
22 de junho de 2026
Práticas empresariais sustentáveis no setor de papel e celulose e a percepção do colaborador como “stakeholder”
Beatriz Geha Carvalho; Daniela Fontana
DOI: 10.22167/2675-6528-2026M14
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação
Resumo
As práticas sustentáveis empresariais surgiram para mitigar impactos ambientais e sociais, sendo o setor de papel e celulose um campo relevante devido aos incidentes ambientais e ao engajamento em iniciativas de longo prazo. O estudo teve como objetivo compreender as práticas adotadas por companhias nacionais de capital aberto do setor de papel e celulose, por meio de dados secundários, e medir a percepção de seus colaboradores como stakeholders, utilizando dados primários. Para isso, a metodologia empregou uma pesquisa exploratória, analisou relatórios de sustentabilidade de empresas como Klabin e Suzano, e aplicou um questionário online (survey) a 42 colaboradores do setor. Os resultados indicaram que a maioria dos respondentes (95%) considerou importante trabalhar em empresas preocupadas com a sustentabilidade, e demonstrou alto engajamento (83% participaram ou foram encorajados em programas sociais) e conhecimento (74% com bom ou completo conhecimento ESG) sobre as práticas sustentáveis das companhias. Os colaboradores sentiram-se diretamente impactados pelas iniciativas ESG (Ambiental, Social e Governança), especialmente aquelas voltadas para a comunidade. A pesquisa confirmou o cumprimento do objetivo ao evidenciar a familiaridade e o engajamento dos colaboradores com o foco sustentável das companhias, destacando a importância da percepção do funcionário como stakeholder nas estratégias ambientais e sociais e a necessidade de reforçar a divulgação interna de relatórios de sustentabilidade.
Palavras-chave: ESG; Iniciativas ambientais e sociais; Responsabilidade empresarial; Sustentabilidade.
1. Introdução
A discussão sobre sustentabilidade e o papel do setor privado é crucial no cenário contemporâneo, impulsionada pela compreensão da lógica de acumulação do capital. Este modelo de produção é reconhecido como um fator significativo para o esgotamento de recursos naturais. Historicamente, o Estado, ao defender a reprodução do capital, tem atuado como financiador através de políticas fiscais que visam o crescimento econômico e social. Contudo, essa dinâmica pode gerar contradições, levando a um consumo desenfreado e, consequentemente, a uma crise fiscal onde as despesas superam as receitas, tornando o Estado incapaz de mitigar os danos sociais e ambientais decorrentes da exploração excessiva de recursos (O’Connor, 1973, citado por Sampaio, 1978).
A percepção sobre a crise ambiental ganhou destaque a partir da Conferência de Estocolmo, em 1972, marcando o início de uma crescente preocupação global. Posteriormente, o tema evoluiu nas Nações Unidas para o conceito de Desenvolvimento Sustentável, que transcende a dimensão puramente ambiental para integrar fatores econômicos e sociais. Essa abordagem reconhece a necessidade de um crescimento contínuo que considere os três pilares fundamentais: ambiental, social e econômico (Moretto e Giacchini, 2006; Elkington, 1997).
Nesse contexto, as instituições empresariais são cada vez mais incentivadas a adotar medidas sustentáveis para reduzir o impacto de suas operações. A transparência sobre essas iniciativas é fundamental, sendo comunicada aos “stakeholders”, que são as partes direta ou indiretamente afetadas pelas companhias. Relatórios e formulários são instrumentos essenciais para divulgar dados quantitativos e qualitativos sobre as práticas sustentáveis, reforçando a responsabilidade corporativa (Monteiro, Ribeiro e Lemos, 2017).
O setor de papel e celulose, em particular, apresenta-se como um campo de estudo relevante devido à sua importância na cadeia global de produção. O Brasil se destaca como o maior exportador mundial de celulose, com mais de dezoito milhões de toneladas comercializadas anualmente (Ibá, 2024). Essa liderança é atribuída às vantagens tecnológicas florestais do país, como clima e solo favoráveis, que permitem um ciclo de corte de cinco a sete anos, significativamente menor em comparação com outras regiões do mundo (Zeni, 1994).
Apesar de sua relevância econômica, o setor de papel e celulose enfrenta desafios ambientais significativos. Ele é caracterizado por elevadas probabilidades de incidentes e degradação ambiental, exigindo alto consumo de energia, planejamento financeiro robusto para contingências ambientais, e gerando grande volume de resíduos sólidos. Além disso, emite diversos poluentes tóxicos e convencionais no ar, terra e água, dependendo integralmente de fibras florestais, sejam naturais ou recicladas. Essa indústria é frequentemente associada à poluição e degradação ambiental, o que a coloca sob intensa regulamentação pública (Forgach, 2001, citado por Nossa, 2002).
Diante desses impactos, a adoção de práticas sustentáveis é imperativa para as empresas do setor. Companhias como Klabin e Suzano, por exemplo, demonstram engajamento em iniciativas robustas, conforme seus Relatórios de Sustentabilidade. Essas ações incluem a redução de emissões de carbono, gestão de recursos hídricos, restauração de áreas, promoção do desenvolvimento local, e apoio à inclusão e capacitação de colaboradores (Klabin, 2024; Suzano, 2024). Tais esforços refletem o compromisso com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. No entanto, a efetividade dessas práticas depende não apenas de sua implementação, mas também da percepção e engajamento dos colaboradores, que são “stakeholders” diretamente afetados pelas estratégias ESG (Environmental, Social and Governance) da companhia.
A lacuna reside na compreensão aprofundada de como essas práticas são percebidas por aqueles que as vivenciam diariamente. Assim, este estudo se justifica pela necessidade de avaliar a eficácia das iniciativas de sustentabilidade a partir da perspectiva interna. O objetivo é compreender as práticas adotadas pelas companhias Suzano e Klabin, do setor de papel e celulose, de capital aberto, listadas na bolsa de valores brasileira, em nível nacional, e medir a percepção de colaboradores destas companhias em relação às práticas de sustentabilidade.
2. Material e Métodos
A pesquisa adotou uma natureza exploratória, conforme proposto por Gil (2002), com o objetivo de analisar o objeto de estudo de maneira a desenvolver hipóteses e refletir novas percepções sobre a temática. O estudo visou compreender as práticas de sustentabilidade adotadas pelas companhias Suzano e Klabin, do setor de papel e celulose, de capital aberto e listadas na bolsa de valores brasileira, em nível nacional, e medir a percepção de seus colaboradores em relação a essas práticas. Para tanto, a investigação foi estruturada com base em dados secundários e primários. A pesquisa teve como base inicial a revisão da literatura, abrangendo artigos científicos, teses e obras bibliográficas. Essa etapa foi fundamental para nortear a compreensão da necessidade de práticas sustentáveis no ambiente empresarial, a partir do modelo de produção capitalista, e para contextualizar as dinâmicas do setor de papel e celulose, reconhecido como um grande gerador de impactos ambientais. Complementarmente, foram analisados dados secundários provenientes de documentação corporativa sustentável pública. Especificamente, foram consultados os Relatórios de Sustentabilidade das empresas Klabin (2024) e Suzano (2024), que são companhias do setor de papel e celulose com capital aberto. A análise desses relatórios teve como propósito mapear as iniciativas sustentáveis promovidas por essas empresas, com foco nas dimensões ambiental e comunitária. Este procedimento permitiu identificar as ações e compromissos divulgados pelas companhias em relação à sustentabilidade. Para a coleta de dados primários, utilizou-se um levantamento de campo, caracterizado como uma pesquisa do tipo “survey”, com o objetivo de mensurar a percepção dos colaboradores das empresas de papel e celulose, considerados “stakeholders”, sobre as práticas sustentáveis de suas respectivas companhias. O instrumento de coleta foi um questionário online, desenvolvido e disponibilizado por meio da plataforma Google Forms. O questionário foi composto por 14 questões, sendo 13 de múltipla escolha, uma de respostas múltiplas e uma de resposta aberta. As perguntas foram elaboradas para caracterizar o perfil da amostra e abordar temas de sustentabilidade praticados pelas companhias do setor. A formulação das questões considerou o engajamento do colaborador nas atividades e a forma como a companhia promove e investe em estratégias sustentáveis, incluindo condições laborais e impactos ambientais (Meireles, 2024). Para avaliar a percepção dos respondentes, empregou-se o conceito de escala Likert, com cinco pontos, variando de uma afirmação de extrema concordância a uma de extrema discordância (Ludwig et al., 2015). Antes de sua divulgação ao público-alvo, o questionário foi submetido a um pré-teste. Este pré-teste foi realizado com profissionais corporativos que possuíam conhecimento sobre sustentabilidade e responsabilidade social corporativa, visando aprimorar a clareza e pertinência das questões. A divulgação do questionário foi realizada através de redes sociais profissionais, como LinkedIn, e por meio do software de mensagens instantâneas WhatsApp. O público-alvo consistiu em colaboradores de companhias do setor de papel e celulose. O questionário permaneceu disponível para preenchimento no período de 19 de maio de 2025 a 16 de setembro de 2025. Previamente ao questionário, foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme Apêndice 1 do trabalho original. Este termo informava sobre a natureza voluntária da participação, a confidencialidade dos dados e a possibilidade de desistência a qualquer momento, sem prejuízo. Todos os dados coletados foram utilizados exclusivamente para fins científicos, com os resultados apresentados de forma agregada para garantir o anonimato e a não identificação individual dos participantes. A pesquisa não foi submetida à apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/PECEGE), em conformidade com o Artigo 1º da Resolução CNS n° 510 de abril de 2016. Esta decisão baseou-se no fato de o estudo não revelar dados que pudessem identificar os sujeitos-participantes, ter como objetivo o aprofundamento teórico de situações relacionadas à prática profissional e tratar-se de pesquisa com bancos de dados cujas informações são agregadas, sem possibilidade de identificação individual. A primeira questão do questionário, de caráter obrigatório, verificava se o respondente era colaborador de uma empresa de papel e celulose, garantindo a seleção do público-alvo. A análise dos dados quantitativos, obtidos por meio do questionário, foi realizada com foco na mensuração pontual do objeto de estudo, buscando uma análise sem desvios das informações coletadas (Dalfovo, Lana e Silveira, 2008). As respostas do questionário foram organizadas em formato agrupado. As respostas da questão aberta foram documentadas com a grafia original dos respondentes, sem correções.
3. Resultados e Discussão
A análise dos resultados da pesquisa permitiu uma compreensão aprofundada das práticas sustentáveis adotadas por companhias nacionais de capital aberto do setor de papel e celulose, bem como da percepção de seus colaboradores em relação a essas iniciativas. Os dados foram coletados por meio de uma pesquisa do tipo survey, aplicada a colaboradores, e pela revisão de relatórios de sustentabilidade de empresas como Klabin e Suzano. Inicialmente, a pesquisa confirmou que 100% dos 42 respondentes eram, de fato, colaboradores de empresas do setor de papel e celulose, garantindo a conformidade da amostra com o público-alvo estabelecido pelo estudo.
O perfil demográfico dos respondentes revelou que a maioria, 97,6%, estava na faixa etária de 18 a 34 anos, com uma pequena parcela de 2,4% entre 45 e 54 anos. Em termos de gênero, a amostra foi composta por 53,7% de homens cisgêneros e 46,3% de mulheres cisgêneros. Quanto à raça/cor, 61,9% se identificaram como brancos, 35,7% como pardos e 2,4% como pretos. Essa composição etária, predominantemente jovem e de meia-carreira, é relevante para a compreensão da percepção sobre sustentabilidade, uma vez que as gerações mais novas tendem a demonstrar maior engajamento e familiaridade com temas ESG, refletindo uma crescente conscientização sobre responsabilidade corporativa.
No que tange à atuação profissional, 81% dos respondentes ocupavam cargos de Analista ou Técnico, 9,5% eram Estagiários ou Aprendizes, 4,8% Coordenadores ou Supervisores, e 2,4% Consultores e 2,4% Trainees. Essa distribuição indica que a percepção capturada reflete majoritariamente a visão de profissionais em níveis operacionais e táticos. Em relação ao tempo de trabalho na companhia, 35,7% estavam empregados entre um e três anos, 23,8% entre três e cinco anos, e 16,7% entre cinco e dez anos. A presença de colaboradores com diferentes tempos de casa sugere uma diversidade de experiências e níveis de engajamento com a cultura organizacional e as práticas sustentáveis da empresa, influenciando a profundidade do conhecimento sobre o tema.
A avaliação do conhecimento sobre o tema ESG (Ambiental, Social e Governança) revelou que 48% dos respondentes possuíam bom conhecimento, e 14% tinham conhecimento completo. Outros 26% apresentaram conhecimento parcial, enquanto 12% indicaram pouco conhecimento. Em conjunto, 74% dos colaboradores demonstraram um bom ou completo entendimento do conceito ESG. Essa familiaridade, embora em diferentes níveis de aprofundamento, é um indicativo positivo do alcance das iniciativas de comunicação das empresas. O TCC original sugere que essa variação no nível de conhecimento pode estar atrelada ao tempo de trabalho na companhia e ao nível hierárquico, fatores que influenciam o acesso a materiais e o engajamento com a cultura sustentável.
Ao detalhar o conhecimento sobre iniciativas específicas de Desenvolvimento Social e Sustentável, a pesquisa identificou que 92,9% dos respondentes conheciam os programas e projetos sociais promovidos pela companhia. Além disso, 90,5% tinham conhecimento sobre a conservação e restauração de hectares, e 88,1% sobre o uso de fontes de energia renováveis. Outras iniciativas, como economia de baixo carbono e voluntariado, foram conhecidas por 71,4% dos colaboradores, enquanto a redução de captação hídrica foi reconhecida por 57,1%. Esses resultados demonstram que as principais ações ambientais e sociais das empresas, conforme detalhado nos relatórios de sustentabilidade da Suzano e Klabin, são amplamente percebidas pelos colaboradores, indicando uma comunicação interna eficaz para os pilares centrais da estratégia ESG.
A percepção do impacto das iniciativas de Desenvolvimento Social e Sustentável na vida dos colaboradores foi significativamente alta. Verificou-se que 48% dos respondentes se sentiam bastante impactados e 22% totalmente impactados, totalizando 70% com um alto grau de impacto percebido. Outros 21% sentiam-se parcialmente impactados, enquanto apenas 7% se sentiam pouco impactados e 2% não impactados. Esse elevado nível de impacto sugere que as ações sustentáveis das companhias transcendem o âmbito corporativo, influenciando diretamente a vida e o bem-estar dos funcionários, reforçando a ideia do colaborador como um stakeholder fundamental. A interpretação do TCC original aponta que a visibilidade do termo e a percepção dos resultados das operações contribuem para a construção desse significado de impacto.
Em relação ao conhecimento sobre o Relatório Anual de Sustentabilidade, 33% dos respondentes afirmaram ter bom conhecimento do material, e 21% possuíam conhecimento completo. Contudo, 26% tinham conhecimento parcial, e 10% indicaram pouco ou nenhum conhecimento. Embora mais da metade (54%) dos colaboradores possua um bom ou completo conhecimento, a presença de 36% com conhecimento parcial, pouco ou nenhum sugere que a circulação interna desse documento, apesar de sua importância, ainda pode ser aprimorada. O Relatório de Sustentabilidade é uma ferramenta crucial para a divulgação das práticas e metas de sustentabilidade, e sua maior disseminação interna poderia fortalecer ainda mais o engajamento e a compreensão dos colaboradores sobre os objetivos da companhia.
A pesquisa também explorou o engajamento dos colaboradores com a cultura sustentável das companhias. Um expressivo percentual de 95% dos respondentes concordou totalmente com a importância de trabalhar em uma empresa preocupada com os impactos ambientais e que atua com medidas sustentáveis. Esse achado ressalta a forte identificação dos colaboradores com os valores de sustentabilidade da organização, indicando que a preocupação ambiental e social é um fator motivacional e de validação profissional. Esse alinhamento de valores é crucial para o sucesso das estratégias ESG, pois colaboradores engajados tendem a ser mais proativos na implementação e promoção dessas práticas.
A participação em programas sociais ou de voluntariado promovidos pela empresa também foi um ponto de destaque, com 83% dos respondentes afirmando ter participado ou sido encorajados a participar. Esse alto índice de engajamento demonstra o êxito das companhias em fomentar a participação ativa dos funcionários em suas iniciativas sociais. Os relatórios de sustentabilidade da Suzano e Klabin corroboram esses achados, detalhando programas robustos de apoio social, como a redução da pobreza, investimentos em educação e auxílio a comunidades afetadas por desastres, que visam o desenvolvimento local e a inclusão social, impactando milhares de pessoas.
A percepção sobre o encorajamento da cultura sustentável nas operações diárias da companhia foi igualmente positiva. Observou-se que 76% dos respondentes concordaram totalmente que a cultura sustentável é ativamente promovida, e 22% concordaram parcialmente, totalizando 98% de aprovação. Esse resultado indica que as empresas têm sido eficazes em integrar a sustentabilidade no dia a dia de trabalho, nas tarefas e nas relações interpessoais. As iniciativas de capacitação e engajamento de colaboradores, como treinamentos e fóruns de discussão sobre segurança e práticas sustentáveis, conforme descrito nos relatórios da Suzano e Klabin, são fundamentais para consolidar essa cultura e garantir a efetividade das ações.
Em relação ao alinhamento das iniciativas ESG com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, 83% dos respondentes concordaram totalmente, e 12% concordaram parcialmente. Apenas 5% se mostraram neutros, sem concordar ou discordar. Essa alta aprovação (95%) demonstra a percepção de que as companhias estão em sintonia com as diretrizes globais de sustentabilidade. A neutralidade de uma pequena parcela pode ser atribuída à falta de conhecimento sobre a Agenda 2030 e os ODS, conforme a interpretação do TCC original. As empresas, como Suzano com suas 15 metas de longo prazo e Klabin com seus KODS, demonstram em seus relatórios um compromisso explícito com esses objetivos, abrangendo desde o combate à crise climática até a promoção da educação e inclusão.
A pergunta aberta sobre o que os colaboradores consideravam um diferencial nas práticas sustentáveis de suas companhias revelou uma rica gama de percepções. Muitos destacaram a força dos programas sociais e o retorno positivo para a comunidade, bem como a promoção da sustentabilidade no dia a dia, com lembretes e uso de utensílios recicláveis. A conservação de hectares, as políticas de desenvolvimento socioambiental para comunidades próximas às fábricas e o debate constante sobre mudanças climáticas foram frequentemente mencionados. Outros diferenciais incluíram o uso de produtos de higiene pessoal de material sustentável, a preservação de áreas florestais alinhada à regulação, e a substituição de plásticos de uso único por alternativas biodegradáveis.
Os respondentes também valorizaram o estímulo ao trabalho remoto, o uso racional de água, programas de voluntariado e incentivos esportivos. A promoção da retirada de pessoas da pobreza, a criação de oportunidades de geração de renda para vulneráveis e a autossuficiência energética das unidades foram citados como pontos fortes. A empresa reforça constantemente seus objetivos sustentáveis, envolvendo ativamente os funcionários com propostas que fazem sentido para eles. A adoção de metas de curto prazo pautadas nos ODS, com impactos significativos no meio ambiente e na sociedade ao redor das unidades industriais e florestais, foi outro diferencial apontado, assim como o plantio de três a cinco árvores para cada uma derrubada.
A promoção de práticas sustentáveis nas operações florestais e industriais, metas internas associadas aos ODS, compromissos de longo prazo integrados à estratégia, governança robusta, critérios socioambientais rigorosos na cadeia de suprimentos e inovação em bionegócios foram igualmente destacados. A cultura de sustentabilidade presente no dia a dia, desde os banheiros até os lanches compartilhados, também foi percebida como um diferencial. A empresa que mais planta espécies nativas, com áreas de preservação quase iguais às áreas de colheita, e o trabalho de desenvolvimento das comunidades impactadas pelas fábricas, além de uma reserva florestal superior à quantidade de florestas para produção de celulose, e o investimento significativo em iniciativas sociais, foram amplamente reconhecidos.
A presença de uma vasta equipe de pesquisa e tecnologia, a atualização constante do portfólio para pautas sustentáveis, as doações a instituições sociais e os projetos externos e internos para colaboradores também foram mencionados. A existência de um time de sustentabilidade focado em inovações e necessidades ambientais foi outro ponto de destaque. Esses relatos qualitativos confirmam a abrangência e a profundidade das práticas sustentáveis das companhias, alinhando-se com as informações dos relatórios de sustentabilidade e reforçando o engajamento dos colaboradores com a missão ESG das empresas, especialmente no que diz respeito à conservação de hectares, apoio à comunidade e programas sociais, e o alinhamento com os ODS.
Em síntese, os resultados da pesquisa demonstraram que as companhias do setor de papel e celulose, Klabin e Suzano, possuem práticas sustentáveis robustas e bem estabelecidas, conforme evidenciado em seus relatórios. A percepção dos colaboradores, como stakeholders, é majoritariamente positiva, com alto nível de conhecimento sobre as iniciativas ESG, forte engajamento em programas sociais e voluntariado, e uma clara identificação com a cultura de sustentabilidade da empresa. Embora o conhecimento geral sobre ESG seja elevado, a pesquisa apontou uma oportunidade para aprimorar a divulgação interna dos Relatórios Anuais de Sustentabilidade, garantindo que todos os colaboradores tenham acesso completo e aprofundado às informações. Os achados confirmam o cumprimento do objetivo do estudo, evidenciando a familiaridade e o engajamento dos colaboradores com o foco sustentável das companhias, e sublinham a importância da percepção do funcionário nas estratégias ambientais e sociais.
4. Conclusão
O presente estudo buscou compreender as práticas sustentáveis adotadas por companhias nacionais de capital aberto do setor de papel e celulose e medir a percepção de seus colaboradores como stakeholders. Verificou-se que os colaboradores demonstraram alto nível de conhecimento sobre as iniciativas ESG das companhias, com 74% possuindo bom ou completo entendimento do tema. Observou-se um expressivo engajamento, com 95% dos respondentes considerando importante trabalhar em empresas preocupadas com a sustentabilidade e 83% tendo participado ou sido encorajados em programas sociais ou de voluntariado. Os resultados indicaram que 70% dos colaboradores sentiram-se significativamente impactados pelas ações de desenvolvimento social e sustentável, especialmente aquelas voltadas para a comunidade. A pesquisa evidenciou a familiaridade e o alinhamento dos colaboradores com o foco sustentável das companhias, confirmando a relevância da percepção interna para a efetividade das estratégias ambientais e sociais.
A principal contribuição do estudo reside em sublinhar a importância da percepção do funcionário como stakeholder fundamental nas estratégias de sustentabilidade corporativa, reforçando que o engajamento interno é crucial para o sucesso das iniciativas ESG. Contudo, identificou-se como limitação metodológica a utilização de uma amostra não probabilística por conveniência, o que impede a generalização dos resultados para toda a população de funcionários das companhias. Além disso, os achados apontaram uma oportunidade para aprimorar a divulgação interna dos Relatórios Anuais de Sustentabilidade, visto que 36% dos colaboradores apresentaram conhecimento parcial, pouco ou nenhum sobre o material. Como sugestão para estudos futuros e para as companhias, recomenda-se o reforço na promoção e disseminação interna desses relatórios, permitindo que os colaboradores aprofundem seu conhecimento sobre os objetivos, projeções e resultados das práticas sustentáveis, consolidando ainda mais a cultura ESG e o papel do funcionário como agente ativo na sustentabilidade.
Referências Bibliográficas
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Meireles, M. D. R. 2024. O papel da sustentabilidade organizacional no work engagement e no desempenho individual (Master’s thesis). Disponível: . Acesso em: 05 ago. 2025.
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Nossa, V. 2002. Disclosure ambiental: uma análise do conteúdo dos relatórios ambientais de empresas do setor de papel e celulose em nível internacional (Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo). Disponível: . Acesso em: 18 mar. 2025.
Sampaio, A. M. 1978. USA: a crise do Estado capitalista. Disponível: . Acesso em: 10 mar. 2025.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq
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