Resumo Executivo

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30 de março de 2026

Análise da Saúde Financeira em Franquia de Food Service

Andressa da Silva Lino Azevedo Castro; Bruna Ribeiro Silva

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O setor de franquias no território brasileiro apresenta um ritmo de crescimento constante, consolidando-se como uma alternativa de investimento robusta para empreendedores que buscam modelos de negócio já testados. No quarto trimestre de 2024, o faturamento do setor atingiu a marca de 81.086 milhões de reais, o que representou uma expansão de 11,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Dentro desse ecossistema, o segmento de alimentação, especificamente o food service, demonstrou um vigor ainda maior, com um aumento de 16,3% no faturamento das empresas entre os anos de 2023 e 2024 (ABF, 2025). Essa dinâmica torna o setor atrativo para investidores de pequeno porte, uma vez que a escolha por uma franquia oferece vantagens competitivas imediatas, como o uso de uma marca consolidada, credibilidade perante o consumidor, suporte técnico, treinamentos estruturados e um plano de negócios previamente delineado, o que facilita o planejamento dos custos de instalação e operação (GOMES, 2025; SEBRAE, 2023).

Entretanto, o desafio da sobrevivência empresarial no Brasil permanece elevado, especialmente nos primeiros anos de atividade. Dados estatísticos indicam que a taxa de sobrevivência de empresas de pequeno porte, que possuem entre um e nove funcionários, é de apenas 35,9% após cinco anos de funcionamento. Para empresas de médio porte, com 10 a 49 colaboradores, o índice sobe para 55,4%, mas ainda revela que quase metade das organizações encerra suas atividades precocemente. No recorte específico do setor de alojamento e alimentação, a vulnerabilidade é acentuada, com apenas 30,6% das empresas conseguindo ultrapassar a marca dos cinco anos de existência (IBGE, 2024). As causas para tamanha mortalidade são multifatoriais e envolvem desde a elevada carga tributária e a escassez de recursos financeiros até as altas taxas de juros. Contudo, a ausência de uma gestão fundamentada em dados confiáveis e fatos concretos surge como um dos principais fatores de debilidade organizacional. Em um cenário de globalização e concorrência acirrada, a eficiência na gestão de recursos torna-se uma tarefa complexa, exigindo que as tomadas de decisão sejam norteadas por informações reais para garantir o sucesso e a continuidade do negócio (Iudícibus e Marion, 2011).

Nesse contexto, a administração financeira estruturada é o pilar que sustenta a sobrevivência e o crescimento sustentável, permitindo que o gestor avalie riscos e identifique oportunidades. O controle rigoroso do fluxo de caixa e a análise sistemática de indicadores financeiros são ferramentas indispensáveis não apenas para manter as operações rotineiras, mas para fundamentar decisões estratégicas que evitem a insolvência (Gitman e Zutter, 2017). O foco deste estudo recai sobre uma franquia do ramo de food service recém-inaugurada no município de Petrolina, Pernambuco. Localizada em um centro comercial, a unidade iniciou suas atividades em dezembro de 2024. Diante da ausência de levantamentos financeiros prévios que auxiliassem os proprietários na compreensão da saúde econômica do empreendimento, tornou-se imperativo realizar uma avaliação técnica para determinar se a operação estava gerando lucro ou prejuízo e quais ajustes seriam necessários para garantir a viabilidade a longo prazo. O objetivo central reside na avaliação da saúde financeira da organização durante seus primeiros seis meses de operação, utilizando indicadores financeiros como base para a tomada de decisão.

A metodologia aplicada para a consecução deste objetivo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, de natureza quantitativa, estruturada sob a forma de um estudo de caso. A pesquisa descritiva permite a interpretação detalhada das informações coletadas, enquanto a abordagem quantitativa utiliza dados numéricos para o cálculo de índices e a elaboração de demonstrativos que refletem a realidade do empreendimento. O estudo de caso, por sua vez, possibilita uma análise profunda e detalhada de um objeto específico, fornecendo subsídios que ainda não haviam sido explorados pelos gestores da unidade (Gil, 2017). A organização estudada, denominada para fins acadêmicos como Empresa X, conta com uma estrutura operacional composta por sete funcionários, sendo um supervisor e seis atendentes, sob a gerência direta de um dos sócios. O processo de investigação iniciou-se com a definição do problema e a revisão bibliográfica sobre gestão financeira, setor de franquias e indicadores econômicos.

Para a análise da situação econômico-financeira, foram utilizadas as demonstrações contábeis fundamentais: o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício e a Demonstração do Fluxo de Caixa. O Balanço Patrimonial foi examinado para identificar a estrutura de investimentos, representados pelos ativos, e as fontes de financiamento, compostas pelos passivos e pelo patrimônio líquido (Costa et al., 2011). A estrutura do balanço seguiu a padronização técnica que divide os recursos entre circulantes e não circulantes, permitindo visualizar a liquidez e o endividamento em momentos específicos, como no encerramento de 2024 e no fechamento do primeiro semestre de 2025 (Assaf Neto, 2017). Complementarmente, a Demonstração do Resultado do Exercício foi elaborada para apurar a geração de lucro ou prejuízo, adotando o regime de competência. Esse relatório engloba as receitas brutas, deduções de impostos, custos das mercadorias vendidas e as despesas operacionais, financeiras e administrativas, resultando no lucro líquido do período.

A Demonstração do Fluxo de Caixa foi desenvolvida pelo método direto, detalhando as entradas e saídas efetivas de numerário. Esse instrumento é vital para o planejamento financeiro, pois evidencia a movimentação real do caixa, diferenciando-se do regime de competência ao focar na disponibilidade imediata de recursos (Assaf Neto, 2017). A partir desses demonstrativos, foram calculados indicadores de liquidez, rentabilidade e atividade. A liquidez corrente foi utilizada para medir a capacidade da empresa em honrar suas obrigações de curto prazo, relacionando o ativo circulante com o passivo circulante. No campo da rentabilidade, as margens operacional e líquida foram calculadas para verificar a eficiência da empresa em converter vendas em lucro. Já os indicadores de atividade incluíram o Prazo Médio de Estocagem, o Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores e o Prazo Médio de Recebimento, que juntos compõem o ciclo financeiro da organização. O cálculo do capital de giro líquido também foi realizado para mensurar o volume de recursos necessários para sustentar as operações cotidianas, considerando os estoques, valores a receber e disponibilidades (Assaf Neto, 2017).

Os resultados obtidos revelam que a Empresa X iniciou suas atividades em 18 de dezembro de 2024. Como é comum em novos empreendimentos, os gestores concentraram-se inicialmente na padronização de processos e treinamento da equipe, postergando a análise financeira detalhada. Ao final do primeiro mês de operação, o Balanço Patrimonial indicava um ativo total de 168.073,22 reais. Desse montante, o ativo circulante somava 88.053,48 reais, com destaque para o estoque inicial de 35.951,38 reais e disponibilidades de 37.631,61 reais. No passivo, as obrigações de curto prazo totalizavam 51.000,01 reais. O cálculo da liquidez corrente para dezembro de 2024 resultou em 1,73, indicando que para cada um real de dívida, a empresa possuía 1,73 real em direitos conversíveis no curto prazo. Esse índice favorável demonstrou uma folga financeira inicial satisfatória para o cumprimento das obrigações imediatas.

Ao avançar para o fechamento do primeiro semestre de 2025, em 30 de junho, o ativo total expandiu para 188.577,25 reais. O ativo circulante atingiu 110.000,27 reais, porém, uma análise minuciosa identificou que 31.263,00 reais estavam alocados em outros créditos, referentes a repasses feitos aos sócios, incluindo pró-labore. Para uma análise fidedigna da liquidez, esse valor foi subtraído do ativo circulante, resultando em um índice de liquidez corrente de 1,92. Esse crescimento no indicador reforça a manutenção de uma saúde financeira positiva e a existência de um capital circulante líquido favorável. No que tange ao desempenho operacional, a Demonstração do Resultado do Exercício de dezembro de 2024 apresentou uma receita bruta de 69.268,98 reais. Contudo, o período encerrou com um prejuízo líquido de 28.630,43 reais. Esse resultado negativo é explicado pelo fato de o estoque inicial ter sido contabilizado integralmente como custo no primeiro mês, seguindo uma orientação da franqueadora, além de despesas operacionais elevadas com horas extras e custos ocupacionais que não foram proporcionais aos apenas 14 dias de funcionamento efetivo no mês de inauguração.

A partir de janeiro de 2025, o cenário de rentabilidade transformou-se. A receita bruta mensal oscilou entre 122.428,09 reais e 140.757,88 reais ao longo do semestre. O lucro líquido acumulado no período, após o ajuste do prejuízo inicial, fixou-se em 6.226,09 reais. A análise da margem operacional, desconsiderando o mês atípico de dezembro, revelou uma média de 12,20%. Esse valor situa-se dentro da faixa de 10% a 15% esperada pela franquia, demonstrando que a operação é intrinsecamente rentável. A margem líquida do período completo foi de 0,92%, mas ao isolar o impacto do mês de abertura, esse indicador sobe para 5,58%. O mês de junho de 2025 destacou-se com o maior lucro do período, impulsionado por uma redução significativa nas devoluções e descontos comerciais. Essa melhoria deveu-se à mudança no modelo de operação em plataformas de entrega, onde a migração para uma logística terceirizada reduziu as taxas de comissão pagas pela empresa, otimizando a receita líquida.

A gestão de estoques revelou-se um ponto crítico para o desempenho financeiro. O custo das mercadorias vendidas e as despesas operacionais foram os itens de maior impacto nos resultados. O controle rigoroso do estoque permitiu uma redução de aproximadamente 20 mil reais no volume estocado entre dezembro e junho, o que contribuiu diretamente para a geração de caixa. Na análise do fluxo de caixa, observou-se que, apesar do prejuízo contábil em dezembro, o saldo de caixa foi positivo naquele mês devido ao fato de que muitas obrigações contraídas só seriam pagas em janeiro. Ao longo do semestre, o fluxo de caixa das atividades operacionais apresentou oscilações, com três meses de saldo negativo, compensados pelos meses positivos. O aporte de capital de 10.000,00 reais realizado pelos sócios em março foi fundamental para garantir a liquidez necessária para o pagamento de obrigações naquele período de maior pressão financeira. Ao final de junho de 2025, o saldo final de caixa era de 2.082,34 reais, um valor modesto, mas que confirma a capacidade da empresa em se autofinanciar após o período inicial.

Os indicadores de atividade forneceram uma visão clara sobre a eficiência operacional. O custo da mercadoria vendida acumulado no período de 210 dias foi de 290.933,20 reais. Com base nesse dado, o Prazo Médio de Estocagem foi calculado em 17 dias, indicando a velocidade de renovação dos produtos. O Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores foi de 13 dias, enquanto o Prazo Médio de Recebimento também se fixou em 13 dias. O equilíbrio entre os prazos de recebimento e pagamento é um fator positivo, minimizando a necessidade de capital de giro externo. O ciclo financeiro da organização foi determinado em 17 dias, o que representa o tempo médio decorrido entre o pagamento aos fornecedores e o efetivo recebimento das vendas. Esse ciclo é ditado primordialmente pelo tempo de permanência dos produtos em estoque, reforçando a necessidade de uma gestão de compras ágil e precisa.

O capital de giro líquido da Empresa X foi mensurado em 37.053,47 reais em dezembro de 2024 e 37.761,44 reais em junho de 2025. A estabilidade desse valor demonstra que a empresa conseguiu manter o volume de recursos necessários para operar sem recorrer a endividamentos onerosos. Notou-se que o valor do capital de giro é muito próximo à média mensal do custo das mercadorias vendidas, que ficou em 41.561,89 reais. Em meses onde as compras de insumos extrapolaram os 50 mil reais, como em janeiro e maio, houve uma pressão maior sobre o caixa, evidenciando que qualquer desvio na política de compras impacta imediatamente a disponibilidade financeira. A correlação entre o estoque e o capital de giro é direta; portanto, a eficiência na estocagem é o principal mecanismo de proteção da liquidez da franquia.

A discussão dos dados permite reconhecer que a empresa possui uma base operacional sólida e rentável. A decisão inicial de não tratar o estoque de abertura como investimento imobilizado distorceu o resultado do primeiro mês, mas os meses subsequentes confirmaram a viabilidade do negócio. A sazonalidade é um fator presente, mas a capacidade de gerar uma margem operacional superior a 12% indica que a estrutura de custos está bem dimensionada em relação ao volume de vendas. A retirada de pró-labore pelos sócios e o pagamento parcelado do ponto comercial, embora onerem o caixa, estão sendo suportados pela geração operacional de recursos. Como limitação deste estudo, aponta-se o curto período de análise, que compreende apenas o semestre inicial, não permitindo capturar as variações sazonais de um ano completo. Para pesquisas futuras, recomenda-se o acompanhamento por um período de 24 meses, o que possibilitaria identificar padrões de consumo anuais e a maturação completa do investimento. A implementação de um controle de estoque mais rigoroso e a busca por negociações que ampliem o prazo médio de pagamento aos fornecedores são sugestões práticas que podem reduzir ainda mais o ciclo financeiro e fortalecer a posição de caixa da organização.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a avaliação financeira demonstrou que a franquia apresenta uma saúde econômica sustentável, com indicadores de liquidez e rentabilidade dentro dos padrões esperados para o setor de food service. A análise evidenciou que, apesar do prejuízo contábil inicial decorrente dos custos de inauguração, a empresa logrou êxito em estabilizar suas operações, mantendo um capital de giro adequado e um ciclo financeiro controlado. A gestão eficiente dos estoques e a otimização das taxas operacionais em plataformas de entrega mostraram-se fundamentais para a consolidação dos resultados positivos observados ao final do primeiro semestre de 2025, garantindo à organização uma perspectiva de crescimento sólido e rentabilidade contínua para os sócios.

Referências Bibliográficas:

Assaf Neto, A.; Lima, F.G. 2017. Fundamentos de administração financeira. 3ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Associação Brasileira de Franchising [ABF]. 2025. Números do Franchising / Desempenho do setor. Disponível em: <https://www.abf.com.br/numeros-do-franchising>. Acesso em: 22 mar. 2025.

COSTA, Luiz Guilherme Tinoco Aboim et al. 2011. Análise econômico-financeira de empresas. 3ed. FGV, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Gil, A.C. 2017. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Gitman, L.J.; Zutter, C.J. 2017. Princípios de Administração Financeira. 14ed. Pearson Education, São Paulo, SP, Brasil.

Gomes, A. L. 2025. Com alta de 13,5% no faturamento em 2024, setor de franquias é opção para empreendedores de pequeno porte. Economia e Política. Agência Sebrae de Notícias (ASN). Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas [SEBRAE]. Disponível em: <https://agenciasebrae.com.br/economia-e-politica/com-alta-de-135-no-faturamento-em-2024-setor-de-franquias-e-opcao-para-empreendedores-de-pequeno-porte/>. Acesso em: 26 mar. 2025.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. 2024. Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo: 2022. Coordenação de Cadastros e Classificações. Rio de Janeiro. N. 38, 107 p. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102143. Acesso em: 24 mar. 2025.

Iudícibus, S.; Marion, J.C. 2011. Curso de Contabilidade para não contadores: Para as Áreas de Administração, Economia, Direito e Engenharia. 7ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas [SEBRAE]. 2023. Franquia: vantagens e desvantagens. Empreendedorismo, abertura de empresas. Disponível em: <https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/franquia-vantagens-e-desvantagens,4be89e665b182410VgnVCM100000b272010aRCRD>. Acesso em: 25 mar. 2025.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de MBA em Gestão de Negócios

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