Artigo

22 de junho de 2026

Análise do papel da gestão de projetos sustentáveis para o desempenho organizacional no comércio exterior

Nathália Falsetti; Anne Rocha

DOI: 10.22167/2675-6528-2026M18

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação

Resumo

A crescente pressão por responsabilidade socioambiental impulsionou empresas do comércio exterior a integrar projetos sustentáveis em seus modelos de negócio, com indicadores ESG influenciando decisões de investimento e crédito para conciliar lucro, desenvolvimento e credibilidade internacional. Este estudo analisou o papel da governança corporativa como elemento central para a gestão de projetos socioambientais e para o aumento da eficiência dos negócios no comércio exterior. A pesquisa adotou uma metodologia mista, que incluiu entrevistas com profissionais da área e três estudos de caso de empresas globais (Tesla, Apple e DSV), complementados por relatórios corporativos e indicadores financeiros. Os resultados indicaram que a governança corporativa é fundamental para institucionalizar projetos sustentáveis, assegurando estratégia de gestão, controle e mensuração de resultados. Os projetos sustentáveis analisados demonstraram capacidade de promover inovação tecnológica, reduzir custos, melhorar o desempenho organizacional e fortalecer a confiança dos stakeholders. Concluiu-se que a integração entre gestão de projetos, sustentabilidade e governança corporativa constitui uma estratégia eficaz para garantir o posicionamento competitivo em mercados internacionais cada vez mais regulados.

Palavras-chave: Credibilidade; ESG; Estratégia; Governança; Inovação.

1. Introdução

A agenda ESG (Environmental, Social and Governance) emergiu como um conjunto de diretrizes essenciais para a gestão de projetos, abrangendo práticas ambientais, sociais e de governança que buscam garantir a sustentabilidade dos negócios. Impulsionadas por marcos como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), grandes atores globais passaram a investir na gestão de projetos de sustentabilidade como parte essencial de suas estratégias de desenvolvimento organizacional.

A crescente pressão dos mercados e dos stakeholders por responsabilidade socioambiental tem conduzido empresas do comércio exterior a integrar projetos sustentáveis em seus modelos de negócio. Indicadores ESG, adotados por bolsas de valores internacionais, influenciam decisões de investimento e crédito ao avaliar riscos socioambientais, desempenho financeiro e competitividade. Ignorar riscos sustentáveis é visto como erro de avaliação de crédito (Fórum Econômico Mundial, 2025). Atualmente, mais de 20 mil empresas em mais de 160 países participam da iniciativa do Pacto Global da ONU, representando cerca de 39% do valor de mercado global comprometido com a redução de emissões em linha com o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5 °C (Pacto Global da ONU, 2024).

Essa mudança de perspectiva das empresas está alinhada ao que Porter e Kramer (2011) definem como valor compartilhado. Essa teoria propõe que a competitividade empresarial e o bem-estar da sociedade estejam integrados, ao invés de serem tratados separadamente. Porter e Kramer (2011) ressaltam que o impacto social pode ser visto como uma oportunidade de crescimento estratégico a partir do momento em que as empresas desenvolvem uma gestão de projetos sustentáveis eficiente.

Estudos empíricos corroboram essa visão. Eccles, Ioannou e Serafeim (2014) demonstram que empresas que investem na gestão de projetos de sustentabilidade como parte central da sua estratégia corporativa tendem a apresentar melhor desempenho financeiro e operacional ao longo prazo, além de maior resiliência diante de crises econômicas ou ambientais. A pesquisa ainda revela que organizações sustentáveis desenvolvem processos internos mais robustos, como mecanismos de governança mais estruturados, sistemas de medição de desempenho rigorosos e maior transparência na comunicação com stakeholders.

Esses efeitos têm se mostrado cada vez mais relevantes particularmente para o comércio exterior, onde normas e exigências regulatórias internacionais impõem níveis crescentes de conformidade ambiental, social e ética para o estabelecimento de parcerias comerciais duradouras (Porter & Kramer, 2011). No entanto, apesar dos avanços pontuais e da crescente conscientização, a ideia de unir propósito socioambiental aos objetivos de crescimento financeiro das empresas ainda é percebida como algo distante ou até mesmo ilusório, sobretudo no contexto de pequenas e médias empresas. O conhecimento sobre os reais benefícios dessa integração é pouco explorado, abrindo espaço para práticas de greenwashing que fragilizam a credibilidade e limitam a transformação genuína.

Nesse cenário, a gestão de projetos desempenha um papel central na implementação de iniciativas sustentáveis no ambiente corporativo, permitindo que as empresas planejem, organizem e monitorem de forma estruturada suas iniciativas socioambientais. Ela facilita a integração entre sustentabilidade e estratégia empresarial, garantindo que iniciativas ambientais e sociais contribuam para a inovação, redução de custos e melhoria do desempenho organizacional. Projetos bem gerenciados fortalecem a competitividade e potencializam a confiança junto aos stakeholders, consolidando a sustentabilidade como pilar estratégico no longo prazo.

Dentre os pilares ESG, a governança corporativa é fundamental no apoio à gestão de projetos, fornecendo estrutura, processos e diretrizes que garantem a execução eficiente e alinhada à estratégia da empresa. A governança, especialmente por meio do princípio de accountability (transparência de dados e informações), atua como motor para o alcance das metas ESG definidas por bolsas de valores nacionais e internacionais, impactando a eficiência da gestão de projetos socioambientais e evidenciando a articulação entre inovação, eficiência operacional e sustentabilidade.

A integração entre gestão de projetos, sustentabilidade e governança surge, assim, como uma estratégia eficaz para garantir o posicionamento competitivo em mercados internacionais cada vez mais regulados. Este trabalho tem como objetivo analisar o papel da governança corporativa como peça-chave para a gestão de projetos socioambientais e o aumento do desempenho organizacional em empresas de comércio exterior. Busca-se compreender como a governança, via accountability, impulsiona o alcance das metas ESG, impactando a eficiência da gestão de projetos e a articulação entre inovação, eficiência operacional e sustentabilidade.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, fundamentada no método de estudo de caso múltiplo, com o objetivo de compreender em profundidade como a gestão de projetos sustentáveis impacta positivamente o desempenho organizacional de empresas atuantes no comércio exterior. O caráter qualitativo da investigação se manifestou pelo foco interpretativo, direcionado à análise de significados, percepções, práticas e projetos relacionados à integração de iniciativas ESG nas organizações.

A investigação foi organizada em quatro etapas sequenciais e interdependentes para garantir clareza e coesão. Primeiramente, realizou-se a seleção das empresas para os estudos de caso. Em seguida, procedeu-se à coleta de dados por meio de entrevistas e análise documental. A terceira etapa consistiu na análise integrada e triangulação dos dados, e a quarta etapa envolveu a validação dos resultados obtidos.

Na Etapa I, a seleção das empresas para os estudos de caso considerou múltiplos critérios para assegurar a relevância e a representatividade das realidades do comércio exterior. Os requisitos essenciais incluíram presença internacional, compromisso com governança corporativa (evidenciado por relatórios de sustentabilidade), diversidade setorial e operacional, e reconhecimento internacional em gestão de projetos socioambientais. As empresas selecionadas foram Tesla, Apple e DSV.

A Etapa II, de coleta de dados, foi realizada em duas frentes complementares. Os estudos de caso foram conduzidos a partir da análise de relatórios corporativos de sustentabilidade, publicações e documentos institucionais, balanços financeiros anuais, notícias e indicadores oficiais. Esses materiais foram divulgados pelos sites oficiais das empresas selecionadas, fornecendo uma base consistente de práticas de governança e desempenho socioambiental.

Paralelamente, realizaram-se entrevistas com profissionais atuantes no setor de comércio exterior e especialistas em ESG. Os entrevistados foram selecionados com base em experiência mínima de 5 anos na área, atuação em cargos estratégicos que influenciam ou coordenam projetos socioambientais, e consentimento para participação. As entrevistas tiveram duração média de 45 minutos e abordaram desafios, impactos, governança, inovação e competitividade.

A Etapa III consistiu na análise integrada e triangulação de dados, examinando de forma articulada todas as informações obtidas. Os estudos de caso forneceram evidências documentadas e mensuráveis sobre as práticas corporativas, como relatórios anuais e indicadores oficiais. As entrevistas, por sua vez, trouxeram uma dimensão qualitativa e subjetiva, complementando os dados documentais com percepções e experiências práticas.

Na Etapa IV, a estratégia de validação foi adotada para assegurar a confiabilidade metodológica e a validade prática das conclusões. Aplicou-se uma validação fundamentada na triangulação de dados, cruzando informações de entrevistas, documentos e relatórios oficiais das empresas, além de publicações acadêmicas pertinentes. Em seguida, utilizou-se a triangulação de métodos, integrando análises qualitativas com dados quantitativos.

Por fim, a validação por profissionais especialistas nas áreas de ESG e comércio exterior complementou o processo, revisando criticamente os resultados e garantindo a aderência do estudo às demandas práticas do setor. Os cuidados éticos foram observados durante a pesquisa, garantindo a disponibilidade e o consentimento dos participantes, além de respeitar a confidencialidade das informações e o anonimato dos entrevistados.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados, provenientes de estudos de caso, entrevistas com profissionais do setor e uma revisão teórica aprofundada, revelou que a governança corporativa desempenha um papel central na gestão de projetos socioambientais, impactando diretamente o desempenho organizacional e a competitividade no comércio exterior. Os resultados foram organizados em três blocos principais, que abordam os impactos práticos das iniciativas ESG nas empresas estudadas, as percepções dos gestores sobre a efetividade dessas práticas e, por fim, o papel estratégico da governança na consolidação desses projetos.

Inicialmente, os estudos de caso de empresas globais como Tesla, Apple e DSV demonstraram como a integração de projetos sustentáveis à estratégia de negócios não é apenas um diferencial reputacional, mas uma necessidade crescente para garantir a confiança do mercado e atrair investimentos. Essa abordagem estratégica tem gerado ganhos mensuráveis em produtividade, inovação e competitividade, especialmente em um cenário internacional cada vez mais regulado e exigente. A gestão de projetos, aliada a uma governança corporativa robusta, emerge como um pilar fundamental para a coerência e eficácia das iniciativas sustentáveis. Impactos dos Projetos Socioambientais na Eficiência dos Negócios: Estudos de Caso

A Tesla, reconhecida por sua liderança em sustentabilidade ambiental, exemplifica a integração de projetos socioambientais com a eficiência produtiva. Sua missão, conforme Elon Musk (2006), de “acelerar a transição de energia sustentável no mundo”, é materializada em seus Master Plans, como o Master Plan Part 3. Este plano ambicioso visa uma cadeia de produção totalmente sustentável e integrada, com foco na neutralidade de carbono e eficiência energética até 2050, por meio do uso de energia renovável, tecnologias de reciclagem e automação inteligente.

A empresa adota diversas fontes de energia renovável, destacando-se a energia solar fotovoltaica e a energia eólica contratada via Power Purchase Agreement (PPA), que garantem o fornecimento de energia limpa e protegem as operações contra flutuações de preços. A instalação de quase 4,0 gigawatts (GW) em sistemas solares resultou em mais de 20,8 terawatts-hora (TWh) de eletricidade livre de emissões. Essa estratégia, combinada com sistemas de armazenamento como Megapacks e Powerwalls, assegura fornecimento contínuo, reduz interrupções e alimenta a rede de Superchargers, gerando economia indireta e fortalecendo a competitividade da marca.

A efetividade dessas iniciativas é diretamente ligada a uma governança corporativa sólida, que estabelece diretrizes claras, responsabilidades e monitoramento contínuo. Essa estrutura garante que projetos como a instalação de sistemas solares sejam implementados de forma consistente e alinhada às metas estratégicas. A relação entre sustentabilidade ambiental e eficiência operacional, conforme analisado por Di Giuli e Kostovetsky (2019), é evidente: um aumento de 10% na pontuação ambiental média está associado a uma redução de 1,7% nos custos operacionais totais. Para a Tesla, com faturamento mensal estimado em US$ 8 bilhões (Tesla, 2023), isso representa uma economia de aproximadamente US$ 136 milhões por mês, demonstrando o impacto financeiro significativo das práticas sustentáveis.

A Apple, por sua vez, destaca-se na sustentabilidade social e na inovação, com projetos focados no capital humano e na democratização do conhecimento. Iniciativas como o Racial Equity and Justice Initiative (REJI), lançado em 2020 com um investimento inicial de US$100 milhões, visam promover justiça racial, expandir o acesso à educação tecnológica e fomentar o empreendedorismo em comunidades menos favorecidas. O Community Education Initiative, por exemplo, oferece acesso à educação de programação, preparando novas gerações para o setor tecnológico em diversos países.

Esses projetos fortalecem o capital humano e impulsionam a inovação, sendo um investimento estratégico de longo prazo. Equipes diversas, como defendido pelo Forbes Tech Council (2019), são o “Santo Graal” da inovação, combinando múltiplas perspectivas e experiências para acelerar a solução de problemas complexos e gerar produtos alinhados às necessidades do mercado global. Pesquisas da UniFOA (2025) e da OCDE (2019) corroboram que a diversidade e ambientes de trabalho que incentivam o aprendizado contínuo e a autonomia dos funcionários favorecem a geração de ideias inovadoras e a produtividade, alinhando-se à visão do CEO da Apple, Tim Cook (2025), sobre a diversidade como pilar essencial para o sucesso da empresa.

O forte apoio dos investidores à gestão de projetos sociais da Apple foi evidenciado em fevereiro de 2025, quando uma proposta para eliminar projetos de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) foi amplamente rejeitada por mais de 97% dos acionistas. Essa decisão sublinha o reconhecimento de que o capital humano e a diversidade são pilares estratégicos para o sucesso a longo prazo da empresa. A governança corporativa da Apple, com processos claros e mecanismos de acompanhamento, garante que iniciativas como REJI e Community Education Initiative sejam realizadas de forma consistente e mensurável, consolidando a reputação da marca como ética, socialmente responsável e inovadora.

O relatório Apple ESG Index (2021) demonstra o compromisso da empresa com frameworks de reporte ESG como GRI, SASB e TCFD, aumentando a confiabilidade para investidores e stakeholders. Essa gestão de projetos sociais, sustentada pela governança, não apenas viabiliza a execução de ações sociais, mas também cria um ambiente propício para a inovação, integrando responsabilidade social com crescimento financeiro. A efetividade das iniciativas de diversidade e inclusão depende da criação de um ambiente que estimule a heterogeneidade de pensamentos e a segurança psicológica, permitindo que os colaboradores questionem processos e proponham ideias, transformando conflitos em oportunidades de inovação.

A DSV, líder global em transporte e logística, adota uma abordagem estratégica para a gestão de projetos sustentáveis em sua cadeia de suprimentos, alinhada às iniciativas ESG. A empresa demonstra como a incorporação de projetos sustentáveis favorece sua competitividade global. Sua governança corporativa define procedimentos de monitoramento, avaliação e controle de riscos ambientais e sociais, orientada por comitês de compliance, auditoria e sustentabilidade que supervisionam diretrizes e metas socioambientais, garantindo alinhamento com processos operacionais e valores institucionais.

Os relatórios de sustentabilidade da DSV (2025) evidenciam investimentos em otimização de rotas para redução de emissões, uso de embalagens recicláveis e implantação de sistemas de eficiência energética em armazéns, integrando a sustentabilidade ao planejamento logístico. A empresa mantém indicadores de desempenho ESG consolidados, como a redução de CO2 por tonelada transportada (DSV A/S, Sustainability Report 2022). Em agosto de 2025, a DSV da África do Sul recebeu um prêmio por sua colaboração com a Everlectric, integrando veículos elétricos à sua frota de distribuição, resultando em uma redução total de aproximadamente 826.000 kg de emissões de CO2 desde 2022.

A adoção de uma frota elétrica proporciona significativa redução de custos com combustível e manutenção, além de melhorar a eficiência operacional em trajetos urbanos e fortalecer a imagem corporativa. Outro projeto relevante é a gestão responsável de resíduos, visando a redução do impacto ambiental por meio da prevenção, reutilização e reciclagem de materiais, o que gera benefícios como redução de custos, maior eficiência operacional e conformidade com regulamentações ambientais. A expansão internacional da DSV, impulsionada por aquisições como Panalpina, Agility Global Integrated Logistics e Schenker AG, é amparada por uma governança corporativa sólida que garante a integração e padronização de padrões ESG em todas as operações.

Essa abordagem permite à DSV ser uma fornecedora preferencial de soluções logísticas sustentáveis em setores que exigem alto controle de risco e responsabilidade socioambiental. O compromisso com a gestão de projetos sustentáveis e indicadores ESG fortalece sua reputação internacional e a diferencia em licitações globais. A teoria de Ghemawat e Hout (2008) sobre a expansão global bem-sucedida, que depende de uma governança sólida para prever e minimizar riscos, reforça a lógica de que a governança corporativa é um pilar fundamental para a gestão de projetos socioambientais e para sustentar a expansão global da DSV, transformando iniciativas socioambientais em diferenciais competitivos. Resultados das Entrevistas

As entrevistas com profissionais do setor complementaram os estudos de caso, oferecendo uma perspectiva prática e subjetiva sobre a dinâmica operacional dos projetos socioambientais. Os entrevistados confirmaram a relevância da adesão a esses projetos e do papel da governança, mas trouxeram uma visão mais pessimista em relação à percepção de que unir propósito socioambiental a objetivos financeiros ainda é distante ou ilusório, especialmente para pequenas e médias empresas. A falta de conhecimento aprofundado sobre ESG foi apontada como um fator que abre espaço para práticas de greenwashing, onde medidas superficiais são implementadas sem gerar impactos reais.

A superação da desinformação foi identificada como o primeiro passo para que as empresas adotem estratégias autênticas e consistentes, evitando que a sustentabilidade seja reduzida a um mero recurso de marketing. A democratização do tema ESG, estendendo-o a todos os níveis da empresa, foi uma sugestão unânime, com propostas como treinamentos, gamificação e integração ao onboarding de novos colaboradores. Essa abordagem visa reduzir resistências, alinhar esforços e transformar projetos socioambientais em parte efetiva da estratégia corporativa, garantindo que não sejam iniciativas isoladas.

Outro ponto crucial destacado pelos entrevistados foi a importância da gestão de conflitos como aliada da gestão de projetos sociais. Para que as iniciativas de diversidade e inclusão sejam efetivas, é essencial criar um ambiente que estimule a heterogeneidade de pensamentos e visões de mundo, onde os colaboradores se sintam encorajados a propor ideias inovadoras e a participar de debates respeitosos. A gestão deve garantir que opiniões divergentes sejam valorizadas igualmente, transformando situações desafiadoras em oportunidades de crescimento e inovação, o que reforça o pilar social do ESG e impulsiona a capacidade da empresa de inovar e adaptar-se a mercados globais complexos.

Por fim, os entrevistados enfatizaram a importância dos projetos sociais voltados ao bem-estar e à motivação dos colaboradores como pilares centrais para o sucesso das estratégias socioambientais. Eles ressaltaram que os projetos são conduzidos por pessoas, e colaboradores motivados tornam-se agentes multiplicadores de valores organizacionais, fundamentais para consolidar benefícios como inovação, eficiência operacional e uma reputação sólida. Valorizar o engajamento interno é uma estratégia consistente para assegurar que os projetos empresariais alcancem resultados tangíveis e sustentáveis, contribuindo para o desempenho organizacional de forma abrangente. A Governança Corporativa como peça-chave para a Gestão de Projetos Socioambientais nas Empresas

A governança corporativa demonstrou ser um elemento fundamental na gestão de projetos socioambientais, estabelecendo as estruturas, processos e políticas que orientam a tomada de decisões, a atribuição de responsabilidades e o monitoramento de resultados. Uma rede de governança bem estruturada promove clareza de papéis, agilidade nas decisões, gestão eficiente de riscos e recursos, e transparência, garantindo que os projetos atinjam seus objetivos de forma eficaz, respeitando prazos e custos, e alinhados aos objetivos estratégicos da empresa e dos stakeholders.

A conexão entre governança e gestão de projetos se manifesta por meio de processos formais que alinham a alta gestão às equipes de execução. Estruturas de aprovação, comitês, Key Performance Indicators (KPIs) e relatórios periódicos permitem acompanhar o progresso, prever e remediar riscos, e assegurar o cumprimento de cronogramas. Políticas e normas corporativas guiam as decisões cotidianas, garantindo o alinhamento das atividades à estratégia da empresa e reduzindo retrabalho e desperdícios, o que contribui para a eficiência operacional e a sustentabilidade das iniciativas.

A integração entre governança, gestão de projetos e resultados socioambientais pode ser visualizada como uma estrutura piramidal. Na base, a governança corporativa fornece os mecanismos de direcionamento estratégico, padronização de processos e monitoramento de riscos que sustentam os projetos. No nível intermediário, a gestão de projetos operacionaliza as diretrizes da governança, transformando o planejamento em resultados práticos e mensuráveis. No topo, os projetos socioambientais bem-sucedidos refletem os benefícios dessa integração, traduzindo-se em inovação, eficiência de recursos, credibilidade no mercado internacional e alinhamento aos objetivos estratégicos das empresas.

O PMBOK (Project Management Body of Knowledge, 7ª edição, PMI, 2021) reforça a importância da governança como mecanismo essencial para alinhar projetos à estratégia organizacional, supervisionando e direcionando-os, estabelecendo níveis de jurisdição para decisões críticas e padronizando processos de controle e monitoramento. No contexto de projetos socioambientais, a governança garante que esses projetos gerem valor sustentável para as empresas, assegurando que estejam alinhados às demais estratégias financeiras e de crescimento corporativas, evitando que se tornem iniciativas isoladas ou desconexas.

A governança auxilia o gestor de projetos na alocação adequada de recursos financeiros e humanos, na identificação e mitigação de riscos socioambientais e financeiros, e no gerenciamento de projetos de sustentabilidade de forma mensurável. Nesse contexto, os KPIs voltados para sustentabilidade, como emissões de CO2, uso de água, geração de resíduos, índice de diversidade e inclusão, satisfação dos funcionários, investimento social corporativo, compliance rate, transparência de relatórios ESG, diversidade em conselhos e comitês, e indicadores anticorrupção, tornam-se elementos centrais na avaliação e monitoramento das iniciativas corporativas.

A governança favorece a efetividade desses indicadores ao estabelecer padrões claros de coleta, validação e reporte de dados, garantindo transparência, consistência e rastreabilidade das informações. Isso permite que a alta direção integre os resultados dos KPIs ESG nas decisões estratégicas, promovendo ajustes nos projetos, correção de desvios e priorização de iniciativas que gerem maior impacto ambiental e social. Os estudos de caso e as entrevistas reforçaram que uma governança estruturada e alinhada aos objetivos estratégicos oferece suporte efetivo à gestão de projetos, resultando em efeitos positivos, como observado na Tesla, Apple e DSV. Por outro lado, uma governança mal estruturada ou focada apenas em fachada reputacional prejudica a execução dos projetos sustentáveis e contribui para práticas de greenwashing, que não geram benefícios reais para a sociedade ou para os objetivos corporativos.

Em síntese, os achados da pesquisa demonstram que a governança corporativa é um pilar indispensável para a gestão eficaz de projetos socioambientais em empresas de comércio exterior. Ela não apenas fornece a estrutura necessária para planejar, executar e monitorar iniciativas de sustentabilidade, mas também assegura o alinhamento estratégico com os objetivos financeiros e a criação de valor compartilhado, promovendo inovação, eficiência operacional e fortalecendo a credibilidade junto aos stakeholders em mercados globais cada vez mais exigentes.

4. Conclusão

Este estudo analisou o papel da governança corporativa como elemento central para a gestão de projetos socioambientais e para o aumento da eficiência dos negócios no comércio exterior. Verificou-se que a integração de projetos sustentáveis à estratégia empresarial é uma necessidade crescente, gerando ganhos mensuráveis em produtividade, inovação e competitividade. Os estudos de caso da Tesla, Apple e DSV demonstraram como uma governança corporativa sólida institucionaliza iniciativas sustentáveis, promovendo, por exemplo, a redução de custos operacionais por meio de energias renováveis, o fortalecimento do capital humano e a inovação via diversidade, e a otimização da cadeia de suprimentos com práticas logísticas verdes. As entrevistas com profissionais do setor corroboraram a relevância desses projetos, mas apontaram para a persistência de desafios, como a desinformação sobre ESG e o risco de greenwashing, especialmente em pequenas e médias empresas. A governança corporativa, ao estabelecer estruturas, processos e políticas claras, mostrou-se fundamental para alinhar a gestão de projetos socioambientais aos objetivos estratégicos e financeiros, assegurando a criação de valor compartilhado e a credibilidade no mercado internacional.

Apesar dos achados robustos, a pesquisa apresentou limitações decorrentes da natureza dos dados. Os estudos de caso basearam-se predominantemente em relatórios e informações públicas, o que restringiu a compreensão de certas dinâmicas operacionais internas. As entrevistas, embora complementares, revelaram que a percepção de unir propósito socioambiental a objetivos financeiros ainda é vista como distante ou ilusória por alguns gestores, evidenciando a necessidade de maior democratização do conhecimento sobre ESG. Sugere-se, para estudos futuros, aprofundar a investigação sobre estratégias eficazes para a democratização do tema ESG em todos os níveis organizacionais, bem como explorar o papel da gestão de conflitos na promoção da inovação em projetos sociais, especialmente em contextos de pequenas e médias empresas. Tais abordagens poderiam contribuir para a formulação de diretrizes mais específicas que auxiliem as empresas a transpor a barreira da desinformação e a consolidar a sustentabilidade como um pilar estratégico genuíno, evitando práticas de greenwashing e potencializando o desempenho organizacional em mercados globais.

Referências Bibliográficas

ECLES, Robert G.; IOANNOU, Ioannis; SERAFEIM, George. The impact of corporate sustainability on organizational processes and performance. Harvard Business School. Management Science, v. 60, n. 11, p. 283

PACTO GLOBAL DA ONU. ESG: questões ambientais, sociais e de governança nas análises de risco e decisões de investimento. Pacto Global da ONU, 2024. Disponível em: https://www.pactoglobal.org.br/esg/. Acesso em: 17 jun. 2025.

PORTER, Michael E.; KRAMER, Mark R. Creating shared value: how to reinvent capitalism-and unleash a wave of innovation and growth. Harvard Business Review, v. 89, n. 1-2, p. 62–77, jan./fev. 2011. Disponível em: https://hbr.org/2011/01/the-big-idea-creating-shared-value. Acesso em: 18 abr. 2025.

WORLD ECONOMIC FORUM. Corporate responsibility makes financial sense. Here’s why. World Economic Forum, 2025. Disponível em: https://www.weforum.org/stories/202503/why-esg-is-now-a-financial-imperative/. Acesso em: 10 abr. 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Você também pode gostar

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

A Progressão das Demandas Cognitivas nas Habilidades de Leitura da Bncc nos Anos Finais do Ensino Fundamental

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabeleceu um marco para a organização curricular da Educação Básica, definindo aprendizagens essenciais a serem desenvolvidas progressivamente. Nesse contexto, a progressão das aprendizagens e o desenvolvimento cognitivo dos estudantes nas habilidades de leitura têm sido objeto de análise no campo educacional. O estudo objetivou analisar a progressão cognitiva das habilidades de leitura propostas para o 6º e o 7º anos do Ensino Fundamental, utilizando como referência a Taxonomia de Bloom revisada. Realizou-se uma pesquisa de natureza qualitativa, baseada em análise documental, com foco na identificação e classificação dos verbos que expressam as operações cognitivas mobilizadas nas habilidades. Os resultados indicaram a recorrência de habilidades de média e alta complexidade ao longo deste ciclo, sem a explicitação de uma progressão cognitiva linear. Observou-se a predominância de operações como análise, avaliação e comparação desde o início do período analisado. Esses achados revelaram desafios para a organização curricular, especialmente quanto à necessidade de mediação docente para construir a progressão das aprendizagens, prevenir a sobrecarga cognitiva e promover práticas pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento gradual da autonomia leitora.

Palavras-chave: BNCC; Complexidade Cognitiva; Ensino de Língua Portuguesa; Habilidades de leitura; Taxonomia de Bloom.

15 de setembro de 2026

Aplicação da Matriz de Eisenhower na Gestão de Prazos em Obras de Infraestrutura

Este trabalho abordou a gestão de um contrato público para implantação de uma Subestação (SE) em um sistema metroferroviário de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo. O cronograma inicial previu 36 meses para energização de duas linhas (A e B), mas uma decisão estratégica impôs a antecipação da energização da Linha A. O objetivo foi avaliar a eficácia da Matriz de Eisenhower como ferramenta de reestruturação de cronogramas em tempo real para cumprir essa meta. A pesquisa caracterizou-se como aplicada, de abordagem qualiquantitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso único. A metodologia focou na identificação de atividades cruciais a partir da Estrutura Analítica do Projeto (EAP), classificando as tarefas para energização da Linha A como “importantes e urgentes” e as da Linha B como “importantes, mas não urgentes”. Complementarmente, aplicaram-se técnicas de compressão de cronograma como “fast tracking” e “crashing”. A entrega parcial da subestação, com a antecipação da energização da Linha A em aproximadamente três meses, demonstrou a efetividade da matriz. Concluiu-se que a Matriz de Eisenhower se mostrou uma ferramenta eficaz de apoio à tomada de decisão em projetos complexos, contribuindo para maior eficiência na gestão de contratos e cumprimento de metas em cenários de restrição de prazos. O método apresentou-se prático e replicável para a gestão de cronogramas em obras públicas de sistemas de energia metroferroviários.

Palavras-chave: Gestão de projetos; Gestão do tempo; Matriz de Eisenhower; Priorização de atividades; Subestação de energia.

15 de setembro de 2026

Acurácia de Modelos de Previsão de Demanda no Mercado da Soja Brasileira

A previsão de demanda é um componente crítico para decisões de planejamento e gestão de risco em cadeias de commodities, como a soja, nas quais a sazonalidade e a concentração de volumes podem amplificar impactos operacionais e econômicos. Avaliou-se a acurácia de modelos de previsão aplicados ao volume mensal exportado de soja em grão do Brasil, com o objetivo de identificar o modelo de previsão com melhor desempenho para esse contexto e estimar a exposição econômica associada ao erro de previsão. Utilizaram-se dados mensais de janeiro de 2016 a dezembro de 2025, obtidos no Comex Stat para o NCM 12019000. Os dados foram segregados em amostra de estimação (2016–2024) e amostra teste (2025) para validação fora da amostra. Implementaram-se cinco métodos: Naive, Naive sazonal, média móvel de 3 meses, média móvel de 12 meses e suavização exponencial sazonal (ETS). O desempenho foi mensurado por MAE, RMSE, MAPE, WMAPE e BIAS, adotando-se o WMAPE como critério principal por ponderar o erro pelo volume realizado; adicionalmente, estimou-se o custo do erro em US$ com base no valor FOB mensal. Os resultados indicaram que o ETS apresentou o melhor desempenho global na amostra teste, com menor erro e menor viés, seguido pelo Naive sazonal, enquanto o Naive e as médias móveis apresentaram maior subestimação, principalmente nos meses de pico. A incorporação explícita da sazonalidade e o uso de métricas complementares reduziram a incerteza e a exposição econômica associada ao erro de previsão no cenário analisado.

Palavras-chave: Custo de erro; Planejamento de demanda; Sazonalidade; Suavização exponencial; WMAPE.

15 de setembro de 2026

Previsão da Potência Radiativa do Fogo de Incêndios no Brasil

Este estudo investigou os determinantes climáticos e de uso do solo que impulsionam a intensidade de incêndios, mensurada pela Potência Radiativa do Fogo (FRP). A pesquisa combinou inferência estatística clássica, por meio de um modelo econométrico de dados em painel com Efeitos Fixos, e modelagem preditiva avançada utilizando o algoritmo Random Forest. Os resultados do modelo econométrico revelaram que o índice de desmatamento exerceu o maior impacto positivo e estrutural na intensidade do fogo, enquanto as áreas de agricultura, pastagem e silvicultura não apresentaram significância estatística. O modelo Random Forest, otimizado via Grid Search com validação cruzada, explicou 36,26% da variância preditiva do fenômeno. Apresentou um Erro Médio Absoluto (MAE) de 0,62 em escala logarítmica, indicando robustez nas previsões. A análise de interpretabilidade com valores SHAP confirmou o protagonismo da dinâmica atmosférica, com a umidade relativa do ar como principal fator de mitigação de incêndios e a temperatura máxima e o número de dias sem chuva como maiores catalisadores. Concluiu-se que os incêndios de alta severidade resultam da sobreposição de extremos macroclimáticos combinados à disponibilidade de combustível oriundo do desmatamento recente.

Palavras-chave: Econometria de Painel; Machine Learning; Potência Radiativa do Fogo; Random Forest; Valores SHAP.

15 de setembro de 2026

Aplicação da Manutenção Preditiva no Envase de uma Cervejaria

A eficiência da manutenção em linhas de envase é um fator crítico para a competitividade na indústria cervejeira, impactando diretamente na produtividade e a confiabilidade operacional. O estudo teve como objetivo analisar a eficiência das estratégias de manutenção aplicadas em duas linhas de envase de latas de uma indústria cervejeira, por meio da avaliação de Indicadores-Chave de Desempenho. Para isso, foi conduzido um estudo de caso comparativo entre duas linhas: uma com manutenção preditiva internalizada e outra com manutenção corretiva, preventiva e preditiva terceirizada. A metodologia envolveu a extração, tratamento e modelagem de dados operacionais e de manutenção, seguida da construção e análise de indicadores de desempenho, incluindo Line Performance, OPI NONA, Unplanned Downtime, Breakdown e MTBF, além da avaliação da execução de ordens de manutenção baseadas em tempo e em condição. Os resultados evidenciaram que a linha com manutenção preditiva internalizada apresentou maior estabilidade operacional, menor incidência de paradas não planejadas e melhor desempenho nos indicadores analisados. Em contrapartida, a linha com manutenção corretiva e preventiva apresentou maior variabilidade e índices superiores de falhas. Concluiu-se que a adoção da manutenção preditiva contribui para o aumento da confiabilidade operacional e melhoria da performance no processo de envase.

Palavras-chave: Base de dados; Data Wrangling; Indicadores; Indústria Cervejeira.

15 de setembro de 2026

Desinvestimento e Risco de Stranded Assets: Evidências do Mercado Brasileiro a Partir do Caso Axia Energia

A crescente relevância dos critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) redefiniu a avaliação de decisões estratégicas corporativas, especialmente em setores com elevada exposição a riscos ambientais. Nesse contexto, o desinvestimento de ativos ambientalmente sensíveis emergiu como estratégia para mitigação de riscos e potencial criação de valor. O estudo analisou o impacto do anúncio de venda da participação da AXIA Energia (antiga Eletrobras) na Eletronuclear para a Âmbar Energia, divulgado em 15 de outubro de 2025, sobre o valor de mercado da companhia. Empregou-se a metodologia de estudo de eventos, com estimação de retornos anormais por meio do modelo de mercado, utilizando o Ibovespa como proxy. A validade dos resultados foi reforçada pela aplicação de testes de robustez não paramétricos (Corrado Rank Test e Sign Test) e por análise complementar de decomposição entre as subjanelas pré-evento e pós-evento. Foram analisadas cinco janelas de evento, [-1,+1], [-3,+3], [-5,+5], [-10,+10] e [-30,+30], com base em dados diários de preços ajustados da ação AXIA3 e do índice de mercado, coletados de 1º de janeiro de 2024 a 31 de dezembro de 2025. Os resultados indicaram retornos anormais acumulados (CAR) positivos em todas as janelas analisadas, com magnitudes de 1,65%, 2,30% e 0,43% nas janelas de curto prazo e de 0,15% na janela intermediária, todos sem significância estatística. Na janela de longo prazo [-30,+30], observou-se um CAR positivo e estatisticamente significativo de 22,31% (t = 2,28; p < 0,05), corroborado pelos testes não paramétricos. Os achados sugerem que estratégias de desinvestimento alinhadas à agenda ESG podem gerar valor para os acionistas, ainda que a precificação não ocorra de forma imediata, o que é consistente com a hipótese de ajuste tardio das expectativas. O estudo contribuiu para a literatura ao fornecer evidência empírica sobre o impacto de eventos de desinvestimento de ativos ambientalmente sensíveis no mercado brasileiro. Palavras-chave: Ativos encalhados; Desinvestimento; ESG; Estudo de eventos; Valor de mercado.

15 de setembro de 2026

Padrões de Uso de Cartão de Crédito Convertidos em Perfis Interpretáveis por Clusterização

A expansão dos meios de pagamento digitais e a intensificação da concorrência entre bancos e fintechs intensificaram a necessidade de compreender a diversidade de comportamentos de uso e relacionamento em cartões de crédito. Este trabalho teve como objetivo aplicar técnicas de análise de cluster em uma base de dados de cartão de crédito para identificar e descrever perfis comportamentais, avaliando a qualidade do agrupamento e produzindo uma segmentação interpretável. A metodologia foi quantitativa e aplicada, conduzida sobre uma base de dados de cartão de crédito, com etapas de análise exploratória, padronização z-score das variáveis numéricas e modelagem principal por K-Means. A escolha do número de clusters foi orientada pelo método do cotovelo (inércia/WCSS) e coeficiente de silhueta, com apoio de visualização por PCA (2D) e verificação de diferenciação entre grupos por ANOVA com tamanho de efeito (η²). Os resultados mostraram uma solução com três clusters que separou perfis principalmente por intensidade e mix de canais e por capacidade de crédito/estrutura de cartões. Identificou-se um grupo predominante com maior participação de visitas ao banco e menor intensidade total, um grupo minoritário com limite elevado e predominância de interações online, e um grupo com limite inferior e alta intensidade de chamadas telefônicas. Concluiu-se que a clusterização permitiu reduzir a complexidade do comportamento observado em perfis comparáveis e mensuráveis, oferecendo uma base objetiva para caracterização de clientes e apoio a decisões orientadas por dados.

Palavras-chave: Clusterização K-Means; Customer analytics; Interações multicanais; Limite de crédito; Segmentação de clientes.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade