uma vez que o PEAD oferece alta durabilidade, facilidade de reciclagem e baixo custo de manutenção, além de ser totalmente inerte e seguro para o transporte de água potável. A definição do diâmetro das novas tubulações seguiu o critério de manutenção da capacidade atual, visto que a região não apresenta projeção de crescimento populacional imediato que justifique o aumento da seção transversal.

Ao comparar os achados deste estudo com a literatura, observa-se uma convergência com o trabalho de Passaro (2024), que analisou contratos de substituição de redes em São Paulo sob a ótica da remuneração por desempenho. Enquanto o modelo de Passaro (2024) foca em contratos de longo prazo (cinco anos) para grandes extensões, a presente proposta demonstra que intervenções pontuais e intensivas podem ser concluídas em prazos reduzidos, como 15 dias para a fase de execução física, desde que o planejamento prévio seja rigoroso. A agilidade na entrega, neste caso, é um diferencial que impacta diretamente na satisfação do cliente e na redução das perdas reais de água no sistema. A utilização de marcos de controle, conforme sugerido por Prada (2024), permitiu que o cronograma final fosse dividido em etapas claras: desde o recebimento de reclamações e levantamento de dados via software especializado até o teste de estanqueidade, lavagem, desinfecção e capeamento final da rede.

A análise detalhada do cronograma final revelou que o tempo total de projeto, incluindo as fases de planejamento, contratação e execução, é de aproximadamente dois meses, mas a intervenção direta na via pública é otimizada para ocorrer em duas semanas. Este detalhamento é fundamental para a gestão de recursos humanos, que prevê a utilização de analistas de abastecimento, engenheiros, especialistas em finanças e uma equipe operacional de 10 funcionários para a execução das obras. A integração de dados financeiros e técnicos na fase de aprovação do projeto garante que a liderança da empresa tenha subsídios para autorizar o investimento com base em uma relação custo-benefício favorável, focada na redução de custos operacionais futuros com reparos emergenciais.

As limitações deste estudo residem na dependência de dados precisos fornecidos por empresas terceirizadas e na possibilidade de variações climáticas extremas que podem comprometer o cronograma de escavação. No entanto, a inclusão de margens de contingência na abordagem pessimista de duração mitiga grande parte dessas incertezas. Para pesquisas futuras, recomenda-se a aplicação desta mesma metodologia em áreas com maior densidade de interferências subterrâneas, como o centro histórico de São Paulo, para testar a resiliência do modelo de riscos proposto. Além disso, a exploração de métodos de execução não destrutivos poderia ser integrada ao cronograma para avaliar a redução de custos com recomposição asfáltica e impacto no tráfego urbano. A discussão reforça que a gestão profissional de projetos de saneamento não é apenas uma questão técnica, mas um compromisso com a sustentabilidade urbana e a eficiência na prestação de serviços essenciais.

A implementação do cronograma proposto, aliada ao monitoramento constante dos riscos mapeados, oferece uma solução robusta para o problema crônico de perdas de água por obsolescência de infraestrutura. A substituição das redes de 30 anos por materiais modernos e a utilização de softwares de gestão transformam uma operação de manutenção em um projeto estratégico de renovação de ativos. A conformidade com as informações fornecidas pela SABESP (2025) e a aplicação dos padrões do PMI garantem que o projeto esteja alinhado com as melhores práticas de mercado, assegurando que a população da área afetada receba água com a qualidade e a regularidade necessárias. A transparência nos processos de estimativa de duração e recursos também facilita a auditoria e o controle social sobre as obras de infraestrutura, fortalecendo a governança corporativa da entidade responsável pelo saneamento.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a proposta de cronograma e o gerenciamento de riscos apresentados demonstram ser plenamente capazes de viabilizar a substituição das redes de abastecimento hídrico no prazo estabelecido de dois meses. A aplicação da matriz de riscos permitiu identificar e priorizar as incertezas críticas, enquanto a estruturação detalhada das atividades no software de gestão garantiu uma visão clara do caminho crítico do projeto. A escolha do polietileno de alta densidade e a estratégia de instalação paralela mostraram-se fundamentais para assegurar a continuidade do serviço e a longevidade do sistema. Assim, a metodologia adaptada do guia de boas práticas em gestão de projetos prova ser uma ferramenta indispensável para a modernização da infraestrutura de saneamento em grandes centros urbanos, promovendo eficiência operacional e benefícios diretos à saúde pública e ao meio ambiente.

Referências Bibliográficas:

Alves, A. C. 2022. MATRIZ DE RISCOS EM CONTRATOS DE OBRAS PÚBLICAS: dinamismo. Programa de Pós-Graduação em Direito Administrativo. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Duarte, M. S.; Ferreira, M. P.; 2017. Saneamento básico: meio ambiente e dignidade humana. Dignidade Re-vista. Revista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Franco, F. C.; 2009. A importância do controle de custos e de cronograma no gerenciamento de projetos. Trabalho de conclusão de curso em Administração. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Passaro, E. C.; 2024. GESTÃO DE CONTRATOS DE OBRAS PARA SUBSTITUIÇÃO DE REDES DE ÁGUA MEDIANTE REMUNERAÇÃO POR DESEMPENHO. 21° edição do Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, São Paulo, SP, Brasil.

Prada, Charles. 2024. Milestones: o que é, para que serve e principais tipos. EUAX by Selbetti, 25 out. Disponível em: https://www.euax.com.br/2024/10/milestones/. Acesso em: 22 mar. 2025.

Project Management Institute [PMI]. 2013. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. 5ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Project Management Institute [PMI]. 2017. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. 6ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

SABESP 2025. Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Conhecimento técnico institucional. São Paulo, 2025. Informação fornecida pela Sabesp.

Santos, W. P. L. dos. 2015. Importância do saneamento básico e a ampliação da rede de esgoto em Araguaína-TO. Trabalho de Conclusão de Curso em Licenciatura Plena em Geografia. Universidade Federal do Tocantins, Campus Universitário de Araguaína, Araguaína, TO, Brasil.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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