Artigo

22 de junho de 2026

O Impacto do Ambiente de Trabalho na Motivação e Saúde Mental dos Colaboradores

Maria Eunice Mendes; Josiel William Paes Rodrigues

DOI: 10.22167/2675-6528-2026M17

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação

Resumo

A crescente preocupação com a saúde mental no ambiente de trabalho tem impulsionado empresas a adotar ações de bem-estar, contudo, a sobrecarga e a falta de apoio persistem, contribuindo para o aumento de casos de estresse e Burnout, com impactos na produtividade e na saúde pública. O estudo objetivou analisar a influência do ambiente de trabalho na motivação e saúde mental dos colaboradores. Para isso, aplicou-se um questionário online anônimo, distribuído em grupos de WhatsApp de networking profissional. Identificou-se uma relação entre clima organizacional desfavorável e o surgimento de problemas de saúde mental, afetando a vida dos indivíduos e a organização. Os resultados revelaram fragilidades no clima, com desmotivação associada à liderança, comunicação, reconhecimento e excesso de trabalho, impactando a saúde mental. Observou-se, ainda, dificuldade no equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com jornadas extensas e iniciativas de bem-estar percebidas como insuficientes. Concluiu-se pela necessidade de investimentos em comunicação eficaz, liderança, reconhecimento, equilíbrio e programas de saúde e segurança para fomentar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Palavras-chave: Clima organizacional; Colaboradores; Impacto; Motivação; Saúde mental.

1. Introdução

O sucesso de uma organização está intrinsecamente ligado ao engajamento de seus colaboradores, sendo fundamental despertar a disposição dos funcionários e identificar formas eficazes de mantê-los motivados. A motivação é um dos fatores mais relevantes, pois influencia diretamente a qualidade e a eficiência das atividades, refletindo, consequentemente, em maior produtividade (Chiavenato, 2021).

Nesse contexto, o ambiente de trabalho exerce grande influência sobre a motivação e a saúde mental dos colaboradores. Ele é reconhecido como um dos principais determinantes tanto do desempenho organizacional quanto do bem-estar individual. Diversas organizações vêm discutindo o clima organizacional por meio de investigações que avaliam diferentes aspectos do ambiente corporativo, buscando compreender a percepção dos empregados sobre seu local de trabalho (Chiavenato, 2021).

A relação entre empregado e empresa é vista como uma via de mão dupla, onde o colaborador presta serviços e a organização oferece remuneração. Empresas buscam manter uma imagem favorável, adotando iniciativas como encontros com psicólogos, palestras sobre saúde mental e programas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional (Chiavenato, 2021). Contudo, mesmo com essas medidas, os resultados nem sempre correspondem às expectativas, e muitos colaboradores continuam se sentindo desamparados diante de sobrecarga de trabalho, metas excessivas e falta de suporte emocional.

O Brasil enfrenta uma crise de saúde mental com impactos diretos na vida dos trabalhadores. Em 2024, foram registrados 472 mil afastamentos relacionados a questões de saúde mental (CFF, 2025). A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a síndrome de Burnout como uma das principais causas de afastamento laboral, evidenciando a gravidade do cenário.

A síndrome de Burnout, também conhecida como “síndrome do esgotamento profissional”, é um distúrbio psíquico caracterizado por exaustão extrema relacionada ao trabalho. Ela compromete a saúde mental a longo prazo e pode ocasionar problemas físicos, afetando diversas áreas da vida do indivíduo, incluindo trabalho, família e relações sociais, sendo resultado direto do acúmulo de estresse e tensão emocional (Dejours, 1992; Maslach, 1997).

Os transtornos mentais no ambiente de trabalho geram impactos organizacionais e sociais significativos, como a redução da produtividade e a pressão sobre o sistema público de saúde. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2024, quase meio milhão de trabalhadores foram afastados por motivos relacionados à saúde mental, o maior número registrado na última década. Globalmente, estima-se que 12 bilhões de dias úteis são perdidos anualmente devido a depressão e ansiedade associadas ao ambiente de trabalho (OMS).

Diante desse cenário, o governo federal adotou medidas mais rigorosas. Em 27 de agosto de 2024, a Portaria MTE nº 1.419 anunciou a atualização da NR-1, que estabelece diretrizes sobre saúde no ambiente de trabalho e passará a exigir, a partir de 25 de maio de 2025, a fiscalização de riscos psicossociais nas empresas, com possibilidade de penalidades. Apesar dessa regulamentação e dos programas de qualidade de vida, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades em manter um clima organizacional saudável, onde a violência psicológica, a falta de apoio emocional e a pressão por resultados contribuem para o surgimento de transtornos como ansiedade, depressão e Burnout (Kercher, 2025). Um clima inadequado pode levar a crises internas e pedidos de demissão, evidenciando a importância de estratégias eficazes para a promoção da saúde mental e motivação dos colaboradores (Chiavenato, 2020).

A pesquisa se justifica pela necessidade de compreender de que forma o ambiente de trabalho influencia a motivação e a saúde mental dos colaboradores, considerando os impactos organizacionais e sociais decorrentes de um clima inadequado. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar de que forma o ambiente de trabalho influencia a motivação e a saúde mental dos colaboradores, buscando identificar relações entre clima organizacional, satisfação profissional e problemas de saúde mental, com reflexos para a organização e para a sociedade.

2. Material e Métodos

O estudo adotou uma natureza de pesquisa exploratória com abordagem qualitativa, visando analisar de que forma o ambiente de trabalho influencia a motivação e a saúde mental dos colaboradores. A investigação seguiu uma lógica dedutiva, fundamentada em premissas gerais que permitiram a formulação de hipóteses, conforme descrito por Lakatos e Marconi (2021). A pesquisa caracterizou-se como aplicada, buscando gerar conhecimentos para a compreensão de novos fenômenos no contexto organizacional (Yin, 2014), utilizando saberes pré-existentes para verificar a viabilidade técnica ou funcional de processos, sistemas, produtos ou serviços (Gil, 2019).

A unidade de análise consistiu em colaboradores de empresas públicas e privadas, abrangendo os setores de indústria, comércio e serviços. O foco da pesquisa recaiu exclusivamente sobre profissionais atuantes em departamentos administrativos. A seleção dos participantes ocorreu por amostragem por conveniência, direcionada a indivíduos que vivenciavam o ambiente organizacional e atuavam no setor administrativo.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, desenvolvido na plataforma Google Forms. O instrumento foi divulgado em grupos de WhatsApp voltados a networking profissional, consultorias e vagas de emprego, dos quais o pesquisador participava. Essa estratégia permitiu alcançar um universo diversificado de profissionais, conforme a técnica de coleta de informações por questionários (Gil, 2019).

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), e a participação dos colaboradores foi condicionada à aceitação de um Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), conforme Apêndice A. Garantiu-se a confidencialidade e a imparcialidade do estudo, não sendo solicitados nomes dos participantes nem das empresas em que trabalhavam. As únicas informações coletadas referiram-se ao departamento de atuação e ao segmento da instituição, visando avaliar a percepção do clima organizacional em diferentes setores.

O questionário, detalhado no Apêndice B, foi estruturado em três blocos, totalizando quinze perguntas. O primeiro bloco abordou o perfil do respondente e as ações da empresa, coletando dados sobre cargo, tempo de empresa e iniciativas para melhorar o clima organizacional. O segundo bloco concentrou-se na saúde e bem-estar, incluindo questões sobre condição de saúde mental e sintomas associados a burnout, ansiedade e depressão.

O terceiro bloco do questionário investigou o conhecimento dos participantes sobre a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) e a saúde mental, analisando o grau de familiaridade com as atualizações da norma e suas orientações. Adicionalmente, incluíram-se duas perguntas abertas neste bloco, que permitiram aos participantes compartilhar suas percepções e sugestões sobre medidas que as empresas poderiam implementar para promover um ambiente de trabalho mais saudável.

Os dados coletados por meio do questionário foram organizados e tabulados de forma sistemática, sendo categorizados conforme os blocos do instrumento: perfil do respondente, percepção sobre saúde e bem-estar, e conhecimento sobre a NR-1 e saúde mental. A análise foi realizada de forma qualitativa, buscando identificar padrões, tendências e relações entre as percepções dos colaboradores e o clima organizacional.

As respostas às perguntas fechadas foram utilizadas para uma visualização comparativa das informações. As respostas abertas, por sua vez, foram submetidas à análise de conteúdo, com codificação temática das informações, a fim de captar sugestões, percepções e sentimentos expressos pelos participantes (Bardin, 2011). Realizou-se, ainda, uma análise cruzada entre os dados demográficos e as respostas relacionadas à saúde mental.

A interpretação dos dados obtidos foi realizada à luz da literatura sobre gestão de pessoas, saúde ocupacional e psicologia organizacional (Richardson, 2017). Essa abordagem permitiu uma compreensão dos elementos subjetivos que refletem a experiência dos colaboradores, como satisfação, motivação, estresse e percepção de apoio organizacional, sem antecipar achados empíricos ou conclusões.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa exploratória, conduzida por meio de um questionário online, envolveu a participação de 52 colaboradores de diversos setores, abrangendo diferentes cargos, faixas etárias, gêneros, tempo de experiência e segmentos de atuação. Essa diversidade na amostra permitiu uma compreensão multifacetada das percepções sobre o ambiente de trabalho e a qualidade de vida profissional. A distribuição dos cargos revelou uma concentração significativa de Analistas e Gerentes/Diretores, ambos com 25% das respostas, seguidos por Coordenadores/Supervisores, que representaram 19,2%. Auxiliares contribuíram com 11,5% das respostas, enquanto Assistentes, Planejadores de Manutenção e Técnicos apresentaram percentuais menores, indicando que a pesquisa capturou a visão de diferentes níveis hierárquicos, com uma predominância de funções estratégicas e de gestão.

Em relação à faixa etária, a maioria dos participantes, 46,2%, estava entre 25 e 34 anos, e 28,8% entre 34 e 44 anos. Essa concentração sugere um predomínio de colaboradores em fase de consolidação de carreira. Uma parcela menor, 11,5%, tinha entre 45 e 54 anos, e uma pequena fração estava nas faixas de 55 a 64 anos (7,7%) e 18 a 24 anos (7,7%). Quanto ao gênero, 61,5% dos participantes se identificaram como feminino, e 38,5% como masculino, indicando uma amostra majoritariamente feminina. Não houve registros de outras categorias de gênero. Os segmentos de atuação foram relativamente equilibrados, com 28,8% em Escritório/Administração e 28,8% em “Outros” segmentos, seguidos por Indústria (25%) e Comércio (17,3%), o que demonstra que a pesquisa abrangeu diversas áreas organizacionais.

O tempo de empresa dos respondentes também apresentou uma distribuição variada, com a maior parte, 46,2%, atuando entre um e três anos. Colaboradores com mais de seis anos de vínculo representaram 21,2% da amostra, enquanto 17,3% tinham entre quatro e seis anos, e 15,4% estavam há menos de um ano na empresa. Esses dados indicam uma predominância de colaboradores em fase intermediária de permanência na organização, com uma parcela considerável já consolidada a longo prazo. Em síntese, o perfil dos participantes, caracterizado por diversidade de experiência e atuação em cargos estratégicos e administrativos, oferece uma base robusta para analisar o clima organizacional e a qualidade de vida no trabalho sob múltiplas perspectivas. Clima organizacional

A análise do clima organizacional revelou percepções variadas entre os participantes sobre o ambiente de trabalho. A maioria dos respondentes, 55,8%, classificou o clima como “Bom”, e 26,9% como “Regular”, totalizando mais de 80% das percepções nessas categorias. Embora isso indique um reconhecimento de aspectos positivos, a presença de um contingente expressivo que enxerga pontos de melhoria é notável. Além disso, 7,7% dos participantes avaliaram o clima como “Excelente”, enquanto 7,7% o consideraram “Ruim” e 1,9% como “Péssimo”. Esses resultados, mesmo que minoritários nas avaliações negativas, sinalizam a existência de situações críticas em contextos organizacionais específicos.

Ainda que a maioria perceba um ambiente de trabalho favorável, uma parcela considerável dos colaboradores não o considera ideal, posicionando suas percepções entre o “Regular” e o “Bom”. Essa constatação evidencia um espaço significativo para investimentos em ações de valorização, reconhecimento e suporte emocional, visando transformar percepções medianas em avaliações mais positivas. A presença de avaliações negativas, que somam aproximadamente 10% entre “Ruim” e “Péssimo”, serve como um alerta para a necessidade de estratégias de intervenção direcionadas. Percepções desfavoráveis, conforme Chiavenato (2020), tendem a impactar negativamente a motivação, a saúde mental, a produtividade e a retenção de talentos, reforçando a importância de um clima organizacional saudável.

De forma geral, os resultados apontam para um clima organizacional que, embora não seja predominantemente crítico, ainda está distante do ideal. Isso demanda políticas mais consistentes de gestão de pessoas, comunicação eficaz e fortalecimento da liderança para garantir um ambiente de trabalho mais equilibrado e saudável. A cultura organizacional, que reflete o tratamento dispensado aos colaboradores, é fundamental para transmitir uma sensação de pertencimento e importância, fortalecendo o engajamento da equipe (Chiavenato, 2020). Fazer com que os colaboradores se sintam valorizados é um desafio contínuo, e a percepção de sua relevância e o reconhecimento de suas contribuições são essenciais para um clima positivo.

A análise demonstra que, ao alinhar fatores motivacionais com ações efetivas de suporte, a empresa pode potencializar a satisfação e o engajamento dos colaboradores, contribuindo para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. O conceito de clima organizacional, conforme Chiavenato (2020), compreende a influência do ambiente sobre a motivação, sendo definido como a qualidade percebida pelos membros da organização que afeta diretamente seu comportamento. Um clima organizacional favorável contribui para que todos os colaboradores se sintam integrados e motivados a alcançar metas e objetivos comuns, tornando o trabalho coletivo mais eficiente e fortalecendo o senso de pertencimento (Chiavenato, 2021a).

Quando a cultura organizacional é virtuosa, ela promove comportamentos construtivos, aumentando a produtividade e a qualidade de vida no trabalho. Por outro lado, uma cultura negativa pode gerar comportamentos destrutivos, comprometendo o desempenho e prejudicando os relacionamentos interpessoais (Chiavenato, 2020). Portanto, é essencial que a cultura corporativa seja intencionalmente planejada, com valores, crenças e propósitos claros que orientem as ações e comportamentos dentro da empresa. Os resultados da pesquisa indicam que o clima organizacional é percebido de forma majoritariamente positiva, mas destacam áreas que podem ser aprimoradas, como reconhecimento contínuo, programas de bem-estar mais consistentes e políticas que promovam o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Motivação no ambiente de trabalho

A pesquisa identificou que os fatores mais impactantes na motivação dos colaboradores foram “Reconhecimento e valorização profissional” e “Remuneração e benefícios”, ambos citados por 46,2% dos respondentes. Em seguida, “Liderança e gestão” foi apontada por 42,3% dos participantes, e “Comunicação ineficaz” por 38,5%. Esses dados evidenciam que os colaboradores atribuem grande importância tanto a aspectos financeiros e materiais quanto a fatores simbólicos e relacionais, como a percepção de justiça, respeito e valorização profissional. A motivação, portanto, não se restringe apenas à compensação salarial, mas engloba a forma como a liderança conduz a equipe e a qualidade da comunicação interna.

A comunicação ineficaz, destacada por uma parcela significativa dos respondentes, pode gerar desmotivação devido à falta de clareza nas metas, feedbacks insuficientes ou ausência de diálogo aberto entre gestores e equipes. As oportunidades de crescimento profissional, mencionadas por 36,5% dos participantes, também se destacam, revelando que os colaboradores buscam perspectivas de evolução na carreira e desenvolvimento contínuo. A ausência dessas oportunidades pode gerar frustração, estagnação e, consequentemente, queda na motivação, conforme Chiavenato (2021) ressalta a importância da satisfação das necessidades para o engajamento.

Fatores como carga de trabalho e pressão por resultados, ambiente físico e condições de trabalho, e relacionamento com colegas de equipe apareceram com menor impacto, sendo citados por 21,2%, 21,2% e 19,2% dos respondentes, respectivamente. Embora esses aspectos sejam vistos como menos determinantes em comparação com questões de gestão, reconhecimento e benefícios, eles não devem ser ignorados, pois, em determinados contextos, podem se tornar agravantes do clima organizacional. A motivação no trabalho, na perspectiva de Chiavenato (2014, 2020), resulta da interação entre fatores internos, como necessidades individuais, e fatores externos, como as condições organizacionais.

Os resultados obtidos evidenciam essa interação, já que os colaboradores buscam segurança financeira por meio da remuneração (fator externo), mas também satisfação psicológica através do reconhecimento e das oportunidades de crescimento (fatores internos). A análise sugere que a motivação não depende exclusivamente de fatores econômicos, mas resulta da combinação entre recompensa financeira, valorização simbólica e qualidade da liderança. Empresas que buscam aumentar o engajamento de seus colaboradores devem adotar uma estratégia integrada, equilibrando políticas salariais justas com práticas de gestão participativa, comunicação eficiente e programas de desenvolvimento profissional.

A Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow (2000) explica que os indivíduos buscam satisfazer suas necessidades em diferentes níveis. A remuneração e os benefícios estão associados às necessidades fisiológicas e de segurança, garantindo estabilidade financeira e proteção. Já o reconhecimento e a valorização atendem às necessidades de estima, fundamentais para que os colaboradores se sintam respeitados e importantes dentro da organização. Além disso, as oportunidades de crescimento, citadas por 36,5% dos respondentes, refletem a busca pela autorrealização, que corresponde ao nível mais elevado da pirâmide de Maslow, demonstrando a complexidade das demandas motivacionais.

Na Teoria dos Dois Fatores de Herzberg (1959), observa-se a diferenciação entre os fatores higiênicos, que evitam a insatisfação, e os fatores motivacionais, que promovem satisfação. Os resultados da pesquisa confirmam essa teoria, uma vez que os colaboradores valorizam tanto os aspectos higiênicos, como remuneração e benefícios, quanto os motivacionais, como reconhecimento, valorização e oportunidades de crescimento. A Teoria das Necessidades de McClelland (1961) ressalta três necessidades fundamentais: realização, poder e afiliação. Nesse contexto, o fator liderança e gestão, com 42,3% das menções, pode ser associado à necessidade de poder, refletindo o impacto da forma como gestores exercem influência sobre suas equipes.

Por sua vez, o reconhecimento e a valorização estão relacionados à necessidade de realização, enquanto o relacionamento com colegas, embora menos citado com 19,2%, remete à necessidade de afiliação. Compreender o comportamento humano nas organizações revela-se essencial para criar um ambiente motivador e produtivo, onde os funcionários se sentem engajados, valorizados e capazes de desempenhar suas funções de maneira eficaz, conforme Chiavenato (2021). A gestão eficaz do comportamento humano nas organizações não pode ser dissociada de práticas comunicacionais adequadas, já que a compreensão mútua e o compartilhamento de significados são essenciais para maximizar o desempenho e o comprometimento dos colaboradores (Robbins; Judge, 2020). Saúde Mental

A análise sobre a saúde mental dos colaboradores revelou que 46,2% dos respondentes percebem que as ações da empresa em prol do bem-estar existem, mas são apenas superficiais. Apenas 42,3% reconhecem um cuidado efetivo, enquanto 11,5% afirmam não enxergar qualquer iniciativa. Essa percepção reforça a necessidade de fortalecer políticas organizacionais mais estruturadas de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), alinhando discurso e prática, conforme destaca Walton (1973), que defende que a QVT deve abranger tanto condições objetivas, como jornada e remuneração, quanto aspectos subjetivos, como reconhecimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e saúde ocupacional.

A carga horária diária de trabalho dos colaboradores também foi um ponto relevante, com 80,8% dos participantes cumprindo jornadas de 8 a 10 horas. Embora essa seja a carga horária padrão em muitas empresas, ela pode indicar sobrecarga quando associada a demandas excessivas ou falta de pausas adequadas. Um dado preocupante é que 11,5% dos respondentes trabalham mais de 10 horas por dia, o que está diretamente relacionado a riscos de estresse ocupacional, queda de produtividade e maior propensão a doenças relacionadas ao trabalho, conforme Limongi-França (2012) aponta a sobrecarga como um fator crítico que compromete a QVT.

A incidência de sintomas de estresse, ansiedade ou burnout devido ao trabalho é alarmante: 57,7% dos colaboradores afirmaram sentir esses sintomas ocasionalmente, e 11,5% relataram vivenciá-los frequentemente. Isso significa que quase 70% dos respondentes já sofreram algum impacto negativo do trabalho em sua saúde mental. Esses resultados indicam um descompasso entre o discurso e a prática organizacional, onde as iniciativas de cuidado, embora existentes, não são percebidas como efetivas pela maioria. A jornada de trabalho extensa e a alta incidência de sintomas de estresse revelam um cenário em que a motivação pode estar comprometida pela sobrecarga e falta de suporte consistente.

À luz da Qualidade de Vida no Trabalho (Walton, 1975; Limongi-França, 2012), percebe-se a necessidade de medidas concretas que não se limitem a ações superficiais, mas que efetivamente melhorem a relação entre demandas organizacionais e o bem-estar dos colaboradores. A discussão sobre QVT, conforme Cavalcante et al. (2018), evidencia que a satisfação e motivação dos trabalhadores não dependem apenas de fatores econômicos ou da produtividade, mas de um conjunto amplo de elementos sociais, organizacionais, psicológicos e ergonômicos. O estudo demonstra que, historicamente, a atenção das empresas estava centrada na quantidade de horas trabalhadas e na produção, enquanto o cenário atual exige foco no bem-estar, na motivação e na satisfação do colaborador.

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é um desafio para a maioria dos colaboradores. Apenas 38,5% afirmaram conseguir equilibrar totalmente essas esferas, enquanto 51,9% o fazem apenas ocasionalmente. Além disso, 7,7% indicaram que a carga de trabalho é excessiva e 1,9% que o ambiente de trabalho é muito desgastante. Esses resultados dialogam diretamente com a predominância de jornadas de 8 a 10 horas diárias e a percepção de que a empresa se preocupa apenas superficialmente com o bem-estar, ajudando a explicar a dificuldade relatada pelos colaboradores em equilibrar vida pessoal e profissional. O fato de 69,2% já terem sentido sintomas de estresse, ansiedade ou burnout reforça o impacto negativo da sobrecarga na saúde mental e no equilíbrio entre as esferas da vida.

Segundo Limongi-França (2012), a QVT envolve a criação de condições que permitam ao indivíduo não apenas desempenhar suas funções de forma eficiente, mas também manter sua saúde física, psicológica e social. Quando o trabalho ocupa espaço excessivo na rotina, o colaborador tende a sofrer com o fenômeno conhecido como desequilíbrio esforço-recompensa, apontado por Siegrist (1996), no qual o alto investimento em tempo e energia não é compensado por reconhecimento adequado ou oportunidades de desenvolvimento. Essa situação também pode ser interpretada à luz do conceito de equilíbrio trabalho-vida discutido por Greenhaus e Beutell (1985), que destacam três formas de conflito: de tempo, de tensão e de comportamento.

Os dados da pesquisa evidenciam, principalmente, o conflito de tempo, já que a jornada extensa limita o espaço para atividades pessoais, e o conflito de tensão, pois o estresse ocupacional compromete a qualidade da vida fora do trabalho. A análise sobre o conhecimento da atualização da NR-1, que trata da fiscalização de riscos psicossociais no trabalho, revelou diferentes níveis de conscientização e preparo das empresas para atender às novas diretrizes. Um total de 41,2% dos respondentes nunca tinha ouvido falar da atualização, demonstrando um grande déficit de informação e divulgação sobre o tema dentro das organizações.

Cerca de 39,2% dos participantes afirmaram já ter conhecimento sobre a norma, mas apontaram que suas empresas não implementaram ações concretas. Esse resultado reflete um problema recorrente nas organizações: o reconhecimento formal da importância das normas de segurança e saúde, mas sem a devida tradução em práticas efetivas. A lacuna entre conhecimento e ação pode contribuir para a perpetuação de ambientes de trabalho que não oferecem proteção adequada à saúde mental dos colaboradores. Apenas 19,6% relataram que suas empresas já estão se preparando para atender às novas exigências da NR-1, o que, apesar de representar uma minoria, indica um movimento inicial de adequação.

No entanto, os números revelam que esse processo de preparação ainda é tímido e que muitas empresas não estão acompanhando o ritmo das mudanças regulatórias. A gestão dos riscos psicossociais ainda é um desafio, sobretudo porque envolve fatores como pressão por resultados, sobrecarga de trabalho, falhas de comunicação e lideranças pouco preparadas. Embora a norma estabeleça diretrizes claras, a efetividade depende da disposição das empresas em adotar práticas estruturadas de prevenção. Os resultados apontam para uma crescente conscientização sobre os riscos psicossociais, mas também para a dificuldade de transformar esse reconhecimento em políticas internas robustas.

A pesquisa identificou diversas iniciativas de suporte psicológico ou voltadas à saúde mental implementadas pelas empresas. A opção mais adotada, com 48,7% das respostas, foram as palestras e workshops sobre saúde mental, além de campanhas internas, indicando um foco educacional e de conscientização. Treinamentos para líderes sobre gestão saudável foram mencionados por 43,6% dos respondentes, sugerindo um investimento no desenvolvimento de lideranças para promover um ambiente de trabalho mais equilibrado. Além disso, 41% dos respondentes indicaram que suas empresas oferecem convênios com psicólogos, uma medida prática para garantir suporte psicológico.

Um percentual de 20,5% das empresas optou por atendimento psicológico interno, demonstrando um investimento direto no apoio ao colaborador. A redução da carga de trabalho ou a flexibilização de horários foi mencionada por 23,1% dos participantes, revelando que algumas empresas buscam aliviar a pressão sobre os colaboradores. Por fim, 23,1% das respostas também indicaram a implementação de ambientes de relaxamento e descompressão, um esforço das empresas para criar espaços destinados ao descanso e à recuperação mental, favorecendo um equilíbrio entre as demandas do trabalho e o bem-estar dos funcionários.

Em síntese, os achados da pesquisa revelaram que o ambiente de trabalho exerce uma influência significativa na motivação e saúde mental dos colaboradores, com fragilidades no clima organizacional, desmotivação associada à liderança, comunicação, reconhecimento e excesso de trabalho. Observou-se uma dificuldade generalizada em equilibrar a vida pessoal e profissional, com jornadas extensas e iniciativas de bem-estar percebidas como insuficientes. A maioria dos colaboradores já sentiu sintomas de estresse, ansiedade ou burnout, e, embora haja conhecimento sobre a NR-1, a aplicação prática das diretrizes ainda é limitada, evidenciando a necessidade de investimentos mais consistentes em comunicação eficaz, liderança capacitada, reconhecimento contínuo, equilíbrio e programas de saúde e segurança para fomentar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, respondendo diretamente ao objetivo do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a influência do ambiente de trabalho na motivação e saúde mental dos colaboradores, buscando identificar as relações entre o clima organizacional, a satisfação profissional e a ocorrência de problemas de saúde mental. Verificou-se que o clima organizacional foi percebido como bom ou regular pela maioria, mas com pontos de melhoria e uma parcela significativa de avaliações negativas. Identificou-se que o reconhecimento, a remuneração, a liderança e a comunicação ineficaz são os principais fatores que impactam a motivação. Observou-se que as ações de bem-estar das empresas são frequentemente vistas como superficiais, e uma grande parte dos colaboradores relatou sintomas de estresse, ansiedade ou burnout, associados a jornadas de trabalho extensas e à dificuldade de equilibrar a vida pessoal e profissional. Constatou-se, ainda, que o conhecimento sobre a atualização da NR-1, que trata dos riscos psicossociais, é limitado, e a implementação prática das diretrizes é incipiente.

A principal contribuição deste trabalho reside na elucidação da relação entre um clima organizacional desfavorável e o surgimento de problemas de saúde mental, com impactos diretos na vida dos indivíduos e na produtividade das organizações. Os resultados reforçam a necessidade de as empresas investirem em comunicação eficaz, capacitação de lideranças, reconhecimento contínuo, promoção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e programas de saúde e segurança mais robustos. Contudo, o estudo possui limitações, como a amostra por conveniência e o foco em colaboradores do setor administrativo, o que restringe a generalização dos achados. Para estudos futuros, sugere-se investigar a efetividade das intervenções propostas e expandir a pesquisa para outros setores e níveis hierárquicos, a fim de obter uma compreensão mais abrangente dos desafios e soluções para a saúde mental no trabalho.

Referências Bibliográficas

Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

Cavalcante, R. M. F., Pontes, K. V., Bandeira, A. A., & Rocha, A. L. (2018). Qualidade de Vida e Qualidade de Vida no Trabalho: uma revisão bibliográfica. Id on Line Revista Multidisciplinar e de Psicologia, 12(40).

Chiavenato, I. (2020a). Administração dos novos tempos (4. ed.). Rio de Janeiro: Manole.

Chiavenato, I. (2021a). Administração de Recursos Humanos: gestão humana (9. ed.). São Paulo: Atlas.

Conselho Federal de Farmácia. (2025, março 12). Brasil registra maior número de afastamentos por ansiedade e depressão em 10 anos. Conselho Federal de Farmácia. https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/12/03/2025/brasil-registra-maior-numero-de-afastamentos-por-ansiedade-e-depressão-em-10-anos

Dejours, C. (1987). A loucura do trabalho (1. ed.). São Paulo: Cortez e Oboré.

Gil, A. C. (2019). Como elaborar projetos e pesquisas. São Paulo: Atlas.

Greenhaus, J. H., & Beutell, N. (1985). Sources of conflict between work and family roles. Academy of Management Review, 10(1), 76–88. https://doi.org/10.5465/AMR.1985.4277352

Herzberg, F. (1959). The motivation to work (2. ed.). New York: John Wiley & Sons.

Kercher, 2025 [Referência completa não encontrada no documento original]

Lakatos, E. M., & Marconi, M. A. (2021). Fundamentos da metodologia científica (9. ed.). São Paulo: Atlas.

Limongi-França, A. C. (2012). Qualidade de vida no trabalho: Conceitos e práticas nas empresas da sociedade pós-industrial (2. ed.). São Paulo: Atlas.

Maslach, C., Jackson, S. E., & Leiter, M. (1997). Maslach Burnout Inventory: Manual (3. ed.). Palo Alto, CA: Consulting Psychologist Press.

Maslow, A. H. (2000). Maslow no gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark.

McClelland, D. C. (1961). The achieving society. Princeton: Van Nostrand.

Organização Mundial da Saúde. (2025). Burnout: Síndrome passa a integrar lista de doenças ocupacionais pela OMS. Conselho Federal de Enfermagem. https://www.cofen.gov.br/burnout-sindrome-passa-a-integrar-lista-de-doencas-ocupacionais-pela-oms

Richardson, J. R. (2017). Pesquisa social: Métodos e técnicas (4. ed.). São Paulo: Atlas.

Robbins, S., & Judge, T. A. (2020). Comportamento organizacional (18. ed.). São Paulo: Pearson Universidades. https://pt.scribd.com/document/720881764/ROBBINS-18-ed

Siegrist, J. (1996). Efeitos adversos à saúde de condições de alto esforço e baixa recompensa. Journal of Occupational Health Psychology, 1(1), 27–41. https://doi.org/10.1037/1076-8998.1.1.27

Walton, R. E. (1975). Criteria for quality of working life. In L. Davis & A. Cherns (Eds.), The quality of working life (Vol. 1). New York: Free Press.

Yin, R. K. (2014). Estudo de caso: Planejamento e métodos (5. ed.). Porto Alegre: Bookman.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Você também pode gostar

26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade