Artigo

22 de junho de 2026

Detecção de emoções em áudio: Machine learning vs GenAl

Carlos Eduardo Frantz Manchini; Thiago Gentil Ramires

DOI: 10.22167/2675-6528-2026M15

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação

Resumo

O reconhecimento automático de emoções na voz mostrou-se essencial para aplicações na área da saúde, permitindo a identificação de estados emocionais sem supervisão humana contínua. Este trabalho teve como objetivo comparar modelos tradicionais de machine learning com uma solução de Inteligência Artificial Generativa, a Hume AI, na tarefa de inferir emoções advindas da base de áudios RAVDESS. Para a abordagem convencional, foram extraídas características acústicas de 1440 áudios para treinar classificadores como SVM e XGBoost. Na abordagem generativa, os mesmos áudios foram processados pela API Expression Measurement-Prosody da Hume AI. Como principais resultados, observou-se que a solução generativa identificou com facilidade emoções de alta intensidade, como raiva, porém confundiu categorias mais sutis. Em contrapartida, os modelos tradicionais, ainda que demandassem maior pré-processamento, alcançaram desempenho superior e mais equilibrado entre todas as classes avaliadas, com o classificador Support Vector Machine atingindo 61,8% de acurácia na base de teste, enquanto a API Hume obteve 29% de acurácia global e 0,26 de F1-Macro. Concluiu-se que modelos supervisionados permanecem mais precisos e robustos para capturar o espectro emocional e classificar emoções em áudio, evidenciando um trade-off entre a simplicidade das soluções “prontas para uso” e a precisão necessária para uma análise emocional detalhada.

Palavras-chave: Aprendizado supervisionado; Classificação de áudio; Prosódia; Reconhecimento de emoções.

1. Introdução

Os avanços recentes em Data Science e Inteligência Artificial (IA) têm transformado a abordagem de problemas complexos, especialmente na análise e interpretação de dados não estruturados. Estes dados, que abrangem textos, imagens e áudios, constituem a maior parte da informação gerada atualmente, com oitenta por cento dos novos dados empresariais sendo não-estruturados (Gartner, 2020). A extração de insights desse volume é fundamental para a competitividade, viabilizada por aprendizado de máquina e profundo (Goodfellow et al., 2016).

A aplicação dessas inovações, notadamente da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) e dos modelos de linguagem de grande escala (LLMs), tem gerado benefícios em diversas áreas. Na saúde, modelos generativos auxiliam no diagnóstico e tratamento (Topol, 2019), com acurácia superior a noventa e nove por cento em câncer (Sheakh et al., 2024). Na segurança, a IA aprimora o reconhecimento facial e a detecção de fraudes (Li et al., 2020). Na educação, a GenAI cria assistentes virtuais e materiais adaptativos (Luckin et al., 2016).

No processamento de áudio, a IA tem sido empregada em assistentes de voz e tradução automática, permitindo interações mais naturais entre humanos e máquinas (Tan et al., 2021). Neste contexto, o reconhecimento automático de emoções em áudio (SER – Speech Emotion Recognition) é uma área crucial, embora desafiadora devido à complexidade dos dados e das emoções humanas. Akçay e Oğuz (2020) indicam que o SER se baseia em padrões acústicos distintos, como variações na entonação, ritmo, intensidade e qualidade vocal, modelados por aprendizado de máquina. Com o avanço de modelos de GenAI baseados em redes neurais profundas, soluções mais sofisticadas para processar e interpretar sinais de áudio estão sendo exploradas (Purwins et al., 2019).

Este estudo foca na comparação entre métodos tradicionais de Machine Learning e modelos generativos de IA para a identificação de emoções em áudio. Inicialmente, considerou-se o uso do conjunto de dados CORAA – Corpus of Annotated Audios (Alvim et al., 2022), com gravações em português. Contudo, o CORAA apresentou limitações significativas, como a ausência de rótulos detalhados e a falta de diversidade de amostras emocionais.

Devido a essas limitações, optou-se pelo conjunto de dados RAVDESS – Ryerson Audio-Visual Database of Emotional Speech and Song (Livingstone e Russo, 2018), amplamente utilizado em pesquisas de detecção de emoções. Esta escolha permitiu uma análise comparativa detalhada entre abordagens tradicionais (extração de características acústicas) e modelos generativos (processamento direto das gravações). Embora modelos de aprendizado profundo (fundamento da GenAI) superem técnicas convencionais em SER (Khare et al., 2024), desafios como a interpretabilidade e a necessidade de grandes volumes de dados persistem (Latif et al., 2020). Este cenário justifica a investigação das vantagens e desvantagens dos modelos generativos, considerando precisão, robustez, eficiência computacional e generalização.

A motivação para esta pesquisa advém do crescente emprego de modelos generativos em processamento de linguagem natural e reconhecimento automático de fala, pela sua capacidade de identificar emoções via áudio. Esses avanços oferecem oportunidades práticas, como aprimoramento de interfaces conversacionais, criação de ferramentas de suporte emocional e diagnóstico clínico precoce, particularmente na saúde mental. Alterações sutis no tom de voz podem indicar precocemente sintomas como estresse ou ansiedade, possibilitando intervenções preventivas (Cummins et al., 2015). Em serviços de atendimento ao consumidor, a detecção emocional em tempo real otimiza interações (Poria et al., 2019).

Este estudo busca contribuir para a literatura acadêmica ao fornecer uma análise comparativa rigorosa entre métodos tradicionais e modelos generativos na detecção de emoções em áudio. Os resultados podem servir como referência prática para pesquisadores e profissionais, impulsionando o reconhecimento emocional por IA. Assim, o objetivo deste trabalho é comparar modelos tradicionais de aprendizado de máquina com uma solução de Inteligência Artificial Generativa, a Hume AI, na tarefa de inferir emoções a partir da base de áudios RAVDESS.

2. Material e Métodos

Este estudo caracterizou-se como uma pesquisa experimental aplicada, com abordagem quantitativa, que avaliou comparativamente o desempenho de duas abordagens distintas no reconhecimento de emoções em áudio. A primeira abordagem empregou técnicas tradicionais de Machine Learning, baseadas em engenharia de atributos. A segunda, mais recente, utilizou uma solução de Inteligência Artificial Generativa, fundamentada em modelos de processamento de linguagem natural.

Para a condução da pesquisa, inicialmente considerou-se o uso do conjunto de dados CORAA – Corpus of Annotated Audios (Alvim et al., 2022), que contém gravações em português brasileiro. Contudo, devido a limitações como a ausência de rótulos detalhados e a falta de diversidade de amostras emocionais, optou-se pelo conjunto de dados RAVDESS – Ryerson Audio-Visual Database of Emotional Speech and Song (Livingstone e Russo, 2018). Este corpus, amplamente adotado em pesquisas de detecção de emoções, possui 1440 áudios de 24 pessoas, com 60 variações de fala e canto, categorizados em oito emoções: raiva, calma, nojo, medo, felicidade, neutro, tristeza e surpresa.

Realizou-se um pré-processamento em todos os áudios para garantir a consistência da análise comparativa e a qualidade dos dados. As etapas incluíram redução de ruídos, padronização dos sinais sonoros e ajuste nas variações de volume, visando a uniformização dos dados. Conforme Cowie et al. (2001), a fala humana contém informações prosódicas, como tom, intensidade e ritmo, que são essenciais para inferir emoções, justificando a limpeza dos áudios para otimizar a detecção de padrões relevantes.

Na abordagem tradicional, a extração de atributos para treinar os algoritmos de Machine Learning e classificação seguiu as práticas descritas por Akçay e Oğuz (2020). As principais características acústicas extraídas incluíram Coeficientes Cepstrais de Frequência Mel (MFCCs), que representam a estrutura espectral; Chroma Features, para entonação e ressonância da voz; Zero-Crossing Rate (ZCR), que captura mudanças de sinal; e padrões de intensidade, como energia RMS e frequências fundamentais (pitch F0). Adicionalmente, incorporaram-se medidas como Spectral Contrast, descritores espectrais (Centroide, Largura de Banda e Roll-off) e variações temporais dos coeficientes MFCC (delta MFCCs).

Com as características extraídas, diferentes algoritmos de aprendizado supervisionado foram testados para a classificação das emoções, incluindo Random Forest, Support Vector Machines (SVM) e Redes Neurais Artificiais (Multi-Layer Perceptron – MLP), seguindo a metodologia de Schuller et al. (2011). A seleção do melhor modelo fundamentou-se em métricas de desempenho e empregou-se a validação cruzada estratificada k-fold para assegurar a robustez dos resultados. A base de dados RAVDESS foi dividida estratificadamente em conjuntos de treino (70%) e teste (30%).

Para a seleção de atributos, buscou-se manter as características mais relevantes e evitar problemas de multicolinearidade. Uma análise de correlação de Pearson indicou forte correlação entre as variáveis Chroma, que foram substituídas por três componentes principais via PCA, preservando 88% da variabilidade explicada. Identificou-se redundância entre outras características, e a seleção final baseou-se na importância explicativa pelo XGBoost, visando um modelo parcimonioso.

Na abordagem generativa, inicialmente considerou-se o sistema de reconhecimento automático de fala Whisper (OpenAI, 2022). Contudo, essa ferramenta foi descartada por se limitar à transcrição textual, não contemplando intensidades e detalhes acústicos cruciais para a análise emocional. Adotou-se, então, o modelo da Hume AI (2025), que processou e inferiu emoções diretamente a partir das gravações. Esta solução utiliza modelos proprietários de deep learning, treinados em grandes volumes de dados multimodais, sem a necessidade de extração manual de características.

Para o processamento dos 1440 áudios pela API Hume Expression Measurement – Prosody, os arquivos foram divididos em 15 lotes, respeitando as limitações de envio do serviço em nuvem. A API retornou scores associados a diferentes categorias emocionais, permitindo avaliar a probabilidade relativa de cada estado afetivo. Para viabilizar a comparação com o RAVDESS, que possui oito categorias emocionais, realizou-se um mapeamento ontológico dos rótulos da Hume AI para as classes do RAVDESS, definindo as correspondências: boredom para neutro, amusement para felicidade e excitement para surpresa.

A implementação dos experimentos realizou-se utilizando a linguagem Python, com o auxílio de bibliotecas especializadas. A biblioteca Librosa foi empregada para a extração de características acústicas, pydub para manipulação e conversão de arquivos de áudio, e Scikit-learn para os algoritmos de classificação, avaliação e cálculo das métricas. Para a avaliação da abordagem generativa, utilizou-se a API Hume Expression Measurement, acessada via chamadas HTTP integradas ao Python. As métricas de desempenho, como acurácia, precisão, revocação e F1-score, calcularam-se com suporte da biblioteca scikit-learn. Visualizações, como matrizes de confusão, geraram-se com Matplotlib e Seaborn. Para embasamento estatístico, aplicaram-se testes de significância entre modelos, como Wilcoxon/Mann-Whitney ou Friedman.

3. Resultados e Discussão

A etapa inicial do estudo concentrou-se na definição e seleção da base de dados mais adequada para a análise comparativa de reconhecimento de emoções em áudio. Inicialmente, considerou-se o uso do corpus CORAA, que contém gravações em português brasileiro. Contudo, o CORAA apresentou limitações significativas, como a ausência de rótulos detalhados para as emoções, uma variedade restrita de categorias emocionais (neutros, não-neutro masculino e não-neutro feminino) e a falta de um gabarito concreto para a mensuração quantitativa da assertividade das classificações. Essas deficiências inviabilizaram uma análise comparativa robusta e refinada entre as diferentes emoções, o que levou à escolha da base de dados RAVDESS.

O conjunto de dados RAVDESS – Ryerson Audio-Visual Database of Emotional Speech and Song (Livingstone e Russo, 2018) foi selecionado por oferecer um corpus mais rico e balanceado, com oito emoções categorizadas e um gabarito perito. As emoções incluídas são raiva (angry), calma (calm), nojo (disgust), medo (fearful), felicidade (happy), neutro (neutral), tristeza (sad) e surpresa (surprised). A base é composta por 1440 áudios, gravados por 24 indivíduos, com 60 variações que abrangem narrativa, intensidade, emoção e repetição. Essa escolha permitiu uma avaliação mais precisa e consistente das abordagens tradicionais de machine learning e da solução de Inteligência Artificial Generativa.

A análise exploratória dos dados foi fundamental para compreender o comportamento das características acústicas e identificar aquelas com maior capacidade discriminativa entre as emoções. As primeiras visualizações gráficas, utilizando coeficientes Cepstrais de Frequência Mel (MFCC) e espectrogramas Log-Mel, revelaram diferenças significativas, especialmente entre as emoções mais extremas, como tristeza e raiva. Observou-se que, para a emoção de raiva, as frequências eram mais acentuadas e dispersas em comparação com a tristeza, indicando padrões acústicos distintos que poderiam ser explorados pelos modelos de classificação.

Para enriquecer o conjunto de características (features) candidatas e captar informações acústicas adicionais, foram incluídas diversas medidas. Dentre elas, destacam-se a energia RMS (Root Mean Square Energy), que quantifica a intensidade do som em decibéis, e o Spectral Contrast, que mede a diferença de energia entre frequências. Também foram incorporados o Zero Crossing Rate (ZCR), que indica a taxa de mudança de sinal, e descritores espectrais como Centroide, Largura de Banda e Roll-off. Características relacionadas ao pitch fundamental (F0), como sua média e variância, foram calculadas para capturar a entonação e melodia da fala. Por fim, variações temporais dos coeficientes MFCC, os delta MFCC, foram adicionadas para registrar mudanças na intensidade e timbre da voz ao longo do tempo, conforme as práticas descritas por Akçay e Oğuz (2020).

A etapa de seleção de features foi crucial para manter apenas as variáveis mais relevantes para a classificação das emoções e mitigar problemas de multicolinearidade. A análise de correlação de Pearson revelou que as variáveis Chroma apresentavam forte correlação entre si, o que era esperado devido ao caráter cíclico das notas musicais. Para resolver essa redundância, as 12 features Chroma originais foram substituídas por três componentes principais (PCA), preservando 88% da variabilidade explicada. Além disso, identificou-se forte redundância entre outros pares de features, com correlação absoluta superior a 0,8 e correlação positiva acima de 0,9 para dois pares específicos. Nesses casos, optou-se por manter duas das quatro variáveis mais importantes, baseando-se na relevância explicativa pelo XGBoost, a fim de obter um modelo mais parcimonioso.

A comparação entre o modelo completo e o modelo reduzido de features, utilizando o algoritmo XGBoost, demonstrou a eficácia da seleção. O modelo completo, com 81 features, alcançou uma acurácia de 0,660 e um F1-Macro de 0,648. Em contraste, o modelo reduzido, com apenas 23 features (uma redução de 71,6%), obteve uma acurácia de 0,657 e um F1-Macro de 0,635. A diferença de apenas 0,013 no F1-Macro, equivalente a aproximadamente 2%, indica que a abordagem de seleção de features baseada na importância do XGBoost permitiu construir um modelo mais parcimonioso e computacionalmente eficiente, sem comprometer significativamente a capacidade de reconhecimento emocional. Essa evidência sustentou a decisão de prosseguir com a abordagem compacta para a modelagem dos dados.

A modelagem estatística foi realizada com três algoritmos de aprendizado supervisionado clássicos: Support Vector Machines (SVM), XGBoost e Random Forest. A base de dados RAVDESS foi dividida de forma estratificada em conjuntos de treino e teste, utilizando 70% e 30% dos dados, respectivamente. As métricas de desempenho avaliadas foram acurácia e F1-Macro, sendo esta última escolhida por sua robustez em problemas multiclasse e potencialmente desbalanceados, garantindo uma avaliação mais equilibrada entre as categorias emocionais. Os resultados apontaram uma performance moderada geral dos modelos, com destaque para o SVM.

Os resultados detalhados dos modelos de Machine Learning revelaram que o SVM obteve uma acurácia de treino de 0,852 e uma acurácia de teste de 0,618, com F1-Macro de treino de 0,848 e F1-Macro de teste de 0,607. O XGBoost apresentou acurácia de treino de 0,910 e acurácia de teste de 0,567, com F1-Macro de treino de 0,911 e F1-Macro de teste de 0,545. Já o Random Forest teve acurácia de treino de 0,851 e acurácia de teste de 0,458, com F1-Macro de treino de 0,851 e F1-Macro de teste de 0,443. Foi observado um maior overfitting nos modelos Random Forest e XGBoost, o que indica a necessidade de ajustes adicionais nos hiperparâmetros para melhorar a performance. A superioridade do SVM foi evidente, principalmente pela sua estabilidade e capacidade de generalização preditiva na base de teste.

A análise da matriz de confusão para o modelo SVM revelou a assertividade da classificação predita das emoções em relação às emoções reais. A maior parte dos valores concentrou-se na diagonal principal, indicando um bom número de verdadeiros-positivos para cada classe. Contudo, o modelo demonstrou dificuldade em distinguir emoções que compartilham características sonoras semelhantes. Emoções de alta intensidade, como calma e surpresa, foram reconhecidas com maior facilidade. Por outro lado, sentimentos com intensidades mais próximas, como neutro, calmo e tristeza, apresentaram sobreposição e geraram trocas frequentes nas classificações, evidenciando a complexidade da diferenciação de nuances emocionais sutis por meio de descritores acústicos.

No escopo da pipeline generativa, a API Hume Expression Measurement foi incorporada para processar os 1440 áudios. Para viabilizar o envio e processamento no serviço em nuvem, os áudios foram divididos em 15 lotes, respeitando as limitações de envio impostas pela API. Inicialmente, considerou-se o uso do sistema Whisper (OpenAI, 2022) para reconhecimento automático de fala, mas foi descartado por se limitar à transcrição textual e não considerar intensidades e detalhes acústicos essenciais para a análise emocional. A estratégia de transcrever o áudio e processar o texto com um Large Language Model (LLM) foi considerada inadequada, pois poderia sacrificar nuances prosódicas e afetivas, que são cruciais para a detecção de emoções. Dessa forma, a solução da Hume AI (2025) foi adotada, a qual utiliza modelos proprietários de deep learning treinados em grandes volumes de dados multimodais para detectar estados emocionais diretamente das gravações, sem a necessidade de extração manual de características. A API retorna scores associados a diferentes categorias emocionais, permitindo avaliar a probabilidade relativa de cada estado afetivo.

Um aspecto crucial para a comparação entre as abordagens foi a diferença nas taxonomias emocionais utilizadas. Enquanto o corpus RAVDESS categoriza as emoções em oito rótulos bem definidos, a API da Hume retorna previsões em um conjunto distinto de rótulos, incluindo termos como *boredom*, *amusement* e *excitement*. Para permitir uma avaliação quantitativa justa, foi necessário construir um mapeamento ontológico, aproximando semanticamente os rótulos da Hume às classes do RAVDESS. As correspondências estabelecidas foram: *boredom* para neutro, *amusement* para felicidade e *excitement* para surpresa. Essa harmonização foi essencial para viabilizar a comparação direta do desempenho da Hume com o conjunto de referência.

Após a aplicação do mapeamento das categorias, observou-se uma melhora parcial nos resultados da Hume AI. Emoções de maior intensidade, como a raiva, apresentaram um desempenho expressivo, com um F1-score de 0,65. Contudo, classes mais sutis, como medo e nojo, obtiveram valores de F1 próximos de zero. Isso indica que parte da baixa acurácia inicial da Hume decorreu do desalinhamento entre categorias, mas também que, mesmo após a harmonização, o modelo generativo ainda possui limitações para captar nuances emocionais mais discretas. A matriz de confusão da Hume AI evidenciou uma tendência a concentrar predições em classes mais neutras e uma maior dificuldade em identificar corretamente emoções menos intensas, como medo e nojo, que foram amplamente confundidas com outras categorias, incluindo estados mais próximos como calmo e neutro.

Comparativamente, os modelos supervisionados (SVM, XGBoost e Random Forest), conforme os resultados apresentados, alcançaram uma acurácia média de 55% e um F1-Macro de 0,53 na base de teste. Esses valores indicam uma capacidade razoável no reconhecimento das emoções em áudio. Em contrapartida, os experimentos com a API Hume resultaram em uma acurácia global de apenas 29% e um F1-Macro de 0,26, mesmo após o mapeamento ontológico das categorias. Esses dados confirmam a inferioridade da solução generativa quando aplicada diretamente ao corpus de referência, evidenciando que a API Hume classificou corretamente pouco mais de uma em cada cinco amostras, enquanto as abordagens tradicionais baseadas em descritores acústicos atingiram entre metade e dois terços de previsões corretas.

Ainda que os classificadores supervisionados demandassem maior esforço na preparação dos dados, seleção de features e ajuste de hiperparâmetros, eles obtiveram métricas superiores para capturar a diversidade de emoções. Esses resultados reforçam que soluções “prontas para uso”, como a Hume AI, podem ser uma alternativa rápida quando o interesse se restringe a emoções intensas, mas não substituem a consistência e a precisão de modelos ajustados para capturar um espectro emocional mais detalhado. Adicionalmente, o uso da API Hume implicou um custo financeiro de aproximadamente US$ 3,60 para o processamento completo dos 1440 áudios, um fator relevante a ser considerado na escalabilidade da solução.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que, embora as soluções de Inteligência Artificial Generativa como a Hume AI ofereçam simplicidade e rapidez no processamento, os modelos tradicionais de machine learning, especialmente o SVM, apresentaram desempenho superior e mais equilibrado na classificação de um espectro mais amplo de emoções em áudio. A capacidade de generalização e a precisão dos modelos supervisionados, mesmo com a necessidade de pré-processamento e engenharia de características, os tornam mais robustos para aplicações que demandam uma análise emocional detalhada e confiável, enquanto a Hume AI se mostrou mais eficaz para emoções de alta intensidade, mas limitada para nuances sutis.

4. Conclusão

Este estudo teve como objetivo comparar modelos tradicionais de aprendizado de máquina com uma solução de Inteligência Artificial Generativa, a Hume AI, na tarefa de inferir emoções a partir da base de áudios RAVDESS. Verificou-se que os modelos supervisionados, como o Support Vector Machine (SVM), apresentaram desempenho superior e mais equilibrado na classificação de um espectro amplo de emoções, alcançando 61,8% de acurácia na base de teste. Embora demandassem maior esforço em pré-processamento e engenharia de características, esses modelos demonstraram maior robustez e capacidade de generalização. Em contrapartida, a solução generativa da Hume AI, apesar de oferecer simplicidade e rapidez, obteve uma acurácia global de apenas 29% e um F1-Macro de 0,26, evidenciando sua limitação em capturar nuances emocionais sutis, mesmo após o mapeamento ontológico das categorias. A principal contribuição deste trabalho reside na análise comparativa rigorosa, que fornece uma referência prática para pesquisadores e profissionais na escolha de abordagens mais eficazes para o reconhecimento emocional em áudio, impulsionando avanços em aplicações como o diagnóstico clínico precoce em saúde mental.

A pesquisa revelou um trade-off significativo entre a simplicidade das soluções “prontas para uso” e a precisão necessária para uma análise emocional detalhada. Observou-se que a Hume AI se mostrou mais eficaz para emoções de alta intensidade, como a raiva, mas falhou em distinguir categorias mais discretas, como medo e nojo. Os modelos tradicionais, por sua vez, apresentaram maior estabilidade e capacidade preditiva. Como limitações, identificou-se a necessidade de ajustes adicionais nos hiperparâmetros dos modelos Random Forest e XGBoost para mitigar o overfitting. Para estudos futuros, sugere-se a investigação de abordagens híbridas que combinem a agilidade dos modelos generativos com a robustez dos classificadores supervisionados, explorando o uso de embeddings fornecidos por IA para treinar modelos ajustados localmente. Adicionalmente, recomenda-se o fine-tuning de soluções generativas e a exploração de bases de dados de áudios brasileiros mais heterogêneas para avaliar a capacidade de generalização em cenários reais.

Referências Bibliográficas

Akçay, M.B.; Oğuz, K. 2020. Speech emotion recognition: emotional models, databases, features, preprocessing methods, supporting modalities, and classifiers. Speech Communication 116: 56-76.

Alvim, G.; Magalhães, L.L.C.; Bigal, R.L.M.; Medeiros, H.F.G.; Souza, S.R.M.; Silva, C.F.M.; Oliveira, E.P.L.; Pardo, S.R.C. 2022. CORAA: a large corpus of spontaneous and prepared speech manually validated for speech recognition in Brazilian Portuguese. In: International Conference on Language Resources and Evaluation, 2022, Marseille, França. Anais… p. 5908-5915.

Cowie, R.; Douglas-Cowie, E.; Tsapatsoulis, N.; Votsis, G.; Kollias, S.; Fellenz, W.; Taylor, J.G. 2001. Emotion recognition in human-computer interaction. IEEE Signal Processing Magazine 18(1): 32-80.

Cummins, N.; Scherer, S.; Krajewski, J.; Schnieder, S.; Epps, J.; Quatieri, T.F. 2015. A review of depression and suicide risk assessment using speech analysis. Speech Communication 71: 10-49.

Gartner [GARTNER]. 2020. Market guide for text analytics. Disponível em: . Acesso em: 24 mar. 2025.

Goodfellow, I.; Bengio, Y.; Courville, A. 2016. Deep Learning. The MIT Press, Cambridge, MA, EUA.

Hume Al. 2025. Expression Measurement Prosody. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2025.

Khare, S.K.; Blanes-Vidal, V.; Nadimi, E.S.; Acharya, U.R. 2024. Emotion recognition and artificial intelligence: a systematic review (2014–2023) and research recommendations. Information Fusion 102: 102019.

Latif, S.; Rana, R.; Qadir, J.; Epps, J.; Schuller, B.W. 2020. Deep representation learning in speech processing: challenges, recent advances, and future trends. Computer Speech & Language 68: 101-178.

Li, Y.; Schuckert, M.; Law, R.; Wang, J. 2020. The impact of artificial intelligence on security and privacy in smart cities. Journal of Urban Technology 27(2): 65-85.

Livingstone, S.R.; Russo, F.A. 2018. The ryerson audio-visual database of emotional speech and song (RAVDESS). PLoS ONE 13(5): e0196391.

Luckin, R.; Holmes, W. 2016. Intelligence Unleashed: An Argument for Al in Education. Pearson, London, UK.

OpenAl. 2022. Whisper: robust speech recognition via large-scale audio training. Disponível em: . Acesso em: 29 mar. 2025.

Poria, S.; Majumder, N.; Mihalcea, R.; Hovy, E. 2019. Emotion recognition in conversation: research challenges, datasets, and recent advances. IEEE Access 7: 100943-100953.

Purwins, H.; Li, B.; Virtanen, T.; Schlüter, J.; Chang, S.Y.; Sainath, T. 2019. Deep learning for audio signal processing. IEEE Journal of Selected Topics in Signal Processing 13(2): 206-219.

Schuller, B.; Batliner, A.; Steidl, S.; Seppi, D. 2011. Recognizing realistic emotions and affect in speech: state of the art and lessons learnt from the first challenge. Speech Communication 53(9-10): 1062-1087.

Sheakh, M.A.; Azam, S.; Tahosin, M.S.; Karim, A.; Montaha, S.; Fahim, K.U.; De Boer, F. 2024. ECgMLP: a novel gated MLP model for enhanced endometrial cancer diagnosis. Computer Methods and Programs in Biomedicine Update 5: 100181.

Tan, X.; Qin, T.; Soong, F.; Liu, T.-Y. 2021. A survey on neural speech synthesis. Disponível em: . Acesso em: 27 set. 2025.

Topol, E. 2019. Deep Medicine: How Artificial Intelligence Can Make Healthcare Human Again. Basic Books, New York, NY, EUA.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Você também pode gostar

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

04 de novembro de 2026

Financiamento Sustentável no Agronegócio: o Desafio de Escalar o CRA CRF no Cerrado

O presente Business Case analisou a oportunidade de expansão de operações de financiamento sustentável no agronegócio por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) vinculados ao modelo Responsible Commodities Facility (RCF). O objetivo consistiu em avaliar como o CRA RCF poderia superar limitações operacionais, integrando monitoramento satelital, auditorias externas, critérios técnicos de elegibilidade e métricas verificáveis, preservando a viabilidade econômica do financiamento. Para isso, mapearam-se os fatores causais que limitavam a expansão do programa, utilizando um diagrama de Ishikawa. Avaliaram-se três alternativas estratégicas, e uma matriz de decisão indicou a mais aderente. A metodologia de avaliação baseou-se na coleta periódica de dados operacionais, financeiros e socioambientais, comparando-os com uma linha de base existente. A análise identificou que a escalabilidade do programa era restringida por desafios de governança de dados, monitoramento territorial e processos de elegibilidade. Como resultado, recomendou-se a implementação de um framework operacional integrado, focado na padronização de critérios socioambientais, integração de bases geoespaciais, monitoramento contínuo e aprimoramento do reporte de impacto. A solução proposta demonstrou ser a alternativa mais adequada para promover o crescimento sustentável do programa, com expectativa de ampliar o volume financiado, reduzir custos operacionais, expandir a área monitorada sob critérios de produção livre de conversão e fortalecer a credibilidade institucional, contribuindo para um mercado financeiro agrícola mais sustentável.

Palavras-chave: Agronegócio; Cerrado; CRA RCF; ESG; Financiamento sustentável.

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

04 de novembro de 2026

Gestão de Ativos de Aterramento e SPDA: Estruturação de Modelo Aplicado à Mineração

Uma mina de cobre em Marabá (PA) operava sem um processo formal de gestão para os sistemas de aterramento e SPDA, o que gerou um passivo de não conformidades e ameaçou a certificação ISO 14001, essencial para a receita. O trabalho objetivou estruturar um modelo formal de gestão para esses ativos, capaz de atacar as causas reais do problema. Para isso, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa para identificar as causas estruturais das não conformidades, distribuindo-as em categorias como métodos e materiais. Em seguida, utilizou-se a Matriz GUT para priorizar as causas mais críticas, como a ausência de procedimento de gestão e de plano de inspeção. Cinco alternativas de solução foram avaliadas por uma matriz de decisão multicritério e um estudo de viabilidade. A alternativa de gestão interna estruturada e faseada até 2030 (Alternativa 5) foi a recomendada, obtendo a maior pontuação (122 pontos), com o modelo híbrido servindo de apoio pontual para expertise externa em fases críticas. O plano de implementação previu cinco fases até 2030, incluindo mapeamento e saneamento documental, adequação técnica prioritária, consolidação e expansão do modelo, e maturidade. A meta principal foi alcançar 100% das edificações mapeadas e adequadas, e eliminar apontamentos em auditorias ISO 14001. Concluiu-se que o modelo proposto transformou a gestão reativa em um processo proativo, com responsabilidades definidas e indicadores de desempenho, garantindo a conformidade normativa, a previsibilidade técnica e a continuidade operacional da planta.

Palavras-chave: Aterramento; Gestão de ativos; ISO 14001; Mineração; SPDA.

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

04 de novembro de 2026

Viabilidade Econômica da Comercialização de Co2 Liquefeito em Biorrefinarias de Etanol de Milho no Brasil

A busca global pela descarbonização intensificou o interesse no aproveitamento de CO2 biogênico, especialmente de biorrefinarias de etanol de milho, que geram CO2 concentrado e ainda pouco valorizado. Este Business Case avaliou a viabilidade econômico-financeira da produção e comercialização de CO2 liquefeito por meio da implantação de uma unidade de captura, purificação e liquefação em uma biorrefinaria de etanol de milho no Brasil. O estudo considerou uma capacidade nominal de 150 t/dia, analisando o mercado potencial, o investimento necessário, os custos operacionais e os resultados econômicos, utilizando indicadores como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e payback descontado. O projeto exigiu investimento estimado de R$ 93,4 milhões e produziu potencialmente 49.875 t/ano de CO2 liquefeito. Nas premissas adotadas, apresentou VPL de R$ 22,1 milhões, TIR de 19,5% ao ano, payback descontado de 10,5 anos e preço de equilíbrio de R$ 727/t. A análise de mercado indicou dimensão compatível com a produção proposta, mas evidenciou a necessidade de validação regional da demanda e de contratação antecipada de parcela relevante da capacidade. Concluiu-se que o projeto era economicamente viável, com margem de 19,2% antes de o VPL atingir zero, porém sua atratividade dependia da confirmação do preço líquido de venda, do investimento e do consumo de energia. Recomendou-se avançar para validação comercial e engenharia básica, condicionando-se a decisão final de investimento à confirmação dessas variáveis, aproveitando a continuidade operacional das biorrefinarias de milho para transformar o CO2 de fermentação em produto comercial.

Palavras-chave: Biorrefinaria; CO2 liquefeito; Etanol de milho; Viabilidade econômica.

27 de outubro de 2026

Eficácia da política monetária do Banco Central Brasileiro e seus possíveis custos sociais (1999-2024)

A condução da política monetária no Brasil, particularmente sob o regime de metas de inflação, tem sido amplamente debatida em razão de seus possíveis impactos sobre a inflação e a atividade econômica. O estudo objetivou avaliar a eficácia da política monetária brasileira, conduzida pela taxa Selic, no controle da inflação, e investigar seus possíveis custos sociais no período de 1999 a 2024. Para isso, utilizaram-se dados trimestrais de Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa Selic e câmbio, extraídos do Banco Central do Brasil. A metodologia empregou um modelo Vetorial de Correção de Erros (VECM), precedido por testes de estacionariedade e cointegração, e complementado por análises de Função de Resposta ao Impulso e Decomposição da Variância. Os resultados indicaram que a inflação apresentou forte componente inercial, sendo predominantemente explicada por sua própria dinâmica, enquanto os choques na taxa de juros e no câmbio demonstraram impacto estatisticamente limitado sobre o IPCA. Adicionalmente, verificou-se que o PIB não respondeu de forma significativa a variações na Selic, sugerindo baixa sensibilidade da atividade econômica à política monetária no período analisado. Em síntese, concluiu-se que a política monetária demonstrou eficácia limitada no controle da inflação, sem, contudo, gerar custos sociais diretos e significativos sobre o Produto Interno Bruto, que atua como principal motor da geração de emprego.

Palavras-chave: Cointegração; Econometria; Inércia inflacionária; Metas de inflação; Produto Interno Bruto.

27 de outubro de 2026

Eficiência financeira e mitigação de riscos em departamentos jurídicos

A pesquisa investigou como mecanismos de governança e controles internos, aplicados a práticas de “Legal Operations”, podem fortalecer a gestão financeira e a previsibilidade orçamentária de um departamento jurídico em uma empresa multinacional. O estudo objetivou diagnosticar pontos críticos do ciclo orçamentário jurídico, desde a previsão ao pagamento, e identificar melhorias de processos, indicadores e responsabilidades entre os setores jurídico e financeiro. Para tanto, realizou-se uma pesquisa aplicada de natureza qualitativa, configurada como estudo de caso. A coleta de dados incluiu entrevistas com profissionais das áreas jurídica e financeira, análise documental de planilhas de custos (2022-2024) e políticas de compliance, além de mapeamento do fluxo de despesas jurídicas. Os resultados revelaram fragilidades na coordenação interdepartamental, notadamente na definição de centros de custo e na utilização de instrumentos de controle orçamentário. Observaram-se lacunas no acompanhamento de processos e na integração de informações de escritórios externos, além de oportunidades para automação de rotinas e aprimoramento de indicadores gerenciais. A previsibilidade orçamentária mostrou-se impactada por fatores exógenos, como a dinâmica do Poder Judiciário, e endógenos, como a qualidade da informação e a governança do ciclo orçamentário. Concluiu-se que a previsibilidade orçamentária depende da maturidade da governança aplicada aos processos, dados e rotinas operacionais. Propôs-se um modelo de governança e controle para o orçamento jurídico, com foco na padronização de processos, fortalecimento do acompanhamento e melhoria da tomada de decisão, incluindo mapeamento de processos, matriz de riscos e controles, e indicadores de desempenho.

Palavras-chave: Automação; Controles internos; Governança corporativa; Legal Operations; Previsibilidade orçamentária.

27 de outubro de 2026

Comparação de modelos de risco de pré-pagamento em carteiras de crédito pré-fixado

O risco de liquidação antecipada em carteiras de crédito pré-fixadas constituiu um desafio relevante para a Gestão de Ativos e Passivos (ALM) em instituições financeiras, por gerar assimetrias de fluxo de caixa e ineficiências em estratégias de hedge. O trabalho teve como objetivo avaliar comparativamente o desempenho preditivo de modelos econométricos e estatísticos tradicionais frente a algoritmos de aprendizado de máquina na estimativa da Taxa de Mortalidade Mensal (SMM). Para isso, utilizou-se uma base de dados real de operações de crédito originadas entre 2016 e 2025, totalizando aproximadamente 500 milhões de observações. Avaliou-se modelos como CPR Histórico, Regressão Beta, Regressão Quantílica, Regressão Logística, Riscos Proporcionais de Cox e LightGBM, com a performance mensurada pelo Erro Absoluto Médio (MAE) e validada por meio de validação cruzada temporal com janela expandida. Os resultados demonstraram a superioridade das abordagens não lineares, com o modelo LightGBM apresentando a melhor performance no período de teste (jan/2024 a jul/2025), reduzindo o MAE em 34,21% em relação ao benchmark histórico. Adicionalmente, técnicas de interpretabilidade baseadas em valores SHAP e análise de sobrevivência foram empregadas para identificar o spread da taxa de contrato, a taxa de mercado e a idade do título como os principais determinantes econômicos da antecipação. A aplicação do modelo proposto aprimorou a precisão das estimativas de fluxo de caixa e ofereceu evidências favoráveis ao aperfeiçoamento do cálculo da duration efetiva e do dimensionamento do colchão de liquidez institucional, sugerindo que modelos mais flexíveis podem otimizar a gestão de ALM.

Palavras-chave: Aprendizado de máquina; Gestão de ALM; Hedge; Modelagem financeira; Risco de juros.

27 de outubro de 2026

Arquitetura imperativa vs. reativa: impacto na depuração e correção de erros no desenvolvimento mobile iOS

O desenvolvimento de aplicações mobile iOS pode ser conduzido sob arquiteturas imperativa e reativa, impactando diretamente as práticas de depuração e manutenção. Objetivou-se estabelecer o impacto da escolha arquitetural na depuração e correção de erros em aplicações iOS, avaliando a detectabilidade automática de falhas, a rastreabilidade dos relatórios e a utilidade dos logs. Conduziu-se uma pesquisa experimental, na qual se desenvolveram duas aplicações nativas funcionalmente equivalentes com UIKit (imperativa) e SwiftUI/Combine (reativa). Inseriram-se quatro cenários de erro controlados, classificados em crashes explícitos e erros silenciosos. Coletaram-se dados com Firebase Crashlytics e Xcode Debugger em quarenta sessões, e estes foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados revelaram que, para inconsistências de estado, a arquitetura UIKit gerou crash imediato e relatório automático, enquanto SwiftUI suprimiu o crash e produziu aviso silencioso invisível a ferramentas automáticas. Para desempacotamento forçado, a arquitetura mostrou-se irrelevante. Em cenários silenciosos, nenhuma arquitetura ofereceu observabilidade automática, o que evidenciou limitações das ferramentas. Concluiu-se que a arquitetura reativa, ao abstrair mecanismos de controle de estado, reduziu erros explícitos, mas introduziu falhas silenciosas com menor rastreabilidade. A decisão arquitetural deve considerar as implicações para o monitoramento em produção, exigindo instrumentação manual de logs em projetos SwiftUI/Combine para erros que seriam automaticamente capturados no UIKit.

Palavras-chave: Combine; Manutenibilidade; Observabilidade; SwiftUI; UIKit.

27 de outubro de 2026

CRM NA RETENÇÃO DE DADOS PARA ANÁLISE DE POTENCIAL DO CLIENTE NO SETOR B2B SAÚDE

A gestão comercial no setor B2B saúde enfrentou desafios constantes, exigindo visão estratégica e atenção aguçada para a entrega de resultados. Investigou-se como a implantação do sistema CRM (Customer Relationship Management) colaborou para mitigar a perda de informações históricas e potencializar a retenção de clientes frente ao custo de vender. Adotou-se uma abordagem qualitativa-quantitativa, de caráter exploratório-descritivo, e os dados foram coletados por meio de questionário respondido por 42 profissionais da área comercial, inseridos na indústria ou em empresas do segmento saúde. Os resultados revelaram que, embora 71,4% dos entrevistados utilizassem CRM informatizado, a cultura organizacional impôs forte resistência, confirmada por 57,1% dos profissionais que dependiam de métodos manuais, como agendas e planilhas isoladas, para registro e retenção dos dados. Evidenciou-se também uma lacuna na capacitação, visto que 24,4% dos entrevistados raramente ou nunca receberam treinamentos específicos. A pesquisa inferiu que a subnotificação de dados não decorreu apenas da falta de tecnologia ou por falha tecnológica, mas pela existência de uma deficiência na gestão estratégica de pessoas e processos. Reforçou-se a visão da necessidade de uma gestão integrada para gerar inteligência competitiva e previsibilidade nas vendas, e alertou-se para a necessidade de treinamentos e capacitação mais frequentes. A mitigação do custo de vender e a potencialização da retenção de clientes dependem da integração consistente entre capital humano e tecnologia, gerando ativos gerenciais para aumentar a produção comercial e a retenção de dados estratégicos.

Palavras-chave: Capacitação; Estratégia de vendas; Gestão de clientes; Gestão estratégica; Inteligência comercial.

27 de outubro de 2026

Avaliação da aplicação do Scrum na melhoria da eficiência e adaptabilidade em projetos de tecnologia

A crescente complexidade dos projetos de tecnologia exigiu abordagens capazes de equilibrar controle, eficiência e adaptabilidade a mudanças constantes, visto que modelos tradicionais de gerenciamento apresentaram limitações em ambientes dinâmicos. Avaliou-se o gerenciamento de projetos de tecnologia antes da implementação de um método ágil, propôs-se melhorias baseadas em práticas iterativas e reavaliou-se o desempenho pós-implementação, buscando identificar ganhos em eficiência operacional e adaptabilidade ao longo do ciclo de vida do projeto. A pesquisa empregou um estudo de caso descritivo, de abordagem qualitativa, em duas empresas do setor de tecnologia. Coletaram-se dados por meio de formulários estruturados aplicados antes e após a intervenção, complementados por análise documental e observação sistemática ao longo de noventa dias de aplicação da solução. Os resultados evidenciaram melhoria consistente na flexibilidade do planejamento, maior alinhamento com as necessidades do cliente, aumento da previsibilidade das entregas e aprimoramento da produtividade das equipes. Um ganho de produtividade foi o indicador mais expressivo, com 85,7% de concordância total sobre a melhoria do desempenho das equipes após a adoção do *framework*. Concluiu-se que a implementação estruturada do método aprimorou o gerenciamento dos projetos analisados, reforçando a capacidade de resposta a mudanças e promovendo maior geração de valor ao negócio.

Palavras-chave: Adaptação organizacional; Entrega incremental; Gestão ágil; Planejamento iterativo; Produtividade de equipes.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade