Imagem Aplicação das heurísticas de nielsen para otimização da usabilidade de um sistema web

30 de janeiro de 2026

Aplicação das heurísticas de nielsen para otimização da usabilidade de um sistema web

Bruno Henrique Martimiano; Dayane Freire Romagnolo

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo deste estudo foi avaliar a usabilidade de um sistema web de legendagem em tempo real após a aplicação das heurísticas de Nielsen, comparando-o com a versão anterior desenvolvida sem as boas práticas de User Experience (UX) design. A pesquisa buscou demonstrar como um método de inspeção validado pode transformar uma interface complexa e propensa a erros em uma jornada de usuário mais organizada, consistente e eficiente. A investigação focou na fase inicial de configuração de um evento de legendagem, um ponto crítico para o sucesso da utilização da ferramenta.

A complexidade das interfaces digitais exige um foco na experiência humana. A maioria dos usuários não lê conteúdo web de forma linear; eles exploram as páginas em busca de elementos que atendam às suas necessidades imediatas, um comportamento que, segundo Krug (2014), impõe a necessidade de criar interfaces autoexplicativas, que exijam o mínimo de esforço cognitivo. O conceito de usabilidade, definido por Lowdermilk (2013) como o estudo da relação entre humanos e produtos, e por Teixeira (2014) como a qualidade de um produto ser fácil de usar, torna-se um pilar no desenvolvimento de serviços web escaláveis. Para atingir um público amplo, a comunicação visual e textual deve ser universalmente compreensível. Podmajersky (2019) argumenta que a redação para a web deve minimizar o esforço do usuário com padrões textuais que facilitem o entendimento.

Nesse contexto, o profissional de UX design colabora com equipes de tecnologia para garantir que os produtos digitais resolvam problemas reais de forma intuitiva. Este profissional utiliza boas práticas e padrões validados, muitos dos quais, como aponta Yablonski (2020), possuem bases na psicologia, pois a usabilidade é uma prática essencialmente humana. Entre as ferramentas de UX, as heurísticas de Nielsen destacam-se como um método de avaliação de interfaces. Propostas por Nielsen (1994), estas dez heurísticas funcionam como princípios gerais de design de interação. Abulfaraj e Steele (2020) descrevem a análise heurística como um método onde especialistas comparam uma interface com este conjunto de princípios. A aplicação dessas heurísticas, segundo Yablonski (2020), facilita a criação de interfaces com uma curva de aprendizado suave, aumentando a eficiência e minimizando erros.

Este estudo aplica essa metodologia consolidada a um sistema web existente, identificando falhas de usabilidade e implementando soluções concretas baseadas nas heurísticas, oferecendo uma análise comparativa que evidencia o valor prático da abordagem. O trabalho demonstra que incorporar boas práticas de UX é uma necessidade estratégica para produtos que visam escalabilidade e satisfação do cliente.

A investigação foi conduzida em um sistema web de legendagem em tempo real de uma startup de São Paulo, originalmente projetado por desenvolvedores sem práticas formais de UX. O sistema estava em produção, mas seu uso era restrito. A necessidade de expansão comercial tornou urgente um redesenho focado na usabilidade, para tornar a ferramenta acessível a qualquer pessoa, independentemente do conhecimento técnico. Adotou-se a metodologia de pesquisa-ação, que, conforme descrito por Tripp (2005), promove alterações no objeto de estudo durante a pesquisa, em um ciclo de diagnóstico, intervenção e reflexão. Este método foi ideal para analisar a interface, planejar alterações com base na análise heurística, aplicá-las e avaliar os resultados.

O escopo do estudo foi focado na etapa inicial de configuração do evento. A proposta foi aprovada pelo Chief Technology Officer (CTO) da startup, com a formalização de um “Termo de autorização e compromisso para uso de informações”. O processo de coleta de dados iniciou-se com a captura de todas as telas da jornada de configuração na ferramenta Figma, um editor gráfico para design de interfaces (Paz, 2024). A ferramenta Notion foi utilizada como repositório para anotações e registro dos problemas de usabilidade. Após mapear a jornada, os problemas que violavam os princípios de usabilidade foram anotados no Figma e catalogados no Notion. A análise foi guiada pelas heurísticas de Nielsen, com foco naquelas de maior impacto negativo. Ortiz (2022) destaca que, além da análise do artefato, foi crucial entender a lógica de negócio por trás de cada elemento para propor soluções assertivas.

A análise heurística da jornada de configuração, composta por dez telas, revelou múltiplos problemas em seis das dez heurísticas de Nielsen. O primeiro grupo de telas (um e dois) violou as heurísticas 1 (Visibilidade do status do sistema) e 3 (Liberdade e controle do usuário). Na tela um, o clique no botão “Novo evento” não gerava feedback visual imediato, deixando o usuário em dúvida. O mesmo ocorria na tela dois após clicar em “Avançar”. Essa ausência de resposta viola o princípio de manter o usuário informado. Adicionalmente, a tela dois não possuía opção de “Cancelar”, violando a heurística 3, que, segundo Bruno (2019), preconiza que o usuário deve poder sair de um processo sem esforço.

O segundo grupo de telas (três, quatro e cinco), sobre configuração de idiomas e áudio, violava as heurísticas 2 (Correspondência entre o sistema e o mundo real) e 5 (Prevenção de erros). A terminologia, como “idioma que você vai falar”, era prolixa e aumentava a carga cognitiva. A heurística 2 defende o uso de linguagem familiar. Na tela cinco, a interface não deixava claro se era possível selecionar uma ou mais fontes de áudio, e o excesso de texto explicativo aumentava a probabilidade de erros de configuração, o que contraria a heurística 5, que enfatiza a prevenção de erros.

No terceiro grupo (telas seis e sete), persistiam problemas com as heurísticas 1 e 10 (Ajuda e documentação). A tela seis, de teste de áudio, possuía uma barra de progresso com retorno visual pouco nítido, dificultando a percepção do status (heurística 1). Na tela sete, o botão “Avançar” permanecia habilitado por padrão, mesmo que uma escolha fosse mandatória para prosseguir, falhando em comunicar o estado do sistema. A ausência de ajuda contextual, como um tooltip, infringia a heurística 10, que prega a importância de fornecer documentação de fácil acesso.

O quarto grupo (telas oito e nove) e a tela dez acumulavam mais violações. A tela oito continha uma instrução confusa que mencionava um botão “Configurar” inexistente (heurística 10). A tela nove, um resumo das configurações, não permitia a edição direta dos itens, forçando o usuário a retroceder e violando a heurística 3 ao negar controle. A tela dez sobrecarregava o usuário com informações técnicas irrelevantes, contrariando a heurística 7 (Flexibilidade e eficiência de uso). A violação mais crítica nesta tela era a falta de clareza de que o evento ainda não estava ativo, sendo necessário um clique final no botão “Iniciar”, uma falha grave de visibilidade de status (heurística 1).

Com base nos problemas identificados, o redesenho foi guiado pelas heurísticas de Nielsen. O primeiro passo foi identificar os cinco inputs essenciais para a criação de um evento: nome, língua falada, língua da legenda, fonte de áudio e destino da legenda. A organização desses inputs em uma única tela foi a base da nova interface, atendendo à heurística 4 (Consistência e padronização). Moma (2017) defende que uma interface com padrões consistentes permite que o usuário realize tarefas de forma simples. A jornada de dez telas foi consolidada em uma, reduzindo a carga cognitiva e o tempo de execução.

Para a heurística 2 (Correspondência entre o sistema e o mundo real), um estudo de interfaces de sistemas de eventos resultou na adoção de um visual “dark mode”, mais confortável em ambientes de baixa iluminação. Botões e títulos foram projetados para serem familiares, pois, como aponta Pillegi (2021), replicar comportamentos do mundo real facilita o reconhecimento. Para a heurística 7 (Flexibilidade e eficiência de uso), a nova interface removeu o excesso de informação e introduziu um “acelerador”: a funcionalidade “Duplicar Evento”, que permite a usuários experientes copiar configurações anteriores, uma prática recomendada por Laubheimer (2020).

A prevenção de erros (heurística 5) foi abordada com uma mensagem de alerta ao selecionar “Áudio do computador”, orientando o usuário sobre configurações necessárias no navegador, em linha com as sugestões de Laubheimer (2015). Para atender à heurística 10 (Ajuda e documentação), foram implementados “tooltips” explicativos nos inputs que poderiam gerar dúvidas. As violações mais recorrentes, das heurísticas 1 e 3, receberam atenção especial. A visibilidade do status (heurística 1) foi melhorada com feedbacks visuais: o botão “Iniciar Evento” muda de estado (desativado para ativado) somente após o preenchimento dos inputs, e um equalizador visual em tempo real fornece feedback instantâneo sobre a captação de áudio.

A liberdade e controle do usuário (heurística 3) foram garantidos pelo design da nova tela única. Com todas as opções visíveis simultaneamente, o usuário pode alterar qualquer item a qualquer momento, sem precisar navegar por múltiplas etapas. A comparação entre o design original e o redesenhado evidencia uma transformação radical: uma jornada de dez telas, confusa e propensa a erros, foi convertida em uma única tela eficiente e autoexplicativa. Este resultado alinha-se com o princípio de Krug (2014), de que interfaces eficazes não devem fazer o usuário pensar. O novo design serve como base para um processo de melhoria contínua.

O estudo avaliou a usabilidade de um sistema de legendagem após a aplicação das heurísticas de Nielsen, focando na jornada de configuração do evento. A aplicação sistemática das heurísticas não apenas revelou falhas significativas de usabilidade, mas também forneceu um roteiro para a construção de uma nova interface, resultando em uma jornada de usuário mais simples, intuitiva e eficiente. O produto final tornou-se mais atrativo e fácil de usar, diminuindo o tempo necessário para configurar a ferramenta e auxiliando o usuário com informações contextuais.

A análise comparativa demonstrou que a aplicação das heurísticas contribuiu para um uso mais fácil, rápido e eficaz. A transformação de um fluxo de dez telas em uma única interface valida o poder das heurísticas como boa prática de design. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da pesquisa para avaliar a aplicação destes princípios em outros contextos digitais, como aplicativos mobile, e em artefatos do mundo real que se conectam à experiência digital. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a aplicação das heurísticas de Nielsen como boa prática de design permitiu a criação de um sistema web de legendagem com usabilidade superior, resultando em um processo de configuração mais organizado, eficiente e com menor propensão a erros para o usuário.

Referências:
Abulfaraj, A. Steele, A . 2020. Coherent Heuristic Evaluation (CoHE): Toward Increasing the Effectiveness of Heuristic Evaluation for Novice Evaluators. In: International Conference on Human-Computer Interaction, 2020. Springer Nature. p. 1-18
Bruno, M. 2019. Usabilidade sem erros: 10 Heurísticas de Nielsen. Alura, 29 jun. 2019. Disponível em: https://www. alura. com. br/artigos/10-heuristicas-de-nielsen-uma-formula-para-evitar-erros-basicos-de-usabilidade. Acesso em: 24 ago. 2025.
Krug, S. 2014. Não Me Faça Pensar: atualizado: uma abordagem do bom senso à usabilidade web e mobile. 1ed. Alta Books, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Laubheimer, P. 2015. Preventing User Errors: Avoiding Unconscious Slips. Nielsen Norman Group, 23 ago. 2015. Disponível em: https://www. nngroup. com/articles/slips/. Acesso em: 24 ago. 2025.
Laubheimer, P. 2020. Flexibility and Efficiency of Use (Usability Heuristic #7). Nielsen Norman Group, 22 nov. 2020. Disponível em: https://www. nngroup. com/articles/flexibility-efficiency-heuristic/. Acesso em: 21 ago. 2025.
Lowdermilk, T. 2013. Design Centrado no Usuário. 1ed. Novatec, São Paulo, SP, Brasil.
Moma, G. 2017. 10 heurísticas de Nielsen para o design de interface. Medium, 2 ago. 2017. Disponível em: https://brasil. uxdesign. cc/10-heur%C3%ADsticas-de-nielsen-para-o-design-de-interface-58d782821840. Acesso em: 3 ago. 2025.
Nielsen, Jakob. 1994. 10 Usability Heuristics for User Interface Design. Nielsen Norman Group, 24 abr. 1994. Disponível em: https://www. nngroup. com/articles/ten-usability-heuristics/. Acesso em: 19 maio 2025.
Ortiz, L. C.; Zuch, J. D. 2022. Análise heurística no contexto de user experience. Interface Tecnológica v19, n.1: 47-55.
Paz, M. 2024. Prototipação com figma no ensino do projeto de software educacional. In: III Congresso brasileiro on-line de ensino, pesquisa e extensão, 2024, São Paulo, SP, Brasil. Anais p. 1-5.
Pillegi, M. 2021. Heurísticas de usabilidade: boas práticas de UX. UX Collective, 17 mar. 2021. Disponível em: https://brasil. uxdesign. cc/heur%C3%ADsticas-de-usabilidade-boas-pr%C3%A1ticas-de-ux-53ec712165e6. Acesso em: 19 ago. 2025.
Podmajersky, T. 2019. Redação Estratégica para UX. 1ed. Novatec, São Paulo, SP, Brasil.
Teixeira, F. 2014. Introdução e Boas Práticas em Ux Design. 1ed. Casa do Código, São Paulo, SP, Brasil. Disponível em: <https://books. google. com. br/books? id=vWuCCwAAQBAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbsgesummary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 12 mar. 2025.
Teixeira, F. 2016. Análise heurística: o que é, como fazer e os benefícios para o projeto. UX Collective Brasil, 6 jun. 2016. Disponível em: https://brasil. uxdesign. cc/an%C3%A1lise-heur%C3%ADstica-o-que-%C3%A9-como-fazer-e-os-benef%C3%ADcios-para-o-projeto-161f3d94436b. Acesso em: 24 ago. 2025.
Tripp, D. 2005. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e Pesquisa v. 31, n. 3, p. 443-466.
Yablonski, J. 2020. Leis da Psicologia Aplicadas a UX. 1ed. Novatec, São Paulo, SP, Brasil.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Quem editou este artigo

Você também pode gostar

Quer ficar por dentro das nossas últimas publicações? Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade